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quinta-feira, 30 de abril de 2020

Cordisburgo: a cidade do coração

(Por Arnaldo Silva) Com menos de 10 mil habitantes, Cordisburgo, na Região Central Mineira, a 120 km de Belo Horizonte, é uma cidade de grande importância para a história e cultura de Minas Gerais, já que foi em Cordisburgo que nasceu o escritor, médico, diplomata, contista, novelista, romancista João Guimarães Rosa (Cordisburgo, 27 de julho de 1908 – Rio de Janeiro, 19 de novembro de 19670), considerado um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. 
          A cidade reconhece e valoriza a obra de seu ilustre filho, homenageado em com o portal "Grande Sertão Veredas", obra de autoria do artista Leo Santana. Em tamanho natural, o monumento feito em bronze é composto por seis cavaleiros montados em seu cavalo, entre eles, o próprio Guimarães Rosa, em pé e um cachorro. Os cavaleiros são emoldurados por um pórtico de chapa de aço.
          O nome do município vem junção da palavra Cordis, do latim, que significa coração e burgo, palavra da língua alemã, que significa cidade. Ou seja, Cordisburgo significa “Cidade do Coração”. Sua origem começa no século XIX com a formação de um pequeno arraial em 1883 a partir da chegada à região do padre João de Santo Antônio. O povoado cresceu e foi reconhecido como distrito entre 1890/1891 com o nome de Cordisburgo da Vista Alegre e por fim, emancipada em 23 de dezembro de 1938, adotando o nome de Cordisburgo. O município faz divisa com Curvelo, Araçaí, Paraopeba e Santana de Pirapama.
A cidade é cidade pacata, aconchegante, charmosa e com atrativos turísticos, naturais e arquitetônicos impressionantes, belas praças, igrejas singelas como a Capela de São José que vê abaixo e outros atrativos, mostrados na sequência.
Pontos turísticos de Cordisburgo
Matriz do Sagrado Coração de Jesus
          A Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus é um dos destaques de Cordisburgo por sua beleza arquitetônica, tanto interior, quanto no exterior e pela bela praça e casario, que compõem o conjunto da Matriz. 
          A arquitetura da igreja foi inspirada no ecletismo, um estilo arquitetônico que surgiu na Europa no final do século XIX, cuja ideia principal era combinar os principais elementos da arquitetura medieval, clássica, renascentistas, barroca e neoclássica num só estilo. O ecletismo influenciou a arquitetura em todo o mundo. Posteriormente, este estilo sofreu grande influência da Art Déco, que também surgiu na Europa, em 1910. Esse estilo abrangia não apenas a arquitetura, mas as artes visuais, moda, pinturas, design, etc., combinando estilos modernistas com o estilo eclético, surgindo uma arte diferente e moderna, para a época. O Ecletismo e Art Déco foram os principais estilos para as novas construções no mundo, principalmente de templos religiosos, até meados do século XX, quando estes estilos predominavam na arquitetura e artes visuais.
          No Brasil, boa parte dos templos construídos no início do século XX foi em estilo eclético ou eclético e Art Déco junto. Um desses templos é a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, cujas linhas arquitetônicas têm a influência do ecletismo e Art Déco em seus traçados, principalmente na parte exterior frontal e em seu interior, destacando o piso em ladrilho hidráulico, na iluminação com luminárias verticais, uma das marcas do ecletismo e nas janelas e vitrais.
Casa de Guimarães Rosa
          A casa em que nasceu Guimarães Rosa foi transformada em museu em 1974, dedicado à vida e obra do famoso escritor brasileiro, bem como mostra como era a vida, os móveis, os utensílios domésticos, as vendas, roupas do início do século passado e outros objetos que pertenciam à família do escritor de “O Grande Sertão Veredas”. 
