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sexta-feira, 20 de agosto de 2021

O Santuário do Senhor Bom Jesus do Bacalhau

(Por Arnaldo Silva) Piranga é uma cidade histórica, no Vale do Piranga, na Zona da Mata Mineira. A cidade tem origens, no final do século XVII, com data de sua fundação, registrada em 8 de dezembro de 1695, quando foi inaugurada sua primeira capela, dedicada à Nossa Senhora da Conceição.
          Piranga conta com cerca de 18 mil habitantes e está a 170 km de Belo Horizonte. O município guarda relíquias dos tempos do Brasil Colônia e Escravidão, presentes em sua arquitetura, fazendas centenárias e história. É formado pela sede e mais 3 distritos: Pinheiros Altos, Santo Antônio dos Quilombolas e Santo Antônio de Pirapetinga, o popular, Bacalhau (na foto acima e abaixo de Patrício Carneiro/@guaradrone, o exterior e o interior do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos do Bacalhau).
          Bacalhau é um dos mais tradicionais e importantes distritos de 
Minas Gerais, além de grande relevância histórica e religiosa para a região e Minas Gerais.
          Santo Antônio do Pirapetinga, preserva um original e charmoso casario e igrejas dos séculos XVIII e XIX, com destaque para a Igreja de Santo Antônio (na foto acima de Patrício Carneiro/@guaradrone), na rua principal do distrito e o Santuário do Senhor Bom Jesus do Matosinhos, construção do século XVIII.
A origem do nome Bacalhau
          Santo Antônio de Pirapetinga, o Bacalhau, está a 12 km do centro da cidade, no ponto mais alto do município, a 1000 metros de altitude, acima do nível do mar. É uma vila pacata, histórica, charmosa, bem, pitoresca, que vive e vivencia a mais suas tradições religiosas. (na foto acima do Patrício Carneiro/@guaradrone, a parte baixa da Vila e a colina, onde está o Santuário do Senhor Bom Jesus)
          O povoado surgiu nos primeiros anos do século XVIII, com a descoberta de ouro no leito do Rio Bacalhau, por volta de 1704. Na medida que o ouro era encontrado, mais mineradores e aventureiros, foram chegando. Formaram um pequeno casario, em torno de uma singela ermida, dedicada a Santo Antônio.
          O Rio Bacalhau, tem uma extensão de 47 km, e nasce no próprio distrito do Bacalhau. Como o arraial foi formado próximo ao Rio Bacalhau e pela devoção de seus primeiros moradores a Santo Antônio, os dois termos foram unidos, com o arraial, passando a ser chamado de Santo Antônio do Bacalhau ou simplesmente, Bacalhau. É uma das mais antigas povoações de Minas Gerais.
          Em 28 de outubro de 1875, o arraial foi elevado a freguesia, preservando seu nome original, Santo Antônio do Bacalhau. Somente em 1911, quando da definição dos distritos subordinados à cidade de Piranga, é que o nome Bacalhau foi substituído por Pirapetinga, ficando, Santo Antônio de Pirapetinga, como nome oficial do distrito. (fotografia acima de Patrício Carneiro/@guaradrone)
          Mesmo com a mudança oficial de nome, até os dias de hoje, a vila é conhecida, em toda região do Vale do Piranga e chamada pela maioria de seus moradores, de Bacalhau.           
          Com o crescimento do povoado, em 1726, é erguida uma outra pequena ermida, em honra à Nossa Senhora do Rosário, restando atualmente, apenas ruínas.
          Em 1740, uma nova igreja, que substituiu a antiga ermida, começa a ser erguida no arraial, dedicada a Santo Antônio, em estilo jesuítico, um dos símbolos religiosos da acolhedora vila.
A origem da fé no Senhor Bom Jesus de Matosinhos
          Ainda nessa época, uma imagem, quase que do tamanho natural, do Senhor Jesus, morto na cruz, foi encontrada no topo de uma colina, um pouco distante do núcleo habitacional do povoado. (fotografia acima de Patrício Carneiro/@guaradrone)
          Impressiona na imagem original ,os detalhes dos olhos. O olho esquerdo, olha para o céu, enquanto o direito, para o chão. 
          A população resolveu colocar a imagem em uma das duas capelas do arraial. Mas, segundo a crença popular, a imagem sumia e aparecia sempre no lugar, onde fora encontrada. Tentaram várias vezes colocar a imagem nas igrejas, mas ela sumia e aparecia no dia seguinte, no topo da colina. 
