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terça-feira, 30 de novembro de 2021

Copo Americano não. Aqui é copo Lagoinha!

(Por Arnaldo Silva) Nas lanchonetes, padarias, restaurantes, nas mesas de bares e botecos, bem como, nas casas dos mineiros e brasileiros, está sempre presente, até mesmo em festas sociais, sendo inclusive, imprescindível nas medidas culinárias, com seus exatos 190 ml.
          É o copo Lagoinha, como é chamado em Minas Gerais, principalmente em Belo Horizonte. No Brasil, é conhecido por copo Americano, seu nome original. É um copo genuinamente brasileiro. (fotografia acima de Alexa Silva/@alexa.r.silva em Jaboticatubas MG)
          Copo americano, brasileiro ou mineiro? Se é brasileiro, porque tem o nome de Copo Americano? O que esse copo tem a ver com os Estados Unidos? Se o copo surgiu em São Paulo, o que tem a ver com Minas Gerais?
          Vamos as respostas. Não existe esse tipo de copo na América e com certeza, a maioria dos americanos sequer ouviu falar desse tipo de copo. É criação brasileira, criado pelas mãos de um mineiro, de São João Del Rei MG, cidade histórica nas Vertentes de Minas, distante 190 km de Belo Horizonte, com cerca de 90 mil habitantes.(fotografia de Clésio Moreira do 24º andar do condomínio do Edifício Super Building Valente, na Avenida Afonso Pena, Centro)
Nadir Figueiredo
          Seu criador foi Nadir Dias de Figueiredo, nascido em São João Del Rei, em 1891. Radicou-se em São Paulo, no início do século XX, com seus irmãos, em busca de uma vida melhor, já que veio de uma origem bem modesta. (na foto acima de Deividson Costa, vista parcial de São João Del Rei)
          Na capital paulista, tornou-se um dos maiores empresários do Brasil, se destacando no ramo da vidraçaria. Nadir Figueiredo faleceu em 10 de abril de 1983, em São Paulo.
          O copo Americano, que criou em 1947, foi uma de suas maiores e mais populares criações. Mas antes disso, Nadir Figueiredo já era um próspero e visionário empresário. Fundou uma oficina de conserto em máquinas de escrever em 1912. Alguns anos depois, passou a atuar no setor de eletrificação em sociedade com o irmão, Morvan Dias de Figueiredo.
          Em 1935, os irmãos decidiram investir no segmento de vidraçaria, adquirindo a empresa Cristaleira Americana, transformando-a no que é hoje a Nadir Figueiredo, empresa e marca que leva o nome do empresário, tornando-a uma das maiores e mais importantes empresas do Brasil, destaque inclusive no mundo. Em 2019, a empresa foi adquirida pela gigante americana de private equity HIG Capital.
A origem do copo Americano
          Nadir Figueiredo decidiu criar um copo que ao mesmo tempo fosse atraente e resistente. Ficou sabendo de um copo abaulado (em forma de curva) criado pela artista plástica russa, Vera Mukhina, no início da década de 1940.
          Nessa época, os copos eram muito frágeis, quebravam com facilidade, principalmente quando eram colocados nas rústicas máquinas de lavar louças, que existiam na extinta União Soviética. A artista criou o design de um copo justamente, para ser resistente e não quebrar com facilidade, quando colocadas nessas máquinas. E conseguiu.
          Foi nessa ideia da artista soviética que Nadir Figueiredo se inspirou para desenvolver o design de seu copo. Em viagem aos Estados Unidos, o empresário conheceu as vidraçarias americanas, seus produtos e a tecnologia disponíveis de ponta, da época.
          Voltou ao Brasil com ideia de criar um copo, inspirado no estilo soviético. Além disso, importou o maquinário dos Estados Unidos para São Paulo, dando início assim a concretização de sua ideia.
          Nadir Figueiredo, queria um copo no estilo abaulado, como o criado pela artista soviética, usando o que tinha de mais moderno da indústria americana, na época. Entre o maquinário de ponta que importou dos Estados Unidos, estava uma máquina que abaulava copos.
          Com a inspiração no design soviético, Nadir Figueiredo criou um copo versátil, resistente, confortável e que tivesse inúmeras utilidades, além de ter um custo mais acessível à população em geral. Isso porque, naquela época, copos de vidros eram mais restritos às camadas mais abastadas da sociedade.
          Além disso Nadir Figueiredo procurou adequar sua ideia à característica, cultura e costumes do povo brasileiro, que o empresário conhecia muito bem.
          Com base nesses critérios, criou um design genuinamente nacional, para atender os gostos e necessidades de todos os brasileiros.
          Todos os detalhes do copo foram pensados para dar mais resistência, utilidades diversas e versatilidade ao copo. Boca larga, com borda lisa, uma linha que circula a borda, separando a boca do restante do corpo do copo, que é todo chanfrado. Tudo isso, além de ser mais robusto que os demais copos, foi pensado para que o copo americano fosse resistente e cumprisse seus objetivos.
O motivo do nome copo Americano
          E cumpriu. O copo agradou e agrada até os dias de hoje. Por ter sido feito em máquinas que importou dos Estados Unidos, passou a chamar seu copo de copo Americano, mesmo tendo se inspirado no design de um copo soviético. E assim ficou o nome. (foto acima do Clésio Moreira)
O copo do mundo
          Copo Americano, criado por um mineiro, inspirado no design de um copo soviético, fabricado com maquinário Americano, numa fábrica paulista, que acabou se popularizando em Belo Horizonte e Minas Gerais com o nome de copo Lagoinha.
          Com todos esses atributos, não tinha como não ser um copo universal e tão popular assim.
          A produção inicial, em 1947, começou totalmente manual. As máquinas produziam apenas de 2 copos por minuto. Em 2012, a empresa comemorou 6 bilhões de unidades do copo Americano, vendidas em todo o mundo. Esses 6 bilhões de copos em fila, seria o equivalente a 10 voltas em torno do planeta Terra. (na foto acima da Aline Marrques, café da manhã do Chalé Cantinho de Minas, em São João Batista do Glória MG. E está o copo Lagoinha)
Símbolo nacional
          A popularidade desse copo é tanta e seu design, criado por Nadir Figueiredo, se tornou dos símbolos do design do Brasil, reconhecido no mundo todo. Tanto é que em 2009, o modelo tradicional do Copo Americano, foi exposto no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York. Méritos para Nadir Figueiredo, que deu ao Brasil, um produto que reflete a identidade e criatividade do povo brasileiro.
A chegada do Copo Americano em Minas Gerais
          A popularidade do Copo Americano em Minas Gerais, começou a partir do bairro boêmio da Lagoinha, em Belo Horizonte, nos primeiros anos da década de 1950.
          O nome Lagoinha tem origem nas lagoinhas formadas, durante a extração de rochas nesta região. Esta atividade existia antes mesmo da fundação do Curral Del Rei, povoado que deixou de existir para dar lugar à futura capital mineira, fundada em 12 de dezembro de 1897.
