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terça-feira, 6 de outubro de 2020

Arroz com costelinha na beira do Rio São Francisco

(Por Arnaldo Silva) Viver já é bom, imagina viver em Minas e na beira do Rio São Francisco. É um privilégio! São centenas de rios, milhares de cachoeiras espalhadas por Minas Gerais e o mineiro não perde tempo. Fim de semana ou em feriados, está lá, na beira dos rios, pescando e principalmente, fazendo o tradicional piquenique em família. 
          Foi o que fez Maria Mineira, autora das fotos que ilustram a matéria, de São Roque de Minas e família, na beira das águas limpas do Rio São Francisco, já próximo a Vargem Bonita. É na região onde estão as nascentes que formam o Rio São Francisco, com as águas correndo limpas e cristalinas. Ótimo para passar o dia, nadar, brincar, praticar esportes e claro, cozinhar. 
          Maria Mineira preparou um legítimo arroz mineiro com costelinha de porco, ao ar livre, feito num fogão de pedras, num caldeirão de ferro. Não tem coisa mais mineira e deliciosa que isso. 
Vamos aprender a fazer esse arroz com costelinha:
INGREDIENTES
. 2 quilos de costelinha de porco cortadas em pedaços miúdos
. 2 copos (requeijão) de arroz
. 4 dentes de alho picados
. 5 copos (americano) de água quente
. 2 folhas de louro
. 1 cebola grande picada em pedacinhos
. Sal a seu gosto
. 1/2 copo (americano) de óleo
MODO DE PREPARO
- Ferva a água e reserve
- No fogão a lenha, coloque o caldeirão, despeje o óleo e frite um pouco as costelinhas.
- Em seguida, acrescente o sal, o alho, a folha de louro, a cebola e mexa bem por 1 minuto.
- Agora, coloque o arroz e mexa até misturar bem, refogando por uns 3 minutos.
- Despeje aos poucos a água fervente, acerte o sal e tampe.
- Numa panela de ferro e em fogão de pedra, o cozimento é bem rápido. Fique sempre atento para caso a água secar e queimar o arroz. Se precisar, coloque mais água, até que o arroz esteja bem cozidinho.
- Acompanha uma salada de tomate com repolho e uma limonada ou laranjada, bem gelada.
          Depois do almoço, o bom é relaxar, deitar numa rede e curtir a som da natureza, ouvindo a sinfonia do vento, o barulho da correnteza das águas e a suavidade da sinfonia dos pássaros.
          Agora, na foto acima, prestem atenção num detalhe: sacos plásticos pendurados nas árvores. Quando vamos passear ou acampar na natureza, levamos comidas e bebidas. Se levamos, podemos trazer de volta as embalagens, nas mesmas sacolas que vieram. Foi o que foi feito. Deixaram no lugar apenas suas pegadas e tiraram apenas fotografias
          Garrafas, latas, plásticos, papel, todo o lixo que produziram, foi recolhido e colocado nas mesmas sacolas que vieram, para ser descartado corretamente, na cidade. Nada de usar a natureza, curtir, aproveitar e deixar rastros de sujeira e destruição. Outros irão usar, até mesmo quem sujou. É simples, se trouxe comida, pode muito bem trazer de volta, o lixo. A natureza agradece. 

