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sexta-feira, 9 de abril de 2021

Minas Gerais para todos os gostos e estilos

(Por Arnaldo Silva) São 22 milhões de mineiros vivendo no Estado, em seus 853 municípios, 1712 distritos e milhares de pequenos povoados. Sem contar com outros centenas de milhares de mineiros, que vivem em outros estados e outros países. Minas Gerais, hoje é o quarto maior estado brasileiro, em número de habitantes e o maior Estado, em extensão territorial do Sudeste. É ainda o maior estado do Brasil, em número de municípios.
          O “Ser Mineiro” não é apenas um adjetivo, mas uma característica peculiar, já que Minas Gerais é um estado que desenvolveu ao longo dos séculos de sua existência, identidade própria. Esta identidade está presente na arquitetura, belezas naturais, cultura, gastronomia, vida social, religiosidade e tradições peculiares. Sem contar o jeito autêntico do mineiro em falar o português, de forma autêntica e original, diferente do Brasil. O tradicional, mineirês. (na foto acima de Arnaldo Silva, Vila de Martins Guimarães, distrito de Lagoa da Prata MG)
          Isso faz com que Minas Gerais seja um dos melhores destinos turísticos do Brasil e reconhecido em nível mundial, como uma das 
10 regiões mais acolhedoras do planeta, conforme lista divulgada pela Traveller Review Awards 2021, promovida pela Booking.com.
          O jeito mineiro de ser e suas tradições, estão presentes em todas as cidades, através da identidade religiosa do povo mineiro, manifestada nas tradicionais festas populares.
           Com destaque para o Congado, Folia de Reis, Bumba-meu-boi, Festa do Divino, Cavalhadas, Dança de São Gonçalo, Festas Juninas, a tradição dos presépios, Guarda Romana de Diamantina, procissões religiosas e outras tantas tradições religiosas, vividas e preservadas no Estado.(na foto acima de Luís Leite, Folia de Reis em Guaranésia, no Sul de Minas)
          O artesanato é uma das fortes identidades mineiras. Reconhecida por sua beleza, tanto no Brasil, quanto no exterior, a arte que encanta o mundo, vem da terra e da natureza, moldadas pelas mãos e talento do povo mineiro.
          O artesanato de Minas Gerais vem da argila, cerâmica, da madeira, das fibras vegetais, flores do Cerrado, bambus, do ouro, da prata, do estanho, da pedra sabão e fibras têxteis, que dão origem aos fios de linha, usados nos tapetes, crochês e bordados. (na foto acima da Giselle Oliveira, tapetes arraiolos feitos para artesã Vânia Ponto do Arraiolo de Diamantina MG)
          Cidades como Belo Horizonte, Tiradentes, Ouro Preto, Congonhas, Mariana, Diamantina, Paracatu, Itapecerica, Viçosa, além das cidades do Vale do Jequitinhonha, com a arte inigualável de suas ceramistas, são os destaques no artesanato mineiro. (na foto acima do Marlon Arantes, artesanato em argila de Minas Novas MG)
          Como o artesanato, a cozinha mineira é famosa no mundo inteiro. Desde o século XVIII, Minas se destaca na culinária com pratos feitos à base de carne de porco, fubá, leite, mandioca e carne de boi, além dos doces, quitandas e queijos. Além disso, cachaças, licores e vinhos finos, são produzidos em Minas, desde o século XVIII, com maior produção de cachaça, reconhecida como a melhor do Brasil.
          São quase duas centenas de pratos diferentes em Minas Gerais, sendo os mais apreciados a vaca atolada, o tutu de feijão, a canjiquinha, o frango com ora-pro-nóbis, o feijão tropeiro, o leitão à pururuca, o torresmo, a linguiça, o angu, a couve, o fubá suado, o frango com quiabo e ao molho pardo, farofa de carne, farofa de queijo, o arroz com pequi, o pão de queijo, mingau de milho verde, doces de leite, ambrosia, mamão, abóbora, laranja da terra, figo e goiabada cascão, além dos biscoitos de queijo, tareco, broa de milho, broa de fubá, broa de massa de queijo e outros saborosos pratos, que não cabem na lista. (na foto acima, a mineiríssima cozinha do Restaurante Jeitinho Mineiro de Santa Rita de Jacutinga MG)
          Sem contar o café de Minas Gerais, considerado um dos melhores do mundo e nossos queijos também. As porteiras das fazendas de azeites da Serra da Mantiqueira, de fazendas de cafés especiais do Sul de Minas e Zona da Mata, das queijarias da Serra da Canastra e as vinícolas do Sul de Minas, estão abertas para o turismo rural, com direito a degustação. (na foto acima de Camila Costa, a Queijaria da Cristina, na Zona Rural de Vargem Bonita MG, Serra da Canastra)
          A história do Brasil passa por Minas Gerais. Durante o Ciclo do Ouro, todas as atenções da Colônia se voltaram para Minas, que recebeu pessoas de todo o país e de vários países do mundo. Esses diferentes povos e cultura, foram os responsáveis pela formação social, política, arquitetônica, cultural e gastronômica do povo mineiro e suas tradições. Minas é um estado diferente, em relação aos outros estados brasileiros. 
