Tecnologia do Blogger.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Vinho Syrah da EPAMIG conquista medalha de ouro

Brazil Wine Challenge aconteceu na última semana em Bento Gonçalves (RS)
(Belo Horizonte, 21/10/2020) O vinho Syrah marca própria da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) conquistou a medalha de ouro no Brazil Wine Challenge 2020. O concurso, com a chancela da Organização Internacional do Vinho e da Vinha (OIV) e da União Internacional de Enólogos (UIOE), foi realizado entre os dias 13 e 15 de outubro, em Bento Gonçalves (RS) e os resultados foram divulgados na última sexta-feira (16).
          A 10a. edição do evento recebeu 774 amostras enviadas por vinícolas de 16 países diferentes. A avaliação dos vinhos foi feita em provas às cegas, de acordo com as normas internacionais, por uma comissão composta por 57 degustadores vindos de diferentes regiões do Brasil, da Bolívia, do Chile, da França e da Itália. Além do Syrah EPAMIG, vinhos das vinícolas Bramasoli, Casa Geraldo e Casa Verrone, que empregam a metodologia da dupla poda, também receberam medalha de ouro. (foto acima Epamig/Divulgação)
          Esta foi a primeira participação da EPAMIG em concursos de qualidade. “A ideia da inscrição surgiu em decorrência do potencial verificado nesse vinho, que apresenta uma coloração muito boa, vermelho rubi com boa profundidade, límpido e brilhante. É aromático, frutado, mas também com notas de especiarias e leve couro. Na boca, é um vinho macio, com boa estrutura, taninos maduros, acidez agradável, bom corpo e potencial para envelhecimento”, avalia a enóloga Isabela Peregrino, responsável técnica pelo produto.
          O vinhedo institucional da EPAMIG foi implantado em 2010 no Campo Experimental de São de Sebastião do Paraíso. “A altitude de 900m permite a condução do parreiral sob o manejo de dupla poda. Algo que não conseguiríamos no Campo Experimental de Caldas que está localizado a 1150m e tem como característica o inverno rigoroso demais”, explica Isabela, acrescentando que a produção das mudas e o processamento das uvas acontecem na vinícola Experimental da Empresa em Caldas. (foto acima Epamig/Divulgação)
          O vinho premiado é da safra de 2018, com colheita das uvas e elaboração no segundo semestre daquele ano. “Os tratos culturais do vinhedo foram conduzidos de acordo com manejo comercial em dupla poda, sendo uma poda de formação de ramos em agosto de 2017 e uma poda de frutificação em janeiro de 2018, e colheita manual”, destaca Isabela. (foto abaixo: Epamig/Divulgação)
          O produto foi engarrafado no segundo semestre de 2019 e já vem sendo comercializado nos Empórios EPAMIG em Belo Horizonte e Juiz Fora e no Campo Experimental da EPAMIG em Caldas. Para mais informações entre em contato com a Assessoria de Negócios Agropecuários (31) 99564-0855.
Fotografias e reportagem enviadas pela Ascom/Epamig

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Arroz com costelinha na beira do Rio São Francisco

(Por Arnaldo Silva) Viver já é bom, imagina viver em Minas e na beira do Rio São Francisco. É um privilégio! São centenas de rios, milhares de cachoeiras espalhadas por Minas Gerais e o mineiro não perde tempo. Fim de semana ou em feriados, está lá, na beira dos rios, pescando e principalmente, fazendo o tradicional piquenique em família. 
          Foi o que fez Maria Mineira, de São Roque de Minas e família, na beira das águas limpas do Rio São Francisco, já próximo a Vargem Bonita. É na região onde estão as nascentes que formam o Rio São Francisco, com as águas correndo limpas e cristalinas. Ótimo para passar o dia, nadar, brincar, praticar esportes e claro, cozinhar. 
          Maria Mineira preparou um legítimo arroz mineiro com costelinha de porco, ao ar livre, feito num fogão de pedras, num caldeirão de ferro. Não tem coisa mais mineira e deliciosa que isso. 
Vamos aprender a fazer esse arroz com costelinha:
INGREDIENTES
. 2 quilos de costelinha de porco cortadas em pedaços miúdos
. 2 copos (requeijão) de arroz
. 4 dentes de alho picados
. 5 copos (americano) de água quente
. 2 folhas de louro
. 1 cebola grande picada em pedacinhos
. Sal a seu gosto
. 1/2 copo (americano) de óleo
MODO DE PREPARO
- Ferva a água e reserve
- No fogão a lenha, coloque o caldeirão, despeje o óleo e frite um pouco as costelinhas.
- Em seguida, acrescente o sal, o alho, a folha de louro, a cebola e mexa bem por 1 minuto.
- Agora, coloque o arroz e mexa até misturar bem, refogando por uns 3 minutos.
- Despeje aos poucos a água fervente, acerte o sal e tampe.
- Numa panela de ferro e em fogão de pedra, o cozimento é bem rápido. Fique sempre atento para caso a água secar e queimar o arroz. Se precisar, coloque mais água, até que o arroz esteja bem cozidinho.
- Acompanha uma salada de tomate com repolho e uma limonada ou laranjada, bem gelada.
          Depois do almoço, o bom é relaxar, deitar numa rede e curtir a som da natureza, ouvindo a sinfonia do vento, o barulho da correnteza das águas e a suavidade da sinfonia dos pássaros.
          Agora, na foto acima, prestem atenção num detalhe: sacos plásticos pendurados nas árvores. Quando vamos passear ou acampar na natureza, levamos comidas e bebidas. Se levamos, podemos trazer de volta as embalagens. Foi o foi feito. Garrafas, latas, plásticos, papel. Todo o lixo foi recolhido e colocado nas mesmas sacolas que vieram para ser descartado corretamente, na cidade. Nada de usar a natureza, curtir, aproveitar e deixar rastros de sujeira e destruição. Outros irão usar, até mesmo quem sujou. É simples, se trouxe comida, pode muito bem trazer de volta, o lixo. A natureza agradece. (Fotografias de Maria Mineira)

