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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Trem ligará BH ao Inhotim em Brumadinho

Minas Gerais terá um novo trem de passageiros que ligará Belo Horizonte ao Inhotim. A linha poderá ainda ser estendida até a comunidade de Marinhos, em Brumadinho. O trem terá capacidade para transportar até 1400 passageiros por viagem. O projeto apresentado pelo Ministério do Turismo e Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais a executivos da Vale prevê 4 viagens por dia, totalizando o transporte diário de até 5.600 passageiros. Ainda não há previsão de quando o trem começará a circular.
          A intenção do governo é tirar do papel um antigo projeto de trem turístico diário lingando o Museu de Artes e Ofícios, na Praça da Estação em Belo Horizonte, ao Museu de Arte Contemporânea do Inhotim, em Brumadinho. No dia 25 de janeiro de 2019 a barragem do Córrego do Feijão da Vale se rompeu, causando mortes, devastação ambiental e perdas na arrecadação do município. A estação seria dentro do Inhotim. A linha férrea já existe e pertence a MRS, controlada pela mineradora Vale. Bastaria apenas a criação de um novo ramal, disponibilização de pessoal e locomotivas.
          O secretario de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Marcelo Matte, em coletiva à imprensa em fevereiro de 2019, para apresentar o projeto, não deu detalhes de custos e de como seria o trem e nem como seria a implantação da linha, que no caso, envolveria a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) e a Vale. Disse apenas que “o projeto já está lá (na Setop), em conversa com organismos federais, estaduais e com a própria Vale, em parceria com a Advocacia-Geral do Estado, porque consideramos, entre outras hipóteses, uma medida compensatória da Vale, colocando esse trem em funcionamento rapidamente, e acreditamos no sucesso desse empreendimento.” Matte salientou ainda que a operação da linha deverá ser de uma empresa privada e que será da Vale e nem do Governo do Estado, mas não deu detalhes de como seria a operação da linha. 
          Segundo o Ministério do Turismo, que está empenhado na implementação dessa linha de trem turístico, os representantes da Vale declararam que vão apoiar e executar o projeto que será primordial para o crescimento do turismo em Brumadinho.
          O prefeito de Brumadinho, Avimar de Melo Barcelos, se mostrou otimista quanto a operação da linha e os benefícios para o desenvolvimento do município que o trem trará: "Vamos ter uma estação no centro da cidade. A pessoa descendo lá, ela vai passar pelo centro da cidade todinho e poder consumir e aquecer o nosso comércio. E o Inhotim também, tendo o trem de passageiro a história é outra. Vai ter uma linha rodoviária, táxi e aplicativos que possam levar até o Inhotim. A previsão deles (Ministério do Turismo) é até fevereiro do ano que vem. Mas nós tivemos reuniões com a Fundação Vale, mas eles falam que é impossível, que a gente pode esquecer, mas nós estamos muito confiantes porque o ministro (do Turismo) falou", disse o prefeito.
          O projeto dessa linha de trem não é recente. Surgiu há mais de 10 anos com a iniciativa da Associação de Preservação das Tradições e do Patrimônio Cultural de Santa Bárbara (Apito). Com o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, pertencente a Vale, surgiu a necessidade de colocar essa iniciativa em prática o quanto antes, com o objetivo de incrementar o turismo em Brumadinho.
          No final de abril, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e ao Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) para que  agilizem os processos de liberações legais, pertinentes a cada um desses órgãos federais, para que a linha possa realmente entrar em operação esse ano, favorecendo o turismo em Brumadinho e região.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Festival de Quitandas mineiras de Congonhas

