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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Doces mantém a identidade e tradição mineira

Alto Paranaíba, Triângulo, Noroeste, Sul, Central, Leste, Norte... Cada região, com sua especificidade e vocação, conta em seus sabores, a história do estado. E os doces são parte importante dessa identidade gastronômica. A tradicional produção artesanal das receitas mantém, ainda hoje, o fazer familiar como legado cultural de gerações. Com a profissionalização, a atividade passou ainda a gerar mais emprego, conquistando o mercado nacional e fazendo a alegria dos turistas. 
Na foto acima, do Barbosa, pimentas e doces em loja de Tiradentes MG
A ambrosia, por exemplo, é um dos doces mais antigos de Minas Gerais. Chegou ao Brasil no século XVII, com a vinda das famílias portuguesas, principalmente das mulheres que eram habituadas a essa receita. O nome do doce é também cheio de simbolismo. Por causa do sabor, tido como divinal, a ambrosia é chamada, em grego, de manjar dos deuses do olimpo. (foto abaixo de Lourdinha Vieira)
 Receita de família
     A ambrosia de Araxá, no Alto Paranaíba, é famosa. A referência é a receita da dona Joana D’Arc, de 83 anos, mais conhecida como dona Joaninha. O jeito de fazer ela aprendeu no passado, com uma amiga, e passou para o filho Luiz Augusto de Almeida e a nora. Os dois comandam uma doceria, em Araxá, negócio iniciado por dona Joaninha.
    Luiz Augusto conta que o segredo está na paciência. O leite não é talhado e sim cozido durante 8 ou 9 horas. “O tempo é fundamental para refinar o gosto e suavizar a presença dos ovos. A maioria das pessoas come e não sabe se eles são ingredientes”, afirma o herdeiro de dona Joaninha, acrescentando que a receita artesanal já recebeu vários prêmios.
     Também está na lista das receitas de dona joaninha a “ameixinha de queijo”, uma massa feita com ovos e queijo. Famosos na região ainda são os doces de leite, de goiaba, de figo, abóbora com coco e de jabuticaba.
     “O processo de produção continua o mesmo, há mais de 40 anos, quando dona Joaninha começou a fazer os doces”, afirma Luiz Augusto. Ele acrescenta que as adaptações sanitárias e das instalações físicas buscaram preservar o jeito artesanal de fazer os doces.
Do pomar para as compotas
Em Itaguara, no Centro-Oeste de Minas, dona Ana Maria Martins, 61 anos, utiliza as receitas que aprendeu com a mãe para fabricar doces artesanais de frutas. Goiaba, laranja da terra, figo, limão tahite, jabuticaba em caldas, manga, abacaxi. São mais de 20 variedades de compotas. A produção mensal chega a 1,4 mil potes e já conta com uma clientela certa: mercados em Belo Horizonte, aeroportos, restaurantes e chefes de cozinha. (fotografia ao lado de Sérgio Mourão/Fanpage Encantos de Minas)
     A agroindústria familiar fica na zona rural e é comandada por Ana Maria e pelo marido. Lá eles também cultivam as frutas utilizadas na produção dos doces. “São doces diferenciados pelo jeito artesanal de fazer, sem conservantes e com o doce da própria fruta tirada do pomar. Só compramos o abacaxi”, conta Ana Maria..
     O cultivo das frutas e a fabricação dos doces têm reforçado a renda familiar de dona Ana e do marido, que são aposentados. Além disso, a atividade gerou quatro empregos para pessoas do povoado onde está localizada a agroindústria. “É uma renda a mais que a gente tem”, afirma dona Ana, que possui uma clientela consolidada e pretende expandir ainda mais mercado.
Culinária é identidade mineira
     Segundo a superintendente de Gastronomia da Secretaria de Estado de (Setur), Nathália Farah, a gastronomia representa o resgate da história do estado e tem impactado o turismo em Minas Gerais. Ela cita pesquisas realizadas pela Setur: em 2013, a gastronomia era a imagem de Minas Gerais para 24% dos turistas, em 2014, o índice subiu para 33%.
     A valorização dos saberes e sabores regionais inclui a agroindústria artesanal de alimentos. O segmento é estimado em 1.153 estabelecimentos em Minas Gerais, a maioria formada de agricultores familiares. Destes, 37,2% processam leite, 24,6% cana de açúcar e outros 24% frutas e vegetais. (A fotografia ao lado é de autoria de Evaldo Itor Fernandes)
Qualidade e tradição
     O estímulo à produção de doces está vinculado ao trabalho da Emater e do IMA com as agroindústrias familiares. As ações são voltadas para orientações técnicas sobre o plantio da fruticultura, processo de produção dos alimentos, boas práticas, etapas para a certificação, informações que devem conter o rótulo e participação em feiras.
     Para a coordenadora técnica regional de Bem Estar Social da Emater-MG, Eugênia Mara Gonçalves, o mercado exige novas posturas do produtor. “Hoje o público quer ter segurança alimentar, quer saber a origem do produto, se é certificado. As informações precisam estar claras no rótulo. Então a gente trabalha com o produtor no sentido de mostrar as exigências do mercado e da legislação sanitária”.
     Ainda segundo Eugênia Mara, o papel do técnico é ajudar o produtor fazer as adequações do processo de fabricação, preservando uma receita que é tradição. “Defendemos uma cozinha mineira mais profissional, valorizando as tradições e a qualidade do produto”, conclui a técnica da Emater-MG.
     Os fabricantes de quitandas e doces também recebem informações sobre as formas de colocar os produtos no mercado seja por iniciativa individual ou por meio de cooperativa.
Para se profissionalizar
     A assistência aos agricultores familiares interessados em orientação técnica para fabricação e comercialização dos doces é oferecida gratuitamente pela Emater-MG.
     Basta o interessado procurar o escritório local mais próximo da sua casa. Endereços e telefones estão no site: www.emater.mg.gov.br.
Por  Agência Minas com ilustrações nossa.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Bom Sucesso, Macaia e a Usina do Funil

