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quarta-feira, 25 de março de 2020

Monte Verde atrai turistas o ano inteiro

(Por Arnaldo Silva) Monte Verde, distrito de Camanducaia, no Sul de Minas é lembrada como a “cidade dos namorados”, “Suíça Mineira”, “cidade do chocolate” e também de “cidade do frio” por seu inverno rigoroso, em seus quase 1600 metros de altitude. É o ponto mais alto de Minas. Não é por menos que Monte Verde está no topo do turismo no Brasil. É um dos lugares mais procurados e mais bem avaliados por turistas. (foto acima de WDiniz)
Dá pra pensar que a cidade é movimentada somente no inverno onde as paisagens geladas com fortíssimas geadas dão brancura e suavidade à esplêndida paisagem da Serra da Mantiqueira. (foto acima de Ricardo Cozzo) Muitos pensam que Monte Verde é turismo em apenas uma estação.
Engana-se, não é s não. Monte Verde é turismo o ano todo, todos os meses, todas as semanas e todos os dias são turistas chegando de todos os cantos do Brasil e do mundo. (foto acima de WDiniz) A charmosa vila de origem letã, não alemã, como muitos pensam. Seus fundadores vieram de uma ex República da extinta União Soviética, a Letônia e se fixaram na região por considerar a paisagem local semelhante ao país do Leste Europeu. 
Além do frio, chocolate, vinhos, aconchegantes pousadas com chalés ou quartos com lareiras e vistas maravilhosas, a paisagem de Monte Verde, principalmente no inverno, lembra o inverno Europeu. Além disso, o que mais atrai os turistas à Monte Verde, fora do período de inverno?  (foto acima de Ricardo Cozzo e abaixo de WDiniz)
O bucolismo da pitoresca Vila é o maior atrativo. O charme de seu casario e suas ruas. A arquitetura singular que dá ares europeus à vila. Outro tesouro valioso de Monte Verde é seu cerca de seis mil moradores, muito acolhedores, hospitaleiros, gentis e sabem como ninguém valorizar a cultura de origem Europeia da Vila e as tradições mineiras, principalmente a culinária. (foto abaixo de WDiniz)
Nos restaurantes da Vila, você pode apreciar tanto um frango com quiabo, quanto um chucrute alemão. Um tutu de feijão ou um joelho de porco alemão. Doces mineiros ou doces Europeus. Você pode tomar vinho de Minas ou importados. Cervejas artesanais com a tradicional receita de pureza da Baviera. Os doces sabores dos licores mineiros também. Chocolates finos e cachaças genuinamente mineiras, fabricadas nos alambiques da região. (foto abaixo de Ricardo Cozzo)
Em Monte Verde, o turista experimenta as melhores fondues do Brasil. Por falar em fondue, sabe o que é? Esse prato é suíço e sua base é o queijo aquecido sobre uma espiriteira. A fondue de Monte Verde é fantástica. Por falar em queijo, o nosso mais valioso produto artesanal é produzido na cidade e é da melhor qualidade. Sabor da Mantiqueira. Têm ainda compotas, doces caseiros, que são destaques e que agradam a todos. Nos restaurantes de Monte Verde você encontrará pratos para todos os gostos e bolsos. E isso é um dos grandes atrativos da Vila. 
O interessante é que a culinária, artesanato, religiosidade e cultura mineira são preservadas. Monte Verde (na foto acima de Ricardo Cozzo) é uma típica vila europeia, encrustada no coração de Minas. É um dos principais destinos turísticos do Brasil, com altas avaliações dos principais sites de turismos nacionais.
Monte Verde (na foto acima de Ricardo Cozzo) está a 490 km da capital mineira, via BR 381. A 167 quilômetros da capital paulista e 206 quilômetros de Campos do Jordão. Os municípios mineiros próximos a Monte Verdes são: Itajubá, Três Corações, Varginha e Pouso Alegre. 
Venha conhecer Monte Verde, a Suíça Mineira, cidade dos namorados, do chocolate e do povo mais acolhedor e hospitaleiro do Brasil.

segunda-feira, 23 de março de 2020

O doce sabor da infância da receita de brevidade

(Por Arnaldo Silva) Numa tarde chuvosa estava a relembrar minha infância, e me veio à mente as brevidades que minha avó fazia. Era uma delícia. Sentava no banco da cozinha e comia brevidade com gosto. Chovia muito nesse dia e me lembrei das tardes chuvosas lá na roça, tomando café, comendo brevidade e ouvindo o tilintar dos pingos da chuva no velho telhado da casa.
          Me deu saudades do sabor da brevidade, mesmo as lembranças estando distante, não vivia mais na roça e sim na cidade. Parei numa padaria muito chique e requintada e pedi brevidade. A moça que me atendeu me olhou e perguntou? O que é brevidade?         
          Quem ficou espantado fui eu com a pergunta. Uma receita tão antiga, passada de geração para geração, desconhecida pelos mais novos? 
          Ela chamou a confeiteira, que entendia de tudo. Para meu espanto, perguntou?
          - Essa receita é mineira? Como que ela é?
          Respondi:
          - Claro que é. Receita do século XIX, um bolinho de polvilho, feito em forminhas, cuja receita, surgiu por volta de 1875. Saiu das senzalas mineiras para nossa mesa. Uma das mais antigas e tradicionais receitas mineiras, bem como a rosca, broinha, sequilho, biscoito de polvilho frito e assado, pão de queijo, bolinho de chuva, bolos de milho, bolo de fubá, rosquinha, etc. É só para citar essas como exemplo, já que são várias as nossas quitandas surgidas nos séculos 18 e 19 que compõem as receitas mineiras, criadas ou adaptadas de receitas portuguesas, africanas e indígenas do século XVIII e XIX. A própria brevidade foi adaptada, já que na receita original, usava-se polvilho de araruta, uma planta cuja raiz era feito o polvilho. Com a popularização da mandioca e plantio em grande escala, quase não se vê mais araruta. Usa-se agora o polvilho de mandioca.
          A confeiteira que entendia de tudo me olhou com cara de espanto, apenas se limitou a perguntar como era a brevidade. Explique direitinho e foi até a cozinha e me aparece de volta com uns cupcakes e peti gateau, me perguntando se era a mesma coisa.
          Desisti. Fui pra casa procurar a receita e eu mesmo fazer.
          Perguntei para minha mãe sobre a receita e procurando em seu caderninho antigo, encontrou a tão procurada receita tradicional de brevidade, um bolinho leve, gostoso, cheiro e sabor de infância feliz.
          Está ai a receita para que vocês façam e resgatem essa delicia de nossa culinária. Não podemos deixar as inovações culinárias do século 21, ofuscar as delícias da nossa cozinha.
          Pra começar, você vai precisar de forminhas metálicas, tipo aquelas que se faz empadas, só que maior e também forminhas de papel. Você encontra em lojas do ramo e em supermercados.
Essa receita dá mais ou menos uns 30 bolinhos. Então, chame a criançada, os primos e vizinhos para comer.
          A massa tanto pode ser para o bolinho, quanto para o bolo, nesse caso, use uma fôrma untada com manteiga com furo no centro e deixe assando por 30 a 40 minutos ou até que fique dourado.
Os ingredientes para a brevidade são:
750 gramas de polvilho doce
250 gramas de açúcar
6 ovos
1 colher de sopa rasa de fermento em pó
1 colher de chá de essência de baunilha