(Por Arnaldo Silva) Casa de mineiro não tem sala, tem cozinha, o melhor lugar a casa. A alegria da vida do mineiro começa no quintal e no pomar, onde colhe frutas e verduras que são levadas para a cozinha.  É na cozinha, em redor da mesa ou sentado à beira do fogão, que a vida em Minas acontece. Hoje a maioria vive nas grandes cidades, sem quintais.  Mas quem viveu e sentiu o gosto da comida e boa prosa à beira do fogão a lenha, não esquece, sente saudades e sempre que pode, busca reviver essas emoções de seu passado, de sua infância na casa dos avós. 
Congonhas, cidade histórica a 80 km de Belo Horizonte, oferece essa volta ao passado, com direito a ter à sua frente, todas as quitandas de Minas Gerais. A cidade preserva a culinária mineira e com esse objetivo, foi criado o Festival de Quitandas mineiras. (foto acima de Marlon Arantes) É para resgatar e valorizar as tradicionais receitas mineiras que saíram das cozinhas das fazendas e preservá-las em sua origem.
É na Romaria, que é realizado o Festival, já tradicional em Minas, presente a há quase duas décadas. Esse evento trás à cidade milhares de turistas vindos de todo o Estado, do Brasil e até do exterior, para conhecer e experimentar a culinária autêntica de Minas. (foto acima de Wilson Fortunato) O Festival de Quitandas acontece sempre no terceiro fim de semana de maio. Quem estiver presente, poderá reviver a vida no campo num cenário nostálgico e colonial.
Congonhas valoriza e resgata a tradição das receitas originais de Minas Gerais, valorizando a riqueza gastronômica de todas as regiões do Estado. (foto acima de Luci Silva) As quitandeiras de Congonhas tem um amor à nossa culinária e esse amor é percebido na valorização das receitas, no resgate profundo das nossas mais deliciosas raízes culinárias. Fazem com carinho o que aprenderam com suas mães, avós e bisavós. Quem experimenta as quitandas de Congonhas, percebe isso. Sabor, textura, cheiro, inigualáveis.
O Festival de Congonhas é uma oportunidade única para o turista conhecer os sabores diversos da culinária mineira e principalmente as nossas mais gostosas quitandas preservadas em nosso Estado há mais de três séculos. Nossa culinária é uma mistura de cores, sabores e texturas graças à influência da cozinha europeia, indígena e africana. (na foto acima, de autoria de Wilson Paulo Braz, o Santuário do Bom Jesus do Matosinhos)
Congonhas respira quitanda. Ninguém se cansa de comer e de fazer quitandas na cidade. (foto acima de Marcelo Melo) É uma tradição que estará sempre viva. No Festival de Quitandas de Congonhas você encontrará bolo de fubá,rosquinhas de nata, rocambole, brevidade, João-deitado , pão caseiro, biscoitos fritos ou assados, tareco, roscas, broas de milho e outras tantas quitandas mineiras. Não faltarão os nossos tradicionais caldos, licores e a tradicional cachaça de Minas. E quem se animar poderá dançar ao som da mais pura música sertaneja. Mesmo quem não quiser dançar, pode ouvir, é sertanejo raiz. (na foto abaixo de Wilson Paulo Braz, os Profetas de Aleijadinho, no Santuário Bom Jesus do Matosinhos)
Além das quitandas, caldos e violas, o artesanato de Congonhas se faz presente no evento. Congonhas respira arte e seus artistas transmitem em seus trabalhos a mais pura arte mineira. O Festival de Quitandas mineiras de Congonhas tradicionalmente acontece sempre no terceiro fim de semana de maio. 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

A cidade mais bonita do Brasil é Tiradentes, afirma revista

(Por Arnaldo Silva) A revista Norte-americana Departures, especializada em luxo, turismo e estilo de vida, aponta a cidade histórica de Tiradentes como a mais bonita do Brasil. Esse reconhecimento coloca de vez Tiradentes na rota do turismo internacional. (foto acima de Deividson Costa/@deividsoncosta)
A cidade de Tiradentes (na foto acima de César Reis) está a 200 km de Belo Horizonte e sempre atraiu visitantes, pelo seu charme, arquitetura barroca do inícios do século XVIII intocável e muito bem preservada e sua rica história, de grande importância para Minas e o Brasil. Tiradentes conta com diversas opções de passeios, além de uma excelente gastronomia, boas hospedagens e muitas atividades culturais ao longo do ano. (foto abaixo de Matheus Freitas/@m.ffotografia)
A matéria da revista americana pode ser conferida em inglês no link: https://www.departures.com/travel/tiradentes-brazil-most-beautiful-town 

O escultor das violas de bambu

(Por Arnaldo SilvaA viola que fabrica está nas mãos de vários artistas brasileiros como Almir Sater, Adriana Farias do Barra-da-Saia, Chico Lobo, Fernando Sodré, Pereira da Viola, Zico e Zeca, Zé Mulato e Cassiano, dentre outros. Não é só no Brasil não. Amantes da viola e artistas de vários países do mundo compram sua viola como artistas Japão, Estados Unidos, Argentina, Portugal, Inglaterra e outros países. 
Mas quem é esse luthier tão famoso que fabrica violas que encantam tantos artistas no Brasil e no mundo? É o Antônio José Cabral, mais conhecido como "Seu" Cabral das Violas. Um senhor simpático, que recebe todos bem em sua residência, onde nos fundos da casa, tem sua pequena fábrica suas violas. "Seu" Cabral tem 76 anos e mora no bairro São Vicente, em Bom Despacho, Centro Oeste de Minas Gerais.

