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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Os 12 Profetas e o Santuário de Congonhas

O Santuário de Bom Jesus de Matosinhos (na foto acima de Wilson Paulo Braz) é um conjunto arquitetônico e paisagístico formado por uma igreja, um adro e seis capelas anexas, localizado no município brasileiro de Congonhas MG a 100 km de Belo Horizonte.
A igreja é um importante exemplar da arquitetura colonial brasileira, com uma rica decoração interna em talha dourada e pinturas. O adro é ornado com doze estátuas de profetas em pedra-sabão e as capelas contêm grupos escultóricos em madeira policromada que representam passos da Paixão de Cristo, estátuas criadas pelo Aleijadinho e seus assistentes. Outros artistas de gabarito participaram nas obras de construção e decoração, entre eles Francisco de Lima Cerqueira, João Nepomuceno Correia e Castro e Mestre Ataíde. O conjunto foi construído em várias etapas entre 1757 e 1875. (foto acima de Elvira Nascimento)
Sua implantação cenográfica e monumental, seguindo o modelo dos "sacro montes" europeus, não tem paralelos no Brasil à sua altura, e as capelas e o adro abrigam a parte mais relevante do legado escultórico do Aleijadinho. (fotografia de Edson Zanatto)
O Santuário é também o centro de uma das mais populares devoções do país, recebendo milhares de peregrinos todos os anos e recolhendo enorme coleção de ex-votos. (na foto acima a Santa Ceia, obra do Mestre Aleijadinho, fotografado por Antônio F. M. Oliveira), Tornou-se um ícone do Barroco brasileiro e do estado de Minas Gerais, e uma grande atração turística. Devido à sua superior importância histórica, social e artística, o conjunto foi tombado em 1939 como patrimônio histórico nacional pelo SPHAN, atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1985. Em 26 de julho de 1957 o papa Pio XII elevou a igreja à dignidade de basílica menor. (na foto abaixo de Paulo Braz, o interior do Santuário)
Os 12 profetas no adro da Igreja
Em 1800 Aleijadinho iniciou a execução das imagens em pedra-sabão de doze profetas do Antigo Testamento, concluindo em 1805. Cada um deles segura um pergaminho com uma mensagem que convida à reflexão e à penitência, ou anuncia a vinda do Messias. A entrada é flanqueada por dois profetas maiores: Jeremias e Isaías. Marcia Toscan sintetizou seus atributos, e invocando Mucci, traduziu os textos latinos que apresentam: (foto acima de Wilson Paulo Braz)
01 - Isaías: suas profecias mostravam aos israelitas sua infidelidade e prediziam os castigos de Deus. "Choro o desastre da Judeia e a ruína de Jerusalém e rogo ao meu povo que volte ao Senhor". (foto ao lado de Glauco Umbelino)
02 - Jeremias: previu o triunfo dos caldeus, a destruição de Jerusalém e da Babilônia. "Eu choro o desastre da Judeia e a ruína de Jerusalém. Peço que eles voltem ao seu Senhor".
03 - Baruc: era secretário de Jeremias, de quem anotou os oráculos. "Eu anuncio a encarnação de Cristo e o fim do mundo e aviso os bons".
04 - Ezequiel: o centro de suas profecias era mostrar aos judeus que Deus cumpria suas promessas e seus castigos. "Descrevo os quatro animais, no meio das chamas, as terríveis rodas e o etéreo trono".

05 - Daniel: conseguiu que a cidade de Jerusalém fosse reconstruída. "Encerrado por ordem do rei na cova dos leões, estou são e salvo, pela proteção de Deus".
06 - Oseias: escolhido por Deus para anunciar os castigos aos reinos de Judá e de Israel e a felicidade no reino de Messias. "Recebe a adúltera, disse-me o Senhor; isto eu faço. Ela se torna esposa, concebe e tem muitos filhos".
07 - Joel: expôs à Judeia quais os males que a assolariam. "À Judeia eu explico quanto mal hão de trazer à terra a lagarta, o gafanhoto, o besouro e o fungo".
08 - Amós:
exercia seus ministérios em Betel, centro de idolatria em Israel. "No começo, simples pastor, depois, profeta. Invisto contra as vacas gordas e os líderes". (foto ao lado de Glauco Umbelino)
09 - Abdias: o mais antigo dos profetas. Previu a ruína da idolatria e o estabelecimento do reino divino. "Acuso as nações e a vós, povos da Idumeia. Anuncio-vos triste ruína".
10 - Habacuc: previu a destruição de Judá pelos caldeus. "Eu te acuso, Babilônia, a ti, tirano da Caldeia, mas a ti, ó Deus, que me sustenta, eu canto em salmos".
11 - Jonas: foi castigado por Deus e jogado ao mar por desrespeitar uma ordem. "Engolido pelo monstro, passo três dias e três noites, no ventre do peixe, depois, chego a Nínive".
12 - Naum: profetizou a destruição de Nínive e da Assíria. "Persigo Nínive e digo: haja castigo contra a relapsa Assíria, que deve ser destruída totalmente".(fonte parcial: Wikipédia)

