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sexta-feira, 24 de maio de 2024

A ligação de Minas Gerais com a Ordem dos Cavaleiros Templários

Pela primeira vez em 906 anos, a Ordem dos Cavaleiros Templários tem um Grão-Mestre brasileiro
          Membro do Gran Priorato Templário do Brasil, Cavalaria Espiritual São João Batista, com sede em Carangola, Minas Gerais, o Prior do Sul do Brasil Magnus Officialis Sidení Moratelli trouxe para nós um pouco da história da Ordem dos Cavaleiros Templários. (na foto acima, templo da Ordem Templária em Carangola MG)
          A história da Ordem se divide em três fases: 1ª Fase – 1095 a 1314 – Do nascimento a supressão; a 2ª Fase – 1315 a 1803 – A fase oculta da Ordem e a 3ª Fase – 1804 aos dias de hoje – O neotemplarismo – Ordo Supremus Militaris Hierosolmilitane – Magnum Magisterium (OSMTH-MM).
O nascimento da Ordem dos Cavaleiros Templários
As cruzadas - No ano de 1095, por todos os lados da Europa, se divulgou a mensagem do Papa Urbano II convocando os cristãos para uma cruzada a Terra Santa. No ano seguinte, reuniram-se em Constantinopla vários nobres. Depois de três anos de investidas militares, Jerusalém foi conquistada pelos cruzados em 15/07/1099, sob o comando Godofredo de Bulhões, que se estabeleceu no local que fora atribuído ao “Santo Sepulcro”. Godofredo de Bulhão, foi sucedido por seu irmão, que tomou o título de Rei de Jerusalém – Balduíno I e foi sucedido pelo seu filho Balduíno II. Após a tomada de Jerusalém e a consolidação do Reino Cristão, os nobres europeus que empreenderam na conquista militar, retornaram à Europa, permanecendo em Jerusalém apenas um grupo de 300 cavaleiros. (na imagem acima, festa de São João Batista em Carangola MG)
Nove cavaleiros fundam a Ordem Templária
          Em 1118, um grupo de cavaleiros liderados por Hugo de Payens e Geoffroy de Saint Omer, fundaram uma nova Ordem Religiosa, destinada a Proteção dos Peregrinos. Originalmente conhecida por “Pobres Cavaleiros de Cristo”. Apesar da história assegurar que eles eram nove, só se conhece o nome de oito deles. Hugo de Payens, Godofredo de Saint-Omer, Arcambaldo de Saint-Aignan, Payan de Montdidier, Godofredo Bissot, Hugo Rigaldo e dois registrados apenas pelos nomes de Rossal ou Ronaldo e Gondemaro. O nome do nono Cavaleiro permanece desconhecido. No entanto, existe uma vertente espiritual da Ordem que acredita que o nono cavaleiro era o Mestre Espiritual Oculto. (na foto, Prior do Sul  Sideni Moratelli (com a espada) com Irmãos do Sul)
Obediência a Igreja e ao Papa
          Com a Bula “Omni datum optimum”, de 29 de março de 1139, o Papa Inocêncio II, sujeitou os Templários à autoridade direta do Papa e concedeu-lhes isenções e privilégios que fizeram da Ordem uma estrutura autônoma, com concreta possibilidade de se assegurar uma base econômica forte, de forma a financiar as atividades militares na Terra Santa e na Península Ibérica. (Prioresa de Minas Gerais Maria Aparecida Santana e membros do Priorado de Minas)
          Sucessivamente a Bula “Milites Templi” de 1144, o Papa Celestino II concedeu novos privilégios à Ordem, solicitando doações a favor da causa da Ordem. Dessa forma, os Templários podiam recolher doações diretamente a seus fundos.
O comércio Internacional
          Os Templários foram os primeiros banqueiros da Europa. Desde o princípio, os Templários eram uma organização internacional, embora seus objetivos estivessem na Terra Santa, seu sustento vinha da Europa, onde possuíam terras, recolhiam impostos (dízimos) e recebiam doações. Organizavam feiras e mercados, onde comercializavam sua produção, e com isso construíram uma formidável frota mercante, capaz de transportar peregrinos, soldados e suprimentos, entre a Espanha, França, Itália, Grécia e Alémar. A maioria dos produtos que os templários importavam, tais como, cavalos, ferro e trigo, vinha pelo mar. (na foto, desfile Templário em Portugal)
Declínio e subpressão da Ordem dos Cavaleiros Templários
A queda de Jerusalém - No ano de 1187, mais precisamente, no dia 04 de julho, Saladino avançou pelas terras da Galileia e, nos Cornos de Hattin, travou uma das batalhas mais importantes da idade média, contra o exército cristão, formado pelas tropas do francês Guy de Lusignan, o rei consorte de Jerusalém, o príncipe da Galileia Raimundo de Trípoli e Geraldo de Rideford à frente dos Templários. Estima-se que havia cerca de 60 mil homens – entre cavaleiros, soldados desmontados e mercenários muçulmanos – no exército Cristão; já as forças de Saladino, possuíam cerca de 70 mil guerreiros.