Antes de continuarmos falando do trabalho do "Seu" Cabral, vamos explicar o que é um luthier. Essa palavra é de origem francesa, lutherie, em português, luteria. É a arte da construção e concerto de instrumentos musicais. A expressão em francês é a mais usada porque a arte de fabricar instrumentos de cordas era bastante comum na França nos idos antigos. Hoje a profissão de luthier é abrangente a todos que consertam e fabricam instrumentos musicais. É uma profissão respeitadíssima no mundo artístico. O que seria de um músico sem instrumentos musicais?

Para ser um luthier tem que ter talento, conhecer bastante sobre o instrumento que fabrica e claro, de música.

Esse é o caso do "Seu" Cabral. Pela idade que tem, 76 anos, você imagina que ele esteja nesse ofício desde muito jovem, como é comum nesses casos. Mas não é.

"Seu" Cabral vem de uma família ligada a carpintaria. Pai, avós, bisavós. Herdou de seus ancestrais a arte de fazer móveis, que é uma atividade tradicional em Bom Despacho, onde existem várias fábricas de móveis.

Somente em 1995, aos 52 anos que o "Seu" Cabral resolveu mudar de ramo e fabricar violas, instrumento que desde muito jovem gostava de ouvir e tocar. Assim, resolveu começar a fazer o instrumento.

E fez sua primeira viola aos 52 anos e não parou mais. Hoje tem 76 e perdeu a conta de quantas violas já fez na vida, mas garante que é mais de mil.
A qualidade das violas fabricadas pelo luthier bom-despachense começou a ganhar fama e atrair os ouvidos de artistas e violeiros do mundo inteiro. A imprensa também se interessou por seu talento.

A viola do "Seu" Cabral já foi tema de reportagem do programa Globo Rural, e ainda foi entrevistado pela reportagem da Rede Integração, afiliada da Rede Globo em Minas Gerais. Uma revista inglesa, sediada em Londres, mandou um repórter a Bom Despacho para documentar o seu trabalho. Ele não lembra o nome da revista e nem o nome do repórter que o entrevistou.

O que chama a atenção no trabalho do "Seu" Cabral é o carinho que ele tem pelas violas e o prazer que tem em fazer esse instrumento. Pra fazer as violas ele usa madeiras de cedro, jacarandá-mineiro, pau-marfim, caviúna e outras madeiras. Mas você pensa que ele derruba árvores para fazer suas violas? Não, ele não faz isso.

O interessante nesse trabalho do "Seu" Cabral é que ele aproveita madeira antiga. Várias pessoas que tem móveis antigos em casa como mesas, cadeiras, guarda-roupas, de madeira maciça, que não querem mais, ao invés de jogá-los fora, doam ao luthier. Com esse material ele reaproveita a madeira boa e faz suas violas. Ficam perfeitas!

Além de usar madeira antiga, usada, "Seu" Cabral inovou em sua arte e passou a usar madeira de bambu. É o pioneiro nessa arte de fazer violas usando bambu.

Segundo explicou "Seu" Cabral,  o processo não é o mesmo das violas feitas com as madeiras maciças. Exige muito conhecimento para escolher o bambu e prepará-lo.

Segundo "Seu" Cabral, tem uma época certa para cortar o bambu. O corte tem que ser feito na lua minguante, mas não pode ser no início e nem no fim do mês. Tem que ser num dia intermediário. E ainda, o mês do corte em lua minguante não pode ter a letra R.

Passado o corte, vem o preparo. O melhor bambu é aquele grosso. Corta o bambu, cozinha com água e querosene. Segundo "Seu" Cabral, esse cozimento com querosene e água, evita que surjam carunchos na viola.

Depois de cozida o bambu fica secando. Quando está seco, ele pega a madeira e prepara a chapa de fundo, batente e tampa. Vai trabalhando pedaço por pedaço com as tiras do bambu, colando uma a uma. Assim vai dando forma à futura viola. O cavalete, a escala e o braço das violas são feitos com madeira normal, o corpo da viola é todo feito de bambu. As vezes ele faz toda a viola em bambu.
É um trabalho que requer muita concentração e conhecimento, isso porque os amantes da viola são exigentes. Esse é o diferencial do "Seu" Cabral, ele conhece, gosta de viola e sabe fazer e faz viola por amor, por prazer acima de tudo.

Perguntei a ele se havia alguma diferença no som da viola, usando madeira de bambu, cedro, caviúna, pau-marfim e jacarandá. Ele garantiu que sim. Para um leigo que não conhece muito de instrumento e som de viola, pode ser a mesma coisa, mas para um músico, com ouvido apurado, é diferente. O som que a viola de bambu, por exemplo, produz, é diferente do som que sai da viola feita com madeira de cedro. Mesma coisa a viola feita com madeira de jacarandá, é diferente do som de uma viola feita com caviúna, e por ai vai.

