sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

O cheiro da felicidade

          Tínhamos um costume na roça, lugar onde morei boa parte da vida. Aos sábados, bem cedo, tomávamos café sentado na área de fora da casa, bem pertinho do fogão a lenha. 
          Na frente da casa tinha um pé de mexerica, que balançavam as folhas lentamente com o sereno do amanhecer. 
          O silêncio permanecia entre nós, meu avô olhava longe e fixamente para os raios de sol que apontavam detrás da serra, era como se o amanhecer tivesse cheiro, mas não um cheiro qualquer, era um aroma de calmaria e de paz. 
          Era um cheiro de completa felicidade.
          Sentada ali, na serra da piedade, num sábado de manhã, olhei longe e fixamente, e depois de anos, senti o cheiro novamente. 
          O cheiro da completa felicidade.
(Por Suelen, texto e fotografias -  Serra da Piedade 2018)

Café de Espera Feliz se destaca no Brasil

A cidade é tão charmosa quanto seu nome, Espera Feliz. Com cerca de 25 mil habitantes, faz parte do Caminho da Luz, antiga rota criada no século XVIII por tropeiros, religiosos e aventureiros. Esse caminho inicia-se em Tombos e terminando no Pico da Bandeira em Alto Caparaó MG, na divisa com o Espírito Santo. A rota foi criada para ligar o Rio de Janeiro ao Espírito Santo, pelos caminhos das sinuosas montanhas mineiras. Esse é um dos atrativos da cidade que fica a 378 km de Belo Horizonte e faz divisa com Alto Caparaó, Carangola, Divino, Caiana, Caparaó, Dores do Rio Preto, na Zona da Mata Mineira. Sua altitude mínima é de 773 metros, mas rodeada por maciços rochosos e montanhas que elevam a altitude de mil até 1400 metros de altura.
Foto sem autoria identificada até o momento/Divulgação
          Ai que está o sucesso de Espera Feliz. Suas montanhas sempre cobertas por uma densa névoa e umidade, vai revelando, com o surgimento dos primeiros raios solares, o maior tesouro do município. O café de montanha. Espera Feliz faz parte da Região Cafeeira Matas de Minas.
Foto acima: Emater/Divulgação
          A terra fértil, a altitude e a umidade relativa do ar mais alta, são fatores que favorecem o cultivo de café de qualidade. Esses fatores fazem com que o grão permaneça mais tempo na planta, desenvolvendo mais propriedades e assim, melhorando a qualidade do café.
          Espera Feliz tem cerca de 100 produtores de cafés especiais, sendo a maioria de pequenos produtores em propriedades com menos de 20 hectares. São propriedades familiares, geralmente, envolvendo toda a família na colheita do café, que é feita de forma manual. Sendo também esse um dos fatores que ajudam a preservar a qualidade dos grãos, que passam a ser selecionados, já no momento da colheita. (foto abaixo de Geremias Corrêa)
          O café é descascado, secado em terreiros suspensos ou de cimento e por fim ensacado. Sai de Espera Feliz em grãos direto para as indústrias da região que fazem o beneficiamento e distribuição do produto para todo o Brasil e exterior.
          A preocupação dos produtores de café de Espera Feliz, em melhorar a qualidade do produto vem surtindo efeitos. De uns 10 anos para cá, com o apoio técnico da Emater MG, a qualidade dos grãos produzidos no município vem melhorando cada vez mais e transformando o município em referência na produção de cafés especiais no Brasil, arrematando as primeiras colocações seguidas em diversos concursos de qualidade de cafés pelo país. Nas três últimas edições do Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, promovidos pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (EMATER-MG), o café de Espera Feliz superou cerca de 2 mil concorrentes e obteve o primeiro lugar em 2017, 2018 e novamente, em 2019.
Segundo a Emater, os vencedores de Espera Feliz nos três últimos concursos foram:
2017
Onofre de Lacerda - Campeão Estadual e Matas de Minas (categoria Natural)
Sebastiana Oliveira - Campeã Estadual e das Matas de Minas (categoria Descascado)
2018
Josias Gomes - Campeão Estadual e das Matas de Minas (categoria Natural)
2019
Paulo Gomes - Campeão Estadual Geral e das Matas de Minas (categoria Natural)
Flávio de Abreu - Campeão das Matas de Minas (categoria Descascado)
          As conquistas dos produtores de Espera Feliz vem coroar empenho, trabalho, investimento, persistência e dedicação em melhorar cada vez mais, produzindo um café de altíssima qualidade, sendo inclusive reconhecida por todo o país e pela Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), que reconhece o café de Espera Feliz como um dos melhores do Brasil.
          Além do café, Espera Feliz é uma cidade muito agradável, charmosa, com belezas naturais e urbanas, sem contar sua ótima rede hoteleira, com hotéis e pousadas aconchegantes, além de bares e restaurantes com comidas típicas mineiras e produtos artesanais do município. Vale lembrar que a cidade de Alto Caparaó, a porta de entrada para o Parque Nacional do Caparaó, onde está o Pico da Bandeira, é vizinha a Espera Feliz. (foto abaixo de Geremias Corrêa)
Ao vir a Espera Feliz, conheça o seu café, as fazendas, as montanhas, a cidade. Vivencie Minas Gerais! (Por Arnaldo Silva)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Juquinha: o guardião da Serra do Cipó