           A estratégia adotada por Guy de Lusignan, contrariando o sugerido por Raimundo, era a de lançar um ataque imediato e pontual, contanto com o apoio dos Templários. O resultado não poderia ser diferente, dada a arrogância de Guy de Lusignan, a derrota foi violenta tendo como consequência: o Rei feito prisioneiro, Raimundo fugitivo, Reinaldo de Chântillon, que combatera em campo, decapitado por Saladino. 
          Após esta batalha, os muçulmanos seguiram para Jerusalém e, depois de um cerco de duas semanas, conquistaram a cidade. Já de posse de Jerusalém (tomada em outubro de 1187), Saladino poupou a vida de Guy, enquanto Raimundo escapou da batalha com sucesso. O pior aconteceu aos Templários, sendo todos mortos em campo, exceto o Mestre, que pouco após foi colocado em liberdade, sob suspeita de que este tivesse se convertido à religião muçulmana para sobreviver.
A inveja de um rei endividado
          Em 1305, o rei da França Filipe IV, “O Belo” resolveu obter o controle dos templários para impedir a ascensão da ordem no poder da Igreja Católica. O rei era primo de Jacques de Molay, Grão-Mestre que ele acabaria mandando para a fogueira em 1.314, o delfim Carlos, era afilhado de Jacques. Mesmo sendo seu amigo, o rei de França tentou juntar a ordem dos Templários e a dos Hospitalários, pois sentiu que as duas formavam uma grande potência econômica e sabia que a Ordem dos Templários possuía várias propriedades e outros tipos de riqueza. Ambicionando a riqueza templária, o rei Filipe IV tentou se filiar à ordem sem obter o esperado sucesso. Com isso, decidiu instaurar uma abnegada perseguição religiosa acusando os integrantes dessa Ordem de praticarem rituais e difundirem crenças afastadas dos dogmas previstos pela Santa Sé. Pressionando o papa Clemente V, o rei da França conseguiu materializar um processo jurídico em que os templários seriam julgados pelos crimes que supostamente cometiam. (na porta do templo em Carangola MG)
O pergaminhos de Chinon
          O chamado Pergaminho de Chinon é um documento histórico, originalmente publicado no século XVII, na obra "A Vida dos Papas de Avignon". Este documento obteve destaque em nossos dias, graças à descoberta pela Dr.ª Barbara Frale. Sabe-se agora que o Papa Clemente V absolvera secretamente o último Grão-mestre, Jacques de Molay, e os demais líderes dos Templários, em 1308, das acusações feitas pela Santa Inquisição. A tradução do texto original feita pelo Comendador Templário, Grã-Cruz, Coadjutor Magistral da OSMTH Magnum Magisterium, Padre Manuel Lopes Botelho, sacerdote da Diocese de Évora, em seu contexto contempla a absolvição dos julgados no ano de 1308, nos dias 17, 19 e 20 do mês de agosto: Frei Jacques de Molay – Grão-Mestre universal de toda a ordem militar do templo, os frades Raybaud de Caron, preceptor das terras ultramarinas; Hugo de Paraud, da França, Geoffroy de Gonneville, de Pictávia e Aqutânia, e Geoffroy de Charney da Normandia. (n foto, o Gran Prior Fernando Bacellar com o Cardeal do Rio de Janeiro Dom Orani, o Capelão da OSMTH Magnum Mafisterium Padre Geraldo e um membro da Ordem de Cristo)
O neotemplarismo
          Carta de Transmissão “Larmenius” - A "Carta de Transmissão" é um manuscrito latino codificado supostamente criado por Fr. Jean-Marc Larmenius em fevereiro de 1324, detalhando a transferência da liderança dos Cavaleiros Templários para Larmenius após a morte de Jacques de Molay. A ela também foi anexada uma lista de 22 grão-mestres sucessivos dos Cavaleiros Templários depois de Molay, terminando em 1804, o nome de Bernard-Raymond FabréPalaprat aparecendo em último lugar na lista, que revelou a existência da Carta em 1804. O documento está escrito em um suposto antigo Codex dos Cavaleiros Templários. (na foto, Dom Albino Neves com o Mestre Robert na Church Templi - Londres)
Ressurgimento da Ordem - Em 4 de novembro de 1804, Fabré Palaprat refundou a Ordem do Templo e revelou a existência da Carta Larmenius ou "Carta de Transmissão". Dentre os feitos do Fabré Palaprat, destaca-se a fundação de uma Igreja Joanita, moldada pelo evangélho de João. Tal fato o levou a prisão. A Regência da Ordem do Templo foi em um estágio seguinte passado para Joséphin Péladan, posteriormente se fundindo com outros grupos ocultistas liderados por Papus, finalmente sendo legalmente incorporado por um grupo belga conhecido como “Ordre Souverain et Militaire du Temple de Jérusalem, OSMTJ”. Atualmente reconhecida como “Ordo Supremus Militaris Templi Hierosolymitani” (OSMTH)
          “Association Belge des Chevaliers de I´Ordre Souverain et Militaire du Temple de Jerusalém – (OSMTH). Em 1933, em Lovaina, o Grande Priorado da Bélgica restaurou o Magistério da Ordem, entregando a regência nas mãos de Théodore Covias, e no ano seguinte (1934) Covias transmite os seus poderes para Émile-Isaac Clément Vanderberg, na qualidade de Regente e Guardião da Ordem.
