quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Bueno Brandão: o Campo Místico das Gerais

Encravada nas montanhas e campos místicos da Serra da Mantiqueira, no sul das Minas Gerais, agraciada com exuberante vegetação e abundância de águas, inclui-se na paisagem a adorável cidade de Bueno Brandão.
Terra de gente tranquila, que cedo levanta para cuidar dos afazeres do dia, e que no cair da tarde ainda acha tempo para um dedinho de prosa com os amigos. Terra de gente disposta que produz alimento, artesanato, comida boa, e que descobre a cada dia o prazer de receber os mais diversos visitantes.(Fotografia acima de WJD)
LOCALIZAÇÃO:
Bueno Brandão fica localizada no extremo sul de Minas Gerais, na divisa com o Estado de São Paulo. Bem localizada, a cidade fica próxima das grandes metrópoles regionais como São Paulo/SP (170 km), Campinas/SP (151 km), Bragança Paulista/SP (83 km), Pouso Alegre/MG (72 km), Itajubá/MG (141 km), entre outras. Os municípios limítrofes são Ouro Fino e Inconfidentes a norte, Bom Repouso e Senador Amaral a leste, Munhoz a sul, Socorro (São Paulo) a oeste e Monte Sião a noroeste. (na foto enviada pelo Douglas Coltri, o famoso Castelinho)
O CLIMA:

Em Bueno Brandão, o verão é longo, morno, com precipitação e de céu encoberto; o inverno é curto, ameno e de céu quase sem nuvens. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 0 °C a 27 °C.
AS CACHOEIRAS:
Além da paz, da aventura, da culinária, das montanhas, dos artesanatos, da cultura mineira, além de ser Bueno Brandão bonita por natureza. Existem as Cachoeiras, Felix, Machado I e II, Davi, Cascavel, Luiz (na foto acima do Roberto Torrubia), Fidêncio, Malacacheta, Cafundó e tantas outras geladas, quentes, altas, baixas, tranquilas, agitadas, CACHOEIRAS para que se possa ainda mais, não estar, mas sim fazer parte de tudo isso. São mais de 30 cachoeiras catalogadas.
PICOS E VALES:
Para chegar perto do céu os picos, 1200, 1300, 1880 metros acima do nível do mar, para tirar o fôlego de quem busca a vida sem quietude. O deslumbre dos mares de Minas é ainda mais fantástico visto das montanhas de Bueno Brandão. Para subir fica ao gosto do freguês, como dizem os “vendeiros” da cidade, vale a trilha, vale o jipe, vale a moto, vale a bicicleta, só não vale deixar de sentir os ventos que sopram refrescando o suor de quem se sente bem aventurado. O Vale das Furnas, é um dos atrativos para aqueles que gostam de fotografia panorâmica. Nele também contamos com a vista de cidades vizinhas como Ouro Fino e Inconfidentes. (na foto acima de Roberto Torrubia o Mirante da Serrinha)
TURISMO DE AVENTURA:
Bueno Brandão dispõe de locais adequados para prática de cascanding, rapel, boia-cross, tirolesa, arvorismo, voo livre, ciclismo, off road, motociclismo e outros, oferecendo aos seus visitantes a possibilidade de vivenciar a aventura, ainda que não sejam esportistas.
TURISMO ECOLÓGICO:
Com uma farta oferta de matas, trilhas, rochedos, ar puro, mirantes, cachoeiras, pastagens, rica fauna e flora, além de centenas de nascentes e minas d’agua que brotam desse solo abençoado, Bueno Brandão destaca-se como destino vivaz para os amantes de ambientes naturais e preservados propícios ao relaxamento, a meditação e a contemplação. As noites são um espetáculo à parte, já que Bueno Brandão tem uma das melhores localizações da América do Sul para observação das estrelas. (foto acima de Roberto Torrubia)
ESPORTE AO AR LIVRE:
Sem dúvida Bueno Brandão reúne todos os recursos necessários para os apaixonados pelo esporte ao ar livre, seus topos de montanhas, suas trilhas desafiantes, cachoeiras, lagos, possuem as qualidades necessárias para a prática destes esportes.
A GASTRONOMIA:
Nos restaurantes, bares, cantinas e cafés, Bueno Brandão guarda outra surpresa para os visitantes, um segredo que se revela à mesa farta, entre cores, aromas e sabores, resultado de todas as influências que formaram a cultura brasileira, a culinária mineira é uma das mais apreciadas do país. Se delicie com broas de milho, pães de queijo, tutus de feijão, linguicinhas, massas apetitosas e para fazer a digestão, prove especialidades da terra como a jeropiga, licor de amora, vinho artesanal e o delicioso espumante da uva niagara, ou as famosas cachaças mineiras. (foto ao lado do Roberto Torrubia)
A HOSPEDAGEM:
São mais de 30 opções, entre hotéis, pousadas charmosas e aconchegantes, com vistas para lindas paisagens e algumas delas bem perto das cachoeiras.
VIDA-EQUILIBRADA:
A vida aqui segue outro ritmo, quem chega aqui perde a pressa, principalmente de ir embora, a tranquilidade típica mineira torna-se um dos principais atrativos. Conciliados com a energia que emana da natureza a renovação vital é certeza para o visitante. Águas que correm num fluxo equilibrado, ar puro com frescor das montanhas, aceleram o astral para quem quer revitalizar a alma. A paz de Bueno Brandão torna-se tão presente da vida que até os cachorros dormem no meio da rua. (foto abaixo enviada pelo Douglas Coltri)
Texto de autoria de Geraldo Adami - Texto e fotografias enviados por Douglas Coltri - Chefe do Departamento de Turismo de Bueno Brandão
Noturna de Bueno Brandão. Fotografia de Roberto Torrubia
GUIAS E RECEPTIVO
Receptivo Buena Ventura: Vivências de Jipe 4 x 4 (11) 9 8381-8395
Romero Dumond: (35) 9 9969-6154 - Yuri: (035) 999526920
Centro de Atendimento ao Turista // Secretaria de Turismo : (35) 3463-2384 / (35) 9 9725-3663 - E-mail: turismo.chefe@buenobrandao.mg.gov.br

terça-feira, 8 de outubro de 2019

É de Ibiá o vencedor do Concurso Estadual de Queijos

O produtor Antônio Onofre, do município de Ibiá, é o vencedor do 12º Concurso Estadual de Queijo Minas Artesanal, realizado em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, no último sábado (5/10/19). O queijo produzido por ele é da região de Araxá. No total, o júri técnico elegeu os cinco melhores do estado. Como novidade desta edição da disputa, um júri popular escolheu o seu queijo favorito.
Créditos da Imagem: Alexandre Soares
Esta é a primeira vez que Antônio Onofre e sua esposa, Ana Paula Rocha, vencem o concurso. O casal é assistido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). “A Emater sempre nos ajudou, principalmente, a melhorar a qualidade do nosso produto”, conta Ana Paula.

