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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

A noiva e os cajuzinhos do campo

Vestida de noiva, como era costume, Izoldina jazia inerte no caixão. Morrera de repente, num mês de outubro, há muitos anos... Morava com a família na região denominada Guiné, perto da Serra da Canastra, nas Minas Gerais.
          Nos curtos intervalos entre uma reza e outra, ouviam-se frases soltas, ditas por umas e outras pessoas: “Si foi qui nem um passarim... Tá tão bunita... É como se tivesse ino pa igreja casá... Tão moça... Tão pura... Tão boa...”.
          O esquife que levaria a donzela foi feito ali mesmo, na fazenda, pelos carapinas especialmente treinados nesse ofício. Muito choro na despedida e lá se foi uma pequena multidão encarregada de deixar a moça na sua última morada, longe dali umas três léguas.
          Devido ao sol quente e à distância, as pessoas foram se dispersando pelo caminho, cada um com sua própria desculpa:
— Oia, minha gente – disse o Chico Felício – oceis num arrepara não, mais ieu vô pruveitá qui ta pirtim de casa e vô mimbora, tenho de apartá as vaca dus bizerro, lá nu pasto...
— Ieu tamém vô ino – falou dona Leontina – mi alembrei que inda hoje tenho qui relá dois jacá de mandioca pa mode fazê farinha de biju...
— Nóis vai tamém, mode qui deixemo os minino suzim e ês inda num dá conta de fazê os quêjo. Si passá da hora de pô o cuaio, ceis sabe, o leite azeda e disanda. Emendaram o Gaspar e a Cidinha, enquanto também se desobrigavam da caminhada com a defunta.
          De maneira que, do cortejo todo, sobraram apenas os quatro moços 
– Belchior, Geraldo, Bertulino e Dionísio – que carregavam o caixão.
— Tadinha da moça, falou o Bertolino. Num miricia morrê sortêra. Diz qui ela era doidinha pa mode casá!
— Ela num miricia é o pocauso dessa gente, oia proceis vê! Só fiquemo nóis quato pa carregá a difuntinha...
— Ô gente! Eu tô matutano uma coisa aqui, falou o Geraldo. Meu vô dizia qui difunto pesado é condo morre chei de pecado. A Zordina era magrinha im vida, agora tá pesano pa lá de cinco arroba! Num era pr’ela pesá tanto, sô! A Zordina era moça virge, uai! Num divia de tê é pecado ninhum!
— Sei lá se donzelice é mema coisa qui santice! ­— Disse o Dionísio, limpando o suor da testa.
— Uai, e num é não?! —Indagou Bertolino.
— Né nada! A gente peca cós pensamento. É uns pecado mais abrandado, mais é pecado do memo jeito.
— Ieu num concordo coceis não, interveio o Belchior. Pensamento e sonho da gente num pode sê pecado, pruquê nóis num sigura êz não. É qui nem boi brabo, sai rebentano cerca!
— Virge santa! Entonce a minha sonhação é pió qui uma boiada disimbestada! Caçoou o Bertolino.
          E, nessa filosofia de caipiras, os quatro amigos iam conduzindo o ataúde da Izoldina pela estradinha, debaixo de um sol de lascar. O alívio era sentido quando a sombra de uma capoeirinha refrescava um pedaço do caminho.
          Não demorou muito e o estômago reclamou, quando o cheiro de cajuzinho-do-cerrado avisou que era hora de comer. Porém, eles sabiam que ainda faltava muito chão para chegar à cidade.  Belchior, com as pernas bambas, deu de reclamar:
— Num sei ocêis, mais ieu num tô mais dano conta de carregá esse peso na cacunda, dibaxo desse solão quente! Ieu tô morreno de fome, nóis nem lembrô de trazê uma matula!
— Num dianta recramá Brechó. Nóis tem qui levá a moça pa sipurtá, uai. Num pode é dexá ela no mei do caminho!
          Depois de andarem mais um bom tempo, o céu escureceu, anunciando uma tempestade com raios e trovões. Desnorteados, os rapazes ficaram sem saber o que fazer com aquele peso nos ombros.
— Vô largá ocêis e vombora! Avisou o Bertulino que se pelava de medo de chuva.
— Num faiz isso!
— Carma gente! —Atalhou o Geraldo.
—Ocêis viu aquele valo qui separa os pasto, ali atrais? O jeito é nóis sipurtá a Zordina lá memo! É só nóis cavacá cos facão e dispois cubri cum cascaio do barranco.
          Os outros três relutaram cismados, porém a chuva pendurada não deu alternativa e, de comum acordo, os quatro fizeram um pacto de silêncio. Sepultaram a moça ali mesmo. E o assunto, esse enterraram na mesma cova.
          Izoldina, então, jazia perto da porteira do brejinho quando a chuva caiu molhando o chão encascalhado do Guiné. Nem colocaram cruz, pois, segundo o Geraldo era para não deixar rastros.
          Daí em diante, a vida voltou à mesmice de sempre para os moradores do lugarejo, inclusive para os quatro rapazes.
          Dizem os antigos que quando chove depois de um enterro é sinal que o defunto ganhou salvação eterna. Porém, a partir daquele dia, muita gente jurava de pé junto, ter visto uma noiva a caminhar pelo cerrado ao entardecer, colhendo cajuzinhos, todo mês de outubro.
          Certa feita, Geraldo – o único dos quatro que ainda vivia – foi parar outra vez naquele lugar, perto da porteira do brejinho. Já de barba branca, caminhando com alguma dificuldade, ele viu a lua cheia surgir por detrás das árvores. Olhou ao redor e se lembrou do segredo ali enterrado, há mais de cinquenta anos. Tentou afastar as lembranças da ideia, mas não teve jeito!
          Um cheiro de caju-do-campo entrou-lhe pelas narinas, deixando-o meio cabreiro, pois ali não se via um só pé da tal planta. É que há tempos o capim braquiária substituíra o nativo do cerrado, extinguindo para sempre algumas frutas delicadas e saborosas como o cajuzinho, o pequi, o araçá, a gabiroba, o murici e tantas outras...
          Naquele instante, Geraldo apressou o passo, se maldizendo por ter vindo parar ali naquela hora. Viu que não havia outro jeito senão procurar firmar os pés na estrada. E assim fez. No entanto, ao parar para abrir a porteira, sentiu um leve roçar na coxa direita... Arrepiou-se até a raiz da barba! Balbuciando uma oração desconexa, tentou se afastar rápido, mas continuou sentindo aquele toque.
          Podia jurar que era uma mão de mulher que saía da sua cintura e escorregava sobre sua perna, quase até o joelho, pressionando a coxa, provocando calafrios, deixando-o apavorado! Reuniu um restinho de coragem e tentou argumentar:
— Zordina... Se fô ocê qui tivé aí mi fazeno cosquinha... Mi perdoa pelamor de tudo quanté santo... Ieu num tive curpa... Ieu bem qui quiria ti levá pru cimitéro... Inté quiria ponhá uma cruiz aqui, foi a chuva qui num dexô... Quero qui ocê discansa im paiz, viu?!
          Não ouvia passos, mas podia jurar que era seguido! Sentia na nuca um hálito frio com cheiro de caju... E a mão... Ah! Aquela mão fria deslizava insistente e audaciosa à medida que ele andava. Só a lua testemunhava seu desespero! Geraldo, então, começou a correr como um louco, tentando se livrar das mãos que lhe davam palmadas no traseiro, nas coxas... Enlaçado por braços, sentia o toque de dezenas de mãos geladas, e o odor insuportável de caju. Continuou correndo sem rumo, dentro da noite escura...
          Amanhecia, quando foi encontrado na estrada pelos netos, em estado de choque. Tentou narrar-lhes o acontecido, as horas de tormento que passara. Falou das mãos que o atacaram.
— Ô, vô Gerardo, ispia bem, falou um dos espertos netos. Será que essas mão qui roçô nas perna do sinhor num é a bainha do facão qui tá na cintura du sinhor? Ieu acho qui é! Quando o sinhor apressava o passo, é capaiz qui ela batia cum mais força nas sua perna e isbarrava pa tudo quanté lado, vô!
          Ainda com as pernas bambas, tentando se recuperar do susto, Geraldo montou no cavalo trazido pelos meninos. Fez o sinal da cruz e, naquele mesmo dia, tratou de fincar uma cruz bem lá, no barranco onde haviam sepultado a Izoldina.
          Daí por diante, nunca mais se teve notícia da noiva que colhia cajuzinhos todo mês de outubro à hora do ângelus. Porém, ainda hoje, há quem passe pela porteira do brejinho e sinta o misterioso aroma dos cajuzinhos que por ali havia...
Texto de Maria Mineira, professora e escritora mineira, de São Roque de Minas, com foto ilustrativa de Sila Moura