Bom Sucesso está na região Oeste de Minas Gerais e distante 205 km da capital Belo Horizonte. A população bonsucessense, de acordo com o Censo 2019, é de 17.603 habitantes.
Na foto acima, de Marcelo Lagatta, o distrito de Macaia e a Represa do Funil
Possui uma área de 708,17 km² e está a 18 km da Rodovia Fernão Dias, que liga Belo Horizonte a São Paulo e também uma ferrovia que liga várias cidades como Belo Horizonte a Cruzeiro no estado de São Paulo e à cidade de São Paulo, é um ramal ferroviário ligada à principal malha de estrada de ferro do Brasil. Sua atividade principal é agropecuária, leite e café.
(imagem acima de Macaia, distrito de Bom Sucesso. Fotografia de José Luiz de Freitas - In Memoriam)
A Semana Santa também é bem tradicional, com o Setenário das Dores. A Cidade possui hotéis e comércio variado (destacando o comércio da panificação), hospital, policlínica, vários postos de saúde.
O distrito de Macaia
Uma das atrações turísticas de Bom Sucesso é o lago formado pela Usina Hidrelétrica do Funil, tornando o Distrito de Macaia um dos locais mais visitados no município. (na foto acima de Rogério Salgado, noturna de Macaia  e abaixo de autoria de Robson Rodarte, diurna de Macaia)
A Usina do Funil
A Usina Hidrelétrica do Funil é uma usina geradora de energia elétrica administrada pelo consórcio Vale/Cemig, que se localiza no Rio Grande, região sul do estado de Minas Gerais, na divisa entre os municípios de Lavras e Perdões. Foi concluída no ano de 2002.
Lago

Foto acima de autoria de Robson Rodarte
No máximo operacional, o lago da usina inunda uma área de 40,49 km², nos municípios de Lavras, Perdões, Bom Sucesso, Ijaci e Ibituruna. Pode armazenar 285 milhões de m³ de água. A geração de energia é feita por meio de um desnível de até 39 m (nível do máximo operacional do lago 808 m acima do nível do mar / a altura das unidades geradoras varia entre 769,09m e 771,52m do nível do mar), utiliza turbina do tipo Kaplan, sua potência instalada é de 180 MW. (fonte das informações: Wikipédia)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

O Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais

Quadrilátero Ferrífero é uma região localizada no centro-sul do estado de Minas Gerais, que é a maior produtora nacional de minério de ferro. De toda a produção nacional, sai da região 60%, tendo uma área de aproximadamente 7 mil quilômetros quadrados e abrange os municípios de Caeté, Itabira, Itaúna, João Monlevade, Mariana, Ouro Preto, Rio Piracicaba, Sabará e Santa Bárbara, entre outros. Além do minério de ferro, também são extraídos do Quadrilátero Ferrífero, ouro e manganês. (na foto acima, de Cássia Almeida, área de mineração em Nova Lima MG)
     Foi um importante polo aurífero na época do ciclo do ouro. O povoamento teve início com a mineração no século XVII. Com a sua decadência, no fim do século XVIII, a região ficou estagnada. No fim do século XIX, com a fundação de Belo Horizonte, houve um novo surto de povoamento.
     Lá encontra-se parte de duas das mais importantes bacias hidrográficas do estado, a do Rio Doce e a do Rio das Velhas.
     Sua produção abastece as usinas siderúrgicas nacionais e produz, em grande parte, para exportação através da Vale S.A., antiga CVRD (Companhia Vale do Rio Doce). O minério é escoado através da Estrada de Ferro Vitória a Minas até os terminais do Porto de Tubarão, em Vitória, capital do Espírito Santo (tanto a ferrovia Vitória-Minas quanto o Porto de Tubarão pertencem à Vale S.A.).
     Existe também o transporte por dutos, chamado mineroduto, ligando Mariana a Anchieta, no estado do Espírito Santo, com extensão de aproximadamente 400 km e atravessando 25 municípios.
     Está em construção um mineroduto ligando o município de Alvorada de Minas até o Complexo Portuário do Açu, em São João da Barra, no estado do Rio de Janeiro. O comprimento total do duto é de 525 km, passando por 32 municípios. O transporte pelo duto terá a duração de três dias, utilizando bombas de alta pressão. A empresa responsável pela obra é a Anglo American e o início das operações está previsto para o segundo semestre de 2014.
Municípios integrantes
Alvinópolis, Barão de Cocais, Caeté, Igarapé, Itabira, Itabirito, Itatiaiuçu, Itaúna, Jeceaba, João Monlevade, Mariana, Mateus Leme, Moeda, Nova Lima, Ouro Preto, Raposos, Rio Acima, Rio Manso, Rio Piracicaba, Sabará, Santa Bárbara, Santa Luzia, São Gonçalo do Rio Abaixo, São Joaquim de Bicas, Sarzedo. (fonte das informações: Wikipédia)

Broinha de Fubá de Moinho da Dona Teresa

Você vai acompanhar passo a passo dessa receita e o segredinho para que as broinhas fiquem do jeito que está nas fotos. A receitá e de Dona Teresa, de São Roque de Minas. Essa receita está presente há várias gerações na família.
Ingredientes
1 quilo de fubá moinho d’água ( de boa qualidade)
1 litro de leite
12 ovos
800 gramas de açúcar
500 gramas de manteiga de leite
2 colheres de sopa de fermento em pó
1 pitada de sal
Meio quilo de Queijo Canastra ralado
1 xícara de polvilho doce ou azedo

Modo de fazer
Coloque em uma panela grande, o leite, o açúcar e quando começar a ferver, coloque o fubá e faça um angu firme. 
Fica difícil amassar, mas não se preocupe é assim mesmo! 
Logo após, acrescente a xícara de polvilho que serve para dar liga à massa. 
Amasse com uma colher grande e espere esfriar.
Depois, coloque os ovos aos poucos e amasse com as mãos, juntando a manteiga.

 Se tiver nata de leite pode usar também. 
Se os ovos acabarem pode usar leite para amolecer a massa.
 Finalmente acrescente o fermento dissolvido no leite, o queijo e misture bem!
A massa estará no ponto quando se colocar a ponta dos dedos nela e eles ficarem brilhando, devido à manteiga.
Finalmente, uma dica muito importante! 
A broinha não pode ser enrolada com as mãos, senão seu aspecto final não será o mesmo. 
O truque para uma aparência perfeita é molhar uma xícara ou coité, enfarinhar, colocar uma colherada,  balançar cada unidade antes de despejar no tabuleiro.
Rende mais ou menos 50 unidades.
*Para facilitar, registrei o passo a passo de dona Teresa, minha mãe, fazendo a receita. Ela não tem por escrito, aprendeu com a avó.
Fotografias e Receitas com direitos autorais reservados à Maria Mineira e Conheça Minas.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Ferrovia ligará Sete Lagoas a São Mateus no ES