A queijaria deles foi a primeira, de um total de seis no município, a ser cadastrada junto ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). No local são produzidos cerca de 35 quilos por dia. A iguaria é vendida em vários municípios de Minas Gerais. O primeiro lugar na disputa é visto como uma oportunidade de ampliar a atividade.
“Foi muito emocionante para nós receber esse prêmio. É um reconhecimento pelo nosso trabalho. A partir de agora, a expectativa é melhorar ainda mais a qualidade do nosso queijo, agregar valor e conquistar novos mercados”, afirma Antônio Onofre.(foto ao lado de Alexandre Soares)
A disputa
Quarenta queijos participaram do 12º Concurso Estadual de Queijo Minas Artesanal. A avaliação seguiu critérios como apresentação, cor, textura, consistência, paladar e olfato. A comissão julgadora foi formada por 11 profissionais ligados à área. Na primeira etapa, foram classificados os dez melhores produtos. Na segunda etapa, aconteceu a escolha dos vencedores.

A seleção dos queijos que participam do concurso estadual foi antecedida por disputas municipais e regionais. “Cada região caracterizada como produtora de Queijo Minas Artesanal classifica os cinco primeiros para o estadual. Além deles, convidamos outros cinco produtores que são regularizados e não estão inseridos nas regiões caracterizadas”, diz coordenador técnico estadual da Emater-MG, Milton Nunes.

Júri Popular
Os dez queijos classificados para a segunda fase do concurso foram avaliados por um júri popular. O público, sem ter conhecimento da seleção técnica, escolheu o seu queijo preferido, que também foi premiado.

“Isso dá oportunidade ao público presente de opinar e, ao mesmo tempo, conhecer o processo de julgamento, aprimorar seu paladar, adquirir critérios que poderão ser utilizados em seu dia a dia como consumidores”, afirma o coordenador da Emater-MG.

O queijo produzido por Reginaldo Miranda, do município de Medeiros, região da Canastra, foi escolhido o melhor pelo público. “A voz do povo é a voz de Deus. A gente faz esse trabalho todos os dias com muito amor e carinho é para o povo mesmo. Sem eles, nós não vendemos queijo. Para nós, é uma grande bênção e honra demonstrar o produto da nossa cidade e da nossa família”, diz Reginaldo.

Parceria
A iniciativa do 12º Concurso Estadual de Queijo Minas Artesanal é da Emater-MG, com a parceria da Seapa, Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), prefeitura e do Sindicato Rural Uberlândia.

“O concurso estadual é fundamental para promover e valorizar o Queijo Minas Artesanal e, especialmente, o nosso produtor rural, que tanto trabalha em prol do desenvolvimento do setor produtivo. Mais uma vez, o concurso foi excelente graças ao trabalho de todos e das parcerias, sendo um exemplo da união de forças”, diz o diretor-presidente da Emater-MG, Gustavo Laterza.

Queijo Minas Artesanal
O governo estadual, por intermédio da Seapa, Emater-MG e o IMA desenvolve o programa do Queijo Minas Artesanal. O estado trabalha com número estimado de 30 mil produtores de queijos artesanais, sendo que, desse total, 9 mil são produtores de Queijo Minas Artesanal e estão nas sete regiões tradicionais, caracterizadas e reconhecidas. A produção aproximada dessas regiões é de 50 mil toneladas por ano. (imagem abaixo de autoria de Alexandre Sores)
O Queijo Minas Artesanal mantém as características de produção artesanal, predominantemente a partir de mão de obra familiar, com produção em baixa escala a partir do leite cru (não é permitido leite pasteurizado), produzido na propriedade (proibido aquisição de leite), utilização de coalho, pingo e salga seca. Ele é apreciado graças ao conhecimento passado entre gerações e às suas características peculiares. O modo artesanal da fabricação foi registrado como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

No estado, são sete regiões caracterizadas: Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serra do Salitre, Serro e Triângulo Mineiro. O reconhecimento das regiões é respaldado por estudos que avaliam o processo de fabricação e as características peculiares do local de origem, como a história, a economia, a cultura e o clima, entre outros.

A Emater-MG orienta os produtores sobre adequações das queijarias, currais e anexos, obtenção higiênica do leite, tratamento de água, controle sanitário do rebanho, boas práticas agropecuárias e de fabricação, e exigências da legislação vigente. A empresa também exerce um papel importante na mobilização e organização dos produtores.

De acordo com o IMA, órgão estadual credenciado junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), atualmente há 278 produtores mineiros cadastrados, aptos para a produção de Queijo Minas Artesanal e habilitados para vender dentro do território mineiro, além de 13 queijarias e dois entrepostos registrados no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA), aptos a venderem em todo território nacional.

Classificação final do concurso:
1º lugar: Antônio Onofre/ município de Ibiá, região de Araxá
2ª lugar: Elias Cortes/ município Cruzeiro da Fortaleza, região Cerrado
3º lugar: Geraldo Moreira da Silva/ município Serra do Salitre, região Serra do Salitre
4º lugar: João José de Melo/ município Serra do Salitre, região Serra do Salitre
5º lugar: Cleno Boavenutra Júnior/ município Carmo do Paranaíba, região Cerrado
(Reportagem da Agência Minas)

sábado, 5 de outubro de 2019

Vinhos mineiros são premiados como melhores do Brasil

(Belo Horizonte, 2/10/2019) O Top 5 Syrah Wines of Brazil Awards 2019, premiou no mês de setembro, três vinhos produzidos com tecnologia EPAMIG. O Wines of Brazil Awards consagra os melhores vinhos do país em várias categorias e campo de atuação. O concurso acontece no Rio de Janeiro e tem se tornado uma competição tradicional no país.
Foto: Divulgação | Wines of Brazil Awards
Entre os premiados estão  Guaspari Syrah Vista da Serra 2016, Casa Geraldo Colheita de Inverno Syrah 2017 e Maria Maria Diana Syrah 2017. Os vinhos da Casa Geraldo e Guaspari são produzidos em vinícola própria. Já as uvas dos vinhos Maria Maria são plantadas na cidade de Três Pontas, região Sul de Minas Gerais, e o processamento é feito na vinícola Experimental da EPAMIG em Caldas.