Simples, alegre, sorridente, lendário e até enigmático. Este é o Juquinha da Serra do Cipó. Se não é o mais famoso, é um dos mais famosos personagens populares de Minas Gerais. Juquinha era tão cativante que foi imortalizado em duas estátuas, pela sua história de vida e amor pela Serra do Cipó. Imortalizado também no coração de quem o conheceu e mesmo pelas novas gerações, que se encantam com as histórias da vida do Juquinha. 

          José Patrício, esse era o seu nome.(fotos acima extraídas de arquivos antigos dos anos 70. Não identificamos a autoria) Juquinha era o apelido carinhoso e ele gostava de ser chamado assim. De origem bem humilde, vivia nas montanhas com seus dois irmãos. Sobrevivia colhendo flores que dava aos turistas em troca de roupas e comida. As vezes recebia moedas e sempre agradecia, tirando o chapéu e sorrindo para as pessoas. Era esse jeito simples que cativava as pessoas, tornando-o muito querido na região. 
          Seu estilo vida isolado entre as montanhas, criava em torno de si lendas e histórias muitas das vezes exageradas. Uns diziam que ele já mamou em loba e que comia escorpiões. Falavam ainda que era imune a veneno de cobras, tendo sido picados dezenas de vezes e nada acontecido. Até sua idade era motivo de lenda. Muitos diziam que ele tinha mais de cem anos e que morreu duas vezes.Morreu uma vez e ressuscitou.
          Numa noite, seu irmão o encontrou deitado, com o corpo inerte e bem rígido. Seu irmão não sentiu pulsação e nem batimentos cardíacos, concluindo que o Juquinha estava morto. Prepararam o velório e com muita tristeza lá estava o povo, triste com a notícia, até que o Juquinha se levanta do caixão, deixando todos assustados e perplexos.
          Juquinha sofria de catalepsia, quando em crise a doença provoca enrijecimento dos músculos do corpo, dando a impressão de que a  pessoa está morta. Naquela época o conhecimento sobre essa doença era mais restrita aos círculos médicos. O povo não entendia essas questões médicas e acreditava mesmo que ele tinha morrido e ressuscitado. Esse fato gerou mais lendas ainda sobre o Juquinha. Muita gente acreditava ser o misterioso ermitão da Serra do Cipó um ser imortal, enviado pelos deuses ou até mesmo um Extra-terrestre que veio para cá.
          Sua vida foi cercada de mistérios e lendas, sua morte também. Faleceu em 1983, mas ninguém sabe informar com precisão o dia exato e nem sua idade verdadeira. Nem mesmo os parentes souberam dizer. (na foto acima, de Marcos Lamas, estátua do Juquinha no alto da Serra do Cipó) 
          Mesmo após sua morte, o velho Juquinha deixou saudades. Era a alegria da Serra do Cipó e seu sorriso e simplicidade encantava a todos. Em 1987 os prefeitos de Morro do Pilar e Conceição do Mato Dentro encomendaram junto a artista plástica Virgínia Ferreira uma estátua do Juquinha. Assim foi feito e a estátua foi instalada numa parte alta da Serra do Cipó a 1 km da portaria da Capivara. Quem passa pela estrada, pode vê-la no horizonte, como podem ver na foto acima que eu fotografei de dentro do ônibus, na MG 010.
          Posteriormente, foi construída outra estátua do Juquinha na Rodovia MG 010, km 117, em Santana do Riacho (na foto acima, com Sila Moura), onde Juquinha é retratado na sua simplicidade, com flores nas mãos, dando boas vindas aos visitantes da Serra do Cipó. (Por Arnaldo Silva)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