Arte: Petrocity/Divulgação
A Estrada de Ferro Minas Espírito Santo (EFMES) terá cerca de 600 km de extensão e ligará a cidade de Sete Lagoas na Região Central de Minas Gerais à cidade de São Mateus, no Litoral do Espírito Santo.
     A nova linha de trem será 100% privada, com empreendimento da empresa Petrocity Portos SA.
     A ferrovia tem custo estimado em 6,5 bilhões de reais, que segundo a empresa, irá gerar 3500 empregos em Minas Gerais e 1000 no Espírito Santo.
     Inicialmente, será construído um Centro Portuário em São Mateus ES, com custo estimado em 3,1 bilhões de reais. O início dessas obras estão previstos para esse ano de 2019, aguardando apenas os trâmites burocráticos para iniciar as obras.
     Já a ferrovia, a expectativa é que as obras se iniciem em 2021, após a liberação das licenças ambientais, concessões e outras questões burocráticas que uma obra de vulto dessa carece. A previsão é que a ferrovia esteja concluída em 2025.
     O trajeto da ferrovia EFMES terá 5 Unidades de Translado. Uma em Barra de São Francisco/ES e 4 em Minas gerais sendo nas cidades de Santa Maria de Itabira, Governador Valadares, Confins e com ponto final em Sete Lagoas. Cada uma dessas unidades ocupará área de 200 mil metros quadrados, com investimento de 56 milhões, em cada.
A imagem mostra o projeto do Centro Portuário em São Mateus ES - Foto: Petrocy/Divulgação
     Em declaração à imprensa, o presidente da empresa José Roberto Barbosa da Silva, salientou que foi feito "um estudo minucioso por causa do centro portuário e identificamos a necessidade de escoamento da produção de indústrias no norte do Espírito Santo, no interior de Minas, como Vale do Jequitinhonha e Mucuri, e no Sul da Bahia. Com nova possibilidade de escoamento, podemos aumentar em 40% a produção industrial dessas regiões”. Segundo Silva, a ferrovia não irá transportar minério, mas produtos diversos da pecuária, grãos, rochas ornamentais, aço, siderurgia, incluindo veículos.
     O executivo disse ainda que a EFMES "terá tecnologia de ponta, com vagões e locomotivas com energia elétrica e solar nos escritórios do empreendimento. Os trens deverão ser equipados com monitoramento remoto e piloto automático."
     Indagado sobre a possibilidade da empresa colocar trens de passageiros o executivo disse que o projeto inicial não prevê transporte de passageiros, somente de carga, mas havendo demanda, não haveria impedimento em incluí-lo. (Por Arnaldo Silva)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

A origem dos tapetes de Corpus Christi

(Por Arnaldo Silva) A festa de Corpus Christi, que significa Corpo de Cristo, acontece 60 dias depois a páscoa. A Igreja comemora essa festa desde o ano de 1264, com a instituição desse festejo pelo Papa Urbano IV com a Bula "Transiturus". (na foto abaixo, de Ane Souz, tapetes de Corpus Christi em Ouro Preto MG)
   Os tapetes de Corpus Christi que encantam a todos nesse período religioso vem de uma tradição muito antiga.  A prática surgiu em na região dos Açores em Portugal no século XIII e foi introduzida no Brasil no período colonial, sendo rapidamente difundida por toda a colônia e hoje é uma prática dos católicos em todos os Estados Brasileiros. É uma tradição rica, de enorme valor para os católicos e preservada até hoje pelos dois países. Em Minas Gerais, Estado que durante o Ciclo do Ouro recebeu milhares de portugueses, a tradição foi amplamente difundida e se enraizou na sociedade cristã mineira, fazendo parte da tradição religiosa mineira. 
   Em Portugal a procissão do Corpus Christi sempre foi tradição. No século 13 fiéis observavam o Sacerdote que caminhava á frente da procissão carregando o Ostensório, um objeto que armazena a hóstia sagrada, que para os católicos significa a presença do corpo de Cristo. ( na foto ao lado, o sacerdote com o Ostensório, em Bichinho, distrito de Prados MG, fotografado pelo César Reis) É o Sacramento da Eucaristia que somente nesse dia, deixa o altar e vai para as ruas. Para os católicos, a passagem do ostensório com a hóstia representa Jesus está andando pelas ruas da cidade. 
   Por acreditarem que Jesus estaria andando pelas ruas de sua cidade e para os católicos, Jesus é o Rei dos Reis, o Salvador, o Messias prometido, merecia uma recepção digna da fé de seu povo. 
   Foi lembrada então uma passagem bíblica na parte que narra Jesus entrando em Jerusalém e o povo feliz com sua presença. Numa demonstração de carinho, jogavam no chão ramos de oliveiras para que ele passasse por cima. O ato do povo colocar ramos de oliveiras no chão, foi inspiração para para que no dia de Corpus Christi fosse feito algo mais bonito, digno de Jesus Cristo, o Rei dos Reis. 
   Não tem nada a ver com a procissão de Ramos, no período da Semana Santa, foi apenas uma ideia inspirada nessa passagem e que se popularizou e teve a aprovação da Igreja. Assim, inspirando-se nessa ideia, surgiu a decoração das ruas das cidades, no século 13, em Portugal e introduzida no Brasil, durante o período colonial. Até hoje decorar ruas com tapetes nesse dia é praticada nos dois países.  (a foto acima, a arte do artista plástico Reinaldo de Paula em frente a Igreja de Jaboticatubas.Um verdadeiro show de fé, criatividade e talento do artista )
   Com o passar dos séculos a ideia foi se desenvolvendo até chegar aos moldes atuais, onde os fiéis decoram as ruas fazendo desenhos que representam cenas bíblicas com o rosto de Cristo, cálices, cordeiros, pão e outros desenhos sobre as ruas onde a procissão passará. Usam serragens, borra de café, farinha, casca de ovos, areia, folhas, flores, sal coloridos, entre outros materiais. (a foto mostra procissão de Corpus Christi pela ruas de Diamantina. Imagem arquivo: Secretaria de Turismo/Divulgação)
   Esses trabalhos chegam a ser considerados verdadeiras obras de arte, pela beleza, magia e encantos que proporcionam. O trabalho é feito pela comunidade e não tem caráter de promessa ou penitência. É somente amor à Eucaristia e adoração a Cristo.Começam no dia anterior ao feriado e muitos passam a noite inteira decorando as ruas.
   Os fieis se reúnem e começam a preparar os tapetes para o dia seguinte, de Corpus Christi. Não tem tamanho, formato ou extensão exatas. Pode ser de algumas centenas de metros ou dependendo dos fiéis, quilômetros até. Na tradição antiga, principalmente nas cidades históricas onde existiam muitas igrejas, a procissão saia de uma igreja para a outra, assim os tapetes ligavam as igrejas. Durante o cortejo, os fiéis exibiam e ainda exibem panos vermelhos nas janelas (como podemos ver na foto abaixo, de Ane Souz, em Ouro Preto).