          Mais de 60% do patrimônio histórico e cultural brasileiro estão em Minas Gerais, preservados e presentes nas cidades históricas mineiras, surgidas a partir final do século XVII e nas primeiras décadas do século XVIII. (na foto acima de Ane Souz, a Praça Tiradentes em Ouro Preto MG)
          Cidades históricas com boa parte pertencendo aos caminhos da Estrada Real (Caminho dos Diamantes, Caminhos do Sabarabuçu, Caminho Velho e Caminho Novo). Foram caminhos abertos pelo sertão mineiro, para levar nossas riquezas para o porto de Paraty. 
          Ou ainda, por novos caminhos abertos, ligando Minas a Goiás e São Paulo, cortando o Cerrado do Triângulo Mineiro e Noroeste de Minas, como por exemplo, a Picada de Goiás, em Paracatu (na foto acima de Neusa de Faria).
         São cidades, fazendo parte dos caminhos da Estrada Real ou não, de grande importância para a história de Minas Gerais, como Itapecerica, Dores do Indaiá, Onça do Pitangui, Formiga e Pitangui, no Centro Oeste Mineiro. (na foto acima de Sueli Santos, Dores do Indaiá MG)
          Barão de Cocais, Santa Bárbara, Catas Altas, Jaboticatubas, Caeté, Conceição do Mato Dentro, Entre Rios de Minas, Itambé do Mato Dentro, Ouro Preto, Mariana, Ouro Branco, Congonhas e Itabirito, na Região Central. (na foto acima da Elvira Nascimento, Santa Rita Durão, distrito de Mariana MG)
          Campanha, Baependi, Caxambu, Passa Quatro, São Lourenço, Caldas e Cruzília, no Sul de Minas. (na foto acima do Rildo Silveira, Cruzília MG)
          Barbacena, Lagoa Dourada, São João Del Rei, Prados e Tiradentes, no Campo das Vertentes. Santos Dumont, Rio Novo, Rio Preto, Belmiro Braga e Juiz de Fora, na Zona da Mata. (na foto acima de Elpídio Justino de Andrade, o Museu Cabangu, em Santos Dumont MG)
          Belo Horizonte, Sabará, Santa Luzia, Brumadinho, Rio Acima na Grande Belo Horizonte. (na foto acima de Alexa Silva, o Centro Histórico de Santa Luzia MG)
          Diamantina, Chapada do Norte, Couto de Magalhães de Minas, Serro, Minas Novas, Pedra Azul, Chapada do Norte e Itamarandiba no Vale do Jequitinhonha e Januária, Pirapora, Grão Mogol e São Romão, no Norte de Minas. (na foto acima de Viih Soares Fotografia, Chapada do Norte MG)
          Estas cidades acima, são apenas algumas dentre outras tantas cidades históricas de Minas Gerais.
          Além disso, tem as cidades que surgiram ou se desenvolveram, durante o Ciclo do Café, no século XIX, após a decadência do ouro e surgimento dos Barões do Café. 
          A maioria dessas cidades, que viveram o auge da riqueza do Ciclo do Café, estão na Zona da Mata Mineira e boa parte das antigas fazendas, são hoje hotéis fazendas ou as que ainda permanecem, recebem visitantes. É o caso da Fazenda Santa Clara, em Santa Rita de Jacutinga. É o mais imponente e maior casarão deste período, na América Latina. O casarão sede da Fazenda Santa Clara tem 6 mil metros de área construída, 365 janelas, 54 quartos, 12 salões, 3 cozinhas, 2 terreiros para secagem de café, uma capela, senzala, masmorra, mirante, etc.
          A fazenda é o melhor lugar no Brasil para se conhecer a história do Ciclo do Café, da Escravidão, da riqueza gerada pelo café e os reflexos gerados pela decadência da cafeicultura. A Fazenda Santa Clara é a história viva desse período histórico, do Brasil. (na foto acima do Rildo Silveira, a sede da Fazenda Santa Clara)
          Para quem vem à Minas e gosta de aventuras, encontrará de sobra. São paredões, cachoeiras, grutas, cavernas, lagos, trilhas, picos e montanhas em todo o Estado, que propiciam paisagens de tirar o fôlego. (na foto acima de Giseli Jorge, Lapinha da Serra, distrito de Santana do Riacho MG)
          Boa parte das belezas naturais de Minas Gerais estão preservadas em parques municipais, estaduais e nacionais, como destaque para a Serra do Cipó, Serra da Canastra, Serra da Bocaina em Araxá, Serra da Mantiqueira, Ibitipoca, Serra do Caraça e Serra do Espinhaço. São imensas áreas verdes de preservação de nossa fauna e flora, nativas. (na foto acima do Tom Alvesa/tomalves.com.br, a beleza do Parque Estadual do Rio Preto, em São Gonçalo do Rio Preto MG)
          Sem contar as belezas das estâncias hidrominerais mineiras como as águas quentes de Felício dos Santos, no Vale do Jequitinhonha, as águas termais de Montezuma no Norte de Minas, as águas sulfurosas de Araxá, no Alto Paranaíba e as águas medicinais das estâncias hidrominerais do Sul de Mias, como Poços de Caldas e Pocinhos do Rio Verde. (na foto acima de Joseane Astério, a estância hidromineral de Lambari MG)
          Em Minas, o turista tem o Lago de Três Marias, conhecida como “Mar Doce de Minas” e o Lago de Furnas, o “Mar de Minas”, que banha 34 cidades das regiões Oeste, Sudoeste e Sul de Minas. (na foto acima do Raul Moura, balsa no Lago de Três Marias, entre Três Marias e Morada Nova de Minas)
          O Lago de Furnas, tem nas cidades de cidades de Boa Esperança, Capitólio e Fama, suas cidades de maior destaque, além da beleza do Paraíso Perdido e do Paraíso Achado, em São Sebastião do Glória, na região da Serra da Canastra. (na foto acima de Nilza Leonel, o lago de Furnas em Santo Hilário, distrito de Pimenta MG)
          Mesmo para quem vem à Minas, para compras e negócios, as opções são muitas. Cidades com ótimas infraestruturas urbanas, rede hoteleira e gastronômica de qualidade, com acesso terrestre e aérea e estruturas para eventos, como Belo Horizonte, Juiz de Fora, Uberaba, Ipatinga, Teófilo Otoni, Uberlândia, Araxá, Montes Claros, Governador Valadares, Poços de Caldas, Pouso Alegre, Divinópolis, dentre tantas outras. (na foto acima de Elvira Nascimento, Ipatinga MG)
          Minas Gerais tem para todos os gostos, estilos e opções. Minas te espera! E como disse o nosso grande Guimarães Rosa, escritor natural de Cordisburgo MG: "Minas são muitas".