sábado, 29 de dezembro de 2018

A Matriz de Nazaré e a cidade de Antônio Dias

Antônio Dias pertence ao colar metropolitano do Vale do Aço e se localiza a leste da capital do estado, distando desta cerca de 170 km. Sua população em 2018 era de 9363 habitantes, segundo informações do IBGE. (na foto acima de Elvira Nascimento, o interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré)
Vista parcial de Antônio Dias. Fotografia de Elvira Nascimento 
Atrativos e eventos
Dentre os principais eventos realizados regularmente em Antônio Dias, que configuram-se como importantes atrativos, destacam-se a Festa de São Benedito, celebrada com missas e procissões pelas ruas da cidade, sendo realizada anualmente no Ano-Novo; o CarnaDias, que é um Carnaval fora de época realizado em março ou abril; as celebrações da Semana Santa, em março ou abril, com missas, encenações e procissões em homenagem à vida, paixão e ressurreição de Jesus; e as festividades do aniversário da cidade, que apesar de ser comemorado em 1º de junho, tem sua programação estendida por alguns dias com espetáculos musicais e atividades esportivas, de lazer e entretenimento abertas à população.
Os principais atrativos arquitetônicos situados no município são a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré (na foto ao lado, seu interior, fotografado pela Elvira Nascimento), construída pelo bandeirante Antônio Dias de Oliveira, que foi sepultado em seu adro em 1736, após sua morte aos 90 anos de idade; a Igreja de São Geraldo, construída pelo Tenente-coronel Fabriciano Felisberto Carvalho de Brito (sendo onde estão seus restos mortais), fundador do município de Coronel Fabriciano; a Igreja do Arraial Velho, que foi a primeira do município e serviu de residência a Antônio Dias; e o prédio antigo do primeiro Colégio Estadual antoniosiense, que também já foi sede da Companhia Vale do Rio Doce (atual Vale). Também há atrativos naturais, tais como as trilhas, matas, lagoas e cachoeiras existentes na zona rural do município, muitos abertos à visitação. São alguns deles as cachoeiras da Prainha, Serra Negra, do Salto, Caxambu e Cascatinha; a Gruta de São Joaquim da Bocaina e a Lagoa do Teobaldo.
Na foto acima de Elvira Nascimento, o cotidiano da cidade.
História, Cultura e Economia
A exploração da área do atual município teve início no século XVIII, sendo Antônio Dias de Oliveira o responsável por fundar um núcleo de bandeirantes em 1º de junho de 1706. O desenvolvimento da agricultura atraiu novos habitantes e em 1832, foi criado o distrito subordinado a Itabira, emancipado em 1911. Na década de 1930, teve início o desenvolvimento industrial no então distrito de Melo Viana, que, no entanto, veio a se transformar no município de Coronel Fabriciano em 1948. Este, por sua vez, deu origem às cidades de Ipatinga e Timóteo, que juntamente a Fabriciano correspondem a um dos maiores pólos urbanos do estado, a chamada Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA).
O território é banhado por vários pequenos rios e córregos, sendo os principais o Rio Piracicaba (na foto acima de Sérgio Mourão/Encantos de Minas) e o Ribeirão Água Limpa, os quais fazem parte da Bacia do Rio Doce.
A manutenção da atividade siderúrgica nos municípios da RMVA contribuiu para que o município se tornasse um dos principais fornecedores de mão-de-obra e matéria prima. O artesanato e os grupos teatrais, de manifestação tradicional popular e música configuram-se como principais manifestações culturais, juntamente com os eventos festivos tais como o Carnaval de Antônio Dias (CarnaDias), as comemorações do aniversário da cidade e as celebrações tradicionais religiosas da Festa de São Benedito e das homenagens à Semana Santa.
Há existência de equipes artísticas de teatro, grupos de manifestação tradicional popular, equipes de dança, bandas musicais, corais e grupos de capoeira, de acordo com o IBGE em 2012. O artesanato também é uma das formas mais espontâneas da expressão cultural antoniodiense, sendo que, segundo o IBGE, as principais atividades artesanais desenvolvida em Antônio Dias são o bordado e trabalhos envolvendo fibras vegetais. 
(fonte parcial das informações: Wikipedia)

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Banho de rio, boi bravo, fruta do mato...

Na roça quando se matava um porco, era costume se repartir com a vizinhança um pedaço de carne fresca.

Havia um recurso para que as crianças não beirassem as tachas com banha fritando, carne cozinhando. A minha vó Geralda costumava separar os embornais de cada comadre e nos mandava às fazendas e sítios vizinhos, fazer as entregas. Sair de turma era bom demais da conta!

Antes de pegar a estrada, ouvíamos um punhado de recomendações:
— Ocêis num sai da estrada.
— Oia no chão mode cobra.
— Num come fruta do mato, qui é veneno.
— Cuidado pá num caí da pinguela,
— Num passa dend'água cum corpo quente, sinão constipa.
— Num vai no mei do pasto, sinão panha carrapatinho.
— Cuidado cum as vacas de bezerro novo e os boi brabo.
— Põe sintido no Zé Carlo e no Valadir, qui ês indé piqueno.
— Num roba melancia nas roça dos vizinho...

Estas e mais uma imensidão de conselhos que nem ouvíamos, pois já corríamos estrada afora. Éramos mais ou menos, uns sete meninos e meninas. Eu e a Irene do Jairim Preto — minha grande amiga de infância — cada uma carregava um irmão pequeno na costas.

Éramos um bando de crianças barulhentas na estrada. Mal saíamos das vistas dos adultos, entrávamos no pasto por debaixo do arame farpado. Às vezes rasgando a roupa, riscando pernas no capim, espinhando pés descalços, cortando mato, seguindo trilhas até chegar à primeira casa.

Era uma gritaria, pois o cachorrão bravo nos recebia na porteira; nos perseguindo e nos fazendo subir nas tábuas do curral. O tio João vinha, espantava o bicho e estava entregue a primeira encomenda.

A turma seguia caminho para casa do tio Roque. Havia ali uma descida íngreme no capim rasteiro; sentávamos de dois a dois em cascas de palmeira deslizando morro abaixo, era o nosso tobogã. Certa vez, perdi o equilíbrio e desci aos trambolhões, indo parar lá embaixo no brejo. Credo!

Em algumas casas nos davam grandes argolas de biscoito de polvilho que colocávamos nos braços, feito pulseiras comestíveis.

Contrariando os conselhos, comíamos tudo quanto era fruta do mato: gabiroba, bacupari, araçá. Era bom demais passar perto do coqueiro macaúba que dava aqueles coquinhos de casca dura, mas por dentro eram amarelos e doces, fazíamos sacolas com as saias e os meninos com as camisas. Havia também o Jatobá, um fruto do cerrado, que a gente quebrava a casca para roer a polpa farinhenta-adocicada que ficava grudada nos dentes.

Uma vez, arriscamos passar perto de bois bravos para ir até uma árvore carregada. Entramos todos no pasto e logo ouvi uma gritaria... Era o Sereno! Boi trochado, com chifres enormes, vindo em nossa direção. O animal estava tão bravo que furava o chão com os cascos. Alguns se empoleiraram rápido nas árvores. Irene e eu não conseguimos subir com os pequenos no colo, então corremos feito loucas, num desespero só...

Duas meninas em disparada na frente do boi com os irmãos enganchados na cintura. Fiquei com as pernas bambas quase sem conseguir levantar do chão. Foi a única vez que a vi Irene branca que nem cera. Até hoje não sei como conseguimos passar no vão daquela cerca de cinco fios de arame farpado carregando as crianças sem ninguém se machucar. Acho que o anjo da Guarda estava atento.

Para abrandar o susto, entramos numa capoeirinha de árvores altas onde os cipós floridos se emaranhavam uns nos outros formando arcos. Seguindo o caminho estreito coberto de folhas, uma curva aqui, outra ali e logo se avistava o riacho de água transparente que deixava ver o fundo coberto de pedrinhas e areia.

Ninguém podia pisar na água, antes de refrescar o corpo. Todo mundo deitava na margem e enfiava o rosto dentro d’água para beber e ver os lambaris correndo entre as pedrinhas. Lamentávamos a falta de uma peneira.