          Com a fundação de Belo Horizonte, a Lagoinha começa a ser povoada, se transformando em bairro.
          Até hoje, charmosas e bem trabalhadas, construções em estilo eclético das primeiras décadas do século XX, bem como construções modernistas, harmonizadas pela bela vista da Serra do Curral, que a região proporciona. (na foto acima do Thelmo Lins, Rua Além Paraíba no bairro Lagoinha)
          Estão presentes no tradicional bairro como o Cemitério do Bonfim (na foto acima do Thelmo Lins), a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, o Conjunto IAPI, o Colégio Municipal, a Rádio Itatiaia, o Hospital Odilon Behrens, dentre outros antigos estabelecimentos e construções residenciais.
          Foi na Lagoinha que foi criada a Corporação Musical Nossa Senhora da Conceição, a primeira banda de música da cidade e ainda em atividade, bem como o Leão da Lagoinha, primeiro bloco de carnaval da capital mineira.
          O bairro concentra até os dias de hoje a maior diversidade religiosa de Belo Horizonte, com templos de diversas denominações religiosas convivendo democraticamente na região, bem como seus velhos e charmosos casarões em estilo eclético, mostrando o tempo do romantismo arquitetônico da capital mineira. Mas a região é famosa desde as primeiras décadas do século passado por sua agitada vida boêmia.
           A Lagoinha, juntamente com parte da região Central da Capital, a partir da Rodoviária e os bairros Bonfim, Carlos Prates, Colégio Batista, Pedreira Padro Lopes, São Cristóvão e Senhor dos Passos, formam a Região da Lagoinha.
O primeiro copo
          O primeiro estabelecimento a vender o Copo Americano foi o Armazém dos Irmãos Vaz de Mello, que funcionava na Rua Itapecerica, na esquina com a Avenida do Contorno, na Região da Lagoinha.
           Um dos irmãos, Joaquim Sétimo Vaz de Mello (“Seu” Quimquim), gostava de mostrar os atributos do copo, inclusive, batendo-o na bancada de madeira de seu armazém para mostrar aos fregueses que o copo não quebrava fácil. Com isso, além de versátil e multiuso, ganhou fama de copo inquebrável, tornando-se sucesso geral de vendas.
          Não demorou muito, para o copo cair no gosto dos donos de bares e botecos da região da Lagoinha, principalmente dos comerciantes da Praça Vaz de Melo, que na época, tinha uma vida boêmia muito intensa.
          O copo alegrava os ambientes dos bares e botecos, unindo sambistas, malandros, comerciantes, mulheres e pessoas de outras regiões que frequentavam a boemia belo-horizontina. As rodas de samba e bate papo entre amigos, corria a noite e o copo era o componente principal dessa socialização.
          Por isso, cada vez mais os pedidos de copos chegando ao ponto de ser tão popular, que o copo Americano foi associado e até mesmo, ser um símbolo da boemia belo-horizontina.
Aqui é copo Lagoinha! Aqui é Minas!
          Tanto é que ao invés de chamar copo Americano, era chamado de copo Lagoinha, por sua tamanha aceitação e popularidade nessa região.
          O nome copo Lagoinha passou a ser pedido para compras nos armazéns e no uso de botecos e bares. Não se pronunciava mais copo Americano.
           Com o passar do tempo, o copo Lagoinha começou a se expandir por outras regiões da Capital, passando a ser usado, nos demais bares e botecos da capital mineira, pelos restaurantes, padarias, lanchonetes, mercados e mercearias da cidade, além da população em geral. (fotografia acima de Clésio Moreira)
          A praticidade do Copo Lagoinha saiu das divisas de Belo Horizonte para todo o interior mineiro. Caindo de vez no gosto de todos os mineiros.
          Na década de 1980, foi criado o Complexo Viário da Lagoinha, ligando a Zona Norte-Sul com a Zona da Leste-Oeste de Belo Horizonte. Esse complexo foi construído onde era a efervescência da boêmia da capital. 
          Na medida que a construção foi avançando, os casarões, bares, botecos e comércios que existiam no local, foram dando lugar a um imponente complexo viário, com túneis, viadutos, rotatórias e novas ruas. Com isso, os anos da boêmia da Lagoinha, ficaram no passado, na história e imaginário do povo belo-horizontino.
Melhor copo do mundo para se tomar cerveja
          O Copo Lagoinha é tão popular em Minas Gerais, quanto a cachaça de Minas. Aliás, cachaça e Copo Lagoinha, tudo a ver. Cerveja também, claro. (fotografia acima de Alexa Silva/@alexa.r.silva em Jaboticatubas)
          Numa votação popular na década de 1990, o Copo Lagoinha foi eleito pelos belo-horizontino e mineiros, como o melhor copo para se tomar cerveja no mundo. É também o preferido nas mesas dos bares para se tomar a tradicional cachaça mineira. Cachaça e cerveja em copo que não seja o Lagoinha, perde a graça. Isso é fato!
          É um copo que simboliza e reflete claramente a cultura e os sabores do mineiro, já integrado no dia a dia do nosso povo. Sem nenhum projeto de marketing, tornou-se um dos símbolos da capital dos bares do Brasil, Belo Horizonte. Um símbolo que saiu das camadas populares e da boemia belo-horizontina, naturalmente, incorporando-se aos costumes da cidade e do nosso povo em geral.
          Mesmo com tantas opções de copos hoje disponíveis, nos mais diferentes designs e os preços mais em conta, o copo Lagoinha nunca deixou de estar nas casas brasileiras. E sempre estará. O copo é um símbolo da cultura, festas, tradições, folclore, costumes e alegria do povo brasileiro. Faz parte não só da cultura e costumes do nosso povo, mas de nossas emoções e sentimentos.
Campanha tornou o nome Lagoinha, oficial
            Em nenhum estado ou cidade brasileira, esse copo tem tanta importância como em Belo Horizonte. De tão importante, está enraizado na cultura e costumes da cidade, desde a década de 1950/60. É parte da vida e história do povo belo-horizontino e um ícone dos bares e botecos mineiros e também um ícone do Brasil. (fotografia acima de Alexa Silva/Alexa.r.silva)
          Em 2019, numa campanha organizada pela Cervejaria Wäls, marca mineira de cervejas artesanais, para que a empresa Nadir Figueiredo, reconhecesse o nome Copo Lagoinha, como oficial, teve adesão do povo mineiro.
          Foi feita uma petição que contou com ampla mobilização dos belo-horizontinos com efeito positivo. Isso porque a empresa aceitou a petição dos mineiros, reconhecendo que copo Americano, é também chamado de copo Lagoinha.
          Enquanto o restante do Brasil chama o modelo de copo Americano, em Belo Horizonte o copo Lagoinha é unanimidade, o copo e o nome.
Da alegria à democracia
          Da pinga ao pingado, da água ao café, do suco ao refrigerante, ele está lá, presente. Sem contar nas rodas de amigos, nos bares, botecos e festinhas, tem sempre Copo Lagoinha presente. Se não tiver copo americano, qualquer churrasco ou roda de amigos e principalmente em bares e botecos, não tem graça alguma. (fotografia acima de Arnaldo Silva) 
          É o copo mais democrático e social que existe no Brasil. Na maioria das casas, das mais diferentes camadas sociais, em padarias, lanchonetes, bares, mercados públicos e restaurantes, simples ou sofisticados, tem copo Lagoinha.