quarta-feira, 7 de abril de 2021

O Mercado Velho de Diamantina

(Por Arnaldo Silva) A Imponente construção, do século XIX, na atual Praça Barão do Guaicuí, hoje, é o Mercado Municipal de Diamantina MG, cidade histórica no Vale do Jequitinhonha, distante 292 km da Capital, Patrimônio da Humanidade desde 1999.
          Foi construído em 1835 a mando do Tenente Joaquim Cassimiro Lages, para moradia, rancho e também, uma intendência. (fotografia acima de Giselle Oliveira)  Na época, uma intendência era um lugar oficial, para descarregamento e comercialização de mercadorias, vindas de outras regiões. As mercadorias chegavam à cidade através das tropas que cortavam o sertão mineiro, levando e trazendo mercadorias. Por isso o local ficou conhecido, popularmente, por Mercado dos Tropeiros. 
          Uma construção muito bem planejada, imponente e suntuosa, com a frete pavimentada, em pedra, com esteios, onde os tropeiros amarravam os animais, enquanto descarregavam as mercadorias. (na foto acima de Giselle Oliveira, os fundos do Mercado Velho e abaixo, a frente e a Praça Barão do Guaicuí)
          Construído em estrutura de madeira, terra, alvenaria e tijolos, ocupa uma quadra inteira. Possui dois pavimentos, telhado em 8 águas, beiradas em cachorro, com pintura tradicional para época, em azul e branco. Possui várias fachadas, que dão de frente para vários pontos da cidade, com destaque para charmosos e atraentes arcos na entrada do Mercado. (na foto abaixo de Elvira Nascimento)
          Arcos no período colonial, eram usados para separar o altar-mor, da nave das igrejas, os chamados, arcos do cruzeiro e também, como ornamentação das vigas de sustentação dos templos. Em termos de construção colonial, sem ser em templos religiosos, uma novidade arquitetônica, para a época. Inclusive, Oscar Niemeyer, teria se inspirado nos arcos do Mercado Velho de Diamantina, terra de seu amigo, Juscelino Kubistchek, para desenhar os traços do Palácio da Alvorada, em Brasília.
          A função do Mercado Velho diamantinense, como intendência, foi encerrada em 1884. O imóvel foi adquirido pelo município em 1889, através de iniciativa da Câmara Municipal, que percebeu a necessidade de centralizar a distribuição de mercadorias, bem com evitar, monopólio de intendências, que surgiam em Diamantina. Com a aquisição pelo município, o local foi transformado em Mercado Municipal, permitindo assim uma maior organização do comércio na cidade. (fotografia acima de Elvira Nascimento, mostrando o Mercado de Flores que acontece nos fins de semana e feriados, em frente Mercado Velho)
          Hoje, o Mercado Municipal de Diamantina, também chamado de Mercado Velho, é um Centro Cultural e um dos lugares mais visitados turistas. (foto abaixo de Giselle Oliveira)
          No Mercado Velho estão o artesanato da cidade como o artesanato em flores de sempre-vivas, bordados, tapetes arraiolos, a culinária típica da cidade, tira gostos e as famosas quitandas, além dos produtos da agricultura familiar, como doces, vinhos, licores, cachaças, produtos caseiros, etc., direto do produtor, para o consumidor.

terça-feira, 6 de abril de 2021

Nova Era, a Matriz e o Pastel de São José

(Por Arnaldo Silva) Nova Era, cidade histórica mineira, distante 137 km de Belo Horizonte, na Região Central, conta atualmente com cerca de 18 mil habitantes. O município faz divisa com Santa Maira de Itabira, Itabira, Bela Vista de Minas, São Domingos do Prata e Antônio Dias. O acesso à cidade se dá pela BR-262 e BR-381, rodovia que corta a cidade, no sentido Vale do Aço.
