sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Poços de Caldas sediará Comitê da Bacia do Rio Grande

Poços de Caldas, no Sul de Minas, foi definida como a sede do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Grande (CBH Grande), órgão colegiado federal que delibera sobre um conjunto de oito afluentes mineiros e 15 paulistas. A decisão foi tomada nessa quinta-feira (21/11), durante a 12ª reunião Extraordinária do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Grande, realizada no município. 
Foto CBH GRANDE/Divulgação
A mudança é um importante passo para a implantação da política de recursos hídricos na região, como ressalta a diretora-geral do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), Marília Melo. “É um local estratégico onde estão as principais estâncias hidrominerais do estado, além de ter potencial turístico cultural muito relevante e grande disponibilidade hídrica. Isso aumenta a responsabilidade do comitê em ações preventivas para que não haja problemas futuros”, afirma.

Diretor de Gestão e Apoio ao Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos (DGAS) do Igam, Thiago Figueiredo Santana, afirma que a definição provém de um grande esforço de articulação do Estado com a pasta de Meio Ambiente do Governo de São Paulo para locação da sede no território mineiro.

“O CBH Grande é visto com altas expectativas por abranger municípios com bom potencial para desenvolvimento econômico no interior de Minas, como Poços de Caldas, Uberaba, Pouso Alegre, Varginha, Lavras, Alfenas, Passos, entre outros. Do lado paulista há, entre os beneficiados, Ribeirão Preto, Franca, Mogi-Mirim, Barretos, Campos do Jordão”, destaca.

O secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Germano Vieira, lembra que, além de ser representativa para a Política Estadual de Recursos Hídricos, a região Sul é estratégica para o Estado, com Produto Interno Bruto (PIB) expressivo. “O fato de a Agência de Bacia e a sede do Comitê se localizarem em nosso território fortalece o compromisso com a segurança hídrica na região, garantindo água na preservação ambiental e também como insumo para o processo produtivo para alimentação desse PIB tão importante”, afirma. 

A bacia
Com população de 9 milhões de habitantes, a Bacia Hidrográfica do Rio Grande é formada por 393 municípios. O conjunto inclui dois importantes estados brasileiros: Minas Gerais, a Norte, com 60,2% da área de drenagem, e São Paulo, ao Sul, com 39,8% da área. O CBH Grande é composto por 65 membros, entre titulares e suplentes. As vagas são distribuídas considerando espaços territoriais e vocações socioeconômicas das 14 unidades de gestão de recursos hídricos existentes nos dois estados.

O órgão possui várias atribuições, sendo a principal a aprovação do Plano Integrado de Recursos Hídricos (PIRH), voltado para a implementação dos instrumentos de gestão. O plano reúne dados atualizados sobre a Bacia do Rio Grande, definindo cenários futuros, identificando áreas críticas e propondo diretrizes, com objetivos e metas para ações de curto, médio e longo prazos.

Comitês
Os comitês de bacias hidrográficas existem desde 1988 e são a base da gestão participativa e descentralizada dos recursos hídricos no Brasil. Neles, poder público (municipal e estadual), usuários (indústria, mineração etc) e sociedade civil discutem, negociam e deliberam sobre a gestão local das águas, utilizando-se de instrumentos técnicos de gestão e negociação de conflitos.

A composição diversificada e democrática das instituições contribui para que setores da sociedade com interesse sobre a água na bacia tenham representação e poder de decisão sobre a gestão. (Com Agência Minas)

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Produção de uvas é retomada em Congonhas do Norte

     Congonhas do Norte é um município localizado na região central de Minas Gerais, a cerca de 200 quilômetros de Belo Horizonte. No campo, as principais atividades desenvolvidas são a bovinocultura de leite e corte, a produção de cachaça, hortaliças, milho e feijão. Porém, uma fruta que já foi muito cultivada há mais de um século promete ocupar novamente as terras locais: a uva.
Foto: Emater/Divulgação
     As variedades plantadas são a Niágara Rosa, a Niágara Bordô e a Isabel Precoce. Estas uvas foram escolhidas pela rusticidade e boa tolerância a doenças. Os agricultores também estão investindo em projetos de irrigação para as lavouras e a produção esperada é de 10 a 12 toneladas por hectare na primeira safra e de 15 a 20 toneladas nas safras seguintes. Para o ano que vem, a expectativa é que sejam implantadas três novas unidades em outras propriedades de Congonhas do Norte.
Produção de vinhos
     O técnico da Emater-MG explica que a ideia é vender as uvas para o consumo in natura e também para produção artesanal de sucos e vinhos.
     “Além de Congonhas do Norte, a fruta pode ser comercializada nas feiras dos municípios de Conceição do Mato Dentro e de Diamantina. Outra possibilidade é a comercialização por agricultores familiares, que investirem na produção de uva, pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae)”, afirma.
     A produtora Maria Saldanha é uma das responsáveis pela retomada da produção de uvas em Congonhas do Norte. Ela conta que a atividade era desenvolvida pelos avós e pelos pais há mais de 60 anos e que, na propriedade da família, ainda se encontram algumas videiras antigas, que estão sendo recuperadas.
     Depois de se aposentar, Maria Saldanha voltou a morar no município. Com a intenção de fazer um novo plantio de uvas, com as variedades adequadas, procurou a Emater-MG e está entusiasmada com os pés carregados. “Os pés estão lindos. Cheios de cachos”, comemora.
     De acordo com a produtora, no sítio onde vive já existe produção de café, milho e frutas para o consumo familiar, além de um pequeno rebanho leiteiro. Ela também tem um alambique para produção de cachaça artesanal, mas quer ampliar a produção de bebidas. “Vamos usar a estrutura que já existe para produção de cachaça e começar também a produção de vinho artesanal. Essa é a nossa ideia, diversificar”, afirma. (Com Agência Minas)