sábado, 27 de novembro de 2021

11 tradicionais Mercados Centrais mineiros

(Por Arnaldo Silva) Concentrar lojas e produtores de uma cidade em um único lugar, aberto a todos os públicos, é prática milenar. Era a forma que os governantes encontraram para ter mais controle sobre os produtos que entravam e saiam das cidades, além claro, de aumentar a arrecadação de impostos, evitando comércios irregulares.
          Ao longo dos milênios, as funções dos mercados públicos foram se aprimorando, chegando a ser hoje um espaço democrático, de relacionamentos interpessoais, sociais e coletivos. (na foto acima do Gil Santos, uma das bancas do Mercado Municipal de Salinas MG)
          São estabelecimentos antigos e tradicionais, que atraem gente de todas as camadas sociais, já que nesses mercados, estão presentes os produtos da terra, o artesanato, a arte, a cultura, a história e a gastronomia das cidades.
          Os Mercados Municipais, popularmente chamados de Mercados Centrais, por sempre se localizarem nas regiões centrais das cidades, são um dos poucos espações públicos, onde diferentes classes sociais e a intelectualidade, convivem harmoniosamente. Por isso que os mercados públicos estão presentes há séculos nas cidades de todo o mundo. (na foto acima de Rogério Salgado de uma banca de queijos no Mercado Central de BH)
          Diferente dos supermercados e grandes redes varejistas, quem vai aos mercados públicos, vai para comprar sim, mas principalmente, interagir com amigos e fazer novas amizades, em rodas das tradicionais bebidas, petiscos e pratos típicos locais. 
          A sociabilidade e a convivência democrática é a diferença de um mercado público, para os mercados particulares existentes atualmente.
            Isso porque são os Mercados Centrais a forma mais democrática e popular de convívio social e de contato direto do produtor, feirante e dono das lojas, com os frequentadores desses espaços. São pessoas de diferentes faixas etárias e com diferentes objetivos e motivos, frequentando um Mercado Público. (na foto acima do Rogério Salgado, banca de flores do Mercado Central de BH)
          Os mercados públicos tem história e presença nas cidades, desde sua origem, passando por suas dependências, várias gerações.
          Os frequentadores com mais de 50 anos, frequentam esses mercados mais por saudosismo, para relembrar os tempos de sua infância e juventude, vividos nesses locais. Os abaixo de 50, até 30 anos, gostam de frequentar os barzinhos e lojas para comprarem produtos para suas famílias, além de encontrar os amigos para bater papos, nos botecos e lojas de comidas dos mercados. Quem tem menos de 30 anos, os mais jovens, buscam mesmo é a alegria e diversão que os mercados oferecem.
          Os Mercados Centrais ou Municipais, são mais que ponto de vendas de mercadorias. São pontos de encontro entre amigos, lazer e diversão, além, de compras, claro. (na foto acima do Ernani Calazans, o Mercado Municipal de Itinga, no Vale do Jequitinhonha)
          Em Minas Gerais, a tradição dos mercados públicos, estão presentes. Listamos 11 mercados públicos tradicionais em Minas Gerais. Uma profusão de cores, saberes e sabores de Minas.
01 – Mercado Central de Belo Horizonte
          É sem dúvida o mais famoso e o mais popular mercado público de Minas Gerais, além de ser um dos mais tradicionais mercados municipais do Brasil.
          Recentemente, o Mercado Central de BH fez parte da lista dos 10 melhores mercados públicos do mundo, eleito pelos usuários em todo o mundo, da companhia aérea, Latam Airlines, com resultado divulgado na Revista Tam Nas Nuvens. (fotografia acima de Alexandre Vidigal)
          Entre os 10 primeiros colocados, o Mercado Central de BH, ficou em terceiro lugar, atrás apenas dos mercados públicos Mercat de la Boqueira, de Barcelona e do Boiurough Market, de Londres.
          São 13.442 m2 de área, com mais de 400 lojas, espalhadas por seus corredores temáticos, com produtos variados. 
          São lojas de queijos, doces, cachaças e licores mineiros, pimentas, temperos, compotas, hortifrutis, ervas medicinais, artesanato, arranjos florais, utensílios domésticos, todos os produtos típicos da culinária mineira, lanchonetes, restaurantes e botecos, que estão sempre lotados, principalmente nos finais de semana. (fotografia acima de Alexandre Vidigal)
          O fígado com jiló, tira gostos como a linguiça acebolada e a feijoada, são os pratos mais apreciados pelos frequentadores do Mercado Central de Belo Horizonte.
          Inaugurado em 7 de setembro de 1929, funciona até os dias de hoje à Avenida Augusto de Lima, 744, com entrada também pela Avenida Amazonas.
          O Mercado Central de Belo Horizonte é um dos pontos de maior sociabilidade e parada obrigatória dos belo-horizontinos e de quem vem à Belo Horizonte. Estatísticas apontam uma média diária de 15 mil visitantes.
02 – Mercado Municipal de Araçuaí
          Inaugurado em 1961, instalado numa charmosa construção histórica da cidade, o Mercado Municipal de Araçuaí, na região do Vale do Jequitinhonha, é um dos mais populares da região. (na foto acima do Ernani Calazans, banca produtos da agricultura familiar no Mercado)
          Conhecido como Mercadão o espaço oferece uma diversidade de produtos como frutas, verduras, cerais, carnes, temperos a granel, queijos, doces, dentre outros produtos, além da culinária e do artesanato da cidade e de todo o Vale do Jequitinhonha. Essa diversidade, além de sua história, faz do Mercadão um ponto de lazer, cultura e turismo do Vale do Jequitinhonha.
          Na parte externa do Mercadão, acontece uma feira popular, com os produtos da agricultura familiar de Araçuaí e de cidades vizinhas como Berilo e Francisco Badaró. A feira é bastante concorrida, com maior concentração de público, aos sábados. (na fotografia acima de Ernani Calazans)
03 - Mercado Municipal de Salinas 
          A Capital Mundial da Cachaça, conta também com um dos mais atraentes e ativos mercados municipais do Norte de Minas. (na fotografia acima e abaixo de Gil Santos)
          Além da produção variada da agricultura familiar local, do artesanato do norte mineiro e claro, da famosa cachaça produzida na cidade, no Mercado de Salinas são encontradas as iguarias típicas da culinária do Norte de Minas como os pratos a carne de sol, doces tradicionais como tijolo, pratos feitos à base de carne de sol e pequi, dentre outros, servidos no restaurante do Mercado. (fotografia acima e abaixo de Gil Santos)
          Inaugurado em 1972, O Mercado Municipal de Salinas, instalado no Centro da cidade, é um ponto de encontro entre amigos e fomentação cultural. Fica aberto de segunda à sábado de 6h às18hs, não abrindo aos domingos e feriados.