Sucessão Portuguesa - Em novembro de 1942, durante a ocupação da Bélgica por parte dos alemães, Vanderberg (de origem judaica) considerou oportuno transferir os arquivos do Templo para a cidade do Porto, em Portugal, país neutro em relação a guerra, confiando ao Conde António Campelo Pinto de Sousa Fontes, então regente do Grão Priorado de Portugal, que tomando para si o mandato como Grão-Mestre de todos os Templários. Em 1947, António Campelo Pinto de Sousa Fontes, designou seu sucessor, Fernando Campelo Pinto Pereira de Sousa Fontes, seu filho. E com a morte do pai, Fernando tomou para si o título de Principe Regente. (reunião em Portugal e abaixo reunião na Itália)
          Nesse ambiente controverso, muitos dos Grãos Priorados Internacionais, se auto proclamaram independentes, gerando assim, diversas ramas neotemplárias. Em 2001, a Ordem foi credenciada pelo Conselho Econômico Social das Nações Unidas como uma Organização Não Governamental. Tal reconhecimento, colocou um fim nas pretensões de outras ramas neotemplárias de reivindicarem o título de OSMTJ ou OSMTH.
52º Grão Mestre Templário - Em cerimônia realizada no dia 18 de agosto de 2018, na capela de Fradelos, na cidade do Porto em Portugal, foi aberta a Carta Testamento da OSMTH Magnum Magisterium, onde o então falecido Grão-Mestre Don Fernando de Sousa Fontes, fundamentado no Artigo 11 do Estatuto nomeou como seu sucessor Dom Albino Neves (na foto acima) e outros seis membros da Ordem para formar o Alto escalão. O Grão-Mestre Don Fernando de Sousa Fontes deixou as seguintes nomeações:
• Grão-Mestre: Dom Albino Neves (Brasil)
• Princesa Regente: Maria Suzana Pinto de Fontes (Espanha/Portugal)
• Coadjutor Magistral Geral: Padre Manuel Lópes Botelho (Portugal)
• Legado Magistral Geral: Alexey Andreyev (Rússia)
• Conselheiro Magistral Geral: Nenad Davidovic (Sérvia)
• Inspetor Magistral Geral: Patrick Jouve (França)
• Maria da Glória: Mestre de Cerimônias Magistral Geral (Portugal)
          Em 21 de Agosto de 2022, na Cidade de Castelo de Vide em Portugal, o 52º Grão Mestre – Dom Albino Neves, por decreto magistral cria oito cargos de auxiliares do Grão-mestre denominados de “Audiutor Magnus Magister Scriptor”, escolhidos pela relevância de serviços prestados a OSMTH Magnum Magistérium. Os nomeados para o cargos de “Audiutor Magnus Magister Scriptor”, terão a prerrogativa aconselhar o Grão-Mestre de escolher o novo Grão-Mestre em até 60 dias da vacância do cargo. Nesse período de 60 dias de vacância, assumirá temporariamente o cargo de GrãoMestre o “Audiutor Magnus Magister Scriptor” mais velho. Nesse mesmo evento em Castelo de Vide, foram nomeados: Victor Manuel Chacopino – Grão Prior da Espanha; Nenad Davidovic – Grande Conselheiro General Magistral; Marco Pirillo - Grande Chanceler General Magistral (Itália); Fernando Alves Bacellar – Grão Prior do Brasil; Pe. Manuel Lopes Botelho – Coadjutor General Magistral; Franz Charles – Grão Prior da Bélgica.
          Nesse mesmo evento em Castelo de Vide, Franz Charles – Grão Prior da Bélgica, entregou ao Grão-Mestre Dom Albino Neves, a caneta que pertenceu Émile-Isaac Clément Vanderberg, ratificando assim, da sucessão Belga para a sucessão Portuguesa e por fim, reconhecendo o atual 52º Grão Mestre.
          Em sua visita à Itália em 2019, Dom Albino Neves nomeou como Grande Chanceler Geral Magistral o Cavaleiro Gran Cruz Marco Pirillo que tem conduzido de forma exemplar a tarefa a ele confiada, seja firmando acordos ou na fundação da “International Templar Academy Foundation”, reconhecida pelo Governo de Washington, EUA, tendo o Grão-Mestre sido nomeado como seu presidente honorário.
          Dom Albino Neves já assinou dezenas de acordos entre a OSMTH Magnum Magisterium e Ordem similares, inclusive com a Ordem de São Jorge, acordo que havia sido rompido há 707 anos. Também inaugurou em Portugal o Museu Templário e solicitou a digitalização de mais de 450 mil fichas de filiação da Ordem, presentes em 77 Países do mundo. (na foto acima, o complexo dos templários em Carangola MG visto de cima)
Conheça melhor o Gran Priorato Templário do Brasil visitando o site www.granprioratotemplario.com.br
Contato com a Ordem Templária no Brasil: granprior.brasil@gmail.com

terça-feira, 16 de abril de 2024

A cidade que mudou de nome por causa de Santa Catarina SC

(Por Arnaldo Silva) Natércia, no Sul de Minas, conta atualmente com 4.691 habitantes, segundo Censo do IBGE. Cidade pequena, pacata, charmosa e acolhedora, está a 387 km da capital, fazendo limites territoriais com Heliodora, Lambari, Jesuânia, Conceição das Pedras, Pedralva, Santa Rita do Sapucaí e Careaçu.
