sexta-feira, 24 de maio de 2019

O Dia da Culinária Mineira

O mineiro não é muito de alardear sobre os sabores que saem dos seus quintais. Quem visita Minas descobre e reconhece o quanto é saborosa a culinária do povo mineiro. Agora o mundo também vem descobrindo as delicias da comida dos mineiros. Cozinha é vocação do mineiro, está alma, no fogão à lenha e nos quintais. Mineiro e cozinha é uma simbiose perfeita! A culinária do Estado de Minas Gerais é uma das mais ricas do mundo e os pratos tradicionais de Minas, vem recheado com 300 anos de história. Uma cozinha tão rica e famosa no mundo inteiro tem data comemorativa, sabia disso? 
O dia da Gastronomia Mineira é o dia 5 de julho, data oficial, estabelecida pela Lei Estadual número 20.577 de 2012.
A data foi escolhida em homenagem ao dia do nascimento do professor e escritor Eduardo Frieiro, filho do casal Melchíades Frieiro e Maria Joana Pampin, imigrantes de Pontevedra, região da Galiza, Espanha. Frieiro nasceu em cinco de julho de 1889 em Matias Barbosa MG. 

Eduardo Frieiro é o autor do livro “Feijão, Angu e Couve – Ensaio sobre a comida dos mineiros”, publicado em 1966 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Trata-se do primeiro livro dedicado à gastronomia mineira com abordagem sobre a história do surgimento da culinária de Minas Gerais, com uma visão sociológica abrangente sobre o tema. Esta obra é tão importante para Minas Gerais, que o dia do aniversário do escritor é o dia da culinária mineira.
No livro, Frieiro conta em minuciosos detalhes como Minas Gerais saiu da escassez de alimentos no final do século 17 e início do século 18, para se tornar uma das cozinhas mais rica, respeitada e apreciada em todo o país ao longo de três séculos. O estudo se baseia na evolução da nossa gastronomia desde o início do Ciclo do Ouro, até o início do século 20, quando a capital de Minas Gerais deixa de ser Ouro Preto para ser Belo Horizonte, numa época que a cozinha mineira estava consolidada e referência como culinária nacional. Desde aquela época, os nossos mais tradicionais pratos, como o tutu de feijão, frango com quiabo, costelinha de porco com angu, torresmo, feijão tropeiro, licores, queijos, café, doces e quitandas diversas já eram apreciados pelos brasileiros. Minas Gerais é um prato cheio de histórias e sabores diversos e mesmo com os avanços tecnológicos, as receitas mineiras se mantém preservadas e apreciadas.
Então já sabem por que 5 de julho é o Dia da Culinária Mineira. Uma data valiosa para Minas Gerais. Antes que me perguntem, no Google, na pesquisa, basta digitar o nome do livro “Feijão, Angu e Couve – Ensaio sobre a comida dos mineiros”, que aparecerá às opções de onde encontra-lo. Vale a pena ler este livro. (Por Arnaldo Silva)

terça-feira, 21 de maio de 2019

Queijo D´Alagoa MG participará do Mondial Du Fromage

A “Copa do Mundo” dos Queijos acontecerá em Tours
Escondido entre as montanhas altas da Mantiqueira, no sul de Minas, o pequeno município de Alagoa ficou internacionalmente conhecido depois que o fundador da QUEIJO D’ALAGOA-MG, Osvaldo Martins de Barros Filho (foto acima/Arquivo pessoal) trouxe para o Brasil uma Medalha de Bronze conquistada durante o Mondial du Fromage em Tours, na França, em Junho de 2017.

MEDALHA DE BRONZE: O queijo de Alagoa, produzido pelo produtor parceiro da Queijo d’Alagoa-MG, Sr. Márcio Martins de Barros e maturado pelo Osvaldo destacou-se dentre mais de 600 queijos de 37 Países.

Este feito inédito consagrou Alagoa, de uma vez por todas, como Terra do Queijo e tem atraído turistas para conhecer a cidade movimentando a economia e contribuindo para o desenvolvimento local.

QUEIJO NA MALA - Dado o sucesso da primeira viagem à França, que foi promovida e viabilizada pela Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais – FAEMG, o alagoense retornará à França com a mala repleta de queijos para a quarta edição do Mondial du Fromage na esperança de trazer mais premiações que tanto engradecem a cidade de Alagoa, o Estado de Minas Gerais e a nação brasileira.

