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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Trem ligará BH ao Inhotim em Brumadinho

(Por Arnaldo Silva) Minas Gerais terá um novo trem de passageiros que ligará Belo Horizonte ao Inhotim. A linha poderá ainda ser estendida até a comunidade de Marinhos, em Brumadinho. O trem terá capacidade para transportar até 1400 passageiros por viagem. O projeto apresentado pelo Ministério do Turismo e Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais a executivos da Vale, em fevereiro de 2019, prevê 4 viagens por dia, totalizando o transporte diário de até 5.600 passageiros. 
          A intenção do governo é tirar do papel um antigo projeto de trem turístico diário lingando o Museu de Artes e Ofícios, na Praça da Estação em Belo Horizonte, ao Museu de Arte Contemporânea do Inhotim, em Brumadinho. 
          No dia 25 de janeiro de 2019 a barragem do Córrego do Feijão da Vale se rompeu, causando mortes, devastação ambiental e perdas na arrecadação do município, gerando um grande impacto no turismo na região. A implantação dessa linha seria bancada pela Mineradora Vale, como medida compensatória pelos danos causados à ao turismo e economia local. 
          Em novembro de 2020, esse assunto foi debatido entre os deputados mineiros, integrantes do Governo de Minas, diretores do Inhotim, representantes da comunidade e Organizações Não Governamentais,  durante audiência pública, na Assembleia Legislativa de Minas. Para a linha férrea ser construída e entrar em funcionamento, depende de um acordo os Poderes Públicos com a mineradora, que está sendo discutido. 
          Segundo o Ministério do Turismo, que está empenhado na implementação dessa linha de trem turístico, os representantes da Vale declararam que vão apoiar e executar o projeto que será primordial para o crescimento do turismo em Brumadinho, sem ainda um acordo conclusivo sobre a instalação da linha. As conversas continuam entre o Ministério do Turismo, Governo de Minas, Ministério Público, Assembleia Legislativa, o Inhotim e a comunidade de Brumadinho.
Projeto antigo
 
          O projeto dessa linha de trem ligando Belo Horizonte ao Inhotim (na foto acima da Sônia Fraga), em Brumadinho, não é recente. Surgiu há mais de 10 anos com a iniciativa da Associação de Preservação das Tradições e do Patrimônio Cultural de Santa Bárbara (Apito) e desde então, a ONG vem lutando para a implantação dessa linha por entender ser de grande importância, não apenas para Brumadinho, mas para Belo Horizonte e cidades vizinhas.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Festival de Quitandas mineiras de Congonhas