          É uma típica casa do interior mineiro do início do século XX, bem preservada e com história em cada detalhe, bem como a venda do pai de Guimarães Rosa, que funcionou até 1923. Tudo original com uma imensa riqueza cultural e histórica.
Zoológico de Pedras Peter Lund
          A Praça Peter Lund é um atrativo interessante de Cordisburgo. Têm bancos, coreto, jardins, árvores, mas um toque especial mestre de obras e escultor Stamar de Azevedo Júnior, o popular Tazico, transformou a praça num dos grandes atrativos da região. (foto acima e abaixo de Lee Camargo)
          O escultor esculpiu estátuas de animais do período Pleistoceno, usando telas, areia e cimento. Esses animais foram identificados pelo dinamarquês Peter Lund, que encontrou fósseis de várias espécies de animais que viveram na região há centenas de milhares de anos Dentre essas espécies estão a Preguiça-gigante, o Tigre-dente-de-sabre, o Toxodante, a Preguiça-pequena, o Tatu-gigante e o Mastodonte. Por isso a praça passou a ser chamada popularmente de Zoológico de Pedras.
Casa do Elefante
          Outra grande obra do Stamar, que pode ser vista logo na entrada da cidade, é a Casa do Elefante. Com 8,5 metros de altura e 12 metros de largura foi construída em estrutura de ferro, tijolo e cimento. A casa replica um elefante com detalhes artísticos nas unhas, pintadas de bege, cílios de arame, olhos de acrílico, dentes feitos com ferro, gesso, fibra e papelão. Da tromba, jorra água que rega um pequeno jardim com uma flor que representa, para os budistas, a pureza espiritual, a flor de lótus. 
          A obra, custeada com recursos próprios do escultor, foi inspirada na deusa hindu Lakshmin, que representa vitória e sucesso, representado na figura de uma elefanta e não de um elefante. Seria então a Casa da Elefanta, mas popularizou-se como Casa do Elefante e assim é chamada. A elefanta é ornamentada de acordo com as tradições indianas.
Gruta do Maquiné
           É uma das principais grutas do Brasil, considerada como o berço da paleontologia brasileira e uma das mais belas do mundo. Foi descoberta em 1825 pelo fazendeiro Joaquim Maria Maquiné, por isso o nome. O cientista e naturalista dinamarquês, Peter Wilhelm Lund, passou a estudar e pesquisar a gruta a partir de 1834. A Gruta de Maquiné (foto acima de Fernando Campanella)  tem 650 metros de galerias e sete salões que são o Salão do Vestíbulo, o Salão das Colunas, do Trono, do Carneiro, dos Lagos, das Fadas e do Dr. Lund, todos devidamente iluminados e com passarelas, que permitem aos visitantes conhecerem a gruta. A visita é acompanhada por guias especializados. Na gruta existem pinturas rupestres e formações rochosas impressionantes.
O Arraial do Conto
          O casario, a cozinha, a capela e os traçados das ruelas do Arraial do Conto foram inspirados nas construções do barroco mineiro dos séculos XVIII e XIX. Lembra perfeitamente uma típica vila colonial com ruas calçadas em pé-de-moleque, casas e casarões em estilo colonial, cozinha tradicional, com fogão a lenha de onde saem os tradicionais pratos da culinária mineira e ainda, uma charmosa capela com traços arquitetônicos das antigas igrejas do interior mineiro, dedicada a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
No Arraial do Conto podemos encontrar um alambique tradicional que produz a autêntica cachaça mineira, passeios de charretes, um enorme galpão que lembra as antigas fábricas de tecidos da região, bem como a Venda do Emídio, uma autêntica e impressionante réplica das antigas vendas mineiras, em todos os seus detalhes. 
          Lugar charmoso, aconchegante, com uma tranquilidade e sossego impressionante! Esse lugar que mais parece um sonho é um hotel e fica na zona rural de Cordisburgo. Rodeado por exuberante paisagem, o Arraial do Conto mostra de forma viva e concreta, a cultura mineira em sua arquitetura, religiosidade, tradição e culinária.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