Depois de matar a sede, molhar os pulsos e a nuca, o banho estava liberado. Era de roupa mesmo, verdadeira festa de jogação de água uns nos outros. Uma vez, a Irene se distraiu e seu irmãozinho Valadir rodou córrego abaixo. Ainda bem que o salvamos a tempo. Achamos o molequinho chorando e todo embaraçado nos embiris. Se via apenas os dentes branquinhos e seu cabelinho crespo brilhando ao sol. Foi um susto, coitadinho!

O sol já estava a caminho da serra quando alguém lembrava que ainda tinha casa do Seu Diolino para entregar carne. Molhadas, as roupas grudavam nas pernas, estorvando os passos. Quando não secavam no caminho, havia que se inventar uma boa desculpa: uma chuvinha passageira, uma queda da pinguela, porque já na chegada uma mãe reparava:
— Qui rôpa moiada é essa, minina?

Todo mundo era cúmplice, até os pequenos se calavam...

Levar uns puxões de orelha nem doía muito. Sarava rápido.

O que entristecia era a ameaça de que na outra arrumação de porco não iam nos deixar entregar as encomendas.

Texto e fotografia de Maria Mineira - São Roque de Minas

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Da gratidão

Cada dia tem seu milagre. Escondido na curva de um sorriso, no canto de um pássaro que dá seu bom dia à flor do seu jardim. Dentro do sonho que te acompanha: aquele de uma vida inteira. O milagre está dentro de nós, fora de nós, disponível a quem queira merecê-lo. 
         Quem sabe hoje tenha sido o dia do seu maior milagre. Naquela hora em que você mudou o trajeto. Escolheu outra rua. No momento em que o pneu furou, você perdeu o ônibus, a hora – ganhou a vida. 
         São muitos os mistérios e poucos a percebê-los. Distraídos, vamos acumulando graças, presentes, mais um dia, mais um mês, mais uma chance. E não agradecemos. Nem sequer pensamos a respeito. Preferimos, até, a reclamação, o aborrecimento. Abominamos a adversidade sem ao menos perceber que, ali, bem ali, esteve nosso milagre. 
          Aquele momento em que sua célula quase, quase se multiplicou desordenadamente, mas suas defesas funcionaram – e você continuou saudável. Aquela batida errada do seu coração, que poderia ter sido a última, e ele corrigiu o passo, acertou seu compasso e não te deixou na mão. E você ganhou de presente novos poemas para serem lidos, outras e novas risadas, ganhou de volta pequenas coisas,das quais você, com certeza, sentiria muita falta, embora passe por elas sem reconhecer o milagre que elas encerram. 
         Ainda que o momento seja de tragédia, quando os nossos incêndios particulares e coletivos parecem nos levar quase tudo, procure entre as ruínas: ali há de vicejar um milagre. Não deite nunca sobre os seus escombros. No máximo pense neles como os alicerces da mais necessária e possível reconstrução. Nós podemos. Acredite. O milagre está, é, existe. Decida merecê-lo. Procure por ele a cada final de dia. 
         Essa é a hora em que você poderá eleger o que vai levar para sua noite de sono. A palavra boa de um amigo, o cheirinho bom de um café feito com amor, a doce lembrança de uma imagem, aquele melhor pedaço, a mais gostosa fatia, ou aquela palavra atravessada, a preocupação, a ofensa, a discórdia, tudo o que pode virar ferida.
         Nada vale mais a pena nesse momento em que se fecha o dia, a não ser silenciar e procurar pelo seu milagre . Afinal, amanhecemos sob o mesmo sol e ele se pôs sobre nossas cabeças. E você caiu de pé. Vai duvidar desse milagre? 
Por Miryan Lucy Rezende - Uberlândia MG
Fotografia de autoria de Clésio Moreira de Mateus Leme MG

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

4 cachoeiras paradisíacas de Baependi

Uma das mais belas cachoeiras do município é a do Caldeirão, na foto acima de Jerez Costa. Fica a 32 km do município. É uma pequena queda, que forma um poço enorme. Mas o banhista deve tomar cuidado acidentes e afogamento porque são cerca de 30 metros de profundidade. 
Por Arnaldo Silva
Baependi fica a 400 km de Belo Horizonte e é mais conhecida como a cidade de Nhá Chica, cujo santuário, fica nessa simpática cidade do Sul de Minas. Diariamente Baependi é procurada por turistas e romeiros de todos os cantos do Brasil que vem à cidade para visitar e rezar no Santuário de Nhá Chica. Quando os turistas chegam à Baependi, descobrem que além de paz elevação espiritual, o município é rico em belezas naturais.
Emoldurada pela Serra da Mantiqueira, Baependi faz parte do Circuito das Águas em Minas Gerais e também da Estrada Real. Suas belezas e paisagens preservadas fascinam e suas mais de 50 cachoeiras, encantam os visitantes. Para chegar a essas cachoeiras, são trilhas, caminhos e paisagens paradisíacas, em especial a paisagem do Parque Estadual da Serra do Papagaio, onde uma grande área dessa unidade está em Baependi. 
A cachoeira que mais chama a atenção em Baependi é a do Cavalo Baio (na foto acima de Jerez Costa). Fica na Serra da Canjica, na área do Parque Estadual da Serra do Papagaio. Com seus 215 metros de queda, é uma das maiores de Minas. O interessante nessa cachoeira é que nascente que formam suas quedas, nasce a mais de 2.200 metros de altitude. O acesso não é fácil, mas a vista da cachoeira é impressionante. 
Uma outra cachoeira muito famosa é a do Itaúna. Fica a 20 km do centro da cidade. (na foto acima de Jerez Costa)  É formada por pequenas quedas d´água, que formam poços rasos, que formam piscinas naturais, convidativas para um banho refrescante ou mesmo ficar curtindo as águas nos degraus das pedras.
Uma outra cachoeira muito famosa é do Juju (na foto ao lado de Jerez Costa), nas encostas da Serra do Careta, na área do Parque Estadual da Serra do Papagaio. São 130 metros de queda e a paisagem em seu redor é simplesmente espetacular. O acesso é bem difícil e fica um pouco distante da cidade, cerca de 34 km. Por isso é recomendado ir acompanhado de guia.
Essas são apenas as mais famosas cachoeiras de Baependi, tem muito mais cachoeiras, serras e paisagens espetaculares. Além da fé e da elevação espiritual, é um lugar ideal para convívio pleno com a natureza, relaxamento e meditação. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

De alguma saudade....

      Quem nunca passou por ela, nunca conheceu tramela, porteira e mourão. 