O segredo da cozinha mineira

O segredo do sucesso da culinária mineira é simples. É o melhor lugar da casa. Tudo arrumado e bem organizado com muito amor, com muito carinho. Esse é o segredo que nós mineiros guardamos há mais de 300 anos na cozinha mineira. O amor pela nossa culinária. O amor em cozinhar. O amor por nossa comida. (na foto abaixo, de Marselha Rufino, o fogão a lenha do Santuário do Caraça em Catas Altas MG)
Nossas receitas são populares, presente em todos os estados brasileiros e até no exterior, mas, quem experimenta a comida mineira fora do estado, percebe logo que não é a mesma coisa da comida feita em Minas. Constatação obvia. Receita é receita em qualquer lugar do mundo, mas colocar amor, tradição, laços sentimentais e história, só em Minas. (foto abaixo de Sérgio Mourão)          
Além de cores e sabores, nossa cozinha tem história. Em cada casa mineira, em cada fogão a lenha, em cada horta de um quintal, em cada receita anotada no caderno, tem emoção, tem laços de família, tem uma história, tem o prazer de cozinhar, tem um sabor único. E esse sabor único, se encontra em Minas, há mais de 300 anos. (foto abaixo de Rosane Vidinhas)          
Broa de fubá, pão de queijo, vaca atolada, frango com quiabo e angu, taioba com costelinha, feijão tropeiro, mingau de milho verde, pamonha, farofa, doce de leite, ambrosia, carne moída com ora-pro-nobis, galinhada, joão-deitado, queijo, doce de figo, marmelada, goiabada, licores, geleias, bolos, biscoito, tutu de feijão e tantos pratos. De onde veio tanta receita? (foto abaixo de Arnaldo Silva)
Pra saber temos que voltar ao tempo, lá pelo fim do século XVI e início do século XVII, com a chegada de bandeirantes e portugueses ao nosso território. Alguns pratos vieram com os portugueses e foram adaptados de acordo com os ingredientes que existia à época, como a ambrosia, o doce de ovos. Outros surgiram por necessidade, como o pão de queijo, na tentativa de fazer pão numa terra que não tinha trigo, mas mandioca em abundância. Boa parte foi surgindo com a combinação de ingredientes, com a mistura do talento culinário oriundo das senzalas, das tabas indígenas e das cozinhas portuguesas. Nossa cozinha é uma mistura de cores e sabores da cozinha africana, indígena e portuguesa. Por isso é única, deliciosa, cheia de cores, sabores, vida e emoções. (foto abaixo de Arnaldo Silva)
O segredo da nossa culinária é preservar nossas receitas da mesma forma que 300 anos atrás. Mineiro torce o nariz para “invenções” em suas receitas. Agregar ingredientes, valores, isso e aquilo são uma afronta ao paladar mineiro. As receitas são preservadas, valorizadas e valiosas para o mineiro. Ao longo dos séculos, novos pratos foram surgindo, mas modificar as receitas tradicionais, não, isso nunca. Nossas receitas não são simplesmente ingredientes e modo de preparo. São nossas emoções, nossas tradições, legado de nossas famílias e a isso, não se pode agregar nada e sim respeitar, valorizar e preservar. (foto abaixo de Arnaldo Silva)
O segredo da cozinha mineira é o amor pelas tradições nascidas à beira de um fogão a lenha, com a família unida, com muita prosa, cantoria, cigarrinho de palha, causos, cafezinho no bule, queijo, licores e quitandas alegrando esses momentos. (Por Arnaldo Silva)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Os morangos SAT e o colhe e pague em Franceses