A menina da roça e a panelinha preta

(Por Maria Mineira) Demorou, mas finalmente a família se mudou para a cidade e o sonho de ir para a escola, se realizaria! Caderno e lápis no embornalzinho feito no tear da avó. Rosto emoldurado por duas tranças, chinelos havaianas, um pé de cada cor...Assim, aquela menina tímida adentrou o portão do Grupo Escolar pela primeira vez.
          Receosa, sob os olhares de dezenas de crianças, muitas iguais a ela, mas outras calçadas com sapatos de verniz preto e meias brancas. Ao perceber que era alvo de cochichos e risos, encolheu-se feito bichinho do mato. O sinal tocou avisando que a aula começaria...
          De volta à casa, pergunta à mãe:
— Mãe, gente que vem da roça é tudo bobo?
—"Não, minha fia, nóis é tudo igual, tanto faiz nascê na roça ou na cidade, é todo mundo fi de Deus..."
— É qui os minino da escola dissero que eu sou boba e feia e qui num tenho sapato. Ês falaro qui num qué rocêra lá, não.
          A mãe passou a mão nos olhos tentando socorrer a tempo, uma lágrima teimosa que começava rolar...
          Maria, desde que se mudara para a cidade levava almoço até onde o pai trabalhava. O cardápio era sempre o mesmo: arroz com feijão, carregados numa panelinha de ferro, pois na casa faltava uma marmita de alumínio.
          De pés no chão e vestido de chita, ia satisfeita pelas ruas poeirentas, que na época não eram calçadas. Seu sossego teve fim quando em uma rua deserta, quatro meninas maiores e muito bem vestidas se aproximaram:
— Olha só, se não é a bobinha da roça que entrou na escola!
— Ieu tô levano armoço pro meu pai... Ocêis qué, o quê?
— Queremos ver o que tem nessa panelinha preta de carvão!
— Uai, é cumê , igual todo mundo come.
— Aposto que só tem arroz com feijão, porque você é pobre e gente pobre de roça, come só isso.
— Num vô contá e nem mostrá procêis o qui tem aqui, não!
— Então, vamos tomar sua panelinha à força!
          Maria era ágil, acostumada a correr pelos campos, foi fácil se adiantar, escapulindo das meninas. A partir desse dia, sua vida virou um tormento. Inúmeras vezes chegou ao trabalho do pai, suada de tanto correr e ele reclamava do almoço frio e revirado na panela. Houve dias em que Maria tropeçou, deixando a panela cair entornando todo o conteúdo, o que lhe rendeu umas boas chineladas. Mas nunca teve coragem de contar a ninguém, pois ameaçavam bater também em seus irmãos menores, caso ela contasse.
          Acreditava em anjos da Guarda, desde que seu avô lhe dissera que toda criança tem um anjo que a protege dos perigos. Toda noite pedia ao seu anjo Benedito, (ela o batizara assim).
— Dito, ajuda eu a corrê munto! Ajuda eu a num trupicá! Ajuda eu a num dirrubá o armoço do pai! Dito, protege eu sempre. Amém!
          Um dia, a mãe de Maria foi ajudar numa festa em homenagem aos santos Cosme e Damião, onde seria oferecida uma mesa farta à crianças menores de sete anos. Evento muito comum naquele tempo, denominado “Mesa dos Inocentes”. Era um verdadeiro banquete que acabava virando festa para várias famílias.
          A menina brincava com as outras crianças, quando a mãe lhe entregou a velha panelinha preta para levar o almoço do pai. Esse dia, ela estava cansada, pois havia acordado cedinho para tomar conta dos irmãos menores.
          Na rua, antes que pudesse correr, foi cercada pelas famigeradas meninas. Nesse dia, não teve como fugir. Por mais que pedisse, não tiveram piedade e aos arrancos lhe tomaram a panela das mãos.
— Hoje vamos ver o arroz com feijão que a Jequinha leva pro pai dela!
— Anda logo! Vamos derramar tudo no chão de uma vez!
Impotente, Maria chorou... Prevendo a vergonha que ia passar dali em diante, depois que o assunto se espalhasse na escola. Todos saberiam que em casa comiam praticamente só arroz com feijão.
          Enquanto duas meninas seguravam-na pelos braços, outra abriu a panela e olhou... Rosto corado e sem graça, a menina da cidade saiu devagar sem dizer palavra. As outras após virem o conteúdo da panelinha, se foram mudas e sem olharem para trás...
          Maria levantou-se do chão, sem entender o que havia acontecido. Retirou a tampa e qual não foi sua surpresa quando viu lá dentro: arroz, feijão tropeiro, macarronada, batatas, salada e um grande pedaço de lombo assado.
          Limpou as lágrimas com as mãozinhas sujas de poeira da rua, na inocência seus nove anos de idade, olhou para o céu e disse:
— Dito, brigada, purque hoje ocê, colocou cumê bão na panela do pai.
          O tempo passou... aquela menina cresceu e nunca perguntou à mãe se foi ela quem abasteceu a panelinha com as comidas da festa de Cosme e Damião. Desconfio que acredita em anjos, até hoje...
(História real vivida por Maria Mineira, professora e escritora em São Roque de Minas)

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Detalhes tão pequenos de uma vida