domingo, 26 de janeiro de 2020

O Carnaval a Cavalo de Bonfim

Tradicionalmente festejado desde 1840, o Carnaval a Cavalo de Bonfim MG, com cerca de 7 mil habitantes é um dos mais tradicionais eventos populares de Minas Gerais. Distante apenas 90 km de Belo Horizonte, vizinha a Belo Vale, a cidade tem acesso fácil pela BR 040 e BR 381. No carnaval, Bonfim recebe cerca de 20 mil turistas, atraídos pelo tradicional e famoso Carnaval Cavalo,  participar dos festejos carnavalescos, bem como conhecer a charmosa cidade, com seu belo casario, seu povo acolhedor e hospitaleiro. 
Fotografia de Alisson Gontijo
Na Idade Média, mouros, um povo oriundo do norte da África, que professavam a fé Islâmica, invadiu a Península Ibérica, de predominância cristã, Católica. A reação dos cristãos foi imediata. Montados em cavalos, armados com flechas, lanças e arcos, os cristãos travaram sangrentas batalhas com os mouros.
Fotografia de Alisson Gontijo
As Cavalhadas em Minas Gerais, em especial, o Carnaval a Cavalo da cidade de Bonfim, consiste em reencenar essa batalha nas ruas da cidade. No lugar de lanças, flechas e arcos, usam confetes e serpentinas.
 Fotografia de Alisson Gontijo
É uma das mais antigas tradições mineiras, introduzida em Minas Gerais no século XIX por padres europeus. Após um bom tempo da tradição em Bonfim, por divergência entre o padre e participantes, a Igreja local proibiu a festa, fazendo com que os moradores da cidade, que valorizavam a tradição, optassem por manter a cavalhadas, porém desvinculadas da fé católica.
Fotografia de Alisson Gontijo
Com o passar dos anos, a tradicional festa passou a ser realizada nos dias de carnaval. Assim surgiu em Bonfim o Carnaval a Cavalo, uma das mais tradicionais festas populares de Minas Gerais. Uma tradição passada de geração para geração, preservada pelas famílias bonfinenses.
Fotografia de Alisson Gontijo
O evento conta com desfile de cavalos, cavaleiros e amazonas na praça principal da cidade, usando máscaras e trajando luxuosas fantasias confeccionadas em veludo e bordados, fazendo lembrar as vestimentas de mouros e cristãos. A população recebe os participantes no “campo de batalha” com foguetes e jogando confetes e serpentinas. 
Fotografia de Alisson Gontijo
Na encenação da batalha entre mouros e cristãos, os cavaleiros e amazonas fazem evoluções, simulando uma guerra, mas ao invés de armas, apenas com confetes e serpentinas.
Fotografia de Alisson Gontijo
A festa começa no domingo, continua na segunda e termina na terça, quando todos os cavaleiros e amazonas apeiam dos cavalos, tiram as máscaras e se juntam ao povo na festa, celebrando a vitória dos cristãos sobre os mouros. 