“Nós estamos muito felizes com a viagem à França e levaremos vários queijos em diversos tamanhos e estágios de maturação para apresentar ao exame da banca de jurados internacionais. Uma das nossas #frasesqueijísticas diz o seguinte: Fé em Deus e queijo na tábua.” relata Osvaldo Filho.

Com mais de 37mil seguidores no Instagram e 10mil no Facebook a viagem poderá ser acompanhada pelas redes sociais @queijodalagoamg através da tag #queijodalagoamgnafrança .

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Cores e sabores da infância!

"Aê o chup-chup!"
Dava gosto ouvir alguém gritando assim na porta da escola e nas ruas. Os olhos da criançada até brilhavam de alegria e era baratinho. No final da aula, estavam lá vários meninos com caixa de isopor gritando, oferecendo aquele saquinho que a criançada adorava. 

Chegava com a caixa cheia e logo estava vazia. Onde eu morava, Belo Horizonte o nome era chup-chup. Em outros lugares chamam de dindim, gelinho, sacolé, geladinho, mas tanto faz o nome, o que vale é o sabor da saudade.

Até hoje o chup-chup faz sucesso. É raro vermos hoje pessoas saindo nas ruas com a caixa de isopor vendendo como antigamente, está industrializado e se encontram em supermercados, sorveterias. Colocar suco num saquinho de plástico e congelar foi uma das ideias mais simples e que mais se popularizam no Brasil.

Hoje a qualidade do chup-chup é melhor. Feito com água filtrada, leite pasteurizado, sucos naturais. Em alguma usam leite condensado. Boa parte é industrializada.

Naqueles saudosos tempos meu amigo, era feito em casa mesmo, com água, açúcar e ki-Suco. Nada mais que isso. E dá saudades viu. Quem viveu esse tempo, sente saudades, da alegria que esse saquinho proporcionava. Uma gostosa nostalgia.
Texto e fotografia de Arnaldo Silva

sábado, 18 de maio de 2019

A história da cidade de Barão de Cocais

Barão de Cocais, (na foto acima de Gislene Silva) é uma bela cidade histórica mineira, distante 93 km de Belo Horizonte. Com 32.319 habitantes, em 2018, segundo o IBGE, o município faz divisa com Bom Jesus do Amparo, Caeté, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo.
No início do século XVIII, alguns bandeirantes portugueses e brasileiros procedentes do Rio, São Paulo e Bahia, deslocaram-se do povoado do Socorro, onde se achavam estabelecidos, e desceram o rio por dez quilômetros e no lugar a que deram o nome de “MACACOS” construíram suas cabanas e uma pobre capela. Conhecida nacionalmente como Portal do Caraça, foi fundada no início do século XVIII, por bandeirantes portugueses e paulistas que descobriram o lugar depois de descer o rio São João, a partir do povoado Socorro. (foto acima do Barbosa) O primeiro nome de São João do Presídio do Morro Grande foi porque o arraial nasceu ao sopé de um extenso morro e por isso ficou conhecido como Morro Grande.
O historiador Waldemar de Almeida Barbosa, afirma que os bandeirantes decidiram se fixar no lugar porque encontraram Boa Pinta, ou seja, descobriram novas minas de ouro. A notícia do metal amarelo abundante atraiu novos elementos, casas foram edificadas ao longo das voltas do rio, surgindo assim o bairro dos macacos, núcleo principal de Morro Grande. (na foto acima, de Glauco Umbelino, igreja feita com hematita, próximo a Mina de Congo Soco).
Em 1764, teve início a construção da atual Igreja Matriz São João Batista do Morro Grande, primeiro projeto arquitetônico de Aleijadinho, que esculpiu a imagem de São João Batista na porta de entrada e projetou o conjunto da tarja do arco-cruzeiro no interior da igreja. Foram gastos 21 anos para a conclusão da Matriz, que foi inaugurada em 1785.
O alvará régio de 1752 e a Lei nº 2 de 14 de setembro de 1891, criou o distrito com a denominação de São João do Morro Grande. Com a implantação da Usina Morro Grande o lugar toma impulso.
Em 1938, o nome do distrito foi reduzido para Morro Grande. Através do decreto lei estadual nº 1058 de 31 de dezembro de 1943, é emancipado o distrito de Morro Grande, que se separa de Santa Bárbara, passando a chamar-se Barão de Cocais, em homenagem ao Barão José Feliciano Pinto Coelho da Cunha, que nasceu e viveu na antiga Vila Colonial de Cocais, atual distrito de Barão de Cocais. 
Turismo

Barão de Cocais (foto acima do Barbosa) é uma cidade histórica, com muitos acessos turísticos (cachoeiras, igrejas). Localizada próximo ao Caraça (antigo colégio de padres erguido na  Serra do Caraça), ponto turístico de exuberante beleza natural. 
Festas tradicionais: Carnaval de rua, festa brega e festa de São João (padroeiro da cidade).
Cachoeira de Cocais
Está localizada na Serra da Conceição, a 4,5 km da Vila de Cocais. 