A empresa de vinhos Casa Geraldo vem se destacando no Brasil e no mundo. “Em 2005, quando ainda não tínhamos conhecimento da dupla poda, importamos as mudas da variedade Syrah e sempre a conduzimos no verão, estação difícil de colher uvas sãs e doces. Já em 2013, realizamos a inversão do ciclo, obtendo bons resultados de qualidade da uva. Seguimos plantando a variedade Sauvignon Blanc, quando em 2016 tivemos a primeira safra. A uva de inverno conquistou espaço na fazenda. Com a tecnologia alcançamos muitos prêmios, só em 2019 já foram 18 vinhos de inverno premiados” destaca Luiz Henrique, responsável pelos parreirais da empresa.

Leia também: Mais quatro vinhos com tecnologia EPAMIG são premiados

Leia também: Vinhos processados pela EPAMIG recebem medalha de ouro
Tecnologia dupla poda

A dupla poda consiste na inversão do ciclo produtivo da videira, que altera para o inverno o período de colheita das uvas destinadas à produção de vinhos finos. São feitas duas podas anuais e colheita apenas no inverno. A uva tinta Syrah foi a que mais se adequou a técnica, resultado de um trabalho de pesquisas de mais de 20 anos, desenvolvidas pela EPAMIG com apoio da Fapemig e outros órgãos de fomento, que aperfeiçoou a qualidade dos vinhos finos produzidos no Brasil em propriedades no Sul de Minas, Rio de Janeiro e São Paulo.

Fonte: Epamig - https://epamig.wordpress.com/2019/10/03/vinhos-com-tecnologia-epamig-sao-premiados-como-melhores-syrah-do-brasil/#more-3467

Minas produz sabonete de azeitona

Ela pode ser encontrada na mitologia, nos jogos olímpicos e na saúde, mas quem diria que a azeitona deixaria de ser a protagonista do azeite e alcançaria outros patamares de utilização na área da beleza? Foi o que aconteceu no município mineiro de Maria da Fé, na Serra da Mantiqueira.
Fotografia de autoria de Vânia Gonçalves
Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), desenvolveram uma técnica para a produção do azeite que resultou na utilização do produto e do resíduo da extração do próprio azeite para a fabricação de sabonete. De acordo com o pesquisador em olivicultura da EPAMIG, Luiz Fernando de Oliveira , a produção de produtos cosméticos com azeite de oliva já é realizada por outros países, pois o azeite de oliva tem uma substância que traz benefícios à pele e combate os efeitos oxidativos causados pelos radicais livres.

“Foi isto que ocorreu, com a técnica de produção do azeite desenvolvida pela EPAMIG, algumas empresas desenvolveram subprodutos das oliveiras, como o sabonete, e hoje os comercializam”, explica Luiz Fernando.

O pesquisador conta, ainda, que as empresas desenvolveram duas formas de produção: uma feita com azeite e outra com o resíduo da extração. Também há a opção do sabonete esfoliante. “Este é feito com o resíduo, que contêm, além de uma quantidade de azeite de oliva, pedaços triturados do caroço, proporcionando o efeito esfoliante”, explica.

Além de hidratantes, os sabonetes também representam importante fonte de renda para a região. “Existem duas empresas que possuem lojas e comercializam o produto aqui em Maria da Fé e como efeito disto podemos citar a geração de empregos e renda, utilização de subprodutos que seriam descartados, além de ser um atrativo para turistas e novos produtos tecnológicos”, conta.

A farmacêutica e empresária Vânia Gonçalves é proprietária de uma das lojas citadas por Luiz Fernando. Vânia faz cosméticos à base de azeite de oliva e resíduos de azeitona desde a primeira extração em Maria da Fé, em 2008. Hoje, a empresária vende não apenas sabonetes, mas cremes hidratantes e difusores de ambiente, produtos feitos a partir de bagaço e caroços de azeitonas triturados.

“A tradição da olivicultura em Maria da Fé e na Serra da Mantiqueira atrai turistas do mundo todo. Além dos azeites em si, a procura é muito grande por outros produtos à base de azeite”, declara Vânia.
Fotografia de autoria de Erasmo Pereira
De acordo com Luiz Fernando, hoje são cerca de 1 milhão de plantas, 2 mil hectares plantados, cerca de 60 marcas comerciais de azeite, uma produção em 2018 de 800 mil quilos de azeitonas, das quais foram extraídos 80 mil litros de azeite. “Além disso estamos trabalhando outras possibilidades de exploração da olivicultura, como azeitonas em conserva, folhas da oliveira e artesanato com a madeira da oliveira. Toda essa cadeia movimenta a região da Serra da Mantiqueira, trazendo benefícios econômicos, sociais e culturais”, finaliza.

Para o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapemig, Paulo Beirão, este é mais um exemplo da aplicação de conhecimento originado de pesquisa gerando novas oportunidades para o desenvolvimento econômico e social de uma região. “Novos negócios poderão ser criados a partir dessa tecnologia, e a dimensão que eles poderão tomar depende agora do setor privado. O mundo é o limite!”, pontua.
---------------------------------------------------------------------------------------------Com informações de Tatiana Nepomuceno da Assessoria de Comunicação da Fapemig. Site da Epamig:https://epamig.wordpress.com/2019/10/03/azeitonas-sao-usadas-na-fabricacao-de-cosmeticos-em-maria-da-fe/#more-3474