          Os moradores do arraial perceberam que, ficar no local onde a escultura foi encontrada, seria a vontade do Senhor Bom Jesus. Decidiram então, erguer outro templo no arraial, dedicado ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos.
          A devoção ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos era praticada por boa parte dos portugueses, que chegavam à região. Isso por que a devoção ao Senhor Bom Jesus, é uma tradição milenar em Portugal.
A origem da devoção ao Senhor Bom Jesus
          A devoção portuguesa ao Bom Jesus é cercada por misticismo e lenda. Tem origem no ano 124, nos primórdios da cristandade, na região que é hoje a cidade litorânea de Matosinhos, em Portugal. A escrita do nome da cidade portuguesa, onde originou a devoção ao Senhor Bom Jesus, é Matosinhos, com S e não com Z.
          Nas praias dessa cidade, foi encontrada uma imagem de Jesus crucificado. Os fiéis da época, acreditavam ter sido, Nicodemos, fariseu e contemporâneo de Jesus, quem esculpiu a peça. Devido a perseguição que os Cristãos passaram a sofrer, após a crucificação de Jesus, Nicodemos, que assistiu ao martírio de Cristo, jogou ao mar suas esculturas, para se proteger de perseguições. Isso tudo, segundo a crença popular, da época.
          A imagem encontrada nas praias de Matosinhos, foi levada para o mosteiro da cidade portuguesa, passando a ser venerada, desde então. Somente em 1559, que foi construída uma igreja dedicada ao Senhor Bom Jesus, na cidade de Matosinhos. Pelo fato da imagem do Senhor Bom Jesus, ter sido encontrada em Matosinhos, o nome do templo, dedicado ao Senhor Bom Jesus, recebeu o complemento “de Matosinhos”.
          Com a edificação de novas igrejas e santuários, foram acrescentados o nome das cidades onde foram construídos, como exemplo, Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, de Congonhas MG, Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos de Conceição do Mato Dentro MG, etc.
          A fé ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos se expandiu por Portugal e nas colônias portuguesas, com várias cidades mineiras e brasileiras, tendo sido fundadas, invocando a fé no Senhor Bom Jesus de Matosinhos.
A construção do Santuário do Bacalhau
          Como a fé no Senhor Bom Jesus de Matosinhos do Bacalhau, aumentava a cada dia, e com a presença de romeiros vindos de localidades distantes, as obras da construção do Santuário tiveram início a partir da segunda metade do século XVIII, bem como a construção do conjunto de casinhas em redor do santuário, concluídas no século XIX. (fotografia acima e abaixo de Patrício Carneiro/@guaradrone)
          As casas em redor do Santuário, eram usadas antigamente apenas para receber os romeiros, que vinham de longas distâncias para a Festa do Jubileu de Nosso Senhor do Matosinhos do Bacalhau. E até hoje, são usadas para esse fim.

          Como o nome popular do arraial, Bacalhau, era comum, o nome do Santuário ganhou o acréscimo do nome da vila, ficando assim, Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos do Bacalhau, chamado também de Santuário do Senhor Bom Jesus do Bacalhau, ou simplesmente, Santuário do Bacalhau.
          Para que a imagem original do Senhor Bom Jesus, considerada milagrosa pelos fiéis, fosse acessível a todos, foi colocada em uma capela, atrás do altar. No trono do altar-mor, uma imagem de Jesus Crucificado, foi entalhada e incluída na ornamentação do altar. (na fotografia acima e abaixo do Patrício Carneiro/@guaradrone, o interior do Santuário do Bacalhau)
          As obras foram concluídas por volta de 1840. Foram quase seis décadas de construção, com envolvimento ativo dos moradores do arraial, bem como da Irmandade do Senhor Bom Jesus. Durante esse tempo, a obra contou com os trabalhos dos escravos, arquitetos, artesãos, carpinteiros, douradores, entalhadores, pintores, escultores e outros artistas.

          A igreja tem as características típicas das construções mineiras. Singela por fora e um esplendor de beleza e riqueza em seus detalhes, talhas e ornamentações, em seu interior.
          Uma riqueza e uma beleza arquitetônica e artística que além de impressionar, emociona os visitantes e fiéis.