(Por Arnaldo Silva, com fotos de Alisson Gontijo)

Conheça Januária

(Por Arnaldo Silva) Situada no Norte de Minas, Januária está à margem esquerda do Rio São Francisco, fazendo divisa com os municípios de Chapada Gaúcha, São Francisco, Pedras de Maria da Cruz, Itacarambi, Bonito de Minas, Cônego Marinho e estado da Bahia. (foto acima de Thelmo Lins mostrando a arquitetura em estilo eclética da cidade) Conta com uma população de 67.742 habitantes, segundo o IBGE, em 2019. 
          É o terceiro maior município do norte-mineiro e o 54º maior do estado, sendo um dos pólos educacionais da região, contando com campus do IFNMG, Unimontes, Unopar, Unip, FUNAM e Funorte Campus Januária, atraindo estudantes da região, principalmente do Médio São Francisco, o que movimenta a economia da cidade que tem ainda como atividades econômicas pequenos comércios, indústrias familiares, atividades agropecuárias, artesanato (na foto acima de Thelmo Lins) e pequenas fábricas artesanais de beneficiamento do pequi, fruto nativo do Cerrado muito apreciado no Norte de Minas. Das pequenas fábricas de Januária se extraí o óleo, a castanha e se prepara a polpa do pequi, com os produtos sendo vendidos nas feiras e Mercado Municipal da cidade.
          Sua origem data do século XIX, tendo sido fundada em 7 de outubro de 1860, mas a origem de seu nome, não é conclusiva. Segundo tradição oral, o nome foi em homenagem a Januário Cardoso de Almeida, um dos mais antigos moradores da região, proprietário da fazenda Itapiraçaba, onde está hoje a cidade. Outra versão popular e a mais aceita diz que vivia na região, a beira do Rio São Francisco, uma escrava de nome Januária. Fugindo do cativeiro, se estabeleceu na região, montando uma modesta estalagem para atender barqueiros e tropeiros que passavam pela região. Em torno da modesta estalagem, um pequeno casario foi se formando com o local sendo chamado de Januária. Há quem diga ainda que o nome da cidade é em homenagem a filha do Imperador Dom Pedro II, a princesa Januária.
           O curioso é que um de seus mais importantes distritos, Brejo do Amparo, foi uma das primeiras povoações de Minas Gerais, surgindo bem antes da cidade, no final do século XVII, por volta de 1660, com a chegada de bandeirantes à região. (na foto acima de Pingo Sales o distrito e sua nova matriz)
          Brejo do Amparo guarda ainda relíquias dos tempos dos bandeirantes, em destaque para a Igreja da Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, datada de 1688 (na foto acima de Pingo Sales), construída pelos jesuítas, onde existia um quilombo. Foi o segundo templo erguido em Minas Gerais. Uma construção simples, numa região ainda recém habitada, mas de grande importância histórica para Minas Gerais.
          Brejo do Amparo guarda um belo casario em estilo colonial e belezas naturais com trilhas e paisagens belíssimas, como a Gruta dos Anjos. É no distrito que é produzido a famosa cachaça de Januária, considerada uma das melhores do Brasil. O visitante pode conhecer os mais de 30 engenhos de cana da região, com o privilégio de poder conhecer todo o processo de produção da famosa bebida brasileira, além de poder degustá-la diretamente da fonte.  
             Por estar às margens do Rio São Francisco, conta com muitas praias fluviais formadas ao longo do trecho, tendo Januária sido ao longo de sua existência, uma importante rota comercial pelas águas do Rio São Francisco. Ainda hoje, o Velho Chico é de grande importância econômica para a cidade, graças ao turismo e a pesca, de onde várias famílias tiram seus sustentos. (como podem ver nas fotos acima de Thelmo Lins e abaixo de Pingo Sales, praia fluvial e pescadores)
          Destaca-se ainda na região de Januária, grutas de calcário, sendo que em algumas são encontradas a presença de civilizações antigas, com pinturas rupestres em seu interior (na foto abaixo de Thelmo Lins).
             Parte do Parque Nacional das Cavernas do Peruaçu estão presentes no município de Januária, e ainda nos municípios vizinhos de Itacarambi e São João das Missões. A área total do parque é de 56.400 hectares e conta com impressionantes cavernas, com formações rochosas variadas e com estalactites e estalagmites impressionantes, além de fauna e flora preservadas. (foto abaixo de Tom Alves/tomalalves.com.br)
          Januária, como um dos berços da formação do Norte de Mina,s guarda relíquias arquitetônicas e culturais. Seu casario guarda traços do barroco colonial e em sua maioria, do estilo eclético do início do século XX, podendo esse charmoso e atraente estilo arquitetônico ser observado no centro da cidade e principalmente na avenida São Francisco e ruas transversais. (foto abaixo de Thelmo Lins)
         Terra de gente simples, hospitaleira e talentosos, desde os primórdios de seu povoamento. Januária produz excelentes peças de artesanatos usando matéria prima natural, da própria região, de acordo com a criatividade de cada artesão. É uma tradição que vem de gerações, que resiste ao longo dos tempos, graças ao talento de seus artesãos que produzem peças valiosas que decoram ambientes por todo o país e até em outros países. 
         No trabalho dos artesãos, são usados o barro, fibras vegetais, madeira, flandres ou folha de zinco, couro, algodão, todos da região. Os artistas expõem seus trabalhos na Casa do Artesão, Casa da Memória, Mercado Municipal e no Centro de Artesanato (na foto acima de Pingo Sales).
           O município se desta ainda pela sua culinária, principalmente os pratos feitos com o pequi (foto acima do Eduardo Gomes), já que a fruta é abundante na região e os pratos feitos com peixes do Rio São Francisco. É uma culinária valiosíssima, tendo como destaque o arroz com pequi, pequi com frango e mandioca, carne de sol, moqueca de surubim, dourado assado, pão de queijo, angu com quiabo, paçoca, papudo, manué, galinha ao molho pardo, feijão tropeiro com torresmo, farofa de pequi, beiju, rapadura, panelada, picado de arroz, além de doces e licores feitos com os frutos típicos do nosso Cerrado e da região como o jenipapo, buriti, cagaita, umbu, pinha, tamarindo, coquinho, caju, cajuí, maxixe, cabeça-de-nego (araticum), babaçu, fava-d'anta, anajá, banana-caturra, dentre outros frutos.
          Como em todos os municípios mineiros, o folclore januariense é muito expressivo, com destaque para as Cavalhadas, Folia de Reis, Pastorinhas, Reisado, além de manifestações teatrais e outros eventos folclóricos. (na foto acima, de Pingo Sales, Reis de Bois de Brejo do Amparo). Além dos festejos folclóricos, os principais eventos religiosos estão presentes no município, como Semana Santa, Corpus Christi, além dos festejos da Santa Cruz que acontece em maio, um dos mais importantes eventos religiosos de Januária, com celebrações, novena, procissão, missa festiva, leilão e apresentações folclóricas com eleição do festeiro do ano seguinte.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Brejo do Amparo: berço do Norte de Minas