     Não ouviu galo abrindo manhã, não acendeu fogo em lenha, não viu gato enrolado no rabo do fogão. 
     Quem nunca passou por ela, não seguiu procissão em dia santificado, não levou flores aos finados, nunca dedilhou violão. 

     Quem nunca passou por ela, não levou o dedo no tacho, não lavou a cara em riacho, não brincou de queimada, boneca, bola e balão. 

     Não sentou à beira da estrada, não viu noite enluarada, não fez pipa, não jogou no único degrau da entrada as cinco pedrinhas com os primos e irmãos. 

     Quem nunca passou por ela, não sabe o que é jardineira, estribeira, algibeira, roda d’água, nem banhou-se em cachoeira, seguiu a corredeira, virou cambota, acreditou em assombração – e na beira da alvorada andou com os pés calçados só de relva molhada e chão.

     Mas se viveu uma história assim bonita e singela, é bom, seu moço, saber. Um dia ou outro, encostado, ao muro chamado passado, ela se abrirá mansa – uma rosa caipira na palma da sua mão. 

     E o seu olho molhado, que nem chuva no roçado, vai te mostrar que é saudade esse quadro bem pintado, para sempre pendurado, no umbral do coração. 
Por Miryan Lucy Rezende de Uberlândia MG - Fotografia de Arnaldo Silva

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Casa da mãe depois que os filhos se vão...

Casa de mãe depois que os filhos se vão é um oratório. Amanhece e anoitece, prece. Já não temos acesso àquelas coisinhas básicas do dia a dia, as recomendações e perguntas que tanto a eles desagradavam e enfureciam: com quem vai, onde é, a que horas começa, a que horas termina, a que horas você chega, vem cá menina, pega a blusa de frio, cadê os documentos, filho.

Impossibilitados os avisos e recomendações, só nos resta a oração, daí tropeçamos todos os dias em nossos santos e santas de preferência, e nossa devoção levanta as mãos já no café da manhã e se deita conosco.


Casa de mãe depois que os filhos se vão é lugar de silêncio, falta nela a conversa, a risada, a implicância, a displicência, a desorganização. Falta panela suja, copos nos quartos, luzes acesas sem necessidade…

Aliás, casa de mãe, depois que os filhos se vão, vive acesa. É um iluminado protesto a tanta ausência.

Casa de mãe depois que os filhos se vão tem sempre o mesmo cheiro. Falta-lhe o perfume que eles passam e deixam antes da balada, falta cheiro de shampoo derramado no banheiro, falta a embriaguez de alho fritando para refogar arroz, falta aroma da cebola que a gente pica escondido porque um deles não gosta ( mas como fazer aquele prato sem colocá-la?), falta a cara boa raspando o prato, o “isso tá bão, mãe”. O melhor agradecimento é um prato vazio, quando os filhos ainda estão. Agora, falta cozinha cheia de desejos atendidos.

Casa de mãe depois que os filhos se vão é um recorte no tempo, é um rasgo na alma. É quarto demais, e gente de menos.

É retrato de um tempo em que a gente vivia distraída da alegria abundante deles. Um tempo de maturar frutos, para dá-los a colher ao mundo. Até que esse dia chega, e lá se vai seu fruto ganhar estrada, descobrir seus rumos, navegar por conta própria com as mãos no leme que você , um dia, lhe mostrou como manejar.

Aí fica a casa e, nela, as coisas que eles não levam de jeito nenhum para a nova vida, mas também não as dispensam: o caminhão da infância, a boneca na porta do quarto, os livros, discos, papéis e desenhos e fotografias – todas te olhando em estranha provocação.

Casa de mãe depois que os filhos se vão não é mais casa de mãe. É a casa da mãe. Para onde eles voltam num feriado, em um final de semana, num pedaço de férias.

Casa de mãe depois que os filhos se vão é um grande portão esperando ser aberto. É corredor solitário aguardando que eles o atravessem rumo aos quartos. É área de serviço sem serviço.

Casa de mãe depois que os filhos se vão tem sempre alguém rezando, um cachorrinho esperando, e muitos dias, todos enfileirados, obedientes e esperançosos da certeza de qualquer dia eles chegam e você vai agradecer por todas as suas preces terem sido atendidas.

Por que, vamos combinar, não é que você fez direitinho seu trabalho, e estava certo quem disse que quem sai aos seus não degenera e aqueles frutos não caíram longe do pé?

E saudade, afinal, não é mesmo uma casa que se chama mãe?

Miryan Lucy de Rezende - Uberlândia MG. Foto de Arnaldo Silva

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

O Museu dos Dinossauros em Peirópolis

Peirópolis é um distrito rural de Uberaba, localizado às margens da rodovia BR-262, a 20 km do centro da cidade. (foto acima de Carias Frascoli) No começo do Séc. XX, destacou-se como produtor de calcário e atualmente é uma atração turística do Município em função dos fósseis encontrados nas imediações. Na antiga estação ferroviária desativada da Cia. Mogiana funciona hoje o Museu dos Dinossauros, parte do Complexo Científico Cultural de Peirópolis. O bairro conta ainda com pousadas, restaurantes e um parque com réplicas de dinossauros.
A antiga estação Peirópolis da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro abriga hoje o Museu dos Dinossauros de Uberaba. Fotografia de André Borges Lopes
Desde a década de 1940, descobertas paleontológicas já traziam nova notoriedade para a região. Informado de que fósseis de ossos haviam sido encontrados durante obras de retificação da linha da Cia. Mogiana , o paleontólogo gaúcho Llewellyn Ivor Price (1905-1980), começou a trabalhar em Peirópolis em 1947. Realizou uma escavação sistemática na região de Caieira, entre 1949 e 1961. Como resultado, foram recuperadas centenas de ossos fossilizados do período Cretáceo Superior (100 a 65 milhões de anos atrás), sobretudo de dinossauros do grupo dos titanossauros.
Por quase 30 anos, o Ivor Price pesquisou as terras do Triângulo Mineiro e de municípios paulistas. Considerado o pai da paleontologia brasileira, permaneceu na região até 1974. Todo o acervo de fósseis coletado por ele e seus auxiliares, ao longo de três décadas, integra a coleção do Museu de Ciências da Terra do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), no Rio de Janeiro.
Ferrovia e Calcáreo
A "linha do Catalão" da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro foi a primeira ferrovia a atingir o Triângulo Mineiro, chegando a Uberaba em 1889. A pequena estação de Peirópolis, designada originalmente como "Cambará", ficava no trecho entre as cidades de Conquista e Uberaba, e teria sido inaugurada nesse mesmo ano. Em 1924 ganhou a atual denominação.
O surgimento do bairro junto à estação deve-se ao imigrante espanhol Frederico Peiró que, em 1911, montou duas fábricas de cal virgem aproveitando o calcário da região. Peirópolis – como ficou sendo conhecida a localidade – ganhou importância econômica vendendo o produto no estado de São Paulo por meio da ferrovia. No entanto, a partir da década de 1950 a Cia. Mogiana foi progressivamente desativando a antiga linha de Conquista, dando preferência à linha de Igarapava, inaugurada em 1915 e considerada mais viável economicamente. A construção do lago da Usina Hidrelétrica de Jaguara no início dos anos 1970 selou o destino do ramal, que foi definitivamente desativado em 1976.