          A história de Nova Era, começa a partir de 19 de março de 1703, no século XVIII, data em que se comemora a fundação do município. Naquela época, o sertão de Minas Gerais era cortado e explorado pelas Bandeiras. Nas terras de Nova Era, chegou a bandeira Antônio Dias de Oliveira, em busca de ouro. Os bandeirantes criaram um arraial às margens de uma lagoa. Como o dia 19 de março, era dia de São José, o arraial recebeu o nome de São José da Lagoa. (na foto acima da Elvira Nascimento, o altar-mor da Matriz de São José da Lagoa e abaixo, a Praça da Matriz)
          Outra versão para o nome São José da Lagoa, vem da tradição popular.  Segundo a tradição, dois bandeirantes, se perderam na região e já fatigados, com fome e sede, começaram a orar ao seu santo de devoção, São José, pedindo forças e água. Caso fossem atendidos, fundariam uma cidade. Andando pela mata, encontraram uma lagoa, com água limpa e cristalina. Beberam o suficiente para matar a sede e deparam com a imagem de São José, refletindo na água. Entenderam que o Santo os ajudará e cumpriram a promessa. Por isso o nome dado ao arraial e o nome da Matriz da cidade.
          Na região, os bandeirantes encontraram o que procurava, muito ouro. O arraial prosperou, mas veio a decadência do ouro, e com isso, desenvolveu-se no arraial, outra atividade: a agricultura. 
          Em 1848 o arraial de São José da Lagoa foi elevado à distrito, pertencente a Itabira MG. Em 17 de dezembro de 1938, foi elevada à cidade emancipada, com o nome de Presidente Vargas, passando a chamar-se Nova Era, em definitivo, a partir de 1942.
          A economia da cidade tem como base hoje, a agricultura, a pecuária, a indústria de extração mineral e vegetal, além indústrias de pequeno porte, um comércio variado e um bom setor de prestação de serviços, além do turismo.
          Além disso, a cidade está a 20 km da BR-262 e é cortada pela BR-381, além da ferrovia da Vale, que sai de Belo Horizonte, até o Porto de Tubarão/ES, estando portanto, num corredor econômico de grande fluxo e importância. Além de estar próximo às regiões metropolitanas de Belo Horizonte e do Vale do Aço.
          Típica cidade mineira, Nova Era (na foto acima de Elvira Nascimento) mantém viva as tradições religiosas, presentes no Estado de Minas Gerais, como a Festa de Nossa Senhora do Rosário em outubro, a Semana Santa, Corpus Christi e os festejos natalinos. Destaca também as Cavalgadas e as festas populares, como o Carnaval e as Festas Juninas, além de seu riquíssimo artesanato e culinária típica.
          Duas festas são de grande importância para a cidade. Uma é a festa do padroeiro São José da Lagoa, e outra, em comemoração ao aniversário da cidade. As festividades são realizadas na semana do dia de São José, 19 de março.
          Em seus mais de 300 anos de fundação, Nova Era guarda história e relíquias dos séculos XVIII, XIX e XX, em sua área urbana e rural, que são atrativos turísticos, de valor histórico.
          Entre os principais atrativos turísticos da cidade, podemos destacar o Museu Municipal de Arte e História de Nova Era (na foto acima de Elvira Nascimento), com um grande acervo sobre a história da cidade; a corporação Musical Euterpe Lagoana; a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída entre 1925 e 1941; a Gruta de São José da Lagoa; o Centro de Educação Ambiental; a Lagoa São José.
          Tem ainda o Conjunto arquitetônico da Estação Ferroviária; a Feira de Sábado, próximo a Ponte Benedito Valadares com produtos da terra, artesanato, comidas típicas, doces, etc. e atraentes bares, padarias, lanchonetes e restaurantes com comidas típicas pela cidade.
          Nova Era está na bacia de um dos mais importantes rios de Minas Gerais, o Rio Piracicaba, nasce a 1680 metros de altitude, em São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto e percorre, 241 km, até se encontrar com o Rio Doce, em Ipatinga MG (na foto acima da Elvira Nascimento, o encontro do Piracicaba com o Rio Doce).
          Em Nova Era, além da beleza do Rio Piracicaba, a Ponte Benedito Valadares é um dos atrativos da cidade (na foto acima de Marley Mello). Foi inaugurada em 13 de maio de 1940, pelo Governador de Minas na época, Benedito Valadares e Getúlio, Presidente da República. A ponte, de 86 metros, une as principais áreas da cidade, divididas pelo Rio Piracicaba.
          Um dos mais imponentes e importantes símbolos da arquitetura colonial mineira, está em Nova Era. É o casarão sede da Fazenda da Vagem (na foto acima da Elvira Nascimento). A área total da fazenda é de 10 mil m². O casarão impressiona! Construído a mando de Joaquim Martins da Costa, em estrutura de madeira, terra e pedra, em 1840, no século XIX, para ser entreposto comercial da região. É um dos mais genuínos exemplares da história arquitetônica de Minas Gerais. Foi todo restaurado e no local ocorre eventos culturais do município.
          A Igreja de São José da Lagoa (na foto acima de Sérgio Mourão), é sem dúvida o maior, e mais atraente ponto turístico de Nova Era. Pelo que representa para a cidade e pela importância do templo para a história, não só de Minas, mas do Brasil. Tanto é que é um bem tombado em nível nacional, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), desde 17 de março de 1953. A igreja começou a ser construída em 1766, no século XVIII sendo finalizada, no final do mesmo século.