sábado, 3 de outubro de 2020

Ouro Fino e a história do Menino da Porteira

(Por Arnaldo Silva) Fundada em 1749 e emancipada em 1880, Ouro Fino é uma charmosa, atraente, hospitaleira e acolhedora cidade do Sul de Minas, contando hoje com cerca de 35 mil habitantes. É uma das mais antigas e importantes cidades do Sul de Minas, além de ser cortada por vales, montanhas e serras, com altitudes variando entre 997 metros a 1591 metros. De sua história, destaca-se belos casarões e a Praça da Matriz, marco da cidade, com mais de 250 anos, com seu santuário, dedicado à Nossa Senhora de Fátima, além de vários monumentos espalhados pela cidade, que marcam a história de Ouro Fino. (foto acima da Cássia Almeida)
Entre seus monumentos, destaque para as estátuas do Boi Sem Coração, Berrante e do Menino da Porteira. Isso porque a cidade, foi a fonte de inspiração para o compositor Teddy Vieira, compor uma das mais famosas canções sertanejas do século XX, o Menino da Porteira. (foto acima do Leonardo Souza/@jleonardo_souza_srs)
A origem da música Menino da Porteira
          Teddy Vieira nasceu em 1922, em Itapetinga, no interior paulista e faleceu, vítima de acidente automobilístico, em 1965. É um dos mais importantes compositores sertanejos de todos os tempos, tendo composto, além de Menino da porteira, outras 300 músicas caipiras. Entre suas composições, destaca-se os clássicos sertanejos, além do “Menino da Porteira, de 1955, interpretada por Luisinho e Limeira, música que o consagrou como compositor, Teddy Vieira “A Caneta e a Enxada”, em parceria com Capitão Barduino, gravado por Zico e Zeca, em 1956, “Boiadeiro Errante”, imortalizada na voz de Liu e Leo, em 1959, Pagode em Brasil, em parceria com Lourival dos Santos, interpretada por Tião Carreiro e Pardinho, em 1961, e neste mesmo ano, o “Rei do Gado”, também nas vozes de Tião Carreiro e Pardinho.
          Teddy Vieira tinha laços sentimentais com Minas Gerais. Por muito tempo, era figura presente em Andradas, no Sul de Minas, já que sua namorada, América Rizzo, com quem casou-se tempos depois, morava na cidade. 
           Para chegar à Andradas, passava pelas estradas de terra de Ouro Fino. As duas cidades são distantes, cerca de 80 km, uma da outra. Naquela época, a Região Sul de Minas, era rota de transporte de gado, feito basicamente em Comitivas, com vários boiadeiros, a cavalo, com seus berrantes, conduzindo o gado, abrindo e fechando porteiras e cortando as estradas do sertão mineiro.
        Foi numa dessas idas à Andradas, que Teddy Vieira, teve inspiração para compor sua principal canção. Passando pelas estradas de terra de Ouro Fino, tinha que passar por algumas porteiras, que dividiam fazendas. Sair do carro, abrir e em seguida, fecha-la, era cansativo, ainda mais que viajava num dia de intenso calor. Ao se aproximar de outra porteira, Teddy percebeu a aproximação de um menino, correndo em sua direção. O garoto abriu a porteira com muita alegria para ele passar. Teddy agradeceu a gentileza acenando e jogando uma moeda, que deixou o menino saltitante, feliz e agradecido. (na foto acima, uma das estradas de Ouro Fino MG, na foto do Guilherme Augusto/@mikethor)
Seguiu seu caminho, mas a cena ficou em sua mente e dirigindo, começou a criar uma história, baseado na atitude do menino. No mesmo dia, começou a compor a história. De real, apenas a alegria do menino ao abrir a porteira e ficar feliz com a moeda que lhe foi jogada, descrita nos primeiros versos da canção: “Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino. De longe eu avistava a figura de um menino. Que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo. Toque o berrante seu moço que é pra eu ficar ouvindo...”. O restante da história, o berrante, o boi sem coração e o trágico fim, que na sua composição, ele deu ao menino, foram criações do compositor. Assim surgia uma das mais conhecidas e importantes composições da música caipira brasileira. (foto acima de Leonardo Souza/Entre seus monumentos, destaque para as estátuas do Boi Sem Coração, Berrante e do Menino da Porteira. Isso porque a cidade, foi a fonte de inspiração para o compositor Teddy Vieira, compor uma das mais famosas canções sertanejas do século XX, o Menino da Porteira. (foto acima de Leonardo Souza/@jleonardo_souza_srs)
          Entre seus monumentos, destaque para as estátuas do Boi Sem Coração, Berrante e do Menino da Porteira. Isso porque a cidade, foi a fonte de inspiração para o compositor Teddy Vieira, compor uma das mais famosas canções sertanejas do século XX, o Menino da Porteira. (foto acima de Cássia Almeida eabaixo, Matriz de Santa Isabel, na fotografia de Leonardo Souza/@jleonardo_souza_srs)          A música foi gravada posteriormente por Tonico e Tinoco e vários outros artistas, mas não estourou de imediato. Havia um certo preconceito com a música caipira, principalmente nas grandes cidades, naquela época. Apenas nos povoados das roças e pequenas cidades do interior, que a música caipira fazia sucesso, já que as composições sempre relatavam a vida e cultura do sertanejo. Eram interpretadas por duplas vestidas em estilo caipira, com viola e violão apenas, cantando em duas vozes. As apresentações ou shows dos artistas, eram feitos nos povoados e cidades interioranas e também em circos. Até mesmo as rádios, restringiam as músicas caipira, tocando-as em horários noturnos, tipo, entre 3 da madrugada até as 5 ou 6 da manhã.
          Essa realidade começou a mudar a partir de 1973, quando o cantor da jovem guarda, Sérgio Reis, foi apresentar-se em Tupaciguara MG, no Triângulo Mineiro, num baile de debutantes. Após sua apresentação, uma banda local se apresentou aos presentes e começaram a cantar “Menino da Porteira”, impressionando Sérgio Reis pela comoção e envolvimento do público, com a música. Não era seu estilo, na época, Sérgio Reis tinha saído da Jovem Guarda e cantava músicas românticas. Seria uma mudança brusca de estilo, mas experimentou, gravando o sucesso de Teddy Vieira. A música estourou e começou a ser tocada nas rádios, inclusive FM´s, do interior, fato raro na época. Assim nascia o Sérgio Reis que conhecemos, uma das mais belas vozes da música sertaneja brasileira. O sucesso da música foi tanto, que o Menino da Porteira, virou filme, produzido pelo diretor de cinema, Jeremias Moreira Filho, em 1976, estrelado pelo próprio Sérgio Reis, que interpretou o peão de boiadeiro, Diogo.
          O Menino da Porteira é uma das músicas imortais. Segue até hoje fazendo sucesso. O filme, de 1976, virou remake, em 2009, interpretado dessa vez pelo cantor Daniel, que fez o mesmo papel de Sérgio Reis, interpretando o peão de boiadeiro, Diogo.
          Diversos outros artistas da música sertaneja brasileira já interpretaram Menino da Porteira. Hoje é praticamente o hino de Ouro Fino MG, cidade mineira que inspirou a canção.
          Como foi dito acima, naquela época havia muito preconceito com a música caipira, nas grandes cidades, realidade que começou a mudar, a partir do final dos anos 1970, tendo como base, Sérgio Reis. A música sertaneja atual deve muito a Sérgio Reis. Nos anos de 1980 novas duplas começam a surgir, mudando um pouco estilo, de duas vozes, para segunda voz, estourando de vez a partir de 1990, com a música sertaneja dominando os programas de TVs e rádios, passando a estar presente em shows nas grandes cidades. Duplas que até os anos 1970 se apresentavam em circos, passaram a fazer mega shows em estádios e casas de shows famosas pelo Brasil.
          