O morango é uma das frutas mais apreciadas no mundo. Para a Botânica, morango não é uma fruta e sim uma hortaliça, um pseudofruto. A parte comestível do morango não é o fruto. O morango mesmo são aquelas sementinhas pretas revestidas por uma camada carnuda interna branca e vermelha por fora, conhecida como receptáculo floral, cuja função é proteger os frutos. 
          O morangueiro (Fragata L.) é uma planta da família das Rosáceas, de origem Europeia, presente no mundo todo em cerca de 20 variedades.
          Segundo a Botânica, toda fruta surge após a fecundação, com o amadurecimento do ovário, que por fim se desenvolve em fruta, propriamente dito.
          Com o morango esse processo natural de desenvolvimento de uma fruta não acontece, já que a parte consumida do fruto do morangueiro, não se desenvolve a partir do ovário da planta e sim a partir de um tecido de outras partes florais presentes em sua polpa. Sendo assim o morango é considerado um pseudofruto. O mesmo é o caso do caju, abacaxi e maçã, também, pseudofrutos.
          Independentemente da classificação botânica, se o morango é hortaliça, pseudofruto ou não, ninguém no mundo vai deixar de chamar morango de fruta e por sinal, uma das mais apreciadas frutas do mundo, junto com a uva. 
          No Brasil o fruto é cultivado em vários estados, principalmente em Minas Gerais, que é o maior produtor da fruta no país, respondendo por 65% da produção de morangos no Brasil.
          O morangueiro é um dos campeões no uso de defensivos agrícolas, pelo fato da hortaliça ser muito vulnerável a ataques de pragas e doenças. O uso de defensivos nas plantações diminui os nutrientes da fruta, bem como coloca os consumidores vulneráveis aos efeitos nocivos de agrotóxicos nos alimentos. 
          Esse cenário ruim para o consumidor vem mudando a cada ano, com o aumento da produção de morangos, cultivados sem uso algum de agrotóxicos, portanto, saudáveis e mais nutritivos.
          Por não conter agrotóxicos, esses morangos duram menos tempo que o convencional, mas com a vantagem de ter a polpa mais firme, mais doce e mais avermelhada. 
          Esse crescimento da agricultura sem veneno, principalmente em Minas Gerais, vem trazendo resultados significativos na economia mineira, por não ter gastos com os agrotóxicos, nem risco para a saúde de quem os produz, e vem ganhando a confiança do consumidor, que está adquirindo um produto de qualidade e saudável. Ganham todos. 
          É o caso de uma pequena propriedade no Sul de Minas, que iniciou sua plantação de morangos SAT (Sigla para Sem Agrotóxico, certificado que é concedido pelo Instituto Mineiro de Agropecuária - IMA). O convencional usa defensivos químicos permitidos por lei. O orgânico usa adubos naturais produzidos na propriedade ou não, controlados por uma certificadora. O SAT utiliza produtos naturais e biológicos produzidos na propriedade ou não e não utiliza defensivo químico.
          As propriedades para usarem o sistema SAT têm que ter certificado concedido pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), com renovação anual. O próprio instituto orienta os produtores como proceder para manter a produção natural, de acordo com as regras, sendo indicada também, acompanhamento e orientação de profissionais especializados, como agrônomos. O produtor deverá seguir as regras exigidas pelo IMA. Uma dessas regras é não usar nenhum tipo de agrotóxicos na plantação. Durante o ano, os fiscais do IMA visitam as propriedades, colhem amostras das folhas, frutos e adubo para análises. Estando de acordo com as normas, não tendo, por exemplo, nenhum tipo de agrotóxicos, o certificado é mantido, caso contrário, é suspenso e o produtor tem prazo para se adequar as exigências para ter de volta o certificado SAT.