Cultura, gastronomia e turismo em Pedra Azul

     A histórica cidade de Pedra Azul (na foto acima de Andréa Lima) , com 24.324 habitantes, segundo senso do IBGE em 2019, é uma das mais importantes cidades do Vale do Jequitinhonha e de Minas. Faz divisa com Medina, Almenara, Jequitinhonha, Divisa Alegre, Águas Vermelhas, Cachoeira do Pajeú e Divisópolis. Está a 720 km distante de Belo Horizonte. 
     Conhecida como a princesinha do Sertão, Pedra Azul teve sua origem no século XIX, com a criação de um pequeno povoado, denominado Fortaleza. Em 1911 foi elevado à vila, pertencente a Salinas, sendo emancipada em 1925, com o nome de Fortaleza. Por existir uma lei à época que proibia cidades com nomes idênticos, Fortaleza teve que mudar o nome porque antes já existia, Fortaleza, a capital do Ceará. Nelson de Faria, imortal da Academia Mineira de Letras sugeriu o nome Pedra Azul. Na década de 1920, águas-marinhas começaram a ser encontradas no município. As pedras preciosas tinham a cor azul (na foto acima, Pedra Dom Pedro, sem autoria identificada). Por isso a sugestão, Pedra Azul, sendo aprovado o nome pela população em plebiscito em 1943, quando Fortaleza, passou a se chamar oficialmente Pedra Azul. 
     O patrimônio histórico de Pedra Azul é valioso e diferente das demais cidades históricas mineiras, de arquitetura colonial e barroca. A arquitetura de Pedra Azul foi formada no início do século XX, caracterizada como eclética (foto acima de Thelmo Lins). A expressão eclética é referente ao estilo adotado pelos arquitetos do fim do século XIX para o início do século XX. Seria a mistura de traços arquitetônicos do passado com estilos modernos, do século 20. Essa mistura de estilos deu a Pedra Azul, casarões com arquitetura magnífica, que chama a atenção pela riqueza nos detalhes. 
     A cultura pedra-azulense vai além dos traços arquitetônicos do século 20 (na foto acima de Thelmo Lins). Andando pela cidade, podemos ver o requinte dos casarões e seus mobiliários de época bem preservados, bem como casinhas mais simples, quase todas com fogão a lenha. Logo pela manhã, é possível ver a fumaça dos fogões saindo pelas chaminés. Tem café, tem broa, tem biscoito, tem a comida mineira e outras típicas do Vale do Jequitinhonha, saindo dos fogões. 
     Em termos de culinária, a gastronomia de Pedra Azul é tão rica quanto seu patrimônio histórico. O mel, o requeijão, a manteiga caipira, o queijo cabacinha (na foto acima de Sila Moura), o óleo de pequi, as farinhas de mandioca, beiju, tapioca, o biscoito espremido, o mingau de milho, doces de frutas, pimentas e outros produtos são famosos na região. Destaque também para a produção de cachaça, considerada uma das melhores do Brasil.
     O povo de Pedra Azul é bem simples e humildes, com as características cativantes de todo povo mineiro. Orgulham-se de sua cidade, de serem do Vale e de suas manifestações culturas, entre elas o Boi de Janeiro ou Maria Tereza (na foto acima de Thelmo Lins), manifestação cultural que acontece nos primeiros dias de janeiro. Nesse festejo, os moradores montam uma enorme boneca chamada de Maria Tereza e um enorme boi e saem pelas ruas da cidade cantando e tocando músicas regionais, com tambores e flautas. O povo segue o boi (na foto abaixo de Thelmo Lins) e a Maria Tereza até a Praça do Vandaral. É um dos mais importantes espetáculos da cultura popular mineira. 
     Em junho o destaque na cidade são os festejos juninos. Uma tradição fortíssima não só em Pedra Azul, mas em todo o Vale do Jequitinhonha. 
     Todos os anos acontece na região o Festivale, cada ano em uma cidade diferente, com apresentações de grupos folclóricos, feira de artesanato, festivais de música e shows com artistas locais. O talento do povo do Vale é revelado durante o Festivale. 
     Pedra Azul (foto ao lado de Andréa Lima), como todo o Vale do Jequitinhonha, se destaca na arte. Artesãos, artistas plásticos, filhos ilustres e grandes artistas como Murilo Antunes, Saulo Laranjeiras e Paulinho Pedra Azul, se destacam no cenário nacional.
     Acontece ainda na cidade eventos esportivos como corrida de Mountaim Bike e eventos agropecuários no Parque de Exposições Getúlio Vargas. 
     Em termos de turismo, o município é um dos destaques em Minas Gerais, não apenas pelo seu conjunto arquitetônico, tombado em sua totalidade, mas pelas espetaculares formações rochosas (na foto acima de Thelmo Lins) como a Pedra Cabeça Torta, mesmo distante 10 km da cidade, pode ser vista já que é o ponto mais alto do município.
     A Pedra da Conceição oferece uma ampla vista do entorno. Uma escadaria com 523 degraus foi construída para facilitar a subida até o topo (foto acima de Thelmo Lins). A Pedra da Montanha é outro atrativo, já que permite uma ampla vista da cidade e até de outras em redor. Tem ainda as, Pedra da Rocinha e Toca dos Caboclos com acesso mais fácil e com o privilégio de poder apreciar pinturas rupestres. 
     Pedra Azul de espera para uma visita. Venha conhecer!(Por Arnaldo Silva)

A Vila da Capela do Saco

Capela do Saco é um distrito de Carrancas, na região do Campo das Vertentes. (foto acima de Gilson Nogueira) Lugar de rara beleza fica às margens do Rio Grande. Tem sua origem no início do século 18, na Fazenda do Saco, de propriedade de Dona Júlia Maria da Caridade. Nesta fazenda, foi erguida em 1712, uma singela capela em pedras, dedicada a Nossa Senhora da Imaculada Conceição, motivada pela crença da aparição da santa às margens do Rio Grande. Hoje a capela tem 309 anos, sendo considerado o primeiro patrimônio histórico de Carrancas. (na foto abaixo de Gilson Nogueira) No mês de julho, a Festa da Imaculada Conceição, é uma das mais fortes e antigas tradições do município. 
Construir capelas em fazendas era prática comum nos tempos do Brasil Colônia devido à dificuldade de locomoção até as igrejas, que ficavam nas cidades. As capelas construídas serviam para orações e práticas da fé católica dos proprietários e seus familiares. Muitas dessas capelas construídas dentro de fazendas deram origem a grandes povoados e até cidades. (foto abaixo de Kiko Neto)
A partir de 1879 as terras em torno da capela foram doadas para formação de um povoado. Neste caso, como a capela foi construída na Fazenda do Saco, o povoado que surgiu em torno da mesma, passou a ser chamado popularmente de Capela do Saco. 
Hoje a Capela de Nossa Senhora da Conceição é patrimônio tombado pelo IEPHA/MG e um dos mais importantes patrimônios de Minas, bem como toda a vila, que foi de grande importância para a economia local no século 18. (foto acima de Gilson Nogueira) Quando não existia a ferrovia, o Porto do Saco, às margens do Rio Grande, foi um importante canal comercial para escoamento da produção de ouro de São João Del Rei e Ouro Preto, até o porto final de Paraty. Quando possível, boa parte da produção seguia de barco pelos rios e completava o trajeto em carros de bois até o destino final, Paraty, onde o ouro de Minas seguia em navios para Portugal. 
Além da rica história da Capela do Saco, não se esqueçam que fica em Carrancas, uma das maravilhas de Minas graças a suas paisagens paradisíacas, constantemente sendo cenário de novelas e filmes, o povoado é também rico em belezas naturais como cachoeiras, o Rio Grande e a represa de Camargos (na foto acima e abaixo de Jerez Costa) onde os turistas trazem lanchas, botes, jet skis e se deliciam em suas águas.
A Capela do Saco tem outro tesouro valioso. Seu povo. Gente simples, atenciosa, gentis, muito hospitaleiros e adoram uma boa prosa com os visitantes. Vale a pena conhecer a Vila da Capela do Saco, suas belezas, história e seu povo maravilhoso. 
Como Chegar a Capela do Saco
DE CARRO
Saindo de Belo Horizonte pegue a Rodovia Fernão Dias, sentido Betim e siga até a entrada de Lavras e pegue a BR 265 e siga as placas indicativas até Carrancas. Próximo a Itutinga avistará a Represa de Camargos, o Rio Capivari e a Serra de Carrancas. De Itutinga a Carrancas são 26 km e de Carrancas, para a Capela do Saco. Basta seguir as placas indicativas na cidade ou parar perguntar como chegar.
DE ONIBUS
Terá que ir até São João Del Rei e de lá pegar outro ônibus para Caquende que sai da rodoviária duas vezes ao dia. Chegando a Caquende, terá que atravessar o Rio Grande de balsa (na foto acima de Gilson Nogueira), é rápido a travessia que acontece quatro vezes ao dia. (Por Arnaldo Silva)