(na foto ao lado, do Barbosa)
São várias quedas d’água, sendo uma delas em uma montanha de pedra de mais de trinta metros que proporcionam um espetáculo magnífico, além de ser um excelente local para os adeptos de esportes radicais, como: rapel, montain bike, canyoning, trekking.
Cachoeira do Cume Cambota
A cachoeira da cambota se localiza- se no córrego São Miguel, onde formam vários saltos ao longo do seu curso, a água é límpida com temperatura girando em torno de 20 °C. Logo após o salto formam-se duchas naturais e piscinas, onde é possível tomar banhos, a região ainda é rica em orquídeas, canelas-de-ema e samambaias.
A Serra da Cambota faz parte da matriz de água de Barão de Cocais, faz parte em volume da 2ª e mais importante bacia. Está inserida em um ambiente chamado Ecótono, que é uma área de transição entre 2 biomas, muito importante no clima da cidade. Possui uma fauna exuberante. Faz parte do complexo da Serra do Espinhaço.
É um ambiente propicio ao turismo, porém muito sensível. Seu subsolo é rico em componentes minerais, classificando como uma área estratégica para o município.
Serra da Cambota (Campos do Garimpo)
O maciço do Espinhaço, tombado pela Unesco como reserva da Biosfera, tem em sua formação geológica os dobramentos modernos constituídos predominantemente de rochas como gnaisse e granito. (foto acima do Barbosa)
Região de rara beleza, proporciona aos adeptos do ecoturismo locais adequados para prática de caminhada, ciclismo de montanha e escalada. Com uma vegetação em que predominam os campos rupestres e as centenárias Canelas de Ema, dão ao local uma leitura peculiar com numerosas espécies de flores, que formam um singelo mosaico de cores e formas.
Conhecida como Serra do Garimpo, a localidade é uma região interfluvial das bacias do Rio Piracicaba em sua porção leste e da bacia do Rio das Velhas do seu lado Oeste.
Ruínas do Gongo Soco
 Gongo Soco (foto acima, ruínas de Congo Soco, autoria de Glauco Umbelino) é um testemunho de um dos ciclos mais marcantes na economia nacional, o ciclo do ouro. O sítio tem sua história iniciada em 1745, quando o cavouqueiro Bitencourt encontrou ouro nos cursos d’água que cortam a região. No final do século passado, foi adquirido por João Batista Ferreira e em 1825, a mina foi comprada por ingleses da Cornuália, que operaram entre 1826 a 1856, criando ali um florescente povoado britânico tropical, com hospital, capela e cemitério particular. Ficou paralisada durante muito tempo e em 1986, foi adquirida pela Mineração Socoimex que mantém até hoje resguardado o acervo ambiental e histórico da região.
Cemitério dos Ingleses
Trata-se do local onde estão sepultados os trabalhadores da primeira empresa britânica no Brasil Imperial (Brasilian Gold Mining), que o comprou do Barão de Catas Altas (João Batista Ferreira de Souza Coutinho), por 79 mil libras esterlinas. 
(foto ao lado de Glauco Umbelino) Nesse cemitério, situado no alto de uma colina e delimitado por um muro de pedras, encontram-se atualmente 10 lápides, algumas com inscrições em inglês, ornamentadas com desenhos apurados no granito e na pedra sabão. Sabe-se que os ingleses eram sepultados de cócoras, tradição da Cornuália.
Santuário de São João Batista
Primeiro projeto arquitetônico de Aleijadinho. Construção iniciada em 1764 e concluída em 1785. É considerada projeto de Aleijadinho , pelo desenho do frontispício, pelo arco cruzeiro, pela ousadia de dispor as torres diagonalmente em relação ao corpo de igreja. Aleijadinho esculpiu ainda a imagem de São João Batista em pedra sabão e projetou a tarja do arco cruzeiro no interior da Matriz. A Matriz possui altares folheados a ouro e a pintura do teto é atribuída ao mestre Ataíde.
Sítio Arqueológico
O Sítio Arqueológico da Pedra Pintada (foto acima do Barbosa) é o programa ideal para quem busca história e conhecimento. Suas pinturas rupestres, datadas de aproximadamente seis mil anos, formam três grandes painéis compostos por cenas de caçadores perseguindo suas presas e pelos diversos rituais realizados no local.
O Sítio está localizado na Serra da Conceição, numa altitude de 1250 metros acima do mar. Sua análise foi feita em 1843 pelo paleontólogo dinamarquês Peter Lund. Nele, você viaja no tempo, conhecendo desenhos semelhantes aos das grutas de Altamira, na Espanha, e Lescaux, na França.
No sítio, estão registrados quatro estilos de grafismos feitos com pigmentos minerais, que podem explicar a cronologia da pintura do paredão.
Acredita-se, a partir de estudo desenvolvido por historiadores da Universidade Federal de Minas Gerais, com o apoio do CNPq, que o local não serviu de moradia, por possuir registros possivelmente ritualísticos ou estratégicos.
A arte rupestre está registrada em rochas e grutas em todo o Brasil. São mais de 780 sítios arqueológicos, onde as pinturas rupestres deixaram o rastro dos primeiros "pintores" brasileiros de que se tem notícia. Nelas, através de desenhos, estão retratadas histórias de sobrevivência, crença e experiências de vida, um momento em que se descobre um meio de linguagem e comunicação através das pinturas. (fonte da matéria: Wikipédia)