sábado, 3 de outubro de 2020

Ouro Fino e a história do Menino da Porteira

(Por Arnaldo Silva) O município de Ouro Fino foi fundado em 18 de março de 1749 com a formação de um pequeno arraial, durante a descoberta de ouro na região. O arraial cresceu com a mineração do ouro, foi elevado a vila e à distrito e por fim, a cidade emancipada em 1880. Cidade charmosa, atraente, hospitaleira e acolhedora cidade do Sul de Minas e uma das mais tradicionais e antigas cidades de Minas Gerais. 
          Está a 459 km distante de Belo Horizonte e conta atualmente com cerca de 35 mil habitantes, fazendo divisa com Monte Sião, Inconfidentes, Bueno Brandão, Ipuiuna, Santa Rita de Caldas, Jacutinga, Borda da Mata e Andradas. Cortada por vales, montanhas e serras belíssimas, a altitude do munícipio varia de 997 metros a 1591 metros.(fotografia acima de Douglas Coltri)
          De sua história, destaca-se belos casarões e a Praça da Matriz, marco da cidade, com mais de 250 anos, com seu santuário, dedicado à São Francisco de Paula e Nossa Senhora de Fátima (na foto acima do Douglas Coltri), além de vários monumentos espalhados pela cidade, que marcam a história de Ouro Fino.
          Entre seus monumentos, destaque para as estátuas do Boi Sem Coração, Berrante e do Menino da Porteira. Isso porque a cidade, foi a fonte de inspiração para o compositor Teddy Vieira, compor uma das mais famosas canções sertanejas do século XX, o Menino da Porteira. Letra e música que retrata o autêntico Cururu, ritmo musical predominante na música caipira do século XX. Esse ritmo é cantado em forma de desafios, repentes e combates rimados, ao som de violas caipiras e batidas do pé. (na foto acima do Douglas Coltri, o monumento batizado de "O Bateador", escultura de 10 metros de altura inaugurada em 2020, que homenageia o garimpeiro e o garimpo do ouro, uma das tradições da cidade, desde o século XVIII).
A origem da música Menino da Porteira
          Teddy Vieira nasceu em 1922, em Itapetinga, no interior paulista e faleceu, vítima de acidente automobilístico, em 1965. É um dos mais importantes compositores sertanejos de todos os tempos. Além de Menino da Porteira, gravada inicialmente pela dupla Luisinho e Limeira em 1955,  Teddy Vieira compôs 300 músicas, todas com temas caipiras. Sem dúvida alguma, Menino da Porteira, foi sua composição de maior sucesso, que o consagrou como um dos grandes compositores brasileiros do século XX. 
          É também de autoria de Teddy Vieira, os clássicos sertanejos  “A Caneta e a Enxada”, em parceria com Capitão Barduino, gravado por Zico e Zeca, em 1956, “Boiadeiro Errante”, imortalizada na voz de Liu e Leo, em 1959, Pagode em Brasília, em parceria com Lourival dos Santos, interpretada por Tião Carreiro e Pardinho, em 1961, e neste mesmo ano, o “Rei do Gado”, também nas vozes de Tião Carreiro e Pardinho.
          Teddy Vieira tinha laços sentimentais com Minas Gerais. Por muito tempo, era figura presente em Andradas, no Sul de Minas, já que sua namorada, América Rizzo, com quem casou-se tempos depois, morava na cidade. 
           Para chegar à Andradas, passava pelas estradas de terra de Ouro Fino. As duas cidades são distantes, cerca de 80 km, uma da outra. Naquela época, a Região Sul de Minas, era rota de transporte de gado, feito basicamente em Comitivas, com vários boiadeiros, a cavalo, com seus berrantes, conduzindo o gado, cortando as estradas do sertão mineiro, abrindo e fechando porteiras.
        Foi numa dessas idas à Andradas, para visitar sua amada, que Teddy Vieira, teve inspiração para compor sua principal canção. (na foto acima do Guilherme Augusto/@mikethor), uma das estradas de Ouro Fino)
          Passando pelas estradas de terra de Ouro Fino, tinha que passar por algumas porteiras, que dividiam fazendas. Sair do carro, abrir e em seguida, fechá-la, era cansativo, ainda mais quando viajava num dia de intenso calor. Ao se aproximar de uma porteira, Teddy Vieira percebeu a aproximação de um menino, correndo em sua direção. O garoto abriu a porteira com muita alegria para ele passar. Teddy agradeceu a gentileza, acenando e jogando uma moeda, que deixou o menino saltitante, feliz e agradecido. 