sábado, 16 de novembro de 2019

O Natal encantado de Monte Verde

Os primeiros moradores de Monte Verde vieram da Letônia, um pequeno país do leste Europeu. (foto acima de Mônica Milev) O pioneiro foi o Sr. Verner Grinberg (1910-2006) que sobrevoando a região em 1938, percebeu a semelhança das paisagens e do clima local com a de seu pais. Se apaixonou pelo lugar e resolveu ficar, comprando terras no local.
A partir de 1950  os Grinberg começaram a vender pequenas terrenos de sua fazenda, iniciando a formação de um povoado com a a abertura de ruas e construção de casas, cuja arquitetura foi inspirada na bela arquitetura européia da Letônia. (foto acima de Ricardo Cozzo e abaixo de Mônica Milev)
E assim surgiu uma das mais importantes vilas mineiras, hoje distrito de Camanducaia MG, no Sul de Minas. Um lugar charmoso, pitoresco, tranquilo em meio a vasta natureza e paisagens que lembram as pequenas vilas Europeias. 
As baixas temperaturas na região também ajudam já que Monte Verde está a 1680 metros de altitude, sendo o ponto mais alto de Minas Gerais e o segundo do Brasil. Por isso que o inverno no distrito é rigoroso, geralmente abaixo de zero grau, com frequentes geadas. (foto acima de Mônica Milev)
Monte Verde tem uma ótima estrutura para receber o turista, com hotéis e pousadas de nível. Cervejarias artesanais. Fábricas de chocolates e restaurantes diversos, com culinária mineira, brasileira e europeia. (foto acima de Ricardo Cozzo)
Um dos destaques  de Monte Verde é sua decoração de Natal. É uma das mais belas de Minas. A vila fica ainda mais linda e com milhares de turistas nesse período natalino.(foto abaixo de Mônica Milev)
Toda a comunidade de Monte Verde participa e ajuda na decoração de Natal. A iniciativa de decorar o distrito para o Natal recebe apoio da Sub-prefeitura de Monte Verde. (foto acima de Mônica Milev) Dessa união entre sub-prefeitura, moradores e empresários locais, nasceu o projeto Natal - Monte Verde Iluminada. 
Esse projeto visa iluminar, no período natalino, a entrada de Monte Verde se estendendo pelo canteiro central da principal avenida do distrito, destacando a iluminação do Túnel do Papai Noel, ao lado do lago. (na foto acima de Mônica Milev)
A decoração segue até a Vila dos Moradores no morro da Baiana, chegando até a praça em frente a Igreja de São Francisco de Assis. A decoração conta também com uma árvore de 5 metros de altura toda decorada. (foto acima e abaixo de Mônica Milev)
Venha para Monte Verde. Venha presenciar esse espetáculo de cultura e tradição num lugar pitoresco, charmoso, encantador.
Como chegar
De São Paulo a Monte Verde: siga pela Via Dutra m direção a Guarulhos (SP) e acesse a Rodovia Fernão Dias na altura do km 13 até Camanducaia.
Partindo de Campinas (SP): o trajeto começa pela Rodovia D. Pedro I em direção a Jacareí (SP); depois entre à esquerda na Rodovia Fernão Dias, no sentido Belo Horizonte, até chegar a Camanducaia.
Saindo do Rio de Janeiro (RJ): siga pela Via Dutra até Jacareí (SP), entre na Rodovia D. Pedro I e, em Atibaia (SP), entre à direita na Rodovia Fernão Dias, continuando até Camanducaia.
De Belo Horizonte (MG) para Monte Verde: saída pela Avenida Amazonas, sentido São Paulo, até Camanducaia pela BR 381.
Por Arnaldo Silva - Fotografias de Ricardo Cozzo e Mônica Milev

