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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Os 12 Profetas e o Santuário de Congonhas

O Santuário de Bom Jesus de Matosinhos (na foto acima de Wilson Paulo Braz) é um conjunto arquitetônico e paisagístico formado por uma igreja, um adro e seis capelas anexas, localizado no município brasileiro de Congonhas MG a 100 km de Belo Horizonte.
A igreja é um importante exemplar da arquitetura colonial brasileira, com uma rica decoração interna em talha dourada e pinturas. O adro é ornado com doze estátuas de profetas em pedra-sabão e as capelas contêm grupos escultóricos em madeira policromada que representam passos da Paixão de Cristo, estátuas criadas pelo Aleijadinho e seus assistentes. Outros artistas de gabarito participaram nas obras de construção e decoração, entre eles Francisco de Lima Cerqueira, João Nepomuceno Correia e Castro e Mestre Ataíde. O conjunto foi construído em várias etapas entre 1757 e 1875. (foto acima de Elvira Nascimento)
Sua implantação cenográfica e monumental, seguindo o modelo dos "sacro montes" europeus, não tem paralelos no Brasil à sua altura, e as capelas e o adro abrigam a parte mais relevante do legado escultórico do Aleijadinho. (fotografia de Edson Zanatto)
O Santuário é também o centro de uma das mais populares devoções do país, recebendo milhares de peregrinos todos os anos e recolhendo enorme coleção de ex-votos. (na foto acima a Santa Ceia, obra do Mestre Aleijadinho, fotografado por Marcelo Santos), Tornou-se um ícone do Barroco brasileiro e do estado de Minas Gerais, e uma grande atração turística. Devido à sua superior importância histórica, social e artística, o conjunto foi tombado em 1939 como patrimônio histórico nacional pelo SPHAN, atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1985. Em 26 de julho de 1957 o papa Pio XII elevou a igreja à dignidade de basílica menor. (na foto abaixo de Paulo Braz, o interior do Santuário)
Os 12 profetas no adro da Igreja
Em 1800 Aleijadinho iniciou a execução das imagens em pedra-sabão de doze profetas do Antigo Testamento, concluindo em 1805. Cada um deles segura um pergaminho com uma mensagem que convida à reflexão e à penitência, ou anuncia a vinda do Messias. A entrada é flanqueada por dois profetas maiores: Jeremias e Isaías. Marcia Toscan sintetizou seus atributos, e invocando Mucci, traduziu os textos latinos que apresentam: (foto acima de Wilson Paulo Braz)
01 - Isaías: suas profecias mostravam aos israelitas sua infidelidade e prediziam os castigos de Deus. "Choro o desastre da Judeia e a ruína de Jerusalém e rogo ao meu povo que volte ao Senhor". (foto ao lado de Glauco Umbelino)
02 - Jeremias: previu o triunfo dos caldeus, a destruição de Jerusalém e da Babilônia. "Eu choro o desastre da Judeia e a ruína de Jerusalém. Peço que eles voltem ao seu Senhor".
03 - Baruc: era secretário de Jeremias, de quem anotou os oráculos. "Eu anuncio a encarnação de Cristo e o fim do mundo e aviso os bons".
04 - Ezequiel: o centro de suas profecias era mostrar aos judeus que Deus cumpria suas promessas e seus castigos. "Descrevo os quatro animais, no meio das chamas, as terríveis rodas e o etéreo trono".