          Seus traços e riscos, seguem o estilo do barroco mineiro. Seu interior conta com obras de Francisco Vieira Servas em seu altar-mor, que impressiona bela beleza da arte sacra e o brilho dourado do ouro, em sua ornamentação e pinturas em estilo rococó. (fotografia acima de Elvira Nascimento)
          No altar-mor, em destaque, a imagem de São José e em seu conjunto de altares, as imagens de São Benedito São Sebastião, Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia, Sant´Anna e São Francisco.
          Os nova-erenses tem o maior carinho e zelo por sua matriz. A cidade é unida em defesa de suas tradições religiosas, arquitetônicas e culturais. Isso pôde ser percebido, claramente, no no final dos anos 1980, quando a comunidade percebeu a urgente restauração da igreja. (na foto acima de Elvira Nascimento, vista parcial da cidade)
          Foi criada em 1987 a Casa da Cultura, com o objetivo de buscar recursos para a restauração da igreja. A comunidade se uniu, abraçou a sua igreja e começaram a fazer eventos sociais, como almoços, para angariar recursos para a reforma, bem como a ajuda de Terezinha de Souza Araújo, que a partir de 1991, começou a fazer pasteis, para ajudar nas obras de restauração da igreja.
          A comunidade estava unida e tudo parecia caminhar bem, até que no Governo de Fernando Collor (1990/1992), ocorreu o confisco na caderneta de poupança, atingindo a conta da entidade, que ficou sem condições de honrar seus compromissos.
          Foi nessa hora, de grandes dificuldades e incertezas, que o dinheiro arrecado com o pastel feito pela dona Terezinha, salvou a igreja. A cidade começou a comprar os pasteis e com isso, o dinheiro da venda dos pastéis, ajudou a Casa da Cultura a saldar seus compromissos e dar continuidade à restauração à Matriz de São José da Lagoa.
          A iguaria de certa forma, uniu a cidade, nos pontos de venda, reuniões e encontros da comunidade, sobre a restauração da igreja e nos momentos de mais incertezas e dificuldades. Por isso é o símbolo da restauração da igreja, sendo também, hoje, um dos símbolos da cidade. Por isso o nome do salgado: Pastel de São José da Lagoa.
          A receita é tradicional, feita com massa caseira e recheio de queijo ou carne. Pode ser uma iguaria comum para muitos, mas não para os nova-erenses. Pra eles, é um pastel especial.
          O Pastel de São José da Lagoa foi o alimento da esperança do povo de Nova Era, em ter sua igreja restaurada. É o símbolo da união, da solidariedade e do amor de seu povo por sua cidade e sua memória histórica.
          Por essa importância e grande valor social, gastronômico e cultural para Nova Era, o Pastel de São José da Lagoa foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Nova Era, pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Artístico de Nova Era (Comphane).

terça-feira, 30 de março de 2021

O queijo de caverna e o queijo maturado nas nuvens

(Por Arnaldo Silva) Minas Gerais é um Estado privilegiado. A qualidade dos queijos mineiros vem da vocação de nosso povo na arte de fazer queijos, tradição com mais de 300 anos. Busca-se em Minas, conhecer melhor o mundo vivo presente nos queijos. Saber o tempo certo e os efeitos da longa maturação, a ação das bactérias e fungos, a temperatura ideal nas queijarias, vedação, iluminação, umidade. O objetivo é sempre aprimorar a qualidade, o aroma e sabor dos vários tipos de Queijos Minas Artesanal. 
          De grande importância, é entender como melhor trabalhar com os fungos, mofos e ácaros, presentes no mundo em redor dos queijos, as cascas. Embora seja quase que impossível ter domínio sobre esse mundo invisível, identifica-los e entender como agem, mesmo que seja um conhecimento mínimo, é de grande importância para produção de queijos de qualidade e surgimentos de novos tipos de queijos. Além claro, praticar boas práticas de higiene de todo o processo que envolve a produção do queijo, cuidados para com o gado, das pastagens, da água, da ordenha, limpeza do curral e tanques, até a chegada do leite ao local onde o queijo será feito e maturado. (na foto acima, dois queijos Canastra. Um com maturação natural, na cor amarela e o outro, cortado, com maturação de 120 dias, em caverna. Foto: Estância Capim Canastra/Divulgação)
          A maturação, um processo natural. É quando um queijo jovem, recém tirado da fôrma, começa a envelhecer ao entrar em contado com o mundo vivo dos fungos e bactérias, que agem na massa e na casca do queijo.
          A presença de fungos, ácaros e bactérias são vitais para as definições do estilo, características e identidades dos queijos. São esses microrganismos que dão cor, sabor, aroma, textura, características e identidades regionais aos queijos.
          A maturação é de grande importância para a ação das bactérias. Quanto mais tempo durar o processo de maturação, melhor e mais definido, será o queijo.
          São vários os locais usados na maturação dos queijos em Minas Geais. Um desses locais usados são as cavernas. Maturar queijos em cavernas não é uma novidade recente, ao contrário, é bem antiga. Tem origens na Idade Média (473 d.C. a 1453) e até os dias de hoje, maturar queijos em cavernas, é comum na Europa. As cavernas tem muita umidade, pouca luminosidade e por isso, prolifera fungos com facilidade. (foto abaixo da caverna de maturação de queijos da Estância Capim Canastra/Divulgação)
          Como esses microrganismos são primordiais na formação dos queijos, são ambientes ideais para o surgimento de fungos e principalmente, para maturação dos queijos. Na Europa Medieval, queijos eram maturados em porões subterrâneos de mosteiros, grutas e cavernas, aos pés das montanhas europeias.