04 – Mercado Municipal de Diamantina
          Na cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, Diamantina, o Mercado Velho ou Mercado dos Tropeiros, foi no século XIX um dos mais importantes pontos de parada de tropeiros de Minas Gerais. Jequitinhonha, cidade mineira, Patrimônio Mundial da Humanidade. (fotografia acima de Giselle Oliveira)
          O Mercado Velho foi construído em 1835 para ser um ponto parada dos tropeiros que cortavam o sertão de Minas Gerais, trazendo e levando mercadorias. No século XX, com a chegada dos carros e caminhões no Brasil e abertura de estradas, o transporte de cargas feito por tropas, foi deixando de existir aos poucos.
          Hoje é um dos mais importantes pontos culturais e tradicionais de Diamantina. Um dos mais belos cartões postais de Diamantina e de Minas. Nas manhãs de sábados, os diamantinenses e turistas, podem adquirir no Mercado Velho, as tradicionais comidas típicas de Minas Gerais, doces, queijos, etc., além do artesanato local, como a arte feita em flores de sempre vidas, tapetes arraiolos e peças diversas do riquíssimo artesanato da cidade da região. (fotografia acima de Elvira Nascimento)
          À noite o Mercado Velho é um espaço cultural e gastronômico. O turista encontra no Mercado, os pratos típicos dos sabores de Diamantina e de Minas Gerais, além das cachaças, licores e vinhos finos, feitos pelas vinícolas da cidade. Diamantina produz vinhos finos há mais de 200 anos. Além disso, seus queijos são maravilhosos, sem contar as variadas criações dos chef´s de cozinha local, que aguça os mais finos e exigentes paladares.
04 – O Mercado Municipal de Teófilo Otoni
          Em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, está um dos mais populares mercados públicos de Minas Gerais. Localizado bem no Centro da cidade, ocupa um quarteirão inteiro, com acesso pela principal avenida central da cidade, a Avenida Getúlio Vargas. (na foto acima do Sérgio Mourão/@sergio.mourao, bancas do Mercado de Teófilo Otoni)
          Funciona de segunda à sexta-feira de 8h às 18h e aos sábados, das 8 da manhã, até o meio dia. São lojas diversas, com produtos da agricultura familiar, queijos, doces, requeijão, cachaças, licores, artesanato, pedras preciosas, hortifrutis, dentre outras variedades de produtos.
          No Mercado Municipal de Teófilo Otoni, o visitante encontra os sabores, saberes, cultura, artesanato e a culinária típica da região, bem como amigos, para bater um bom papo.
05 – O Mercado Municipal de Uberlândia
          Instalado à Rua Olegário Maciel, 255, Centro, num prédio histórico, construído em 1944, o Mercado Municipal de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, é um dos mais atraentes pontos turísticos da maior cidade do interior de Minas Gerais. (fotografia de Álvaro Luiz Medeiros)
          O espaço foi todo revitalizado em 2009 e conta com ótima estrutura, para atender os feirantes, comerciantes e frequentadores em geral.
          Oferece uma enorme variedade de produtos oferecidos como biscoitos, doces, queijos típicos da região, peixes, hortifrutis da agricultura familiar, frutos do mar, carnes variadas, enfim, uma infinidade de produtos para todos os gostos.
          O espaço oferece o que existe de melhor na culinária mineira, bebidas e artesanato da cidade e ainda, abriga no local, o Espaço Cultural Mercado (na foto acima de Álvaro Luiz Medeiros), que oferece aos frequentadores do Mercado, shows musicais, apresentações teatrais, exibição de filmes, exposições de artes visuais e outras atividades culturais.
06 - O Mercado Municipal de Poços de Caldas
          Mercado público é tradição na famosa Estância Hidromineral de Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, desde 1890, quando funcionou na Av. Francisco Salles com Assis Figueiredo. Neste local funcionou até 1969, quando foi transferido para a Rua Pernambuco, estando hoje localizado no Centro da cidade, numa construção maior, com melhores condições para os produtores comercializarem seus produtos, além de oferecer mais conforto e acesso mais fácil a população. (na foto acima enviada pelo Sebastião Tranalli, uma das bancas do Mercado)
          São 194 boxes internos, 54 boxes externos, com os comerciantes instalados em local arejado e bem organizado. Com isso, os moradores da cidade e turistas, tem um ótimo espaço para compras dos diversos produtos da cidade, como queijos diversos, requeijão moreno, doces, frutas, verduras, bebidas, temperos, artesanato local e claro, encontrar amigos e até fazer novas amizades, já que o ambiente é muito agradável.
07 - O Mercado Municipal de Montes Claros
          Um lugar onde encontra-se os principais sabores e saberes do Norte de Minas: queijos, requeijão moreno, cachaça, licores, farinha de mandioca, carne de sol, compotas de pequi, doces diversos, polvilho, temperos, rapadura, doce tijolo, hortifrutis, artesanato e também amigos. Este é o Mercado Christo Raeff, o Mercado Municipal de Montes Claros. (na foto acima do Gilberto Coimbra, banca de temperos do Mercado)
          É um dos mais completos e antigos mercados centrais de Minas Gerais. Datado de 1899, funcionou inicialmente na Praça Dr. Carlos, posteriormente na Rua Joaquim Costa e por fim, desde 1992, na Avenida Deputado Esteves Rodrigues, 1460. (na foto acima do Márcio Pereira/@dronemoc, vista parcial de Montes Claros, com destaque para o Mercado e Av. Dep. Esteves Rodrigues) 
          Nas dependências do mercado, o visitante encontra farmácia popular, mercearias, açougue, lojas de artesanato, bares, restaurantes, que servem pratos típicos como o arroz com pequi, pratos feitos com peixes, carne de sol e mandioca, feijão tropeiro, feijoada e outros pratos.
          Conta ainda com uma variedade de bancas, com diversos produtos da agricultura familiar, divididos em 289 boxes, com mais de 600 comerciantes.
          É um dos maiores e mais populares mercados de Minas Gerais, além de ser um importante ponto turístico da cidade, referência em gastronomia, cultura e arte do Norte de Minas Gerais.
08 – O Mercado Municipal de Conceição do Mato Dentro
          Fundado em 1931, é um dos mais tradicionais da região da Cordilheira do Espinhaço, a Nordeste de Minas, na cidade histórica de Conceição do Mato Dentro, distante 170 km de Belo Horizonte. (fotografia acima e abaixo de Nacip Gômez do Mercado durante Festa do Rosário)
          Localizado no Largo do Rosário, numa atraente construção em estilo eclético, do início do século XX, os produtos oferecidos no mercado, saem direto do produtor conceicionense, para o consumidor, além de ser uma referência gastronômica, cultural, artística e turística da cidade.
          Por sua importância histórica, cultural e social para a cidade, foi declarado Patrimônio Cultural Municipal, tendo sido tombado pelo município em 2004.