   Em Minas Gerais essa tradição, vem desde o início do século XVII e hoje em todos os 853 municípios mineiros, distritos e povoados, é preservada. 
   O mineiro sempre foi um povo conservador e muito religioso. As manifestações de fé do nosso povo atrai a atenção de todos do Brasil e do mundo. Vem para ver, fotografar, sentir, se emocionar e participar desse momento de fé, confraternização e alegria do povo católico mineiro que coloca toda sua emoção e sentimento na arte dos tapetes de Corpus Christi. E o turista sente essa emoção.
   Nosso Estado é muito grande e não dá para ir em todas as cidades mineiras para admirar a beleza dos tapetes e participar da alegria dos fiéis, mas sugerimos algumas cidades onde você turista poderá acompanhar o dia de Corpus Christi e conhecer cidades lindas, com história, museus, arquitetura colonial, e outros atrativos. Veja os roteiros que sugerimos.
Ouro Preto, Mariana e Congonhas
São cidades próximas. Começando por Ouro Preto (na foto acima de Elvira Nascimento), o visitante ficará deslumbrado com os tapetes coloridos em frente as igrejas do período barroco. É deslumbrante. A cidade é perto de Belo Horizonte, apenas 100 km de distância a capital.
   A 20 km de Ouro Preto está Mariana, a primeira cidade e capital de Minas Gerais. Os fiéis saem pelas ruas repletas de tapetes e os que não estão na procissão, estendem colchas e toalhas de rendas nas janelas de suas casas.
   E a 56 km de Ouro Preto está Congonhas, a famosa cidade dos 12 profetas do Aleijadinho, expostos no Santuário do Bom Jesus do Matosinhos que é Patrimônio da Humanidade. Os tapetes coloridos nesse de Corpus Christi são verdadeiros espetáculos.
São João del Rei, Tiradentes e Prados
   As cidades são vizinhas. Tiradentes fica apenas 16 km de São João Del Rei que está a 188 km distante da capital Belo Horizonte.
   Nas três cidades ocorre procissões com suas principais ruas, próximas as igrejas cobertas pelos tapetes. Em Tiradentes, é comum nesse dia apresentações de teatrais, recitais de poemas e canções, no Largo das Forras. (na foto, missa de Corpus Christi na Igreja de Santo Antônio em Tiradentes fotografada pelo César Reis)
   A 17 km de Tiradentes está a cidade de Prados, que também é cidade histórica, com um casario colonial preservado. É nessa cidade que está o Bichinho, distrito famoso por sua beleza e artesanato. A missa e procissão de Corpus Christi em Prados mostra a fé e carinho de seu povo por esse dia.
Diamantina e Serro
   Diamantina está a 300 km de Belo Horizonte na região do Alto Jequitinhonha. A 90 km de Diamantina está a cidade do Serro. (na foto acima, tapetes de Corpus Christi nas ruas de Diamantina. Foto arquivo Secretaria de Turismo/Divulgação)
   Essas duas cidades são especiais por valorizarem as tradições e preservarem a memória e história de seus antepassados. Pelas ruas de Diamantina e do Serro, após a missa de Corpus Christi, o colorido dos tapetes e a alegria dos fiéis emociona os visitantes.
Sabará, Santa Luzia e Caeté
Apenas 20 km de Belo Horizonte está Sabará, a terceira vila e cidade mineira. Possui um rico patrimônio histórico, com igrejas e casario do tempo do Brasil Colônia. Aleijadinho e o Meste Ataíde deixaram suas obras na cidade, que fica mais linda ainda com os tapetes coloridos, preparados com carinho pelos fiéis.
A 21 km de Sabará está Santa Luzia, também cidade histórica. Nesse dia especial de Corpus Christi, as principais ruas do centro histórico de Santa Luzia ficam lindas com os tapetes coloridos, bem como em Caeté, que está a 35 km de Sabará. Cidade histórica, fiel às tradições religiosas. Além disso, ir à Serra da Piedade, que faz parte do município, é um passeio quase que obrigatório.
Capitólio e São João Batista do Gloria

Capitólio está a 281 km da capital Belo Horizonte. É hoje um dos pontos turísticos mais badalados do Brasil. Banhada pelo Lago de Furnas, que é seu maior atrativo, junto com os cânions e suas belas cachoeiras, a cidade vive e preserva a tradições religiosas, bem como a vizinha São João Batista do Glória, a 61 km de Capitólio. (a foto ao lado mostra uma rua de São João Batista do Glória decorada para o dia de Corpus Christi. Foto da Paróquia local, enviada por Aline Marques). Cidade com forte  respeito às tradições religiosas e fé do seu povo.
Em São João Batista do Glória está o Paraíso Perdido, a Lagoa Azul e tantas outras belezas e cachoeiras da região da Serra da Canastra. A fé vem de geração em geração e as cerimônias religiosas são seguidas à rica e feitas com muito carinho. O turista se impressiona com a beleza dos tapetes que ornamentam as ruas dessas duas badaladas cidades turísticas de Minas Gerais.
   Além das cidades históricas, turistas do Brasil inteiro vem a Lambari (na foto ao de autoria de Joseane Astério) Caxambu, São Lourenço, Extrema, Camanducaia, Santana do Riacho, Alfenas, Poços de Caldas, Baependi, Aiuruoca, Campos Altos, Romaria e Araxá para participarem das celebrações de Corpus Christi, porque são cidades que tem atividades voltadas para o turismo religioso.
   Seja qual for o roteiro que você escolher, Minas Gerais tem 853 municípios e em todos eles, a fé católica é mostrada com fervor e alegria não só no dia de Corpus Christi, mas em todos os dias de eventos religiosos. Seja em qual cidade mineira você estiver, encontrará as tradições religiosas católicas mineiras valorizadas e preservadas em sua forma original. O mineiro conserva e preserva suas tradições. 