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Conheça Pintos Negreiros

Pintos Negreiros é um charmoso e pitoresco distrito de Maria da Fé, no Sul de Minas Gerais criado por Lei em 1953. A charmosa Vila faz divisa com os municípios de Cristina, Dom Viçosa, Virgínia, Delfim Moreira e Itajubá. Encravado na Serra da Mantiqueira, a Vila conta com pouco mais de 1600 moradores que vivem nos bairros Negreiro, Alto da Serra, Pedreira, Canto dos Amaros, Canto dos Carneiros, Canto dos Caetanos, Mendanha, Caetés, Coli e Boa Vista da Barra. A atividade econômica principal do distrito é a agropecuários e pequenos comércios. 
Outra atividade que vem crescendo no distrito é o turismo rural como o surgimento de pousadas, trilhas e oportunidades que o distrito oferece aos visitantes de conhecer as belezas da Serra da Mantiqueira, num lugar charmoso, tranquilo, pitoresco, com um povo muito simples e hospitaleiro. Como em toda região da Mantiqueira, belezas naturais também estão presentes em Pintos Negreiros como cachoeiras paradisíacas, ótima trilha com cerca de 51 km de extensão que atraem ciclistas e motociclistas de várias regiões. Para os adeptos de rapel e escaladas, a dica são as pedreiras. 
Vale ressaltar que Pintos Negreiros é considerada pelos trilheiros como um dos melhores lugares do país para a prática de mountaim bike. 
A religiosidade é marcante entre os moradores de Pintos Negreiros. A fé católica é predominante, sendo que sua principal igreja faz parte da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes, na sede, Maria da Fé MG. No bairro Boa Vista da Barra há mais uma igreja católica e no distrito tem ainda uma igreja da Assembleia de Deus. 
O acesso ao distrito é por estrada de terra, bem conservada. Saindo de Maria da Fé, são 25 km. De Dom Viçoso até Pintos Negreiros são 10 km. Outra opção é por Delfim Moreira e Virgínia, também em estrada de terra, porém não estão em boas condições. A que está em melhores condições de tráfego é esta acima, saindo de Maria da Fé MG. 
(Por Arnaldo Silva, com fotografias de Cássia Almeida)