05 - Daniel: conseguiu que a cidade de Jerusalém fosse reconstruída. "Encerrado por ordem do rei na cova dos leões, estou são e salvo, pela proteção de Deus".
06 - Oseias: escolhido por Deus para anunciar os castigos aos reinos de Judá e de Israel e a felicidade no reino de Messias. "Recebe a adúltera, disse-me o Senhor; isto eu faço. Ela se torna esposa, concebe e tem muitos filhos".
07 - Joel: expôs à Judeia quais os males que a assolariam. "À Judeia eu explico quanto mal hão de trazer à terra a lagarta, o gafanhoto, o besouro e o fungo".
08 - Amós:
exercia seus ministérios em Betel, centro de idolatria em Israel. "No começo, simples pastor, depois, profeta. Invisto contra as vacas gordas e os líderes". (foto ao lado de Glauco Umbelino)
09 - Abdias: o mais antigo dos profetas. Previu a ruína da idolatria e o estabelecimento do reino divino. "Acuso as nações e a vós, povos da Idumeia. Anuncio-vos triste ruína".
10 - Habacuc: previu a destruição de Judá pelos caldeus. "Eu te acuso, Babilônia, a ti, tirano da Caldeia, mas a ti, ó Deus, que me sustenta, eu canto em salmos".
11 - Jonas: foi castigado por Deus e jogado ao mar por desrespeitar uma ordem. "Engolido pelo monstro, passo três dias e três noites, no ventre do peixe, depois, chego a Nínive".
12 - Naum: profetizou a destruição de Nínive e da Assíria. "Persigo Nínive e digo: haja castigo contra a relapsa Assíria, que deve ser destruída totalmente".(fonte parcial: Wikipédia)

sábado, 29 de dezembro de 2018

A Matriz de Nazaré e a cidade de Antônio Dias

Antônio Dias pertence ao colar metropolitano do Vale do Aço e se localiza a leste da capital do estado, distando desta cerca de 170 km. Sua população em 2018 era de 9363 habitantes, segundo informações do IBGE. (na foto acima de Elvira Nascimento, o interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré)
Vista parcial de Antônio Dias. Fotografia de Elvira Nascimento 
Atrativos e eventos
Dentre os principais eventos realizados regularmente em Antônio Dias, que configuram-se como importantes atrativos, destacam-se a Festa de São Benedito, celebrada com missas e procissões pelas ruas da cidade, sendo realizada anualmente no Ano-Novo; o CarnaDias, que é um Carnaval fora de época realizado em março ou abril; as celebrações da Semana Santa, em março ou abril, com missas, encenações e procissões em homenagem à vida, paixão e ressurreição de Jesus; e as festividades do aniversário da cidade, que apesar de ser comemorado em 1º de junho, tem sua programação estendida por alguns dias com espetáculos musicais e atividades esportivas, de lazer e entretenimento abertas à população.
Os principais atrativos arquitetônicos situados no município são a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré (na foto ao lado, seu interior, fotografado pela Elvira Nascimento), construída pelo bandeirante Antônio Dias de Oliveira, que foi sepultado em seu adro em 1736, após sua morte aos 90 anos de idade; a Igreja de São Geraldo, construída pelo Tenente-coronel Fabriciano Felisberto Carvalho de Brito (sendo onde estão seus restos mortais), fundador do município de Coronel Fabriciano; a Igreja do Arraial Velho, que foi a primeira do município e serviu de residência a Antônio Dias; e o prédio antigo do primeiro Colégio Estadual antoniosiense, que também já foi sede da Companhia Vale do Rio Doce (atual Vale). Também há atrativos naturais, tais como as trilhas, matas, lagoas e cachoeiras existentes na zona rural do município, muitos abertos à visitação. São alguns deles as cachoeiras da Prainha, Serra Negra, do Salto, Caxambu e Cascatinha; a Gruta de São Joaquim da Bocaina e a Lagoa do Teobaldo.
Na foto acima de Elvira Nascimento, o cotidiano da cidade.
História, Cultura e Economia
A exploração da área do atual município teve início no século XVIII, sendo Antônio Dias de Oliveira o responsável por fundar um núcleo de bandeirantes em 1º de junho de 1706. O desenvolvimento da agricultura atraiu novos habitantes e em 1832, foi criado o distrito subordinado a Itabira, emancipado em 1911. Na década de 1930, teve início o desenvolvimento industrial no então distrito de Melo Viana, que, no entanto, veio a se transformar no município de Coronel Fabriciano em 1948. Este, por sua vez, deu origem às cidades de Ipatinga e Timóteo, que juntamente a Fabriciano correspondem a um dos maiores pólos urbanos do estado, a chamada Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA).
O território é banhado por vários pequenos rios e córregos, sendo os principais o Rio Piracicaba (na foto acima de Sérgio Mourão/Encantos de Minas) e o Ribeirão Água Limpa, os quais fazem parte da Bacia do Rio Doce.
A manutenção da atividade siderúrgica nos municípios da RMVA contribuiu para que o município se tornasse um dos principais fornecedores de mão-de-obra e matéria prima. O artesanato e os grupos teatrais, de manifestação tradicional popular e música configuram-se como principais manifestações culturais, juntamente com os eventos festivos tais como o Carnaval de Antônio Dias (CarnaDias), as comemorações do aniversário da cidade e as celebrações tradicionais religiosas da Festa de São Benedito e das homenagens à Semana Santa.
Há existência de equipes artísticas de teatro, grupos de manifestação tradicional popular, equipes de dança, bandas musicais, corais e grupos de capoeira, de acordo com o IBGE em 2012. O artesanato também é uma das formas mais espontâneas da expressão cultural antoniodiense, sendo que, segundo o IBGE, as principais atividades artesanais desenvolvida em Antônio Dias são o bordado e trabalhos envolvendo fibras vegetais. 
(fonte parcial das informações: Wikipedia)