          Seu relevo é montanhoso, com belíssimas paisagens naturais nativas, rios e cachoeiras como a cachoeira da Usina, com 45 metros de queda, ótimos atrativos para um convívio maior com a natureza prática de caminhadas e esportes radicais como rapel. (foto acima de José Valmei)
Origens
          O que é hoje a cidade de Natércia, tem origens no arraial de Descoberto da Pedra Branca, seu primeiro nome, em 1741. Dois anos depois, em 28/02/1743, passa a se chamar Arraial de Santa Catarina da Pedra Branca, tendo como padroeira, Santa Catarina de Alexandria. Elevado a freguesia em 11/07/1822 por Alvará de 09/05/1822 e a vila/distrito em 14/09/1891, por Lei Estadual n° 2 de 14/09/1891, subordinado a Santa Rita de Sapucaí MG.
          Na data de elevação à freguesia, 11/07/1822, a Igreja de Santa Catarina foi elevada a Paróquia e a partir desta data, a freguesia/vila, passou a se chamar Santa Catarina, posteriormente, elevada à cidade emancipada pela Lei Estadual nº 843, de 07-09-1923.
          Tanto a freguesia, vila e cidade se desenvolveram a 3 km do primitivo Arraial de Santa Catarina da Pedra Branca. A elevação de sua igreja a Paróquia em 11/07/1822 e sua elevação a vila, em 7/09/1923, são datas comemorativas da cidade.
De Santa Catarina MG para Natércia MG
          No século passado, encomendas e cartas levavam semanas e até meses para chegar aos destinatários. O envio era basicamente feito por trens, já que até o anos 1970, o transporte por terra e em trens, era predominante. As longas distâncias e o tempo para chegar ao destinatário, ocasionava extravios ou desvios de correspondências.
          É o caso de Santa Catarina MG. Muitas correspondências enviadas a destinatários na cidade, acabavam indo parar no estado de Santa Catarina, o que gerava enormes transtornos. Para por fim a essa questão, os vereadores de Santa Catarina MG se mobilizaram junto ao poder municipal, Assembleia Legislativa e Governo do Estado de Minas Gerais para mudar o nome da cidade, que foi feito através da Lei nº 1039, de 12-12-1953. 
          Com a aprovação dessa lei, Santa Catarina MG teve o nome alterado para Natércia MG, nome escolhido pelos políticos locais, com a alteração do nome aprovado pela Câmara Municipal de Vereadores.
Por que Natércia?
          Natércia é um anagrama de Caterina, em alusão aos versos de Luís Vaz de Camões (1524 – 1580), português e Renascentista, é considerado um dos maiores escritores da língua portuguesa de todos os tempos, tido inclusive como o “pai da língua portuguesa”. Camões nutria um forte amor por Caterina de Ataíde, uma linda jovem de olhos azuis, filha de um nobre português e membro da administração da corte real.
          Sua beleza impressionava tanto Camões que Caterina de Ataíde foi imortalizada em diversos de seus sonetos. Um desses sonetos, tem o nome de Natércia. Sua amada havia morrido ainda jovem, vítima de uma grave e fulminante doença. O poeta nunca escondera as saudades e o amor ardente que nutria por sua amada Caterina.
          Camões à época era um jovem irrequieto, aventureiro e demonstrava muita valentia. Por esses motivos, sempre se metia em confusões por onde passava e por várias vezes, foi parar em prisões.
Em uma de suas viagens, se envolveu em problemas na Índia, tendo sido capturado na China e enviado à Índia de navio para ser julgado. Foi nessa viagem de volta à Índia que escreveu o soneto Natércia.
          Para não identificarem o nome da amada, Camões misturou as sílabas de CATERINA, dando nome ao poema de NA-TER-CIA. 
          Na escolha do novo nome para a cidade, foi feita a sugestão de Natércia, com explicações do seu significado. Autoridades da cidade, à época, optaram pela troca do nome Santa Catarina MG para Natércia MG, com a alteração aprovada por projeto de lei, embora o nome escolhido não tenha tido total apoio dos moradores da cidade.
          O anagrama é uma linda poesia de amor, além de fazer alusão à padroeira da cidade, Santa Catarina de Alexandria.
Atrativos de Natércia
          Além da Paróquia de Santa Catarina de Alexandria, Natércia tem como outros atrativos a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, construída no século XIX, com belíssimas obras de arte em seu interior e outras belas igrejas. (na foto acima do Leonardo Souza/jleonardo_souza_srs, a Paróquia de Santa Catarina de Alexandria)
          Além disso, tem o Mirante do Cruzeiro, com uma vista panorâmica espetacular da cidade, as cachoeiras do Salto e sua impressionante queda, trilhas como a Trilha da Pedra do Cruzeiro e estradas rurais que levam a outras cachoeiras como a Cachoeira da Usina na vizinha Conceição das Pedras. Sem contar a possibilidade de praticar esportes aquáticos no Rio Sapucaí, como a canoagem ou mesmo, relaxar às margens do rio e praticar pesca esportiva em seus rios e represas. (foto acima de José Valmei)
          Pra quem prefere um programa familiar, tem o Parque Municipal, um lugar com boa estrutura para diversão, ideal para o dia com a família e fazer piqueniques.