Sítio Paleontológico
Desde a década de 1940, descobertas paleontologicas já traziam nova notoriedade para a região. Informado de que fósseis de ossos haviam sido encontrados durante obras de retificação da linha da Cia. Mogiana , o paleontólogo gaúcho Llewellyb Iovr Pirce (1905-1980), começou a trabalhar em Peirópolis em 1947. Realizou uma escavação sistemática na região de Caieira, entre 1949 e 1961. Como resultado, foram recuperadas centenas de ossos fossilizados do período Cretáceo Superior (100 a 65 milhões de anos atrás), sobretudo de dinossauros do grupo dos titanossauros. (na foto acima de André Borges Lopes Réplica em tamanho natural de um Titanossauro, de autoria do artista plástico Northon Fenerich, em frente ao Museu dos Dinossauros de Peirópolis)
Por quase 30 anos, o Ivor Price pesquisou as terras do Triângulo Mineiro e de municípios paulistas. Considerado o pai da paleontologia brasileira, permaneceu na região até 1974. Todo o acervo de fósseis coletado por ele e seus auxiliares, ao longo de três décadas, integra a coleção do Museu de Ciências da Terra do Departamento Nacional de Produção Mineiral (DNPM), no Rio de Janeiro.
Museu e Centro de Pesquisas
Replica do Uberabasuchus terrificus, crocodilomorfo do Cretáceo Superior cujos fósseis foram descobertos na região de Peirópolis - Fotografia de André Borges Lopes
Em 1991, a Prefeitura Municipal de Uberaba restaurou o prédio da estação e outras dependências no entorno para instalar o "Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price", criado no ano seguinte sob supervisão do geólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro. A antiga estação passou a abrigar um laboratório de preparação de fósseis e um pequeno mas atraente museu paleontológico, aberto à visitação pública e vinculado à Fundação Cultural de Uberaba. Outros imóveis no entorno foram transformados em residências para pesquisadores.
Ossos fossilizados do Uberabasuchus terrificus, crocodilomorfo do Cretáceo Superior, descobertos na região de Peirópolis. Fotografia de André Borges Lopes
Dentre as atrações do museu, destaca-se hoje o esqueleto fóssilizado do crocodilomorfo do Cretáceo Superior Uberabasuchus terrificus – descoberto na região no ano 2000 e um dos mais completos do tipo já encontrado no mundo – que está exposto no museu ao lado de uma réplica do animal. O Uberabasuchus terrificus pertence a uma família de crocodilomorfos denominada Peirosauridae em homenagem a Peirópolis. Estima-se que ele media aproximadamente 2,5 metros de comprimento e pesava cerca de 300 kg.

Mais recentemente foram descobertos na região fosseis do Uberabatitan ribeiroi, o maior dinossauro brasileiro já encontrado. Fósseis de três indivíduos dessa espécie foram descobertos em 2004 na região de Serra da Galga, entre as cidades de Uberaba e Uberlândia, durante a realização das obras da duplicação da rodovia BR-050. O trabalho de retirada dos fósseis foi concluído em 2006, após os técnicos escavarem manualmente cerca de 300 toneladas de rochas que datavam do período Cretáceo e Paleogeno para a extração do material. Em 2011, foram feitas novas descobertas na mesma área, que incluem um fêmur de 1,4 metros do Uberabatitan.

Fonte das informações acima:Wikipédia
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Localização e horários de funcionamento
A maior atração do museu é o rico acervo de fósseis de dinossauros e outros vertebrados. Conta ainda com painéis explicativos sobre a evolução da vida e dioramas que reconstituem os cenários da vida e dos animais e vegetais que habitaram a região de Uberaba há milhões de anos. Está instalado no prédio da antiga estação ferroviária de Peirópolis, construída em 1889, em estilo inglês.
Horário de visitação: terça a sexta das 08h às 17h e sábado, domingo e feriados das 08h às 18h.
No período de janeiro (férias) o Museu também está aberto às segundas-feiras.
BR 262, km 784, Bairro de Peirópolis.(34)3338-1526. (Fonte desta informação: Site da Prefeitura de Uberaba MG)

Diário de Viagem: Serra do Caraça

Misturando-se com as montanhas, o Santuário do caraça é mais uma das miragens Mineiras. É cercado de Horizontes e História. De fé e de sorrisos. " Só o caraça paga toda viagem a Minas" disse D Pedro II.
Tudo é detalhadamente belo, nos pequenos e grandiosos detalhes. 
O silencio da mata toma conta do espaço, é quebrado apenas, pelos ventos que balançam as orquídeas, pelos turistas que sussurram e pelos pássaros, que insistem em cantar! 
A construção neogótico, primeira do Brasil, foi construída sem mão escrava. E permanece intacta mesmo após as chamas na madrugada de 1968. "Se foi muitos livros e documentos da nossa História" disse-me Pedro enquanto me mostrava a revista do mosteiro. Foi o único momento em que seus olhos mergulharam na tristeza. Eu, o entendia completamente! 
Apesar da tragedia no frio de maio de 68 , o Santuário não perdeu o brilho; parte foi restaurado fazendo um paralelo entre o antigo e o moderno. Na biblioteca encontrei anotações de D pedro II , junto estava a cópia do seu diário. No museu vi alguns antigos rádios; machados, retratos e a cama de Tereza Cristina (queria cochilar por ali mesmo) vi os objetos que mais me interessavam: os baús. 
Na capela, vi alguns fiéis pedindo suas preces, vi o Padre por perto, pra qualquer orientação e vi a arquitetura, que fugia do barroco. 
E na simplicidade, vi o sorriso de Vicente. O "nosso vicente". Sentando em baixo da árvore , o olhar aceso disfarçava seu cento e poucos anos. Escolhendo as palavras, prozeou com a Aline, contando que morou ali a vida inteira e não se imagina longe. 
Afirmou que iria se casar um dia, e quem sabe não era comigo? 
Abri um sorriso por tamanha simpatia. Sr Vicente é tão especial que a sua História se mistura com a do Caraça, e a do Caraça se mistura com a dele. O ovo e a gema. 
Percebi na partida , olhando no vidro do carro enquanto as nuvens passavam, que: por mais que meus olhos se esforçassem , eles não conseguiriam, jamais, captar todos os detalhes daquele lugar. Alguns se misturaram no Horizonte, outros se foram nas chamas ou simplesmente esconderam-se na timidez ,como os olhos negros de Vicente. 
Conheçam o Caraça! 
Texto e fotografias de Suelen Rezende, 22 /11 de 2018.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Antônio Pereira e a Igreja queimada