Modo de preparo
- Bata as claras em neve e acrescente as gemas e a colher de baunilha.
- Bata por 2 minutos na batedeira e acrescente o açúcar e misture por mais 2 minutos.
- Coloque o polvilho aos poucos e misture bem.
- Desligue a batedeira e coloque o fermento, misture bem com uma espátula ou colher de pau.
- Despeje a massa nas forminhas e leve ao forno a 180º por 30 a 40 minutos.
Após esse tempo só servir e se deliciar com essa gostosura secular.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Fortuna de Minas: a cidade dos pássaros livres

(Por Arnaldo Silva) Uma pequena, pacata, charmosa e aconchegante cidade a menos de 100 km de distância de Belo Horizonte e com menos de três mil habitantes. Cidade de povo simples, hospitaleiro, onde todos se conhecem e sabem um pouco um do outro. Essa cidade é Fortuna de Minas. O município faz divisa com Esmeraldas, Paraopeba, Maravilhas, Pequi, São José da Varginha, Cachoeira da Prata e Inhaúma, na Região Central do Estado. 
          A cidade é tranquila, bem cuidada e limpa, mas um detalhe chama a atenção: praticamente não se vê gaiolas com pássaros presos. (foto meramente ilustrativa cima de autoria de Alexandre Vidigal)
          Havia um tempo em que olhavam para o céu e para as árvores e não viam vidas. Os pássaros não eram vistos livres e sim, caçados e capturados para serem aprisionados em gaiolas. O canto dos pássaros em gaiolas era canto de tristeza. Não viam mais ninhos nas árvores e nem os bandos de aves sobrevoando os céus da cidade.
          Foi com essa constatação que, por iniciativa do morador local Washington Moreira Filho, essa realidade triste começou a mudar. Washington sonhava em ouvir o canto dos pássaros livres e as praças da cidade cheias de canários, rolinhas, trinca-ferros e outras aves. Com a ideia fixa, começou a conscientizar os moradores de Fortuna de Minas a trazer de volta os pássaros para seu habitat natural.
          Sua ideia era convencer os moradores a abrir as gaiolas e soltar os pássaros. Não foi fácil convencer pessoas a mudar uma cultura, errada, mas enraizada há anos no cotidiano de suas vidas. Aos poucos a ideia foi ganhando apoio, inicialmente bem pequeno, mas crescendo na medida do tempo que as pessoas adquiriam consciência, colocando-se no lugar do pássaro que não é objeto decorativo e nem nasceu para viver preso e sim ao ar livre, em meio a árvores, vivendo em seu habitat natural.
          A cada dia, a cada semana, a cada mês, novas pessoas foram se comovendo com a atitude dos amigos e vizinhos e aderindo à ideia, abrindo as gaiolas, deixando os pássaros livres e não mais os capturando ou caçando-os.
          Inclusive, instrumentos de caça e aprisionamento das aves, como alçapões, deixou de ser fabricado numa marcenaria que funcionava há décadas na cidade, cujo carpinteiro, “Seu’ Zé, que chegou a ter 18 pássaros presos em gaiolas, se solidarizou com a iniciativa e aderiu à campanha. O próprio “Seu” Zé, que no início da campanha tinha 85 anos, libertou as aves presas, deixando à época em que tomou essa atitude exemplar, uma declaração comovente de quem se conscientizou e abraçou a iniciativa: “Ninguém quer ficar preso. O canto é bonito. Estou orgulhoso de ter uma vida desse jeito, e eles também. Os passarinhos também querem viver tranquilos”, declarou “Seu” Zé.
          Somente os pássaros que nasceram em cativeiro não foram libertados, por não saberem caçar, mas prender e engaiolar novos pássaros não mais. Foi questão de consciência adquirida.
          O resultado é impressionante. Os pássaros estão por toda parte no município, principalmente nas matas, seu habitat. São canários-chapinhas e trinca-ferro, que se misturam a outros pássaros como o João-de- Barro, pica-pau, beija-flor, pardais, periquitos, etc.
          O mais interessante ainda é que a cidade que comprava gaiolas e fabricava alçapões, passou a investir em outra atividade: construir casas para pássaros. A ideia partiu de artesãos locais, que se inspiraram nas casas do joão-de-barro para criarem as casinhas. Não quer dizer que as aves irão morar nas casas, isso porque a casa das aves é em seu habitat natural, onde fazem seus ninhos em troncos ocos de árvores ou outro lugar que julguem seguros para chocarem seus ovos, longe dos predadores naturais. As casas feitas pelos artesãos são espaços para os pássaros se alimentarem ou mesmo fazerem seus ninhos com segurança. A população espalha canjiquinha, fubá e alpistes nas praças, casinhas e outros lugares para que as aves se alimentem. Assim permanecem na cidade, colorindo a vida, alegrando o dia com suas belezas e seus cantos maravilhosos!
          Essa iniciativa é sem dúvida uma das mais corretas e adequadas. Quem ama a vida, não aprisiona. Pássaros nasceram com asas para voar, serem livres e viverem em seus habitat. Que o exemplo de Fortuna de Minas, seja seguido por outras cidades. Mas não espere a cidade fazer, faça sua parte. Não aprisione as aves, abra as gaiolas. Quer ouvi-los cantar, cuide deles, dê comida, coloque alpiste, fubá, canjiquinha no chão, numa bandeja ou mesmo numa casinha que eles vêm e irá colorir sua rua, sua praça, seu jardim. E cantarão felizes simplesmente por estarem livres. Quem é livre, é feliz!