Conheça o Castelo do Café

O Castelo do Café está localizado na região do Coqueiro Rural em Manhuaçu – MG a 290 km de Belo Horizonte. Empreendimento ousado e imponente que surgiu com a finalidade de unificar e centralizar as operações do Café Salomão. Desta maneira, a família Charbel, formada pelo casal Rosely e Charbel e os filhos Davi e Salomão, foram audaciosos e decidiram criar um empreendimento único, e que trouxesse uma experiência ímpar no universo dos cafés especiais.
No início, a ideia era ter um galpão e colocar em sua fachada algo parecido com um castelo, porem, unindo a criatividade da Rosely e a experiência do arquiteto João Previero, o galpão se transforma em um Castelo. Uma obra majestosa, localizada entre uma cachoeira e belíssimos jardins e lavouras de café, a obra leva em seus traços características dos castelos italianos e da região da Baviera na Alemanha.
O visitante que tiver a oportunidade de ir até o Castelo do Café poderá ver de perto um local rico em detalhes, unindo os símbolos da família Charbel, elementos medievais e saborear cafés frescos de altíssima qualidade (característica presente do Café Salomão) na Cafeteria do Castelo do Café.
O Castelo do Café está aberto ao público aos sábados, domingos e feriados entre 10 da manhã às 20 horas. O endereço é: Chácara a Rosa e a Deusa, 1 - Castelo do Café Coqueiro Rural, Manhuaçu MG, Zona da Mata. Telefone: (33) 99811-1004

1894: Inauguração do Monumento à Tiradentes em Ouro Preto

A Praça Tiradentes é uma praça localizada na cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais. Foi o local onde a cabeça do mártir da independência, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes foi exposta (1792) em Vila Rica, atual Ouro Preto. No local onde estivera o poste (atual praça Tiradentes) se encontra hoje um monumento ao Mártir. Verifica-se que curiosamente, a estátua em bronze de Tiradentes está de costas para a então residência oficial do governador.
A inauguração do monumento em homenagem a Tiradentes foi retratada na tela da artista plástica Émile Rouède (Avignon, França, 1848 - Chegou ao Brasil em 1880, vivendo no Rio de Janeiro. Faleceu em Santos, São Paulo em 1908). 
O local onde hoje se encontra a Praça Tiradentes, em Ouro Preto, era conhecido no século XVIII como Morro de Santa Quitéria e durante quase todo o século XIX, chamou-se Praça da Independência. Em 1894, com a inauguração do Monumento em homenagem a Tiradentes, passou a se chamar Praça Tiradentes.
Por volta de 1750, começava a se formar o conjunto arquitetônico da praça. Em 1748, aproximadamente, já começava a funcionar no local o novo Palácio dos Governadores. 
Hoje, a Praça Tiradentes é marcada por dois imponentes prédios: o Museu da Inconfidência (antiga Casa da Câmara e Cadeia - 1784) e o Museu de Ciência e Técnica (antigo Palácio dos Governadores). Compondo o conjunto, há um admirável casario colonial onde se destacam: - Conjunto Alpoim: são diversas casas que teriam sido projetadas pelo brigadeiro José Fernandes Pinto Alpoim, que vão do número 52 ao 70. Entre elas, está a casa de Dom Manoel de Portugal e Castro, que foi o último governador da Capitania de Minas Gerais no período colonial. As três grades das sacadas apresentam uma curiosidade; nelas se encontram a inscrição: “ para memória do benefício imortal teu nome fica gravado neste metal .” Há uma lenda que conta que a amante do governador é que teria mandado fazer a inscrição na sacada de sua casa. - Casa da Baronesa. Nº 33. - Câmara Municipal e Posto de Informações Turísticas. Nº 41. - O Restaurante Estudantil – REMOP. Nesse local, no século XVIII, existiu a Santa Casa de Misericórdia. O prédio atual, em estilo neoclássico, já serviu como Fórum no princípio do século. (fonte das informações: Wikipédia)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

O Hotel

Desci a escadaria do prédio carregando uma pequena mala e meu material de trabalho. A viagem não seria muito longa, mesmo assim hesitei um pouco quanto a aceitar aquele serviço. Meu auxiliar avisou de última hora sobre uma gripe que o impediria de acompanhar-me. Tudo bem, imprevistos acontecem. A ideia era chegar até uma pequena cidade, a fim de registrar um casamento, para o qual havia sido contratada. Tudo correndo bem, em dois dias estaria de volta. Liguei o carro e peguei a estrada rumo ao Sul de Minas,

Estranhamente não queria ir, meu desejo era ficar em casa com meus livros, filmes, o velho pijama de flanela, as frustrações e sombras, causadas pelo fim do relacionamento de dez anos. Porém, lembrei de minha conta bancária. Ela não estava propícia a recusar a quantia que me foi oferecida. As famílias dos noivos fizeram questão, queriam a melhor fotógrafa de eventos, modéstia à parte, claro! Nem reclamaram quando dobrei o preço, alegando a distância e as estradas mal conservadas. O jeito foi encher-me de coragem e seguir rumo ao desconhecido...

Nos meus planos, não gastaria mais que cinco horas de viagem, mas a certa altura, o GPS me fez enveredar por rumos diferentes do previsto anteriormente. Irritada, eu praguejei em voz alta:
— Grande coisa essa tecnologia, talvez uma bússola tivesse me ajudado mais!

Escureceu antes do esperado e sinceramente, nunca gostei de dirigir à noite. A estrada de terra me causava medo, pois era ladeada por matas fechadas. Para piorar, a lua cheia que iluminaria a noite daquela sexta-feira, estava envolta por nuvens pesadas. O único clarão era dos relâmpagos que cortavam o céu, seguidos por trovões assustadores e logo a chuva caiu pesada sobre o para-brisa.

Senti-me sufocada ao fechar totalmente a janela do carro, mas o vento frio parecia assobiar no meu ouvido me causando arrepios. À minha frente, apenas o solitário caminho sem asfalto. Me desesperar nessa hora não adiantaria em nada, mas confesso que meus nervos estavam em frangalhos. A medida que eu adentrava naquele lugar, a cerração envolvia o automóvel, tirando totalmente a visibilidade. Olhei os ponteiros do tanque de combustível e, graças a Deus havia me lembrado de abastecer na última cidade. Eu nunca havia me sentindo tão sem rumo. Me vi perdida no meio da noite, dirigindo numa estrada coberta pela lama, debaixo de uma tempestade. Para piorar tudo, o maldito celular continuava totalmente sem sinal. Mesmo impedida pela neblina, eu adivinhava as ribanceiras, pois via árvores e morros na claridade dos raios.