Lugar pacato, de povo simples, com um charmoso casario, uma igreja histórica, cuja construção marca a presença da influência dos Jesuítas na região e outras relíquias de nossa história. Assim é Brejo do Amparo. A tranquilidade do lugar é quebrada pelo som dos pássaros, pelos turistas que visitam a pequena vila e às vezes, pelos caminhões que transportam cana para os alambiques. Em frente à Igreja Matriz de Nossa Senhora do Amparo há um enorme espaço, com um pouco de grama, sem calçamento. É a mostra da tranquilidade de um lugar que guarda uma história fascinante e de grande importância para o Norte Mineiro. (foto acima e abaixo de Pingo Sales)
Brejo do Amparo é distrito de Januária, no Norte de Minas. A região foi desbravada por bandeirantes no século XVII, entre eles, Borba Gato. Em uma de suas paradas pela região, fundou no local uma pequena aldeia. Com a chegada de novos bandeirantes e sertanistas, o local começou a crescer e prosperar. Esse lugar é hoje, Brejo do Amparo, foi um dos berços da ocupação do Norte de Minas e uma das primeiras povoações do Estado de Minas Gerais. O distrito foi a base para a formação de Januária, a mais antiga e principal cidade do Médio São Francisco. (foto abaixo de Pingo Sales)
A região onde estava o povoado era habitada por índios Caiapós que resistiram à invasão do homem branco. Coube ao sertanista Manuel Pires Miguel, liderar a expulsão dos índios da região. Após sangrentas batalhas, os índios foram expulsos. Parte do povoado foi transferida para a beira do Rio São Francisco, com o nome de Porto Salgado. Exatamente onde é hoje a cidade de Januária. Naqueles tempos, os colonizadores optavam por construir cidades a beira de rios para facilitar o escoamento das riquezas para os portos mais próximos. A região de Brejo do Amparo e Porto Salgado foi um importante entreposto de mercadorias, como cana de açúcar, grãos, bem como distribuição de sal, que chegavam de navios e seguia pelo Rio São Francisco que era estratégico para os colonizadores pela sua extensão e facilidade de navegação. As mercadorias iam de barcos até o porto e vice-versa. (na foto abaixo, de Pingo Sales, portinho no Rio São Francisco em Januária)
Com o passar dos anos e pelo fato de boa parte da economia da época ser movimentada pelos rios, Porto Salgado foi se desenvolvendo e passando a ser sede e por fim cidade de Januária. Brejo do Amparo, antes a sede, passou a ser distrito, mas sua importância para a história de Januária, do Norte de Minas e de toda Minas, é reconhecida. 
O distrito guarda relíquias de nossa história, como a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, datada de 1688 (na foto acima de Pingo Sales). Sua construção, numa área distante 3 km de Brejo do Amparo teve influência dos padres Jesuítas. É a segunda igreja mais antiga de Minas Gerais, tendo sido recentemente restaurada. A nova igreja construída no centro da Vila é outro atrativo por sua imponente construção. Com o casario colonial, forma um conjunto arquitetônico magnífico. 
É em Brejo do Amparo que é produzida a famosa cachaça de Januária, uma das mais apreciadas do Brasil. As cachaçarias da região são abertas aos visitantes e tem o privilégio de conhecer em detalhes todo o processo de produção da cachaça artesanal de Januária. (foto acima de Arnaldo Silva e abaixo de Eduardo Gomes)
Outro atrativo de Brejo do Amparo é a Gruta dos Anjos, distante apenas 6 km do distrito. Rica em quantidade e variedades de formações espeleológicas, é uma das mais belas cavernas de Minas. É permitida visita ao local, desde que acompanhada por condutores capacitados. Além da gruta, Brejo do Amparo conta com trilhas e paisagens lindas, propícias para os amantes do ecoturismo. (Por Arnaldo Silva)