quarta-feira, 18 de março de 2020

Marmelópolis mantém viva a tradição do marmelo

(Por Arnaldo Silva) A cidade tem marmelo no nome em razão da fruta ser abundante em suas terras. Seu nome original era “Queimada”, quando ainda era distrito de Delfim Moreira, no Sul de Minas. Boa parte das plantações de marmelo ficou no município, quando sua emancipação em 1962, por isso a cidade adotou este nome, pela abundancia e tradição do cultivo do marmelo e produção de marmelada no antigo distrito de Queimada, hoje Marmelópolis. Polis = cidade, ou seja, “Cidade do Marmelo”. 
Marmelópolis (na foto acima de Cássia Almeida) faz divisa com Delfim Moreira, Virgínia e Passa Quatro no Sul de Minas e Piquete e Cruzeiro em São Paulo. A cidade é pacata, charmosa, aconchegante, muito atraente e conta menos de três mil moradores, simpáticos, gentis e muito hospitaleiros. É uma típica cidade do interior mineiro. Além do marmelo, da sua exuberante natureza, como cachoeiras, matas nativas de araucárias e áreas naturais preservadas, o frio é um dos atrativos da cidade. É uma das mais frias de Minas Gerais e o inverno é bastante rigoroso, com geadas constantes, transformando a paisagem local de forma notável, fazendo com que a pequena cidade da Mantiqueira, se pareça com as charmosas vilas portuguesas. 
Esses atrativos atraem turistas para a cidade, que buscam vivenciar a natureza plena, bem como curtir o charme de uma tradicional cidade do interior mineiro, e experimentar a famosa truta da Mantiqueira (na foto acima de Jair Antônio Oliveira, do Restaurante Monte Moriá), a tradicional marmelada e outros derivados da fruta.
A origem do marmelo 
O marmelo (na foto acima de Renato Ribeiro) tem sua origem no Oriente Médio se expandindo para o restante do mundo através da Grécia. É uma fruta muito apreciada no Oriente Médio há milhares de ano. Acredita-se que a fruta já existia no paraíso de Adão e Eva. In natura tem o sabor um pouco ácido, por isso é mais consumida em forma de sopa, compota, geleia, licor e doce, a famosa marmelada. Sua aparência lembra muito a pera e a maçã. Quando do pecado homem, citado na Bíblia, foi oferecida uma fruta. A mitologia diz que foi uma maçã, mesmo a fruta não sendo de origem desta região e nem o nome da fruta é citada na narrativa bíblica, as ilustrações do fruto proibido mostra uma maçã. Se a narrativa bíblica se referir mesmo a uma fruta real, com certeza, a fruta do pecado original seria o marmelo, pelo fato de ser uma fruta comum na região e com sua origem onde a passagem é narrada.
 O resgate do cultivo do marmelo 
          O marmelo foi introduzido no Brasil pelo português Martin Afonso de Souza em 1532, se adaptando muito bem à região Sul do país e no Sul de Minas. (na foto acima de Jair Antônio Oliveira, a flor do marmeleiro) O cultivo do marmeleiro foi introduzido na região da Mantiqueira entre os séculos XIX e XX. Somente em Marmelópolis, foram plantados mais de mais de dois milhões de pés, tornando a cidade a maior produtora da fruta no país, bem como o maior produtor de marmelada.
          Entre as décadas de 1940 e 1970, no auge da popularização da marmelada, existia na região mais de 20 indústrias atraídas pela grande oferta da fruta. Entre essas fábricas, uma delas era a gigante Cica, que hoje não existe mais. Onde funcionava a fábrica da Cica, é atualmente a sede da Prefeitura de Delfim Moreira.
          O fechamento das empresas foi gradativo, tem seu auge na década de 1980. Um dos fatores que levaram ao fechamento das fábricas foi a industrialização de outros doces em Minas e no Brasil, como por exemplo, o doce de leite e de frutas diversas, como a goiabada. Com isso a produção de marmelada na região foi reduzindo, bem como o plantio da fruta, chegando ao fechamento das empresas existentes na cidade. Hoje resta existe apenas uma única fábrica de marmelada na cidade e o cultivo da fruta restringido a pequenas propriedades.
          Mas essa realidade vem mudando com a retomada da produção de marmelo no município, por iniciativa da família do Moisés Ribeiro Cunha, proprietários da única fábrica de marmelo atualmente na cidade. O objetivo é resgatar uma das mais antigas atividades agrícolas de Minas Gerais, e devolver à cidade o posto de terra do marmelo, aumentando a produção da fruta e da marmelada.
          A iniciativa vem entusiasmando alguns produtores e reanimando os antigos, que estão fazendo novas plantações ou mesmo recuperando antigas plantações, bem como ampliando a área de plantio.
          É uma forma de manter viva a tradição do marmelo na cidade, cuja produção da marmelada foi de grande importância para a economia local, bem como fez de Minas Gerais um dos grandes produtores do doce Brasil.
          O povo mineiro tem no sangue o amor por sua cultura e faz parte do nosso povo esse instinto de conservação. Marmelópolis está se recuperando, voltando a ser a cidade do marmelo e da marmelada.
          O povo da pacata Marmelópolis lembra com saudades, do cheiro da fruta, do doce tilintando nos caldeirões das antigas fábricas, da fartura nos tempos da colheita da fruta.
          Esse mesmo povo não está apenas na saudade hoje. Estão reagindo e trazendo de volta a cultura do marmelo.
A Festa do Marmelo
          Um dos eventos que ajudam na divulgação da cidade, bem como incentivo na produção do marmelo e produção de seus derivados, é a tradicional Festa do Marmelo de Marmelópolis, que acontece no outono, geralmente nos fins de março para início de abril. (na foto abaixo, de Cássia Almeida, na Festa do Marmelo em 2019)
          A cidade com menos de três mil habitantes praticamente triplica nos dias da festa. No evento, o visitante conhece todos os produtos feitos com marmelo, como sopa, licor, geleia, compota e claro, marmelada, além dos produtos derivados do leite e azeites orgânicos, tradicionais na região. O visitante terá oportunidade ainda de conhecer o artesanato local, a culinária típica da cidade, como a truta da Mantiqueira e pinhão, além dos pratos da cozinha mineira. Durante os dias de festa há apresentações de oficinas culturais e ainda a apresentação de bandas regionais que cantam e tocam em estilos diversos com o Sertanejo Raiz, Pop Rock, Jazz e MPB.
          Marmelópolis fica a cerca de 460 quilômetros da capital Belo Horizonte, 255 quilômetros de São Paulo e 305 do Rio de Janeiro.
Os benefícios do marmelo e receitas tradicionais
          Consumida in natura ou em forma de chá, ajuda no combate a aftas, males da gengiva, inflamações estomacais e dores na garganta. Por ter ação antisséptica e antiespasmódica, ajuda no combate a casos de enjoos e vômitos. É ainda calmante, ajuda no tratamento de queimaduras, cólicas e problemas pulmonares.
          No Brasil é consumida como chá, com a infusão de suas folhas, in natura e principalmente em forma de marmelada. (na foto abaixo de Renato Ribeiro)
Aprenda a fazer marmelada
Você precisa de:
2 quilos de marmelo
1 quilo de açúcar
1 xícara de água
Para preparar a marmelada
- Descasque os marmelos e corte-os em pedaços pequenos.
- Coloque a água num tacho, em seguida o açúcar e por fim o marmelo.
- Deixe ferver até o doce apurar.
- Quando passar a colher no fundo e esse aparecer limpo, já está no ponto.
- Depois de pronto, despeje o doce em forma e deixe secar.

