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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Em berços de cuité...

Por Múcio Furtado*
Pois é...Minas tem dessas coisas, esses trens que marcam a vida da gente... lá nas Minas Gerais tem muita pinga, é verdade... mas tem “pingo” também... sim senhor, “pingo”! 
          Desses que gotejam, por desconcertantes, minuciosas eternidades... pois que esses recônditos mineiros guardam suas magias, quebrantos e encantos... embutidos em alquimias quase medievais e insondáveis segredos coloniais... pois é, foi alí mesmo que nasceu, sabe-se lá como, o impenetrável “pingo”, aconchegado em seu berço de cuité... embalado por sinfonias de ocultas cascatas na portentosa serra da Canastra... enfeitado com sempre-vivas nas altitudes do Serro, alí pelos costados de Diamantina, onde mais de um bandeirante, entre delírios de turmalinas, se perdeu... velado na serra do Salitre por queijeiros de fala mansa e olhar enviesado.... 
          Gota a gota, nas frescas, silenciosas madrugadas do verão ou no frio do úmido inverno mineiro, lá vem deslizando o “pingo”... pachorrento, suave... escapando lentamente de cada queijo em abundancia de fermentação por sabe Deus que micróbios estranhos... 
          Tímidos uns , ousados outros... mas astutos, matutos todos, em sua microscópica mineirice...! 
          Nas profundezas do cristalino fluido, embriagados em seus desarvorados festins de carboidratos, azedos e rabugentos lactobacilos se dividem em eterno desdém...enquanto que roliços lactococos espreitam, ciosos e ansiosos, distraídos dissacarídeos em fugaz transição molecular...e é assim, gente minha, que o “pingo” antes verdoso, cheiroso e doce, agora multiplicado, cindido e povoado, se apresenta em roupagens de alta acidez e deprimentes pH`s... 
         Levado pelas sagradas mãos de ressabiados queijeiros, com suas manhas e caprichos de perdidas gerações, lá vai o garboso “pingo” inundar de colonias globais o fresco leite das manhãs mineiras... 
          Na vetusta bancada , talhada no melhor jacarandá das matas de outrora, repousam singelas formas, benzidas em misteriosas rezas por sisudos reverendos com suas emboloradas batinas de antanho...
          Nelas, o sal cristalino e grosso abençoa o novo queijo , alvo em seus frescores de inocência... e dele segue gotejante, jacarandá afora, o “pingo”, em sua perene ciranda de nascer, fermentar e renascer, rumo ao cuité de seus segredos...
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*Múcio Furtado é mineiro natural de Carrancas MG e mora atualmente em Valinhos SP. Mestre Queijeiro, viaja o mundo dando palestras e ensinando a fazer queijo. Autor de 11 livros sobre Queijos, é PhD formado pela Michigan State University dos Estados Unidos.
A foto acima é também de autoria de Múcio Furtado,feita em Ibiá MG, Alto Paranaíba