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Alpinópolis e o Monte das Oliveiras

Alpinópolis (foto acima de Cristina Pimenta Kraus) está na Região Sul/Sudoeste de Minas Gerais, distante 320 km de Belo Horizonte. Sua emancipação política e administrativa se deu em 17 de dezembro de 1938. Faz divisa com os municípios de São João Batista do Glória, Passos, Bom Jesus da Penha, Nova Resende, Carmo do Rio Claro, São José da Barra. Quem nasce em Alpinópolis é alpinopolense. É mais conhecida pelo seu antigo nome "Ventania" que ainda é o nome preferido de todos os habitantes desta encantadora e hospitaleira cidade, e também como ela é identificada em toda a região. Está situada a uma altitude de 900 m, ao sopé da serra. Daí o nome Alpinópolis. De acordo com o IBGE, sua população estimada em julho de 2018 era de 19 745 habitantes. (fotografia abaixo de Cristina Pimenta Krauss)
Com uma população em torno dos 18 mil habitantes e uma área territorial de 459 quilômetros quadrados, a cidade de Alpinópolis tem o privilégio de estar numa das regiões mais prósperas do Estado. Além de ter uma economia bastante diversificada. A cidade tem se tornado cada vez mais conhecida nacionalmente através do Monte das Oliveiras, que é um espaço construído a céu aberto destinado à meditação, apresentações e excursões com finalidade religiosa (ecumênica).
Atrativos:
Monte das Oliveiras: construído como uma réplica do Monte das Oliveiras em Jerusalém, é onde, são encenadas as cerimônias religiosas da Semana Santa, com artistas da região. Em dias normais, é visitado pelos moradores e turistas que vem à cidade. Do alto do Monte das Oliveiras, tem-se uma bela vista do município.É um dos 
principais atrativos de Alpinópolis. (nas fotos acima e ao lado de autoria de Cristina Pimenta Krauss)
Cachoeiras da Serra da Ventania: lugar de lazer, contudo, no momento recebe a rede de esgoto de parte do município, impossibilitando o uso de suas águas pela população local.
Serras em torno da cidade: lugares muito frequentados principalmente por jovens para a prática de camping.
Parque Água Viva.
Fazenda Quilombo: Construída por escravos, às margens direita da rodovia BR-265 km 538, entre as cidades de Alpinópolis e Carmo do Rio Claro. 

(Fonte parcial das Informações: Wikipédia. Fotografias de Cristina Pimenta Krauss)