          Chama atenção ainda a simplicidade e delicadeza do casario colonial, em torno do Santuário, construídas na mesma época da construção do templo, usadas somente para receber os romeiros, em dias de festas, desde aqueles tempos.
          Todo o conjunto do Santuário, formado ainda por sua escadaria, a murada de pedras e o singelo casario, em seu entorno, estão no topo da colina, onde a imagem do Senhor Bom Jesus fora encontrada, no século XVIII,  preservados e muito bem conservados. (na foto acima do Patrício Carneiro/@guaradrone)
          Em 1786, a Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos do Bacalhau, foi elevada a Santuário, com a Bula Papal, assinada pelo Papa Pio VI, se tornando, desde então, um dos mais importantes centros de peregrinação religiosa, do Vale do Piranga.
          O autor do risco do Santuário, é desconhecido, mas a ornamentação interior, tem assinatura. Foi executada pelo pintor, dourador, louvador e encarnador (que é o ofício de dar cor de carne a imagens), Francisco Xavier Carneiro (Mariana 1745 – Mariana 1840), que trabalhou na ornamentação da igreja, de 1806, até 1840, ano em que faleceu. (fotografia acima e abaixo de Patrício Carneiro/@guaradrone, as talhas, entalhes e pinturas de Francisco Xavier Carneiro, que ornamenta o Santuário)
          O artista foi um dos grandes nomes da arte rococó mineira, com vários de seus trabalhos, ornamentando igrejas de cidades como Itabirito, Ouro Preto, Mariana, Itaverava, dentre outras cidades mineiras.
          No Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos do Bacalhau, Francisco Xavier Carneiro deixou sua obra, numa impressionante retratação da Paixão de Cristo, notada nas pinturas do forro da nave principal, a Via Sacra, além da beleza dos entalhes dourados do altar, onde está a imagem do Senhor Bom Jesus. A maior parte da ornamentação do interior do Santuário, foi executada pelo mestre, Francisco Xavier Carneiro.
          A igreja e o casario do Bacalhau, segue os riscos das construções religiosas portuguesas, dedicadas ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em estilo jesuítico. Todo o conjunto do Santuário, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 1996.
O Jubileu do Senhor Bom Jesus do Bacalhau
 
          A devoção ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos do Bacalhau, é uma das mais antigas e tradicionais de Minas Gerais. Desde o final do século XVIII, há mais de 235 anos, acontece, nas duas primeiras semanas de agosto, o Jubileu, numa festa que mobiliza toda a comunidade e atrai romeiros de toda a região do Vale do Piranga (na foto acima do Patrício Carneiro/@guaradrone).
          Isso porque, os fiéis e romeiros, creem ser o lugar, milagroso, e nele vão fazer ou pagar promessas, agradecer ou simplesmente, fazerem suas orações.
          Esse fato é percebido pelas quantidades de ex-votos (presentes dados por fiéis a seus santos de devoção) e mensagens de agradecimentos, por graças alcançadas, vistas na sala dos milagres do Santuário do Bacalhau, bem como a emoção dos devotos, quanto participam do Jubileu do Senhor Bom Jesus (na foto acima de Patrício Carneiro/@guaradrone).
          O Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos do Bacalhau é uma das maiores obras da arte colonial barroca e rococó, de Minas Gerais e o jubileu, a coração de uma das mais tradicionais e genuína festa da religiosidade mineira.
          O jubileu, o casario de Santo Antônio de Pirapetinga (Bacalhau), a história de fé, bem como a cultura, gastronomia e seu povo acolhedor, faz do distrito de Piranga MG, uma das relíquias de Minas Gerais. Uma típica e autêntica vila mineira, no mais puro estilo mineiro de ser e viver.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Conheça a cidade de Simão Pereira

(Por Arnaldo Silva) Com apenas 2618 habitantes, segundo dados do IBGE, Simão Pereira é uma típica, acolhedora, charmosa e pacata cidade mineira. 
          Simão Pereira foi emancipada em 1 de março de 1963, mas sua história começa bem antes. O município faz parte do Caminho Novo da Estrada Real, com acesso à cidade pela BR-040, LMC 874 e AMG-3070. (na foto acima o Chafariz de Pedras em Simão Pereira MG, tombado pelo decreto nº 232 de 16 de abril de 2001. Foto: Arquivo Prefeitura Municipal/Divulgação).