terça-feira, 29 de maio de 2018

As 20 menores cidades de Minas Gerais

(Por Arnaldo Silva) Você vai saber quais são as 20 menores cidades de Minas, em número de habitantes, segundo dados do IBGE em 2019. São cidades pequenas, pacatas com lindas paisagens e por assim serem, oferecem uma ótima qualidade de vida a seus moradores. São cidades típicas de Minas, com arquitetura típica, ótima culinária, povo simples, hospitaleiro. (A imagem acima, de autoria do Sérgio Mourão a Praça da Matriz de Queluzito MG, na Região Central)
20º Senador Cortes
São 2005 habitantes. Distante 365 km de Belo Horizonte, Senador Cortes pertence a Zona da Mata Mineira e faz divisa com os municípios de Argirita, Maripá de Minas, Mar de Espanha, Santo Antônio do Aventureiro, Guarará, Além Paraíba.
19º Água Comprida
São 1999 habitantes. Distante 525 km de Belo Horizonte, Água Comprida pertence ao Triângulo Mineiro. Recebe este nome por conta da existência de um riacho, que corta grande extensão do município. Faz divisa com os municípios de Uberaba e Conceição das Alagoas.
18º Serranos
São 1963 habitantes. Distante 380 km de Belo Horizonte, Serranos (na foto acima de Dalton Maciel) fica pertence a micro região de Conselheiro Lafaiete e faz divisa com os municípios de Aiuruoca, Andrelândia, Minduri, São Vicente de Minas, Seritinga.
17º Queluzito
São 1939 habitantes. Distante 115 km de Belo Horizonte, Queluzito (na foto acima de Rogério Santos Pereira) pertence a região Central Sul do Estado. Faz divisa com os municípios de Conselheiro Lafaiete, São Brás do Suaçuí, Entre Rios de Minas, Casa Grande, Cristiano Otoni.
16º Douradoquara
São 1908 habitantes. Distante 514 km de Belo Horizonte, Douradoquara (na foto acima, arquivo Prefeitura Municipal) pertence a região do Triângulo Mineiro e faz divisa com os municípios de Catalão (GO), Monte Carmelo, Grupiara, Abadia dos Dourados.
15º Tapiraí
São 1875 habitantes. Distante 273 km de Belo Horizonte, Tapiraí pertence a região Oeste de Minas e faz divisa com os municípios de Bambuí, Córrego Danta, Campos Altos e Medeiros.
14º Seritinga
São 1851 habitantes. Distante 380 km de Belo Horizonte, Seritinga (na foto acima de Rildo Silveira) é uma pequena cidade situada a três quilômetros da BR 267 que liga as cidades de Caxambu à Juiz de fora, cidade com povos descendentes de italianos, portugueses, árabes, dinamarqueses, etc. Pertence a região Sul de Minas e faz divisa com os municípios de Serranos, Aiuruoca, Liberdade, Carvalhos, Andrelândia.
13º Pedro Teixeira
São 1807 habitantes. Distante 259 km de Belo Horizonte, Pedro Teixeira pertence a região da Zona da Mata Mineira e faz divisa com os municípios de Bias Fortes, Lima Duarte, Juiz de Fora.
12º Consolação
São 1783 habitantes. Distante 436 km e Belo Horizonte, Consolação (na foto acima de Fernando Campanella) pertence a região Sul de Minas e faz divisa com os municípios de Cachoeira de Minas, Conceição dos Ouros, Paraisópolis, Córrego do Bom Jesus e Cambuí.
11º Santo Antônio do Rio Abaixo
São 1765 habitantes. Distante 190 km de Belo Horizonte, Santo Antônio do Rio Abaixo (na foto acima do Barbosa) pertence a região Central Norte e faz divisa com os municípios de Conceição do Mato Dentro, Morro do Pilar, São Sebastião do Rio Preto.
10º Olaria
São 1747 habitantes. Distante 325 km de Belo Horizonte, Olaria pertence a região da Zona da Mata Mineira e faz divisa com os municípios de Lima Duarte, Bom Jardim de Minas, Rio Preto.
9º Passabém
São 1649 habitantes. Distante 160 km de Belo Horizonte, Passabém (na foto acima do Barbosa) pertence a região Central Mineira e faz divisa com os municípios de Ferros, Santa Maria de Itabira, São Sebastião do Rio Preto, Itambé.
8º Antônio Prado de Minas
São 1598 habitantes. Distante 400 km de Belo Horizonte, Antônio Prado de Minas (na foto acima de Bruno Estevão Imagens Aéreas) pertence a região da Zona da Mata Mineira, na divisa com o Rio de Janeiro. Faz divisa com os municípios de Eugenópolis, Tombos, Itaperuna (RJ), Natividade (RJ), Porciúncula (RJ)
7º Paiva
São 1529 habitantes. Distante 228 km de Belo Horizonte Paiva é uma das menores cidades em área em Minas Gerais, com apenas 64 km². Sua população ocupa-se economicamente de agricultura e pecuária. Pertence a região da Zona Mata Mineira e faz divisa com os municípios de Aracitaba; Oliveira Fortes; e Mercês.
6º Doresópolis
São 1527 habitantes. Distante 249 km de Belo Horizonte, Doresópolis (na foto acima, da Prefeitura Municipal) pertence a região Oeste de Minas e faz divisa com os municípios de Bambuí, Piumhi, Pains, Iguatama.
5º São Sebastião do Rio Preto
São 1506 habitantes. Distante 169 km de Belo Horizonte, São Sebastião do Rio Preto (na foto acima do Barbosa) pertence a região Central Norte Mineira e faz divisa com os municípios de Passabém, Santo Antônio do Rio Abaixo, Conceição do Mato Dentro, Itambé do Mato Dentro, Ferros e Morro do Pilar.
4º Senador José Bento
São 1502 habitantes. Distante 420 km de Belo Horizonte, Senador José Bento (na foto de Rildo Silveira) pertence a região Sul de Minas e faz divisa com os municípios de Congonhal, Ipuiúna, Borda da Mata.
3º Grupiara
São 1388 habitantes. Distante 810 km de Belo Horizonte, Grupiara pertence a região do Triângulo Mineiro e faz divisa com os municípios de Douradoquara, Monte Carmelo e Estrela do Sul.
2º Cedro do Abaeté
São 1164 habitantes. Distante 230 km de Belo Horizonte, Cedro do Abaeté (na foto acima de Sueli Santos) pertence a região Central Mineira e faz divisa com os municípios de Abaeté, Paineiras, Tiros, Quartel Geral.
1º Serra da Saudade
São 781 habitantes. Distante 230 km de Belo Horizonte, Serra da Saudade (na foto acima de Sueli Santos) é a menor cidade, em número de habitantes no Brasil, segundo o IBGE. Pertence a região Centro Oeste de Minas e faz divisa com os municípios de Dores do Indaiá, Quartel Geral, São Gotardo e Estrela do Indaiá.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