sábado, 11 de maio de 2019

A cidade sagrada de Aiuruoca

No Sul de Minas, no alto da Serra da Mantiqueira, a 989 metros de altitude, está Aiuruoca, nome indígena que significa "Aiuru (papagaio) e oka (casa). Casa do papagaio. Suas paisagens montanhosas de Mata Atlântica, com cachoeiras despencando a dezenas de metros é um verdadeiro convite ao relaxamento total. Ambiente propício para meditação. (foto acima e as duas outras abaixo de autoria de Jerez Costa)
     Aiuruoca tem pouco mais que 6 mil habitantes, distante 423 km de Belo Horizonte e faz divisa com os municípios de Baependi, Cruzília, Serranos, Carvalhos, Seritinga, Bocaina de Minas, Minduri e Alagoa.
     É uma das mais antigas povoações de Minas Gerais. Começou a ser desbravada em 1692 pelo padre João Faria de Melo, capelão dos Bandeirantes. A partir dessa época portugueses e paulistas começaram a chegar na região, por causa das minas de Aiuruoca.
     Em 1706, foi ocorre a fundação do arraial pelo paulista João de Siqueira Afonso.
     Aiuruoca integra o circuito turístico Terras Altas da Mantiqueira, sendo bastante procurada por turistas e amantes da natureza.As cachoeiras e picos, cuja altitude variam de 1300 a 2357 metros de altitude sendo o Pico do Papagaio o mais famoso. Das 82 cachoeiras do município, cerca de quarenta são visitadas frequentemente pelos moradores e visitantes por suas águas limpas, cristalinas e poços que propiciam banhos relaxantes.
     A área urbana de Aiuruoca é um dos charmes do Sul de Minas, com tranquilidade típica do interior mineiro. Casarões antigos e bem cuidados, ruas de pedras, jardins e praças bem cuidadas são cenários bucólicos presentes na cidade, que encanta os visitantes. A charmosa Matriz de Nossa Senhora da Conceição, datada de 1726 com seus antigos altares de madeira, que chamam muita atenção pela beleza singular. Além das belezas naturais e do charme da cidade, em Aiuruoca a culinária é riquíssima. Queijos, mel, biscoitos, bolos, doces e todo o sabor da culinária mineira está presente nos restaurantes da cidade, bem como a artesanato também.
     É no Vale do Matutu, a 17 km do centro de Aiuruoca, que a energia das mágicas montanhas de Aiuruoca é mais sentida.O trajeto é por estrada de terra e poderá ver pelo caminho várias cachoeiras e paisagens espetaculares. Matutu é um povoado que conta com pousadas, restaurante e um rico artesanato, feito por seus moradores. Boa parte dos moradores do povoado vieram de outras cidades, que encontraram no Matutu o lugar ideal para fugir do estresse e correria das cidades grandes, convivendo em harmonia com a natureza, com alimentação saudável, praticando yoga e meditação, fazendo artesanatos que ficam expostos no casarão do Matutu. Vivenciam a cultura hippie, em sintonia e respeito à natureza.
      No Matutu, tem um templo ecumênico (foto acima de Marlon Arantes), independentemente da crença religiosa,é um lugar que merece ser visitado. Tranquilo, transmite paz, ótimo para um contato com o superior.
     Presente no Matutu está a o Santo Daime, que formam uma comunidade com mais de 100 pessoas que vivem no Vale, lugar que consideram perfeito para suas práticas espirituais, vivendo em harmonia plena com a natureza, conciliando o desenvolvimento humano com a preservação da natureza e cooperação social.
      Estando no Vale do Matutu, o visitante pode desfrutar das paisagens e cachoeiras, relaxar, meditar ou simplesmente contemplar por exemplo os 130 metros de queda da Cachoeira do Fundo. Outra cachoeira que vale a pena conhecer é a Cachoeira das Fadas. (foto acima de Jerez Costa)
     Na cidade existe um templo da Eubiose, que consideram Airuoca uma das 7 Cidades Sagradas. A sede da entidade é São Lourenço, no Sul de Minas e tem como visão a Medicina do Futuro conectada com os anjos e devas.
     Místicos acreditam que Aiuruoca tem ligações com a cidade sagrada de Srinagar, a mais importante cidade do Vale da Caxemira, na índia. Segundo a crença, as duas cidades espargem vibrações para o mundo como o sétimo chacra, conhecido por coronal, o mais importante dos 7 chacras do corpo. É através desse chacra, segundo a crença, que alcançamos o plano espiritual, tornando a visão e propósitos de nossa missão aqui na terra mais claras.
     Estar em Aiuruoca (foto acima e abaixo de Marlon Arantes) é vivenciar Minas Gerais em sua plenitude.A hospitalidade, a simplicidade, a culinária, arquitetura e o jeito mineiro de ser estão presente em cada canto da cidade. Aiuruoca é especial, por sua beleza, por suas cachoeiras, por sua história. Conhecer Aiuruoca é conhecer o coração de Minas Gerais. (Reportagem de Arnaldo Silva)
Quem vai a Aiuruoca, traz sempre um pedacinho dela em seu coração.