          A povoação das terras onde está hoje o município, começou com a chegada à região, em 1715, do português, Simão Pereira de Sá e sua esposa, Anna de Boucan, de ascendência francesa. Vieram tomar posse de uma sesmaria, durante a abertura do “Caminho Novo” da Estrado Real.
          Um pequeno povoado foi se formando na sesmaria e crescendo bem rápido, devido estar próximo ao Rio de Janeiro e distante do posto de arrecadação de tributos da Coroa Portuguesa. Por esse motivo, em pouco tempo, em 1718, o povoado foi elevado a freguesia, com o nome de Nossa Senhora da Glória. Desse povoado, originou-se a cidade, que homenageia seu primeiro povoador, Simão Pereira. (na foto acima arquivo Prefeitura Municipal/Divulgação, a entrada da cidade)
          Distante 304 km de Belo Horizonte, o município fica na divisa com as cidades mineiras de Matias Barbosa, Belmiro Braga e Santana do Deserto, na Zona da Mata e com a cidade de Comendador Levy Gasparian, no Rio de Janeiro. O marco da divisa do município com o Rio de Janeiro é o Rio Paraibuna e a Pedra do Paraibuna (na foto acima do maquinista Fabrício Cândido).
          A cidade de Simão Pereira, oferece uma boa qualidade de vida a seus moradores e uma boa estrutura para receber os turistas. Conta com pousadas, hotéis e restaurantes com comidas típicas. Um comércio pequeno, mas variado, setor de serviços muito bom, além da agropecuária, uma das fortes atividades econômicas do município. (na foto acima o edifício da Prefeitura Municipal, tombado pelo decreto nº 654 de 29 de Dezembro de 2009. Foto: Arquivo Prefeitura Municipal/Divulgação)
          Tendo Nossa Senhora da Glória como padroeira, a cidade é cortada por uma das mais antigas e importantes ferrovias brasileiras, a Estrada de Ferro Central do Brasil. Em seu início, no século XIX, transportava cargas e passageiros, hoje usada somente para o transporte de cargas, sob concessão da MRS Logística.
          Cidade tradicional, seu povo manifesta as características da mineiridade existente nos pequenos municípios mineiros. Vida calma, tranquila, estilo de vida simples e saudável de seu povo, um charmoso casario, em estilo colonial e eclético, bem cuidados.
          Além disso, Simão Pereira se destaca no turismo, graças as suas belezas naturais, como rios, cachoeiras, montanhas, matas nativas com fauna e flora riquíssimas, da Floresta Primária, que fica na Fazenda São Paulo. (na foto acima a Fonte de Santo Antônio, tombado pelo decreto nº876 de 21 de novembro de 2012. Foto: Arquivo Prefeitura Municipal/Divulgação)
          As belezas naturais de Simão Pereira, permite um contato maior dos visitantes com a natureza, através da pesca e passeios de bikes ou mesmo, caminhadas, por construções antigas e paisagens deslumbrantes, encontradas no município.
          Como destaque, o turista pode conhecer o Açude Miragem, a Cachoeira da Constituição, pescar no Rio do Peixe, afluente do Rio Paraibuna, conhecer o Orquidário Sítio Santo Antônio, a Fazenda São Sebastião e a Fazenda Novo Mundo, uma típica fazenda construída no auge da produção de café, com seu casarão erguido em 1865. 
          O casarão sede é um dos mais belos exemplares da segunda fase das construções rurais mineiras, por isso, foi tombado em 1989, como Patrimônio Histórico de Minas Gerais.
          Na parte urbana, o visitante pode conhecer o Centro Cultural Simão Pereira de Sá, a bela Matriz de Nossa Senhora da Glória (na foto acima arquivo Prefeitura Municipaol/Divulgação) e pequenas e belas praças.
          O Cemitério da Rocinha da Negra, bem tombado do município, é um dos mais interessantes pontos de visitação da cidade. (Acima e abaixo do Cemitério Rocinha da Negra. Fotos: Prefeitura Municipal/Divulgação)
          Considerado o último vestígio da sesmaria do Paraibuna, guarda as sepulturas de barões e pessoas ilustres da cidade e região, como do cafeicultor, jurista, político e presidente da Província de Minas Gerais (Governador), Pedro de Alcântara Cerqueira Leite, o Barão de São João Nepomuceno (Barbacena, 28/07/1807 – 24/04/1883)
          Em Simão Pereira, está um dos trechos do Caminho Novo da Estrada Real, aberto no século XVIII, para encurtar a distância entre Ouro Preto e o Rio de Janeiro e facilitar o carregamento do ouro, retirado de Minas Gerais. Conhecido por Picada do Cemitério da Rocinha da Negra, passa em frente ao cemitério de mesmo nome. Hoje é usado para caminhadas ecológicas e passeios ciclísticos.