          Em Cavernas de serras e montanhas mineiras, queijos também são maturados. Mesmo que na ausência de uma caverna natural, pode-se criar um ambiente que simule as condições de umidade, temperatura e luminosidade de uma caverna, num porão, por exemplo.
          A maturação em cavernas exige muito conhecimento do queijeiro, cuidados constantes com a preservação da flora bacteriana presentes nas cavernas, bem como, cuidados com a limpeza da caverna e manejo dos queijos. São queijos que entram em processo de maturação, ainda frescos, jovens e passam por maturação de 30 dias, 60 dias, 90 dias e 120 dias. São queijos diferenciados e com sabores únicos. (na foto acima, o ambiente de caverna, a 3 metros abaixo do subsolo, da Estância Capim Canastra/Divulgação)
          Dependendo da altitude, umidade e do bioma, a quantidade de fungos podem variar. Os fungos de maior ação em cavernas são os do gênero Penicillium. Quando esses fungos começam a se desenvolver em frutas e pães, o resultado é um alimento estragado. Em queijos o efeito é ao contrário, é um alimento excelente. A ação desses fungos é de suma importância, pois são os fungos que definirão todas as características dos queijos e sua identidade própria, de acordo com a região. Os fungos se desenvolvem no exterior dos queijos, formando uma casca, ao longo da maturação, dura e rugosa.
          Os fungos desse gênero mais comum na Europa são os Penicillium: roqueforti, usado na fabricação dos queijos Roquefort; o fungo glaucum, na fabricação do queijo Gorgonzola; o fungo camemberti, na fabricação dos queijos Brie e Camembert, dentre outros fungos, do gênero Penicillium. São esses fungos, por exemplo, que além do aroma e sabor, dão cores a esses queijos. Um exemplo são os queijos Roquefort, Blue Cheese, Cabrales, Gorgonzola, dentre outros, que tem detalhes em sua casca e até mesmo em sua massa, na cor azul, resultado da ação do fungo Penicillium roqueforti.
          Em Minas Gerais, o fungo do gênero Penicillum, mais presente nos queijos brancos, de massa crua, são que dão a cor branca à casca. Em queijos de massa cozida, quando maturados em cavernas, a ação dos fungos fará com que o queijo tenha a cor da casca, mais azulada. (na foto acima Canastra Real de 6 meses, maturado em caverna)
          Os fungos podem não ser visíveis, mas a ação deles é, porque estão presentes em grandes quantidades nos queijos, formando camadas de mofos. Isso porque os fungos desse gênero, se reproduzem com rapidez em superfícies úmidas e principalmente, com grande concentração de sal, como nos queijos.
          Para manter a qualidade dos queijos e as ações benéficas da ação dos fungos em cavernas, a higienização constante do ambiente, é obrigatória.
          As cavernas para maturação dos queijos atuais, não são mais iguais as antigas cavernas medievais e nem pode. Hoje as leis sanitárias estão muito rígidas e o produtor tem que seguir essas regras para poder produzir e comercializar seus queijos. (na foto acima, caverna a 3 metros do subsolo, onde são maturados os queijos da Estância Capim Canastra/Divulgação)
          No caso das cavernas em Minas Gerais, o piso das cavernas, onde estão os queijos, são geralmente revestidos. Usa-se sabão neutro e água para limpar o piso. Não pode ter detergentes químicos, para não modificar ou prejudicar a flora bacteriana na caverna. As prateleiras de madeira, devem ser lavadas e secadas naturalmente. Passa-se um pouco de vinagre nas prateleiras e paredes das cavernas para facilitar controlar o crescimento dos fungos.
          Nos queijos são comuns o surgimento de ácaros, pequenos bichinhos, que também tem importantes finalidades na formação das características e identidades dos queijos. Como eles se alimentam da lactose, o controle da quantidade e ação desses bichinhos deve ser constante, senão, eles comem todo o queijo.
          Para melhor aproveitamento da ação da flora bacteriana de cavernas, os queijos devem ser virados diariamente, para quem a ação seja por igual.
          Os queijeiros e pessoas com acesso às cavernas, devem, antes de entrar na caverna, higienizar os sapatos, colocar toca, máscaras e luvas.
Queijo de caverna da Estância Capim Canastra
          Essas boas práticas de higiene e cuidados nas cavernas onde os queijos são maturados, são praticadas na Estância Capim Canastra, em São Roque de Minas, Oeste Mineiro.
          Tradicional em produção de queijos de qualidade há gerações, atualmente, a Estância Capim Canastra está sob a direção do Guilherme Ferreira, já na quinta geração queijeira da família. (foto acima da sede da fazenda e abaixo, os queijos sendo feitos na queijaria. Fotos:Estância Canastra/Divulgação)
          Os queijos da Estância Capim Canastra estão entre os mais premiados queijos do Brasil, com diversas premiações, nacionais e no exterior, sendo o primeiro queijo brasileiro, premiado no mais importante concurso internacional de queijo, o Mondial Du Fromage, em Tours, na França. Além de conquistar várias outros medalhas, nesse mesmo concurso, tem várias premiações estaduais e nacionais.