O Museu do Automóvel de Bichinho

Bichinho é o charmoso distrito de Prados MG, na região do Campo das Vertentes a 200 km de Belo Horizonte. Fica entre entre Tiradentes e Prados, duas importantes cidades históricas de Minas Gerais.
Bichinho, além de sua cultura, rica história do período colonial e seu valioso artesanato, famoso no mundo todo, tem ainda como atrativo o Museu do Automóvel.
O museu conta com vários modelos de carros antigos, preservadíssimos que dá brilho nos olhos. O lugar é nostálgico, gostoso de ficar  e os modelos de carros expostos são cinematográficos. 
Para os amantes de carros antigos de várias épocas, o distrito conta com o Museu do Automóvel. 
Foi inaugurado em 2006, pelo colecionador de carros Rodrigo Cerqueira, que desde 1976 começou a adquirir e restaurar carros antigos. Quem vem a Bichinho não pode deixar de visitar o Museu do Automóvel.
O Museu fica no Sítio Pau D'angu - Estrada Real Tiradentes / Bichinho (a cerca de 5 km de Tiradentes)
Horário de Funcionamento: Quarta a Domingo das 9h às 18h - Contato: (32) 3799-8033
(Texto de Arnaldo Silva com fotografias de Fabinho Augusto)

quinta-feira, 9 de maio de 2019

São Bartolomeu: a joia de Minas Gerais

Imagine você chegando num lugar que lembra as pequenas aldeias portuguesas. Nas casas, a única segurança são os trincos e tramelas. Não tem muros, o casario é rente ao passeio e nas ruas não tem asfalto, são calçadas com pedra. Nesse lugar, ouve-se o som do silêncio, quebrado apenas pelo barulho dos pássaros e pelo borbulhar dos doces feitos nos tachos de cobre. Em cada casa, os tachos de doces estão presentes. Lugar onde o povo cultiva uma simplicidade encantadora recebem os visitantes com sorrisos e uma boa prosa mineira, como se já te conhecesse há tempos.
Esse lugar existe. É São Bartolomeu. Seus moradores tem orgulho imenso de viverem na pequena vila. Orgulham-se dos doces, de sua Igreja Matriz, dedicada a São Bartolomeu, uma das mais antigas igrejas de Minas Gerais. Um dos destaques dessa igreja, além de sua beleza arquitetônica interior e exterior é um sino todo em madeira, de 1705.
Encanta ainda o belo e preservado casario colonial do século 18, as capelas de São Francisco e a de Nossa Senhora das Mercês, que fica no alto de um morro. Desse tem-se um visual perfeito de toda a vila e sua vasta natureza em redor. 
É possível andar pelas ruas de São Bartolomeu sem ver sequer um morador na rua, principalmente em dias de semana. Uma tranquilidade e paz que impressiona quem vem de fora, acostumado com agitação de gente nas ruas. 
A tradição de fazer doces é uma tradição secular no distrito, que desde o início de seu povoamento, com a chegada dos bandeirantes, no final do século 17. Desde aquela época a região era abundante em espécies frutíferas, como goiabeiras. Chegando ao distrito se percebe isso. Árvores frutíferas como jabuticabeiras, mangueiras, goiabeiras, dentre várias. 
Seus moradores ficam nas espaçosas cozinhas ou nos quintais, com seus enormes tachos de cobre, fazendo o que sabem de melhor, doces, como o doce de leite e a famosa goiabada cascão. Aliás, o melhor espaço das casas de São Bartolomeu é a cozinha. A visita vai logo para a cozinha experimentar as quitandas e claro, os doces tradicionais mineiros. 
São Bartolomeu é de uma tranquilidade que impressiona. O povo é sossegado, tranquilo e quando chega carro de fora, vão até a janela ou porta para dar uma espiada nos novos visitantes. Muitos saem pra fora e puxam conversa mesmo, no mais genuíno mineirês. A prosa é boa e conversam com a gente naturalmente, como se fôssemos amigos antigos. Uma conversa alegre, que nos faz bem.
Hoje, a vila é distrito de Ouro Preto, mas São Bartolomeu existia antes mesmo de Ouro Preto existir. Ouro Preto foi fundado em 1711, São Bartolomeu existia bem antes. É uma das mais antigas povoações de Minas Gerais, com um casario colonial bem preservado e uma rica história do período barroco. Pelo encanto, lugar pacato, tranquilo, onde se respira história, em cada canto da pequena vila, São Bartolomeu é uma joia. Lugar como esse é único no Brasil. Não tem igual. É a joia do barroco, é a joia da nossa cultura, a joia da nossa história, não só de Minas, mas do Brasil.  