O cantor e violeiro Almir Sater comprou e gostou demais da viola de bambu fabricada por "Seu" Cabral, bem outras pessoas em Minas, no Brasil e no mundo que compram suas violas. 
A viola é Patrimônio Imaterial de Minas Gerais. Está presente na cultura mineira há séculos e reconhecida pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico de Minas Gerais como um bem imaterial dos mineiros, por sua identidade com o povo e por fazer parte da história do Estado Mineiro. 
A viola de bambu do "Seu" Cabral das Violas custa em média R$1500,00 e quem quiser contactá-lo pode ligar para seu whatsapp: 37 99912-3363 - Fotografias e Reportagem de Arnaldo Silva

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

As águas quentes de Poços de Caldas

(Por Arnaldo Silva) As águas quentes, medicinais e sulfurosas de Poços de Caldas, no Sul de Minas, são ótimas alternativas para os dias frios.(foto acima de Luis Leite) 
Turistas de várias partes do país e do mundo vem à Poços de Caldas atraídos pelas propriedades terapêuticas de suas águas. 
Por toda a cidade, são várias minas d´água que fazem de Poços de Caldas, a cidade das águas. É esse um dos maiores encantos e atrativo de Poços de Caldas. Água medicinal em abundância.
Bem no centro da cidade está o Balneário Dr. Mário Mourão. Suas águas veem diretamente da Fonte dos Macacos a uma temperatura de 41 graus. Possui uma ótima estrutura para receber os turistas. No local são realizados banhos de imersão em cabines individuais. Suas águas são muito procuradas no inverno. E é nessa época que a cidade fica mais movimentada onde os turistas vem em maior número para aproveitarem mais as águas quentes, já que o inverno na região é bastante rigoroso, com temperatura próximas ou até abaixo de 0 grau. 
Outro local muito visitado por turistas são as Thermas Antônio Carlos. O prédio de onde saem as águas termais é um suntuoso, requintado e luxuoso edifício, de belíssima arquitetura. Inaugurado na década de 1930, recebeu a visita de personagens ilustres de nossa historia, entre eles, Getúlio Vargas. Foi também cenário da novela Alto Astral da Rede Globo. 
As águas das Thermas brotam de três fontes a 45ºC, saindo das torneiras a 37ºC. As propriedades medicinais dessas águas são usadas para tratamentos de saúde e de beleza. São 59 banheiras de hidromassagem e ainda conta com áreas para banhos, academia, jardins de inverno, espelho d´água e uma piscina térmica. 
Além das águas quentes, sulfurosas e medicinais, Poços de Caldas tem outros atrativos como a Feira da Praça dos Macacos, aos domingos com produtos artesanais e da culinária local como doces diversos, o Santuário Mãe Rainha, Cristo Redentor Teleférico, Serra de São Domingos, Relógio Floral, Parque Walter World, a Fonte das Rosas, Fontes dos Amores, o Jardim Japonês, além de uma ótima rede hoteleira e excelentes restaurantes. 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

A saudade fala português

*Por Maria Eugênia de Viveiros
        Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida . Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades... 
        Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei... 
        Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser...
        Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro...
        Sinto saudades do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
        Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei, de quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
        Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito; daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre; de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter; de coisas que nem sei que existiram mas que se soubesse, decerto gostaria de experimentar;
        Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências...
        Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer, dos livros que li e que me fizeram viajar, dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar, das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade;
        Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que, não sei aonde, para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...
        Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês, mas que minha saudade, por eu ter nascido brasileira, só fala português embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
        Aliás, dizem que se costuma usar sempre a língua pátria, espontaneamente, quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e declarar sentimentos fortes, seja lá em que lugar do mundo estejamos. 
        Eu acredito que um simples “I miss you”, ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha. 
        Talvez não exprima, corretamente, a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas. 
        E é por isso que eu tenho mais saudades...
        Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos.
        Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito do que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência...
        Sentir saudades, é sinal de que se está vivo!

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*Maria Eugênia de Viveiros é advogada, escritora e mora no Rio de Janeiro. 
Artigo publicado com autorização para Conheça Minas  
Imagem ilustrativa de autoria de Marselha Rufino em Itumirim MG