Outro Prato tradicional na região é a Sopa de Marmelo, reconhecida desde 2012 como Patrimônio Imaterial de Delfim Moreira e registrada no Livro de Saberes da Municipalidade e no IEPHA – Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais. (lembrando que Marmelópolis era distrito de Delfim Moreira até sua emancipação e a história das duas cidades e tradições que envolvem o marmelo, estão ligadas).

Os ingredientes para preparar a sopa são:
5 marmelos maduros
200 gramas de açúcar
200 gramas de farinha de milho
1 litro de água
½ litro de água para dissolver a farinha
Queijo curado cortado em pedaços a gosto
Modo de preparo
- Descasque os marmelos, retire as sementes e corte em cubinhos.
- Dissolva a farinha de milho na água. É o que vai engrossar a sopa.
- Numa panela, coloque a água, o açúcar e os marmelos e deixe cozinhando por 30 minutos.
- Após esse tempo, acrescente a farinha de milho dissolvida e misture até a sopa engrossar.
- Em seguida acrescente o queijo e deixe cozinhando por mais 15 minutos. (no fogão a lenha, o tempo de preparo da sopa é em média 30 minutos).
Espere esfriar e sirva.

segunda-feira, 16 de março de 2020

As pedras preciosas de Minas Gerais

(Por Arnaldo Silva) A história de Minas começa com a procura de riquezas minerais em nosso território. A descoberta das primeiras jazidas ocorreu por volta de 1554, pelas Entradas e Bandeiras, que adentraram no interior do Brasil em busca de ouro e outros minerais. (foto acima de Sérgio Mourão) No início foi lenta a exploração, só aumentando no final do século XVII, quando se descobriu que no território mineiro tinha o metal mais cobiçado na época e em abundância. O ouro. (uma parte do ouro extraído de Minas ornamentam igrejas das cidades históricas, como na Igreja de Nossa Senhora do Pilar em Ouro Preto, ornada com meia tonelada de ouro puro como podem ver na foto abaixo de Thelmo Lins)
          O auge da exploração das jazidas minerais em Minas foram nas minas de ouro, diamante e esmeraldas. Hoje ainda se extrai esses minerais no nosso território, embora boa parte das minas exploradas nos séculos anteriores se exauriu com a exploração desenfreada, ainda existe, mesmo que em menor escala. A mineração continua ativa, agora com maior concentração nas minas de minério de ferro, ainda abundante no Estado. 
          Além do ouro, diamante e esmeraldas (na foto acima de Sérgio Mourão, extraídas em Nova Era) são extraídas outras variedades de pedras preciosas em Minas Gerais, como água-marinha, topázio, turmalina, alexandrita, crisoberilo, heliodoro, morganita, olho-de-gato, kunzita, andaluzita, granada, ametista, berilo, brasilianitas, citrino e outros minerais raros. (foto abaixo de Sérgio Mourão)
          Mesmo depois de séculos de exploração, a atividade mineradora continua nosso Estado, conhecido internacionalmente pelo seu subsolo riquíssimo em minerais, já que mesmo com tantos séculos de exploração, Minas Gerais ainda é o maior produtor de ouro, gemas coradas e diamantes do Brasil. O turismo mineral atrai compradores e gemólogos de todo o mundo para Minas, principalmente nas grandes produtores de gemas como Teófilo Otoni, Araçuaí, Governador Valadares, Itabira, Sabinópolis, Araçuaí, Turmalina, Padre Paraíso, Malacacheta, Diamantina, Nova Era, Ganhães, Ferros, Santa Maria do Itabira, Corinto, Curvelo, Teófilo Otoni, considerada a Capital Brasileira e Latino Americana das Pedras Preciosas e Ouro Preto, são os principais polos mineradores atualmente no Estado.
          Em Ouro Preto, pode-se conhecer as pedras preciosas mais raras e valiosas de Minas, expostas no Museu de Ciência e Técnica da Universidade Federal de Ouro Preto. É na famosa cidade histórica mineira, Patrimônio da Humanidade, que é encontrada o topázio imperial. (nas fotos acima e abaixo de Arnaldo Silva, com as pedras já trabalhadas) Essa pedra preciosa é encontrada somente em Ouro Preto.
          Governador Valadares, Teófilo Otoni e Araçuaí são os grandes destaques hoje em produção de gemas no Brasil, tanto na forma bruta, como trabalhadas.
 Em Governador Valadares (na foto acima do Zano Moreira), no Vale do Rio Doce, realiza o Brazil Gem Show com stands com mostras das impressionantes variedades de pedras preciosas da região. 
Já no Vale do Mucuri, considerada uma das maiores províncias gemológicas do mundo, está Teófilo Otoni (na foto acima de Sérgio Mourão), uma das grandes produtoras e exportadores de gemas da América Latina. Na cidade existe a Gems Export Association (GEA), entidade representativa, responsável por organizar anualmente a tradicional Feira Internacional de Pedras Preciosas (FIPP), hoje um dos principais eventos do gênero no mundo e o mais importante evento do ponto de vista turístico para região, já que atraem visitantes de todo o Brasil e do mundo para a cidade. 
Outra cidade mineira que se destaca na produção de gemas no Brasil é Araçuaí (na foto acima de Ernani Calazans), no Vale do Jequitinhonha. Região rica em produção de pedras preciosas, destacando as pedras kunzitas, hiddenitas, andaluzitas, e petalitas, além das turmalinas, topázios-azuis e berilos. A produção de pedras preciosas é um dos fatores que contribuem para o desenvolvimento da região.