A joia de Minas faz parte do Caminho Velho da Estrada Real. Situado às margens do Rio das Velhas e do Parque Florestal do Uaimií, São Bartolomeu fica a 98 km de Belo Horizonte e 18 km de Ouro Preto, com acesso por Cachoeira do Campo, outro distrito ouro-pretano. Chegando a Cachoeira do Campo entre a esquerda, seguindo pela rua principal do distrito sentido Santo Antônio do Leite, até o cruzamento com a Rua Tombadouro, no alto do morro. Ao chegar nesse morro, tem pequena rotatória e uma placa sinalizando. Vire à esquerda e siga pelo asfalto. Quase no fim do trecho, a estrada é de terra, mas em boas condições de uso. Assim já chega a São Bartolomeu. 
Andando pelas poucas ruas de são Bartolomeu, é possível sentir o doce aroma da goiabada. Se tiver ouvido mais aguçado, poderá ouvir o “estourar” das bolhas dos doces fervilhando nos enormes tachos de cobre nas espaçosas cozinhas sem abertas das casas. Praticamente todas as casas do distrito tem fornalha, tacho de cobre, fogão à lenha. Faz parte da identidade do povo mineiro.
Fazer doces é vocação dos moradores da Vila. Quem sabe faz e bem feito. É um conhecimento que vem dos avós, dos bisavós, tataravós, até chegar à época que os bandeirantes chegaram ao distrito. E esse conhecimento foi passando de pai para filho, até chegar aos dias de hoje. A goiabada cascão de São Bartolomeu, cremosa ou em barra, é a legítima e autêntica goiabada, feita do mesmo jeito que há mais de 200 anos. É Patrimônio Cultural Imaterial de Ouro Preto.
Tive o prazer de acompanhar esse processo na casa da Sonali, moradora do distrito. Quem batia a goiabada no tacho era a simpática Dona Doquinha, famosa doceira da Vila. O processo começa na escolha das melhores goiabas. Depois de lavadas, são cortadas ao meio para a retirada das sementes e peneirada. Em seguida e levada ao tacho de cobre, com a fornalha já aquecida despeja-se a polpa e cascas grandes da fruta. Por isso é que se chama goiabada cascão, pela presença das cascas no doce. O processo final é bater bem e sem parar por cerca de uma hora, para que a goiabada esteja no ponto.
Isso as doceiras sabem de cor, a hora do ponto e ritmo da batida da enorme colher de pau. Além da goiabada, Dona Doquinha faz um doce de leite sensacional, do mesmo jeito, batido no tacho de cobre. E o sabor de um doce assim, experimentando na hora que está sendo feito, é outra coisa. Sabor indescritível! O bom mesmo é ver as doceiras despejando a goiabada e rapar o tacho. Essa rapa de tacho é boa demais! 
Por falar em Sonali, à moradora que citei acima, tem um bar na rua principal do distrito. Em dias de festas e fins de semana o bar fica aberto, mas durante a semana as portas ficam fechadas. Só bater que ela abrirá e te atenderá muito bem. Come-se bem e a anfitriã é muito alegre, educada e, atenciosa. Além da comida ótima, experimentei a cerveja artesanal Los Bárbaros, de Santo Antônio do Leite, distrito ouro-pretano, e adorei. No local tem artesanato e lembranças do distrito, bem como o café especial Uaimií que é da região e vendido. E claro, tem doces caseiros diversos.
Ao lado do Bar da Sonali, é a casa da Dona Serma e do Seu Vicente que me recebeu com muita hospitalidade. Experimentei o doce de rapa de leite. Não resisti e comprei. Tem doce de leite cremoso, de corte, pessegada, bananada, de limão capeta, laranja, de pêssego, figo e claro, a famosa goiabada cascão em barra e cremosa. Essa não pode faltar em lugar algum de São Bartolomeu. Tudo feito com carinho no fogão à lenha, bem como a comida que Dona Serma faz, tipicamente mineira e de sabor inconfundível! Vale lembrar que nessa casa funciona também o cartório do distrito.
 