O Casarão de Santo Antônio em Esmeraldas

O imponente Casarão de Santo Antônio é uma construção datada do século XIX com todas as características coloniais da época, hoje preservadas, graças ao tombamento e posterior restauração. É um bem tombado pelo município de Esmeraldas em 1989. Em 25 de agosto 2004, seu valor histórico foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA), sendo tombado nesta data. Está localizado próximo ao povoado de Urucuia, a 4 km do centro de Esmeraldas, cidade com cerca de 75 mil habitantes, distante 60 km de Belo Horizonte.
          O casarão (na foto acima de Leandro Durães) foi residência de José Teixeira da Fonseca Vasconcelos, o visconde de Caeté. (nasceu em Santa Quitéria, c. 1770 — faleceu em Caeté, 10 de fevereiro de 1838), foi um proprietário rural, juiz de fora e político brasileiro. Formou-se em direito e medicina na Universidade de Coimbra.José Teixeira da Fonseca Vasconcelos foi um dos responsáveis por pressionar o futuro imperador D. Pedro I que no dia 9 de janeiro de 1822 permanecesse no país e não partisse para Portugal, e que ficou conhecido como o dia do fico.Foi o primeiro presidente da província de Minas Gerais e senador do Império do Brasil, de 1826 a 1838.
Saint-Hilaire deixou registrada sua impressão sobre o visconde.
"Eu me hospedei na Capital do Rio das Velhas (Sabará) na casa do Senhor José Teixeira, então Juiz de Fora e Intendente do Ouro [...] O Sr. Teixeira é um homem de quarenta e alguns anos, rico e uma figura bastante gentil. Nascido nas Minas, ele fez os seus estudos em Coimbra e sua conversação era muito agradável. É raro ter uma reputação melhor que Sr. José Teixeira tem, em todo ponto que se vai, ele é reconhecido pelo seu saber e pela sua humanidade, seu desinteresse, sua candura, seu amor pela justiça, sua visão e patriotismo por seu pai."
O cônego José Marinho também escreveu:
"[...] deve ser considerado o patriarca mineiro da independência. É mui digno que foi de José Bonifácio. O discurso que proferiu na presença de D. Pedro é, sem dúvida, mais vibrante e caloroso que o proferido pelo grande paulista."