09 - Mercado Municipal Uberaba
          Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, distante 480 km de Belo Horizonte, está um dos mais antigos mercados públicos de Minas Gerais. Foi fundado em 1882, no século XIX. Seu primeiro endereço foi no bairro Alto do Rosário, mudando a partir de 1914 para a Praça Manoel Terra, no Centro da cidade, até a construção própria da sede definitiva do mercado, nesta mesma praça, no centro da cidade. (sem foto até o momento)
          Próximo ao mercado, estão pontos históricos e turísticos de Uberaba como a Igreja de Santa Rita Igreja e a Igreja de São Domingos, além de casarões coloniais e prédios públicos, como o da antiga cadeia e da faculdade de medicina.
          Construído em estilo octogonal, ocupa uma área de 1400 metros quadrados. Inicialmente, o prédio passou por algumas reformas e ampliações, ao longo de décadas, sendo a última, em 2006, sempre acompanhando o crescimento da cidade.
          Por sua história, arquitetura e importância turística, social e cultural para Uberaba, o Mercado Municipal foi tombado pelo Município em agosto de 1999.
          No Mercado Municipal de Uberaba encontra-se de tudo como queijos, doces, ovos, produtos da agricultura familiar, carnes, frutas, peixes, artesanatos e artigos religiosos, além claro, nostalgia, alegria, diversão e amigos que se encontram nos bares e botecos do Mercado, com seus deliciosos pratos típicos da nossa culinária.
10 – O Mercado Municipal de Pouso Alegre
          Fundado 1893 e instalado hoje ao lado da Catedral Metropolitana, O Mercado Central de Pouso Alegre, conhecido por Mercadão, é um dos mais populares mercados centrais de Minas Gerais. (sem foto até o momento)
          Tem de tudo um pouco, desde os produtos da agricultura familiar, queijos, doces diversos, carnes, hortifrutis, empórios a artesanato, roupas, souvenires, restaurante com a nossa culinária típica.
          Além disso, é um espaço social, de encontro e confraternização de amigos que se reúnem no Mercadão para um bom bate papo e saborearem os doces sabores da culinária local, em especial, o pastel de milho recheado com carne ou queijo e outros petiscos, acompanhados por refrigerantes, cachaça ou mesmo, cerveja gelada.
          O local é agradável, tranquilo e muito bem organizado em diversas bancas.
11 – O Mercado Municipal de Juiz de Fora
          O Mercado Público de Juiz de fora, na Zona da Mata Mineira, foi inaugurado em 31 de dezembro em 1904. Funcionou por décadas numa construção em estilo eclético, formando um conjunto arquitetônico de grande relevância para a cidade, tendo sido por isso, tombado desde 1983. (sem foto até o momento)
          Desde 1987 passou a funcionar na Avenida Getúlio Vargas, 188, no Complexo Mascarenhas, totalmente restaurado em 2000, após um incêndio, em 1991. Trata-se de uma área de mais de 8.500 metros quadrados, formado pelo Mercado Público, Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, Biblioteca Municipal, Secretaria de Educação, Restaurante, bar, salão de beleza, etc.
          Aberto de segunda a sexta, das 8h às 19h30, sábado das 8h às 18h, e aos domingos de 8h às 12h, é um dos mais tradicionais pontos turísticos da cidade, referência na gastronomia, cultura, história, artesanato, tradição, além de oferecer, produtos diversos e de qualidade à disposição das inúmeras bancas no Mercado, além de ser ponto de encontro de amigos.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

O Requeijão de Ouro de Porteirinha

(Por Arnaldo Silva) A ExpoQueijo Brasil - Internacional Cheese Awards 2021, realizada entre os dias 4 e 7 de novembro de 2021, em Araxá MG, Alto Paranaíba, as dependências do Grande Hotel e Termas do Barreiro de Araxá, premiou os melhores queijos do mundo, premiou queijos e requeijão de todo o mundo. Cerca de 50 mil pessoas, estiveram nas dependências do Grande Hotel do Barreiro, nos quatro dias de evento.
         Além do concurso mundial de queijos, os participantes e queijarias inscritas, puderam acompanhar palestras, participar de oficinas de treinamento e capacitação aos produtores, além da trocar de experiências com diversas regiões queijeiras brasileiras e internacionais. (na fotografia acima, o Requeijão Toko - Requeijão do Norte, de Porteirinha MG/Divulgação)
          Além disso, o evento contou com atrações culturais como shows musicais, exposição de carros antigos e apresentações teatrais, dentre outras.
Objetivos da ExpoQueijo Brasil
          Além da premiação dos melhores e mais bem avaliados queijos do mundo, a ExpoQueijo Brasil – Internacional Cheese Awards tem como finalidade o fomento da produção dos queijos, bem como dar maior visibilidade aos produtores dos diversos tipos de queijos, seja em nível estadual, nacional e internacional, já que é um evento de alcance mundial.
          O evento a curadoria da Organização Nacional dos Provadores de Queijos (ONAF), sediada na Itália. A entidade, que é única na Itália que atua com a formação de provadores de queijos, usando um método codificado. A ONAF é bastante respeitada na Europa e no mundo todo.
Participantes, categorias e critérios de avaliação
          Participaram do evento cerca de 800 queijos, sendo 550 de queijos mineiros, 213 de outros estados e 48 de países da América Latina como Peru e Argentina e Europa, em destaque para Itália, Suíça e Portugal. (na fotografia acima, queijos expostos para avaliação dos jurados. Fotografia:Ascom/Prefeitura Municipal de Araxá/Divulgação)
          Todos os queijos foram avaliados por um grupo de jurados de vários países, formado por professores, comerciantes, mestres queijeiros renomados e analistas sensoriais de queijos.
Os queijos foram avaliados e premiados de acordo com as categorias: Massas cozidas, Massas semi cozidas, massas prensadas não cozidas (crus), Massas moles, Massas lácticas; Massas filadas; Fundidos e Inovadores (temperados, condimentados, imersos em azeite, bebidas etc.).
          A avaliação dos queijos tem como critério as famílias-base dos queijos, baseado na matriz leiteira: queijos feitos com leite de vaca, cabra, búfala, ovelha e os feitos com leite misturados. (na foto acima o Requeijão Toko, requeijão moreno de Porteirinha MG, que conquistou medalha de ouro na categoria “Queijo de vaca, leite: cru, com tratamento da coalhada cozida, jovem (30 dias)”
          Além das famílias-base, os queijos são divididos em subfamílias como a de queijos feitos com leite cru e pasteurizado, além das divisões, de acordo com as tecnologias usadas na produção do queijo.
Quadro de medalhas
          No total, foram 118 queijos premiados com medalhas de bronze, prata, ouro e super ouro.
          Os queijos mineiros receberam 66 medalhas sendo 22 de ouro, 19 de prata e 25 de bronze.
          Os grandes medalhistas mineiros foram os queijos das regiões queijeiras de Alagoa MG, que levou 12 medalhas, seguido por Mantiqueira de Minas, com 9 medalhas.
          A região queijeira Araxá, conquistou 7 medalhas. A região da Serra da Canastra 6 e a região queijeira do Serro, com 5 medalhas.