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

A Fazenda Boa Esperança em Belo Vale

A cidade de Belo Vale fica a 80 km de Belo Horizonte. Foi um dos primeiros arraiais fundados em Minas Gerais. Sua história inicia por volta de 1681 com a chegada dos Bandeirantes e a descoberta de ouro em 1700, nas roças de Matias Cardoso, hoje distrito de Roças Novas. A partir dessa época o arraial foi se desenvolvendo e surgindo fazendas e casarios no estilo colonial, presentes até hoje na área urbana da cidade.
      Uma dessas construções é a Fazenda Boa Esperança, uma das mais espetaculares fazendas de Minas Gerais, já na zona rural do município, menos de 5 km distante do centro da cidade. A sede da fazenda conta com um imponente casarão, cuja construção teve início entre os anos de 1760 e 1780, sendo concluída no início do século 19. Pertenceu à família Monteiro de Barros, sendo herdada por Romualdo José Monteiro de Barros –1773-1855 e Francisca constância Leocádia da Fonseca, respectivamente Barão e Baronesa do Paraopeba.(fotografia acima e abaixo de Evaldo Itor Fernandes)
     A Fazenda Boa Esperança era o centro produtivo da região formado por um completo de outras fazendas, também pertencentes à família do Barão do Paraopeba. A produção da Fazenda Boa Esperança não se limitava a produtos agrícolas. Eram produzidos também fios, roupas e ferramentas, o que garantia o abastecimento de toda a região do Vale do Paraopeba e ainda de Barbacena e Ouro Preto.    
     Para dar conta de tamanha produção, um grande número de escravos trabalhava na fazenda nos séculos 18 e 19. Os escravos deixaram descendentes e boa parte de seus descendentes vivem no município formando as comunidades de Boa Morte e Chacrinha dos Pretos.
     A fazenda e seu casarão tiveram grande importância econômica para a região no século 18 e 19. São 24 cômodos, 45 portas com a varanda de fundo medindo 36 metros de comprimento por 2,5 de largura. Nessa fazenda, o Imperador Dom Pedro II se hospedou. Além da beleza do casarão, com seus detalhes bem trabalhados, outra obra prima chama a atenção dos visitantes construída bem ao lado da varanda do casarão. Trata-se de uma singela capela, mas mostrando o poderio econômico dos proprietários na época. É de uma riqueza em detalhes incríveis. Pelo fato das fazendas serem distantes das cidades e dificuldades de se locomoverem até as igrejas, era comum os fazendeiros construírem pequenas ermidas em suas propriedades para praticarem sua fé. 
(foto abaixo de Evaldo Itor Fernandes)
     Em 1974, a Fazenda Boa Esperança foi adquirida pelo Governo mineiro, sendo tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Artístico de Minas Gerais (Iepha) como Patrimônio de Minas Gerais em 1975 com o objetivo de preservar a história e o modo de vida das sociedades rurais no período colonial brasileiro, representado em uma das mais imponentes e importantes fazendas do Brasil.
     Sua primeira reforma foi entre 1976 a 1979. Uma segunda restauração foi feita em 1998 e por fim, novamente restaurada entre 2017 e 2018, sendo entregue totalmente restaurada em meados de 2019. Esta última restauração permite hoje receber os visitantes de Minas, do Brasil e do exterior com uma ótima estrutura, oferecendo atrativos, além da riqueza de sua imponente arquitetura. (foto acima e abaixo de Glauco Umbelino)
     Em declaração ao Jornal O Estado de Minas, por ocasião da inauguração da reforma da Fazenda Boa Esperança, a presidente do Iepha, Michele Arroyo, frisou que com o restauro “As pessoas poderão conhecer os modos de vida naquela época, detalhes da edificação, o pomar, ocupação do território, a forma de alimentação e outras questões do dia a dia.”
     A propriedade conta hoje com 318 hectares com paisagens deslumbrantes que chama a atenção, tendo sido inclusive a fazenda, cenário do filme “O vinho de rosas” da cineasta mineira Eva Cataldo e tema do livro escrito pelo jornalista Tarcísio Martins em 2007. A obra tem o nome da fazenda e além da história, tem fotos antigas da Boa Esperança. 
Horário de funcionamento
- Segunda, Terça, Quarta, Quinta, Sexta, Sábado, Domingo, Feriado: 06:00 às 11:00 hs
- Pontos de referência: partindo do centro de Belo Vale siga as orientações das placas indicativas. A fazenda está situada há 5 km do centro da cidade.
- A entrada é gratuita e não há restaurante no local, somente na cidade o que é muito bom já que Belo Vale é uma bela cidade com um preservado casario, uma excelente culinária. Além disso, o visitante poderá conhecer o mais completo museu sobre a Escravidão na América Latina, o Museu do Escravo. (Por Arnaldo Silva)

sábado, 28 de setembro de 2019

Minas Gerais tem 471 cidades no Mapa do Turismo brasileiro

O Ministério do Turismo (MTur) publicou, recentemente, o novo Mapa do Turismo Brasileiro. Minas Gerais aparece na publicação com 471 municípios validados, distribuídos em 44 Instâncias de Governança Regionais. Três cidades mineiras estão na categoria “A”: Belo Horizonte, Poços de Caldas e Uberlândia (na foto abaixo de Eduardo Afonso), o que representa não apenas uma conquista para o trade turístico destas cidades, mas também um reconhecimento para receber investimentos no setor.
Segundo informações do MTur, esta categorização dos municípios turísticos, que vai de “A” a “E”, é um instrumento de acompanhamento do desempenho das economias turísticas locais. Além disso, ela subsidia a priorização de investimentos por programas do ministério, incluindo ações de infraestrutura turística, qualificação profissional e promoção dos destinos, observando características peculiares de demanda e vocação turística.