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Banho de rio, boi bravo, fruta do mato...

(Por Maria Mineira) Na roça quando se matava um porco, era costume se repartir com a vizinhança um pedaço de carne fresca.
          Havia um recurso para que as crianças não beirassem as tachas com banha fritando, carne cozinhando. A minha vó Geralda costumava separar os embornais de cada comadre e nos mandava às fazendas e sítios vizinhos, fazer as entregas. Sair de turma era bom demais da conta!
          Antes de pegar a estrada, ouvíamos um punhado de recomendações:
— Ocêis num sai da estrada.
— Oia no chão mode cobra.
— Num come fruta do mato, qui é veneno.
— Cuidado pá num caí da pinguela,
— Num passa dend'água cum corpo quente, sinão constipa.
— Num vai no mei do pasto, sinão panha carrapatinho.
— Cuidado cum as vacas de bezerro novo e os boi brabo.
— Põe sintido no Zé Carlo e no Valadir, qui ês indé piqueno.
— Num roba melancia nas roça dos vizinho...
          Estas e mais uma imensidão de conselhos que nem ouvíamos, pois já corríamos estrada afora. Éramos mais ou menos, uns sete meninos e meninas. Eu e a Irene do Jairim Preto — minha grande amiga de infância — cada uma carregava um irmão pequeno na costas.
          Éramos um bando de crianças barulhentas na estrada. Mal saíamos das vistas dos adultos, entrávamos no pasto por debaixo do arame farpado. Às vezes rasgando a roupa, riscando pernas no capim, espinhando pés descalços, cortando mato, seguindo trilhas até chegar à primeira casa.
          Era uma gritaria, pois o cachorrão bravo nos recebia na porteira; nos perseguindo e nos fazendo subir nas tábuas do curral. O tio João vinha, espantava o bicho e estava entregue a primeira encomenda.
          A turma seguia caminho para casa do tio Roque. Havia ali uma descida íngreme no capim rasteiro; sentávamos de dois a dois em cascas de palmeira deslizando morro abaixo, era o nosso tobogã. Certa vez, perdi o equilíbrio e desci aos trambolhões, indo parar lá embaixo no brejo. Credo!
          Em algumas casas nos davam grandes argolas de biscoito de polvilho que colocávamos nos braços, feito pulseiras comestíveis.
          Contrariando os conselhos, comíamos tudo quanto era fruta do mato: gabiroba, bacupari, araçá. Era bom demais passar perto do coqueiro macaúba que dava aqueles coquinhos de casca dura, mas por dentro eram amarelos e doces, fazíamos sacolas com as saias e os meninos com as camisas. Havia também o Jatobá, um fruto do cerrado, que a gente quebrava a casca para roer a polpa farinhenta-adocicada que ficava grudada nos dentes.
          Uma vez, arriscamos passar perto de bois bravos para ir até uma árvore carregada. Entramos todos no pasto e logo ouvi uma gritaria... Era o Sereno! Boi trochado, com chifres enormes, vindo em nossa direção. O animal estava tão bravo que furava o chão com os cascos. Alguns se empoleiraram rápido nas árvores. Irene e eu não conseguimos subir com os pequenos no colo, então corremos feito loucas, num desespero só...
          Duas meninas em disparada na frente do boi com os irmãos enganchados na cintura. Fiquei com as pernas bambas quase sem conseguir levantar do chão. Foi a única vez que a vi Irene branca que nem cera. Até hoje não sei como conseguimos passar no vão daquela cerca de cinco fios de arame farpado carregando as crianças sem ninguém se machucar. Acho que o anjo da Guarda estava atento.
          Para abrandar o susto, entramos numa capoeirinha de árvores altas onde os cipós floridos se emaranhavam uns nos outros formando arcos. Seguindo o caminho estreito coberto de folhas, uma curva aqui, outra ali e logo se avistava o riacho de água transparente que deixava ver o fundo coberto de pedrinhas e areia.
          Ninguém podia pisar na água, antes de refrescar o corpo. Todo mundo deitava na margem e enfiava o rosto dentro d’água para beber e ver os lambaris correndo entre as pedrinhas. Lamentávamos a falta de uma peneira.
          Depois de matar a sede, molhar os pulsos e a nuca, o banho estava liberado. Era de roupa mesmo, verdadeira festa de jogação de água uns nos outros. Uma vez, a Irene se distraiu e seu irmãozinho Valadir rodou córrego abaixo. Ainda bem que o salvamos a tempo. Achamos o molequinho chorando e todo embaraçado nos embiris. Se via apenas os dentes branquinhos e seu cabelinho crespo brilhando ao sol. Foi um susto, coitadinho!
          O sol já estava a caminho da serra quando alguém lembrava que ainda tinha casa do Seu Diolino para entregar carne. Molhadas, as roupas grudavam nas pernas, estorvando os passos. Quando não secavam no caminho, havia que se inventar uma boa desculpa: uma chuvinha passageira, uma queda da pinguela, porque já na chegada uma mãe reparava:
— Qui rôpa moiada é essa, minina?
          Todo mundo era cúmplice, até os pequenos se calavam...
          Levar uns puxões de orelha nem doía muito. Sarava rápido.
          O que entristecia era a ameaça de que na outra arrumação de porco não iam nos deixar entregar as encomendas.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Da gratidão