          Para os amantes da cultura que queiram conhecer mais a fundo a história da cidade, Natércia conta com Museu Histórico e a Casa da Cultura, além de preservar suas festas tradicionais como a de Nossa Senhora da Conceição e de Santa Catarina de Alexandria, a padroeira, em 25 de novembro, dentre outras festividades. Tem ainda a oportunidade de visitar fazendas históricas, com construções do período colonial, já que algumas são abertas a visitação.
          E como toda tradicional cidade mineira, a culinária de Natércia é bastante tipicamente mineira e rica em sabores, com destaque para o feijão-tropeiro, o frango com quiabo e a tradicional broa de milho. (na foto acima de José Valmei, a Paróquia de Santa Catarina de Alexandria)
          Natércia conta ainda com uma boa estrutura urbana, um variado comércio, bares, restaurantes, padarias e lanchonetes, além pequenos hotéis e pousadas aconchegantes, ruas e praça arborizadas, um charmoso e atraente casario. (foto acima de Fernando Campanella)
          Além disso, a calma e tranquilidade de Natércia, é por si só um convite ao sossego, bem como a hospitalidade de seu povo, muito gentil e acolhedor. Inclua Natércia em seu roteiro de cidades para conhecer. Irá se encantar com sua história, cultura, turismo, tradições e belezas naturais e rurais.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Por que o mineiro chama carne de mistura?

(Por Arnaldo Silva) Esse termo surgiu na época que as tropas cortavam o sertão mineiro levando e trazendo mercadorias, no século XVIII. Nas paradas para pouso e alimentação, preparavam as refeições sem carne, por ser muito difícil de se obter nas viagens, além de ser difícil de levar, devido as dificuldades de armazená-la na época.
          Hoje, com a migração do povo do homem do campo para as cidades, as expressões antigas acabaram sendo esquecidas ou pouco faladas e até mudada em seu sentido original. Ou seja, mistura no século XVIII era o acréscimo de carne, hoje no século XXI, é tudo que é misturado ao popular arroz com feijão. Apenas em algumas regiões mineiras, mistura é carne.
          Na Região Central Minera, Oeste, Centro-Oeste, Triângulo Mineiro e Sul de Minas, a influência tropeira, nos modos, costumes, hábitos e linguajar ainda é muito forte, principalmente na formação dos sotaques regionais. Nessas regiões, principalmente povoados rurais, mistura é usada no lugar de carne, bem como outras dezenas de palavras do linguajar tropeiro, hoje incorporados ao dialeto mineiro.
          O paulista do interior pronuncia também mistura ao invés de carne, devido a origem tropeira e bandeirante desse Estado, responsável pela expansão, através das tropas e bandeiras, dos costumes, tradições, modos e hábitos tropeiros em Minas.
          A comida era a base de feijão, farinha, hortaliças nativas, toucinho, além de ovos, que era mais fácil de encontrar. Esse prato passou a ser conhecido no século XVIII, em Congonhas do Norte MG, por “feijão-ferrado”. (na foto acima do Judson Nani, um prato com mistura (frango) e abaixo do Edson Borges, o feijão-ferrado com toucinho, sem mistura)
          Quando tinha carne, era toucinho carnudo ou charque fritado no toucinho e por fim, misturado ao feijão, farinha, ovos, hortaliças, com o torresmo. Assim, quando a carne era misturada ao feijão-ferrado ou em qualquer outro prato, era chamada de mistura.
          Com o tempo, o feijão ferrado, com a mistura, passou a ser o prato mais consumido pelos tropeiros em Minas, que passou a ser chamado de feijão-tropeiro.
          Para os tropeiros, ovos não era considerado mistura e nem verdura, somente carne. É assim hoje. Comida de mineiro tem que ter mistura. (na foto acima do Judson Nani, um prato sem mistura)
          Até hoje, nas casas mineiras, sempre se pergunta qual será a mistura do almoço ou jantar. Ou seja, que tipo de carne será misturada à comida. Ou mesmo, se for visitar uma família mineira para almoçar, irão te perguntar se gosta de mistura ou qual mistura prefere. Se não gostar de mistura, terá a opção de ovos, verduras e hortaliças, que embora possa parecer, não é mistura. Ao menos para o mineiro. (na foto acima do Edson Borges, um prato com mistura)
          Mistura para mineiro é carne de porco, boi ou de galinha no prato do almoço ou jantar.

terça-feira, 28 de novembro de 2023

Como as mulheres se vestiam no século XIX

(Por Arnaldo Silva) Saber como era a vida das mulheres, não só mineiras, como brasileiras em geral, no século XIX e anteriores, é uma curiosidade que todos temos. Como no século XIX a fotografia era rara no Brasil, embora existisse, era restrita a poucos. A base para nossa imaginação eram as gravuras feitas por artistas plásticos da época que hoje ilustram livros de história.