A Cachoeira do distrito de Carlos Euler

Carlos Euller é o 1° distrito do município de Passa Vinte MG, no Sul de Minas Gerais.Tem acesso por estrada municipal e dista cerca de 13 quilômetros do Centro da cidade. (foto acima da Cachoeira de Carlos Euler, de autoria de Thatiana Fabiana e abaixo, do casario da Vila, de Rildo Silveira) Sua principal atividade econômica é a agricultura e possui cerca de 300 habitantes. 
A origem do nome Carlos Euller vem de um engenheiro de origem alemã. Seu nome, pronunciado como "OILER", acabou, aportuguesadamente, como "EULER". Antes de receber este nome, o arraial de Carlos Euller chamava-se Pouso Alegre, nome dado pelos tropeiros que ali passavam e paravam para seu descanso e de sua tropa. (foto acima de Rildo Silveira) Eles repousavam onde se localiza a antiga venda do arraial (CASA COMMERCIAL FORTUNATO NARDELLI) e seus animais ficavam nos dois morros em frente à sede da fazenda, propriedade do casal Fortunato e Corinna Nardelli. 
O engenheiro Nardelli, oriundo do Tirol do Sul (na época pertencente ao Império Austríaco, hoje à Itália) também foi responsável pela construção da estação, da subestação e de algumas casas(Ex: Casa do sr. Wilson Nardelli), além da pequena capela, esta foi erguida como presente da empresa à srª. Corinna Nardelli, por agradecimento à sua hospitalidade com os "forasteiros" em sua fazenda. (fotografia acima de Rildo Silveira)
Cachoeira
A principal atração do distrito é a Cachoeira Carlos Euler, distante apenas 5 minutos da sede do distrito, com cerca de 800 metros de trilhas que pode ser percorrida a pé ou de bike. De longe já impressiona pela grandeza.É muito procurada por banhistas e amantes das trilhas. Á água é cristalina e bem gelada. A paisagem em torno da cachoeira é deslumbrante. (fonte parcial: Wikipédia)

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Conheça Brumadinho

Brumadinho está localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte e sua população estimada em 201 era de 40.103 habitantes, segundo o IBGE. Faz divisa com os municípios de Ibirité, Sarzedo, Mário Campos, São Joaquim de Bicas, Igarapé, Itatiaiuçu, Rio Manso, Bonfim, Belo Vale, Moeda, Itabirito, Nova Lima e Belo Horizonte, estando apenas a 51 km de distância da capital. (fotografia acima de Sônia Fraga)
Etimologia
          O nome "Brumadinho" deriva-se do nome do povoado que deu origem à cidade. A região do vale do Paraopeba foi ocupada por bandeirantes no fim do século XVII. Nessa época, foram fundados os povoados de São José do Paraopeba, Piedade do Paraopeba, Aranha e Brumado do Paraopeba, também conhecido como Brumado Velho. Este nome deve-se às brumas comuns em toda a região montanhosa em que se situa o município, especialmente no período da manhã. (Entre Brumadinho e São Joaquim de Bicas às margens do Rio Paraopeba vive a tribo dos índios Pataxós Hã, Hã, Hãe. O portal de entrada da cidade tem um monumento em homenagem ao índio vaqueiro. Na foto ao lado do Barbosa) Segundo informações do Portal Uai/Jornal O Estado de Minas de 29/01/2019As famílias pataxós vivem à margem do Rio Paraopeba há cerca de um ano e meio, boa parte deles provenientes do Sul da Bahia. A Funai fez a qualificação fundiária, que é o passo inicial para que a área seja reconhecida como pertencente aos pataxós hã-hã-hãe."
Geografia

          O município de Brumadinho é cortado pelas rodovias BR-381 (São Paulo-Belo Horizonte) e BR-040 (Rio de Janeiro-Belo Horizonte), sendo possível chegar à sede municipal a partir de ambas as rodovias. O acesso mais curto da capital à cidade de Brumadinho é pela rodovia MG-040, a chamada Via do Minério, uma estrada mais direta que sai da região do Barreiro, na parte sudoeste da capital, e atravessa os municípios de Ibirité e Mário Campos antes de chegar a Brumadinho. Há uma curta divisa direta de Brumadinho com o município da capital, localizada entre uma remota área montanhosa, de difícil acesso. (na foto acima, do Barbosa, a chegada à cidade)
          Apesar de sua pequena população, Brumadinho se destaca na Região Metropolitana de Belo Horizonte por causa de seus grandes mananciais de água, possibilitados pela extensão relativamente grande do município e pelo relevo montanhoso. (na foto acima do Barbosa, paisagem de Casa Branca) Um quarto da água que abastece a região metropolitana vem dos mananciais de Brumadinho e dos municípios vizinhos, através dos sistemas Rio Manso e Catarina, operados pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA).
          Ainda no município, há uma grande lavra de água mineral, explorada pela empresa Hidrobrás e comercializada sob a marca "Ingá". Segundo o jornal Estado de Minas, "a maior fonte de água mineral do mundo" estaria localizada na serra que separa os municípios de Brumadinho e Mário Campos.
Distritos e bairros rurais