Os vinhos finos de altitude de Diamantina

A paisagem lembra a italiana Toscana, sem exageros. Variedades diferentes uvas estão presentes nos vinhedos, entre elas muscat, sauvignon, merlot, tempranillo, syrah usadas na produção dos vinhos em Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, a 300 km de Belo Horizonte. (acima alguns rótulos de vinhos diamantinenses e abaixo, vinhedo da Quinta Campo Alegre - Imagens enviadas pelas Avodaj/Divulgação)
     Isso mesmo, vinho no Vale do Jequitinhonha e na terra dos diamantes, de Chica da Silva, da seresta, de JK. Diamantina da música, da arquitetura, dos tapetes arraiolos e nosso patrimônio Cultural da Humanidade produz vinho, sim, de excelente qualidade. 
     Mas isso é recente? Não, não é. Diamantina foi uma das primeiras cidades a produzir vinhos no Brasil e em toda a América. Os vinhos já existiam em Diamantina bem antes da chegada dos imigrantes europeus, principalmente italianos, que para cá vieram no final do século 19 e começaram a produzir vinhos, principalmente na região Sul do país. (na foto abaixo Quinta da Matriculada - Imagem enviada pela Avodaj/Divulgação)
     Vinhedos em Diamantina existem desde o século 18, há mais de 200 anos. A cidade também se destaca na produção de cafés e oliveiras, culturas favorecidas por sua altitude, 1280 metros acima do nível do mar e temperaturas amenas, em média 18ºC. Diamantina é uma das cidades mais frias de Minas Gerais, com um inverno bem rigoroso e seco. Clima propício para a produção de uvas. 
     Os vinhos de Diamantina eram tão importantes para Minas e para todo o Brasil que na cidade existia uma estação enológica, fundada no início do século XX e desmontada pelo Governo Militar na década de 1970, bem como foi extinta a estrada de ferro. Mandaram a estação para Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. O objetivo era tirar da memória do povo, Juscelino Kubistchek e sua terra (foto acima/Arquivo). Tudo que lembrava JK era evitado naquela época pelo Governo Militar. 
Hoje vinhedos vêm crescendo ano a ano no município, embora em produção pequena, ainda artesanal. Mas vamos voltar a dois séculos para entender a vocação dos diamantinenses para a produção de vinhos. (na foto acima, rua das uvas Syriah e abaixo, vinho La Blanca da Quinta do Campo Alegre - Imagem enviada pela Avodaj/Divulgação)
     Tudo começou no século XVIII, quando Diamantina ainda se chamava Arraial do Tijuco e era a maior produtora de diamantes do mundo, naquela época. Tanta riqueza atraiu os nobres portugueses, que vieram para o Brasil com suas famílias em busca da riqueza que as pedras preciosas mineiras propiciavam. Com a chegada dos portugueses, veio também seus costumes, entre eles, o de beber vinhos. (foto abaixo de Elvira Nascimento)
     Como trazer vinhos da Europa nos tempos do Brasil Colônia era muito difícil e quando conseguiam trazer, demoravam meses para chega, a urgência de se produzir a bebida em nossas terras começou a ganhar força, pela necessidade dos portugueses em ter a bebida e ainda para as celebrações religiosas, já que não tinha vinho nem para os padres celebrarem as missas. 
     Foi assim, pela necessidade, que começou nessa época o plantio de sementes de uvas, vindas de Portugal no antigo Arraial do Tijuco e região. A altitude e temperaturas amenas foram os fatores primordiais para a proliferação das videiras no município, bem como a produção de vinhos. 
     Os vinhos produzidos em Diamantina eram comercializados na cidade e também em parte da Região do Vale do Jequitinhonha e Norte do Estado, levada por tropeiros. Os principais clientes eram os padres e os fidalgos da época.
     A cidade que produzia diamantes foi uma das primeiras a produzir vinhos no Brasil e na América. Vinhos finos e de qualidade que agradou os exigentes paladares dos portugueses. 
     No final do século 19 e início do século 20, a produção de vinhos em Diamantina teve um rápido crescimento, levando o Governo do Estado a criar no município uma estação enológica, que existiu na cidade até a década de 1970. Com a crise de 1929, a produção de vinhos na região sofreu uma queda enorme, se limitando a poucas famílias, basicamente produziam para consumo próprio ou para algumas vendas. Nas décadas seguintes, começou a retomada da produção, ainda bem artesanal, sofrendo novo revés quando da transferência da estação enológica da cidade, na década de 1970. O motivo da transferência foi citado acima. 
     Mesmo com todas as dificuldades, falta de capital para investir na melhoria dos vinhedos e no aumento da produção e qualidade maior dos vinhos, o diamantinense nunca deixou de produzir a bebida, mesmo que a produção tenha sido restrita a pequenas propriedades ou para consumo familiar. Os vinhedos sempre estiveram presentes nos campos diamantinenses e região.
     Já no início dos anos 2000, por iniciativa do vinicultor João Francisco Meira, da Vinícola Quinta Dalva, foram importados da França 4 mil mudas de 9 variedades de uvas diferentes, plantados entre 2003, 2004 e 2005. O pioneirismo do Chico, como prefere ser chamado, incentivou outros produtores a investirem no plantio de uvas e produção de vinhos finos. Assim, começou a retomada da produção de vinhos em maior escala no município começou a ganhar força, baseada na tradição, vocação e história da vitivinicultura diamantinense ao longo de 200 anos produzindo vinhos de qualidade reconhecida. (na foto abaixo, a vinícola Quinta Dalva)
     Segundo João Francisco Meira, isso se deve " as características da região (clima, relevo, solo, amplitude térmica, altitude, umidade do ar e regime de chuvas) são favoráveis à cultura da vinha. Em 2005, o Quinta D'Alva plantou 9 variedades de viníferas importadas da França, para selecionar as mais apropriadas para produção de vinhos de qualidade. Desde então buscamos selecionar as mais apropriadas para produção de vinhos de qualidade, já conseguindo sucesso com algumas castas tintas e brancas. Importante citar que o ciclo vegetativo é alterado por um inovador sistema de poda que estimula a brotação dos cachos no outono, para as uvas serem colhidas no inverno. A partir de 2016 estamos produzindo espumantes com métodos Chardonnay utilizando além da Champenoise as castas Pinot Noir e Pinot Meunier".
     Buscando unir os vitinicultores da região, com incentivo e participação do pioneiro, João Francisco Meira,  da Quinta Dalva, vitinicultores de Diamantina e Alto Jequitinhonha criaram a AVODAJ – Associação dos Vitivinicultores e Olivicultores  de Diamantina e Alto Jequitinhonha com o objetivo de resgatar uma das mais antigas tradições de Diamantina, que é a produção de vinhos finos de alta qualidade, bem como desenvolver na cidade e região o Enoturismo, hoje um dos principais segmentos de turismo no mundo. O turista vem à cidade, conhece os vinhedos, as vinícolas, o processo de produção e tem a oportunidade de adquirir vinhos diretos do produtor. 
     Assim, com o apoio e orientações dos órgãos governamentais, vitivinicultores começaram a trabalhar na produção de vinhos finos, utilizando cerca de 20 variedades de uvas, com mudas de procedência certificada e adaptadas ao clima da região. As variedades plantadas em Diamantina são: Tempranillo, Sauvingon Blanc, Tanat, Alvarinho, Marsane, Muscat, Chardonnay, Pinot Meunier, Carbenet Sauvingon, Gewurstraminer, Touriga Nacional, Barbera, Isabel Precoce, Petit Verdot, Riesling Itálico, Carbenet Franc, Malbec, Merlot, Pinot Noir e Syrah. O sucesso do plantio dessas variedades é graças ao sistema de dupla poda e safra de inverno, que proporciona entre os meses de maio e agosto frutos com boa acidez, antocianinas e teores de açúcar equilibrados.
     São mais de 52 mil vitiníferas plantadas. A técnica da dupla, desenvolvida no Núcleo Tecnológico Uva e Vinho da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais). (Vinho Sauvingnon Blanc premiado da Quinta do Campo Alegre, junto com um Dom Leon Alvarez/imagem enviada pela Avodaj/Divulgação)Essa técnica consiste na inversão do ciclo da videira, alterando para o inverno o período de colheita das uvas destinadas à produção de vinhos finos. São aplicadas duas podas, uma para a formação de ramos, em setembro, e de produção, em janeiro e fevereiro.
     Com o uso da dupla poda, a produção de vinhos finos em Minas Gerais vem aumentando a cada ano, bem como aumentando o número de hectares de áreas com videiras plantadas, beneficiando o viticultor que é aquele responsável pela plantação, cultivo e colheita da uva, bem como o vinicultor, que é o recebe as uvas e a transforma em vinho. 