          Durante o auge das ferrovias no Brasil, Simão Pereira, contou com uma das mais ativas estações ferroviárias da linha da Estrada de Ferro Central do Brasil, a estação Barão de Cotegipe, construída próxima ao Rio do Peixe. (fotografia acima do maquinista Fabrício Cândido)
          Inaugurada em 1875, tem ainda em sua proximidade, cinco casas geminadas, datadas de 1951, que resistiram ao tempo e uma capela, em ruínas, erguida no topo de uma colina.
          Tem ainda o Registro do Paraibuna, um casarão de dois pavimentos, usado durante o Caminho Novo da Estrada Real, para fiscalizar e tributar, os carregamentos vindos de Minas Gerais, em direção ao Rio de Janeiro. O casarão tem frente para a linha férrea, e por estrada, asfaltada. (na foto acima e abaixo, o Casarão Registro de Paraibuna, Tombado pelo Decreto Municipal nº 205 de 22 de maio de 2000. Foto arquivo Prefeitura Municipal/Divulgação)
          Neste casarão, nasceu Maria Cândido de Oliveira Belo, a mãe de Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, além de ter recebido, para um pernoite, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes e ter abrigado tropas, durante a revolução de 1842.
          Sem dúvida alguma, o grande atrativo natural de Simão Pereira é a Pedra do Paraibuna. 
          É um maciço rochoso, natural, com cerca de 500 metros de altura, 2 km de extensão e altitude entre 800 a 1.150 metros. Fica no km 32, da Estrada União Indústria, com a entrada por Montserrat, distrito da cidade de Comendador Levy Gasparian/RJ (na foto acima do @umviajante), na divisa com Simão Pereira/MG.
          É o maior atrativo natural da região e das duas cidades, que são separadas apenas pelo Rio Paraibuna, mas ligadas por uma ponte. (na foto acima do Fabrício Cândido). Praticantes de escaladas, rapel, asa delta e parapentes, estão sempre subindo a pedra. É o lugar ideal na região para quem pratica esses esportes. (na foto abaixo do Sérgio Tarcitano/@umviajeiro, a Pedra do Paraibuna, em Montserrat, vista do Casarão do Registro)
          Simão Pereira, uma cidade pra visitar, conhecer, vivenciar e voltar sempre!

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Minas é polo produtor de locomotivas

(Por Arnaldo Silva) As clássicas cenas das charmosas marias-fumaças, serpenteando as montanhas mineiras, deram lugar às modernas e imponentes locomotivas, que trafegam nos trilhos de Minas Gerais e do Brasil, transportando nossas riquezas, de um canto a outro.
          Desde a implantação das ferrovias no país, no século XIX, o Brasil foi importador de trens e locomotivas. Nas últimas décadas, essa realidade mudou. De grande importador, a produtor e um dos maiores exportadores do mundo, de locomotivas de grande porte. O Brasil é hoje, auto suficiente na indústria de locomotivas. (na fotografia acima de Fabrício Cândido, locomotiva, em Bom Jardim de Minas)
          
Minas Gerais se sobressai na produção de locomotivas de grande porte no Brasil, sendo hoje, um dos maiores polos produtores do setor no mundo, graças a instalação de gigantes do setor, no estado mineiro. (na fotografia acima, locomotiva da Progress Rail, de Sete Lagoas MG)
          A vinda de indústrias de locomotivas, de grande porte para Minas Gerais, foi motivada pela localização estratégica do estado, pela presença de grandes mineradoras, do agronegócio e grandes indústrias, sem contar o apoio e incentivo dos últimos governos estaduais, para a instalação de indústrias desse setor, em Minas Gerais. 