          Com base em gravuras existentes nesses livros e pinturas de artistas entre 1800 a 1860, é possível hoje refazê-las usando a IA. Foi assim, usando informações iconográficas disponíveis em livros de histórias e gravuras que retratam a vestimenta feminina dessa época, que Felipe Oliveira, editor da Paulistânia Caipira/@paulistaiacaipira, fez as imagens que ilustram essa matéria. Não é a reprodução 100% exata de como eram as feições e vestimentas das mulheres naquela época, já que pinturas não são reproduções exatas das feições e dos lugares pintados em tela. Mas as imagens em IA são bem próximas da realidade, além de nos permitir entender como as mulheres se vestiam, seus hábitos e costumes nos anos de 1800-1860.
          Nessa época, a cultura, a música, a vestimenta, as tradições, o linguajar, os modos e costumes tinham fortes influências da cultura bandeirante e tropeira. Minas Gerais, juntamente com Mato Grosso, Goiás, parte do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande Sul, fazia parte parte da área de abrangência e influência cultural da Paulistânia Caipira, expandida pelos bandeirantes e tropeiros por toda essa região. Minas Gerais, durante o Ciclo do Ouro, foi o Estado que mais recebeu bandeirantes e tropeiros paulista, por isso, recebeu uma grande influência da cultura caipira, não apenas na música, linguajar, mas na vestimenta, modos e costumes.
          Os costumes e modos de vestir dos bandeirantes e tropeiros naquela época, são bastante parecidos entre mineiros e paulistas, principalmente na vestimenta das mulheres, com pouquíssimas diferenças. Tanto as mulheres paulistas, quanto mineiras, principalmente nas regiões Sul de Minas, Triângulo Mineiro, Centro-Oeste e Região Central, tinha modos, costumes e vestimentas que pouco se diferenciavam.
          Seguiam a tendência da moda da época, como acontece até os dias de hoje. Segue-se uma moda, um estilo. Antigamente era assim também.
A influência dos modos e costumes caipira
          A vestimenta das mulheres mineiras, paulistas, goianas, mato-grossenses, paranaenses, catarinenses e gaúchas, teve influência da cultura ibérica com costumes castelhanos, presentes no cotidiano e costumes paulistas. Este estilo foi introduzido pelos colonizadores portugueses em São Paulo, entre os séculos XVI e XVI. Foi nessa época que teve origem a cultura caipira, que abrange os costumes, tradições, cultura, música, estilo de vida, de se vestir, fala, comer. Enfim, que abrangia todo o cotidiano da região de influência paulista, nessa época.
          Esse estilo foi se expandindo pela área de influência da Paulistânia Caipira, na medida que bandeirantes e tropeiros foram adentrando pelas regiões Sul do Brasil, Centro-Oeste e Sudeste. O estado que recebeu maior influência foi Minas Gerais, devido a descoberta de ouro no final do século XVII. Como consequência, dezenas de milhares de pessoas começaram a chegar à Minas Gerais para trabalharem na mineração. Em sua maioria, paulistas, em busca da riqueza do ouro.
          Foi nessa época que aumentou a influência da cultura caipira em Minas, bem como todos os seus modos e costumes. Uma das dessas influências era no modo de vestir das mulheres mineiras. Esse tipo de vestimenta, bastante estranha aos olhos de hoje, era normal entre a meninas, moças e mulheres daquele tempo, não só em Minas, mas nas regiões da presença da influência da cultura caipira.
Vestimenta de influência Ibérica
          As mulheres dessa época trajavam sempre roupas relativamente escuras e sóbrias, acompanhada de um manto de lã feltrado e preto, chamado de baeta. Completava ainda a vestimenta um xale ou sua mantilha preta, véu e rendas nas mãos, igualmente escuras. Essa vestimenta envolvia todo o corpo da mulher.
          Esse modo de vestir das mulheres foi introduzido no processo civilizatório português em São Paulo, e estabelecendo-se definitivamente com a União Ibérica (que foi unificação da Coroa Portuguesa e Espanhola que regeu a política dessas nações entre 1580-1640). Esse modo de vestir, bem como vários outros costumes, teve então a influência mesclada dos estilos português e espanhol, introduzido no cotidiano paulista entre os séculos XVI e XVII e expandido para a área de influência das entradas e bandeiras paulistas.
          Inclusive, os trajes que cobrem a imagem original e as réplicas de Nossa Senhora Aparecida, baseiam-se nos costumes e modo de vestir das mulheres dessa época.
          Esse tipo de roupa era usado aos domingos, feriados religiosos e em dias de missa. Eram roupas bastante sóbrias e com ares bem sombrios. Todo em tom escuro, com xale ou mantilha preta, véu e rendas, também em tons escuros. Cobria o corpo todo, deixando apenas à mostra o rosto e mãos da mulher.
          No dia a dia, as vestimentas eram também sóbrias, sem muita extravagância, mas usando outras cores além do preto, como o vermelho, nos xales, rendas coloridas e chapéus com laços e flores. Muitas das mulheres não dispensavam o cachimbo.