     O projeto e iniciativas vêm dando certo e resgatando uma das maiores tradições de Diamantina, agora com a qualidade e tecnologia que possibilita colocar Diamantina na rota mundial dos produtores de vinhos de alta qualidade, inclusive, reconhecida nacionalmente por especialistas e apreciadores de vinhos finos, de qualidade no Brasil. (na foto abaixo imagem do primeiro processo da vinificação na Vinícola Campo Alegre, com as uvas na mesa de seleção, indo para a desengaçadeira - Imagem enviada pela Avodaj/Divulgação))
Os vinhedos e rótulos existentes hoje em Diamantina, produzindo uvas de qualidade e vinhos finos são:
Vinhedo Quinta Dalva com o rótulo Quinta Dalva 
Vinhedo Campo Alegre com os rótulos Dom Léon Alvarez, La Blanca, La Campola, Al Tempo, Diamante das Minas 
Vinhedo da Quinta da Matriculada com o rótulo Vin de Minas (imagem de Ricardo Maciel/Avodaj/Divulgação)
Vinhedo Sítio Vale dos Vinhedos com o rótulo Vesperata (imagem enviada pela Avodaj/Divulgação)
Vinhedo da Toca com o rótulo Andrade 
Vinhedo Santa Helena
Vinhedo Candeia Torta
Vinhedo Riacho das Varas
Vinhedo Fazenda do Sapê
Vinhedo Sítio das Lajes
Vinhedo Sítio Vale dos Vinhedos 

Vinhedo Fazenda Candeias com os rótulos Theo e Ethos (na foto ao lado enviada pela Avodaj/Divulgação)
     Atualmente a região conta com 13 produtores cadastrados na AVODAJ – Associação dos Vitivinicultores e Olivicultores
de Diamantina e Alto Jequitinhonha. Desses, apenas seis estão produzindo vinhos para comercialização que são:
Quinta D’Alva: www.quintadalva.com.br ; João Francisco: 31-99731 8255

Quinta do Campo Alegre: Istagran - @quintadocampoalegre ; E-mail: campoalegrediamantina@gmail.com ; Luiz Felipe: 33-99176 6156 e Luciana: 38-99195 0402
Quinta da Matriculada: E-mail: danielbarrote@gmail.com ; Daniel: 38-98837 4110
Sítio Vale dos Vinhedos: E-mail: eduardopompeu2017@hotmail.com ; Eduardo: 38-98822 4968
Fazenda Candeias: E-mail: buenoribeiro@hotmail.com ; Manoel: 38-98808 2460
Fazenda da Toca: E-mail: douglasvale@gmail.com ; Douglas: 38-98808 3945

Em breve os vinhos de Diamantina chamarão a atenção, não só dos mineiros mas dos brasileiros em geral, por sua qualidade e terroir. As terras altas diamantinenses serão consideradas grandes produtoras de vinhos finos no país, fazendo da região um dos grandes pólos do enoturismo brasileiro. 
Grappa: bebida para dias frios
     Além dos vinhos finos, em Diamantina também se produz a Grappa (na foto acima de autoria de Carsten Tolkmit/Wikipédia), uma bebida alcoólica de origem italiana e portuguesa. É feita a partir do bagaço da uva e seu teor alcoólico varia entre 37,5% a 60%, aromatizada com a erva arruda. A bebida foi criada na Idade Média com o objetivo de evitar o desperdício. São aproveitados além das cascas, os engaços e sementes da uva. O sabor, bem como o do vinho, depende do tipo e qualidade da uva e dos processos de destilação de cada produtor. Por seu alto teor alcoólico, a bebida caiu no gosto dos europeus e é até hoje muito apreciada, principalmente no rigoroso inverno europeu. 
     Em Diamantina a Grappa é produzida pela Quinta Dalva e em breve pela vinícola Campo Alegre. A grappa da Quinta Dalva chama atenção pela excelente qualidade. Uma ótima bebida para aliviar o frio das geladas noites diamantinense no inverno. 
     Vindo á Diamantina (foto acima de Elvira Nascimento), vivencie a música, a cultura, as tradições, a religiosidade, a beleza de sua arquitetura colonial, do seu artesanato e aprecie um bom vinho das quintas diamantinenses! Venha para Diamantina. Aqui temos história e bons vinhos. (Reportagem de Arnaldo Silva com fotos de Elvira Nascimento e das vinícolas e vinhos cedidas por João Francisco Meira e Avodaj)

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Conceição do Ibitipoca e o Arraial do Mogol