domingo, 15 de março de 2020

Minas Gerais é pioneira no ensino público de música

(Por Arnaldo Silva) Minas Gerais é a pioneira no ensino público de música no Brasil. São 13 Conservatórios Estaduais de Músicas (CEM´s), todos localizados no interior do estado, geridos pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais. Atende atualmente mais de 30 mil alunos, entre crianças, jovens e adultos, com ensino público música da mais alta qualidade. (a imagem abaixo, de César Reis, o cotidiano de São João Del Rei, a cidade da cultura em Minas e onde foi institucionalizado o primeiro Conservatório de Música em Minas Gerais)
          Foi Juscelino Kubitschek, quando governou Minas Gerais de 1951 a 1955, o responsável pela instalação dos primeiros conservatórios em Minas Gerais. Não é segredo para ninguém que JK gostava de música, principalmente da musicalidade mineira, que foi construída ao longo de 300 anos de história. A música mineira evoluiu ao longo dos séculos e tem no seu DNA os cantos barrocos nas igrejas, nas serestas, nos saraus, nos sons das violas pelo interior e a influência dos cantos e instrumentos musicais africanos e indígenas, juntamente com a influência musical portuguesa. Esses foram os fatores primordiais para a formação da identidade musical mineira.
          Nos quatros anos que governou Minas Gerais, JK criou cinco conservatórios no Estado, localizados nas cidades de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, em 1951, mas institucionalizado em 1971, São João Del-Rei no Campo das Vertentes em 1953 – o primeiro conservatório institucionalizado do Estado -, Visconde do Rio Banco, na Zona da Mata, em 1953, Pouso Alegre, no Sul de Minas, em 1954 e Juiz de Fora na Zona da Mata em 1955. Nos governos posteriores, foram criados os Conservatórios de Leopoldina, na Zona da Mata em 1956, Montes Claros no Norte de Minas, em 1962, Ituiutaba no Triângulo Mineiro em 1967, Uberaba, no Triângulo Mineiro em 1967, Uberlândia, no Triângulo Mineiro em 1967, Varginha no Sul de Minas em 1985, Araguari, no Triângulo Mineiro em 1985 e mais outro espaço em Uberlândia, no Triângulo Mineiro em 1985.
          JK sempre foi visionário e enxergava bem à frente dos políticos de sua época. Entendia a vocação do povo mineiro para a música e queria ampliar a formação de profissionais e desenvolver talentos mineiros, dando oportunidades a cantores, compositores, instrumentistas e apreciadores da boa música estudarem música ou se aprimorarem. Para isso, criou os Conservatórios, para dar opções de aprendizado em curso de nível médio e gratuito, voltado para alunos das escolas públicas mineiras, numa época em que estudar música era restrita a uma pequena parcela da população. Foram cinco escolas criadas por JK, em quatro anos de governo, hoje são 13 Conservatórios Estaduais de Música, formando talentos por toda Minas Gerais.
          Nos Conservatório são feitas audições, concertos, exercícios práticos de música, cantos e em instrumentos musicais como exemplos de flauta doce, piano, violão, violino, violoncelo, bateria, cavaquinho, contrabaixo elétrico, flauta transversal, guitarra, percussão, saxofone, teclado, trombone, trompete, dentre outros, aprimorando a sensibilidade musical do aluno. Os cursos são de níveis médios e livres, com duração máxima de um ano letivo. O aluno participa de atividades musicais e oficinas organizadas pelos Conservatórios fazendo com que se envolva na cultura local e regional. Essas atividades leva música para todas as camadas sociais e impulsiona o desenvolvimento dos estudantes, através da cultura, da música e da participação social.
          A maioria das vagas nos CEM’s se destina a estudantes entre 6 e 15 anos que frequentem as escolas públicas de educação básica. Outra parte das vagas é destinada, a quem tenha formação técnica ou superior em música, podendo fazer cursos livres de curta duração ou participar das oficinas musicais organizadas pelos Conservatórios.
          Além dos Conservatórios, o Governo de Minas fomenta a Orquestra Sinfônica e a Filarmônica de Minas Gerais que são de grande importância para a preservação da cultura e musicalidade mineira. Além disso, em praticamente todas as cidades mineiras, existem bandas municipais e fanfarras, uma mostra viva e ativa da vocação mineira para a música, que ecoa além das nossas montanhas, encanta e inspira novos talentos por todo o Brasil. A nossa música é tão famosa quanto nossa culinária e montanhas. A musicalidade é uma das identidades mineiras.