          São Paulo ficou em segundo lugar, com 19 medalhas, sendo 5 de ouro, 10 de prata e 4 de bronze.
          Os queijos de Rondônia e Goiás, levaram 1 medalha de ouro cada. Os queijos do Paraná receberam 2 medalhas de prata e 3 de bronze. O Rio de Janeiro conquistou 1 medalha de ouro e 1 de prata. O Rio Grande do Sul levou uma medalha de ouro e 1 de bronze. Espírito Santo e Santa Catarina, conquistaram 1 medalha de bronze, cada.
O melhor queijo do mundo
          Os queijos internacionais tiveram como destaque os queijos italianos e peruanos.
          Os peruanos inscreveram 11 marcas de queijos. conquistando ao todo, 6 medalhas, sendo 3 de ouro, 2 de prata e uma de bronze.
           Já os queijos italianos foram os grandes destaques do concurso mundial em Araxá. Levaram 5 medalhas de ouro, 4 de prata e 2 de bronze, além do título de melhor queijo do mundo, conquistado pelo queijo Bra Duro Dop, da região italiana de Piemonte.
          O corpo de jurados avalia e pontua os queijos, de acordo com as características dos queijos, tempo de maturação e critérios do concurso. As maiores pontuações levam medalhas de bronze, prata e ouro.
          No final, soma-se a votação de todos os queijos medalhas de ouro, selecionando os 15 queijos mais bem pontuados. Desses 15, o que maior pontuação, conquista medalha Super Ouro.
          Nesse quesito, se destacou o queijo italiano Bra Duro Dop, que obteve 105 pontos, superando todos os outros medalhistas de ouro.
          O queijo italiano recebeu a premiação máxima: medalha Super Ouro, o que equivale ao título de melhor queijo do mundo.
          O queijo Bra Duro Dop é feito com leite cru de vaca, massa prensada, aroma perfumado, ligeiramente salgado e picante, casca moderadamente amarela e dura, devido ao longo de tempo de maturação, em média, 180 dias.
Norte de Minas se destaca no Concurso Mundial
          Os queijos mineiros sempre foram destaque em concurso nacionais e internacionais. O grande número de medalhas para os queijos de Minas, conquistadas nesse concurso, não surpreende.
          Isso devido ser o queijo, tradição tricentenária, base das principais quitandas mineiras e uma das maiores identidades do Estado de Minas Gerais.
         Nos últimos anos, uma região mineira vem se destacando em Minas e no Brasil, na produção de queijos, requeijão e manteiga de garrafa: é o Norte de Minas. (fotografia acima: Requeijão Toko/Divulgação)
          Fato notório e visível é o crescimento da produção queijeira norte-mineira, com destaque para os queijos produzidos em Porteirinha, na Serra Geral.
Requeijão Toko - Medalha de Ouro
           Presente na ExpoQueijo Brasil - Internacional Cheese Awards 2021, disputando na categoria “Queijo de vaca, leite: cru, com tratamento da coalhada cozida, jovem (30 dias)”, o tradicional requeijão moreno do Norte de Minas levou a medalha de ouro, através do Requeijão Toko, do produtor Everson Pereira, da cidade de Porteirinha, na Serra Geral de Minas.
          Com a medalha de ouro conquistada, o Requeijão Toko é hoje o melhor requeijão do Brasil, fazendo parte agora do seleto grupo dos melhores do mundo.
          Everson Pereira, conhecido como Toko, é queijeiro e presidente da Associação de Produtores de Queijo Artesanal da Serra Geral, com sede em Porteirinha.
          A entidade esteve presente no evento, apresentando em seu estande queijos e requeijão da Queijaria da Dinda, Queijaria Rubi, Queijaria Nilton e Requeijão Toko, todos da cidade de Porteirinha, para mostra e degustação dos presentes no evento.
Queijo, requeijão moreno e manteiga de Garrafa 
          A vitória do Requeijão Toko, colocou em evidência, no mundo, a Serra Geral, no Norte de Minas, como região de grande potencial queijeira. (foto acima/Divulgação: Manteiga de Garrafa e Requeijão Toko)
          Região tradicional na produção de queijo e principalmente requeijão, a Serra Geral vem ganhando notoriedade, devido o reconhecimento da qualidade de seus queijos e requeijão, conquistados através de medalhas em nível estadual, nacional e internacional, com a premiação do Requeijão Toko.
Origem do Requeijão Toko - Requeijão do Norte 
          Fundada apenas em 2013, pelo casal de agricultores, Everson e Mirani, o Requeijão Toko ganhou notoriedade por sua qualidade, sabor e textura, inigualáveis. (foto acima Requeijão Toko/Divulgação)
          A conquista da medalha de ouro na ExpoQueijo Brasil 2021 é fruto de dedicação e muito estudo. O casal se dedicou em pesquisar e fazer cursos diversos de boas práticas, de acordo com as normas sanitárias vigentes, visando maior qualificação, tendo como objetivo, melhorar a qualidade de seus produtos.
          O resultado do empenho não demorou muito a surgir. A queijaria recebeu o Certificado do IMA, o que permite a comercialização de seus produtos, requeijão e manteiga de garrafa, no Brasil.
          Coroando o emprenho e dedicação, o Requeijão Toko, foi premiado em 2019 com a medalha de bronze no V Prêmio Queijo Brasil/2019, e agora, ouro na ExpoQueijo Brasil 2021.
          As recentes conquistas são motivos de alegria para o produtor Toko e sua família. “Em 2019, conquistamos a medalha de Bronze na V Prêmio Queijo Brasil em Florianópolis, onde entre 718 participantes de todo o Brasil e através de diversas análises, o nosso requeijão foi premiado. Foi uma experiência única de termos sidos premiados, pois essa qualificação, nos trouxe a certeza de que fabricamos um produto com qualidade o suficiente para estar entre os melhores do nosso país” comemora Toko.
          A medalha de ouro do requeijão moreno, feito por sua queijaria, na ExpoQueijo 2021, foi a mostra clara da excelente qualidade do requeijão Norte Mineiro, como analisa Everson Pereira, o Toko: “Essa premiação só reforçou o quanto amamos o nosso trabalho e o quanto nos dedicamos para que Requeijão Toko prospere cada dia mais, mantendo a qualidade, o sabor e a segurança alimentar para todos os nossos clientes”. (na foto acima, Toko, com a medalha de ouro, em mãos e o certificado durante a ExpoQueijo Brasil/2021. Foto: Divulgação)
A Manteiga de Garrafa e o Requeijão Moreno Norte Mineiro
          O requeijão moreno Norte Mineiro é feito totalmente de forma artesanal, a base leite cru. É bastante popular e apreciado em toda a região. (fotografia acima: Requeijão Toko/Divulgação)
          O preparo do requeijão moreno leva em média dois dias. Primeiro o leite é coalhado, em seguida, é retirado o chamado “soro bravo”. A massa é levada ao fogo, para cozimento e por fim, é fritada na manteiga e fica descansando até esfriar, para finalmente, ser enformada.