Antônio Pereira é um distrito de Ouro Preto MG. Dista 16 km de Ouro Preto - cidade histórica, reconhecida mundialmente por este fato - e 9 km de Mariana - também cidade histórica, com arquitetura pertencente ao barroco mineiro. Não possui construções tão antigas como Mariana e Ouro Preto, mas é lugar de lindas cachoeiras. (foto acima o Barbosa) Atualmente, a área é protegida por lei, após anos de exploração agressiva aos recursos naturais por parte de garimpeiros em busca de ouro e pessoas em busca de cascalho, material usado em construções.
Histórico
Trata-se de um arraial antigo que foi um dos primeiros núcleos mineradores de Minas Gerais. Dentre os pontos turísticos, destacam-se as ruínas da igreja de Nossa Senhora da Conceição, incendiada (segundo locais, por uma vela que veio a cair sobre um tapete), em cujo interior existe um curioso cemitério, ainda utilizado. A imponente fachada, em blocos de pedra, chama a atenção. Outro passeio interessante é à gruta da Lapa, porque possui em seu interior uma pequena capela.
Na grande fome de 1700-1, o bandeirante português Antonio Pereira Machado (de São João das Caldas, perto de Guimarães em Portugal) seguiu para o norte, chegando ao lugar a que deu nome por ali se ter fixado, chamando-o porém na ocasião o Bonfim do Mato Dentro. Em 1703, desgostoso com a abundância de animais ferozes, voltou à vila do Carmo. Teria sido o padre João de Anhaia o verdadeiro fundador do arraial de Antonio Pereira, com Mateus Leme e com Antonio Pompeu Taques, pois se estabeleceram como mineradores nas numerosas minas como as do Romão, Mata-mata, Macacos, Capitão Simão, Fazenda do Barbaçal, Mateus, da Rocinha.
Em 1716 foi fundada a igreja de Nossa Senhora da Conceição, curada como igreja matriz em 1720 e colativa em 1752. Localmente chamada como igreja da lapa, ou igreja de nossa senhora da lapa.
Pontos turísticos
Três pontos são visitados com frequência por pessoas do Brasil ou mesmo estrangeiros: Gruta da Lapa (na foto acima do Barbosa), Garimpo de Topázio Imperial, e Igreja Queimada.
Igreja queimada
A igreja queimada, localizada na saída/entrada de Antônio Pereira para quem vem/vai à Mariana, datada do século XVIII. Esta, junto com a gruta da lapa, são os marcos históricos do local. A igreja é cercada de mitos, o mais acentuado está em volta do fato que foi criada para a santa local, Nossa Senhora da Lapa, como é chamada pelos moradores do distrito. Segundo a tradição oral, a santa misteriosamente saia da igreja e aparecia na gruta da lapa, onde segundo os moradores, foi achada originalmente, até o momento em que foi queimada de forma misteriosa. 
Os moradores da localidade acreditam que a santa fez isso para permanecer na gruta da lapa, atualmente com uma pequena capela na entrada para a santa. 
O fato da igreja ter sido queimada, até hoje gera controvérsias entre os moradores, sem uma confirmação precisa da causa do incêndio. Uma dessas versões diz que uma pessoa de origem aparentemente da Bahia, roubou a igreja, que na época era coberta de metais preciosos, então colocou fogo na mesma. Outra versão diz que o sacristão local, chamado Roque, foi acusado de deixar uma vela acessa, causando o incêndio, e preso pelo crime. (na foto abaixo de Ane Souz, o interior da Gruta da Lapa onde se encontra a imagem da Santa)
Beleza natural
Alguns dos lugares mais belos ficam nas Cachoeiras da Pedreira. São três cachoeiras naturais cuja estrutura é mantida por formações rochosas naturais. A primeira destas é rasa, altura máxima de aproximadamente um metro e a queda de água não é alta. 
A segunda, chamada pelos locais de Cachoeira da Escuridão, devido ao fato de que o sol não alcança a mesma todo o tempo, ou mesmo por que esta gera “certo medo”, é funda, altura maior do que um adulto de estatura normal, tendo aproximadamente dois metros de profundidade em alguns pontos. A queda de água é mais alta do que a primeira, mas não tão alta quanto a terceira.
A terceira, chamada pelos moradores de Cachoeira da Lajinha, é praticamente plana, como uma área de piscina, possuindo profundidade maior. 
Até o momento, boa parte da área não sofreu relevantes alterações por ação humana. Existem outros pontos, como a Lagoa Azul, ou mesmo a Cachoeira da Vila, atualmente tomada pela empresa Vale do Rio Doce. O local é cercado por montanhas, que durante as chuvas formam espelhos de água, e a rica quantidade de minério ajuda a formar uma paisagem bela.(fonte parcial das informações: Wikipédia. Ilustrações nossa)