          Além de produzir o queijo Canastra tradicional, desde 2017, Guilherme Ferreira inovou sua produção, introduzindo em sua propriedade, a técnica Medieval de maturar queijos em cavernas. Os queijos da Estância Capim Canastra são feitos com o leite do gado Caracu, raça com origem na região portuguesa do Alentejo, introduzida no Brasil, nos tempos do Brasil Colônia, além de outros gados, como o Girolando. Raças muito boas, na produção de leite de qualidade.
          A caverna onde os queijos são maturados na Estância, fica a 3 metros do subsolo. No interior da caverna, encontra-se centenas de culturas da microflora e microfauna (bactérias, fungos e ácaros), específicos da região. Fatores como a alta umidade e temperatura baixa da caverna, facilita a proliferação dos fungos, tendo como resultado, queijos de massa densa, casca bem rugosa e firme, além do sabor marcante. (foto acima dos queijos Capim Canastra maturando na caverna. Foto: Estância Capim Canastra/Divulgação)
          Os queijos chegam bem frescos, com menos de 7 dias e são maturados em 30, 60, 90 e 120 dias. Na sequência das fotos, o tempo de maturação de cada queijo.
Queijo maturado com 30 dias: o sabor é mais leve, com massa mais cremosa. (foto: Capim Canastra/Divulgação)
Queijo maturado com 60 dias: o sabor um pouco mais intenso, a massa mais seca, com um leve amargor. (foto: Capim Canastra/Divulgação)
Queijo maturado com 90 dias: o sabor é forte e picante e a massa ressecada e com amargor mais acentuado. (foto acima: Capim Canastra/Divulgação)
Queijo maturado com 120 dias. O sabor é bem forte e bem picante, com massa bem seca e um amargor bem definido. (foto acima: Capim Canastra/Divulgação)
Não julgue pela aparência
          Cada queijo desse, de caverna, pesa em média 1 quilo. A casca rugosa, efeitos da ação dos fungos, na maturação, é apenas a casca. O queijo está em seu interior, revestido pela casca. É a casca que preserva a temperatura interna dos queijos, bem como seu sabor e aroma. Você pode comer o queijo com a casca, já que em queijos grandes, a casca é mais fina. Em queijos de casca mais grossa e dura, caso queira, pode retirar a casca para comer o miolo.  
          A Estância Capim Canastra recebe todos os dias, de 9h às 17h, visitas individuais ou em grupos, para quem quer conhecer a fazenda, o processo de produção do queijo, desde a ordenha, até o queijo ir para a forma e ser maturado, podendo ainda conhecer a queijaria e a caverna, além de poder degustar os queijos. 
          Além disso, o visitante poderá conhecer produtos feitos na fazenda, como a goiabada e doce de leite, além do mel, extraído na região da canastra. (foto acima e abaixo: Capim Canastra/Divulgação)
          Todo o ambiente da fazenda, passa por rigorosos processos de limpeza e higienização, principalmente onde os queijos são maturados, seguindo o processo de limpeza e higienização citados no início da matéria.
          O endereço da fazenda é: Rodovia Bambuí, km 3,5, à direita, segunda fazenda à esquerda da Fazenda São Bento, em São Roque de Minas, (37) 9968-0881.
O queijo maturado nas nuvens
 
          É o queijo maturado no alto de uma caverna na Serra da Piedade, uma das mais belas paisagens de Minas Gerais. Todos os anos, cerca de 500 mil romeiros, que vem de todo o Brasil e de vários países do mundo, sobem a Serra, para conhecer o lugar e manifestar sua fé e devoção, num dos lugares mais lindos de Minas. O Santuário da Piedade está presente na fé do povo mineiro, desde sua origem, no século XVIII. Fica em Caeté, cidade histórica mineira, distante, 55 km de Belo Horizonte. (fotografia acima de Júlio de Freitas/@julio_defreitas)
          É no Santuário que está guardado um valioso tesouro da história de Minas Gerais. Não estamos falando do ouro e nem do minério, mas de um queijo, maturado numa caverna e nas nuvens. A 1746 metros de altitude, acima do nível do mar, são maturados queijos, em uma pequena caverna, no topo da serra. 
          A maturação de queijos na Serra da Piedade, teve origem na década de 1950, quando chegou à região, o frade dominicano, Rosário Jofylly. Nascido no Rio de Janeiro, no dia de Santos Reis, 6 de janeiro, de 1913, Frei Rosário, faleceu em 2000. Foi sepultado na Cripta, onde estão sepultados os maiores ícones da história do Santuário, desde o início do século XVIII. 
          O túmulo do eremita fica ao lado da escadaria do Calvário, em frente à Basílica, (como podem ver na foto acima, do Júlio de Freitas/@julio_defreitas).
          Foi uma das maiores personalidades religiosas de Minas Gerais. Um homem sábio, culto e muito simples. Vivia na simplicidade e levava uma vida de eremita. Tinha o hábito passar horas e até dias em meditação, em uma pequena lapa, na Serra da Piedade.
          Frei Rosário tinha um hábito peculiar. Apreciava um bom queijo e um bom vinho, dois protagonistas mais antigos do relacionamento humano.