          Seguiu seu caminho, mas a cena ficou em sua mente e dirigindo, teve a inspiração de compor uma uma música, baseado na atitude do menino, começando a compor no mesmo dia, a história de sua nova canção, o Menino da Porteira. De real, apenas a alegria do menino ao abrir a porteira e ficar feliz com a moeda que lhe fora jogada, descrita nos primeiros versos da canção: “Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino. De longe eu avistava a figura de um menino. Que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo. Toque o berrante seu moço que é pra eu ficar ouvindo...”. O restante da história, o berrante, o boi sem coração e o trágico fim, que na sua composição, ele deu ao menino, foram criações do compositor. (na foto acima da Cássia Almeida, o monumento ao Menino da Porteira na entrada da cidade)
          Assim surgia uma das mais conhecidas e importantes composições da música caipira brasileira, retratada em monumentos na cidade de Ouro Fino MG, retratando o Menino da Porteira, o Boi sem Coração e o Berrante. É o reconhecimento da cidade à importância de Teddy Vieira para a música sertaneja raiz, bem como sua importância cultural para Ouro Fino MG. Com a música, a cidade passou a ser conhecida no Brasil inteiro, como a "cidade do Menino da Porteira".
          A música foi gravada posteriormente por Tonico e Tinoco e vários outros artistas, mas não estourou de imediato. Havia um certo preconceito com a música caipira, principalmente nas grandes cidades, naquela época. Apenas nos povoados das roças e pequenas cidades do interior, que a música caipira fazia sucesso, já que as composições sempre relatavam a vida, jeito de falar e cultura do sertanejo. 
          Eram interpretadas por duplas vestidas no tradicional estilo sertanejo, com viola, sanfona e violão apenas, cantando em duas vozes, no linguajar tipicamente caipira. As apresentações ou shows dos artistas, eram feitos nos povoados e cidades interioranas e também em circos. Até mesmo as rádios, restringiam as músicas caipiras, tocando-as em horários noturnos, tipo, entre 3 da madrugada até as 5 ou 6 da manhã.
          Essa realidade começou a mudar a partir de 1973, quando o cantor da jovem guarda, Sérgio Reis, foi apresentar-se em Tupaciguara MG, no Triângulo Mineiro, num baile de debutantes. Após sua apresentação, uma banda local se apresentou aos presentes e começaram a cantar “Menino da Porteira”, impressionando Sérgio Reis pela comoção e envolvimento do público, com a música. 
          Não era seu estilo, na época, Sérgio Reis tinha saído da Jovem Guarda e cantava músicas românticas. Seria uma mudança brusca de estilo, mas experimentou, gravando o sucesso de Teddy Vieira. A música estourou e começou a ser tocada nas rádios, inclusive FM´s, do interior, fato raro na época. Assim nascia o Sérgio Reis que conhecemos, uma das mais belas vozes da música sertaneja brasileira. 
          O sucesso da música foi tanto, que o Menino da Porteira, virou filme, produzido pelo diretor de cinema, Jeremias Moreira Filho, em 1976, estrelado pelo próprio Sérgio Reis, que interpretou o peão de boiadeiro, Diogo.
          O Menino da Porteira é uma das músicas imortais. Segue até hoje fazendo sucesso. O filme, de 1976, virou remake, em 2009, interpretado, dessa vez pelo cantor Daniel, que fez o mesmo papel de Sérgio Reis, interpretando o peão de boiadeiro, Diogo.
          Diversos outros artistas da música sertaneja brasileira já interpretaram Menino da Porteira. Hoje é praticamente o hino de Ouro Fino MG, cidade mineira que inspirou a canção.
          Como foi dito acima, naquela época havia muito preconceito com a música caipira, nas grandes cidades, realidade que começou a mudar, a partir da década de 1970, tendo como base, Sérgio Reis.
          A música sertaneja atual deve muito a Sérgio Reis. Nos anos de 1980, novas duplas começam a surgir, mudando um pouco estilo, de duas vozes, para segunda voz, estourando de vez a partir de 1990, com a música sertaneja dominando os programas de TVs e rádios, passando a estar presente em shows nas grandes cidades. Duplas que até os anos 1970 se apresentavam em circos, passaram a fazer megas shows em estádios e casas de shows famosas pelo Brasil.
          