Para classificar as cidades, são utilizadas cinco variáveis objetivas diretamente relacionadas à economia do turismo: Quantidade de Estabelecimentos de Hospedagem; Quantidade de Empregos em Estabelecimentos de Hospedagem; Quantidade Estimada de Visitantes Domésticos; Quantidade Estimada de Visitantes Internacionais; e Arrecadação de Impostos Federais a partir dos Meios de Hospedagem. As fontes foram a Relação Anual de Informações Sociais (Rais 2017/Ministério de Economia), a Pesquisa de Demanda Doméstica 2012 MTur/Fipe e a Pesquisa de Demanda Internacional 2017 – MTur/Fipe.

Além da necessidade de o município ter um órgão de turismo em atividade e conselho municipal funcionando, são adotados outros critérios obrigatórios para participação na plataforma: orçamento próprio destinado ao turismo e existência de prestadores de serviços turísticos de cadastro obrigatório registrados no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur), do Ministério do Turismo.

Metodologia

Pela quantidade de municípios inseridos nas 333 regiões turísticas do Mapa do Turismo Brasileiro (2.694 municípios), foram utilizados dados já existentes, disponíveis para todo o Brasil, que pudessem ser atualizados periodicamente e que traduzissem a economia do turismo. A partir daí se chegou a cinco variáveis que foram cruzadas em uma análise de cluster e deram origem a cinco categorias de municípios (A, B, C, D e E).

Em 2019, o MTur fez uma revisão da metodologia empregada e da coleta de informações atualizadas, introduzindo a variável “arrecadação de impostos federais dos meios de hospedagem” como forma de complementar os indicadores já utilizados, agregando uma variável de desempenho financeiro para a análise.

O desempenho da economia do turismo de cada município brasileiro foi medido a partir das médias de dados sobre fluxo, hospedagem e arrecadação por ele obtidas. Na categoria "A" estão reunidas todas as capitais e os municípios com maior desempenho da economia do turismo, e na "E" estão os municípios com menor desempenho da economia do turismo. (Reportagem: Agência Minas)

Em Minas, o nosso pão é de queijo

Não se sabe ao certo a origem dessa quitanda mineira. Acredita-se que sua origem é do século XVIII e começou na região da Serra da Canastra, Sudoeste de Minas. Há quem diga que a origem é na região do Serro, na Serra do Espinhaço. A única certeza é que o pão de queijo é criação genuinamente mineira.
     A invenção dessa quitanda foi mais por necessidade, já que comida à época era bastante escassa, numa terra ainda em povoamento. Não existia trigo no Brasil à época da Colonização e trazer de Portugal ficava muito caro e demorava muito para chegar. Numa região em povoamento, a necessidade de comida era urgente. A mandioca era um tubérculo nativo do nosso país bastante apreciado pelo índios.
     Os escravos passaram a comer mandioca cozida e a partir de então foram criando novos alimentos e ingredientes a base de mandioca, como a farinha. Ralavam a mandioca bem fininha e peneiravam. Torravam a farinha também às vezes. As escravas, nas cozinhas das fazendas, começaram a amassar a mandioca, até que ficasse com textura de goma. Colocavam para ressecar ao sol. Desidratada virava um pó branco. Descobriram que sem fermentar, o sabor era meio adocicado. Fermentado, o sabor era azedo. Assim, das senzalas e cozinhas dos casarões, pelas mãos das escravas, no século XVIII, surgiu o polvilho doce e azedo.
     Os portugueses que aqui viviam, careciam de uma alimentação melhor. Necessitavam de pão e outros alimentos que consumiam na Europa. Mas para fazer o pão, não tinha trigo aqui à época. Da necessidade de se fazer pão, o polvilho começou a ser usado como substituto do trigo e dai foi se desenvolvendo o nosso próprio pão.Diferente do que era comido na Europa, mas era pão. Não tinha trigo, tinha polvilho e para melhorar o sabor, acrescentavam queijo. Daí surgiu o nosso pão de queijo e também o biscoito de queijo. Antes um ingrediente não muito nobre, hoje é finíssimo, encontrado em todos os supermercados do nosso país e do mundo. Polvilho doce não é fermentado. Polvilho azedo é fermentado. Ai a diferença entre um e outro.
     Foi então, da necessidade urgente de comida, que surgiu boa parte de nossas receitas, como o nosso pão de queijo, hoje popularíssimo, apreciado por todos. Mas foi somente a partir da década de 1950 que o Pão de Queijo começou a ser conhecido em todo o Brasil e hoje é famoso até no mundo.
Por Arnaldo Silva - Texto e fotografias

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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Linha de ônibus ligará Confins a Ouro Preto

O turista que vem à Minas Gerais de avião, para conhecer Ouro Preto, desembarcando no Aeroporto de Confins, terá que vir de ônibus ou táxi até a rodoviária de Belo Horizonte e da rodoviária, pegar ônibus para Ouro Preto. 
     Até o final de 2019 essa situação irá mudar. É o que garante a BH Aiport, concessionária do terminal de Confins, que colocará à disposição dos turistas que vem à Minas conhecer Ouro Preto, uma linha de ônibus direto do Aeroporto para a cidade Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. O trajeto será de ida e volta.
     Além de Ouro Preto, a concessionária estuda a possibilidade de expandir o projeto para municípios que estejam em um raio de 300 km do aeroporto como, por exemplo, Divinópolis no Centro Oeste de Minas, Governador Valadares no Vale do Rio Doce e Diamantina, no Vale do Jequitinhonha.
     Com certeza a iniciativa fomentará o turismo em Ouro Preto e nas cidades onde futuramente poderão ser implantadas as rotas rodoviárias, já que será um incentivo a mais para os turistas visitarem o estado e ainda com grande economia de tempo.
     A notícia agradou, não só os turistas, mas também os moradores de Ouro Preto e região que utilizam o aeroporto de Confins. Com a rota rodoviária direta para Confins, não precisarão descer na rodoviária de Belo Horizonte e pegar outro ônibus para o Aeroporto, o que facilitará bastante a vida dos usuários para se locomoverem até o aeroporto e vice-versa.(Texto e fotografias de Arnaldo Silva

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Conheça o Jacarandá de Minas