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

6 Parques Nacionais para visitar em Minas

(Por Arnaldo Silva) Quem gosta de curtir a natureza, contemplar montanhas, fazer caminhadas, mergulhar em águas limpas e cristalinas, fazer trilhas, praticar esportes radicais e vivenciar a natureza em sua forma original, tem que vir à Minas. Uma boa dica é visitar os parques nacionais (na foto acima, de Amauri Lima, o Parque Nacional da Serra da Canastra). São áreas de preservação ambiental de proteção do Governo Federal, sobre os cuidados do Ibama e Icmbio. Você vai conhecer 6 parques nacionais em Minas Gerais que recebem visitantes e possuem infraestrutura para um passeio completo em meio a exuberante natureza mineira. Escolha o seu destino pela natureza de Minas Gerais:
Parque Nacional da Serra da Canastra
É um dos mais importantes parques do Brasil. Criado para proteger as nascentes do Rio São Francisco. Para conhecer a parte alta da nascente do Rio São Francisco o acesso é pela portaria de São Roque de Minas, no Oeste do Estado. Já para visitar a cachoeira da Cascadanta, o acesso é por Vargem Bonita. A região tem paredões rochosos e inúmeras quedas d’água. Os destaques são a nascente do Rio São Francisco e a Cachoeira Casca D'Anta (na foto acima de Arnaldo Silva). O melhor período para visitação é entre abril e outubro, quando chove menos na região podendo então curtir melhor as belezas da Serra da Canastra. 
• Funcionamento: diariamente, das 8h às 16h
• Entrada: Cobra-se ingresso (menores de 12 anos 
e idosos não pagam)
Parque Nacional do Caparaó

É um dos mais visitados em Minas Gerais por estar nessa unidade o Pico da Bandeira com 2892 metros de altitude, sendo o terceiro mais alto do Brasil. A porta de entrada mais fácil para o Pico é por Alto Caparaó MG. Na cidade, pousadas oferecem, além de hospedagem completa, guias especializados, já que a subida é bem difícil, com mais ou menos 8 horas de trilhas. É importante um guia para evitar que o visitante se acidente ou se perca pelo caminho. 
O principal atrativo é o Pico da Bandeira, (foto acima de Sairo C. Guedes, Guia de Turismo na região) 
• Funcionamento: diariamente, das 7h às 18h
• Entrada: Cobra-se ingresso
Parque Nacional de Itatiaia

Criado em 1937 por Getúlio Vargas, foi o primeiro parque nacional criado no Brasil, (foto acima de Paulo Santos as famosas prateleiras do Itatiaia, em Bocaina de Minas). Muitos pensam que o Parque do Itatiaia fica no Rio de Janeiro. São 30 mil hectares de área nativa sendo que apenas 40% desta área está em território fluminense, nos municípios de Resende e Itatiaia. Os outros 60% estão em Minas Gerais, nos municípios de Bocaina de Minas, Alagoa e Itamonte, no Sul do Estado. Um dos atrativos do parque são as prateleiras naturais, o Pico das Agulhas Negras e belas cachoeiras.
• Funcionamento: diariamente, das 8h às 17h
• Entrada: Cobra-se ingresso
Parque Nacional Grande Sertão Veredas

A sede do parque está localizada no município de Chapada Gaúcha, no Norte de Minas. Com mais de 230 mil hectares de área, o Parque Nacional Grande Sertão Veredas foi batizado de Parque João Guimarães Rosa, em homenagem ao grande escritor mineiro, autor do livro Grande Sertão Veredas. (foto acima de Thelmo Lins) O parque preserva parte do planalto chamado Chapadão Central, que divide as bacias dos rios São Francisco e Tocantins.
Funcionamento: a visita deve ser agendada e com acompanhamento de um condutor cadastrado 
• Contato: (38) 3634-1465
Parque Nacional da Serra do Cipó