Até mesmo as cidades que evitavam se considerar sertanejas ou caipiras, mudaram, sendo hoje, referências na música e eventos sertanejos, como rodeios e exposições agropecuárias. Nas grandes, medias e pequenas cidades pelo Brasil, começaram a surgir ainda, restaurantes, bares e casas de shows, com temas rurais e monumentos públicos, que lembram a vida na roça, passaram a fazer parte do dia a dia do brasileiro, mesmo que alguns não assumam o nome sertanejo ou caipira, usando nomes como "country", está bom, um grande avanço.
          Um exemplo disso é Ouro Fino, que incorporou à sua cultura, tradição e arquitetura, a obra de Teddy Vieira.
          Embora, todas as evidências apontem para cidade mineira de Ouro Fino, como inspiração para a composição da música o “Menino da Porteira”, e mesmo todos sabendo que Teddy Vieira, estava sempre presente na região Sul de Minas, tendo namorada, que posteriormente, se tornou sua esposa, vivendo em Andradas. E mesmo sabendo que para chegar até a cidade em que a moça vivia, tinha que passar pelas estradas de Ouro Fino, tem quem, por desconhecer a história da música sertaneja ou mesmo, a história de Teddy Vieira, aponta Ouro Fino, em Goiás, como tendo sido a inspiração para o “Menino da Porteira”.
          A goiana Ouro Fino, foi em tempos passados, local de pouso e parada de tropeiros e boiadeiros. Fica lá no sertão de Goiás e tem muita tradição sertaneja e na música, mas não tem nada a ver com a música “Menino da Porteira”, de Teddy Vieira e sim com a música “Chico Mineiro”, composta por Tonico e Francisco Ribeiro, interpretada originalmente pela dupla Tonico e Tinoco. A Ouro Fino goiana, inspirou esta canção e seu mais famoso verso é bem claro nisso: “Fizemos a última viagem. Foi lá pro sertão de Goiás. Fui eu e o Chico Mineiro. Também foi o capataz. Viajamos muitos dias. Pra chegar em Ouro Fino. Aonde nós passemo a noite. Numa festa do Divino. A festa tava tão boa. Mas antes não tivesse ido. O Chico foi baleado. Por um homem desconhecido. Larguei de comprar boiada. Mataram meu cumpanheiro. Acabou-se o som da viola. Acabou-se o Chico Mineiro.”
          Que fique bem claro, o “Menino da Porteira” é de Ouro Fino, em Minas Gerais. 
          Por ser a terra do Menino da Porteira, a cidade incorporou por completo em sua cultura, a história da música, inspirada num menino da cidade, virou monumento, que dá as boas-vindas, ao visitante que chega à cidade. Na entrada de Ouro Fino, no KM 51, da rodovia MG-290, o monumento de 20 metros de largura por 10 de altura, retrata a porteira e o menino. Dificilmente alguém passa direto pelo movimento. Sempre param para tirar fotos. (foto acima do Anderson Sá/@meuolhar.andersonsa)
          Dentro da cidade, foi instalado o monumento ao Boi sem Coração, com um menino sobre a porteira, além outro monumento, simbolizando o Berrante. As obras são do artista plástico Genésio Moura e viraram pontos turísticos na cidade, atraindo ainda, visitantes de outras localidades para conhecer os monumentos, bem como a bela cidade do Menino da Porteira. (na foto acima, o Boi sem Coração e abaixo, o Berrante. Fotos do Anderson Sá/@meuolhar.andersonsa)
          Além do Menino da Porteira, que tornou a cidade conhecida em todo o país, Ouro Fino faz parte do Circuito Turístico Malhas do Sul de Minas e conta ainda com belas paisagens, como rios, cascatas, cachoeiras e picos, que possibilitam a prática de Canoagem, paraglider, motocross, passeio de boia, cavalgadas, pesca, trekking, trilhas para bikes, dentre outros. (foto abaixo de Anderson Sá/@meuolhar.andersonsa)
          Na cultura, destaca na cidade a Ourofolia, um dos melhores carnavais da região. A festa Italiana do Circuito Italo-Braziliano, realizado em março. A Semana Santa e Corpus Christi. A Feira das Indústrias e Ouromalhas, em maio. As festas juninas em junho, além da realização do Festival de Interpretação de Música Sertaneja, com entrega do Troféu O Menino da Porteira. Em julho acontece a Festa do Peão e em agosto o Ouro Rock, além de outros eventos ecológicos, religiosos, esportivos e musicais durante o ano.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Vinhos mineiros se destacam em competição internacional