Brumadinho possui 4 distritos: Aranha, Conceição de Itaguá, Piedade do Paraopeba (na foto acima do Barbosa), São José do Paraopeba
Bairros rurais e povoados: Aranha, Águas Claras, Casa Branca, Coronel Eurico, Córrego do Feijão, Córrego Fundo, Eixo Quebrado, Encosta da Serra da Moeda, Marinhos, Melo Franco, Monte Cristo, Palhano, Parque da Cachoeira, Quilombos do Sapé, Retiro do Brumado, Suzana, Toca e Tijuco (na foto acima do Barbosa)
Economia
          A mineração é a principal atividade econômica, responsável por cerca de 65% da arredação do município. A cidade tem um comércio variado, com pousadas, hotéis, restaurantes, bares, etc para atender um fluxo grande de turismo que todos os dias vem à cidade para conhecer suas belezas naturais e o Inhotim (na foto acima de Sônia Fraga). Graças às suas belas paisagens, o turismo ecológico é muito forte em Brumadinho.
          Circundado por pelo menos quatro serras, entre elas a do Rola-Moça e a da Moeda, Brumadinho começou a explorar, sobretudo recentemente, as paisagens naturais. O número de leitos de hotelaria saltou de 300 em 2008 para 1300 no levantamento de 2016. (na foto acima do Barbosa)
          Embora o turismo no município ainda seja considerado recente e contribui com uma pequena parcela das receitas municipais, centenas de empreendedores dependem do setor em Brumadinho, que possuía até então, inúmeros atrativos turísticos, turismo cultural e ecológico que também movimentam a economia local, a exemplo: 
          O Parque Estadual da Serra do Rola-Moça (na foto acima de Eliane Torino), a Serra da Moeda (local de prática de esportes radicais), o circuito turístico de Veredas do Paraopeba, que engloba vários conjuntos paisagísticos e que são considerados patrimônios históricos tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, onde incluem edificações construídas no século XVIII, a exemplo da Fazenda dos Martins, o povoado  histórico de Piedade do Paraopeba,  
          A histórica tri-centenária Igreja Nossa Senhora da Piedade inaugurada em 1713 (na foto ao lado do Barbosa) com ricos elementos artísticos e sacros, a Igreja Nossa Senhora das Dores na localidade de Córrego do Feijão, o distrito de Casa Branca, vilarejo rodeado por montanhas, abrigando pousadas e uma gastronomia baseada na culinária tradicional mineira, e o Instituto Inhotim (na foto abaixo de Sônia Fraga), o maior museu a céu aberto da América Latina, com uma das mais expressivas coleções de arte contemporânea do Brasil, no distrito de mesmo nome; que atraem muitas pessoas pela quantidade de belezas locais e regionais.
          A Corporação Musical Banda São Sebastião, fundada em 13 de maio de 1929 por Tarcílio Gomes da Costa, é uma atração à parte e é inclusive mais antiga que a própria instalação do município de Brumadinho, tendo completado 80 anos de existência em 2009.
Principais pontos turísticos:
Instituto Inhotim - Centro de Arte Contemporânea, Mansão Matosinhos, Estação de Marinhos, Fazenda dos Martins (na foto acima do Barbosa), Topo do Mundo Bar e Restaurante, Arvorismo em Casa Branca, Clube de Voo Livre, Safári Rural, Serra da Moeda, Serra do Rola Moça, Mirante dos Veados,
Templo Budista (na foto acima do Barbosa), Forte de Brumadinho, Túnel do Sapê.
Principais eventos Culturais
Rodeio de Brumadinho; Dezembrega; Folia Sertaneja; Festa de São Sebastião, Jubileu de Nossa Senhora das Mercês, Festa da Cachaça, Festa da Mexerica, Festa do Milho, Festa da Jabuticaba