     Das cerca de 100 espécies de Jacarandás existentes no mundo, o Jacarandá cuspidifolia, popularmente chamado de Caroba ou Jacarandá-de-Minas, se destaca no Estado por ser nativo de Minas Gerais. É uma espécie genuinamente mineira, predominante em campos abertos do Cerrado Mineiro, com expansão para outras regiões como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. O bioma Cerrado ocupa 57% do território mineiro. 41% do bioma Mata Atlântica e os outros 2% do bioma Caatinga e áreas de transição.
     O Jacarandá cuspidifolia é uma espécie rústica, como a maioria das espécies do Cerrado são. A espécie cresce rápido no Cerrado e lento em outras regiões, de Mata Atlântica por exemplo. Não se adapta bem a solos encharcados, mas no Cerrado mineiro, pega bem fácil e com crescimento rápido, uma média de 1 a 2 metros por ano. 
     A planta não possui raízes agressivas, suas raízes não crescem para os lados, sendo uma árvore ideal para arborização urbana, já que suas raízes não danificam calçadas e não prejudicam a fiação elétrica, por ter galhos espaçados. Sua altura é entre 8 a 10 metros, na fase adulta. 
     A árvore acima tem mais de 100 anos e fotografei em Bom Despacho MG, Centro Oeste de Minas. Por seu porte e beleza, foi preservada por gerações.
Diferenças do Jacarandá Cuspidifolia         
para o Jacarandá Mimoso
     É muito semelhante ao Jacarandá mimoso (Jacarandá mimosaefolia), planta nativa do Norte da Argentina, Bolívia e Sul do Brasil. São três diferenças entre as duas espécies. 
     A primeira é que o Cuspidifolia atinge na fase adulta no máximo 10 metros de altura, já o mimosaefolia 15 metros. 
     A segunda diferença é no tronco. No jacarandá mimoso o tronco tem o tom cinza claro e liso. Já no jacarandá cuspidifolia o tronco é bem rústico, casca áspera, acinzentada e escamosa, típico das espécies do Cerrado.
     A terceira é que o Mimosaefolia apresenta floração na presença de folhas (na foto acima). Tem folhas e flores ao mesmo tempo. Já o Cuspidifolia floresce sem as folhas, que caem totalmente entre agosto e setembro e assim surgem as flores no início da primavera, formando uma copa mais densa, que o jacarandá mimoso. 
     Fora isso, as duas especies são iguais em tudo. 
Características do Jacarandá Cuspidifolia
Nome popular. Jacarandá-de-Minas, Jacarandá-preto, Caroba, Caroba-branca.
Folhas: Imparipinadas, 20 a 50 cm, foliolos 1 cm.
Fruto: Seus frutos são em formato de cápsula, 5 a 7 cm que se abre na primavera, liberando sementes que são disseminadas pelo vento e germinam facilmente.

Utilidades: Melífera e Ornamental
Própria para paisagismo. É adequada à arborização urbana. Suas raízes não danificam as calçadas e nem provocam danos à rede elétrica já que não é uma planta de grande porte e nem possuem raízes agressivas.
Época de floração e frutificação: Floresce no início da primavera, com duração de 30 dias. Caem as folhas, surgem as flores e os frutos que se abrem e suas sementes levadas ao vento. 

É também útil para plantio em áreas degradadas e recomposição de áreas de preservação permanentes. Por Arnaldo Silva - Texto e fotografias
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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

O Vale do Jequitinhonha

O Vale do Jequitinhonha é dotado de exuberante beleza natural, cultural, artística e patrimonial com traços sobreviventes da cultura indígena, africana e influências da colonização europeia.
Contemplar as riquezas culturais do Vale do Jequitinhonha é comungar das ambiências, da historicidade dessa gente; é sentir o clima semi-árido e se ver como parte do meio; é sentir o calor humano, é olhar a fé daquela senhorinha que se ajoelha todo santo dia para pedir bênçãos a Deus para que sua família não sofra com a falta de oportunidades; é sentir o calor do abraço da mãe que recebe seu filho depois de anos fora de casa, é sentir o acolhimento quando recebem em suas casas, visitantes para as festas tradicionais.
Conhecer a cultura dessa gente é respeitar o tempo, o espaço e os anseios do povo desta região.
As histórias estão no assoalho da madeira sujo de picumã- fumaça de fogão à lenha, a história está na roda de fiar jogada no paiol, a história está na gamela onde eram amassados quilos e mais quilos de goma escaldada para fazer biscoito; sim, a história está nas chaves e cadeados das portas grandes, está na imagem do padroeiro que protege as casas simplórias, porém aconchegante, que a família cuida com tanto zelo.
Os relatos da vida cotidiana estampam os poemas trazidos neste livreto. Os poemas estão no humilde café na casa do homem do campo; os poemas estão nas mãos calejadas, na devoção e na dedicação do povo em manter viva a tradição herdada de seus antepassados. “A história somos todos nós”. 
Texto e fotografias de Ernani Calazans, artista plástico e professor no IFNMG em Araçuaí MG

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Aprendendo a amadurecer queijo

Por Arnaldo Silva
     A relação de mineiro com queijo vem de mais de 300 anos. Queijo não é apenas uma iguaria sobre a mesa. Para o mineiro, queijo é tradição, é raiz, é a fina identidade da nossa culinária. Pra quem produz queijo artesanal, aquele que vem de gerações é algo mais que isso. Faz parte da história de vida da família e sem exagero algum, faz parte da família. Meus pais, por exemplo, foram sustentadas com a venda de queijos que meus avós faziam, tradição passada por seus pais, meus bisavós e por ai vai. Por isso o queijo faz parte de nossas raízes e de nossas famílias. O queijo sustentou e ainda sustenta famílias e movimenta a economia das cidades mineiras. (foto acima de Lucas Rodrigues, do Queijo Canastra do Dinho de Piumhi MG)
     Seja qual tipo de queijo for. Aliás, é bom que saibam que Queijo de Minas não é apenas o queijo branco, chamado frescal. Esse é apenas mais um dos vários tipos de queijos que temos em Minas Gerais, de acordo com o tremruá (terroir, no francês) que é a característica de cada queijo, de acordo com sua região geográfica. Nenhum queijo é igual, cada um tem o seu tremruá próprio. Os maturados mais famosos são o Queijo Canastra, Queijo do Serro, o Araxá e o da Serra do Salitre, identificado com uma casca resinosa nas cores preta, amarela e vermelha.
     Vou tentar explicar sobre isso para que entendam e conheçam as diferenças de cada queijo, seu sabor, textura, aroma e modo de amadurecê-lo. Queijo é igual vinho, quanto mais velho melhor, por isso se harmonizam tanto. Como diz aqui em Minas, queijo é igual à vida, quanto mais se vive, melhor é. Isso mesmo, quanto mais tempo maturado, mais valorizado e mais saboroso é o queijo.
     Pra isso que a cura do queijo é importante. O processo de cura é simplesmente retirar os líquidos como água, soro e gordura de um queijo fresco, de modo que ele envelheça. É pegar aquele queijo branquinho, fresquinho e envelhecê-lo. Ou seja, mudar toda a característica do queijo como peso, aroma, cor e sabor. 