(Por Maria Mineira) Conservo na pele, algumas cicatrizes dos tombos e arranhões que machucaram a menina de roça que fui e acho que ainda sou, na alma, pelo menos...
          Era tarefa minha, recolher gravetos para acender o fogão e esquentar no grande caldeirão, a água para o banho de bacia dos irmãos menores. Eu não gostava de catar lenha; costumava espinhar o pé, me arranhava toda, andando no mato.
          Várias vezes subi nas árvores para ficar mais perto de Deus e pedir uma vida melhor. Hoje, vejo que as marcas na pele são insignificantes quando me lembro daquele tempo...
          O fogão à lenha da cozinha de meus avós era de cimentado de cor vermelha. O que ficava na varandinha era barreado com tabatinga, tinha em cima um bule esmaltado com desenho de um ramo de flores. O fogo sempre aceso, aliás o ato de se acender fogo era uma arte.
          A vassourinha não deixava o fogão sujo de cinzas. Minha avó aproveitava a cinza para fazer barrela, que facilitava a limpeza das panelas e a diquada — um caldo marrom extraído das cinzas — era usada para fazer sabão preto de bola, que ficava guardado debaixo do fogão para não melar.
          As escritas das latas de mantimento despertavam minha curiosidade. Pedia a mamãe que lesse o que estava escrito e ela dizia que as bolachas tinham meu nome, “Bolachas Maria.”
As prateleiras eram forradas com toalhinhas bordadas à mão, ainda do enxoval. Os panôs na parede com dizeres escritos com linhas e agulha, o banco com as latas de querosene, guardavam a carne de porco, o bucho recheado, latas de biscoito de polvilho, de farinha de milho, de mandioca, de moinho... Tudo muito limpo e asseado!
          A banquinha com os dois potes de barro conservavam a água sempre fresquinha. Os potes eram cobertos com toalhinhas redondas de renda turca ou crochê. Sem esquecer a caneca boca-dentada, destinada a tirar a água estrategicamente feita para as crianças não colocá-la na boca e assim “babujar” a água.
          As toalhas de banho, os panos de prato, feitos com sacos de sal ou açúcar alvejados e arrematados com franjas torcidas. Os embornais, com retalhos das calças de brim ou tergal. Hoje seriam chamados hoje, de sacolas ecológicas em patchwork.
          A mesa da cozinha com garrafas de pimenta, farinheiro e moinho para moer o café torrado a cada vez que era coado, sempre adoçado com as rapaduras guardadas numa tábua acima do fogão.
          As gamelas, os balainhos, jacás, canudos para transportar galinha, o tacho de cobre comprado da tropa de ciganos, a cestinha de ovos, feita de litro, parecida com lanterna japonesa. As lamparinas que iluminavam as noites e nos faziam amanhecer com o nariz cheio de fuligem. As colheres de ferro encomendadas ao senhor Rodantino, um artesão, salvador da pátria, o faz tudo, conserta tudo. Obrigada, Seu Rodantino, onde estiver...
          E o alpendre? Se tinha uma caixa de marimbondo ninguém mexia, pois trazia prosperidade, era bom. Inesquecíveis os mistérios do “isso faz mal”. Era costume colar na porta de entrada, uma oração forte como, por exemplo, a da Estrela do Céu. Pregava-se também o calendário, a Folhinha Eclesiástica, que trazia a previsão do tempo, para o ano inteiro, os nomes dos santos dos 365 dias do ano. Foi a Folhinha Mariana que serviu de inspiração para meus pais me batizarem de Maria do Carmo, pois dia 16 de julho: Nossa Senhora do Carmo — a folhinha era brinde da loja do senhor Edgar Matos.
          Os almanaques de farmácia, meu avô colecionava o “Almanaque Fontoura”, brinde muito aguardado, pois trazia informações, curiosidades e passatempos. Infelizmente não foram preservados e hoje não tenho o prazer da leitura, de observar as ilustrações.
          Os compridos jiraus branquinhos de blocos de polvilho para isbrugá. Ou melhor dizer, esfarelar e secar ao sol. O feijão para bater, pegar a roupa do coradouro, levar o doce de manga para a cristaleira. Lavar a casinha de queijo, dar milho às galinhas, coisa que eu mais gostava, sempre havia um bando de galinhas, patos, angolas, perus me acompanhando quando me viam no terreiro, pois eu carregava uma espiga de milho. Outas tarefas eram: procurar o olho das formigas cortadeiras dos pés de rosa, regar o pé de jasmim, sem esquecer de jogar água nos penicos onde se plantava flor-de-maio e malva cheirosa. Após construírem a “casinha”, os penicos esmaltados serviram para plantar flores.
          Minha avó Geralda era adepta dos chás. Sabia fazer chá para curar de um a tudo. Havia uma horta de couve que era cortada por um rego d’água, para facilitar na hora de aguar as hortaliças, que cresciam viçosas. Eu e os irmãos ajudávamos no plantio do alho, plantado religiosamente na Sexta-Feira da Paixão, da alface e do quiabo. Quiabo só podia ser semeado por crianças, para o pé não ficar muito e produzir rápido.
          Aprendi a rezar o terço ainda menina e acompanhava vovô Joãozinho nas rezas em torno do oratório de madeira, decorado com os santos de devoção da família. Nas novenas, unidos, os vizinhos rezavam apertando as contas do rosário com fé, pedindo e agradecendo as bênçãos do céu.
          Era costume guardar as folhagens benzidas no Domingo de Ramos e quando se via o clarão seguido daquele ronco de trovão, ecoando no cinza escuro do céu, recorríamos aos ramos bentos, enquanto com as mãos postas pedíamos socorro aos santos das tempestades:
          – Santa Bárbara, São Jerônimo, valei-nos!
          À noite, nos reuníamos na cozinha para contar muitos causos, acompanhados de café com quitandas e muitas risadas. Naquele tempo não se usava a palavra serão ou hora extra, apenas se combinava para descascar mandioca à noite, depois da lida diária.    A vizinhança se ajuntava para ajudar e todo o trabalho era para se produzir a farinha ou polvilho no outro dia cedinho.
          Sei que hoje em dia é preciso de muito mais que brasas para aquecer o caldeirão onde moram os sonhos, é necessário mais que rapaduras para adoçar uma vida. Mas quem viveu algo parecido sabe que essas lembranças são preciosas. Nem o tempo vai conseguir esfriar o calor da chama do fogão à lenha da nossa memória.
*As fotos ilustram um pouco da minha história... Maria Mineira, professora e escritora em São Roque de Minas