(Por Arnaldo Silva) Decantar World Wine Awards é a maior e mais respeitada competição internacional de vinhos do mundo, organizada pela revista inglesa Decanter, estando atualmente em sua 17ª edição.
          Realizado tradicionalmente em Londres, na Inglaterra, o resultado final divulgando no final de setembro de 2020 e surpreendeu. Foram inscritos 16.518 rótulos diferentes de todo o mundo, sendo eleitos, os 50 melhores vinhos do mundo nas categorias super ouro, tendo ainda as categorias ouro, prata e bronze. Dentre os vinhos brasileiros premiados com medalhas, 12 são vinhos produzidos no Sul de Minas e São Paulo, usando a técnica da dupla poda, criada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG). (na foto acima, adega da Epamig em Caldas MG - Foto: Ascom Epamig/Divulgação)    
          O vinho Fumé Blache Sauvignon Blanc, da vinícola Ferreira em Piranguçu MG, conquistou a medalha de prata, obtendo 92 pontos, bem como o vinho Tempos de Góes Reserva Sauvgnon Blanc, da vinícola Góes de São Roque/SP, que obteve 90 pontos, levando também, a medalha de prata.
          
Dez rótulos do Sudeste brasileiro, foram premiados com medalhas de bronze: o Espumante Nature, da Carvalho Branco (Caldas MG) (89 pontos); Vale da Pedra, da Guaspari (Espírito Santo do Pinhal SP) (88 pontos); Luiz Porto Cabernet Sauvignon, da Luiz Porto Vinhos Finos (Cordislândia MG) (88 pontos); Brandina Assemblage, da Villa Santa Maria (São Bento do Sapucaí SP) (88 pontos); Bárbara Eliodora Sauvignon Blanc (São Gonçalo do Sapucaí MG (87 pontos); Syrah Speciale, da Casa Verrone (Itobi SP) (87 pontos); Vale da Pedra, da Guaspari (Espírito Santo do Pinhal SP) (87 pontos); Colheita Especial Viognier, da Casa Verrone (Itobi SP) (86 pontos); Vista da Serra Syrah, da Guaspari (Espírito Santo do Pinhal SP) (86 pontos); Eva Syrah, da Maria Maria (Três Pontas MG) (86 pontos).
          A 17ª edição do Concurso Internacional de vinhos ocorreu durante 28 dias consecutivos, em setembro de 2020, com provas à cega, dos 16.158 rótulos inscritos.           
          
As premiações internacionais conquistadas pelos vinhos brasileiros são positivas, porque desperta o interesse do brasileiro pela bebida nacional, bem como incentiva os produtores a investirem na ampliação da produção e buscando cada vez mais excelência na qualidade.
Os vinhos e espumantes brasileiros estão pouco presentes nos bares e restaurantes brasileiros, que preferem os importados, mas aos poucos, nossos vinhos vem rompendo essas barreiras, de preconceito com o produto nacional, graças a investimentos e cada vez mais, melhorando a qualidade da bebida, resultando em seguidas premiações no exterior, principalmente, os vinhos produzidos com a técnica da dupla poda, da empresa mineira, Epamig, a grande responsável pela considerável melhora na qualidade dos vinhos mineiros e do Sudeste brasileiro nas últimas décadas. (foto acima de Erasmo Pereira/Epamig)
A técnica da dupla poda
A melhora na produção e qualidade dos vinhos finos no Sudeste só foi possível graças a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), quando da criação do Núcleo Tecnológico de Uva e Vinho da EPAMIG, em Caldas MG, Sul de Minas, há cerca de 20 anos. (na foto acima de Erasmo Pereira - Ascom Epamig/Divulgação)         
          O homem do campo, no mundo inteiro, sabe que dependendo da época da poda, a planta irá produzir em determinada data. Os pesquisadores da Epamig aprimoraram esse conhecimento antigo, com anos de estudos, permitindo a produção de frutos com maior qualidade, o que permite, melhoras significativas na produção final oriunda das frutas, no caso, os vinhos finos de inverno. (na foto acima, videiras da Epamig no núcleo da empresa em Caldas MG e abaixo, uvas já em ponto de colheita. Fotos: Epamig/Divulgação)      
           Sem poda não há uva, por isso as podas nas videiras, são necessárias. Com a poda sendo feita anualmente, tradicionalmente feita no fim da primavera, para que os frutos se desenvolvam e possam ser colhidos no verão, em janeiro. Uma época de intenso calor e chuvas fortes o que permite a proliferação de pragas, o que leva os produtores a um intenso trabalho de controle de suas videiras. (Foto abaixo em Caldas MG - Epamig/Divulgação)
          Para fugir dos efeitos no verão e pragas nos parreirais, foi criado a técnica da dupla poda. No caso, a técnica desenvolvida em Minas, permite a poda duas vezes. A dupla poda nada mais é do que a inversão do ciclo produtivo das uvas, ou seja, ao invés da poda tradicional no fim da primavera, faz-se a poda para a formação dos ramos, no inverno, com a colheita dos frutos sendo feita em agosto. As uvas da primeira colheita, são as usadas na produção dos vinhos de inverno em Minas Gerais. Essa técnica permite ainda uma segunda poda, a tradicional, no fim do ano, com a colheita dos frutos, em janeiro. (na foto abaixo, a vinícola da Epamig em Caldas MG. Foto: Ascom/Epamig)
          A Epamig, que é vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (SEAPA), desenvolveu e implantou em Caldas MG, o método da dupla poda, desenvolvido no Brasil pelo ex-pesquisador da Epamig, Murillo de Albuquerque Regina, Coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Vitivinicultura da Epamig. Essa técnica, faz com que a uvas sejam mais sadias, tenham maturação plena, mais concentração de cor e mais aroma. Resultado, é uma nítida melhora na qualidade dos vinhos. (abaixo, a sede da Estação Experimental da Epamig em Caldas MG. Foto: Erasmo Pereira/Ascom/Epamig)
          O sucesso da técnica da dupla poda vem da qualidade do solo, clima e investimentos dos produtores, bem como a assistência da Epamig, com pesquisas, orientações e apoio aos produtores, o que vem tornando Minas Gerais, especialmente o Sul de Minas, num dos maiores produtores de vinhos finos de qualidade, no país. A técnica desenvolvida pela Epamig, não só beneficia os produtores mineiros, mas os produtores de vinhos de toda a região Sudeste do Brasil.