Até mesmo as cidades que evitavam se considerar sertanejas ou caipiras, mudaram, sendo hoje, referências na música e eventos sertanejos, como rodeios e exposições agropecuárias. Nas grandes, médias e pequenas cidades pelo Brasil, começaram a surgir ainda, restaurantes, bares e casas de shows, com temas rurais. Além disso, monumentos públicos, que lembram a vida na roça, passaram a fazer parte do dia a dia das cidades brasileiras, mesmo que alguns não assumam o nome sertanejo ou caipira, usando nomes como "country", está bom, um grande avanço.
          Um exemplo disso é Ouro Fino, que incorporou à sua cultura, tradição e arquitetura, a obra de Teddy Vieira. 
Ouro Fino em Minas ou Ouro Fino em Goiás?
          Embora, todas as evidências apontem para cidade mineira de Ouro Fino, como inspiração para a composição da música o “Menino da Porteira”. (foto acima de Anderson Sá)
          Mesmo todos sabendo que Teddy Vieira, estava sempre presente na região Sul de Minas, em Andradas MG, para visitar América Rizzo, sua namorada, que era da cidade, e posteriormente, se tornou sua esposa. 
          E ainda, para chegar até a cidade em que a moça vivia, tinha que passar pelas estradas de Ouro Fino MG. 
          Além disso, mesmo com todas essas evidências, tem quem, por desconhecer a história da música sertaneja ou mesmo, a história de Teddy Vieira, aponta a cidade de Ouro Fino, no interior de Goiás, como tendo sido a inspiração para a música “Menino da Porteira”. 
          A goiana Ouro Fino, foi em tempos passados, local de pouso e parada de tropeiros e boiadeiros. Fica lá no sertão de Goiás e tem muita tradição sertaneja e na música. Mas não tem nada a ver com a música “Menino da Porteira”, de Teddy Vieira. 
          A Ouro Fino goiana não inspirou Teddy Vieira a compor sua famosa canção. Mas foi fonte sim de inspiração de um clássico da música sertaneja, composto por Tonico (da dupla Tonico e Tinoco) e Francisco Ribeiro. A música inspirada na Ouro Fino goiana é  “Chico Mineiro”, interpretada originalmente pela dupla Tonico e Tinoco. 
          O mais importante verso da letra da música "Chico Mineiro" é bem claro quanto a inspiração goiana: “Fizemos a última viagem. Foi lá pro sertão de Goiás. Fui eu e o Chico Mineiro. Também foi o capataz. Viajamos muitos dias. Pra chegar em Ouro Fino. Aonde nós passemo a noite. Numa festa do Divino. A festa tava tão boa. Mas antes não tivesse ido. O Chico foi baleado. Por um homem desconhecido. Larguei de comprar boiada. Mataram meu cumpanheiro. Acabou-se o som da viola. Acabou-se o Chico Mineiro.”
          Que fique bem claro, a música “Menino da Porteira” foi inspirada em Ouro Fino, em Minas Gerais e "Menino da Porteira" não tem nada a ver com a Ouro Fino Goiana. 
          Por ser a terra da inspiração para a música o Menino da Porteira, a cidade de Ouro Fino MG, incorporou por completo em sua cultura, a história da música. 
          O Menino da Porteira virou monumento, que dá as boas-vindas, ao visitante que chega à cidade. Na entrada de Ouro Fino, no KM 51, da rodovia MG-290, o monumento de 20 metros de largura por 10 de altura, retrata a porteira e o menino. Dificilmente alguém passa direto sem parar para observar o monumento. Sempre param para tirar fotos. (foto acima do Anderson Sá/@meuolhar.andersonsa)
          Dentro da cidade, foi instalado o monumento ao Boi sem Coração, com um menino sobre a porteira, além de outro monumento, simbolizando o Berrante. As obras são do artista plástico Genésio Moura e viraram pontos turísticos na cidade, atraindo ainda, visitantes de outras localidades para conhecer os monumentos, bem como a bela cidade do Menino da Porteira. (na foto acima, o Boi sem Coração e abaixo, o Berrante. Fotos do Anderson Sá/@meuolhar.andersonsa)
          Além do Menino da Porteira, que tornou a cidade conhecida em todo o país, Ouro Fino faz parte do Circuito Turístico Malhas do Sul de Minas e conta ainda com belas paisagens, como rios, cascatas, cachoeiras e picos, que possibilitam a prática de Canoagem, paraglider, motocross, passeio de boia, cavalgadas, pesca, trekking, trilhas para bikes, dentre outros. (na foto abaixo do Douglas Coltri, o antigo prédio do Grupo Escolar Bueno Brandão, hoje sede da Secretaria de Educação, Cultura e Turismo de Ouro Fino)
          Na cultura, destaca na cidade a Ourofolia, um dos melhores carnavais da região. A festa Italiana do Circuito Italo-Braziliano, realizado em março. A Semana Santa e Corpus Christi. A Feira das Indústrias e Ouromalhas, em maio. As festas juninas em junho, além da realização do Festival de Interpretação de Música Sertaneja, com entrega do Troféu, O Menino da Porteira. Em julho acontece a Festa do Peão e em agosto o Ouro Rock, além de outros eventos ecológicos, religiosos, esportivos e musicais durante o ano.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Vinhos mineiros: qualidade e reconhecimento