Aprendendo a fazer pirraça

(Por Arnaldo Silva) Pirraça é um tipo de biscoito tradicional de Felício dos Santos MG, charmoso e aconchegante município mineiro do Vale do Jequitinhonha, famoso por suas águas quentes, cultura, artesanato e gastronomia. Da cidade sai essa iguaria diferente e saborosa e bem fácil de fazer.
O ingrediente principal é a fécula da mandioca, também chamada de goma ou polvilho doce. Fécula de mandioca e polvilho doce são a mesma coisa. Já o polvilho azedo não, já que é a fécula fermentada ao sol. Fécula de mandioca é vendida em supermercados, mas preste atenção porque existe fécula de mandioca e de batata, que são diferentes. A receita é com a fécula ou polvilho doce de mandioca.
Você vai ter que usar um fogão de pedra ou um fogão com uma chapa de aço. Se tiver disco de arado, melhor ainda.
A receita do biscoitinho pirraça é simples:
- 1 quilo de fécula de mandioca
- Água
- Sal a gosto.

Modo de fazer

- Numa bacia, coloque o polvilho, o sal e dissolva em água filtrada e fria, o suficiente para que fique na consistência de um mingau ralo.
- Com a chapa no fogão já quente, unte com óleo de cozinha, manteiga ou banha de porco toda a chapa.
-  Enfie a mão na bacia onde está o polvilho e deixe o líquido escorrer pelos dedos e vá despejando em forma circular na chapa, como pode ver nas fotos acima. Vai parecer um rolo de arame farpado. (como pode ver nas fotos acima e abaixo)
 - Vá espalhando o líquido na chapa, sempre em forma circular até que fique da forma com vê na foto abaixo.
- Assa rapidinho. Ao final, pegue uma das extremidades e dobre ao meio e depois mais uma dobra, formando um lenço, como pode ver na foto abaixo acima e abaixo e deixe assando mais um pouco, virando ao contrário para assar por igual.
- Por fim, espere esfriar um pouco e sirva. Fica bem crocante.
(Fotografias e receita passada por Mary Rodrigues de Felício dos Santos MG)

terça-feira, 14 de abril de 2020

Biribiri: charme, natureza e história

(Por Arnaldo Silva) Uma bucólica, charmosa, atraente e histórica vila mineira, inserida no interior dos 17 mil hectares do Parque Estadual do Biribiri, criado em setembro de 1998, na Serra do Espinhaço. Essa área, protegida pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) abriga uma rica flora nativa, bem como espécies de nossa fauna como o gambá, jandaia-da-testa-vermelha, a codorna-mineira, o capacetinho-do-oco-do-pau, o pica-pau-da-cabeça-amarela, a onça-parda, o lobo-guará, o carcará, o gavião do Cerrado, dentre outras espécies. (foto abaixo de Giselle Oliveira)
          Esse lugar, rodeado por exuberante natureza como a cachoeira da Sentinela e a dos Cristais, cujas rochas foram cortadas com talhadeiras em busca de diamantes no auge da mineração são os principais atrativos naturais. Tem ainda o Poço da Água Limpa e o Poço do Estudante, matas nativas com trilhas, o caminho calçado por escravos, cascatas diversas e rios, como o Rio Biribiri, que moveu as turbinas de uma hidrelétrica gerando energia para o casario e fábrica de tecidos que funcionava na região.
          Esse lugar de beleza cênica é Biribiri, a 15 km de Diamantina, no Alto Jequitinhonha, a 290 km de Belo Horizonte. (foto acima de Elvira Nascimento)
          O termo biribiri tem vários significados. É uma fruta da família da carambola. É também um peixe nativo da região Amazônica e para os africanos, é um tambor de guerra e buraco grande pelos antigos na linguagem indígena tupi-guarani. (fotos acima de Elvira Nascimento a Cachoeira do Sentinela e abaixo, Cachoeira dos Cristais)
          Para os mineiros, é uma das mais lindas vilas que temos. A vila foi construída no final do século XIX, em 1876, com igreja e moradias em estilo colonial, para abrigar funcionários da Companhia Industrial de Estamparia, uma antiga fábrica de tecidos, hoje desativada. Em Biribiri a vida passa tão devagar que parece que o lugar parou no tempo. (foto abaixo da Giselle Oliveira)
          Quando de sua construção e em plena atividade, contava com 32 casas habitadas, uma escola, um clube, uma usina hidrelétrica, igreja e uma população de cerca de 600 pessoas. Com a extinção da estrada de ferro na região, na década de 1970, a fábrica entrou em declínio, fechando suas portas. Com o fechamento da tecelagem, seus moradores foram embora, em busca de emprego em outras cidades. A vila chegou a ficar completamente desabitada. Ficou a história e a beleza do casario e igreja da Vila, tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), mantido pela Cia Estamparia como museu vivo da história de Minas Gerais, garantindo assim a preservação do patrimônio.
          A vila (na foto acima de Raul Moura) hoje é completamente vazia, com a presença de alguns vigilantes e poucos moradores, que conta-se nos dedos. Por isso é chamada de “vila fantasma”. Sua história e o charme do seu casario, além das belezas naturais envoltas à vila, atraem visita de turistas que vem ao local conhecer o charme, sossego e paz que Biribiri proporciona, além de contemplar a beleza de suas cachoeiras e paisagens, além da própria vila. Em Biribiri tem um bar que serve deliciosos tira gostos e um restaurante, com comidas típicas mineiras.
          Em Diamantina (na foto acima de Elvira Nascimento) existem guias que acompanham turistas até a vila, bem como pousadas e hotéis para os turistas se hospedarem.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Sem colher, sem garfo e com as mãos