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Conheça Pedra Grande

Pedra Grande é um pitoresco e pacato distrito de Almenara MG, no Vale do Jequitinhonha. Pedra Grande, a mão do Criador em prol da natureza exuberante.
     O Distrito de Pedra Grande, município de Almenara, Nordeste de Minas Gerais, é desses lugares onde existe uma sinergia inigualável, onde também o Supremo Criador foi de uma Bondade infinita, proporcionando naquele cenário bucólico, uma natureza singular no planeta terra.    
   Ali, se observarmos bem, flui uma energia poderosa, naturalmente, tanto de sua gente acolhedora quanto das rochas que cercam aquela lugar.  
     A pedra, alias, as pedras, localizadas a poucos metros do perímetro urbano, são monolitos de rara beleza, formados por dois tipos de rochas distintas, qual seja à base de gnaisse e o topo de granito. 
     Conhecer Pedra grande nos dá uma sensação de que o Criador (Deus todo Poderoso) gastou algumas horas para emoldurar paisagem tão linda, cuja mão do homem entrou em certa ocasião para elevar casarões também de beleza singular. Conta, os mais antigos, que o lugar era paragem para os tropeiros que vinham do Sul da Bahia rumo ao Nordeste de Minas, principalmente com destino a Almenara, Nanuque, Teófilo Otoni e outras cidades de Minas Gerais. Comenta-se, e é fato verídico, que na década de 70 do Século passado, alguns alpinistas, vindos do Rio de Janeiro, escalaram a pedra mais aguda, conhecida como pé-da-pedra, numa subida que foi acompanhada atentamente pelos moradores, assim como descreve Dona Gildete Fernandes e o Sr. Noildo Justiniano Moreira, crianças à época, que não tinham noção da aventura humana naquela época inesquecível. 
   Hoje, depois de quase quatro décadas, eis o Distrito de Pedra Grande ganhando visibilidade, a atrair muita gente para seu aconchego, através do Encontro dos Pedragrandenses e Amigos, projeto idealizado pela Associação Comunitária dos Moradores de Pedra Grande – ASCOMPEG, tendo o apoio de toda coletividade, causa abraçada com fervor pelo vereador Israel Silva Araújo e tantos outros filhos da terra. É sonho - e pode se tornar realidade - rapel, ou uma tirolesa , de uma pedra a outra, num percurso de 800 metros, das pedras (vamos nomeá-las de Zumba e Mandela, em homenagem a Zumbi dos Palmares e Nelson Mandela), para atrair aventureiros de todo o Brasil e do Mundo. 
   Garanto que, diante do cenário maravilhoso, achemos apoiadores para essa, como diríamos, tarefa hercúlea, que naturalmente motivará o turismo na nossa querida Pedra Grande. As fotos captadas por mim durante visitas à comunidade servem de inspiração para sonharmos mais alto. Textos e fotos enviados por João Avelar

terça-feira, 22 de maio de 2018

A origem do nome de Barbacena

(Por Arnaldo Silva) Sua população estimada atualmente é em torno de 150 mil habitantes e está na região dos Campo das Vertentes. (fotografia acima de Wagner Rocha) É um grande produtor de frutas e de flores. Se destaca como centro de ensino, com expressiva influência regional, tendo também um comércio diversificado. Barbacena fica na Serra da Mantiqueira. Dista 169 quilômetros da capital do estado, Belo Horizonte. 
          Barbacena é uma das mais belas e antigas cidades de Minas. (foto ao lado de Januário Basílio)
Foi fundada em 14 de agosto de 1761. Tem história e participação ativa nos principais fatos históricos do Brasil Colonial, Imperial e Republicano. Mas porque o nome Barbacena?
          Em Elvas, na região do Alentejo, em Portugal, tem uma povoação cuja origem e história se perde nos séculos. Seus primeiros habitantes foram os bárbaros, dai a denominação "Bárbaris Sena" ou seja, "Povoação de Bárbaros. Essa povoação foi vila e sede de concelho entre 1273 e 1837. Era constituída apenas pela freguesia da sede e tinha 832 habitantes em 1801. O Rei de Portugal Dom Sancho II elevou o povoado a Vila. Coube ao Rei Dom Manuel reconhecê-la como Vila em 1808, sendo denominada Barbacena. Em 1936, Salazar inaugurou em Barbacena a primeira casa do povo de Portugal.Em 2011 contava com 663 habitantes. Em 2013 o distrito foi extinto e agregado à freguesia de Vila Fernando, formando uma nova freguesia denominada União das Freguesias de Barbacena e Vila Fernando, da qual Barbacena é a sede.
          A Barbacena portuguesa localiza-se a 15 km de Elvas, 7 km de São Vicente e Ventosa, 5 km de Vila Fernando, 20 km de Monforte, 9 km de Santa Eulália, 22 km da Espanha e 220 km de Lisboa.
 A Barbacena mineira antiga. Desconhecemos o autor da imagem
          Agora vamos ao que interessa. Por qual motivo temos em Minas uma cidade com esse nome também?