Há tempos não rezava, mas a angústia causada pelos trovões, automaticamente me fez recitar antigos cânticos e orações aprendidos com as avós, segundo elas, era o único recurso para abrandar tempestades e ventos. Em dado momento, pensei que as minhas vistas me pregavam uma peça. Vi uma placa apontando para um desvio, na qual estava escrito: “Hotel Pena Branca: 1 Km.” Senti que minhas preces poderiam ter sido atendidas. Eu não tinha outra opção, mesmo que quisesse. Precisava de um abrigo para passar a noite e me livrar da escuridão e da chuva. Manobrei o carro em direção ao lugar indicado pela placa. O temporal cessou, o mato sombrio, o vento sibilante e o canto das aves de mau agouro, desapareceram como por encanto. Notei que a estrada era margeada por belas palmeiras de um lado e ipês de outro. Avistei no alto da colina, uma grande construção toda iluminada. Tudo se tornava mais claro, havia luzes por todo percurso. A neblina densa e o vento forte deram lugar a uma brisa fria, porém branda.

No final da alameda, avistei o hotel. Mesmo sob efeito dos sustos recentes, eu ainda me questionei interiormente como um lugar deserto feito aquela estrada de chão, comportava tamanho empreendimento? Mas naquela hora, isso não vinha ao caso! Eu precisava respirar, beber algo, me acalmar! Estacionei no lugar indicado através de aceno, por um jovem uniformizado que se retirou em seguida, sem dizer palavra. Desci do carro ainda sentindo as pernas bambas e as mãos trêmulas. O sereno caía sobre as roseiras de um canteiro deixando as flores salpicadas de gotas douradas sob a luz. O ruído de uma fonte luminosa, o aroma agradável de jasmins e alfazemas me acalmavam lentamente...

Era mês de agosto e a noite estava fria. Peguei minha bagagem, apenas a maleta com algumas roupas e a bolsa. Olhei para os lados, procurando alguém que pudesse me dar informações. comecei a caminhar em direção à entrada principal. Ouvi o som de passos e parei, mas o coração se acelerou. Percebi uma presença, mas não consegui ver nada. Uma mão quente pousou sobre meu ombro descoberto e um arrepio percorreu todo o meu corpo. Aquele toque em minha pele foi tão intenso, como se vestígios de um passado desconhecido se desvendassem através dos tempos e se acomodassem no interior da minha alma. Em seguida, algo extremamente macio e aconchegante deslizou sobre minhas costas, era um xale de seda. Nesse instante, ouvi uma voz masculina que se fez entender com muita clareza, apesar de eu não falar francês.
— "Bonsoir, mademoiselle, bienvenue!". Je m'appelle Antoine de Saint-Hilarie. S'il te plaît, viens avec moi! *

Era um homem alto, de meia idade, semblante enigmático. Tinha cabelos escuros, ligeiramente grisalhos e usava um elegante terno preto. Quando se dirigiu a mim, vi um olhar intenso e profundo, capaz de intimidar, mas ao mesmo tempo derramava uma sensação de paz e segurança. Sem mais, pegou a mala e com a outra mão segurou meu braço. Pensei dizer que conseguia caminhar sozinha, mas a sensação de calor emanada de sua mão, era tão reconfortante que me fez calar e apenas sentir.

Em silêncio, subimos as escadas e nos aproximamos da porta de madeira que se abriu lentamente. Ouvi o som de lenha se queimando na lareira localizada em um canto da sala bem decorada e espaçosa. Aquele cavalheiro parecia ter saído dos meus livros antigos. Me fez uma reverência, deu ordens ao rapaz de uniforme para levar a bagagem. Uma moça usando as mesmas cores de roupa, se encarregou de levar-me aos meus aposentos. A decoração era luxuosa e havia ali uma atmosfera quase irreal, tanto nas cores dos lençóis, no bordado das toalhas, nas rosas que decoravam a mesa. Tudo parecia de um outro tempo e lugar. Mentalmente saudei o bom gosto do decorador.

A camareira não disse palavra, apenas um ligeiro sorriso de cumprimento ao sair do quarto. Averiguei o local e logo percebi que uma das portas levava a um ambiente onde havia armários decorados com vitrais floridos, velas perfumadas, essências diversas e um roupão branco bordado no mesmo padrão das toalhas. A grande banheira com diversas torneiras douradas, era tudo que eu precisava, após aquele susto na estrada! Derramei alguns sais perfumados na água quente...Me despi não apenas das roupas, mas de todos os sustos daquele dia, mergulhando num mar de paz por um tempo infinito, enquanto lá fora a chuva e o vento retornaram insistentes.

Secava os cabelos quando ouvi do outro lado da porta, uma voz suave avisando que o jantar estava servido. Usando meu vestido vermelho de festa, desci os degraus e fui saudada pelo mesmo homem de terno preto que havia me recepcionado quando cheguei. Me olhou minuciosamente e percebi algo mais naqueles olhos que a simples delicadeza de anfitrião. Conduziu-me até a mesa no centro da sala. Afastou a cadeira e depois sentou-se também. Estranhei a falta de outros hóspedes para o jantar, mas não me preocupei muito, talvez fosse baixa temporada. Era um ambiente atípico, mas maravilhosamente aconchegante! Com muita fome experimentei cada um dos pratos servidos.

Guardo na memória o sabor de cada iguaria saboreada naquela noite. Terminada a refeição, ele convidou-me para a outra sala. Segurou minha mão e senti uma agradável e demorada pressão. Ofereceu-me uma poltrona defronte à lareira acesa. Ele estava com olhar demorado nas chamas, fiz o mesmo e assim permanecemos por algum tempo olhando o crepitar das brasas. Após alguns minutos a conversa fluiu como se fôssemos antigos conhecidos com muitos gostos em comum. Soube que viera da França há alguns anos e se encontrou naquele lugar, mas segredou-me com bom humor ainda faltar algo para que fosse realmente feliz...

No outro dia despertei ao som dos pássaros .Abri a janela me deparando com uma visão incrível. A chuva dera lugar ao sol que dourava todo o lago de Furnas. Na noite anterior não havia reparado a beleza daquele lugar cercado de pura natureza. Com calma, pude apreciar cada detalhe e me encantar com tudo ali. Me arrumei e desci para o café, me esforçando para não me esquecer que ainda tinha muito trabalho pela frente e não podia me atrasar. Com certeza, o dono do hotel me daria informações necessárias para que pudesse seguir viagem. Após o desjejum, ele me levou até o carro. Entre risos, devido ao assunto que nunca acabava, combinamos continuar a conversa quando eu retornasse. No banco, encontrei meu celular, agora com sinal. Verifiquei que o GPS estava funcionando e indicava meu destino, isto é, Sul de Minas.