          Um dos exemplos da iniciativa de produzir morangos SAT é o Sítio Cedro Vermelho localizado em Franceses, distrito de Carvalhos MG, no Sul de Minas, esse sitio conta com a consultoria técnica na propriedade de uma empresa de São Paulo. 
          Os proprietários adquiriram cerca de três mil pés de morangos, da espécie Albion, importados da Espanha, sendo cultivados no sistema semi-hidropônico, onde a nutrição chega diariamente via gotejamento, essas mudas foram plantadas suspensas em calhas recicladas em uma estufa de 40mts x 9mts, cujo substrato foi feito com compostagem feita na propriedade, com esterco, calcário, melaço termo fosfato, muita matéria orgânica e palha de arroz carbonizada. 
A grande vantagem do cultivo sem agrotóxicos é a qualidade, bem como produtividade do produto. Os morangos produzidos no Sítio Cedro Vermelho são saudáveis, maiores, chegaram de 70 a 80 gramas na primeira florada em setembro, época do morango. O que garante maior rentabilidade da fruta. São grandes, vistosos, bem avermelhados e pelo tamanho, a proprietária diz que seus morangos eram chamados de morango maçã. 
O auge da colheita do morango se faz entre agasto e dezembro, mas por estar protegido na estufa e com adubação profissional são colhidos mensalmente 150 kg fora da época. 
Colhe e Pague
          Você conhece com certeza Pesque e Pague, e agora vai conhecer o Colhe e Pague.
O Sítio Cedro Vermelho recebe visitantes que tem a oportunidade de ter uma experiência única no sul de minas. O visitante tem a oportunidade de entrar na estufa, colher os morangos que desejar, pesar e pagar. Ou seja, você mesmo escolhe e colhe o morango que irá consumir. O interessante é que os morangos são embalados, mas não em sacolas plásticas, mas em cestos artesanais de bambu, feitos por artesãos da região. 
No sítio está sendo iniciado o plantio de árvores frutíferas. Já foram plantados 400 pés de mirtilo (blue berry), 300 de amoras e 200 de framboesas. Dentro das estudas, estão sendo plantados 26 pés de uvas sendo das variedades Niágara-rosa, Niágara-branca e Uva Itália sem sementes, juntamente com os morangos. Com o passar do tempo, os pés crescerão e darão sombra para os morangos nos dias de verão. 
Além das frutas, os visitantes podem adquirir compotas, doces, sucos, polpas, geleias feitos com morango, em cozinha com fogão a lenha. 
Para visitar o Sítio Cedro Vermelho, entre em contato com a Mônica Rodrigues pelo Whatsapp 35 9 9805-2287 ou pelo email: monicarodrigues1605@gmail.com
Como chegar ao Sítio Cedro Vermelho? 
          Chegando à Carvalhos, pegue a estrada para o distrito de Franceses. São 12 km de estrada de terra, mas bem conservada. Já no distrito, encontrará placas de sinalização apontando o caminho para chegar. São apenas 800 metros do povoado.
 Carvalhos MG fica no Sul de Minas e tem menos de 5 mil habitantes, com trilhas, picos e lindas cachoeiras, como esta abaixo, da Estiva, a mais conhecida na região. Faz divisa com os municípios de Aiuruoca, Seritinga, Liberdade, Bocaina de Minas, próximo às divisas de Minas com o Rio de Janeiro e São Paulo. (na foto abaixo a Cachoeira dos Franceses)
Distância de Carvalhos às capitais:
De Belo Horizonte a Carvalhos são 390 km via BR 267 e BR 040 Do Rio de Janeiro a Carvalhos são 272 km via BR 116
De São Paulo a Carvalhos são 367 km, via BR 316
Por Arnaldo Silva com colaboração e fotografias de Mônica Rodrigues