Impressões de cientistas e pesquisadores estrangeiros 
          Saint-Hilaire, cientista francês que teve autorização da Coroa Portuguesa para viajar pelo Brasil estudando e pesquisando a fauna, flora e costumes do brasileiro, quando esteve em São Paulo, conheceu e descreveu esse modo de vestir, deixando esse relato:
          "Em São Paulo, as negras e mulatas, e em geral as mulheres do povo, aparecem nas igrejas com a cabeça e o corpo envoltos em pano preto. As mulheres de classe mais elevada põem na cabeça e nos ombros uma mantilha de casimira preta com que escondem quase inteiramente o rosto, mantilha esta debruada de larga renda da mesma cor"
          Muitas mulheres paulistas, em pleno século XIX, apegavam-se às vestimentas e às posturas do tempo dos bandeirantes, e mesmo quem havia convivido com as novidades da Corte imperial, permanecia fiel aos confortáveis costumes dos primeiros séculos de colonização. A Marquesa de Santos, quando voltou a São Paulo depois do período de convivência com Dom Pedro I, fazia o uso destas vestes.
          Isabel Burton, esposa do célebre viajante inglês Richard Burton, conheceu-a, na década de 1860, pouco antes de sua morte.
          Isabel Burton conta que a marquesa, já idosa, se adaptara aos modos de sentar da velha São Paulo de Piratininga: “a última vez em que a vi, recebeu-me na intimidade de sua cozinha, onde sentava-se no chão, fumando, não um cigarro, mas um cachimbo”
          Visitando Guaratinguetá em 1822, Saint-Hilaire descreveu a vestimenta das mulheres: 
          "As mulheres pobres andam com as pernas e muitas vezes os pés nus, usam saia e camisa de algodão, e levam aos ombros uma capa ou um grande pedaço de pano azul ou preto, tendo à cabeça um pequeno chapéu de feltro em forma de prato"
          Além do cientista francês, outros ilustres pesquisadores e viajantes descreveram esse modo de vestir, como Carl Friedrich Gustav Seidler, um viajante suíço alemão, que em visita à São Paulo em 1825 fez essa análise sobre esse tipo de vestimenta:
          "...As senhoras e moças aqui se vestem de preto ou de cores variegadas, cada qual seguindo, quanto a cores, seu gosto pessoal e não os rigores da moda. Os povos meridionais(paulistas) sempre fizeram assim e é forçoso reconhecer que, nessa escolha, têm uma percepção segura. Veem-se as mulheres nas igrejas trajadas de modo belo e decente, com vestidos de seda preta, pesadamente ornados de vidrilhos ou com uma larga guarnição de encantadores babados.
          Não lhes falta o véu, flutuando como leve nuvem sobre as fartas madeixas e permitindo, como o leque, variadíssimos jogos. No teatro e nos bailes, aparecem com vestidos de gases policrômicos, cobertos de inúmeras flores e laçarotes de fitas, saiotes de cetim, corpete igual, bordado a ouro ou prata, rico diadema, flores e plumas nos cabelos em agradável combinação".

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Saiba como era a vida e costumes no século XIX

(Por Arnaldo Silva) Como era a vida de mineiros, paulistas, paranaenses, goianos, mato-grossenses e serranos do Sul do Brasil e outros povos que surgiram sobre a influência direta das incursões de bandeirantes paulistas e tropeiros?          
          Goiás, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e principalmente Minas Gerais, receberam forte influência da cultura e tradições caipiras da chamada Paulistânia Caipira. 
          A influência da Paulistânia Caipira pelas regiões sudeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil, teve início no século XVI e XVII, através das incursões de entradas e bandeiras pelos rincões brasileiros, e também de tropeiros, nos séculos XVIII, XIX e início do século XX.
A vida não era nada fácil
          Viagens longas em lombo de mulas e burros, dificuldades de alimentação, além de estarem em regiões de matas fechadas, numa terra ainda recém-habitada, viajando meses pelas picadas do nosso sertão, sem rumo ou destino certo, sem se voltariam.
          Homens e mulheres desbravando nosso sertão em busca de melhores condições de vida. Deixavam tudo para trás e se embrenhavam pelas trilhas e picadas abertas por povos indígenas.
          Andavam dias e até meses em lombos de mulas e burros ou mesmo a pé. Descalços, roupas sujas e rasgadas, barbas e cabelos longos. Não tinham comida e nem utensílios para prepará-las. Comiam do que encontravam na natureza pelo caminho, muitas das vezes, frutas e plantas tóxicas, além de enfrentarem pelo caminho ataques de indígenas hostis, onças, cobras e condições climáticas por eles desconhecidas.
Diferenças sociais
          Em lugares mais desenvolvidos, como as cidades que surgiram durante o Ciclo do Ouro em Minas Gerais, a situação era melhor, já que a riqueza que a extração mineral gerava, permitia melhores estruturas das cidades e condições de vida.
          Eram ruas calçadas em pedra, água vinda de chafarizes, casarões com mobiliário requintado, igrejas, comércio, mercados abastecidos constantemente por tropeiros que traziam e levavam cargas diariamente.