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

O Presépio do Pipiripau

(Por Arnaldo Silva) Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1984, o Presépio do Pipiripau, é um dos mais belos patrimônios de Minas Gerais. A obra reflete uma das mais tradicionais manifestações religiosas do povo mineiro: a montagem de presépios entre o natal e o dia de Santos Reis, em 6 de janeiro. 
          O presépio começou a ser construído a partir de 1906, por Raimundo Machado de Azevedo, quando ele tinha apenas 12 anos. Sua família vivia na Colônia Américo Werneck, numa região com o nome de Pipiripau, atualmente o bairro do Instituto Agronômico de Belo Horizonte. (fotografia acima de Eliane Torino)
          A família de Raimundo era muito religiosa e um de seus prazeres, era observar os presépios que as famílias montavam no fim de ano. Eram peças simples, sem movimento, mas tudo feito com muito carinho e fé. Inspirando-se nos presépios que via, Raimundo decidiu fazer seu próprio presépio.
          A vida naquela época não era fácil e a família era muito pobre, mas isso não foi empecilho para a realização de seu objetivo. Aos poucos, Raimundo, foi colecionando peças e conseguiu, em 1922, fazer um curso de formas de gesso, com um escultor português, que conheceu na empresa em que estava trabalhando, a Gravatá.
          A partir dai começou a fazer mais peças, além de criar os personagens bíblicos e a encenação da vida de Jesus, inseriu o cotidiano da vida do povo mineiro em seu presépio, em peças que se movem. Para a época, era algo diferente, uma inovação.
          A história do presépio que se movia, começou a se popularizar e todos sabiam que ficava na região do Pipiripau, onde Raimundo morava. Todos da capital e região metropolitana iam até o Pipiripau, conhecer o presépio, que passou a ser chamado pelo povo de Presépio do Pipiripau. Assim se popularizou o nome do presépio criado pelo Raimundo.
           O presépio retrata as 45 cenas da vida de Jesus Cristo, desde seu nascimento, até seu sofrimento na cruz. São 580 peças que forma todo o conjunto da magnífica obra, que retrata ainda, em movimento, o cotidiano da vida no interior mineiro.
          Raimundo passou anos montando e cuidando do seu presépio e sem querer, acabou por criar uma das mais magníficas obras da cultura popular mineira.
          O Presépio do Pipiripau encontra-se desde 1976, no Museu de História Natural da UFMG. Em 2012 o presépio começou a ser restaurado, bem como as instalações do local, concluindo toda a obra de restauro das peças e das instalações onde encontra-se o presépio, em 2017. 
O Museu do Pipiripau é aberto à visitação todos os dias com cessões das 10h às 12hs e das 13h às 17hs; sábados e domingos das 10h às 17hs. (fotografia acima de Eliane Torino)
O endereço é: Rua Gustavo da Silveira, 1.035, Bairro Santa Inês, em Belo Horizonte.  Cobra-se ingresso. Verifique os valores e condições para visitas pelo telefone: (31) 3409-7650.