Fonte parcial das informações: Wikipédia - Ilustrações nossa

As ruínas do antigo Forte de Brumadinho

(Por Arnaldo Silva) A Construção de fortes na antiguidade era uma estratégia militar e tinha como objetivo a defesa e proteção das ações militares, bem como para guardar armamentos. Por isso as construções serem feitas com o máximo de segurança possível para a época, com paredes em pedra bruta sobrepostas e espessuras largas. No topo do muro dos fortes eram colocados vidros e no entorno dos fortes plantavam plantas espinhentas como cactus e coroas de Cristo. O objetivo era inibir a ação de quem tentasse escalar o muro.
          Uma construção com essas características citadas acima foi feita em Brumadinho, no século XVIII no início do ciclo do Ouro. (foto acima de Fernando Góes) Por isso tem o nome de Forte. Fica num ponto estratégico da Serra da Calçada, no complexo da Serra da Moeda, em Brumadinho, na divisa com Nova Lima. A construção foi feita com pedra sobre pedra, muito bem sobreposta e bem trabalhada. O Forte tem 50x40 metros de comprimento e sua construção lembra um retângulo. A muralha que cerca o forte tem 5 metros de altura, com 1 a 1,5 metro de espessura das paredes. 
          Tem apenas uma única entrada e no centro do forte existe uma outra construção, também em pedras, com 5 metros de altura com 2 portas, uma na frente e outra atrás e 6 janelas, laterais, bem amplas. Cada porta tem 3,60 metros de altura e 2 metros de largura, características do século 18. Acreditam que essa casa que fica no interior do Forte tinha também uma cobertura que facilitava a visualização de tudo que estava em torno do Forte.
          Devido a sua grandiosidade e detalhes estratégicos de defesa, essa obra do século 18 em Brumadinho com certeza teve importância muito grande para a época. Está num local privilegiado que permite uma visão geral das redondezas.
          Essa construção teve um objetivo. Não há uma conclusão exata do motivo de construírem um forte com essas proporções.
          Segundo consta, o Forte de Brumadinho chegou a ser usado como instrumento de defesa. A quem diga que o Forte foi construído para ser um entreposto de mercadorias que seguiam para Paraty, via Estrada Real. Outra versão diz que no local funcionava um ponto de fiscalização da Coroa Portuguesa da atividade de mineração na região, que já existia desde aquela época.

          A versão mais coerente e aceita, afirma que o local era usado para práticas comerciais ilícitas. Vestígios de mineração como represamento de água em muros de pedra, canalização e cavas são indícios de que no Forte existia atividade de extração de ouro. Naquela época, a exploração desse metal era uma febre e era comum naqueles tempos atividades ilícitas como fundições de moedas ilegais e exploração de ouro clandestina . Baseado nesses indícios, acredita-se que no interior desse forte, em Brumadinho, existia uma fundição de ouro e produção ilegal de moedas.
          Algumas trilhas nessa região tem calçamento em pedra muito bem feitos e ainda hoje em bom estado, levando diretamente ao Forte. Isso indicada que a presença de tropas e circulação de pessoas era intensa quando o Forte estava ativo.
          Hoje a área que está o Forte pertence à Mineradora MBR e a grandiosa obra do século XVIII está em ruínas, totalmente abandonado e com mato tomando conta de boa parte. Mesmo assim é um local que atrai grande número de turistas com interesse pela história do local, bem como as belezas naturais da região, que favorece a prática do ecoturismo. 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Guapé, uma região de ar puro e água cristalina

Década de 60, onde a cidade fez jus ao lema do seu brasão “Fluctuat Ne Mergitur” , flutua mas não afunda. Com a construção do reservatório da hidroelétrica de FURNAS, a velha Guapé foi totalmente inundada, sendo reconstruída aos poucos, como uma fênix, ao longo da mesma década. A reconstrução da cidade se deu sobre uma península, circundada pelo lago de Furnas, tornando-a uma das cidades mais encantadoras do mundo. 
O município conta com uma extensão territorial de 934,598 km² tendo como atividade econômica principal a agricultura, com destaque à produção de cafés especiais de altíssima qualidade, que representa mais de 50% da fonte de renda, seguida pelas atividades de: extração de quartzito, comércio local e o crescente turismo. Guapé possui uma aptidão natural ao turismo devido ao lago e suas belíssimas cachoeiras (Cachoeira do Paredão, Cachoeira do Inferno, Cachoeira do Macuco, Cachoeira do Garimpo, Cachoeira do Capão Quente, Cachoeira da Água Limpa, Cachoeira do Moinho, Cachoeira do Lobo, da Volta Grande, entre outras) distribuídas ao longo do município. Um lugar ideal para práticas de pesca, esportes náuticos, passeios de lanchas, trilhas, etc. 
Se o Baiano Dorival Caymmi tivesse conhecido Guapé certamente mudaria sua canção: “Você já foi a Guapé, nêga? Não? Então vá! Quem vai, minha nêga, sempre quer voltar.”. Guapé é um lugar simplesmente encantador, desde suas belezas naturais até o seu povo. 
Guapé é uma ótima alternativa a Capitólio (destino muito procurado nos últimos anos) devido à sua tranquilidade, e por apresentar uma ótima estrutura de hospedagem em pousadas de charmes, hotéis e casas de aluguel para temporada (Airbnb, Booking e outros). 
Não deixe de colocar o destino na sua agenda 2019. Maiores informações, dicas entre outras informações se encontram na página do Facebook : Visite Guapé
(Texto e fotografias enviadas por Fábil L. Alfonso)