          Para a imensa maioria, formada por escravizados, alforriados e trabalhadores em geral, não era nada fácil a vida. Faziam suas casas em pau-a-pique e barro e viviam de forma bem precária.
Comiam com as mãos em cuias e cabaças
          Móveis e utensílios domésticos eram feitos por eles próprios, de forma rústica. Usavam cuias de cuité como pratos e colheres feitas com cavacos das próprias cuias.
          Esmaltados e talheres praticamente eram inexistentes nessa época. Poucas pessoas tinham acesso às panelas de ferro, pratos e talheres esmaltados. Eram itens que vinham da Europa, por isso, acessível a poucos.
          As cabaças eram secadas e transformadas em garrafas para armazenar água e café. A cabeça da cabaça, virava copo. Pratos eram feitos artesanalmente de barro. E quando não tinha pratos e nem colheres, usavam folhas de bananeiras e comiam com as mãos mesmo.
Como se vestiam?
          Quando conseguiam, fazia seus próprios sapatos, botas de cano longo e alpercatas, usando couro de boi. Mas a maioria andava descalça e vestiam trapos.
          Roupas eram feita por alfaiates, para quem tinha condições de encomendá-las. A maioria não tinha e quando tinha, era apenas uma ou duas peças apenas.
        Além disso, usavam roupas já bem gastas pelo tempo, por não terem condições de fazerem ou comprarem outras.
Lazer e diversão
          Mesmo com tanta dureza, se divertiam e se sentiam felizes. Na hora das refeições, tinha roda de viola, adoravam, cachimbos e cigarros de palha, além de apreciarem uma boa e longa prosa.
          Em dias de festas, como casamentos, aniversários, festas juninas ou religiosas, tinha muita cantoria, comida, cachaça, licor, quitandas e cantoria com a típica música caipira, presente em todas as regiões por onde os bandeirantes e tropeiro passavam.
          Viola e violão e as vezes, sanfona, estavam sempre nas bagagens de bandeirante e tropeiros, para cantarem e dançarem nas horas de folga e festas. (infelizmente a IA, não reproduz uma viola)
Foram os pioneiros
          Apesar da vida difícil, imaginando na visão de hoje, são esses que merecem nosso reconhecimento.
          Foram os pioneiros, abriram matas, construíram suas casas e comunidades no meio do mato. Preparam a terra, plantavam, criavam porcos, galinhas e gado.
          Estavam sujeitos a ataques de onças, lobos, animais peçonhentos, além de estarem sujeitos às doenças tropicais como machado guerreiro, malária, tétano, tifo, vermes, picadas de mosquitos, bichos do pé, tuberculose, lepra, etc. Qualquer doença, hoje curável, era fatal naquela época. Não existia remédios e muito menos médicos o suficiente para atender a população. Somente nas cidades e mesmo assim, restrito a fidalguia.
          O povo pobre contava com a sabedoria dos antigos, remédios caseiros e das benzedeiras, que eram sempre procuradas. 
Vida curta
          Nessa época, a expectativa de vida, devido a dificuldades de acesso ao conhecimento e tratamento médico, que era praticamente inexistente para a imensa maioria e condições de higiene inadequadas, era de 32 anos.
          As pessoas envelheciam cedo. Alguns viviam por muitos anos. Meu bisavó materno, pai de minha avó materna, morreu aos 32 anos, vítima de tétano. Já o meu bisavó materno, pai de meu avó materno, passou dos 100 anos. Dizem que morreu com 127 anos. Teve a sorte de não ter contraído nenhuma doença grave durante sua vida.
          As imagens que viram no decorrer dos parágrafos mostraram isso, mas também com beleza e romantismo, dando impressão de saudosismo e poesia no estilo de vida do mineiro e demais povos da influência da Paulistânia Caipira, entre 1800-1860, mas como puderam ver, a vida naquela época não era fácil mesmo e muito menos tão romântica como muitos acreditam que tenha sido. 
Como fizemos as imagens da matéria?
          Hoje, a IA e informações icnográficas disponíveis, nos permite ter ideia de como era a vida, costumes, vestimentas e alimentação do nosso povo entre 1800-1860.
          As imagens que veem no decorrer do texto foram feitas com pessoais reais e atuais, pelo Felipe Oliveira da Paulistânia Tradicional/@paulistâniatradicional, por meio da IA.
          Buscou-se reprodução dos costumes do século XIX (1800-1860), para que assim possamos mergulhar no tempo de nossos antepassados. A base usada para a reprodução das imagens e entender a realidade dos bandeirantes e tropeiros dessa época foi o livro No tempo dos Bandeirantes, Belmonte.
          Não são imagens 100% fiéis à realidade daquele tempo, mas bem próximas da realidade vivida pelos bandeirantes, tropeiros, aventureiros e viajantes que deixavam suas origens pra se aventurarem pelo interior do nosso sertão, do nosso Cerrado e da nossa Mata Atlântica, desbravando matas, enfrentando intempéries naturais, perigos diversos e fundando arraiais e povoados pelo caminho. Muitos desses arraiais e povoados são hoje cidades.

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