É um santuário de flores. São milhares de espécies nativas, fazendo com que a Serra do Cipo seja considerada o jardim do Brasil. A área do parque possui 34 mil hectares, com cerca de 65% dessa área pertencente ao município de Jaboticatubas. Além da rica flora, na Serra do Cipó pode-se encontrar cânions, cachoeiras, nascentes e riachos. Abriga também animais de nossa fauna como lobos-guarás, tamanduás-bandeiras, jaguatiricas e outras espécies. (na foto acima de Marcelo Santos, a Cachoeira Grande)
Funcionamento: diariamente, das 8h às 18h, com entrada até as 16h
• Entrada: O acesso ao parque é gratuito, em algumas áreas do parque cobra-se entrada 

Parque Nacional Cavernas do Peruaçu
O Vale do Peruaçu é uma unidade de conservação com 56.448,32 hectares, criado em 1999 com o objetivo de proteger uma dos maiores tesouros naturais do mundo. Está localizado a aproximadamente 45 km do município de Januária e 15 km de Itacarambi, na região norte de de Minas. Por todo o Vale do Peruaçu existem 140 cavernas, mais de 80 sítios arqueológicos e pinturas rupestres em paredões, com destaque para o "Santuário", um paredão com mais de 3 mil desenhos rústicos, com aproximadamente 12 mil anos.(foto acima e abaixo de Manoel Freitas)
Esse tesouro natural é aberto à visitação pública e com entrada gratuita. Mas pessoas ou grupos só podem circular por dentro do Vale acompanhadas por um guia especializado e autorizado pela administração. Para fazer esse serviço de acompanhamento, o guia cobra um valor por pessoa ou por grupo de pessoas. O preço varia de acordo com as trilhas a serem percorridas. Quem quiser visitar o Vale do Peruaçu, terá que agendar a visita entrando em contato com o ICMBio em Januária, pelo telefone (38) 3623-1038, ou pelo e-mail cavernas.peruacu@icmbio.gov.br 

As três primeiras igrejas de Minas Gerais

(Por Arnaldo Silva) No século XVII, chegam ao território mineiro, bandeirantes paulistas e desbravadores, vindo da Bahia, em busca de ouro, diamantes e esmeraldas. Traziam consigo a força e a coragem para desbravar essas terras e sua fé. Por onde se instalavam, traziam sempre uma pequena imagem dos santos que devotavam, erguiam uma pequena capela e faziam suas orações. Desses gestos de fé, em meio à vida bruta do sertão, com todos os seus perigos e caminhos para desbravarem, em torno dessas capelas, surgiram pequenos povoados, que viraram vilas e por fim cidades. Ainda no século XVII, três dessas capelas podem ser consideradas o marco da fé dos desbravadores por terem sido as primeiras edificações religiosas de Minas Gerais. São construções bem simples, diante das dificuldades da época, que hoje são joias da nossa história, patrimônios de Minas e dos mineiros.
          A primeira igreja a ser construída em Minas Gerais foi a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Matias Cardoso, no Norte de Minas, erguida em 1670. Datada de 1688, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Brejo do Amparo, distrito de Januária, no Norte de Minas foi a segunda igreja a ser construída no Estado. O terceiro templo religioso edificado em Minas Gerais foi capela de Nossa Senhora do Rosário, em Fidalgo, na Quinta do Sumidouro, distrito de Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, erguida pelo bandeirante Fernão Dias no final do século XVII, por volta de 1694. 
1ª - A trisavó de Minas
Igreja de Nossa Senhora da Imaculada Conceição em Matias Cardoso no Norte de Minas 
          Foi erguida entre 1670 e 1673 e provavelmente a construção mais antiga do Estado que ainda se encontra de pé, com pedra fundamental datando da época do desbravamento dos bandeirantes no atual território mineiro, anterior ao ciclo do ouro e da criação da Capitania de São Paulo e Minas D’Ouro. Com 33 metros de comprimento, 20 metros de largura e com duas torres de 20 metros de altura, a matriz está situada na Praça Cônego Maurício, no centro da cidade, a 300 metros da margem direita do Rio São Francisco. (foto acima de Manoel Freitas)
2ª - A bisavó de Minas
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos em Brejo do Amparo, distrito de Januária MG, Norte de Minas 
          Datada de 1688, a Igreja dedicada a Nossa Senhora do Rosário, em Brejo do Amparo, distrito de Januária, no Norte de Minas. Em tons brancos, sua fachada é composta de uma única torre e singelos detalhes arquitetônicos. Em seu interior constam escritas em letras romanas. O piso é em placas de madeira, com pinturas em sua abóboda. A capela, altar e guarda-corpo com detalhes retorcidos. Ao longo dos anos, já na primeira fase do Barroco Mineiro, a igreja passou a receber elementos ornamentais do estilo nacional-português, com pinturas em estilo rococó. (foto acima de Pingo Sales)
3ª - A avó de Minas
Capela de Nossa Senhora do Rosário na Quinta do Sumidouro, distrito de Pedro Leopoldo MG
          Sua construção iniciou-se  no final do século XVII, por volta de 1694, quando vivia na região o bandeirante Fernão Dias. De proporções modestas, possui ornamentação interna de grande valor artístico como a imagem de Nossa Senhora do Rosário, atribuída ao Mestre Aleijadinho e o retábulo-Mor, a peça de maior representatividade do conjunto, confeccionado em meados do século XVIII, no estilo Joanino, já na segunda fase do nosso barroco mineiro. 
          Já no período Ciclo do Ouro, o povoamento do então território mineiro se expandiu rapidamente, dando origem a várias vilas e cidades,bem como o surgimento de centenas de templos religiosos, que são verdadeiras obras de arte, espalhados por todas as regiões de Minas como em Diamantina, Pitangui, Mariana, Ouro Preto, Catas Altas, Santa Bárbara, Serro, Caeté, Ouro Branco, Belo Vale, Barbacena, Itapecerica, Conceição do Mato Dentro, Paracatu, Estrela do Sul, Itabirito, Datas, etc. 