sábado, 17 de novembro de 2018

A culinária do Norte de Minas


A Cozinha mineira é uma das maiores riquezas do Estado. É um patrimônio imaterial do povo mineiro. A nossa culinária ajudou na formação da identidade do Estado. (fotografia acima Manoel Freitas de produção de farinha de mandioca próximo a Montes Claros MG)
A nossa cozinha é como nosso povo. Tem origem mestiça. Veio do colono europeu, do povo negro africano e dos índios nativos. Essa mistura maravilhosa de raças e povos criou a nossa identidade cultural, social e gastronômica. (na foto abaixo de Eduardo Gomes, o fruto do pequizeiro, que deu origem a vários pratos da culinária do Norte do Estado)
Para o português, que para cá veio em busca de ouro, a necessidade de comida era grande. Numa terra recém-descoberta, comida praticamente não existia, dai a necessidade de se criar. Junto com os portugueses, vieram os negros e aqui, juntamente com a população indígena, começaram a brotar as nossas raízes culturais e gastronômicas. Essa união afro-indígenas proporcionou o surgimento da culinária que é uma das identidades do Estado de Minas Gerais. Os portugueses e demais povos europeus que para cá vieram, contribuíram em muito com o aprimoramento da culinária que estava se desenvolvendo. Eles conheciam as qualidades naturais dos produtos e tinham domínios sobre temperos, principalmente temperos indianos, que foram introduzidos à nossa culinária. Sem contar os doces e o queijo, que os colonos trouxeram da Europa as técnicas de fazer, ensinando aos escravos e índios, adaptando as técnicas aos produtos encontrados em nossas terras. Assim começou o embrião da nossa culinária. (na foto abaixo de Manoel Freitas, o araticum, um dos principais frutos do Cerrado)
O aprimoramento e até mesmo a criação de pratos, se deve aos tropeiros. É inegável a influência dos tropeiros no surgimento da nossa culinária. Não que eles queriam inventar, mas porque precisavam de comida, dai foram adaptando seus conhecimentos aos produtos encontrados na região que hoje é o Estado de Minas. Eles viajavam por todo o território mineiro, em busca de ouro e por serem viagens longas, precisavam de alimentos que durassem mais tempo, que não perecessem rápido. Assim foi surgindo formas de armazenar comida como a carne, armazenada na lata, o açúcar que foi transformado em rapadura, o queijo curado, a mandioca, que era comida indígena, bem como o milho triturado, chamado de canjiquinha e o fubá. Alimentos que podiam ser levados nas tropas e que duravam muito tempo.
Outra parte da nossa culinária veio das fazendas, basicamente das senzalas, onde as escravas criavam pratos a pedido das Sinhás. Das tabas indígenas e senzalas surgiram vários pratos e ingredientes que hoje fazem parte da nossa cozinha como polvilho, a farinha de milho, de mandioca, o fubá. A partir desses ingredientes foi surgindo quitandas diversas como o pão de queijo, o biscoito, o bolo de fubá. Doces também, como o de leite, de mamão, a goiabada, saíram das senzalas para nossas mesas aprimorando as técnicas ensinadas pelos colonos.(na foto acima, de Manoel Freitas, doce de marmelo em São João do Paraíso, fruta introduzida na região hoje plantada em larga escala nesse município)
E nesse contexto a culinária foi se desenvolvendo, usando o que a terra produzia e o que já existia por aqui, passados pelos índios. Mas pela dimensão do Estado e biomas diferente, como Cerrado e Mata Atlântica, presentes na vegetação mineira, a cozinha variava, não era a mesma em todas as regiões. Em boa parte sim, mas certos alimentos não eram comuns em todas as regiões do Estado como, por exemplo, pequi, comum no Norte, Centro Oeste e parte da região Central de Minas Gerais, onde predomina o Cerrado. (na foto de Manoel Freitas a castanha do pequi, muito rica em minerais)
Já na região Sul, Campo das Vertentes e Zona da Mata, a predominância é do bioma Mata Atlântica. É nesse contexto que surge a culinária regional, que faz parte da culinária Mineira, com suas identidades próprias de acordo com clima, vegetação e alimentos disponíveis. Essa regionalização hoje é a marca da nossa culinária, presente em todas as regiões, com certos pratos típicos de cada uma das 12 regiões mineiras, de acordo com o que os biomas produzem.
Como disse acima, a junção do branco, índio e africano, deu origem a nossa formação cultural e gastronômica. A presença dessas três raças foi predominante para o povoamento e crescimento da região Norte de Minas, a partir do século XVI e XVII. Os portugueses e tropeiros chegaram ao Norte de Minas margeando o Rio São Francisco e ao longo do caminho, foram formando povoados, que hoje são cidades. (na foto acima, de Manoel Freitas, feijão de Andu, colhido em Botumirim MG)
Assim surgiu uma das mais ricas cozinhas de Minas, que é a cozinha do Norte do Estado de Minas Gerais, cujos pratos estão presentes em nossas mesas e contribuíram para dar a Minas Gerais, a nossa identidade culinária.
No Norte de Minas predomina a vegetação de Cerrado nativo e tem o Rio São Francisco como um das suas maiores riquezas. Dos frutos do Cerrado Norte Mineiro surgiu pratos que hoje sustentam famílias e deram origem a vários pratos ainda hoje presentes em nossas mesas. Por ser uma região de contrastes, não apenas sociais, mas geográficos, os sabores da mesa norte mineira é um pouco diferente do restante do Estado. A região produz frutos, alimentos e temperos diferentes do restante do Estado, oriundos de uma culinária mestiça, muito rica em sabores e temperos singulares e fortes como a pimenta, muito apreciada, diferente de outras regiões do Estado. (na foto acima de Manoel Freitas, pescadores no Rio São Francisco em Manga MG)
Esses pratos e temperos vêm do que a região produz. A pecuária sempre foi forte na região. A carne de boi é muito apreciada na região, principalmente a carne de sol. Mirabela, uma das cidades da região, é considerada a Capital Nacional da Carne de Sol. (na foto da lado, sua famosa carne de sol, de autoria de Sérgio Mourão)
O nosso quiabo com angu, muito apreciado com frango hoje, tem origem no Norte de Minas. No Norte Mineiro a paçoca de carne, a farofa de feijão andu, tropeiro com torresmo e rapadura não faltam nas mesas. Sem contar o pequi com arroz, que é consumido sempre, já que o pequi é o símbolo do Cerrado e o fruto reina em todo norte mineiro, sustentando inclusive famílias e gerando empregos em municípios com a produção de licores, compotas e polpas da fruta, vendidos no comércio. Montes Claros e Japonvar se consideram capitais nacionais do pequi.
Além do pequi, o Cerrado tem outras frutas que são consumidas in natura ou viram sucos, doces, compotas, geleias, sorvetes, licores, conservas como o cajá, jatobá, cajá manga, seriguela, caju, cagaita, araticum, tamarindo e etc. (nas fotos acima e abaixo, do Eduardo Gomes, o mercado de Montes Claros, onde você pode encontrar todos os temperos e ingredientes da famosa culinária do Norte de Minas)
O Rio São Francisco banha boa parte do Norte de Minas e suas águas sustentam milhares de famílias, seja no turismo, seja na pesca. O Rio São Francisco, possui 152 espécies de peixes, ao longo de toda sua bacia. Esses peixes como o surubim, dourado, curimatã-pacu, matrinchã, mandi-amarelo, pirá, piau-verdadeiro, dentre outros estão presentes na culinária norte mineira, como a famosa moqueca de surubim.
Essa é a origem da culinária de uma das maiores e mais importantes regiões do Estado de Minas Gerais. Marcada pelos contrastes, mas também pela força e fibra do povo, que batalha, trabalha e preserva sua cultura, história e gastronomia. Por Arnaldo Silva

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Conheça Santo Antônio do Leite