São João Del Rei na história de Minas

De um simples arraial em 1704, a uma das principais cidades de Minas Gerais com mais de 90 mil habitantes atualmente, distante 200 km da capital. Assim é São João Del Rei (na foto acima de Kiko Neto), cidade na Região do Campo das Vertentes, que alia história, tradição e cultura com o charme das pequenas vilas mineiras e o modernismo das grandes cidades. A mistura da arquitetura barroca com a eclética e a modernista, faz de São João Del Rei um perfeito cenário de cores e emoções, marcados por épocas diferentes, tão bem a mostra em seus detalhes, cores vivas e história. 
Andar pelas ruas estreitas de São João Del Rei, calçadas com pedras, perceber a beleza, cores e o estilo barroco mineiro, do século 18, inconfundível em sua arquitetura, bem com suas igrejas centenárias, é um sentimento de volta ao passado. (foto acima de Kiko Neto) Saindo um pouco do Centro Histórico, pode se conhecer a beleza dos casarões em estilo eclético, do final de século 19, para o início do século 20. Esse estilo surgiu na França e mescla o barroco, com o modernismo do início do século 20.
Conhecendo mais São João Del Rei (na foto acima de Kiko Neto), encontramos a arquitetura moderna, em prédios, casas, praças, restaurantes, comércio, etc. São João Del Rei é a história antiga, viva, presente e moderna ao mesmo tempo. 
Ao andar pelas bucólicas ruas de São João Del Rei (na foto acima de Kiko Neto), percebe-se o silêncio e a paz que transmite. Esse silêncio guarda a magia daquele tempo quando, nós mineiros, lutávamos pela Independência do Brasil. Nos tempos da Inconfidência Mineira, a cidade, junto com a vizinha Tiradentes, foi ativa e importante na luta contra as forças da Coroa Portuguesa, tendo sido cogitada pelos Inconfidentes, ser a cidade a Capital de Minas Gerais, caso o movimento saísse vitorioso. 
São João Del Rei (na foto acima de Kiko Neto) sempre esteve na vanguarda dos mais importantes movimentos políticos em Minas e também no Brasil, como por exemplo, na Revolta Militar de Ouro Preto, em 1833, na Revolução Liberal, em 1842, bem como na Revolução de 1930 e no Movimento Militar de 1964. Tancredo Neves, filho ilustre da cidade, manteve a tradição de São João Del Rei à frente de um dos mais importantes fatos da história recente de nossa política, a redemocratização do país, em 1985. 
Ao longo dos mais de 300 anos da cidade, São João Del Rei evoluiu, cresceu e se desenvolveu, sendo hoje um polo comercial e educacional na região, além de ser uma das cidades mais importantes para o turismo em Minas Gerais. (na foto acima o Beco da Rameira, de César Reis) No século 18 a exploração do ouro era a principal atividade da cidade, hoje o ouro é outro. É o turismo. 
A cidade recebe todos os anos milhares de turistas atraídos por suas tradições e beleza singular, arquitetura e história. (foto acima de César Reis) Está sempre em movimento, sempre tem alguma atividade que agita esquinas, ruas e praças, movimentando a economia local, principalmente os ótimos hotéis, pousadas e restaurantes da cidade. O Carnaval é uma das principais festas populares com desfile de blocos caricatos pelas ruas históricas e muita alegria. 
A Semana Santa é uma das mais bonitas tradições religiosas de São João Del Rei, com todas as igrejas abertas para a visitação dos fiéis nessa época. (foto acima de Kiko Neto) Tem ainda apresentação da encenação da Morte e Ressurreição de Cristo e confecção de tapetes feitos com areia e flores, que decoram as ruas para a procissão da Semana Santa, bem como apresentações musicais, de canto e dança realizados no Largo São Francisco. No dia de Corpus Christi os tapetes coloridos cobrem as ruas num espetáculo de fé e arte. 
As belíssimas igrejas dos séculos 18 e 19 com impressionantes trabalhos artísticos da época, com altares trabalhados em ouro, forros com pinturas representando cenas bíblicas impressionantes, são um dos maiores atrativos para os visitantes. As igrejas mais procuradas a Igreja de Nossa Senhora do Rosário (1720), Catedral-Basílica do Pilar (1721) (na foto de Marcelo Santos o seu interior), Igreja de Nossa Senhora do Carmo (1733), Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Bonfim (1769), Igreja de Francisco de Assis (1774) e também as Igreja do Senhor dos Montes, de Santo Antônio e Nossa Senhora da Piedade do Bom Despacho. 
Para coroar a beleza e emoção de conhecer São João Del Rei, o passeio de Maria Fumaça é a “cereja do bolo”. (foto acima de César Reis, a Estação de Trem de São João Del Rei) Ativa desde 1881 quando foi inaugurada por Dom Pedro II, faz o percurso atualmente até Tiradentes. São 12 km apenas, numa emocionante viagem de 45 minutos. Os passageiros embarcam na charmosa estação em São João Del Rei, sendo recebidos por figurinos trajando roupas de época e seguem até Tiradentes, uma das mais belas cidades mineiras. 
Em 2017, São João Del Rei (na foto acima de César Reis)  foi eleita a cidade mais hospitaleira do Brasil pela plataforma Airbnb. Das 10 cidades mais hospitaleiras do Brasil, na votação entre os seguidores da plataforma, São João Del Rei MG ficou em primeiro lugar.
Por Arnaldo Silva, com fotografias de Kiko Neto, César Reis e Marcelo Santos