(Por Arnaldo Silva) Uma parte da casa dos mineiros faz parte da cultura, tradição e história. Essa parte é a cozinha. A nossa culinária faz parte da identidade cultural e histórica, que move nossas tradições. Uma fusão perfeita entre as sofisticadas receitas portuguesas, com a cozinha africana e indígena, que deu origem as cores e sabores da melhor cozinha do Brasil. (a foto que ilustra a matéria é de Sérgio Mourão, é de um tropeiro atravessando o Rio Paraúna, em Cemitério do Peixe, distrito de Conceição do Mato Dentro)
          A história da criação dos pratos da culinária não só mineira, mas brasileira, não foi tão simples assim não. Num país recém-descoberto e ainda em povoamento, portanto, sem uma base alimentar existente, conseguir comida era difícil e os primeiros pratos surgiram por necessidade mesmo.
          A vida era difícil até para comer. Não existiam talheres e nem pratos. Garfos, facas, colheres, pratos e panelas de ferro fundido, eram artigos de luxo, presentes apenas nos palácios das realezas europeias e nos imponentes casarões dos ricos da época. 
          No Brasil chegou pelas mãos dos portugueses que vieram para cá atraídos pelo ouro, principalmente em Minas Gerais. Mas o uso de talheres e pratos ficava restrito à fidalguia, já que não existia produção desses itens no Brasil e eram caríssimos. 
          Caldeirões e panelas de ferros eram levados pelos tropeiros, mas eram utensílios que viam de Portugal, por não existir à época fundição de ferro no Brasil, tendo surgido tal ofício apenas no século XIX. A maioria da população usava como pratos as cuias de cuité e cabaças, colheres rústicas de madeira e panelas feitas com barro ou pedra sabão. (o artista plástico Rui de Paula retrata em sua tela a chegada de tropeiros em Ouro Preto)
          O problema não era tanto fazer a comida, era como comê-la. Como não tinham talheres e a maioria sequer sabia o que era uma colher ou garfo, comiam era com as mãos mesmo. Nem precisa dizer que as noções de higiene e asseio nos tempos antigos eram mínimas. Comer com as mãos era comum no mundo todo àquela época. Para comer alimentos líquidos, como mingau de milho verde ou caldos, usavam cavacos, que eram pedaços de cuias de cuité ou cabaça que servia de colher. Era pequenos pedaços mesmo, por isso o nome, cavacos.
          Por comerem com as mãos, os alimentos que surgiam visavam facilitar a vida dos tropeiros, viajantes e demais pessoas. Detalhe que a comida mineira na época não era muito salgada. Isso porque o sal era um produto difícil de chegar aos rincões do nosso sertão, porque vinha do litoral, em lombos de burros. Demorava em chegar e quando chegava, já estava bem deteriorado. Por isso era pouco usado na culinária e continua sendo. Mineiro não gosta de comida salgada.
          Um dos pratos apreciados naqueles tempos era o Feijão Tropeiro já que era fácil de comer com as mãos. Quando descobriram que da mandioca ralada saia uma farinha ótima, aumentou a opção de comida mais fácil. Assim surgiu a nossa famosa farofa. À farinha era misturada carne de sol, carne na lata, queijos, verduras, linguiça, rapadura, etc. Da farinha de milho surgiu o nosso famoso fubá suado com queijo ou carne de sol desfiada. Era fácil pegar um punhado com as mãos e levar à boca.
          Bolos, biscoitos e bolinhos também, bem como milho, mandioca e batata assados na brasa. Quando se comia doces, por exemplo, usavam rapadura ou queijo para pegá-los, que serviam mais ou menos como colher. Desse hábito surgiram boas combinações, hoje tradicionais em nossa mesa, como o queijo com a goiabada e com doce de leite. 