(Por Arnaldo Silva) Casa de mineiro não tem sala, tem cozinha, o melhor lugar a casa. A alegria da vida do mineiro começa no quintal e no pomar, onde colhe frutas e verduras que são levadas para a cozinha. É na cozinha, em redor da mesa ou sentado à beira do fogão, que a vida em Minas acontece. Hoje a maioria vive nas grandes cidades, sem quintais. Mas quem viveu e sentiu o gosto da comida e boa prosa à beira do fogão a lenha, não esquece, sente saudades e sempre que pode, busca reviver essas emoções de seu passado, de sua infância na casa dos avós.
          Congonhas, cidade histórica a 80 km de Belo Horizonte, oferece essa volta ao passado, com direito a ter à sua frente, todas as quitandas de Minas Gerais. A cidade preserva a culinária mineira e com esse objetivo, foi criado o Festival de Quitandas mineiras. (foto acima de Marlon Arantes) É para resgatar e valorizar as tradicionais receitas mineiras que saíram das cozinhas das fazendas e preservá-las em sua origem.
          É na Romaria, que é realizado o Festival, já tradicional em Minas, presente a há quase duas décadas. Esse evento trás à cidade milhares de turistas vindos de todo o Estado, do Brasil e até do exterior, para conhecer e experimentar a culinária autêntica de Minas. (foto acima de Wilson Fortunato) O Festival de Quitandas acontece sempre no terceiro fim de semana de maio. Quem estiver presente, poderá reviver a vida no campo num cenário nostálgico e colonial.
          Congonhas valoriza e resgata a tradição das receitas originais de Minas Gerais, valorizando a riqueza gastronômica de todas as regiões do Estado. (foto acima de Luci Silva) As quitandeiras de Congonhas tem um amor à nossa culinária e esse amor é percebido na valorização das receitas, no resgate profundo das nossas mais deliciosas raízes culinárias. Fazem com carinho o que aprenderam com suas mães, avós e bisavós. Quem experimenta as quitandas de Congonhas, percebe isso. Sabor, textura, cheiro, inigualáveis.
          O Festival de Congonhas é uma oportunidade única para o turista conhecer os sabores diversos da culinária mineira e principalmente as nossas mais gostosas quitandas preservadas em nosso Estado há mais de três séculos. Nossa culinária é uma mistura de cores, sabores e texturas graças à influência da cozinha europeia, indígena e africana. (fotografia de Vinícius Barnabé - @viniciusbarnabe)
          Congonhas respira quitanda. Ninguém se cansa de comer e de fazer quitandas na cidade. É uma tradição que estará sempre viva. No Festival de Quitandas de Congonhas você encontrará bolo de fubá, rosquinhas de nata, rocambole, brevidade, João-deitado , pão caseiro, biscoitos fritos ou assados, tareco, roscas, broas de milho e outras tantas quitandas mineiras. Não faltarão os nossos tradicionais caldos, licores e a tradicional cachaça de Minas. E quem se animar poderá dançar ao som da mais pura música sertaneja. Mesmo quem não quiser dançar, pode ouvir, é sertanejo raiz.
          Além das quitandas, caldos e violas, o artesanato de Congonhas se faz presente no evento. Congonhas respira arte e seus artistas transmitem em seus trabalhos a mais pura arte mineira. O Festival de Quitandas mineiras de Congonhas tradicionalmente acontece sempre no terceiro fim de semana de maio.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

A cidade mais bonita do Brasil é Tiradentes, afirma revista

(Por Arnaldo Silva) A revista Norte-americana Departures, especializada em luxo, viagens, turismo e estilo de vida, aponta a cidade histórica de Tiradentes como a mais bonita do Brasil. Esse reconhecimento coloca de vez Tiradentes na rota do turismo internacional. (fotografia acima de César Reis)      
          A cidade de Tiradentes (foto acima de Matheus Freitas/@m.ffotografia) está a 200 km de Belo Horizonte e sempre atraiu visitantes, pelo seu charme, arquitetura barroca do inícios do século XVIII intocável e muito bem preservada e sua rica história, de grande importância para Minas e o Brasil. Tiradentes conta com diversas opções de passeios, além de uma excelente gastronomia, boas hospedagens e muitas atividades culturais ao longo do ano. 

O escultor das violas de bambu

(Por Arnaldo SilvaA viola que fabrica está nas mãos de vários artistas brasileiros como Almir Sater, Adriana Farias do Barra-da-Saia, Chico Lobo, Fernando Sodré, Pereira da Viola, Zico e Zeca, Zé Mulato e Cassiano, dentre outros. Não é só no Brasil não. Amantes da viola e artistas de vários países do mundo compram sua viola como artistas Japão, Estados Unidos, Argentina, Portugal, Inglaterra e outros países. 
          Mas quem é esse luthier tão famoso que fabrica violas que encantam tantos artistas no Brasil e no mundo? É o Antônio José Cabral, mais conhecido como "Seu" Cabral das Violas. Um senhor simpático, que recebe todos bem em sua residência, onde nos fundos da casa, tem sua pequena fábrica suas violas. "Seu" Cabral tem 78 anos e mora no bairro São Vicente, em Bom Despacho, Centro Oeste de Minas Gerais.
          Antes de continuarmos falando do trabalho do "Seu" Cabral, vamos explicar o que é um luthier. Essa palavra é de origem francesa, lutherie, em português, luteria. É a arte da construção e concerto de instrumentos musicais. A expressão em francês é a mais usada porque a arte de fabricar instrumentos de cordas era bastante comum na França nos idos antigos. Hoje a profissão de luthier é abrangente a todos que consertam e fabricam instrumentos musicais. É uma profissão respeitadíssima no mundo artístico. O que seria de um músico sem instrumentos musicais?
          Para ser um luthier tem que ter talento, conhecer bastante sobre o instrumento que fabrica e claro, de música.
          
