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terça-feira, 31 de março de 2020

Proseando em português e mineirês

(Por Arnaldo Silva) Aqui ó gente, mesmo eu estando arroiado de trabalho, arredei a mesa para um canto e resolvi conversar um pouco com vocês, mas garanto que não estou culiado com ninguém. Vamos apiá aqui em casa, sentar a beira do fogão a lenha e prosear.
         Não vou escrever nada errado, na grafia portuguesa, só vou mostrar como é o nosso mineirês. Escrever errado é uma coisa, é falta de conhecimento de nossa língua. Sotaque são as características do linguajar e dialeto é uma variedade linguística de cada região, como por exemplo, o dialeto caipira. Entendeu? Se não entendeu, dá um jeito de entender porque eu não vou desenhar não, vou é escrever. 
         Para não atazaná oceis, vou ataiá a a prosa para que entendam bem. Já estou avisando, não é nenhuma bagaça e muito menos bobiça o que vai ler. Mas também não é para caça confusão comigo por causa disso. Capaiz que eu vou querer me enfiar em confusão. Estou é cascando fora disso.
          Quero só que entendam a diferença de escrever certo e escrever em mineirês, que não é errado, é dialeto, se escreve como se pronuncia, mas agora, entender, ai já é outra coisa, só mineiro entende mesmo.
          Arrudia todo mundo e vamos lá entender o meu causo. Se alguém ficar com dor na cacunda, levantae dá uma esticada e se reclamar, vai é levar uma cunda daquelas. Já que arrudiou aqui, cê num pode arriá logo agorinha né. Só se você não for de atacá nada, ai já é problema do seu trem.
          Vou tomá só um cadim desse cafezinho aqui na minha xicrinha, cadiquê tô gosto de cafezim quentim, descendo pelas guela antes de escrever. Assim o causo fica bão dimais da conta né sô? É aquela lasquêra uai!
          E por falar nocê sô, como cumé que está a cumade? Ceis tão bão ou não? Seus filhos continuam custosos? Eu fico só espiando eles, divera que são levados por dimais. Êta disgrama só. Tem hora que dá aquela girisa de tanta bagunça que eles fazem, mas deixa, são meninos. Deixa bagunçá a vontade.
          Mas toma um golin de café também. Não vai me fazer a disfeita de não tomar. Isso é feidimais. Pega a xícra e toma a vontade.
          Mas cumpadi, não é que estou te deixando encantoado, mas não fica encasquetado comigo não. É que quero saber quem que embuchou por essas bandas? Tem muita gente enrabichado por aqui, eu tô meio vuado dos causos aqui da vila.
          Não fica pensando que eu sou entojado e nem esteja estorvano, mas eu sempre fico veiáco com essas coisas e não gosto mesmo de me fingi di égua, mesmo que eu nem facidéia do que é ou esteja garrado em algum trem.
          Mas se não quiser falar, não tem problema. Nada de gastura compadi, fica tranquilim ai porque aqui ninguém vai inventá moda pra te intojá..
          Istudia mesmo teve um caboclin aqui e perguntou onde era a casa do Zezín da Fiota. Expliquei direitim. No dia seguinte o caboclo parou por essas bandas de novo numa brabeza danada. Ele disse que andou muito. Bobiça dele. Só que porque eu disse que era logo ali ó! Era mesmo, mais ou menos uns 300 km de a pé. Pertin né sô. Num pulin de nada ele chegava lá. Não precisava fazer malcriação comigo e nem caçuá de mim e ficar dando manota na porta da casa do zôto. Fiquei com uma raiva dele que até esqueci de colocar minha matula na capanga.
        Pelo menos aquela murrinha foi embora. Ô moço intojado sô! Estava me deixando um mucado jirizado e ainda ficou jogando nhaca nimim.
         Nusinhora do céu, me benzi com isso, curuiz incredo, mas trem ruim não pega nimim não. Mas não custa nada umas rezadinha né.
          E ainda queria fazer umas catiras comigo. Não tenho nada para catirar nem liguei. Vai ver que ele queria me passar a manta. Óia só, melhor panhá o terço na jibêra e rezá. Assim a gente vai pelejando e esquecendo o pocaso dos outros prá mode não deixar as coisas prus coco qui nem uns tipim faz.
          No final das contas eu rachei os bico de ri daquele marmota. Não estou nem quimportamilando com isso. Eu sarto é de banda mesmo. Sungo os trem pra riba e assim a gente segue em frente.
          Tem base um trem desses eu ficar com a moringa quente por isso? Pra mode quê? Quem esquenta a moringa é cabeça de fosqui eu lá tenho fucin de fosqui? Trem trapaiado sá! Não é sô, é sá mesmo. Tô falando é com a mulher do compadi agora.
          O jeito é pegar minhas trenheira e arraiá na cama né uai? A hora que eu estiver varado de fome vou lá na cozinha e como qualquer trem que tiver por lá.
          Vou esquecer aqueli tipin, já tô berando uns 50 e tantos, tá na hora de não ficar aperriado com trenzim a toa. Só sei que se ele bater por essas bandas, vou socá um trem nele que ele não mete o fucim aqui nunca mais.
          Inté logo cumpadi e cumadi que eu vou arriá de vez!

Fotografia ilustrativa de Nilza Leonel em Vargem Bonita MG)

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