Cada dia tem seu milagre. Escondido na curva de um sorriso, no canto de um pássaro que dá seu bom dia à flor do seu jardim. Dentro do sonho que te acompanha: aquele de uma vida inteira. O milagre está dentro de nós, fora de nós, disponível a quem queira merecê-lo. 
         Quem sabe hoje tenha sido o dia do seu maior milagre. Naquela hora em que você mudou o trajeto. Escolheu outra rua. No momento em que o pneu furou, você perdeu o ônibus, a hora – ganhou a vida. 
         São muitos os mistérios e poucos a percebê-los. Distraídos, vamos acumulando graças, presentes, mais um dia, mais um mês, mais uma chance. E não agradecemos. Nem sequer pensamos a respeito. Preferimos, até, a reclamação, o aborrecimento. Abominamos a adversidade sem ao menos perceber que, ali, bem ali, esteve nosso milagre. 
          Aquele momento em que sua célula quase, quase se multiplicou desordenadamente, mas suas defesas funcionaram – e você continuou saudável. Aquela batida errada do seu coração, que poderia ter sido a última, e ele corrigiu o passo, acertou seu compasso e não te deixou na mão. E você ganhou de presente novos poemas para serem lidos, outras e novas risadas, ganhou de volta pequenas coisas,das quais você, com certeza, sentiria muita falta, embora passe por elas sem reconhecer o milagre que elas encerram. 
         Ainda que o momento seja de tragédia, quando os nossos incêndios particulares e coletivos parecem nos levar quase tudo, procure entre as ruínas: ali há de vicejar um milagre. Não deite nunca sobre os seus escombros. No máximo pense neles como os alicerces da mais necessária e possível reconstrução. Nós podemos. Acredite. O milagre está, é, existe. Decida merecê-lo. Procure por ele a cada final de dia. 
         Essa é a hora em que você poderá eleger o que vai levar para sua noite de sono. A palavra boa de um amigo, o cheirinho bom de um café feito com amor, a doce lembrança de uma imagem, aquele melhor pedaço, a mais gostosa fatia, ou aquela palavra atravessada, a preocupação, a ofensa, a discórdia, tudo o que pode virar ferida.
         Nada vale mais a pena nesse momento em que se fecha o dia, a não ser silenciar e procurar pelo seu milagre . Afinal, amanhecemos sob o mesmo sol e ele se pôs sobre nossas cabeças. E você caiu de pé. Vai duvidar desse milagre? 
Por Miryan Lucy Rezende - Uberlândia MG
Fotografia de autoria de Clésio Moreira de Mateus Leme MG