Um dos mais bucólicos e charmosos distritos de Ouro Preto, Santo Antônio do Leite encanta pela simplicidade, pelo belo e preservado casario colonial, por sua cultura e vida simples, mas com ótima qualidade que oferece aos seus moradores e visitantes. (na foto acima de Cláudia Barbosa, a Capela de São José em Santo Antônio do Leite)
Os moradores de Santo Antônio do Itambé, tem vida longa. Isso se explica pela salubridade do clima a mais de 1000 metros de altitude, boa qualidade do ar e de sua água de ótima qualidade. Esse conjunto de qualidades, faz com que Santo Antônio do Leite atraia cada dias mais a presença de turistas, tanto do Brasil, quando do exterior em busca de sossego, lazer, descanso em suas várias pousadas e hotéis fazendas. (foto acima de Thelmo Lins)
O distrito conta com pouco mais de 2 mil moradores e fica apenas 25 km de Ouro Preto. É um dos mais antigos povoados de Minas Gerais. Seu povoamento começou por volta de 1864, no século XVIII, sendo reconhecido como distrito de Ouro Preto em dezembro de 1953.há quase 90 anos.
Como em todos os distritos de Ouro Preto o artesanato se faz presente. Em Santo Antônio do Leite o artesanato com prata e pedras brasileiras são muito procurados e inclusive, boa parte tem destino para a Europa. Existem também trabalhos em cerâmicas, pedra sabão e outros estilos de arte. (a foto de Antônio Carlos Pires Mapa, mostra a Matriz de Santo Antônio do Leite)
Aos sábados e domingos, os visitantes podem conhecer o artesanato local, bem como sua culinária, na tradicional feirinha.
Os moradores de Santo Antônio do Leite são calorosos, educados e recebem muito bem os visitantes. 

Quando vier a Ouro Preto, venha conhecer Santo Antônio do Leite.(Por Arnaldo Silva)

A origem e utilidades da Pedra Sabão

Esteatito (também pedra de talco ou pedra-sabão) é o nome dado a uma rocha metamórfica, compacta, composta sobretudo de talco (também chamado de esteatite ou esteatita) mas contendo muitos outros minerais como magnesita, clorita, tremolita e quartzo, por exemplo. É uma rocha muito branda e de baixa dureza, por conter grandes quantidades de talco na sua constituição. A pedra-sabão é encontrada em cores que vão de cinza a verde. Ao tato, dá uma sensação de ser oleosa ou saponácea, derivando-se daí sua designação de pedra-sabão. Existem grandes depósitos, de valor comercial no Brasil, em maior escala no estado de Minas Gerais.
Características físicas
A pedra-sabão é praticamente impenetrável. Não é afetada por substâncias alcalinas ou ácidas. Uma das notáveis características da pedra-sabão é sua excelente capacidade de resistir a extremos de temperatura desde muito abaixo de zero até acima de cerca 1000 °C. A pedra-sabão resiste às exposições e mudanças de condições atmosféricas durante séculos.
A 709 metros de altitude, com cerca de 30 metros de altura e totalmente revestida de chapas de pedra-sabão, a estátua do Cristo Redentor foi construída entre 1926 e 1931. Desde sua concepção está exposta a rigorosas condições atmosféricas, inclusive poluição do ar e consequentemente, chuva ácida, sem ser afetada.
A pedra-sabão é relativamente macia devido ao seu teor de talco (o talco sendo considerado de dureza grau um na escala Mohs).

Usos da pedra-sabão
Este tipo de rocha é muito utilizado na fabricação de panelas, esculturas e decoração, pela facilidade com que é trabalhada. O seu uso é generalizado pelo mundo afora: desde as esculturas tradicionais dos Inuit até a algumas obras do Aleijadinho. É especialmente utilizada na construção de lareiras, também pela sua capacidade de absorver e distribuir de forma regular o calor.
A pedra-sabão, em virtude de suas excelentes propriedades de absorção de calor, retém quase todo o calor produzido pela fonte de energia (madeira, carvão mineral, carvão vegetal, gás, energia elétrica) e o conduz rapidamente, através do chamado aquecimento de massa térmica. Isto significa que a própria pedra atua como uma eficiente fonte de calor e não a chama propriamente dita, como acontece com as tradicionais lareiras abertas. Por outras palavras, o calor absorvido pela massa da pedra-sabão é, em seguida, liberado lenta e uniformemente no passar do tempo, mesmo após a fonte de calor se extinguir ou ser desligada. Outra característica notável da pedra-sabão é que gera calor radiante, enquanto permanece, em geral, isenta de perigo ao toque.

No Brasil, especialmente no Estado de Minas Gerais e na cidade turística de Ouro Preto, esta pedra é usada para a confecção de artesanatos feitos pela população local como: Porta-jóias, panelas, canecas, taças de vinho, além de souvenirs e estatuetas. Encontrados em feiras locais e pela internet. Algumas tribos da América do Norte utilizavam a pedra-sabão para produzir tigelas, recipientes para cozinha e outros objetos; historicamente, este hábito era particularmente comum durante o chamado período arqueológico arcaico. Outras tribos faziam cachimbos de pedra-sabão para fumar tabaco; inúmeros exemplares já foram encontrados em artefatos de diferentes culturas de nativos norte-americanos e outros continuam em uso nos dias de hoje. A baixa condutividade de calor da pedra-sabão permite o fumo de forma prolongada, sem que o cachimbo se aqueça demais.
A pedra-sabão é usada por ferreiros como um marcador pois, devido à sua resistência ao calor, ela se mantém visível mesmo quando aquecida. Também vem sendo utilizada por muitos anos por costureiras, carpinteiros e outros artesãos como um giz para fazer marcas no material a ser trabalhado, pois suas marcas são visíveis e podem ser apagadas.
Outro uso deste material é o de servir como molde para trabalhar materiais maleáveis como o peltre ou prata, devido à sua facilidade de ser trabalhado e sua não degradação com o calor. A superfície lisa da pedra-sabão permite a fácil retirada do objeto fundido do molde.
Como tratar a pedra-sabão
Utilizar óleo mineral (qualquer tipo de óleo hidrocarbônico, que pode ser adquirido em farmácias). Esfregar o óleo na pedra. Remover excedentes para que não haja aparência de molhado. No passar do tempo, fazer nova aplicação de óleo. Os seladores de pedras produzem pouco efeito sobre a pedra-sabão, em comparação com granito ou ardósia. Fazer a limpeza com esponja ou com pano macio, utilizando água limpa e detergente neutro, se necessário.

Fonte das informações: Wikipédia. As fotos são da página, feitas em Ouro Preto

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