          A Barbacena mineira se chamava Arraial da Igreja Nova. Em 14 de agosto de 1791 foi criada a Vila e erigido o Pelourinho. (a imagem ao lado mostra escravos em dia de Festa do Reinado em frente a senzala em uma fazenda não identificada em Barbacena no ano de 1884, de autoria de Ruy Santos.) 
          Nessa época governava a Província das Minas Gerais era o Visconde Luiz Antônio Furtado de Mendonça que era português, natural de Barbacena. Por isso nome escolhido foi Barbacena, em homenagem ao Visconde de Barbacena.
          Visconde na época era um título de nobreza inferior ao de conde e superior ao de barão. Cabia ao visconde substituir o conde na administração do seu condado. Em outras palavras era o vice imediato do conde. 
          Luiz Antônio Furtado de Mendonça era Visconde de Barbacena, em Portugal. Um homem culto, inteligente, especialista em ciências e mineralogia, tendo também participação ativa na repressão da Coroa Portuguesa ao movimento da Inconfidência Mineira. Retornou a Portugal e lá ficou, mesmo com a fuga do Rei e nobres portugueses em 1808, quando Portugal foi invadida e dominada por Napoleão Bonaparte, permaneceu em sua terra, sendo preso pouco tempo depois pelos franceses. 

sábado, 19 de maio de 2018

Itamarandiba: uma das mais antigas cidades de Minas

(Por Arnaldo Silva) Fundada em 24 de junho de 1675, Itamarandiba, cujo nome indígena significa "pedra miúda que rola juntamente com as outras", foi uma das primeiras povoações de Minas Gerais e a primeira do Vale do Jequitinhonha, no Nordeste mineiro. Quando de sua origem, no final do século XVII, se chamava Arraial de São João Batista, elevado a freguesia, depois a distrito em 1840 e município emancipado em 1862. A cidade guarda traços e história dos tempos do Brasil Colônia, mas diferente das demais cidades oriundas do século XVII e XVIII, a povoação de Itamarandiba não teve origem somente nos bandeirantes portugueses, mas também em alemães e franceses. 
          Na região, alemães e franceses fundaram o arraial de Penha de França, em 1653, hoje distrito, antes mesmo da chegada dos portugueses e fundação do Arraial de São João Batista, que deu origem à cidade de Itamarandiba. (na foto acima de Sérgio Mourão, a Matriz de São João Batista)
           Franceses e alemães vieram para a região com o mesmo objetivo dos portugueses, encontrar ouro e outras pedras preciosas, fixando residência no arraial que fundaram. Tanto os portugueses, quantos os alemães e franceses, deixaram um pouco de suas culturas, tradições, arquiteturas e religiosidade, presentes ainda hoje no município, com destaque para os casarões da Rua Padre João Afonso e na Praça Dr. Alphonso Pavie, Largo do Souza, Rua Tiradentes, Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Igreja de São João Batista, bem como charme e beleza colonial de seus distritos Penha de França (na foto abaixo de Sérgio Mourão), Contrato, Padre João Afonso e Santa Joana. 
          Hoje, Itamarandiba tem pouco mais de 35 mil habitantes, cidade que ao longo dos anos, vem conquistando boa infraestrutura urbana e desenvolvimento rural, sendo um dos principais municípios da região e um dos mais emergentes em Minas Gerais.
            Sua economia é baseada em pequenos comércios, prestação de serviços, na agropecuária, agricultura familiar e na produção de mel, sendo Itamarandiba um dos maiores produtores de mel de Minas, chamada de “Capital Mineira do Mel”. Se destaca ainda como um dos polos da silvicultura no país, sendo por isso conhecida também como “Capital do Eucalipto”, produzindo uma média de 30 milhões de mudas de eucalipto por ano. (foto de Sérgio Mourão)
          Faz divisa com os municípios de Aricanduva, Carbonita, Capelinha, Senador Modestino Gonçalves, Veredinha, Rio Vermelho, São Sebastião do Maranhão, Coluna, Frei Lagonegro, Felício dos Santos e São Pedro do Suaçuí. Distante 406 km de Belo Horizonte, com uma área territorial que abrange o bioma Cerrado e Mata Atlântica, tendo como destaque natural grandes chapadas, a Serra do Espinhaço, uma das reservas mundiais da Biosfera, reconhecida pela UNESCO e o Parque Estadual da Serra Negra, uma das mais belas e bem preservadas reservas naturais da região, sendo um dos maiores atrativos naturais de Itamarandiba. (foto abaixo de Sergio Mourão)
          Por suas belezas naturais, história, riqueza mineral e arquitetura colonial, é uma cidade com grande potencial turístico e ainda conta com um rico calendário festivo anual com destaque para a Expoita, uma das maiores exposições agropecuárias da região, a Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, as encenações da Semana Santa, as celebrações do Corpus Christi, o Carnaval, as festividades de fim de ano, a Festa de Nossa Senhora da Penha de França, em setembro, o aniversário da cidade em 24 de junho, são alguns eventos de destaque, que movimenta a comunidade e a economia na cidade. 
          Itamarandiba se destaca por organizar uma das melhores feiras da região com produtos da agricultura familiar, além de diversos produtos oriundos do Cerrado e Mata Atlântica. (na foto acima de Sérgio Mourão, a tradicional Feira do Mercado) É uma das mais importantes feiras do nordeste mineiro e uma das mais antigas também. Tem tradição secular e familiar. É mais que uma feira, é local de encontro dos itamarandibanos, que se encontram na Praça dos Agricultores, local da feira, todos os sábados pela manhã para uma conversa com amigos ou mesmo, passeio em família para conhecer os produtos feitos nas fazendas do município. 
          Além da feira aos sábados, nas quintas-feiras acontece também na cidade a Feira do Artesanato, também conhecida como “Forró dos Velhos”, onde são expostos artesanato do Vale do Jequitinhonha, bem como a culinária local e com o atrativo de ter muita música, alegrando os presentes. (na foto acima de Sérgio Mourão, mostra do artesanato local, feito com argila. Não está errado não gente, a escrita foi em mineirês) 
          Por falar em culinária, a gastronomia itamarandibana é riquíssima, tradicional, colonial e mineiríssima com as nossas principais receitas, presentes em nossa mesa há mais de três séculos, além das delícias que os frutos do Cerrado e Mata Atlântica possibilitam fazer como doces, compotas, sucos, farinhas, etc.