sábado, 19 de setembro de 2020

O Forno na Praça, o Ipê florido e os caminhos de São Tiago

(Por Arnaldo Silva) Conhecida como a Terra do Café com Biscoito, São Tiago é uma charmosa, atraente e acolhedora cidade mineira, no Campo das Vertentes. Conta atualmente com 11 mil habitantes e está distante 187 km de Belo Horizonte e a 1100 metros de altitude. Faz divisa com os municípios de Resende Costa, Ritápolis, Conceição da Barra de Minas, Nazareno e Oliveira. (na foto abaixo do Deividson Costa, o Forno na Praça: Espaço Café com Biscoito)
História
          Andando pelas ruas de São Tiago, percebe-se logo fumaças saindo das chaminés dos fogões à lenha e fornos nos quintais. Dá para sentir o cheiro suave dos mais de 60 tipos de biscoitos diferentes feitos no município e o aroma do café, coado em coador de pano. Os ouvidos mais aguçados poderão ouviu o tilintar das chamas do fogão e até o partir dos biscoitos, crocantes, inigualáveis, que só existem nessas terras. A arte de fazer quitandas está presente na cidade há 3 séculos. Receitas de família, guardadas por gerações.
          A história dos biscoitos em São Tiago, começa junto com a história da origem do município, por volta de 1708, quando da chegada das bandeiras, em busca de ouro na região. (foto acima do Deividson Costa) Não encontraram o metal precioso, mas deixaram a fé em São Tiago Maior e em Santana. Construíram uma pequena ermida, dedicada aos dois santos, tendo sido reconhecida pela Igreja, em 1761. 
          Em torno da singela ermida, surgiu um pequeno arraial que passou a ser local de pouso de tropeiros e viajantes que cruzavam o sertão das vertentes campos mineiros, levando mercadorias para abastecer as vilas e cidades durante o Ciclo do Ouro. As tropas paravam em Santa Rita de Ouro Preto, distrito de Ouro Preto hoje, e seguiam adiante, até o arraial de São Tiago.
          Uma viagem longa, cansativa, que necessitava de descanso e comida. Os moradores do pequeno arraial perceberam isso e começaram a preparar café, biscoitos, bolos, broas e outras guloseimas. Se alimentavam e quando partiam, levavam nas bagagens, mais quitandas. 
          A pequena ermida deu lugar a outra maior, erguida entre os anos de 1902 e 1922, na Praça Gabriel Passos. No altar-mor, São Tiago Maior, ladeado por Santana, à esquerda e São José, à direita e ainda uma pequena imagem de São Tiago, esculpida em madeira, vinda da Espanha. A ornamentação do interior da Matriz conta com singelos detalhes da arte sacra, numa perfeita harmonia, proporcionando um ar de paz e leveza aos seus frequentadores. (foto da Matriz, de Deividson Costa)
          Mesmo com o fim das tropas, as quitandas nunca deixaram de existir na cidade. Os bandeirantes não encontraram ouro, mas deixaram uma riqueza enorme para as famílias do pequeno arraial, que prevalece até os dias de hoje que é a vocação dos são-tiaguenses na arte de fazer café e biscoitos. 
          Há mais de 300 anos São Tiago vive e respira biscoitos. O pequeno arraial, cresceu, prosperou e se desenvolveu em torno da pequena ermida e dos fornos de barro. Em 1849, o arraial é elevado à distrito e finalmente, em 1948, à cidade emancipada. (foto acima de Deividson Costa)
          Hoje, São Tiago é um dos mais tradicionais e importantes municípios mineiros, graças a tradição dos biscoitos. Todos os anos, a cidade realizada uma das mais importantes festas gastronômicas do Brasil, que é a Festa do Café com Biscoito de São Tiago. O evento acontece sempre no segundo fim de semana do mês de setembro. A festa é hoje Patrimônio Imaterial do município e recebe entre 50 a 70 mil turistas, durante os dias de festa.