Esse é o caso do "Seu" Cabral. Pela idade que tem, você imagina que ele esteja nesse ofício desde muito jovem, como é comum nesses casos. Mas não é. 
          "Seu" Cabral vem de uma família ligada a carpintaria. Pai, avós, bisavós. Herdou de seus ancestrais a arte de fazer móveis, que é uma atividade tradicional em Bom Despacho, onde existem várias fábricas de móveis.
          Somente em 1995, aos 52 anos que o "Seu" Cabral resolveu mudar de ramo e fabricar violas, instrumento que desde muito jovem gostava de ouvir e tocar. Assim, resolveu começar a fazer o instrumento.
          E fez sua primeira viola aos 52 anos e não parou mais. Hoje tem 78 e perdeu a conta de quantas violas já fez na vida, mas garante que é mais de mil.
          A qualidade das violas fabricadas pelo luthier bom-despachense começou a ganhar fama e atrair os ouvidos de artistas e violeiros do mundo inteiro. A imprensa também se interessou por seu talento.
          A viola do "Seu" Cabral já foi tema de reportagem do programa Globo Rural, e ainda foi entrevistado pela reportagem da Rede Integração, afiliada da Rede Globo em Minas Gerais. Uma revista inglesa, sediada em Londres, mandou um repórter a Bom Despacho para documentar o seu trabalho. Ele não lembra o nome da revista e nem o nome do repórter que o entrevistou.
          O que chama a atenção no trabalho do "Seu" Cabral é o carinho que ele tem pelas violas e o prazer que tem em fazer esse instrumento. Pra fazer as violas ele usa madeiras de cedro, jacarandá-mineiro, pau-marfim, caviúna e outras madeiras. Mas você pensa que ele derruba árvores para fazer suas violas? Não, ele não faz isso.
          O interessante nesse trabalho do "Seu" Cabral é que ele aproveita madeira antiga. Várias pessoas que tem móveis antigos em casa como mesas, cadeiras, guarda-roupas, de madeira maciça, que não querem mais, ao invés de jogá-los fora, doam ao luthier. Com esse material ele reaproveita a madeira boa e faz suas violas. Ficam perfeitas!
          Além de usar madeira antiga, usada, "Seu" Cabral inovou em sua arte e passou a usar madeira de bambu. É o pioneiro nessa arte de fazer violas usando bambu.
          Segundo explicou "Seu" Cabral,  o processo não é o mesmo das violas feitas com as madeiras maciças. Exige muito conhecimento para escolher o bambu e prepará-lo.
          Segundo "Seu" Cabral, tem uma época certa para cortar o bambu. O corte tem que ser feito na lua minguante, mas não pode ser no início e nem no fim do mês. Tem que ser num dia intermediário. E ainda, o mês do corte em lua minguante não pode ter a letra R.
         Passado o corte, vem o preparo. O melhor bambu é aquele grosso. Corta o bambu, cozinha com água e querosene. Segundo "Seu" Cabral, esse cozimento com querosene e água, evita que surjam carunchos na viola.
           Depois de cozida o bambu fica secando. Quando está seco, ele pega a madeira e prepara a chapa de fundo, batente e tampa. Vai trabalhando pedaço por pedaço com as tiras do bambu, colando uma a uma. Assim vai dando forma à futura viola. O cavalete, a escala e o braço das violas são feitos com madeira normal, o corpo da viola é todo feito de bambu. As vezes ele faz toda a viola em bambu.
          É um trabalho que requer muita concentração e conhecimento, isso porque os amantes da viola são exigentes. Esse é o diferencial do "Seu" Cabral, ele conhece, gosta de viola e sabe fazer e faz viola por amor, por prazer acima de tudo.
          Perguntei a ele se havia alguma diferença no som da viola, usando madeira de bambu, cedro, caviúna, pau-marfim e jacarandá. Ele garantiu que sim. Para um leigo que não conhece muito de instrumento e som de viola, pode ser a mesma coisa, mas para um músico, com ouvido apurado, é diferente. O som que a viola de bambu, por exemplo, produz, é diferente do som que sai da viola feita com madeira de cedro. Mesma coisa a viola feita com madeira de jacarandá, é diferente do som de uma viola feita com caviúna, e por ai vai.
          O cantor e violeiro Almir Sater comprou e gostou demais da viola de bambu fabricada por "Seu" Cabral, bem outras pessoas em Minas, no Brasil e no mundo que compram suas violas. 
          A viola é Patrimônio Imaterial de Minas Gerais. Está presente na cultura mineira há séculos e reconhecida pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico de Minas Gerais como um bem imaterial dos mineiros, por sua identidade com o povo e por fazer parte da história do Estado Mineiro. 
A viola de bambu do "Seu" Cabral das Violas custa em média R$1500,00 e quem quiser contatá-lo pode ligar para seu whatsapp: 37 99912-3363 - Fotografias e Reportagem de Arnaldo Silva