Conheça Andrelândia: cidade histórica no Sul de Minas

(Por Arnaldo Silva) Cidade tipicamente mineira, com hábitos tradicionais no estilo de vida urbano e rural, a charmosa Andrelândia, no Sul de Minas, a 300 km de Belo Horizonte, com menos de 15 mil habitantes, é uma das relíquias históricas de Minas Gerais. O município se destaca por sua mineiridade, preservação de suas tradições, como por exemplo, dos carros de bois, como podem ver acima na foto do Cláudio Alves Salgado, desfile tradicional no Centro Histórico da cidade, reunindo dezenas de carreiros, além de sua ótima gastronomia e pela preservação de seu patrimônio histórico. A economia da cidade é baseada em pequenos comércios, na prestação de serviços, no turismo, na agricultura, com destaque para a pecuária leiteira, produção de mel, cultivo de café, frutas silvestres e a cana de açúcar,  e ainda de pequenas indústrias como o Laticínio Flor de Andrelândia Ltda e a Seixas Pré-moldados Indústria e Comércio Ltda, dentre outros pequenos segmentos como pousadas, hotéis e restaurantes. 
Sua origem começa no século XVIII com a chegada de bandeirantes e portugueses à região para exploração de ouro e na produção agrícola. Por iniciativa de um dos pioneiros da região, André da Silveira, rico fazendeiro, que sentiu a necessidade da presença da igreja na região, construiu um igreja dedicada à Nossa Senhora do Porto da Eterna Salvação, com autorização do Bispado de Mariana, responsável à época pelas ações religiosas de boa parte de Minas Gerais. A igreja foi construída no local chamado de  Turvo Pequeno e teve a bênção católica em 1755. Ao redor da ermida começou a surgir casas, formando assim um pequeno arraial, chamado de Arraial do Turvo, tendo a igreja sido elevada a paróquia em 1827 e o arraial, elevado a Vila em 20 de julho de 1864, data que marca a fundação da cidade com o nome de Vila Bela do Turvo, tendo adotado o nome de Andrelândia, a partir de 19 de setembro de 1930, em homenagem ao fazendeiro, um dos primeiros moradores da região e por sua iniciativa de construir a igreja e o arraial,  André da Silveira.
          Por ser uma cidade histórica, com seu casario conservadíssimo e história preservadas, Andrelândia, na foto acima do Rafael Siqueira, se destaca no turismo, não só por sua arquitetura, mas também pela religiosidade de seu povo, presente nas festas de São Benedito, de São Sebastião e de Nossa Senhora do Porto da Eterna Salvação, na Folia de Reis e Semana Santa.
          Os imponentes casarões, na região central, impressionam por sua beleza, como os da foto acima do Rafael Siqueira, Além dos casarões em estilo barroco e casario eclético, suas igrejas são destaque, sendo algumas construídas nos tempos do Império.
          A Matriz de Nossa Senhora do Porto da Eterna Salvação, na foito acima, a parte frontal e abaixo, os fundos, ambas de autoria de Marcelo Lagatta, é o marco original da cidade.
          Planejada pelo arquiteto Lúcio da Costa, construída em estilo barroco e ornamentação em estilo Rococó, foi erguida no final do século XVIII, sendo uma das mais importantes igrejas do período barroco. Outra igreja em destaque é a de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, construída por volta de 1817. 
          Na atualidade, foi erguida a igreja em honra a São Benedito, no bairro Areão, totalmente diferente da arquitetura convencional das igrejas mineiras, substituindo a antiga capela de São Benedito, da década de 1930. Em seu lugar, foi construído, sobre a coordenação do padre José Tibúrcio, um novo templo, em estilo moderno e bem exótico, que chama a atenção por sua fachada, como podem ver na foto do Rafael Siqueira. Da antiga capela, simbolizando a mão de Jesus, com os dedos indicador e médio, os maiores, apontando para o céu, os dedos anelar e mínimo, para os fiéis, na entrada do templo e o polegar, fechado. A mão imita o gesto acolhedor de Jesus, segundo a visão do padre José Tibúrcio. 
          Além do charme da cidade, da beleza de sua arquitetura colonial, tradições, culinária, em Andrelândia, na foto acima do Rafael Siqueira encontra-se um variado e rico artesanato em colchas, caminhos de mesa de crochê, flores feitas com palha de milho seca, peças feitas em teares, dentre outras belezas da riqueza e criatividade dos artesãos locais, feitos com matérias primas encontradas na região, retratando a cultura e tradição do povo andrelandense.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Fazenda São José da Vargem em Baependi MG