A 2ª mais antiga igreja de Minas Gerais

(Por Arnaldo Silva) Datada de 1688, a Igreja dedicada a Nossa Senhora do Rosário, em Brejo do Amparo, distrito de Januária, no Norte de Minas, é considerada a segunda mais igreja mais antiga de Minas Gerais. Brejo do Amparo é uma das primeiras povoações de Minas Gerais, sendo o berço da formação de Januária e também do Norte de Minas. (na foto abaixo, de Pingo Sales, a Igreja totalmente restaurada)
          A primeira igreja a ser construída em Minas Gerais foi a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Matias Cardoso, também do Norte de Minas, erguida em 1670 e a terceira, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Fidalgo, distrito de Pedro Leopoldo na Região Metropolitana de Belo Horizonte, erguida pelo bandeirante Fernão Dias no final do século XVII, por volta de 1694. (na foto abaixo, de Pinto Sales, o estado em que estava a Igreja, antes da restauração)
          A partir de meados do século XVII, começou o desbravamento de Minas Gerais por bandeirantes em busca de ouro, diamantes e esmeraldas. As construções àquela época eram bem simples, sem muitos detalhes e adornos, contrastando com o glamour das edificações religiosas do auge do Ciclo do Ouro. (na foto abaixo, de Pingo Sales, trabalhos de restauração)
          O povoamento do que é hoje o município de Januária se deu por volta de 1640, já que a região Norte de Minas era uma das mais antigas rotas de penetração de bandeiras no interior do Brasil, anteriormente habitada por índios. Com a chegada de desbravadores, os índios foram expulsos da região à força. Um desses desbravadores foi o sertanista Manuel Pires Maciel, que após a expulsão dos índios, deu início a formação de um pequeno arraial, denominado de Arraial de Nossa Senhora do Amparo, posteriormente chamado de Brejo do Amparo, o berço da criação do município de Januária. (na foto acima de Pingo Sales, detalhes da pintura no forro da nave )
          Com o crescimento do povoado, padres Jesuítas começam a chegar à região e iniciaram a construção da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Datada de 1688, foi construída num pequeno povoado, chamado de Barro Alto a 3 km de Brejo do Amparo. (na foto acima, de Pingo Sales, o altar da igreja e abaixo o teto, já restaurado)
          Sua construção teve influência da arquitetura baiana e paulista, obviamente pela presença dos bandeirantes paulistas e sertanistas baianos entre os desbravadores. (na foto abaixo, de Pingo Sales, detalhes detalhes do teto da igreja)
          Em tons brancos, sua fachada é composta de uma única torre e singelos detalhes arquitetônicos. Em seu interior constam escritas em letras romanas. O piso é em placas de madeira, com pinturas em sua abóboda. A capela, altar e guarda-corpo com detalhes retorcidos. Ao longo dos anos, já na primeira fase do Barroco Mineiro, a igreja passou a receber elementos ornamentais do estilo nacional-português, com pinturas em estilo rococó. Ao lado da igreja, como era comum naquela época, existe um cemitério. 
          Por sua importância para Minas e Brasil, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, de Brejo do Amparo, foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG) em 21 de abril de 1989. (na foto acima e abaixo, de Pingo Sales, detalhes da restauração da Igreja)
          Ao longo de mais de 300 anos de existência, a igreja passou por poucas reformas, tendo sido nos últimos anos, praticamente esquecida e em completo abandono. (na foto abaixo, de Pingo Sales, detalhes da igreja restaurada)
          Após o desabamento do teto da igreja, os órgãos governamentais perceberam a necessidade urgente de salvar um dos maiores patrimônios de Minas Gerais e iniciaram a restauração completa da segunda igreja construída em Minas Gerais e uma das mais antigas do Brasil. (na foto abaixo, primeira missa celebrada na igreja após restauração)
          Foi entregue totalmente restaurada e preservada em todas as suas características originais à comunidade em 2018. Hoje é um dos pontos turísticos da região e de fé, já que na Igreja, voltou a ser celebrada missas, uma vez por mês, ao domingos.