          Além disso, as dimensões continentais do Brasil, possibilitam o aumento da malha ferroviária, para escoamento da produção mineral, industrial e agropecuária. Como consequência, o aumento da demanda por locomotivas, vagões e componentes ferroviários. (fotografia acima de Fabrício Cândido)
          Desde o final do século XX e início do século XXI, percebe-se uma preocupação maior das autoridades e principalmente das grandes empresas do setor de mineração e agronegócio, da necessidade urgente, de expansão da malha ferroviária no Brasil.
          Essa preocupação vem saindo do papel e se tornando realidade, com projetos de extensão da malha ferroviária no Brasil em atividade ou em projetos, a serem executados a curto e médio prazos, para ligação de estados produtores e escoamento mais rápido da produção.
          O aumento da malha ferroviária e novos projetos de expansão das ferrovias no Brasil, vem incentivando gigantes do setor ferroviário, a investirem na fabricação de locomotivas de grande porte e componentes ferroviários, no país, ao invés de exportarem para o Brasil, como era antes.
          Com esse objetivo, é que foi criado, em Minas Gerais, um polo produtor de locomotivas de alta tecnologia. São duas gigantes do setor, instaladas em Minas Gerais, único estado brasileiro a fabricar locomotivas de grande porte. (fotografia acima e abaixo de Fabrício Cândido, modelos AC44 fabricados na unidade da Wabtec, em Contagem)
          A GE (General Eletric) Transportation South America (Gevisa), com sede na Pensilvânia (EUA), é uma unidade da multinacional da Company General Electric, instalada na cidade de Contagem, na Grande Belo Horizonte, desde 1972.
          A empresa começou a produzir locomotivas na primeira década deste século, em sua unidade, em Contagem MG. Em 2008, a primeira locomotiva, de alta tecnologia e grande porte, fabricada em Minas Gerais, foi entregue à MRS Logística.
          A primeira locomotiva produzida em Minas Gerais tinha 34 metros de comprimento, pesava cerca de 200 toneladas, equivalente a 200 carretas e capacidade para transportar, por exemplo, uma média de 10 mil toneladas de minério de ferro.
          Locomotivas desse porte não eram produzidas no Brasil, até 2008. Eram importadas. Apenas locomotivas de pequeno e médio porte, de até 120 toneladas, eram de produção nacional. De 2008 para cá, a realidade mudou por completo.
          Em 2019, a GE Transportation e outra gigante mundial do setor de locomotivas, a norte-americana, Wabtec Corporation, concluíram uma fusão, consolidando a Wabtec, como líder mundial no setor.
          Em 12 de março de 2021, a empresa entregou a 500ª locomotiva de corrente alternada (AC44) do modelo AC44, produzida na unidade de Contagem/MG. Foi um marco no setor ferroviário no Brasil, com o país, passando a fabricar, o que antes, importava, sendo Minas Gerais, protagonista neste marco histórico.
          Além da fábrica de Contagem, está instalada, desde novembro de 2012, na cidade de Sete Lagoas, na Região Central Mineira, a fábrica de locomotivas da Electro Motive Diesel (EMD), subsidiária da Progress Rail Services, empresa da multinacional americana, Caterpilar. (fotografia acima de Fabrício Candido)
          Trata-se de outra gigante do setor de locomotivas e serviços de vagões no mundo, com unidades nos países da América do Norte, Itália, Alemanha, Reino Unido e Brasil, com unidades em Hortolândia e Diadema, em São Paulo. A empresa, optou por investir em locomotivas de grande porte no país e escolheu Minas Gerais, para sediar sua primeira unidade de locomotivas, devido seus principais clientes, Vale e MRS, terem grande atuação no estado. (fotografia acima de Fabrício Cândido)
          Ambas as empresas, tem tecnologia para a fabricação, além de locomotivas e vagões para trens de carga e passageiros, como o moderno trem bala. Mas no momento, a prioridade no Brasil, são para trens de carga, consequentemente, a linha de produção, prioritária, das locomotivas fabricadas no Brasil, são para o transporte de cargas.
          As duas gigantes multinacionais, instaladas em Minas, geram centenas de empregos diretos e indiretos, bem como, fomentam a economia, geram impostos, contribuem para o desenvolvimento da malha ferroviária do Brasil e no desenvolvimento de Minas Gerais, bem como, valoriza uma das tradições e identidades do povo mineiro, o amor pelos trens. (fotografia acima de Fabrício Cândido)
          Os trens não podem parar, que venham mais trens, para transportar nossas riquezas e também, para transporte de passageiros. Ferrovia é essencial para o desenvolvimento de qualquer país e necessário, num país de dimensões continentais, como o Brasil.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Conheça São Francisco do Glória

(Por Arnaldo Silva) Com cerca de 5 mil habitantes, São Francisco do Glória é uma pequena, charmosa, pacata, bucólica e tradicional cidade mineira, da Zona da Mata. Seu povo é hospitaleiro, simples e acolhedor.