          Pelo fato do longo cozimento, recebe a coloração mais escura, por isso é chamado de requeijão moreno.
          A iguaria possui um sabor único e intenso. A massa é densa, com textura firme, mas levemente suave e macia. Por ser produção artesanal, faz parte da cultura, história e tradição popular. Tradição essa passada de geração por geração.
          O Requeijão Moreno é um dos maiores símbolos da identidade gastronômica do Norte de Minas. Envolve famílias, tradição, os sabores e saberes do povo norte mineiro.
          Já a manteiga de garrafa é outro derivado do leite igualmente popular no Norte de Minas.
          A origem da manteiga é tão antiga quanto o queijo, existe desde a antiguidade. Feita através da gordura natural, presente no leite cru, possui um sabor intenso e muito acentuado.
          A manteiga é tão popular em Minas Gerais, quanto o queijo. Faz parte do dia a dia do povo mineiro. É um ingrediente indispensável na culinária mineira.
          Diferente da manteiga comum, que é pastosa, cor levemente amarelada, é muito usada na culinária e no café da manhã, em pães, por exemplo.
          Já a manteiga de garrafa, se mantém na forma líquida, cor amarela bem intensa e sabor mais forte. É muito usada na culinária brasileira como molho, em carnes e outros pratos. (fotografia acima: Requeijão Toko/Divulgação)
          A manteiga comum é obtida através da nata do leite batida, preservando a “água” presente no leite. Já a manteiga de garrafa é obtida artesanalmente através do aquecimento e batimento do creme do leite, sendo retirada a “água”, quase que na sua totalidade, após o batimento. Essa parte liquida, “agua”, é engarrafada, por isso o nome, manteiga de garrafa.
Araxá e a ExpoQueijo 2022
          A ExpoQueijo Brasil - Internacional Cheese Awards é um evento anual e faz parte do calendário fixo de eventos da famosa estância hidromineral mineira e região queijeira tradicional.
          Araxá conta atualmente com cerca de 110 mil habitantes. É uma cidade muito bem organizada e estruturada para realização de eventos de grande porte. (na fotografia acima de Arnaldo Silva, o centro da cidade)
          Conta ainda com uma excelente rede hoteleira e gastronômica, acesso terrestre fácil e aéreo, com aeroporto, construído no perímetro urbano da cidade, com capacidade para aeronaves de até 70 lugares, operando com voos regulares, através da Azul Linhas Aéreas.
          A cidade oferece todas as condições todas as condições para realização de eventos de médio e grande porte, em nível nacional e internacional.
          O próximo evento já tem data marcada para acontecer. Será entre os dias 11 e 15 de agosto de 2022.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Tijolo: o doce do Norte de Minas

(Por Arnaldo Silva) Tradicional na Região Norte de Minas, é um dos principais pratos da culinária do norte-mineiro, presente nos mercados municipais e nos fogões à lenha, das cidades do Norte de Minas. O doce é feito com caldo de cana, mandioca e coco.
          Além de saboroso, é nutritivo, rico em fibras, ferro, cálcio, potássio e outros nutrientes. O Tijolo e um dos mais saborosos doces da culinária sertaneja regional.
          Os ingredientes da receita são
 os mesmos, mas o modo de preparo pode variar, de acordo com o tipo de cana, estação e tradição das cidades. Por exemplo, em algumas cidades, o caldo da cana é fervido e quando começar a ferver, é acrescentado a mandioca e o coco ralado, ainda no fogo. 
         Em Montezuma, também no Norte de Minas, é diferente.  O caldo da cana é fervido até ficar em ponto de puxa, quando é retirado do fogo e despejado numa gamela ou cocho, onde já está a mandioca e o coco ralado já misturados. 
          O melado da cana retirado do fogo é despejado ainda bem quente no cocho ou gamela onde está a mandioca e o coco, é batido com uma pá de pau, até endurecer e por fim, vai para a fôrma.
          É desse jeito que vamos aprender a fazer o Tijolo, com as fotos e receita fornecidas pelo casal de agricultores Zequinha e Terezinha da Fazenda Brejinho, na zona rural de Montezuma MG, com a colaboração do Joaquim Pereira Amorim/Quimba, secretário de Agricultura da cidade.
INGREDIENTES
. 20 litros de caldo de cana
. 2 litros de mandioca (equivalente a cerca de 5 quilos de mandioca)
. 1 coco natural, ralado
Você vai precisar de fôrma de madeira, de preferência, usadas para fazer rapadura, escumadeira, colher de pau, gamela ou cocho e  tacho de cobre grande.
MODO DE PREPARO
- Rale bem o coco e reserve.
- Descasque as mandiocas e lave bem.
- Em seguida, rale a mandioca.
- Despeje a mandioca ralada em uma peneira e lave bem, com bastante água.
- Despeje toda a mandioca sobre um pano limpo, enrole e aperte bastante, até sair todo o líquido.
- Feito isso, abra o pano e deixe a mandioca secando um pouco, mas não por muito tempo, terá que ficar um pouco úmida.
- Enquanto a mandioca seca, coloque o caldo de cana no tacho e ferva.
- Quando o caldo começar a ferver, formará uma espuma na superfície do tacho. Retire essa espuma com a ajuda de uma escumadeira, sempre que ela se formar.
- Quando o caldo da cana estiver no ponto de "puxa", na consistência de melado, retire do fogo.
- Coloque na gamela ou coxo de madeira, dois litros da mandioca e o coco e misture bem.
- Despeje todo o melado da cana bem quente na gamela ou cocho e comece a bater com a ajuda de uma colher de pau ou uma pá de pau, que é melhor.
- Bata bastante até o doce começar a ficar duro.
- Se precisar, acrescente mais um pouco de mandioca ralada.
(se achar melhor, ao desligar o fogo, despeje a mandioca e o coco direto no tacho e bata)
- Nesse ponto, despeje o doce com ajuda de uma cuia, nas fôrmas tradicionais de rapadura, passe uma espátula para acertar a superfície e deixe esfriando.
- Desenforme, corte o doce em pedaços e sirva à vontade.
Nota: A receita rende dois a três tijolos, dependendo do tamanho da fôrma que usar. Se quiser em quantidade maior, basta dobrar ou triplicar os ingredientes.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

A cidade de Datas e a Festa do Divino

(Por Arnaldo Silva) No Alto Jequitinhonha, a 1.197 metros de altitude, distante 272 km de Belo Horizonte, está a pequena, aconchegante e acolhedora, Datas, uma das mais belas cidades históricas de Minas Gerais.
          Com cerca de 5.500 habitantes, a charmosa cidade do Vale do Jequitinhonha, faz divisa com os municípios de Diamantina a 24 km, Serro a 55 km, Presidente Kubitschek a 29 km, Conceição do Mato Dentro a 110 km e Gouveia a14 km de distância. (fotografia acima de Elpídio Justino de Andrade)
Breve história
          Com a descoberta de ouro e diamante na região do Tijuco, hoje Diamantina, no século XVIII, a Coroa Portuguesa passou a emitir um título de concessão de lotes de terras para mineração. Esse título era chamado de “Datas D´el Rei”, porque era assinado, pelo Rei de Portugal.