          A tradição dos biscoitos artesanais é preservada nos quintais da cidade e zona rural, além dezenas de indústrias de biscoitos, que produzem dezenas de tipos de biscoitos diferentes, com diferentes sabores e para todos os gostos. (Variedades de biscoitos no Forno da Praça, na foto do Deividson Costa) E o mais importante, que mesmo com a industrialização da produção de biscoitos, as fábricas de São Tiago, preservam o mesmo objetivo da produção artesanal, que é manter a qualidade, acima da produtividade. E isso é garantido. As toneladas de biscoitos que saem das fábricas de São Tiago são excelentes, deliciosos, irresistíveis e únicos. (foto abaixo de Sônia Fraga)
          Essas fábricas, hoje, são grandes geradoras de emprego e renda para o município. A produção de São Tiago abastece o mercado mineiro e de outros estados como São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, dentre outros. Os produtores estão organizados na Associação de Produtores de Biscoitos de São Tiago (Assabiscoito).
O Forno na Praça: Espaço Café com Biscoito
          Em pleno centro de São Tiago, na Praça Ministro Gabriel Passos, uma construção chama atenção por sua beleza arquitetônica e por ter em seu interior, um imenso ipê amarelo. (foto acima do Deividson Costa)
          A história do Forno na Praça começou em 2005, quando um grupo de produtores de biscoitos, decidiu montar uma barraca com um forno, durante a Festa do Café com Biscoito, naquele ano. Era uma estrutura simples, montada para a festa. Tinha como objetivo mostrar como eram os fornos de barro, nos tempos antigos em São Tiago, bem como resgatar a história e tradição do município, nos três séculos de produção de biscoitos. Nessa barraca improvisada, faziam os tradicionais biscoitos, que saíram das fazendas de São Tiago, nas receitas passadas por gerações.
          Todos anos faziam o mesmo, montavam a barraca e desmontavam. A ideia de ter uma barraca, com forno original, nos moldes antigos, contando a história das quitandas em São Tiago, fazendo os biscoitos na hora, bem como o café, mostrou-se importante na divulgação turística e histórica da cidade. A ideia virou um projeto, para ser permanente na cidade, com a construção de um local próprio para receber os turistas, que vem diariamente à cidade. 
          Levado a diante pelo Fórum Cultural de Empreendimento de São Tiago (Focest), responsável pelo projeto e construção da obra, em parceria com a Prefeitura e outras entidades, foi construído o Forno na Praça, literalmente, na praça principal da cidade, de forma permanente. No local escolhido, havia um frondoso ipê amarelo, bem no meio e no meio e no meio ficou. Foi preservado e harmonizado com o projeto arquitetônico da construção (como podem ver na foto do Deividson Costa), sendo hoje uma das atrações do município, bem como um exemplo de consciência e de convivência sadia com a natureza.
          A obra da Focest, segue o estilo dos casarões coloniais mineiros, com estrutura em madeira, forros em esteira de taquara, telhado colonial e detalhes contemporâneos, além da obra ter sido levantada com tijolos de adobe. 
          Esse tipo de tijolo é feito com barro, palha e água, misturado e pisado, até ficar no ponto de fazer os moldes de tijolos, que após ficarem duros, são levados ao sol, para adquirirem mais firmeza, para por fim, serem usados. (foto acima do Deividson Costa, os tijolos já assentados)
          Todo o material usado na construção é da região. Um espaço rústico, harmonioso, aconchegante e especial. O visitante se sentirá na cozinha de um casarão do século XVIII. (foto acima o Forno na Praça e abaixo, uma fornada de biscoitos saindo do forno de barro, dentro do Forno na Praça. Fotos do Deividson Costa)
          Tem forno de barro, com as tradicionais guloseimas da cidade sendo preparadas, além do café feito na hora. Café da própria cidade, saindo dos cafezais de São Tiago. Plantado, colhido, torrado e moído na própria cidade. Além do café e biscoitos e bolos feitos na hora, no Forno na Praça ficam em exposição dezenas de tipos de guloseimas diferentes, de várias indústrias de biscoitos da cidade para que o turista possa levar para casa, como os tropeiros e viajantes faziam antigamente. 
          Além disso, o turista poderá conhecer toda a história da cidade e saber como era a vida antigamente e a evolução na produção dos biscoitos, além de, mesmo com industrialização, entender como conseguem preservar a qualidade e sabor das quitandas, no século XXI. No local também, o turista pode obter informações turísticas sobre os principais pontos turísticos da cidade. (na foto do Deividson Costa, o interior do Forno na Praça)  Hoje, o espaço construído pela Focest, é gerenciado pela Associação dos Produtores de Biscoitos de São Tiago (Assabiscoito)
          São Tiago é uma cidade pequena, mas muito aconchegante, bem cuidada e muito amada por seus moradores. Os turistas são bem vindos, bem recebidos e com certeza, no Forno na Praça: Espaço Café com Biscoito, se sentirá em casa ou em casa de mineiro. E pra quem não sabe, cozinha de mineiro é o melhor lugar da casa. É nela que está o forno de barro, o fogão, de onde saem as guloseimas, o café quentinho e a tradicional prosa. (na foto acima do Deividson Costa, uma das fazendas de café de São Tiago)      
Os Caminhos de São Tiago
          É o resgate do antigo caminho usado pelos tropeiros no século XVIII, atravessando o sertão do Campo das Vertentes, levando e trazendo mercadorias para abastecer as cidades da região com mercadorias. A ideia de recriar o antigo caminho dos tropeiros, que ainda foi usado pelos Inconfidentes, transformando este caminho em rota turística, partiu do médico de Conselheiro Lafaiete, Elias Lima, em 2005. A organização e roteiro, foi inspirado no famoso Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha.
          A ideia foi sendo aprimorada ao longo dos anos, tendo adesão de movimentos sociais e prefeituras, sendo hoje um grande projeto turístico religioso, ecológico e cultural, de grande relevância para os municípios, que fazem parte do roteiro, dando mais visibilidade às cidades e atraindo turistas para a região.
          O roteiro é formado por 11 municípios, com a rota iniciando em Santa Rita de Ouro Preto (na foto acima do Arnaldo Silva), seguindo o caminho dos tropeiros e Inconfidentes, passando por Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete, Queluzito, Casa Grande, Entre Rios de Minas, Lagoa Dourada, Resende Costa, Coronel Xavier Chaves, Ritápolis, encerrando o roteiro em São Tiago. O percurso tem um total de 275 km, podendo ser feito em grupos a pé, de bikes ou a cavalo. O projeto é gerenciado pelos circuitos turísticos Trilha dos Inconfidentes, Vilas e Fazendas e Circuito do Ouro. Circuitos estes que, fazem parte os 11 municípios, na rota dos Caminhos de São Tiago.
          Além da rota dos tropeiros, o caminhante terá como opção seguir por outros caminhos que levam às 11 cidades do trajeto, para que possam conhecer as cidades, seus pontos turísticos e também, pernoitar. Após visitar as cidades, o caminhante retorna ao percurso original. Por isso nome Caminhos de São Tiago, no plural, já que além da rota original, tem-se a opção de seguir por outros caminhos durante todo o percurso.
Outros atrativos de São Tiago
          Quem quiser vier à São Tiago, fora da época da festa, onde a cidade fica super movimentada, irá aproveitar melhor da beleza arquitetônica da cidade, de sua gastronomia, bem como da simpatia de seus moradores. Pelas ruas da charmosa cidade, o visitante poderá saborear as guloseimas feitas nos fornos da cidade, doces caseiros, queijos e tomar aquele delicioso café, que sai direto das fazendas de café do município e os pratos típicos da culinária mineira, tradição da cidade. Além do café, nas fazendas de São Tiago são cultivados maracujá, mandioca, cana-de-açúcar, leite e seus derivados, bem como artefatos em couro. (fotografia de Sônia Fraga)
          São Tiago se destaca também pelos belíssimos artesanatos em tear, bordados, tricô e crochê, por suas belas cachoeiras como a Cachoeira do Simplício e Soledade, além do Balneário da Usina, o Recanto do Rio do Peixe, dentre outras belezas naturais e pela riqueza de seu solo, rico em minério de ferro, manganês, tantalita e bauxita.
          Conheça São Tiago, suas quitandas, o cafezinho coado em coador de pano, os fornos de barros, os doces artesanais, suas belezas naturais, suas tradições culturais e religiosas e seu maravilhoso povo. (na foto acima, biscoitos no Forno na Praça e abaixo de Deivifson Costa, nosso tradicional cafezinho)
          Venha para São Tiago! Vem pro forno! Venha conhecer as deliciosas quitandas de Minas Gerais, preservadas há mais de 300 anos em São Tiago.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