Conceição do Ibitipoca é um distrito de Lima Duarte, na Zona da Mata Mineira. São aproximadamente 1500 habitantes na vila, vivendo da atividade turística, produção agropecuária e pequenos comércios. (foto abaixo de Cristiano Moreira)
       A matriz da vila é em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, obra do Barroco Mineiro datado de 1768. “Ibitipoca” significa “montanha (ibytyra) estourada (pok)” segundo a língua tupi. Da junção do nome da padroeira com o termo tupi, surgiu Conceição do Ibitipoca. Além da Matriz, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos (na foto abaixo de Glauco Umbelino) é outro marco da fé católica no distrito, construída pouco depois da Matriz por escravos, sua arquitetura é colonial, erguida em pau-a-pique.
     É uma das mais antigas, charmosas e encantadoras vilas mineiras e a porta de entrada para um dos mais belos santuários ecológicos do Brasil, o Parque do Ibitipoca. A povoação na região começou a no final do século XVII e início do século XVIII com a descoberta de ouro na região. Com o passar dos séculos, a vila manteve sua originalidade, tradições e principalmente sua variada e rica gastronomia serrana. Seus moradores tem um estilo de vida simples, são hospitaleiros e simplesmente, amam o lugar em que vivem. 
     O Casario de Conceição do Ibitipoca, com suas cores vivas preserva os traços coloniais e suas ruas de pedras nos remetem ao passado. No entorno da bela Matriz de Nossa Senhora da Conceição os moradores se encontraram para prosear ou mesmo relaxar na tranquilidade do vilarejo, rodeado por montanhas e vasta natureza. (foto acima de Marlon Arantes)
     Uma das preciosidades da Vila são sua gastronomia e ótimas opções de hospedagens. Cafés coloniais, doces, bistrôs, charmosos restaurantes, produção artesanal de queijos e cervejas são atrativos, bem como o tradicional Pão de Canela do Ibitipoca. O charme serrano de Conceição do Ibitipoca atrai muitos turistas no inverno, principalmente casais. As pousadas e hotéis oferecem a oportunidade casais vivenciarem a estação mais fria do ano em confortáveis chalés ou quartos, com direito a lareira, para aquecer as noites geladas do Ibitipoca.
     Uma dessas pousadas, que mais me chamou a atenção foi a Reserva do Ibitipoca. É uma reserva ambiental particular maior até que a área do Parque do Ibitipoca. A reserva era uma fazenda e sua sede foi construída em 1715, sendo reformada e inaugurada em 2009 como hotel de luxo. São quatro chalés e oito suítes com banheira vitoriana, piso aquecido, roupa de cama em algodão egípcio e decoração bem mineira, como podem ver na foto abaixo, extraída do site da Reserva do Ibitipoca. 
O que mais me chamou a atenção na fazenda, não foi o quarto ou a beleza do casarão, mas a preocupação com o meio ambiente, buscando a auto sustentabilidade e um mínimo possível de interferência na natureza. Na Reserva do Ibitipoca a água é tratada, os carros são elétricos e a energia é solar. É feito constantemente o plantio de árvores nativas e ainda são cultivadas hortas sem agrotóxicos e produzido mel. Práticas assim tem que ser valorizadas e reconhecidas. Além dessa pousada, tem outras dezenas na região com preço para todos os bolso. 
Já na vila, durante o inverno acontecem festivais culturais variados de jazz, blues, forrós e outros. A noite é um atrativo à parte. Pelas ruas, aconchegantes e pitorescos bares e botecos são sempre um convite para um bom bate-papo com os amigos ou mesmo, momentos românticos entre casais. (foto acima de Tatty Pires)
     Saindo um pouco de Conceição do Ibitipoca, nos arredores do distrito pequenos povoados que valem a pena conhecer como Vila dos Moreiras, Bom Jesus do Vermelho, Boa Vista e o Mogol. 
O Mogol me encantou (foto acima de Márcia Valle). O lugar é um dos mais pitorescos que conheci até hoje. São poucas casas, mas seus moradores são amáveis, hospitaleiros e tem o maior carinho pelo lugar em que vivem. 
     Mogol surgiu no século XVIII. Seu casario tem traços colônias com detalhes do barroco mineiro. O que mais chama atenção no povoado é a sua igreja e o coreto ao fundo (na foto acima de Márcia Valle). Construída em estilo colonial, o pequeno templo é de uma simplicidade encantadora. Por dentro é uma aconchegante obra de arte com detalhes romanos nas colunas, mourísticos nos arcos e colonial brasileiro. O piso é em cerâmica e o forro em saião. Possui dois altares em madeira na cor azul rei, com detalhes em branco, dedicados a três santos. O centro é dedicado a Nossa Senhora dos Remédios. De um lado encontra-se o altar de São Sebastião e do lado o altar de Nossa Senhora de Fátima.
     Vale a pena conhecer Mogol, uma típica vila mineira em detalhes e beleza. 

     Lima Duarte (na foto acima de Márcio Lucinda  da Sauá Turismo) é uma linda cidade distante 297 km de Belo Horizonte. A cidade ponto de referência é Juiz de Fora MG. Conceição do Ibitipoca fica a 27 km da sede. De Conceição do Ibitipoca até a porta principal do Parque Estadual do Ibitipoca são 3 km, dá para ir a pé. Tanto em Lima Duarte como em Conceição, existem vários guias especializados que levam turistas para o Parque e distritos de Lima Duarte. (Por Arnaldo Silva)

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

O Calendário das Bordadeiras de Paracatu

A Prefeitura de Paracatu, por meio Fundação Municipal Casa de Cultura, participou, em Brumadinho, do Fórum Permanente de Sustentabilidade das Cidades de Minas Gerais.

Durante o evento foi apresentado um projeto criado para resgatar e valorizar o trabalho desenvolvido com bordadeiras do município.