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

4 cachoeiras paradisíacas de Baependi

Uma das mais belas cachoeiras do município é a do Caldeirão, na foto acima de Jerez Costa. Fica a 32 km do município. É uma pequena queda, que forma um poço enorme. Mas o banhista deve tomar cuidado acidentes e afogamento porque são cerca de 30 metros de profundidade. 
Por Arnaldo Silva
Baependi fica a 400 km de Belo Horizonte e é mais conhecida como a cidade de Nhá Chica, cujo santuário, fica nessa simpática cidade do Sul de Minas. Diariamente Baependi é procurada por turistas e romeiros de todos os cantos do Brasil que vem à cidade para visitar e rezar no Santuário de Nhá Chica. Quando os turistas chegam à Baependi, descobrem que além de paz elevação espiritual, o município é rico em belezas naturais.
Emoldurada pela Serra da Mantiqueira, Baependi faz parte do Circuito das Águas em Minas Gerais e também da Estrada Real. Suas belezas e paisagens preservadas fascinam e suas mais de 50 cachoeiras, encantam os visitantes. Para chegar a essas cachoeiras, são trilhas, caminhos e paisagens paradisíacas, em especial a paisagem do Parque Estadual da Serra do Papagaio, onde uma grande área dessa unidade está em Baependi. 
A cachoeira que mais chama a atenção em Baependi é a do Cavalo Baio (na foto acima de Jerez Costa). Fica na Serra da Canjica, na área do Parque Estadual da Serra do Papagaio. Com seus 215 metros de queda, é uma das maiores de Minas. O interessante nessa cachoeira é que nascente que formam suas quedas, nasce a mais de 2.200 metros de altitude. O acesso não é fácil, mas a vista da cachoeira é impressionante. 
Uma outra cachoeira muito famosa é a do Itaúna. Fica a 20 km do centro da cidade. (na foto acima de Jerez Costa)  É formada por pequenas quedas d´água, que formam poços rasos, que formam piscinas naturais, convidativas para um banho refrescante ou mesmo ficar curtindo as águas nos degraus das pedras.
          Outra cachoeira muito famosa é do Juju (na foto ao lado de Jerez Costa), nas encostas da Serra do Careta, na área do Parque Estadual da Serra do Papagaio. São 130 metros de queda e a paisagem em seu redor é simplesmente espetacular. O acesso é bem difícil e fica um pouco distante da cidade, cerca de 34 km. Por isso é recomendado ir acompanhado de guia.
Essas são apenas as mais famosas cachoeiras de Baependi, tem muito mais cachoeiras, serras e paisagens espetaculares. Além da fé e da elevação espiritual, é um lugar ideal para convívio pleno com a natureza, relaxamento e meditação. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