          Outro detalhe para facilitar a vida na hora de comer naqueles tempos, era o corte nos produtos. Quando no lugar existia faca, os cortes das carnes e verduras, por exemplo, eram bem grandes, nada de picadinho. (mais ou menos como na foto acima da Regina´s Farm/Fazendinha da Regina) Quando não tinha faca para cortar, eram cozidos por inteiro. Se cortados, era no máximo em duas ou três partes, tudo isso para facilitar pegar os alimentos com as mãos.              As origens dos principais pratos da nossa culinária foram nas cidades que tiveram maior presença dos portugueses, bandeirantes e africanos, que para cá vieram com a descoberta do ouro em nosso território. Cidades como Ouro Preto, Serro, Santa Bárbara, Catas Altas, Mariana, Sabará, Santa Luzia, Diamantina, dentre outras tantas que receberam grande número de europeus, bandeirantes, africanos, juntando com os indígenas que já viviam em nosso território, foram os que deram início a formação de nossa rica culinária, cultura e arquitetura. Deixaram receitas, hoje parte da história de Minas e da nossa culinária. São receitas que permanecem em nossas mesas há mais de 300 anos.
          Deu para perceber que comer naqueles tempos não era nada fácil. Nem imagina como era a vida dos tropeiros pelos rincões de Minas. Com o crescimento populacional, foram surgindo povoados e cidades e também, bem como lugares para os tropeiros e viajantes comerem, descansarem e alimentarem seus animais. Encontrar lugar para comer era difícil, mas existia. Esse lugar chamava-se Casa de Pasto. (o artista plástico Rui de Paula retrata em sua tela a chegada de tropeiros em uma de suas paradas, em Ipoema, distrito de Itabira)
          Os tropeiros, viajantes ou mesmo quem morasse nas redondezas podiam entrar e comer. Seria hoje um restaurante em beira de estrada. Nas casas de pasto deixavam os animais para tomar água e descansar, enquanto comiam, com as mãos, claro. 
          Nas grandes cidades da época como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador, Ouro Preto, dentre outras, existiam pequenas confeitarias e casas de pastos. Eram bem poucas, mas existiam. Passaram a crescer em número, a partir de meados do século XIX quando começaram a servir refeições em pratos esmaltados, com garfo e colher. Foi uma novidade na época. Uma curiosidade geral que atraiu atenção de todos que viviam nas cidades. Queriam saber como era comer num prato com garfo e colher.
          Nessas casas tinha-se a opção de comer em pratos com colher e em pratos com garfo. Isso dependia do prato. Por exemplo, se fosse um frango ao molho pardo, que é um ensopado de frango cozido no sangue do frango dissolvido em água, melhor era com colher. Mas se o prato fosse carne na lata com batatas ou mandioca, era mais prático o garfo. Os pratos podiam ser acompanhados de cachaça ou de vinho. Se você não sabe, o vinho existe no Brasil desde o século 18 e a primeira produção de vinhos no Brasil foi em Minas Gerais, nas terras do antigo Arraial do Tejuco, hoje Diamantina.
          Com a riqueza do ouro e diamante, os portugueses que para cá vieram sentiam falta do bom vinho do Porto. Como era difícil trazer a bebida para cá, já que teria que vir de navios e levava meses, trouxeram foram sementes de uvas e começaram a produzir vinhos nas terras altas de Diamantina.
          Somente no final do século XIX e início do século XIX, que o vinho se popularizou no país com a chegada dos imigrantes europeus que para cá vieram trabalhar. Bem antes dos portugueses começarem a plantar uvas e fazer vinhos em Minas, no Mosteiro de Macaúbas, desde o início do século XVIII se fazia vinho de rosas. Receita guardada a sete chaves pelas freiras reclusas do mosteiro, até os dias de hoje. Em Catas Altas, na Região Central do Estado, desde meados do século XIX se produzia vinhos de uva e agora de jabuticaba.
          No século XIX começaram a surgir pequenas indústrias de fundição, que faziam talheres, panelas de ferro, facas, pratos esmaltados e outros utensílios, popularizando esses itens entre todas as camadas da sociedade, bem como uma melhor noção de asseio e higiene que começou a ser mais difundido no país a partir de 1870.
          Mesmo hoje ainda tem gente que gosta de comer uma farofa ou pegar um punhado de tropeiro na mão e comer. Eu sou um deles, mas lavo as mãos direitinho.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Cabeça de Boi: sossego, natureza e simplicidade.