Na despedida, senti sua mão no meu rosto e o seu olhar fixo nos meus olhos. Não consegui me desviar enquanto ele analisava minha expressão de espanto. Se aproximou lentamente e roçou os lábios na minha boca, dizendo em forma de sussurro: —"J'ai attendu si longtemps pour toi! Content que tu sois venu! J'aimerais pouvoir rester plus longtemps! *

Ele olhava suavemente, investigando meu semblante até que fechei os olhos para melhor sentir sua respiração quente sobre meu rosto. Foi um beijo tão intenso que o mundo ao redor parecia se dissipar e eu queria ficar presa para sempre naqueles braços que me enlaçavam. Correspondi ao beijo e a única coisa que importava no mundo era a sensação de bem estar que ele me causava. Como eu gostaria de atender o seu pedido e ficar mais, muito mais! Aos poucos me afastei, mas minhas mãos custaram a se desvencilhar das dele. Tudo que havia acontecido nas últimas doze horas parecia incrível e quem sabe, inesquecível. Tudo recordava algo surreal, onírico e indescritivelmente mágico.

A viagem foi tranquila e o trabalho muito satisfatório. Eu estava ansiosa para voltar. Dispensei o caminho mais curto, pois minha intenção era retornar pela mesma estrada. Havia em mim uma curiosidade e um desejo tão grande de saber cada detalhe da vida daquele homem, porque era tão solitário? Precisava saber daquele olhar que parecia conhecer minha alma. Queria entender o motivo de eu não desejar mais sair do seu lado. Precisava saber o que estava acontecendo comigo.

Pouco antes da ponte, abri a janela procurando pela placa indicando a entrada do hotel. Mesmo com toda a claridade, não a encontrei. Havia apenas mato e o silêncio tomando conta do lugar. Cheguei à conclusão que havia me confundido e resolvi perguntar alguns pescadores distraídos na margem da represa. Indaguei sobre a entrada para o Hotel Pena Branca. Os três homens me olharam espantados, quando falei que era hóspede daquele hotel. Com um riso meio irônico, um deles me disse para atravessar a ponte que o avistaria no alto da colina.

Segui adiante e ao olhar para trás, avistei apenas as ruínas da construção de um hotel. Os moradores do distrito de Santo Hilário me informaram que havia sido abandonado há mais de 40 anos, nos meados da década de 70, ainda em fase construção. Segundo eles, o Pena Branca teria dezenas de suítes, além de piscinas, restaurante, e até um heliporto. Um teleférico levaria os hóspedes da montanha até o hotel e outro do hotel até as margens do lago de Furnas. Uma construção sem igual naquele lugar. Não conseguia acreditar que tudo foi apenas uma ilusão. Apenas as informações dos pescadores não me convenceriam, precisava ver de perto.

Tentei ser racional e crer que naquela noite chuvosa eu era uma mulher sozinha e amedrontada, mas não queria acreditar ter sido apenas ilusão. Tudo foi tão real... Ao caminhar até o local, percebi o cenário de abandono. Havia buracos no chão, antes coberto por flores. As paredes pintadas de branco estavam agora depredadas. Parecia que tudo aquilo desabaria a qualquer momento. Atordoada não consegui raciocinar. Senti um profundo vazio na alma, apesar de misteriosamente ainda reconhecer aquele perfume no ar. O toque do vento na pele, trazia a estranha sensação, parecendo afirmar que tudo foi verdade.

Respirei fundo tentando caminhar de volta até o carro. Peguei a estrada de volta para capital, com imenso pesar e um coração partido. Em casa, joguei a bagagem a um canto e caí no cama, imaginando que um sono profundo me libertaria de todo aquele mal estar. Os dias se arrastavam, eu ainda sem ânimo para voltar à vida normal. Lembrei-me de desfazer a mala da viagem ainda abandonada no mesmo lugar. Entre as roupas, envolto em um xale de seda, aquele mesmo que me aqueceu na noite chuvosa, encontrei um envelope com os dizeres: UN PEU DE MÉMOIRE. No antigo retrato amarelado pelo tempo, havia um homem e uma mulher. As feições dela eram as minhas. A diferença estava no corte dos cabelos e roupas do século passado que usava. Quanto ao homem, era o cavalheiro do hotel, sorria com olhar carinhoso... No verso, as palavras que me acompanharão pela vida afora:
Mon cher
Les plus belles choses de la vie ne peuvent être ni vues ni touchées, mais elles ne sont pas ressenties que par le cœur. L'essentiel est invisible pour les yeux.
Je t'aime
Pour toujours *  Antoine

Tradução:
1-( "Boa noite, mademoiselle, seja bem vinda!" . Meu nome é Antoine de Saint-Hilaraire. Por favor, venha comigo!)
2-(Esperei tanto por você! Que bom que veio! Gostaria tanto que ficasse mais!
3-Minha querida
As coisas mais bonitas da vida não podem ser vistas ou tocadas, mas são sentidas apenas de coração. O essencial é invisível aos olhos.
Eu te amo
Eternamente seu 
Antoine
Texto e fotografia de autoria da escritora Maria Mineira - São Roque de Minas

sábado, 5 de janeiro de 2019

Conheça Belo Horizonte

(Por Arnaldo Silva) Minas Gerais é um estado de tradições e história antiga, mas sua capital, Belo Horizonte, tem história mais recente. Fundada em 12 de dezembro de 1897, substituiu a primeira capital, Mariana, fundada 150 anos antes, e Vila Rica, que era a atual capital de Minas na época. Mas antes da capital ser criada, a região era habitada desde 1701. Vivia na região o bandeirante João Leite Ortiz, que possuía uma fazenda, que posteriormente foi se formando a partir de 1707, um pequeno arraial, denominado Arraial de Curral Del Rei, formado por trabalhadores da fazenda e outros bandeirantes que vinham para a região. O nome do arraial permaneceu até a fundação da Capital. (foto abaixo de Rogério Salgado)
           No ano de 1883, decidiu-se pela transferência da capital mineira, na época Vila Rica, atual Ouro Preto para uma região mais central do estado, tendo sido escolhido a região onde estava o Arraial de Curral Del Rei. Foi promulgada a lei determinando a mudança da capital para as terras da antiga fazenda. Por ser uma região montanhosa, com belas vistas, principalmente pelo belo horizonte que se via na do alto de suas serras, optou-se pelo nome Belo Horizonte para a nova capital mineira. 
          A equipe de engenheiros, chefiada pelo engenheiro Aarão Reis,   se inspirou nos modelos urbanos das cidades de Whashington, nos Estados Unidos e de Paris, na França para projetar a nova capital. A arquitetura das construções belo-horizontinas do início de sua construção foram inspiradas na arquitetura francesa. 