As brumas de Ouro Preto

(Por Arnaldo Silva) A formação de brumas, também chamada de nevoeiro e neblina, é um dos mais belos fenômenos da natureza. Uma beleza que transmite uma suavidade e paz, impressionante.
A bruma tem um alcance em torno de mil metros, sendo sua duração mais prolongada, muito comum nas regiões serranas de altitude. Já a névoa, é bem mais fraca no alcance, com duração bem menor, presente em regiões serranas e planas. Os dois fenômenos se tornam mais frequentes em região com grande presença de água como rios, lagoas, nascentes e ribeirões. (na foto abaixo de Thiago Perilo/@thiagop.photo, as brumas de Ouro Preto)

          A presença de altitude, que ocasiona bloqueios das massas de ar, baixas temperaturas e água de rios, lagoas, nascentes, ribeirões e até das gotas de orvalho, presentes nas matas, são as causas do fenômeno. É simplesmente a evaporação da água, ao nível do solo, levando a formação de nuvens. 
          Esse fenômeno pode ocorrer a qualquer hora do dia ou da noite, quando o ar quente, presente na superfície, perde calor, devido à queda de temperatura, ocasionada por chuvas ou grande quantidade de água. Isso ocasiona aumento da umidade do ar, levando condensação das partículas de água, que se transformam numa espécie de fumaça densa, na superfície.
          Assim surge as brumas, um dos mais belos espetáculos da natureza, mas ao mesmo tempo, perigoso, quando acontece nas proximidades das rodovias, dificultando a visibilidade dos motoristas, por isso é bom parar e esperar o tempo melhorar ou dirigir devagar e com atenção. O outono e o inverno são as estações propícias para a formação de brumas. 
          Esse fenômeno ocorre no mundo todo, no Brasil, em algumas cidades chega a extasiar. É o caso de Ouro Preto, cidade histórica mineira, distante 100 km de Belo Horizonte. A beleza e charme de sua arquitetura barroca, com as brumas é um espetáculo de extasiar.          O fenômeno é tão constante em Ouro Preto que faz parte da identidade da cidade, é um dos atrativos ouro-pretanos. Turistas fazem questão de fotografar as brumas ouro-pretanas e logo pela manhã, se posicionam nos pontos mais altos da cidade para registrar a beleza do fenômeno. É de impressionar, extasiar e emocionar a beleza do fenômeno natural, com a arquitetura barroca. (foto acima de Thiago Perilo/@thiagop.photo)

          O município de Ouro Preto, que possui uma área de 1.245,114 km quadrados e seu relevo é completamente acidentado. Isso explica a intensidade das brumas. Entre a sede e seus 12 distritos, as altitudes são bastantes diferentes, variando entre 700 metros, no distrito de Amarantina (na foto acima do Vinícius Barnabé/@viniciusbarnabe), até 1600 metros, no distrito de Antônio Pereira. Ainda no distrito de Antônio Pereira, um dos pontos mais altos da Serra do Caraça, em terras ouro-pretanas, chega a quase 1800 metros de altitude. No geral, a altitude média do município é 1.116 metros. Na área urbana de Ouro Preto, o ponto mais alto é o bairro de São Sebastião, a 1400 metros de altitude. 
          Além da altitude, o que mais favorece a formação de brumas em Ouro Preto é o grande número de lagoas, nascentes, ribeirões e rios presentes em todo o município. Nas terras ouro-pretanas, estão as nascentes do Rio das Velhas, do Rio Piracicaba, do Rio Gualaxo do Norte, do Rio Gualaxo do Sul, do Rio Mainnart, do Ribeirão do Funil, além de dezenas de nascentes, cujas águas formam córregos, lagoas e pequenos riachos, que deságuam nos rios citados ao longo de seu percurso. (na foto acima de Arnaldo Silva, paisagem do distrito de Santa Rita do Ouro Preto)
          Outro fator que colabora com a grande formação das Brumas em Ouro Preto são as baixas temperaturas. Fontes históricas afirmam que, em 1893, nevou no município. O fenômeno foi registrado no Diário Oficial da União, no dia 10 de junho de 1893. O inverno ouro-pretano é rigoroso, com temperaturas, durante os dias mais frios, variando entre 0º a 10 graus. (fotografia acima de Ane Souz)
          Além de Ouro Preto, as brumas de Monte Verde, charmosa vila europeia mineira, distrito de Camanducaia no Sul de Minas, impressiona. Monte Verde tem cerca de 6 mil habitantes e está a 1600 metros de altitude. As paisagens e a arquitetura, que lembra a terra de seus fundadores, a Letônia, no Leste Europeu, encanta pelo nostálgico e poético cenário que proporciona. (como podem ver na foto acima do Ricardo Cozzo) 
          Outra cidade lindíssima mineira, que fica mais linda ainda no outono e inverno, é Tiradentes, no Campo das Vertentes. É uma das mais belas cidades históricas do Brasil, com pouco mais de 8 mil habitantes e a 927 metros de altitude. (como podem ver na foto acima do César Reis)
          No outono e no inverno, curta a beleza das brumas em Minas Gerais. É um fenômeno de grande impacto, pela beleza, singularidade e emoção que proporciona.

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Facebook

Postagens populares

Seguidores