Como já disse antes, São Bartolomeu respira tranquilidade e sossego, onde o som mais alto que se ouve é o do silêncio quebrado às vezes pelos pássaros. Lugar ideal para quem gosta de sossego, relaxar e vivenciar a mais pura nostalgia e magia da beleza da vida no estilo bem mineiro, preservada desde os tempos do Brasil Colônia. Mesmo pequeno, São Bartolomeu, oferece uma ótima estadia na Pousada São Bartolomeu. Um ambiente simples, com quartos arejados, sem TV e tudo bem arrumado no maior capricho.
Caso queira uma pousada com mais requinte, a dica é a Casa Bartô, um casarão em estilo colonial, com 10 amplas suítes e uma decoração nostálgica. Um ambiente perfeito para relaxamento e descanso. 
Quem gosta de mais agitação, pode optar por ir a São Bartolomeu em dias de festas como a Festa da Goiabada Cascão, que acontece todos os anos entre abril e maio na rua principal. Esse evento faz parte do Calendário Gastronômico de Minas Gerais. Durante os três dias de festa, são apresentados os melhores doces do distrito e ainda conta com shows musicais, atividades culturais, mostra do artesanato local, culinária típica, outros produtos artesanais da região como cerveja e vinho de jabuticaba e passeios ecológicos. 
Outra festa importante que acontece em no mês de junho é o Encontro de Tradições Culinárias, com cultura, música e a rica gastronomia dos moradores de São Bartolomeu que criam pratos especiais e apresentam no evento. Já em agosto, a festa é religiosa. No dia 24 acontece a Festa de São Bartolomeu e do Divino Espírito Santo, com missas, procissões e cortejos que celebram a devoção ao padroeiro do distrito, São Bartolomeu e ao Divino Espírito Santo. Nesse evento também, após as cerimônias religiosas, tem shows musicais. 
Indo a São Bartolomeu, não fique apenas no entorno da Vila. O distrito tem opções naturais fantásticas como a Reserva do Uimií, cerca de 5 km do distrito. Uma reserva com 43 km2, considerada a primeira reserva ambiental do Estado, com uma exuberante natureza, com nascentes, riachos e cachoeiras. Uma dessas cachoeiras tem queda de 45 metros. A reserva fica aberta de 7 as 17 h. Outra opção é a Fazenda Nascer que oferece passeios, canoagem, rapel e camping. Tem um pequeno restaurante que funciona somente nos fins de semana. A fazenda fica próxima a Reserva do Uimií.
Independente de qual for sua opção, dias festivos ou a calmaria que o distrito oferece, São Bartolomeu é especial. É um banho de paz, de cultura, de história e uma mostra rica de como é ser e vivenciar o ser mineiro. Vindo a Ouro Preto, venha conhecer São Bartolomeu, a joia valiosa do barroco mineiro. (Por Arnaldo Silva)

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Leandro Júnior, o artista da tinta de barro.

Ele transforma barro em tintas que viram arte em suas telas. É Leandro Júnior, artista plástico natural de Cachoeira do Norte, distrito da cidade de Chapada do Norte, no Vale do Jequitinhonha.
Do Vale do Jequitinhonha surgem grandes artistas mineiros. Leandro Júnior é um deles. Suas esculturas e telas refletem a realidade do povo mineiro, em especial do povo do Vale do Jequitinhonha. 
E é do Vale que sai o rico artesanato mineiro, feito em argila e barro, já que a região produz barro com tonalidades diferentes, por isso a riqueza valiosa do artesanato local, Patrimônio Imaterial de Minas Gerais. Deste mesmo barro, Leandro Júnior faz sua própria tinta e suas esculturas.
Segundo o artista, ele pinta suas telas com a tinta que extrai do barro. Além da tinta feita com barro, Leandro Júnior cria esculturas em barro, com o tema de suas obras voltadas para o período da Escravidão no Brasil.
Para fazer a tinta de barro, ele retira da natureza barros com tonalidades tonalidades, encontrados facilmente em sua região. 
A terra retirada passa por uma socagem. 
Em seguida é peneirada  até virar pó. 
Toda impureza como restos de mato, são retirados desse pó.
Feito isso, acrescenta-se água limpa ao pó. 

Mistura-se bem e coa num pano, ficando somente o líquido do barro. 
Esse líquido é colocado numa panela e levado ao fogo para ganhar consistência. 
Por fim é só acrescentar cola comum porque a cola ajuda na fixação da tinta na tela.  
Mistura-se bem até que a cola esteja toda dissolvida no líquida e com consistência homogênea.
Está pronta a tinta para uso.
Esse processo é feito com cada cor de barro. Não se mistura todas as tonalidades de barro num mesmo processo. (Reportagem de Arnaldo Silva)
Quem quiser contatar com o artista pode ligar para seu whatsapp: 33 99989-2435 ou instagram:@artistaplasticoleandrojr