          No início do século XIX, a expansão aurífera se expandiu para os arredores do Arraial do Tijuco. Na região onde está o município de Datas, foram encontrados ouro e diamante. Por esse motivo, vários desses títulos de posse e autorização para exploração mineral foram liberadas pela Cora Portuguesa. Com o título em mãos, mineradores, com seus escravos, começaram a atuar em suas datas na exploração mineral e também na agricultura.
          A partir de 1825, com o crescimento da exploração de ouro e diamante nas datas, começaram a chegar à região garimpeiros e aventureiros, vindos de várias regiões do Brasil. Além desses, vieram portugueses, como pedreiros, carpinteiros, barbeiros, ourives, alfaiates e comerciantes lusitanos de vários ramos comerciais. Vieram atraídos pela riqueza que o ouro e diamante, proporcionavam.
          Com a presença crescente desses povos, foi se formando um próspero povoado, popularmente chamado de Datas D´el Rei, devido à grande quantidade de Datas, liberadas pela Coroa Portuguesa na região.
          Graças ao ouro e diamante e a fé no Divino Espírito Santo, o arraial de Datas D´el Rei, crescia e prosperava.
          Após a Independência do Brasil, em 1822 e fim do domínio português, Datas D´El Rei passou a ser Ribeirão Datas, Espírito Santo de Datas e simplesmente, Datas, o nome popular do arraial desde sua origem.
          Em 1866, a Igreja do Divino Espirito Santo é elevada a Paróquia, novamente, confirmada como paróquia do Espírito Santo das Datas, em 1873.
          Em 14/09/1891, Datas é elevada à Vila, com o nome de Datas do Espírito Santo, subordinada a Diamantina. Em 7/09/1923, o nome da Vila volta a ser Datas.
          Finalmente, em 30/12/1962, pela lei estadual nº 2764, o distrito é desmembrado de Diamantina, tonando-se município independente, com seu nome original, Datas, sendo mantido. No dia 1º de março de 1963 o município é instalado oficialmente, passando ser essa data, a oficial de fundação de Datas MG.
Economia, turismo e religiosidade
          Se antes a economia do município tinha com base a mineração do ouro e diamante, hoje é a agricultura, a principal atividade econômica de Datas.
          Na agricultura destaque do município para a agricultura familiar e principalmente, o cultivo de morangos. A cidade é uma das maiores produtoras de morangos de Minas. Sim, no Vale do Jequitinhonha, cultiva-se morango. 
          Pra quem não sabe, o maior produtor de morangos do Brasil é Minas Gerais, que produz 65% dos morangos consumidos no país. (imagem ilustrativa acima de Ézio Donizete)
          Datas possui terras de alta qualidade, além de condições climáticas favoráveis ao cultivo de morangos e frutas diversas. Isso devido a altitude do município, no topo da Cordilheira do Espinhaço, a quase 1200 metros, acima do nível do mar. (na foto acima do Wilson Fortunato, orquídea nativa na Serra do Espinhaço)
          Os dias são ensolarados no verão, mas não muito quentes. Já as noites bem frias, seja no verão ou inverno.
          A temperatura média no inverno fica entre 12 e 16 graus, chegando abaixo de 10 graus, nos dias mais frios desta estação. Nos dias mais quentes, a temperatura média fica entre 23 e 27 graus. Seu clima é Tropical de Altitude tipo Cwb, portanto, ameno em boa parte do ano.
          As condições climáticas de Datas, favorecem bastante o cultivo de morangos e outras frutas.
          Além disso, a cidade possui uma boa estrutura urbana, um comércio pequeno, mas variado, um bom setor de serviços, pousadas e hotéis aconchegantes, bem como, restaurantes com comidas típicas. (fotografia acima de Elpídio Justino de Andrade)
          Datas se destaca no turismo de aventuras, graças às suas belezas naturais, como as cachoeiras de Cubas e do Ribeirão, o Córrego do Ouro com suas quedas, formando pequenas cachoeiras, as pinturas rupestres da Lapa Pintada, no distrito de Palmital, trilhas por matas nativas, além de seu rico e valioso artesanato em madeira.
          A arquitetura da cidade chama a atenção por seus belíssimos, majestosos e bem conservados casarões coloniais.
          Além disso, a sede da Prefeitura Municipal, (na foto acima do Elpídio Justino de Andrade) a Biblioteca Caldeira Brant é um ponto interessante da cidade, bem como a Praça 1º de Março, a Praça Tiradentes e o Coreto da Praça do Divino (na foto abaixo do Elpídio Justino de Andrade).
          Duas pequenas e singelas capelas, são atrativos religiosos, históricos e arquitetônicos da cidade: a Capela de Nossa Senhora do Rosário, uma típica construção colonial, localizada no Centro da cidade e a Capela de Nossa Senhora da Conceição.
          Conhecida por Capela de Santa Cruz ou simplesmente, Capelinha, a Capela de Nossa Senhora da Conceição é um bem de alto valor cultural e histórico da cidade. Por esse motivo, foi tombada pelo município como Patrimônio Histórico de Datas, em 2005, bem como a imagem de Nossa Senhora da Conceição, esculpida em madeira policromada. A capelinha fica na Praça de Nossa Senhora da Conceição.
          O maior destaque, arquitetônico, histórico e religioso de Datas é sem dúvida, a Matriz do Divino Espírito Santo (na foto acima do Elpídio Justino de Andrade).
          Datada de 1870, em substituição à antiga capela da Vila, a arquitetura da Matriz é singular e única na arte colonial mineira. Sua fachada, em estilo neoclássico francês, faz da igreja, uma das mais atraentes e belas de Minas Gerais. É uma obra de arte em cores, entalhes e detalhes de suas talhas!
          Seu projeto arquitetônico é atribuído ao francês, Félix Guizar, bem como os belíssimos entalhes neoclássicos, que ornamentam o interior da Igreja.
          É uma obra com um padrão artístico raro e único na arquitetura do final do século XIX, estando numa praça charmosa, rodeada por um casario atraente e bem cuidado.
          Em torno da Matriz do Divino, acontece os principais eventos sociais, culturais, religiosos e folclóricos da cidade. Um desses eventos é a Festa do Divino Espírito Santo. (fotografia acima de Anderson Sá)
          Registrada como Patrimônio Imaterial de Datas é uma das mais importantes festas culturais da cidade e uma das mais tradicionais e originais de Minas Gerais.
          A Festa do Divino Espírito Santo, mobiliza a comunidade Católica de Datas, numa demonstração de fé e preservação de suas raízes culturais e folclóricas. É uma das maiores identidades culturais da cidade.
Conheça Datas
          Datas é uma cidade única em Minas. (na foto acima a Giselle Oliveira, a beleza noturna da Matriz do Divino)
          Pequena, mas com um enorme coração para receber os visitantes. Cidade agradável, tranquila, recebe os visitantes e turistas de braços abertos.

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