“A experiência que mostramos foi o calendário das Bordadeiras da Casa de Cultura, que atinge as áreas cultural, econômica, documental e histórica, por meio de oficinas de bordados, que existem há 20 anos”, explicou Graciele Mendes, presidente da Fundação.

Na apresentação, ela ressaltou que o calendário é uma forma de divulgar e eternizar os casarões coloniais da cidade, que entrou para o grupo de “históricas”, em dezembro de 2010. Atualmente, inclusive, a cidade ocupa a 2ª vice-presidência da Associação das Cidades Históricas de Mnas Gerais.

Os bordados
Os casarões bordados são selecionados a partir de critérios que remetem ao período colonial. Todos os anos, eles são fotografados por Janine Souto, servidora da Casa de Cultura. Então, essas fotos são transformadas em desenhos pela professora de desenho e pintura Marlene Gama e transferidos para o linho por outra funcionária da Fundação, a professora de bordado Neusa de Farias.

Fase seguinte do trabalho, as bordadeiras começam a bordar segundo as cores e os traços originais, para manter a originalidade dos casarões selecionados pela direção da Casa de Cultura.

Calendários
O primeiro calendário foi confeccionado em 2014. Desde então, a Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Casa de Cultura, vem conseguindo bons resultados com a divulgação e valorização do patrimônio material e histórico da cidade.

O lançamento do calendário das bordadeiras já faz parte da programação oficial de eventos da Prefeitura e é esperado por muitos cidadãos paracatuenses, turistas e, também, por naturais de Paracatu que moram fora da cidade, além das próprias bordadeiras. Os custos de confecção/impressão estão incluídos no orçamento municipal.

Incentivo
A partir do calendário, as bordadeiras têm seus nomes e telefones divulgados, para assim receberem encomendas dos bordados. “Normalmente, os donos ou parentes dos donos das casas ilustradas compram das bordadeiras o bordado e os transformam em quadros”, conta Graciele Mendes. Ela complementa: “Na Casa de Cultura, uma sala é dedicada às bordadeiras. Todos os quadros dos casarões estão expostos para a visitação”.

Inclusão
Participam do projeto senhoras de várias idades, sendo a mais experiente a Dona Conceição, com 98 anos.

A coordenação procura variar a inscrição das participantes, todos os anos, incluindo e/ou mesclando as mais jovens e as mais velhas. Todo o processo é supervisionado pela direção e professores da Fundação

O calendário foi a forma cultural e artística descoberta pela Casa de Cultura para despertar, na comunidade, o sentimento de pertencimento, a vontade de preservar o que ainda existe e de relembrar o que já não existe mais.

“Após todos os bordados estarem prontos, a gente fica aproximadamente 7 dias na gráfica para escolher tipo de folha, tamanho, textura e decoração do calendário, até sair tudo perfeito para a distribuição na cidade, que acontece normalmente no início de dezembro”, explicou a idealizadora, Graciele Mendes, na apresentação que recebeu elogios do Fórum Permanente de Sustentabilidade das Cidades Mineiras. Ao final da apresentação foram distribuídos brindes aos particpantes: um bandô bordado, e Café Catu, item doado pela empresa.

Para o calendário 2020, estão sendo bordadas imagens de casarões da Rua Goiás, a primeira de Paracatu. A distribuição está prevista para dezembro próximo.
ASCOM/SEGOV - Prefeitura de Paracatu MG

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Unesco reconhece BH como Cidade Criativa na Gastronomia

Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgou em 30/10/201, a lista das novas cidades que integram a Rede de Cidades Criativas do mundo, em Paris, França. A rede de de cidades foi criada com a finalidade de promover a cooperação entre municípios em todos os continentes, que têm na criatividade um fator importante para o desenvolvimento urbano sustentável. Foram 64 novas cidades que passaram a integrar a lista hoje com 250 municípios em todo o mundo. Belo Horizonte teve o titulo de Cidade Criativa na Gastronomia. 
           A capital dos mineiros, Belo Horizonte, foi reconhecida por sua valiosa e rica gastronomia, muito valorizada pelo belo-horizontino e reconhecida pelos visitantes, principalmente na famosa “cultura de boteco” já que BH é reconhecida como a capital dos bares no Brasil. A gastronomia belo-horizontina movimenta a economia da capital, gerando impostos, renda e milhares de empregos. Os milhares de bares e restaurantes belo-horizontinos, sempre inovam, criam e apresentam pratos diferentes. Fatores esses importantes para o reconhecimento pela Unesco.          
          Por sua culinária, apenas 21 cidades no mundo inteiro tinham esse reconhecimento da UNESCO. No Brasil, a capital de Santa Catarina, Florianópolis, Belém, capital do Pará e agora Belo Horizonte, tem o título internacional de Cidade Criativa em Gastronomia. 
          Em todos os quesitos, gastronomia, arte mídia, design, música, cinema, artesanato e artes folclóricas e literatura são agora 250 municípios em todo o mundo  que fazem parte da Rede de Cidades Criativas da Unesco, sendo 10 cidades brasileiras como podem ver na lista abaixo em ordem alfabética:
1. Belém (PA) - gastronomia
2. Belo Horizonte (MG) - gastronomia
3. Brasília (DF) - design
4. Curitiba (PR) - design
5. Florianópolis (SC) - gastronomia
6. Fortaleza (CE) - design
7. João Pessoa (PB) - artesanato e artes folclóricas
8. Paraty (RJ) - artesanato e artes folclóricas
9. Salvador (BA) - música
10. Santos (SP) – cinema
          Uma das obrigações das cidades que recebem esse título é a de defender e criar ações voltadas para desenvolvimento sustentável das comunidades locais com foco para 
pessoa, planeta, prosperidade, paz e parceria. As cidades, para manter esse título, terão que desenvolver ações nessa área, o que sem dúvida é um grande incentivo e motivo para que surjam novas ações nesta área. Quem ganha é a cidade e seus moradores. (Por Arnaldo Silva, com fotografia de Marino Júnior)