sexta-feira, 13 de março de 2020

A cidade que recebe turistas o ano todo

(Por Arnaldo Silva) São Tomé das Letras, no Sul de Minas, recebe todos os dias turistas que vem de todo o Brasil e também do mundo. Chegam ônibus, moto homes, caravanas, vans e até de motos. Mas por que a cidade recebe tanta gente assim? (foto acima de Vânia Pereira)
São Tomé das Letras é uma mistura da mineiridade de nossas típicas cidades interioranas, com tradições, cultura e culinária mineira, mas também, seu ar rústico, sua arquitetura em pedra, sua altitude de 1227 metros, bem como sua exuberante natureza, as formações rochosas, o misticismo e supostas aparições de Ovinis. Esses são os diferenciais que tanto atraem turistas para a cidade. A cidade é singular, totalmente única no Brasil. (foto acima de Sérgio Mourão e abaixo, de Rinaldo Almeida, um ponto de ônibus na cidade)
Tem também o artesanato riquíssimo em qualidade e detalhes, em sua maioria voltada para temas místicos, como incensários, magos, apanhadores de sonhos, camisetas estilizadas, sinos do vento, duendes, panelas e lembranças feitas de pedra, encontrados tanto na rua, quanto em diversas lojas da cidade. A arte dos artesãos letrenses impressiona. Dificilmente alguém sai de São Tomé das Letras sem levar o artesanato local para casa.
Quem vem a São Tomé, busca sossego, tranquilidade, arte, meditação, contato com a natureza e também com Extraterrestres. Segundo os místicos, a cidade é considerada um dos sete pontos energéticos da Terra. Por isso São Tomé das Letras atrai tantos adeptos do esoterismo, sendo essa crença, uma das responsáveis pela fama de "Cidade Mística" que São Tomé tem. Tanto é que a cidade respira o esoterismo e misticismo em sua arte, artesanato e arquitetura. (foto acima de Vânia Pereira)
A cidade é tranquila, muito aconchegante, com ótimas opções gastronômicas e uma rede hoteleira muito boa, com pousadas decoradas com a identidade mística local (na foto acima e abaixo, de Vânia Pereira, a Pousada dos Anjos), com artesanato, símbolos esotéricos presentes nas fachadas e até mesmo nos quartos.
Além de muito conforto, muitas pousadas contam com lareiras, já que o inverno na região é bem rigoroso. É nos feriados e principalmente no inverno que a cidade fica mais movimentada. Fora das altas temporadas, o turista nem precisa agendar com antecedência reservas nos hotéis e pousadas de São Tomé. São muitas opções, dezenas. Para quem quer contato pleno com a natureza e acampar, a cidade tem ainda opções de camping. 
Além de sua beleza arquitetônica (foto acima de Jerez Costa), o turista tem várias opções de passeios como conhecer o charmoso distrito de Sobradinho, a Gruta São Tomé, Gruta do Carimbado, a Rua do Amendoim, Casa da Pirâmide, formações rochosas que lembram feições humanas como a Pedra da Bruxa, as cachoeiras da Lua, Eubiose, Véu de Noiva, Paraíso, Borboletas, Antares entre outras. Têm ainda corredeiras como Shangri-lá, a de Sobradinho e agora, descobriram o Poço Secreto, outra opção de lazer para os letrenses e turistas. (na foto abaixo de Lucas Vieira, a Cachoeira da Lua)
Para chegar a esses lugares, o caminho é por estrada de terra, mas em boas condições de tráfego. Trilheiros em motos e bikes são comuns pela região, já que existem muitas trilhas. 
O grande prazer do turista é subir na pirâmide (na foto acima de Robson Rodarte) e ficar contemplando as estrelas ou sentado sobre as formações rochosas de quartzito, mineral abundante na região. O pôr do sol em São Tomé é mágico. Geralmente, no segundo sábado de cada mês, acontece no local o "Pôr do Rock” com apresentações de banda de rock ou mesmo os turistas que levam seus instrumentos, cantam e dançam livremente.
À noite em São Tomé têm ainda como destaque seus bares, muito aconchegantes, com música ao vivo e muito procurada pelos turistas. (um desses bares é a Bat Carverna, na foto acima do Pepp Assis e na foto abaixo, de Robson Rodarte, a Pirâmide e a noite estrelada em São Tomé das Letras)
A cidade é pequena, com menos de 10 mil habitantes e o turista pode conhecer toda a cidade e suas belezas naturais num de semana, mas quem vai a São Tomé, volta, porque se encanta com a magia e encantos naturais da cidade.
Estar em São Tomé das Letras é como se estivéssemos numa pacata cidade mineira, misturada com o charme das construções medievais em pedra sobre pedra, a beleza natural mineira e a magia Celta. É um pouco de tudo isso, por isso encanta tanto e atrai tanta gente de todo o Brasil e do mundo. (foto acima e abaixo de Vânia Pereira)
 São Tomé das Letras fica a 308 km de Belo Horizonte, pela BR 381. Quem vem do Rio de Janeiro são 340 km, pelas BRs 116 e 354 e de São Paulo, são 350 km, pela BR 381. A cidade faz divisa com os municípios de Três Corações, Cruzília, São Bento Abade, Conceição do Rio Verde, Baependi e Luminárias.

quinta-feira, 12 de março de 2020

O Santuário de Nossa Senhora das Graças em Urucânia

(Por Arnaldo Silva) Urucânia é uma charmosa cidade, fazendo parte do Circuito Montanhas e Fé, na Zona da Mata Mineira. Com pouco mais de 10 mil habitantes, está distante 256 km de Belo Horizonte e faz divisa com os municípios de Piedade de Ponte Nova, Jequeri, Santo Antônio do Grama, Rio Casca, Santa Cruz do Escalvado e Oratórios. Seus moradores vivem do pequeno comércio, turismo religioso e da produção agropecuária, em destaque para suinocultura e a produção de açúcar. (foto abaixo de Pedro Henrique)
          A história da cidade se formou pela fé, hospitalidade e simplicidade de seu povo. As manifestações religiosas são marcantes na cidade, manifestada principalmente na devoção a Nossa Senhora das Graças.
          Emancipada apenas em 30 de dezembro de 1962, sua história bem antes, em meados do século XIX com o surgimento de um povoado com o nome de urucu. O nome é devido à planta urucum, muito abundante na região, mas naquela época, a grafia era sem o m no final. Por volta de 1869 foi erguida na região uma capela, dedicada a Nossa Senhora do Bom Sucesso do Urucu e uma casa, para receber um padre que viria para a localidade. A construção foi feita no terreno doado por Francisca Inácia da Incarnação, senhora bondosa, protetora dos escravos, colonos e muito religiosa. Na mesma época, foi construído um cemitério, onde está hoje a atual Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso. (na foto abaixo de Elpídio Justino de Andrade)
          No início do século XX, deu-se início na região de um extensivo e crescente cultivo da cana de açúcar para abastecer as açucareiras que surgiam na região, extinguindo boa parte da planta que originou o nome do povoado. Em 1924, o local mudou o nome para Urucânia. Segundo o dicionário, o nome “Urucânia” tem origem no Tupi-Guarani, “urucu” (ou urucum), que significa, o “vermelho”.
          Urucânia é uma cidade muito conhecida, não pela planta urucum e sim pelo Padre Antônio Ribeiro Pinto, filho de escrava, nascido em 2 de abril de 1879 em Rio Piracicaba MG, na vigência da Lei do Ventre Livre e faleceu em 22 de Julho de 1963, em Ponte Nova MG, aos 84 anos. Padre Antônio chegou a Urucânia em 1946 para assumir a Paróquia da cidade. O padre conquistou o coração dos fiéis, tendo alterado definitivamente a trajetória de Urucânia, que passou a ser lembrada como última morada do sacerdote. Tanto é que a data de sua morte, 22 de julho, é feriado municipal. Na cidade, foi criado ainda o Museu Padre Antônio Pinto, com objetos e a história da vida do sacerdote. Isso porque o padre, para a comunidade, é um santo que em vida fez milagres e mesmo depois de morto, ainda faz. Os relatos dos milagres do Padre Antônio podem ser conhecidos na Casa dos Milagres, onde os fiéis deixam escritos, as graças alcançadas por intermédio do Padre Antônio.
          Foi por intermédio do Padre Antônio que a devoção a Nossa Senhora das Graças chegou ao município. Mas o sacerdote sentia a necessidade de construir um Santuário dedicado à santa que devotava, Nossa Senhora das Graças. 