     Na maturação, uma camada de bolor e fermento aparece em torno do queijo. Isso faz com que o queijo perca umidade e com o tempo, tamanho. 
     É na maturação que o queijo desenvolve suas características próprias, dependendo da região e do clima, pode tornar-se macio, mais picante e até um pouco adocicado. Quanto mais tempo maturando acredite, mais personalidade terá o queijo. É personalidade única, nunca existirá um queijo igual ao outro. A maturação define a personalidade de cada queijo. Quanto mais velho o queijo ficar, mais saboroso ficará e mais nutritivo também.
     Um queijo pode curar por 30, 60, 90, 120, 180, 365 dias e por até dois anos. (na foto acima do Lucas Rodrigues, Queijo Canastra do Dinho em Piumhi MG com 1 ano de maturação) Quanto mais tempo maturado, mais saboroso é e mais valorizado no mercado também. Nesta foto abaixo, de Sônia Fraga, em São Roque de Minas, com queijos Canastra, maturados por um ano. O preço não é esse mais, está um pouco defasado já que a foto é do ano passado. 
     Curar queijo não é um bicho de sete cabeças e nem requer técnicas industriais, ao contrário, é artesanal e feita do mesmo jeito desde a invenção do queijo, há milhares de anos. Em Minas, a técnica da cura artesanal tem quase 300 anos. 
     A técnica é simples. Primeiro você vai comprar um queijo fresco de sua preferência.
     Como curar é secar, deixe o seu queijo num lugar arejado, abrigado da luz e da umidade, numa tábua de cozinha. Isso porque tábua absorve bem a umidade. (na foto ao lado queijos da Fazenda Bela Vista de Alagoa MG) Existem em lojas especializadas, como “casas do fazendeiro”, caixas próprias para maturação. São feitas de madeira e tem telas em redor, que impedem a passagem de insetos e permite a ventilação. São baratas, vale a pena comprar uma caixa dessas. Se não conseguir comprar, use então uma tábua de cozinha e cubra o queijo com uma tela que impeça a entrada de insetos, mas da ventilação. 
     Feito isso, vire o queijo a cada dois dias. Durante o processo uma camada de mofo branco surgirá na casca do queijo. É esse é o início do desenvolvimento da personalidade do queijo.
     Perceberá que a cada dia o seu queijo ficará mais seco e sua personalidade se desenvolvendo como cor, casca mais dura, sabor, picância, etc., de acordo com as características de produção e fatores climáticos da sua região. A cura se dará pelo tempo que julgar melhor. Meus queijos curam por 30 dias. 
    
     Vale lembrar que queijo curado não deve ir para geladeira, isso porque receberá muita umidade. Esta umidade modificará toda característica adquirida pelo queijo na maturação.
Queijo com furo e queijo sem furo 
     Outro detalhe que intriga muita gente e sobre os furos no interior do queijo. (foto acima do queijo Roça da Cidade de São Roque de Minas) A dúvida é: por que alguns queijos tem tantos furos e outros nenhum ou quase nenhum? A maioria dos queijos industrializados tem massa firme, bem composta. Já os queijos artesanais não, ao longo da maturação vai apresentando muitos furos em sua massa. Isso acontece porque durante a ordenha manual estão presentes nos currais, latões e baldes, pequenas partículas de feno e alguns outros materiais presentes no ar se misturam ao leite. (foto abaixo do Queijo do Dinho de  Piumhi MG/Lucas Rodrigues)
     Essas partículas são tão minúsculas que não são percebidas. Essas partículas agem durante a maturação do queijo, enfraquecendo a estrutura da coalhada, acumulando gás bacteriano e assim formando os buracos nos queijos. Essas bactérias, benéficas, dão sabor e status ao queijo. Um dos mais famosos queijos do mundo que é todo cheio de furinhos, é o famoso queijo Suíço. Já com os queijos industrializados esse processo não acontece devido a todo processo industrial que o leite passa, por isso a massa desses queijos são bem densas e uniformes, praticamente sem nenhum furinho.   
     É só isso. Simples não. Eu faço queijos ou compro queijos frescos de regiões diferentes para curar, assim tenho essa delícia com aroma, sabor, cores e texturas diferentes em casa. Vale a pena curar seu próprio queijo. 
Como escolher queijo
     Mas se a correria do dia a dia te impede de curar seu queijo, compre um queijo curado, mas preste atenção nessas dicas para comprar um queijo Mineiro legítimo e de qualidade, observando essas características abaixo. Isso porque existem queijos que se passam por originais sem o serem. Aprenda a identificar os principais queijos mineiros:
     Se for comprar um queijo do Serro preste atenção em sua casca. (na foto acima de Sérgio Mourão) Nos mercados que vendem queijos, algumas amostras cortadas ficam expostas. O queijo do Serro tem a casca fina e bem rígida e sua massa é bem compacta.
      Já o Canastra (na foto acima do Queijo Roça da Cidade) tem o aroma suave. Se o queijo estiver com a casca rachada e pontos de mofo em tons avermelhados, não compre. O mofo do Canastra é branco e sua casca tem o tom amarelo bem firme. 
     O queijo Araxá (na foto acima de Luis Leite) apresenta uma tonalidade amarelo claro, com casca bem lisa, sem nenhuma fissura. A massa é bem compacta e sem furinhos no interior. 
     O Queijo da Serra do Salitre se caracteriza por uma cobertura de resina, podendo ser preta, vermelha ou mesmo, amarela. Essa resina protege o queijo e quanto mais maturado for esse queijo, mais intenso será seu sabor. A massa é compacta e bem firme. 
Pra encerrar nossa matéria sobre maturação, você vai entender a linguagem do queijeiro.(foto acima de Queijo D´Alagoa/Divulgação) É comum quem é mestre em queijos falar meia cura, afinação, mofo branco, queijo azul, curado, etc. Quem não é do ramo, fica perdido em meio a tantas palavras, mas pra não te deixar boiando em palavras, está aqui para entender a linguagem dos queijeiros:
Meia cura: Nome pelo qual são conhecidos os típicos queijos de Minas, que maturam de 12 a 30 dias (depende do produtor e do tamanho da peça).
Afinação: Palavra que vem do francês affinage: maturar um queijo até que atinja o ponto ótimo e adequado ao gosto ‘do dono’.
Mofo branco: Categoria que abarca todos os queijos que formam aquela capa branca aveludada – um fungo benigno, que se forma de dentro para fora.
Azul: São os queijos inoculados com um bolor que cresce dentro da massa – como o stilton, o gorgonzola e o roquefort.
Curado: Maduro. Pode ter sido amadurecido por até dois anos. É naturalmente mais seco e quebradiço, e mais salgado também.

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