sábado, 18 de janeiro de 2020

Conheça Jaboticatubas

 (Por Arnaldo Silva) Minas tem o privilégio de ter Jaboticatubas como um de seus 853 municípios. Sua arquitetura colonial guarda relíquias dos séculos como a Fazenda do Cipó a 35 km do centro da cidade, com seu casarão e senzalas, sendo que uma funciona como um pequeno museu, relembrando os tempos da Escravidão. A fazenda possui ainda uma capela, datada de 1829, aberta ao público para missas que acontecem em domingos alternados. Outro patrimônio arquitetônico do município é a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (na foto acima e abaixo de Thelmo Lins). A Matriz, que leva o nome da padroeira do município, foi erguida em 1889 seguindo traços do barroco jesuítico. 
Uma cidade tranquila, pacata, aconchegante, hospitaleira, rica em cultura, tradições, arquitetura e belezas naturais impactantes como o impressionante cânion e as quedas do Rio Jaboticatubas no distrito de São José da Serra e as impactantes cachoeiras da Serra da Contagem e da Serra do Bené, além das piscinas naturais do Rio Bom Jardim. São José da Serra é um dos mais belos distritos mineiros, pitoresco e charmoso, parece um presépio. (nas fotos acima e abaixo do Barbosa)
Segundo o IBGE, 2.0143 pessoas vivem na cidade. O acesso é fácil, via MG 010 e diariamente, saem ônibus da Rodoviária de Belo Horizonte para Jaboticatubas. Distante apenas 63 km de Belo Horizonte, o município faz divisa com Taquaraçu de Minas, Baldim, Itabira, Itambé do Mato Dentro, Pedro Leopoldo, Matozinhos, Santa Luzia, Santana do Riacho, Nova União e Lagoa Santa, apenas 20 km de distância. É um dos mais belos municípios de Minas, abrigando em seu território, 65% da área total do Parque Nacional da Serra do Cipó. 
As belezas da Serra do Cipó atraem diariamente turistas para a região. Vem em busca de sossego, tranquilidade e descanso. Encontra em Jaboticatubas um cenário perfeito para fugir do estresse do dia a dia das grandes cidades. Até mesmo os que gostam de aventuras, encontram nas serras, cachoeiras e campos rupestres da Serra do Cipó, cenário ideal para o ecoturismo de aventuras. (na foto acima, do Barbosa, cachoeira em São José da Serra, distrito de Jaboticatubas)
A economia do município gira em torno principalmente do turismo, da produção agropecuária, de pequenos comércios e indústrias como a fábrica de doces Jabolac, tradicional na região. Jaboticatubas possui bons hotéis e pousadas para atender os turistas, além de um comércio variado, com lojas, padarias, lanchonetes, restaurantes com comidas típicas e lojas de artesanatos. (foto acima do Barbosa)
Não há uma conclusão exata sobre a origem do nome da cidade. Uma versão diz que o nome vem do Rio Jaboticatubas, que banha a cidade. É um nome de origem indígena, do Tupi 'yabuti-guaba-tyba', significando 'jabuticabal', “comida de cágado” ou “fruto de que se alimenta o jabuti”. Segundo o viajante inglês Richard Burton, jaboticatuba é uma fruta da família da jabuticaba (na foto acima de Arnaldo Silva), mas difere desta por ser mais alto, não dar frutos na parte baixa do tronco, com sua casca ter outro aspecto em relação à jabuticaba que conhecemos. A região seria então, segundo Burton, um lugar de Jaboticatubas. Segundo Leônicas Marques Afonso e Nelson de Sena, historiadores, Jaboticatubas corresponderia a Jaboticabal, já que a jabuticaba tradicional que conhecemos é abundante na região.
          Além dos atrativos naturais e relíquias históricas, Jaboticatubas possui uma riqueza cultural enorme. (na foto acima, de Thelmo Lins, presépio da Dona Nadir, de 81 anos) A cidade preserva a tradição dos presépios, sendo um dos grandes incentivadores dessa tradição, o jovem Luiz Filipe, que incruenta o circuito de presépios da cidade, hoje com 25 residências fazendo parte do circuito e mantendo viva na cidade essa tradição cristã milenar. (foto abaixo de Thelmo Lins)
Juntamente com a tradição dos presépios, tem as Pastorinhas, grupos formados por meninas, moças e senhoras com vestimentas idênticas às pastorinhas portuguesas. Segundo a tradição, as pastorinhas visitam as casas onde tem presépios e saem pelas ruas da cidade cantando louvores ao Menino Jesus e Nossa Senhora, bem como arrecadando contribuições para o Natal de crianças carentes. (na foto abaixo de Thelmo Lins)
          No povoado do Açude, uma dança com origem no período escravocrata é preservada. Chamada de Candombe do Açude, a dança é em homenagem a Nossa Senhora do Rosário. Em outro povoado de Jaboticatubas, Mato do Tição, as tradições da Festa Junina é uma das mais tradicionais e genuínas da região, com todas as tradições das tradicionais festas juninas preservadas. Nas festas juninas do povoado, acontece ainda a apresentação do “Candombe do Açude”. Grupos de Folia de Reis costumam se encontrar no mês de junho para apresentações no município e outras cidades, é o tradicional Encontro das Folias de Reis. (foto abaixo com Thelmo Lins, por Wagner Cosse)
Venha conhecer Jaboticatubas! A cidade te receberá de braços abertos! 

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