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Em Minas a sala é a cozinha

A sala da casa do mineiro é a cozinha. A visita vai logo pra cozinha, sendo recebido com café, queijo, doces, licores, biscoitos, bolos e uma boa prosa. Se for a cinco casas de mineiro por dia, terá que tomar cinco cafezinhos e comer todas as quitandas que tiver, em cada uma delas. E não pode recusar porque para um mineiro, recusar um cafezinho ou suas quitandas, é uma ofensa. Tem que comer tudo.
A cozinha geralmente fica lá no fundo da casa, simplesmente porque lá no fundo, fica o pomar, a horta, a mina d água e o galinheiro. Pela cozinha podemos ver as jabuticabeiras, abacateiros, cajueiros, limoeiros, goiabeiras, mangueiras, pequizeiros, laranjeiras e hortaliças. Era fácil sair da cozinha para colher chuchu, quiabo, couve, alface, tomate, abobrinha, salsa, cebolinha. Horta não pode faltar num quintal mineiro, principalmente de fazendas. Nas noites frias, folha de laranjeira, de hortelã ou de erva cidreira, erva doce ou funcho é colhido para fazer chás... Mineiro adora chás e tem prazer em cultivar plantas medicinais nos quintais.
Na cozinha está o melhor da casa, o fogão a lenha. Era possível sentir lá da sala o aroma de casca de laranja e linguiças sobre o fogão. Ouvir o barulho da lenha queimando, sentir o cheirinho de café coado num coador de pano e um gostoso bolo de fubá assando na brasa do fogão.
Na dispensa, ao lado da cozinha, tem rosca caseira, queijo fresquinho, doce de leite e goiabada, feitos no tacho para ofertar às visitas. Tinha também frutas, muitas frutas no pomar, era só colher.
Os Doces Momentos da infância vêm da saudade do convívio com  avós, tios, pais e colegas. A comida estava ligada a tudo porque mineiro gosta de comer e de cozinhar. Minas é um prato cheio de delícias!
Texto de autoria de Arnaldo Silva
A primeira foto é em Vargem Bonita MG por Luis Leite. Segunda, também em Vargem Bonita, por Nilza Leonel. A terceira de Fernando Campanella em Pouso Alegre e a quarta, minha mesmo.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

A Matriz de ouro de Tiradentes

Com meia tonelada de puro ouro em obras de arte, a Matriz de Santo Antônio em Tiradentes é uma das mais belas, imponentes e importantes igrejas do Estado de Minas e uma das mais belas do Brasil não apenas pela arte em ouro, mas por sua história, riqueza arquitetônica e valor cultural para Minas e Brasil. 
Sua construção começou em 1710, tendo sido inteiramente concluída por volta de 1752. O seu interior impressiona pela beleza e riqueza dos detalhes das obras sacras esculpidas em ouro e pelas pinturas religiosas nos painéis laterais e forros da igreja. (na foto acima de César Reis) São seis altares em seu interior, destacando a impressionante capela-mor, esculpida no estilo do barroco Joanino.  
Construída sobre uma colina, onde pode ser vista a distância, a Igreja de São José (fotografia acima de Elvira Nascimento) é uma das mais bela e importante igreja para Tiradentes e Minas Gerais. Sua fachada, com ornamentação em estilo rococó, executada em taipa, tijolos e argamassa, é atribuída ao Mestre Aleijadinho.       
Dezoito quadros emoldurados por folhagens em ouro, representando encenações bíblicas, ornamentam a nave e as laterais do interior da Matriz. (foto acima de César Reis) Não existe até o momento definição exata da autoria dos quadros. Pisando no assoalho feito em óleo de bálsamo, percebe-se vários números, número 1 ao 116. Prática comum naquele tempo era sepultar pessoas dentro das igrejas, no caso, na Matriz de Santo Antônio, 116 pessoas estão enterradas. Cada sepultura com uma numeração. São pessoas de todas as camadas sociais da época, desde fidalgos, membros da irmandade local, religiosos a escravos. 
No coro da igreja havia um pequeno órgão, que posteriormente foi substituído por outro órgão maior. (na foto acima de César Reis) Foi feita a encomenda da parte mecânica de um órgão médio, em Portugal. A peça chegou a Tiradentes em 1788, dois anos depois. A parte de entalhe da caixa do órgão foi feita pelo entalhador Salvador de Oliveira e a pintura, por Manoel Victor de Jesus. A montagem do órgão, entalhe da caixa e pintura foram concluídos em 1798.
Já no adro da Matriz, encontra-se um relógio que foi esculpido em pedra sabão em 1785, por Leandro Gonçalves Chaves. (na foto acima de César Reis) É uma das atrações do complexo religioso. Como não naquela época não existia relógios como hoje este relógio de sol da Matriz era a referência de tempo dos moradores de Tiradentes. 
Se perceberem bem, em uma das torres da Matriz tem outro relógio, vindo de Portugal em 1788. (na foto acima e abaixo de César Reis)
Visitando Tiradentes, não deixe de conhecer a Matriz de Santo Antônio. As visitas são diárias, nos horários de 9h às 17 horas. (Por Arnaldo Silva)