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

As águas quentes de Poços de Caldas

(Por Arnaldo Silva) As águas quentes, medicinais e sulfurosas de Poços de Caldas, no Sul de Minas, são ótimas alternativas para os dias frios.(foto acima de Luis Leite) 
Turistas de várias partes do país e do mundo vem à Poços de Caldas atraídos pelas propriedades terapêuticas de suas águas. 
Por toda a cidade, são várias minas d´água que fazem de Poços de Caldas, a cidade das águas. É esse um dos maiores encantos e atrativo de Poços de Caldas. Água medicinal em abundância.
Bem no centro da cidade está o Balneário Dr. Mário Mourão. Suas águas veem diretamente da Fonte dos Macacos a uma temperatura de 41 graus. Possui uma ótima estrutura para receber os turistas. No local são realizados banhos de imersão em cabines individuais. Suas águas são muito procuradas no inverno. E é nessa época que a cidade fica mais movimentada onde os turistas vem em maior número para aproveitarem mais as águas quentes, já que o inverno na região é bastante rigoroso, com temperatura próximas ou até abaixo de 0 grau. 
Outro local muito visitado por turistas são as Thermas Antônio Carlos. O prédio de onde saem as águas termais é um suntuoso, requintado e luxuoso edifício, de belíssima arquitetura. Inaugurado na década de 1930, recebeu a visita de personagens ilustres de nossa historia, entre eles, Getúlio Vargas. Foi também cenário da novela Alto Astral da Rede Globo. 
As águas das Thermas brotam de três fontes a 45ºC, saindo das torneiras a 37ºC. As propriedades medicinais dessas águas são usadas para tratamentos de saúde e de beleza. São 59 banheiras de hidromassagem e ainda conta com áreas para banhos, academia, jardins de inverno, espelho d´água e uma piscina térmica. 
Além das águas quentes, sulfurosas e medicinais, Poços de Caldas tem outros atrativos como a Feira da Praça dos Macacos, aos domingos com produtos artesanais e da culinária local como doces diversos, o Santuário Mãe Rainha, Cristo Redentor Teleférico, Serra de São Domingos, Relógio Floral, Parque Walter World, a Fonte das Rosas, Fontes dos Amores, o Jardim Japonês, além de uma ótima rede hoteleira e excelentes restaurantes. 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

A saudade fala português

(Por Maria Eugênia de Viveiros) Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida . Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades...
        Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei... 
        Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser...
        Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro... 