          Sempre comprava os queijos frescos da Serra do Salitre, região queijeira mineira, no Alto Paranaíba. Gostava de servir a bebida e os queijos, às suas visitas. Em suas meditações, n, que chegava até ele, através de viajantes, que traziam os queijos. Durante suas meditações, levava para a caverna, queijos, para comer. 
          Em uma de suas meditações, acabou esquecendo algumas peças e quando retornou, percebeu alterações na casca do queijo. Experimentou e identificou uma melhora muito grande no aroma e sabor dos queijos. Entendeu que na caverna, existiam vários fungos que agiam nos queijos, acentuando o sabor e aroma, Passou a maturar seus queijos na pequena caverna.
          Maturar queijos, fazer vinhos e outros alimentos, era comum nos mosteiros europeus e até hoje é comum ainda. Inclusive em Mias, como exemplo o Mosteiro de Macaúbas, em Santa Luzia MG, onde as freiras enclausuradas, produzem vinhos, queijos, doces e quitandas, desde o século XVIII.
          Com o tempo de maturação dos queijos, Frei Rosário foi percebendo uma melhora e mudança no sabor e aroma dos queijos. Um sabor e aroma que lembrava os mais finos queijos europeus.
          Passou então a fazer isso com todos os queijos da Serra do Salitre que comprava, maturando-os na pequena caverna. O queijo chegava fresco era maturado, ficava 60 dias na maturação, quando sua característica e identidade já está desenvolvida e o queijo, pronto para consumo.
          Queijo com casca rugosa, grossa, com aroma suave, sabor picante, mas não muito forte, com leve acidez e massa macia e branca. São essas as características desse queijo. Em nenhum outro lugar do mundo, encontrará um queijo com essas características. É simplesmente único. Um queijo especial, de alto valor nutritivo, que agrada aos mais finos paladares. (foto acima e abaixo de Clésio Moreira)
          Assim, surgiu em Minas, a prática conhecida e comum, nos mosteiros e fazendas da Europa, de maturar queijos no subsolo e em cavernas.
          Além do legado religioso e social do Frei Rosário, como reitor do Santuário da Piedade, por mais de 50 anos, o frade dominicano deixou uma grande contribuição para a gastronomia mineira. Um dos queijos mais valorizados e apreciados de Minas Gerais. Um tipo de queijo que ganhou fama, pelo sabor e aroma, únicos, passando a ser conhecido como o Queijo do Frei Rosário e hoje, como, Queijo Frei Rosário.
          Após seu falecimento, a maturação dos queijos na caverna, parou por uns tempos. Foi retomada posteriormente pelos frades que vivem no Santuário, amigos e funcionários do local. Resgatar a tradição de maturar os queijos do Frei Rosário na caverna, seria um reconhecimento e homenagem ao saudoso eremita que dedicou tantos anos ao Santuário e aos seus queijos, que maturava com amor e zelo.
           Continuar a maturar os queijos da Serra da Piedade, da mesma forma que Frei Rosário fazia, ficou a cargo de Alair Silva, funcionário do Santuário. Durante muito tempo, ajudava Frei Rosário a maturar os queijos na caverna e aprendeu com o frade, a técnica.
          Na caverna, preservada exatamente como Freio Rosário deixou, são cerca de 45 culturas de fungos, que atuam durante os dias de maturação dos queijos, deixando no final, o sabor intenso e inigualável do queijo, como era antes.
          A Serra da Piedade, por sua altitude, 1746 metros, tem como característica o frio intenso e a formação de intensa névoa, cobrindo todo seu entorno, dando uma sensação de estarmos, acima das nuvens. Por esse motivo, os queijos maturados na caverna do Santuário, são conhecidos ainda como o queijo maturado nas nuvens.
          Os queijos frescos que chegam, são colocados nas prateleiras de madeira na caverna e vão recebendo, durante os 60 dias de maturação, a ação da microflora e microfauna do lugar. Essa ação é facilitada pela umidade, altitude, sendo mais acentuada no local devido, as constantes formações de brumas, com uma visão espetacular, do alto dos 1746 metros de altitude, da serra. A sensação é de estar no Santuário da Serra da Piedade é a sensação de estar no céu. (fotografia acima de Henrique Caetano)
          Os queijos ficam nas prateleiras de madeira, sobre panos, que são trocados constantemente e todos os dias, as prateleiras são limpas. Um pouco de vinagre é passado nas prateleiras para controlar o crescimento dos fungos, já que se alimentam de lactose. Se deixar, crescem sem controle e comem todo o queijo. A queijaria é mantida sempre limpa. Os queijos não são lavados, para não interferir na ação dos fungos. São apenas virados diariamente, para que os fungos possam agir por igual.
          Queijo apreciadíssimo, com fila de espera para adquiri-lo, tendo chegado inclusive à Portugal, França e Itália, levados por romeiros, que vem ao Santuário todos os dias do ano. Compram e levam para suas casas e seus países de origem, os queijos Frei Rosário. (fotografia acima de Clésio Moreira)
          Indo ao Santuário da Serra da Piedade, experimente as tradicionais quitandas tradicionais da região, bem como, o Queijo Frei Rosário. Com certeza, estará experimentando um dos mais autênticos e saborosos queijos do Brasil, maturado em caverna e nas nuvens.

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