          Com autorização dada pela Arquidiocese de Mariana, na década de 1950 foi dada o início das obras, sendo o Santuário concluído na década de 1970. Como faleceu em 1963, não pôde ver o seu sonho concretizado, mas foi ele quem abençoou o terreno onde seria construído o Santuário, bem como a majestosa e imponente imagem de Nossa Senhora das Graças, vinda do Rio de Janeiro, doada à comunidade em 1961 por Beatriz Monteiro de Carvalho, com obra do artista plástico português, Joaquim de Souza e Silva. 
          A construção encontra-se próxima a Matriz, na área central da cidade, com fácil acesso e boa acessibilidade. (foto acima de Elpídio Justino de Andrade)
          O mirante, a estátua do Cristo e o Santuário são os principais atrativos da cidade. Dentro do Santuário, está o túmulo do Padre Antônio e no altar, uma imagem de Nossa Senhora das Graças.
          A devoção a Nossa Senhora das Graças e os milagres atribuídos ao Padre Antônio, atraem todos os anos, milhares de pessoas a Urucânia. A movimentação de fiéis é maior no dia de aniversário de morte do Padre Antônio, 22 de julho e no dia de Nossa Senhora das Graças, 27 de novembro.

Primeira hidrelétrica do Brasil foi construída em Minas

(Por Arnaldo Silva) Segundo pesquisas e estudos do Centro de Ciência da Universidade Federal de Juiz de Fora, a usina de Marmelos, sediada em Juiz de Fora, foi a primeira usina hidrelétrica do Brasil e da América Latina. Foram pesquisadas e estudadas a origem e história de todas as usinas existentes naquela época e, inclusive a do Ribeirão do Inferno, em Diamantina, que foi construída para gerar energia restrita a mineração de diamantes de um local específico, 5 anos antes da inauguração da Usina de Marmelos e de outras localidades brasileiras. Isso porque na época existiam pequenas usinas setoriais no Brasil, gerando energia apenas para um determinado fim. Usina hidrelétrica, com geração de energia em turbinas, para o coletivo comunitário, foi a de Marmelos. (foto abaixo: arquivo da Cemig/Divulgação) 
             Após os estudos e análises, chegaram à conclusão de que a Usina de Marmelos em Juiz de Fora, foi a primeira usina hidrelétrica de Minas Gerais, do Brasil e da América Latina, reconhecida pelo Ministério das Minas e Energia, Cemig e tombada pelo tombado pelo Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Juiz de Fora, em 1983, tendo sido transformada em Espaço Cultural e Museu. Em 2005, a Usina de Marmelos foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha). (foto abaixo: arquivo da Cemig/Divulgação)
História
          Os avanços tecnológicos no mundo começaram a se difundir a partir da Revolução Industrial na Inglaterra, embora na América Latina em especial, no Brasil, tais avanços demoravam a chegar e quando chegavam, demorava muito para se disseminada pelo país, devido à desconfiança dos fazendeiros e industriais da época com as novas tecnologias. A única exceção foi a energia elétrica, que teve disseminação rápida no Brasil, graças a visão de dois homens: o mineiro Bernardo Mascarenhas e Dom Pedro II, que regeu o Brasil de 1840 a 1889. Foi Dom Pedro que trouxe, por exemplo, o trem para o Brasil, construindo trilhos, ligando cidades e estados. Instalou ainda um cabo telegráfico lingando o Brasil à Europa, ficando com isso mais fácil saber das novidades tecnológicas daqueles tempos. Quando soube da invenção da lâmpada elétrica incandescente por Thomas Edison, mandou instalar a novidade inicialmente nas estações ferroviárias fluminenses, em 1872. O monarca era grande incentivador de novas descobertas. Uma de suas grandes contribuições para o desenvolvimento do Brasil foi a introdução no Brasil da eletricidade, ato de grande importância, que avançou rapidamente no Brasil.
          Numa economia agrária, com vistas ao desenvolvimento, a energia elétrica era de grande importância, inclusive para a agricultura, onde predominava a cultura do café e a iniciante mineração. Com a eletricidade, foi possível desenvolver no Brasil a indústria têxtil, metalúrgica e siderúrgica, por exemplos. 
          Um dos grandes entusiastas da energia elétrica no país foi o industrial mineiro do setor têxtil, Bernardo Mascarenhas, cujo nome foi dado à usina posteriormente, em sua homenagem. A iniciativa partiu desse industrial que conheceu a novidade quando esteve em Paris, na Exposição Universal, em 1878, onde conheceu as novidades tecnológicas e industriais da época, se convencendo do quanto às novas tecnologias melhoravam o desempenho da produção industrial, principalmente, as usinas hidrelétricas, grande novidade apresentada na Exposição. 
          Voltou para o Brasil decidido a fazer com que a forças das águas brasileiras, fossem transformadas em energia elétrica. O Brasil precisava crescer e se desenvolver. A energia elétrica era o fator preponderante para esse desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida da população. O industrial enxergava isso, tanto é que retornou à Europa, com o apoio da Prefeitura, para introduzir em Juiz de Fora a energia elétrica urbana, substituindo a energia que naqueles tempos era a gás. 
          Foi criada a Companhia Mineira de Eletricidade (CME), de Juiz de Fora, que passou a fornecer energia elétrica para a iluminação para a cidade e redondezas. Por fim, a energia elétrica foi se popularizando, sendo instaladas nas residências a partir do início do século 20, substituindo os lampiões e lamparinas. A CME foi responsável pela energia elétrica de Juiz de Fora e região até 1980, quando foi incorporada pela Cemig. Bernardo Mascarenhas foi também o responsável por mostrar a importância da energia elétrica, bem como educar e retirar da população as desconfianças sobre a eficácia da nova tecnologia.
          As iniciativas do industrial mineiro teve todo apoio do Imperador Dom Pedro II. Foi o marco da saída do Brasil de uma economia rural totalmente rudimentar, para o fortalecimento da industrialização do país, ainda iniciante.
          Com esse propósito, de incentivar o desenvolvimento industrial brasileiro, através da geração de energia elétrica, foram importadas dos Estados Unidos as turbinas para a construção da primeira usina elétrica no continente Latino Americano. Assim sendo, nas águas do Rio Paraibuna, em Juiz de Fora, Zona da Mata, foi construída a primeira usina hidrelétrica do Brasil e da América Latina. 
          O Rio Paraibuna atravessa a Zona da Mata e deságua no litoral fluminense. Suas turbinas foram testadas em agosto e ligadas em definitivo em 5 de setembro de 1889, antes da queda da Monarquia e instalação da República, dando o pontapé inicial para o desenvolvimento industrial do Brasil. A iniciativa logo se expandiu, surgindo várias outras hidrelétricas na região, em São Paulo e por todo o país, tornando hoje o Brasil um dos gigantes do setor no mundo. Devido a grande demanda, a própria usina de Marmelos foi ampliada, tendo os primeiros equipamentos instalados substituídos por outros mais modernos.
          A inauguração da usina foi o marco na industrialização brasileira e os rios deixaram de ser apenas locais escoamento de esgoto urbano, pesca e lazer, para ser um dos fomentos do desenvolvimento nacional. As industriais têxteis passaram a produzir mais e a crescer, bem como foi propulsora do surgimento da metalurgia, siderurgia e outros segmentos industriais e comerciais no Brasil, além de ter contribuído para melhora na produção agropecuária brasileira, ainda bastante rudimentar naquela época.
FONTES: Ministério de Minas e Energia (MME), Centro de Ciências da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), IEPHA e CEMIG