          São Francisco do Glória é um convite para o descanso, sossego em meio a belezas naturais, espetaculares. Lugar ótimo para quem busca harmonia, entre corpo e mente. (na foto acima de @shakalcarlos, a Matriz de São Francisco, com a imagem do santo à frente da igreja)
          O nome da cidade é em homenagem ao santo italiano, São Francisco de Assis, padroeiro da cidade e ao Rio Glória. Este rio nasce na Serra do Brigadeiro, na Zona da Mata, em Fervedouro MG, percorre 101 km, até desaguar no Rio Muriaé, em Muriaé MG. Na junção dos dois nomes, temos o topônimo: São Francisco do Glória.
          Cidade de clima ameno, com belíssimas e encantadoras montanhas onduladas, terras férteis, nascentes, córregos, cachoeiras e paisagens espetaculares. (fotografia acima de Brunno Estevão)
          O município está distante 353 km de Belo Horizonte e a 52 km de Muriaé. Faz divisa com Carangola, Fervedouro, Miradouro, Vieira e Pedra Dourada.
          A origem de São Francisco do Glória começa no século XIX. Com o fim do Ciclo do Ouro. Em busca de outras oportunidades e sobrevivência, várias famílias deixaram as regiões de mineração e migram-se para cidades da Zona da Mata. Uma região de terras férteis, com uma crescente formação de fazendas cafeeiras no início do século XIX.
          Algumas dessas famílias, chegaram onde estão hoje as terras franciscanas, formando um pequeno arraial.
          O pequeno arraial foi criado sob as bênçãos de São Francisco de Assis, homenageado com uma singela ermida. Com o tempo, o povoado foi crescendo, com a chegada de novos migrantes. Tempos depois, em 4 de junho de 1858, era criada a paróquia de São Francisco de Assis, marco religioso da cidade.
          A vila foi elevada a distrito, pertencente a Carangola e por fim, elevada à cidade emancipada, em 12 de dezembro de 1953.
          Cidade tipicamente mineira, tem sua economia voltada para a agricultura familiar, piscicultura, pecuária leiteira e cultivo de café (foto acima: arquivo Prefeitura Municipal/Setur). Além disso, conta com pequenos comércios e pequenas indústrias familiares, além de contar com setor de serviços eficiente, locais para hospedagens pitorescos e restaurantes com comidas típicas.
          Por suas belezas naturais, história e arquitetura, o turismo em São Francisco do Glória, é um dos setores de grande importância para a economia do município. (fotografia acima de Shakal Carlos)
          A cidade conta como atrativos turísticos a Serra do Quenta Sol, o Pico da Bandeira da Serra dos Moreiras, a Pedra das Caveiras, a Pedra da Areia Branca, a Cachoeira dos Martins e a do Esaú, a Área de Proteção Ambiental Serra da Providência e a antiga Usina.
          Sem contar a Cachoeira da Bicuíba, no distrito de mesmo nome. É uma das mais belas da região e de grande importância para o município, sendo inclusive, um bem tombado municipal. (fotografia acima de Cristiano Moreira a Cachoeira e abaixo, o distrito de Bicuíba)
          A cachoeira integra um conjunto paisagístico, chamado de Conjunto Paisagístico Cachoeira de Bicuíba. O lugar é de grande valor ecológico e cultural para cidade, além de ser ponto encontro e piqueniques de amigos e famílias franciscanas.
          Além disso, acontece no Complexo Paisagístico da Bicuíba, eventos de grande importância para a região e atividades culturais como Luau, Festival de Comidas Típicas, dentre outras atividades. Por estar as margens da BR 116, é um local de parada obrigatória para fotografias. (fotografia acima de Cristiano Moreira)
          Na Zona Rural do município o destaque são antigas fazendas e suas tradicionais arquiteturas rurais mineiras, dos fins do século XIX e início do século XX, em estilo colonial. São belos, luxuosos e imponentes casarões carregados de história e muito bem preservados, com destaque para as fazendas Pati, Boa Sorte, Córrego do Sossego e Belo Monte (na foto acima: arquivo/Prefeitura Municipal/Setur).

