sexta-feira, 21 de junho de 2019

O primeiro educandário para meninas em Minas Gerais

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     Três de abril de 1849 marca o início de um dos mais importantes acontecimentos para a educação em Minas Gerais. (fotografia acima de Sônia Fraga) Após três meses navegando pelo Oceano Atlântico, chega ao porto do Rio de Janeiro um grupo de 12 freiras francesas da congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, convidadas por Dom Antônio Ferreira Viçoso (1787-1875) bispo da Arquidiocese de Mariana na época, para desenvolverem trabalhos educacionais no Brasil. Elas aceitaram o convite e embarcaram da França para o porto do Rio de Janeiro, chegando à Mariana, na Região Central de Minas, a cavalo. O objetivo era erguer na cidade um dos pilares da educação no Estado. Vieram com um propósito, mesmo sabendo das dificuldades que teriam, principalmente com a falta de recursos financeiros já que o auge do Ciclo do Ouro tinha se encerrado e as dificuldades de se obter recursos eram grandes. Acreditavam na providência divina para conseguir os recursos necessários para a obra para qual foram designadas. O propósito era fundar a primeira escola feminina do Estado, com prioridade para meninas órfãs, isso porque na época não existia instituição que cuidasse das órfãs em Minas Gerais. 
     Com a coragem e determinação das freiras, mesmo com a falta de recursos, no dia 10 de março de 1850, numa casa simples e bem modesta na Rua Barão de Camargos, no mesmo quarteirão onde hoje está a escola, era inaugurado a Casa da Providência, hoje Colégio Providência, o primeiro educandário no Estado somente para meninas, em vivia em regime de internato. (foto ao lado de Fabinho Augusto)
     Com o passar dos anos a modesta construção foi ganhando melhorias. Em 1930, a modesta construção foi ampliada para atender a demanda de alunas que crescia a cada ano, se transformando num imponente casarão com traços arquitetônicos coloniais do século 19 e ecléticos, do século 20. Hoje, o colégio ocupa um quarteirão inteiro. São 12 mil metros de área construída, preservando as características originais do imóvel. Em 1999 foi todo reformado, ganhou um museu temático e passou a ter também um centro de convenções e atividades culturais.
     O museu temático foi criado com o objetivo de contar a da vida das missionárias pioneiras e do próprio Colégio. O Museu Casa da Providência fica anexo à Capela de Nossa Senhora da Encarnação e guarda relíquias do século 19, como produtos que as freiras faziam para arrecadar dinheiro para manter a escola, tapetes, livros, baús, documentos, paramentos, diário de bordo da primeira diretora do Providência, a irmã Du Bost. Tem ainda um quarto de dormir com o mobiliário do século 19, as celas dos cavalos em que as freiras usaram para virem do Rio de Janeiro até Minas, dentro outros objetos. 
     Em 1902 o Colégio Providência se tornava Escola Normal, formando professoras. Em 1946 passa a ter o curso Ginasial, que na época era os quatro últimos anos do ensino fundamental hoje, da 5ª a 8ª séries. No ano seguinte, 1947, passa a ter também o Segundo Grau, hoje Ensino Médio. (fotografia acima de Elpídio Justino de Andrade)
     1972 é um ano de uma significativa mudança na visão do Providência. Antes era escola somente para meninas em regime de internato. A partir daquele ano passou a ter turmas mistas, deixando de ser internato. Nesse mesmo ano foi criado um pensionato, originando o que é hoje o Hotel Providência.
     Vinculado hoje à Província da Associação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, em Belo Horizonte, o Colégio Providência oferece ensinos Fundamental, Médio e Educação Infantil (Creche, 1º e 2º períodos). (fotografia acima de Elvira Nascimento)
     Quem visita Mariana se encanta com a beleza das cores azul e branco do Colégio Providência e o charme de sua arquitetura. É um das mais belas construções de Minas Gerais. (Por Arnaldo Silva)

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