quarta-feira, 11 de março de 2020

A beleza mágica da Serra o Cipó

(Por Arnaldo Silva) Durante o período colonial, a região da Serra do Cipó foi caminho para os bandeirantes paulistas que vieram para Minas em busca de ouro e pedras preciosas. Os bandeirantes chamaram a região inicialmente de Serra da Vacaria. Já no século 17, Serra da Lapa. Esse nome durou pouco tempo, já que todos chamavam a região de Cipó por conta da Fazenda Cipó, que ficava na região. Assim permaneceu e ficou até hoje o nome Serra do Cipó.(na foto acima de Tom Alves/tomalves.com.br as Cataratas do Cipó ou Cachoeira Grande, em dias de chuva e abaixo, em dias normais) 
     Naquela época, foi construída pelos escravos uma estrada com o nome de Mãe d´Água, para facilitar a passagem das tropas. Essa estrada é a que dá acesso à cachoeira “Véu da Noiva”, uma das mais belas da Serra do Cipó. (na foto abaixo de Tom Alves/tomalves.com.br, o Rio Cipó)
     Desde os primórdios de Minas Gerais, a região da Serra do Cipó sempre chamou atenção por sua impressionante riqueza natural que sempre atraiu, além de turistas, pesquisadores, não só do Brasil, mas de todo o mundo.  
    Nascentes que formam os rios Cipó e do Peixe, riachos, cachoeiras, piscinas naturais, matas nativas, fauna diversificada e sua flora, impressionante. Essa é a Serra do Cipó. 
     Segundo dados de pesquisadores, foram catalogados 12 tipos de cactos e árvores da família das goiabeiras, diversas espécies de orquídeas nativas, além de mais de mil espécies da flora local, muitas delas ameaçadas de extinção. (na foto abaixo de Wilson Fortunato, orquídea nativa da região)
     Por sua diversidade e quantidade de plantas nativas, a Serra do Cipó é considerada o “jardim do Brasil”. Para preservar tanta riqueza, foi criado em 1975 o Parque Estadual da Serra do Cipó. Devido sua importância para o Brasil, à unidade passou a ser federal , em 1984, passando a se chamar Parque Nacional da Serra do Cipó. A unidade de conservação federal engloba os municípios de Itambé do Mato Dentro, Nova União, Morro do Pilar, Santana do Riacho e Jaboticatubas, sendo este último, com cerca de 60% de seu território compondo a área do parque, que no total é de 34 mil hectares, com um perímetro de cerca de 154 km. 
     Tanta beleza e tanta riqueza natural rendeu a Serra do Cipó o título de Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, em 1950. 
     Para os amantes da natureza, de esportes radicais ou para quem curte o convívio com a natureza, contemplando as belezas das cavernas e pinturas rupestres ou mesmo ouvindo o som das águas das cachoeiras (na foto acima de Arnaldo Quintão, a Cachoeira Serra Morena), se banhando calmamente em suas piscinas naturais de águas limpas e do convívio com a simplicidade e história das cidades que fazem parte da área do parque, a Serra do Cipó é o lugar ideal. As cidades e distritos como Cipó, Lapinha da Serra, Fechados, são pitorescos, charmosos, ricos em cultura, tradição, culinária, e claro, belezas naturais impactantes. A Serra do Cipó fica apenas 90 km de Belo Horizonte, seguindo pela MG 010. 
     É uma das regiões mineiras mais procuradas por turistas, tanto de Minas, quanto de todo o Brasil. (na foto acima de Tom Alves/tomalves.com.br o Rio Cipó) Com o objetivo de promover a integração entre os municípios que compõem a área do parque e outros em seu entorno, bem como incrementar o turismo nesses municípios, foi criado em 2002 o Circuito Serra do Cipó, abrangendo os municípios de Conceição do Mato Dentro, Dom Joaquim, Itambé do Mato Dentro, Jaboticatubas, Morro do Pilar, Santana do Riacho e Santa Maria de Itabira. São cidades com excelentes opções de hospedagens e gastronomia diversificada, além serem turísticas, possuírem atrativos históricos e arquitetônicos dos tempos do Brasil Colonial. 
     Palco de uma natureza encantadora e exuberante, a Serra do Cipó possui como principais atrativos, diversas cachoeiras, piscinas naturais, grutas e cavernas, pinturas rupestres, além de locais para prática de esportes radicais. (na foto, de Sérgio Mourão, pedreira em Santana do Riacho)
Atrativos na Serra do Cipó
     O que mais atrai turistas na Serra do Cipó são as cachoeiras, destacando a Cachoeira Grande, Cachoeira da Farofa, Cânion dos Confins, Cachoeira do Tomé, Cachoeira de Baixo, Cachoeira do Gavião, Cachoeira de Braúna, Cachoeira do Riachinho, Cachoeira da Capivara e Cachoeira das Andorinhas.
     Além das cachoeiras, as estátuas em homenagem ao folclórico Juquinha, que subia a serra para coletar flores e trocar por comida e objetos é outro atrativo. Figura simples, simpática, sorridente, muito querida, com sua vida e história imortalizada na mente dos moradores da região, bem como em estátuas, tanto na Serra (na foto abaixo de Raul Moura), quando na entrada de Santana do Riacho. 
     Para os apaixonados por trilhas, na Serra do Cipó tem as trilhas do Juquinha, Trilha dos Escravos, Pico da Lapinha, Cachoeira Véu da Noiva e Morro da Pedreira, todas sinalizadas. O trilheiro pode ainda dar uma parada pelo caminho para praticar esportes de aventura, como escalada, rapel e canoagem (na foto abaixo de Raul Moura, tendo Santana do Riacho ao fundo). 
     A culinária e o artesanato da região são atrativos imperdíveis. Artesanato rico e variado, bem como a gastronomia. Vinho de jabuticaba, cachaça, queijos, doces e claro, os mais tradicionais pratos típicos da cozinha de Minas. Além de curtir as belezas da Serra do Cipó, o charme e beleza da arquitetura das cidades, o visitante não deve mesmo deixar de conhecer o artesanato e provar da culinária local.

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