sábado, 26 de outubro de 2019

Os lírios nativos do Vale do Jequitinhonha

Os lírios tem sua origem na Ásia, Oriente Médio, Europa e na América do Norte. Foram introduzidos na América Latina pelos Portugueses e espanhóis. Lírio é denominação genérica das espécies da família das liláceas. Algumas espécies de lírios recebem o nome de açucena. São cerca de 100 espécies existentes no mundo, mais da metade dessas espécies são nativas do Japão e China. Algumas são híbridas, oriundas do cruzamento de espécies diferentes, resultado em cores variadas ou modificadas naturalmente, adaptadas às regiões onde foram plantadas, no caso no clima de Minas Gerais. (foto abaixo de Ernani Calazans em Araçuai MG)
     Os lírios são plantas resistentes às intempéries do tempo, como secas prolongadas e podem chegar até 2 metros de altura, dependendo da espécie. Uma dessas espécies, a lírium candidum, foi a que mais se adaptou ao clima do Brasil, especialmente de Minas Gerais, onde se adaptou muito bem, dando origens a diversas plantações nativas no território mineiro.
     A espécie foi introduzida no Brasil no século 19, adaptando-se a algumas regiões mineiras como na Serra da Canastra e no Vale do Jequitinhonha, com poucas modificações, tornando-se com o tempo adaptados e nativos dessas regiões. No Vale do Jequitinhonha, os lírios nascem espontaneamente e com florada sempre no mês de outubro. Os campos de lírios são comuns em Araçuaí, Itinga e arredores. É difícil não parar para ver, adentrar-se nos campos floridos e sentir o perfume dos lírios do campo. 
     No Vale do Jequitinhonha os lírios nativos são chamados de “Cebolinha” ou “Neve do Cerrado” pelo sertanejo. Surge na primeira grande chuva da primavera, com florada entre 20 a 30 dias de duração. No final de setembro e início de outubro, são comuns os campos de lírios em Araçuaí e arredores. (foto acima de Ernani Calazans em Itinga MG) 
     Sua beleza é impactante, presente em decoração de eventos, em arranjos florais e buquês. Embora suas flores simbolizem uma delicada simplicidade, é considerada a rainha das flores, simbolizando ainda a castidade, pureza e inocência. Junto com as rosas, são as flores mais perfumadas do mundo. Seu perfume é inebriante e transmite uma gostosa sensação de paz e tranquilidade. (foto abaixo de Ernani Calazans em Itinga MG)

     Presente na história da humanidade, desde os tempos antigos encantam por sua beleza, resistência e perfume inigualável. Era uma das flores mais admiradas por Jesus Cristo, citada inclusive em suas mais belas pregações, o Sermão da Montanha: “Olhai para os lírios do campo, como eles crescem: não trabalham nem fiam…” Mt. 6.28. (foto abaixo de Mônica Jocélia Evangelista em Itinga MG)
     Ao longo da história, foi retratada em telas de artistas famosos, desde os tempos da Grécia e Roma antigas, até os dias de hoje. A magia dos lírios, que há milhares de anos encanta e perfuma o mundo, está presente sempre em jardins, campos e também em lendas, misticismo, simpatias, crendices populares e na religiosidade. Na Grécia antiga desenhos de lírios homenageiam a deusa Hera. Na Igreja Católica, o lírio é o símbolo da Virgem Maria. Os antigos acreditavam também que os lírios tinham o poder de reconciliar casais em fim de relacionamento. Não é à toa que o significado de lírio é “amor eterno”. É a flor, ao lado da rosa, símbolo do amor. Na China, onde a planta é cultivada há mais de três mil anos, sua florada densa é sinal de fartura. (foto abaixo de Ernani Calazans em Araçuai MG)
     Pra nos mineiros, os lírios nativos estão presentes em várias partes do nosso Estado, sendo notados ou não, estão lá, perfumados, lindos, delicados e frondosos. Quem quiser conhecer os lírios nativos do Vale do Jequitinhonha, um convite para o mês de outubro, visitar Araçuaí, Itinga e arredores. É um espetáculo deslumbrante e perfumado. 
(Reportagem de Arnaldo Silva, com fotografias de Ernani Calazans de Araçuai e Mônica Jocélia Evangelista de Itinga MG)