          Emoldurada por uma cadeia montanhosa, como a Serra do Curral, Belo Horizonte oferece várias atrações a seus moradores e visitantes. Além da charmosa arquitetura do final do século 19 e início do século 20, de inspiração francesa, presentes na região centro-sul da capital, tem ainda como atrações o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, um dos principais trabalhos do arquiteto Oscar Niemeyer, erguido entre 1942 e 1943, na gestão do prefeito Juscelino Kubitschek (1902-1976) e da Praça da Liberdade (foto acima de Arnaldo Silva), onde está localizado o Palácio da Liberdade, um dos cartões postais de Belo Horizonte, construído para ser sede do Governo Mineiro entre 1895 e 1897. Atualmente é aberto a visitação pública nos fins de semana. (na foto abaixo de Lucas Vieira, o Palácio Tiradentes, atual sede do Governo Mineiro)
          Belo Horizonte conta cerca de 69 museus, se destacando o Museu de Artes e Ofícios, Museu das Minas e do Metal, Museu da Moda, Memorial Minas Gerais, Museu de Arte da Pampulha, Museu da Imagem e do Som, Museu da História da Inquisição, Museu de Ciências Naturais, Museu Abílio Barreto, Museu do Brinquedo, dentre outros. Possui ainda dezenas de parques em todas as regiões da cidade, outras dezenas de teatros e espaços para exposições, convenções e eventos de grande porte como a Serraria Souza Pinto,  o Minascentro e o Expominas. 
          A vida noturna na capital é intensa, com milhares de bares espalhados pelos bairros da cidade, que garante à Belo Horizonte, o título de "capital brasileira dos bares" (fotografia acima de Charles Tôrres). A cidade se destaca ainda na gastronomia, sendo o Festival de Comida de Boteco, que acontece todos os anos, uma das referências nacionais em gastronomia popular.      
          Além dos teatros, museus e gastronomia, a capital tem ainda como atrativos a Praça da Estação, o Parque Municipal (na foto acima de Arnaldo Silva) um dos pontos de encontro das famílias belo-horizontinas, o Palácio das Artes, o Mirante do Mangabeiras, a praça do Papa - de onde se tem uma excelente vista panorâmica e a Feira de Artesanato da Avenida Afonso Pena, que funciona todos os domingos pela manhã, com cerca de 4 mil barracas oferecendo produtos diversos, sendo a maior feira ao ar livre da América Latina (na foto abaixo de Lucas Vieira). Outro destaque da cidade é o Mercado Central, eleito pelos passageiros da Revista Tam Nas Nuvens, como um dos 10 melhores do mundo.
          Hoje Belo Horizonte conta cerca de 2,5 milhões de habitantes, sendo a quarta capital mais populosa do Brasil, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.  A Região Metropolitana de BH é formada por 33 municípios, ao todo tem mais de 5 milhões habitantes. A média anual da temperatura na capital é de 22º C. A cidade fica a 586 km de São Paulo, 435 km do Rio de Janeiro, 740 km de Brasília e  550 km de Vitória. 

Congonhas: a cidade dos profetas

(Por Arnaldo Silva) Segundo o dicionário a palavra Congonhas tem origem no tupi-guarani. "Kõ" e "gõi" significam "O que sustenta" ou "O que alimenta", é também, segundo o dicionário um tipo de erva utilizado para fazer chá. Em Minas Gerais, é uma importante cidade histórica, com cerca de 55 mil habitantes um clima ameno, em média 20ºC e distante de São Paulo (596 km), do Rio de Janeiro (356 km) e de Brasília (794 km). (fotografia acima de  Wilson Braz)
Congonhas fica a 88 km de Belo Horizonte, na Região do Quadrilátero Ferrífero. A famosa cidade histórica mineira, tem entre seu maior patrimônio o santuário do Bom Jesus do Matosinhos. Foi fundado em 1757 pelo português Feliciano Mendes de Guimarães, que fez promessa ao Bom Jesus do Matosinho para se curar de uma enfermidade. Conseguindo a graça, cumpriu a promessa construindo o santuário no alto do Morro do Maranhão. (fotografia de Sérgio Mourão)
É neste santuário que estão os 12 profetas do Aleijadinho, a famosa Santa Ceia e os Passos da Paixão, esculpidos pelo mestre do barroco mineiro, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho e pintados pelo mestre da pintura mineira, Manuel da Costa Athaíde, os dois maiores artistas da arte colonial brasileira.  As imagens dos 12 profetas (Isaias, Jeremias, Baruque, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Abdias, Amós, Jonas, Habacuque e Naum) do Aleijadinho, no adro do santuário, dão o carinhoso apelido à Congonhas de “a cidade dos profetas”. 
Obra religiosa de valor notável para Minas e para o Brasil, sendo reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como Patrimônio Cultural da Humanidade em 1985. (foto acima de Wilson Braz)
A cidade surgiu no início do século XVIII com a descoberta de ouro na vizinha Ouro Preto, descobrindo-se ainda ouro em toda a redondeza. Com a mineração do ouro iniciando foi fundado o arraial de Congonhas do Campo em 1734. Congonhas do Campo foi emancipada em 17 de dezembro de 1938 com o mesmo nome, tendo sido alterado o nome para Congonhas em 1948, prevalecendo essa denominação até os dias de hoje. (na foto abaixo de Wilson Braz o interior do Santuário do Bom Jesus do Matosinhos)
A atividade mineradora continua até os dias de hoje nas minas de Congonhas, mas não retirando mais ouro e sim, minério de ferro, sendo a exploração das jazidas de ferro na região, responsável pela geração de milhares de empregos e um dos grandes pilares da economia local, junto com o turismo e sua rica gastronomia. (na foto abaixo de Wilson Braz, uma das capelas dos Passos da Paixão)
Durante o ano, a cidade promove vários eventos que atraem turistas de todo o Brasil como O Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, em Setembro e a Semana Santa, quando há a encenação do Auto da Paixão, bem como também, o Festival das Quitandas, em maio, o Festival da Cultura Popular em julho e a Semana do Aleijadinho, em agosto, os principais eventos de Congonhas.  

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