De alguma saudade

      Quem nunca passou por ela, nunca conheceu tramela, porteira e mourão. 
     Não ouviu galo abrindo manhã, não acendeu fogo em lenha, não viu gato enrolado no rabo do fogão.
      Quem nunca passou por ela, não seguiu procissão em dia santificado, não levou flores aos finados, nunca dedilhou violão. 
     Quem nunca passou por ela, não levou o dedo no tacho, não lavou a cara em riacho, não brincou de queimada, boneca, bola e balão. 
     Não sentou à beira da estrada, não viu noite enluarada, não fez pipa, não jogou no único degrau da entrada as cinco pedrinhas com os primos e irmãos. 
     Quem nunca passou por ela, não sabe o que é jardineira, estribeira, algibeira, roda d’água, nem banhou-se em cachoeira, seguiu a corredeira, virou cambota, acreditou em assombração – e na beira da alvorada andou com os pés calçados só de relva molhada e chão.
     Mas se viveu uma história assim bonita e singela, é bom, seu moço, saber. Um dia ou outro, encostado, ao muro chamado passado, ela se abrirá mansa – uma rosa caipira na palma da sua mão. 
     E o seu olho molhado, que nem chuva no roçado, vai te mostrar que é saudade esse quadro bem pintado, para sempre pendurado, no umbral do coração. 
Por Miryan Lucy Rezende de Uberlândia MG - Fotografia de Deividson Costa/@deividsoncosta

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Casa da mãe depois que os filhos se vão...

(Por Míryan Lucy de Resende) Casa de mãe depois que os filhos se vão é um oratório. Amanhece e anoitece, prece. Já não temos acesso àquelas coisinhas básicas do dia a dia, as recomendações e perguntas que tanto a eles desagradavam e enfureciam: com quem vai, onde é, a que horas começa, a que horas termina, a que horas você chega, vem cá menina, pega a blusa de frio, cadê os documentos, filho.
          Impossibilitados os avisos e recomendações, só nos resta a oração, daí tropeçamos todos os dias em nossos santos e santas de preferência, e nossa devoção levanta as mãos já no café da manhã e se deita conosco.
          Casa de mãe depois que os filhos se vão é lugar de silêncio, falta nela a conversa, a risada, a implicância, a displicência, a desorganização. Falta panela suja, copos nos quartos, luzes acesas sem necessidade…
          Aliás, casa de mãe, depois que os filhos se vão, vive acesa. É um iluminado protesto a tanta ausência.
          Casa de mãe depois que os filhos se vão tem sempre o mesmo cheiro. Falta-lhe o perfume que eles passam e deixam antes da balada, falta cheiro de shampoo derramado no banheiro, falta a embriaguez de alho fritando para refogar arroz, falta aroma da cebola que a gente pica escondido porque um deles não gosta ( mas como fazer aquele prato sem colocá-la?), falta a cara boa raspando o prato, o “isso tá bão, mãe”. O melhor agradecimento é um prato vazio, quando os filhos ainda estão. Agora, falta cozinha cheia de desejos atendidos.
          Casa de mãe depois que os filhos se vão é um recorte no tempo, é um rasgo na alma. É quarto demais, e gente de menos.
          É retrato de um tempo em que a gente vivia distraída da alegria abundante deles. Um tempo de maturar frutos, para dá-los a colher ao mundo. Até que esse dia chega, e lá se vai seu fruto ganhar estrada, descobrir seus rumos, navegar por conta própria com as mãos no leme que você , um dia, lhe mostrou como manejar.
          Aí fica a casa e, nela, as coisas que eles não levam de jeito nenhum para a nova vida, mas também não as dispensam: o caminhão da infância, a boneca na porta do quarto, os livros, discos, papéis e desenhos e fotografias – todas te olhando em estranha provocação.
          Casa de mãe depois que os filhos se vão não é mais casa de mãe. É a casa da mãe. Para onde eles voltam num feriado, em um final de semana, num pedaço de férias.
          Casa de mãe depois que os filhos se vão é um grande portão esperando ser aberto. É corredor solitário aguardando que eles o atravessem rumo aos quartos. É área de serviço sem serviço.
          Casa de mãe depois que os filhos se vão tem sempre alguém rezando, um cachorrinho esperando, e muitos dias, todos enfileirados, obedientes e esperançosos da certeza de qualquer dia eles chegam e você vai agradecer por todas as suas preces terem sido atendidas.
          Por que, vamos combinar, não é que você fez direitinho seu trabalho, e estava certo quem disse que quem sai aos seus não degenera e aqueles frutos não caíram longe do pé?
          E saudade, afinal, não é mesmo uma casa que se chama mãe?
Miryan Lucy de Rezende - Uberlândia MG. Foto de Arnaldo Silva

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