(Por Arnaldo Silva) Segundo dados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), dos cerca de 100 produtores de vinhos no Brasil, 25 são de Minas Gerais. Boa parte das vinícolas mineiras produzem vinhos finos, de qualidade, equivalente aos vinhos produzidos nos países tradicionais, na produção desta bebida milenar, como França, Portugal, Inglaterra, Itália, Bélgica, Alemanha, etc.
          Prova do crescimento e qualidade dos vinhos produzidos em Minas Gerais, são as recentes premiações nacionais e internacionais dos vinhos produzidos no Sudeste, em especial, no Sul de Minas, como os vinhos da Vinícola Bárbara Eliodora, de Gonçalo do do Sapucaí MG, fundada em 2015, que recebeu medalha de ouro, no Prêmio Internacional de Bruxelas, em 2019 e bronze, no DWWA 2020. (na foto acima, adega da Epamig em Caldas MG - Foto: Ascom Epamig/Divulgação)
          No último Decantar World Wine Awards (DWWA), maior concurso mundial de vinhos, com destaque para os vinhos produzidos na Serra da Mantiqueira, com assistência da Epamig, que receberam medalhas de prata e bronze. 
          Decantar World Wine Awards é a maior e mais respeitada competição internacional de vinhos do mundo, organizada pela revista inglesa Decanter, estando atualmente em sua 17ª edição.
Realizado tradicionalmente em Londres, na Inglaterra, o resultado final, divulgado no final de setembro de 2020, surpreendeu. Foram inscritos 18.054 rótulos diferentes, de 56 países, de todos os continentes.
          No concurso, foram eleitos os 50 melhores vinhos do mundo, nas categorias super ouro, tendo ainda as categorias ouro, prata e bronze. Dentre os vinhos brasileiros premiados com medalhas, 12 são vinhos produzidos no Sul de Minas e São Paulo na Região da Serra da Mantiqueira. São vinhos feitos com base na técnica da dupla poda, criada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG).
          O vinho Fumé Blache Sauvignon Blanc, da vinícola Ferreira em Piranguçu MG, conquistou a medalha de prata, obtendo 92 pontos, bem como o vinho Tempos de Góes Reserva Sauvgnon Blanc, da vinícola Góes de São Roque/SP, que obteve 90 pontos, levando também, a medalha de prata.
          