          São fazendas que contam a história e vida do povo franciscano, presentes em relíquias como antigas rodas d´águas, mobiliários de época, peças de ofícios antigos, além de casas de colonos tradicionais.
          Na Fazenda do Sossego (na fotografia acima: arquivo/Prefeitura Municipal/Setur), por exemplo, dois fogões em barro branco, se destacam. Construídos na década de 1980 pelo construtor Osvaldo Pedro Barros, para atender a demanda do grande número de trabalhadores da fazenda. 
          Os fogões contam com trempes em ferro fundido, fornalhas e chaminés. Por serem diferenciados e de grande valor cultural para o conjunto da fazenda, são bens culturais do município. (foto acima: arquivo/Prefeitura Municipal/Setur)
          Como toda cidade do interior mineiro, as atividades e festividades religiosas e folclóricas, são os principais eventos. Destaque para as comemorações religiosas da Semana Santa, Corpus Christi, o dia de São Francisco de Assis, as comemorações marianas em maio, o encontro do Terço dos Homens, Trido Santo Antônio, Novena de Santo Expedito, Novena de Nossa Senhora Aparecida e a Novena de São Francisco de Assis e a Cantata de Natal.
          Tem ainda as festas e festivais tradicionais no decorrer do ano, como as comemorações do Ano Novo, o Carnaval, Festa Junina, Festa do Franciscano Ausente, a Exposição Agropecuária e Concurso Leiteiro, o Festival de Comidas Típicas, Encontro de Motociclistas, o Festival da Viola, Luau a céu aberto e a Festa do Carro do Boi. (na foto acima e abaixo da Prefeitura Municipal/Setur, a tradicional Festa do Carro de Boi)
          Registrada como bem imaterial de São Francisco do Glória, desde 2015, a Festa do Carro de Boi, reúne centenas de carreiros e candieiros da cidade e região. (na foto abaixo da Prefeitura Municipal/Setur, o encontro de carreiros e candieiros)
          A festa, realizada sempre no mês de outubro, durantes as comemorações do Padroeiro, São Francisco de Assis, atrai visitantes de toda a Zona da Mata, para os 3 dias do evento. Nesses dias de festa, acontece homenagens ao padroeiro da cidade, shows, apresentações, comidas típicas e o tradicional desfile de carros de bois, são os principais destaques.
          A Praça da matriz de São Francisco de Assis e a Igreja Matriz, são os principais atrativos arquitetônicos da cidade, bem como, a principal referência cultural e religiosa do povo franciscano. A fé em São Francisco de Assis, está presente na cidade desde o século XIX. (fotografia acima de Cristiano Moreira)
          É na matriz que a religiosidade do povo franciscano se manifesta. É um dos mais belos exemplares da arquitetura religiosa do século XX. Destaca a charmosa arquitetura do templo com seus vitrais e ornamentação interior e ainda sua impactante escadaria. (fotografia acima de Joyce Verdeiro/arquivo/Prefeitura Municipal/Setur)
          Completando a beleza da Matriz, uma bela praça, espaçosa e muito bem cuidada e um charmoso e atraente casario, formam um dos mais belos conjuntos urbanos da região. (fotografia acima de Cristiano Moreira)
          Abaixo do adro da Matriz, no meio da escadaria, a gruta de Nossa Senhora da Conceição, é outro atrativo da cidade, lugar de manifestação de fé do povo da cidade e fiéis de outras cidades. (na fotografia acima do Cristiano Moreira, a gruta)
          Outro destaque em São Francisco do Glória é o Instituto Nossa Senhora das Graças e a Casa da Cultura, que abriga a Secretaria de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo da cidade, o Museu da Cidade e a Biblioteca Municipal. Dentre as atividades que acontecem na Casa da Cultura, as exposições fotográficas e as aulas de músicas, são destaques.
          Conheça São Francisco do Glória, uma tradicional e típica cidade mineira. Rica em história, gastronomia, cultura, tradições e belezas naturais. (fotografia acima de Shakal Carlos)
A reportagem teve a colaboração do Cristiano Ribas, Brunno Estevão, Shakal Carlos e da Raissa Lanes, da Secretaria de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo de São Francisco do Glória MG

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