        Sinto saudades do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...         
      Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei, de quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer. 

       Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito; daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre; de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter; de coisas que nem sei que existiram mas que se soubesse, decerto gostaria de experimentar;
        Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências... 
       Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer, dos livros que li e que me fizeram viajar, dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar, das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade; 
        Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que, não sei aonde, para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...
        Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês, mas que minha saudade, por eu ter nascido brasileira, só fala português embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
        Aliás, dizem que se costuma usar sempre a língua pátria, espontaneamente, quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e declarar sentimentos fortes, seja lá em que lugar do mundo estejamos. 
        Eu acredito que um simples “I miss you”, ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha. 
        Talvez não exprima, corretamente, a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas. 
        E é por isso que eu tenho mais saudades... 
        Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos.
        Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito do que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência...
        Sentir saudades, é sinal de que se está vivo!

Maria Eugênia de Viveiros é advogada, escritora e mora no Rio de Janeiro. 
Artigo publicado com autorização para Conheça Minas  
Imagens ilustrativas: Primeira foto de Evânio Jardim em Ponte Nova MG e segunda imagem de Marselha Rufino, em Itumirim MG

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Conheça Brumadinho

(Por Arnaldo Silva) Brumadinho é uma charmosa cidade turística mineira, distante apenas 55 km de Belo Horizonte. Segundo o IBGE, em 2019, sua população estimada era de 40.103 habitantes. Apesar de ser uma cidade pequena, é um dos maiores municípios em extensão territorial de Minas Gerais. (fotografia acima de Sônia Fraga)
          Faz divisa com os municípios de Ibirité, Sarzedo, Mário Campos, São Joaquim de Bicas, Igarapé, Itatiaiuçu, Rio Manso, Bonfim, Belo Vale, Moeda, Itabirito, Nova Lima e Belo Horizonte, estando apenas a 55 km de distância da capital.           
          A região de Brumadinho é montanhosa, com matas nativas, o que possibilitada a formação constantes e pequenas brumas. Brumadinho é simplesmente, o diminutivo de bruma. No início de seu povoamento, no século XVIII, com a chegada de bandeirantes paulistas para explorar ouro na região no Vale do Paraopeba, foram fundados os povoados de São José do Paraopeba, Aranha e Brumado do Paraopeba, distrito criado em 1891, passando a se chamar Conceição do Itaguá em 1914, a Brumadinho em 1923, para finalmente, em 17 de dezembro de 1938, ser elevado município, permanecendo o nome Brumadinho.         
          O acesso a Brumadinho é bem fácil, já que o município é cortado pelas rodovias BR-381 (São Paulo-Belo Horizonte) e com acesso fácil pela BR-040 (Rio de Janeiro-Belo Horizonte), sendo possível chegar à sede municipal a partir de ambas as rodovias, sendo o acesso mais curto para quem vem da Capital, pela BR-040, pela Via do Minério, estrada que sai da Região do Barreiro em Belo Horizonte, atravessando pelos municípios de Ibirité e Mário Campos, até chegar a Brumadinho. (na foto acima, do Barbosa, a chegada à cidade)