Um pedaço de nossa história conservada por sete gerações. São memórias gravadas nos portais e nas paredes centenárias, capazes de nos transportar no tempo e contar histórias de vida e de gente.
Tudo isso no sul de Minas Gerais, no pé da serra da Mantiqueira.
A fazenda construída por um português Sr. Machado há mais de 300 anos , posteriormente adquirida por João de Souza, permanece na mesma família por sete gerações.

A arquitetura da casa foi preservada praticamente a mesma durante esse tempo, conservando em sua estrutura a engenharia da época e a forma de vida dos antepassados.
O imóvel possui 19 cômodos, 35 janelas com 1120 vidros. As paredes feitas de adobe e pau a pique reserva um grande espaço  no porão, onde ficava a senzala.
Dentro da casa há uma ermida onde celebravam as missas, batizados e casamentos.
Atualmente a Fazenda São José da Vargem é aberta a visitação desde que a visita seja agendada previamente.
Café da Tarde Típico Mineiro
Neste recanto encantador, as banqueteiras da fazenda resgatam o velho hábito de servir pães, doces, bolos e biscoitos acompanhados de broa e de boa prosa com um saboroso café e sucos. Tudo feito no lendário fogão a lenha, que permanece no formato original.
Da mesma forma é preservada a forma de cozinhar dos antepassados, onde receitas exclusivas são feitas e degustadas pelo visitante. Hoje, aberta ao público, a fazenda oferece um saboroso e famoso café mineiro. Tudo servido com muito requinte.
As mesas coloniais cobertas por toalhas de renda branca suportam as belas porcelanas chinesas, nas quais são servidas as refeições e foram compradas na época da monarquia para receber a visita de Dom Pedro II.
Como ele nunca apareceu, os herdeiros nascidos e crescidos em plena República usufruem das relíquias das requintadas peças, hoje compartilhada com o público que visita a fazenda.
Fazenda São José da Vargem – contatos
Telefones (35) 3343-1000 // (35) 3343-1095
celular (35) 99134-1261 // (35)98844-3259 // (35) 98893-7362
e-mails: meirelles.in@gmail.com // italanicoliello@bol.com.br

Todas as fotos desta postagem são de autoria de Dalton Maciel

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