Dez rótulos do Sudeste brasileiro, foram premiados com medalhas de bronze: o Espumante Nature, da Carvalho Branco (Caldas MG) (89 pontos); Vale da Pedra, da Guaspari (Espírito Santo do Pinhal SP) (88 pontos); Luiz Porto Cabernet Sauvignon, da Luiz Porto Vinhos Finos (Cordislândia MG) (88 pontos); Brandina Assemblage, da Villa Santa Maria (São Bento do Sapucaí SP) (88 pontos); Bárbara Eliodora Sauvignon Blanc (São Gonçalo do Sapucaí MG (87 pontos); Syrah Speciale, da Casa Verrone (Itobi SP) (87 pontos); Vale da Pedra, da Guaspari (Espírito Santo do Pinhal SP) (87 pontos); Colheita Especial Viognier, da Casa Verrone (Itobi SP) (86 pontos); Vista da Serra Syrah, da Guaspari (Espírito Santo do Pinhal SP) (86 pontos); Eva Syrah, da Maria Maria (Três Pontas MG) (86 pontos).
          A 17ª edição do Concurso Internacional de vinhos ocorreu durante 28 dias consecutivos, em setembro de 2020, com provas à cega, dos 16.158 rótulos inscritos.           
          
As premiações internacionais conquistadas pelos vinhos brasileiros são positivas, porque desperta o interesse do brasileiro pela bebida nacional, bem como incentiva os produtores a investirem na ampliação da produção e buscando cada vez mais excelência na qualidade.
          Os vinhos e espumantes brasileiros estão pouco presentes nos bares e restaurantes brasileiros, que preferem os importados, mas aos poucos, nossos vinhos vem rompendo essas barreiras, de preconceito com o produto nacional, graças a investimentos e cada vez mais, melhorando a qualidade da bebida, resultando em seguidas premiações no exterior, 
principalmente, os vinhos produzidos com a técnica da dupla poda, da empresa mineira, Epamig, a grande responsável pela considerável melhora na qualidade dos vinhos mineiros e do Sudeste brasileiro nas últimas décadas. (foto acima de Erasmo Pereira/Epamig)
A técnica da dupla poda
 
          A melhora na produção e qualidade dos vinhos finos no Sudeste só foi possível graças a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), quando da criação do Núcleo Tecnológico de Uva e Vinho da EPAMIG, em Caldas MG, Sul de Minas, há cerca de 20 anos. (na foto acima de Erasmo Pereira - Epamig/Divulgação)
 
          O homem do campo, no mundo inteiro, sabe que dependendo da época da poda, a planta irá produzir em determinada data. Os pesquisadores da Epamig aprimoraram esse conhecimento antigo, com anos de estudos, permitindo a produção de frutos com maior qualidade, o que permite, melhoras significativas na produção final oriunda das frutas, no caso, os vinhos finos de inverno. (na foto acima, videiras da Epamig no núcleo da empresa em Caldas MG e abaixo, uvas já em ponto de colheita. Fotos: Epamig/Divulgação)    
           Sem poda não há uva, por isso as podas nas videiras, são necessárias. Com a poda sendo feita anualmente, tradicionalmente feita no fim da primavera, para que os frutos se desenvolvam e possam ser colhidos no verão, em janeiro. Uma época de intenso calor e chuvas fortes o que permite a proliferação de pragas, o que leva os produtores a um intenso trabalho de controle de suas videiras. (Foto abaixo em Caldas MG - Epamig/Divulgação)
          Para fugir dos efeitos no verão e pragas nos parreirais, foi criado a técnica da dupla poda. No caso, a técnica desenvolvida em Minas, permite a poda duas vezes. A dupla poda nada mais é do que a inversão do ciclo produtivo das uvas, ou seja, ao invés da poda tradicional no fim da primavera, faz-se a poda para a formação dos ramos, no inverno, com a colheita dos frutos sendo feita em agosto. As uvas da primeira colheita, são as usadas na produção dos vinhos de inverno em Minas Gerais. Essa técnica permite ainda uma segunda poda, a tradicional, no fim do ano, com a colheita dos frutos, em janeiro. (na foto abaixo, a vinícola da Epamig em Caldas MG. Foto: Ascom/Epamig)
          A Epamig, que é vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (SEAPA), desenvolveu e implantou em Caldas MG, o método da dupla poda, desenvolvido no Brasil pelo pesquisador da Epamig, Murillo de Albuquerque Regina, Coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Vitivinicultura da Epamig. Essa técnica, faz com que a uvas sejam mais sadias, tenham maturação plena, mais concentração de cor e mais aroma. Resultado, é uma nítida melhora na qualidade dos vinhos. (abaixo, a sede da Estação Experimental da Epamig em Caldas MG. Foto: Erasmo Pereira/Ascom/Epamig)
          O sucesso da técnica da dupla poda vem da qualidade do solo, clima e investimentos dos produtores, bem como a assistência da Epamig, com pesquisas, orientações e apoio aos produtores, o que vem tornando Minas Gerais, especialmente o Sul de Minas, num dos maiores produtores de vinhos finos de qualidade, no país. A técnica desenvolvida pela Epamig, não só beneficia os produtores mineiros, mas os produtores de vinhos de toda a região Sudeste do Brasil.
          Atualmente, são cerca de 600 hectares de vinhedos no Brasil, que usam a técnica da dupla poda. A técnica, está presente na região do Cerrado, Nordeste brasileiro e em sua maioria, no Sudeste, na Mantiqueira. A produção anual, dos vinhedos é cerca de 4 mil toneladas de uvas e são produzidos, cerca de 2,5 toneladas de litros de vinhos, por ano. A técnica da dupla poda, ajuda no aumento da produção de uvas e vinhos, gera empregos e injeta na economia, cerca de 120 milhões por ano.

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