           Em Brumadinho, a mineração que responde por 65% sua arrecadação, mas a cidade se destaca também pelos seus recursos hídricos. Seu relevo montanhoso e sua enorme extensão territorial, permitem concentrar em suas dimensões grandes mananciais de água. (na foto acima do Barbosa, paisagem de Casa Branca) Pra se ter ideia da riqueza hídrica de Brumadinho, 1/4 da água que abastece a Região Metropolitana de Belo Horizonte, que tem cerca de 5,5 milhões de habitantes, saem de Brumadinho e dos municípios vizinhos, através dos sistemas Rio Manso e Catarina, operados pela  Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA). Além dos mananciais, está em Brumadinho a maior fonte de água mineral do mundo, localizada na serra, entre Brumadinho e Mário Campos. Esta água atualmente é explorada pela Hidrobrás, detentora da marca "Ingá". 
          O município de  Brumadinho é formado pelos distritos de Aranha, Conceição de Itaguá, São José do Paraopeba e Piedade do Paraopeba (na foto acima do Barbosa).
          Além dos seus quatro distritos, bairros e povoados rurais completam a formação do município, como o de Águas Claras, Casa Branca (na foto acima do Barbosa), Coronel Eurico, Córrego do Feijão, Córrego Fundo, Eixo Quebrado, Encosta da Serra da Moeda, Marinhos, Melo Franco, Monte Cristo, Palhano, Parque da Cachoeira, Quilombos do Sapé, Retiro do Brumado, Suzana, Toca e Tijuco.
          O comércio de Brumadinho é bem variado, com lojas de todos os tipos, com ofertas de produtos diversos, além do visitante encontrar na  cidade bares e restaurantes dos mais simples aos mais requintados como o Carpe Dien, na foto acima da Eliane Torino, além de excelentes pousadas e hotéis, tanto na cidade, como na zona rural para que os que vêm à cidade atraídos por seu clima, belezas e paisagem naturais, sossego e para conhecer o Inhotim, possam desfrutar de momentos agradáveis e guardar boas lembranças. Seu povo é hospitaleiro, gentil e recebem muito bem os visitantes.
          Quatro belíssimas serras circundam Brumadinho, entre elas a Serra da Moeda e a Serra do Rola Moça (na foto acima da Eliane Torino). Serras que atraem turistas diariamente para meditar, praticar voo livre, fazer sobrevoos de balão, caminhar ou subir a serra pelas trilhas em bikes e motos, além do atrativo da beleza das vistas que proporcionam, principalmente no Topo do Mundo, na Serra da Moeda.        
Em torno de suas belezas naturais, seja em suas serras, distritos ou bairro rurais, encontra-se construções dos séculos XVII e XVIII como igrejas, fazendas centenárias, o distrito de Piedade do Paraopeba (na foto acima do Barbosa) um dos mais antigos povoados de Minas Gerais, dentre outros.
          Um dos destaque do patrimônio histórico de Brumadinho é a Igreja de Nossa Senhora da Piedade, datada de 1713 (na foto acima do Barbosa, o seu interior), uma das construções mais antigas de Minas Gerais, com elementos arquitetônicos em estilo Barroco e decoração interior em o estilo o Rococó. A devoção, estilo arquitetônico da Igreja, um dos símbolos do distrito, marcam os tempos do Ciclo do Ouro em Minas Gerais. 
           Ainda em Brumadinho, destaque-se como atrativos a Mansão Matosinhos, a Estação de Marinhos, a Fazenda Martins (na foto acima de César Rocha), o Mirante dos Veados, o Templo Budista, o Túnel do Sapê, as ruínas do antigo Forte de Brumadinho, o charme do bairro rural de Casa Branca, com seus restaurantes sofisticados e comidas típicas, a Corporação Musical Banda São Sebastião, fundada em 13 de maio de 1929 por Tarcílio Gomes da Costa e o Inhotim, um dos maiores atrativos, não só da cidade mas de Minas Gerais, considerado um dos maiores museus a céu aberto do mundo, com uma expressiva coleção de arte contemporânea, paisagens deslumbrantes, com várias espécies de árvores oriundas de diversos países. (foto abaixo de Wellington Diniz)
          Como atividades culturais e religiosas, durante o ano são destaques vários eventos como a Festa da Jabuticaba, a Festa do Milho, a Festa da Mexerica, a Festa da Cachaça, a  Festa de São Sebastião, o Jubileu de Nossa Senhora das Mercês, o Festival Gastronômico, o Rodeio de Brumadinho, dentro outros eventos. 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Guapé, uma região de ar puro e água cristalina