Conheça o café do Jacu

(Por Arnaldo Silva) Jacu (Penelope sp.) é uma ave de grande porte da nossa Mata Atlântica e está presente em todo o território nacional. Pode chegar a 85 cm, tem calda, pescoço e asas longas e uma cabeça pequena. Em torno dos seus olhos vermelhos tem uma pele em tom azulado e sem pelos. O papo do jacu é vermelho. Sua plumagem é lisa com aspecto escamado e tem a tonalidade escura e as vezes, na cor cinza. Suas patas tem tons avermelhados. (foto abaixo de Ricardo Cozzo)
          Ai você pergunta, o que o jacu tem a ver com café? É que o grão do café vem do Jacu. Essa ave gera um café de alto valor, tanto comercial, quanto de qualidade.           Para você entender o processo, vou explicar direitinho. 
          A maioria das aves se alimentam de frutos. Isso todos sabemos. Elas comem a parte adocicada dos frutos e não comem as sementes. No caso, as aves espalham as sementes pela natureza, ajudando a natureza a ser renovar. 
          O jacu também se alimenta dos frutos, mas diferente das outras aves, ele engole as sementes inteiras, sem mastigá-las. Uma das sementes preferidas do jacu é a do café. Eles ficam aos pés dos cafezais escolhendo os grãos de café e são muito seletivos. Escolhem as que não tem defeitos e as mais maduras. O Jacu não tem estômago. Quando ele ingere a semente do café, seu organismo processa rapidamente o fruto, aproveitando apenas a polpa e a casca, expelindo o grão inteiro, totalmente intacto. Todo esse processo é feito diretamente no intestino da ave. Em seu organismo a semente do café absorve ácidos e enzimas que garantem uma baixa acidez do grão. Essa baixa acidez dá ao grão um amargor e doçura bem equilibrada à bebida.
          Entendeu? O Jacu expele a semente. Defeca. É das fezes do Jacu que é retirado os grãos do café.
          Assim que a ave defeca, as fezes são coletadas e passam em seguida por um rigoroso processo de limpeza para retirar as bactérias e limpeza dos grãos. Após a limpeza, os grãos ficam em "descanso" por um período. Depois do "descanso" são torrados e moídos. Depois disso, está pronto para consumo.
          Mas o café é bom? Bom não, é ótimo! Tanto é bom que está entre os cinco melhores cafés exóticos do mundo, presente nas principais cafeterias de Los Angeles, Londres, Tóquio e outras cidades do Brasil e do mundo.
          Mas qual a origem desse café? Foi desenvolvido por um cafeicultor do Espírito Santo. É um café muito conhecido neste Estado e também no mundo, já que está entre os cinco melhores cafés do planeta.
          Eu conheci esse café na cidade capixaba de Domingos Martins, onde este café é produzido, na Fazenda Camocim. Segundo pude saber, o proprietário da fazenda, Henrique Sloper, tinha problemas com os jacus, que comiam cerca de 10% de sua produção de grãos, já que comiam as sementes mais saudáveis de seu cafezal. Na tentativa de saber o que fazer, descobriu que na Indonésia existia um café bem exótico, considerado até então o mais caro do mundo. Esse café, conhecido por Kopi Luwak produzido a partir das fezes que não são digeridas de um animal herbívoro, da familia dos gatos, nativo da região chamado de Luwak (Paradoxurus hermaphroditus).
          De posse dessa informação, resolveu fazer experiência com os jacus, já que eles comiam as sementes e as defecavam inteiras. Quando o homem percebe que a natureza pode ser sua aliada e se harmonizar com ela, o retorno é ótimo para os dois lados. De vilões, essas aves passaram a ser amigas, já que o produtor percebeu que o café era ótimo. Além de exótico, surpreendeu especialistas em degustação do país, que afirmaram que o café do Jacu tem um sabor adocicado e equilibrado, com acidez marcante e deixa um gosto bom na boca.
          Com o sucesso de seu café, o produtor começou a produzir o café do Jacu para venda regional. Isso foi nos primeiros anos da primeira década de 2000. A partir de 2006 a produção de café do Jacu começou a crescer já que esse café começou a ganhar mercados nacionais e internacionais. Mesmo assim, é produzido de forma limitada, não em escala industrial como os cafés comuns que conhecemos.  Geralmente por encomenda ou em pequeno estoque,  por se tratar de um produto exótico e com um preço bem maior que o café convencional, além disso, o processo de produção desse café é totalmente diferente do atual que conhecemos, como deu para perceber na descrição que fiz acima. 

Embalagem tradicional do Jacu Bird - Café do Jacu/Divulgação
 Mas quem puder e tiver oportunidade de experimentar o Café do Jacu, valerá a pena gastar um pouco mais e saborear um café exótico, de alta qualidade e sabor. No site da empresa que produz o Jacu Bird: www.cafecamocim.com.br  você pode tirar dúvidas e inclusive comprar o café. 

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