(Por Arnaldo Silva) Rodeada pela impactante Serra do Espinhaço, Itambé do Mato Dentro fica a 121 km de Belo Horizonte. É uma pacata e aconchegante cidade, com pouco mais de dois mil habitantes. (foto acima de Mateus Perdigão) O município tem forte vocação para o turismo, graças as suas belezas naturais impressionantes. Destaca-se ainda na cidade pequenos comércios, a culinária típica mineira e a produção agropecuária, principalmente o cultivo de bananas. Itambé do Mato Dentro faz divisa com Morro do Pilar, São Sebastião do Rio Preto, Passabém, Santa Maria de Itabira, Jaboticatubas e Santana do Riacho.
Além da simplicidade e beleza da cidade, entre a Serra do Cipó e a Serra do Lobo encontra-se o maior atrativo turístico de Itambé do Mato Dentro, o distrito de Santana do Rio Preto, mais conhecido como Cabeça de Boi (na foto acima de Mateus Perdigão). Tem esse nome devido a um produtor rural, que ao invés de se dedicar a atividade agrícola, vocação do distrito, investiu em bois, introduzindo várias cabeças de bois em sua propriedade. Assim a localidade começou a ser chamada de Cabeça de Boi, embora seu nome oficial seja Santana do Rio Preto.
 O lugar é pitoresco, seus moradores são simples e hospitaleiros. É uma típica vila mineira, onde nos fins de tarde, seu povo se encontra na pracinha principal para colocar a prosa em dia. Para quem gosta de uma boa moda de viola caipira e deliciosos tira gostos, a dica é o Bar do “Sô” Agostinho (na foto acima do Barbosa) ou então, a deliciosa comida mineira do restaurante do Vicente, destacando a sua famosa batata chip, que todo visitante adora.
Cabeça de Boi é tranquilidade, sossego e calmaria. O único barulho que se ouve na vila é o dos pássaros e o som das águas.(foto acima de Mateus Perdigão) Essa beleza e calmaria, simplicidade e paz, atraem centenas de visitantes à vila para vivenciarem a natureza, tomar banhos em suas águas limpas e cristalinas, que formam belíssimas cachoeiras, destacando a Cachoeira do Intancado, do Lajeado e das Maçãs, as mais procuradas. Amantes de esportes radicais como escalada, tirolesa, rapel, rafting, wakeboard, bungee jump e trilheiros, estão sempre presentes em Cabeça de Boi, já que a charmosa vila oferece todas as condições de praticar esses esportes. (na foto abaixo de Arnaldo Quintão, a Cachoeira do Intancado)
Em Itambé do Mato Dentro o visitante encontra três aconchegantes e charmosas pousadas e restaurantes com comida caseira. A cidade é bem tranquila e um convite ao relaxamento, sem o estresse das grandes cidades. Já em Cabeça de Boi não tem posto de gasolina e nem caixa eletrônico. Sinal de celular, só da Vivo. Do centro da cidade até Cabeça de Boi, são cerca de 10 km, mas não tem ônibus para o local. O visitante teria que vir de carro, moto ou em grupos de vans. Caso contrário, o jeito é pegar um taxi até o distrito. As cachoeiras e paisagens ficam próximas ao povoado e tem acesso gratuito. São cerca de 1hora e 30 minutos de caminhada. Se perguntar aos moradores locais, eles darão todas as orientações. (na foto abaixo de Sérgio Mourão, a Cachoeira das Maçãs)
 Para chegar a Itambé do Mato Dentro o caminho é pela BR 381. Ao chegar a João Monlevade, siga em direção a Itabira, prestando atenção nas placas indicativas. De Itabira até Cabeça de Boi são 50 km. Se vir de ônibus, na Rodoviária de Belo Horizonte, compre passagens no guichê da empresa Saritur direto para Itambé do Mato Dentro. Chegando à cidade, pegue um táxi. Como foi dito acima, não há ônibus direto para o distrito. (na foto abaixo de Arnaldo Quintão, estrada para Cabeça de Boi)
Uma época boa para ir a Cabeça de Boi é em julho, no inverno. Isso porque acontece tradicionalmente no distrito o Festival da Banana, fruta com cultivo tradicional não só em Cabeça de Boi, mas em todo o município de Itambé do Mato Dentro (na foto abaixo de  Vinícius Barnabé). 
Durante a Festa da Banana, os moradores enfeitam a vila, montam barracas de bambu para realizar uma das mais tradicionais festas da cidade e região. Durante os dias da Festa da Banana são realizados shows musicais diversos e apresentações típicas das festas juninas como, casamento na roça, barraquinhas com comidas e bebidas típicas juninas e bananas com os pratos preparados com a fruta, como banana com melado.

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