Década de 60, onde a cidade fez jus ao lema do seu brasão “Fluctuat Ne Mergitur” , flutua mas não afunda. Com a construção do reservatório da hidroelétrica de FURNAS, a velha Guapé foi totalmente inundada, sendo reconstruída aos poucos, como uma fênix, ao longo da mesma década. A reconstrução da cidade se deu sobre uma península, circundada pelo lago de Furnas, tornando-a uma das cidades mais encantadoras do mundo. 
          O município conta com uma extensão territorial de 934,598 km² tendo como atividade econômica principal a agricultura, com destaque à produção de cafés especiais de altíssima qualidade, que representa mais de 50% da fonte de renda, seguida pelas atividades de: extração de quartzito, comércio local e o crescente turismo.
          Guapé possui uma aptidão natural ao turismo devido ao lago e suas belíssimas cachoeiras (Cachoeira do Paredão, Cachoeira do Inferno, Cachoeira do Macuco, Cachoeira do Garimpo, Cachoeira do Capão Quente, Cachoeira da Água Limpa, Cachoeira do Moinho, Cachoeira do Lobo, da Volta Grande, entre outras) distribuídas ao longo do município. Um lugar ideal para práticas de pesca, esportes náuticos, passeios de lanchas, trilhas, etc. 
          Se o Baiano Dorival Caymmi tivesse conhecido Guapé certamente mudaria sua canção: “Você já foi a Guapé, nêga? Não? Então vá! Quem vai, minha nêga, sempre quer voltar.”. Guapé é um lugar simplesmente encantador, desde suas belezas naturais até o seu povo. 
          Guapé é uma ótima alternativa a Capitólio (destino muito procurado nos últimos anos) devido à sua tranquilidade, e por apresentar uma ótima estrutura de hospedagem em pousadas de charmes, hotéis e casas de aluguel para temporada (Airbnb, Booking e outros). 
          Não deixe de colocar o destino na sua agenda 2019. Maiores informações, dicas entre outras informações se encontram na página do Facebook : Visite Guapé
(Texto e fotografias enviadas por Fábil L. Alfonso)

Conheça o café do Jacu

(Por Arnaldo Silva) Jacu (Penelope sp.) é uma ave de grande porte da nossa Mata Atlântica e está presente em todo o território nacional. Pode chegar a 85 cm, tem calda, pescoço e asas longas e uma cabeça pequena. Em torno dos seus olhos vermelhos tem uma pele em tom azulado e sem pelos. O papo do jacu é vermelho. Sua plumagem é lisa com aspecto escamado e tem a tonalidade escura e as vezes, na cor cinza. Suas patas tem tons avermelhados. (foto abaixo de Ricardo Cozzo em Monte Verde MG)
          Ai você pergunta, o que o jacu tem a ver com café? É que o grão do café vem do Jacu. Essa ave gera um café de alto valor, tanto comercial, quanto de qualidade.           
          Para você entender o processo, vou explicar direitinho. 
          A maioria das aves se alimentam de frutos. Isso todos sabemos. Elas comem a parte adocicada dos frutos e não comem as sementes. No caso, as aves espalham as sementes pela natureza, ajudando a natureza a ser renovar. 
          O Jacu também se alimenta dos frutos, mas diferente das outras aves, ele engole as sementes inteiras, sem mastigá-las. Uma das sementes preferidas do jacu é a do café (na foto acima do Aridelson Rezende em São Gonçalo do Rio Abaixo MG). Eles ficam aos pés dos cafezais escolhendo os grãos de café e são muito seletivos. Escolhem os grãos que não tem defeitos e os mais maduras. 
          O Jacu não tem estômago. Quando ele ingere a semente do café, seu organismo processa rapidamente o fruto, que passa pelo intestino da ave, sendo protegido pela casca. Por fim, o grão é expelido por inteiro, totalmente intacto, o que torna o processo de fermentação, totalmente higiênico.
          Todo esse processo é feito diretamente no intestino da ave. Em seu organismo o grão do café absorve ácidos e enzimas que garantem uma baixa acidez do grão. Essa baixa acidez dá ao grão um amargor e doçura bem equilibrada à bebida. 
          Entendeu? O Jacu expele a semente. Defeca. É das fezes do Jacu que é retirado os grãos do café. (na foto acima do Aridelson Rezende em São Gonçalo do Rio Abaixo MG, os grãos do café, expelidos pelo Jacu)
          Assim que a ave defeca, as fezes são coletadas e passam em seguida por um rigoroso processo de limpeza para retirar as bactérias e limpeza dos grãos. Após a limpeza, os grãos ficam em "descanso" por um período. Depois do "descanso" são torrados e moídos. Depois disso, está pronto para consumo. (na foto acima do Aridelson Rezende em São Gonçalo do Rio Abaixo, os grãos do café do Jacu, já selecionados, limpos e lavados, prontos para serem torrados)
          Mas o café é bom? Bom não, é ótimo! Tanto é bom que está entre os cinco melhores cafés exóticos do mundo, presente nas principais cafeterias de Los Angeles, Londres, Tóquio e outras cidades do Brasil e do mundo.
          
Mas qual a origem desse café? Foi desenvolvido por um cafeicultor do Espírito Santo, Hnerique Sloper, proprietário da Fazenda Camocim, que vivia em constantes problemas causados pelas aves, que comi cerca de 10% de sua produção de grãos e ainda, comiam as sementes mais saudáveis de seu cafezal.
          Na tentativa de saber o que fazer, descobriu que na Indonésia existia um café bem exótico, considerado até então o mais caro do mundo. Esse café, conhecido por Kopi Luwak produzido a partir das fezes que não são digeridas de um animal herbívoro, da familia dos gatos, nativo da região chamado de Luwak (Paradoxurus hermaphroditus).
          De posse dessa informação, resolveu fazer experiência com os jacus, já que eles comiam as sementes e as defecavam inteiras. Quando o homem percebe que a natureza pode ser sua aliada e se harmonizar com ela, o retorno é ótimo para os dois lados. De vilões, essas aves passaram a ser amigas, já que o produtor percebeu que o café era ótimo. Além de exótico, surpreendeu especialistas em degustação do país, que afirmaram que o café do Jacu tem um sabor adocicado e equilibrado, com acidez marcante e deixa um gosto bom na boca.
          Hoje, esse tipo de café se tornou mais conhecido no mundo inteiro, estando entre os cinco melhores cafés do planeta, atualmente. No Brasil também, a resistência ao produto exótico, vem reduzindo e a especiaria, sendo degustada e aprovada.
          Baseada na experiência do produtor do Estado vizinho, cafeicultores mineiros que passavam pelos mesmo problemas com as aves, decidiram investir nesse tipo de café especial.
Isso porque a ave é bastante comum em Minas Gerais, presente em todas as regiões do Estado. Regiões e cidades tradicionais na produção de cafés especiais, passaram então a ver nos jacus, um aliado e não um inimigo. Assim, Minas Gerais passou a produzir Café do Jacu ou Jacu Bird Coffee.
          O café especial de jacu pode ser encontrados nas regiões do Sul de Minas, Central, Leste de Minas, dentre outras e também em cidades como Espera Feliz, Manhuaçu e São Gonçalo do Rio Abaixo. São apenas algumas exemplos de cidades, são dezenas.
Por ser um café especial e relativamente caro, não é um tipo de café produzido em escala industrial. São feitos em pequenas quantidades ou por encomenda ou em pequeno estoque, por se tratar de um produto exótico e com um preço bem maior que o café convencional.
Além disso, o processo de produção desse café é totalmente diferente do atual que conhecemos, como deu para perceber na descrição, acima.
Mas quem puder e tiver oportunidade de experimentar o Café do Jacu, valerá a pena gastar um pouco mais e saborear um café exótico, de alta qualidade e sabor.

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