sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Aprendendo a amadurecer queijo

Por Arnaldo Silva
     A relação de mineiro com queijo vem de mais de 300 anos. Queijo não é apenas uma iguaria sobre a mesa. Para o mineiro, queijo é tradição, é raiz, é a fina identidade da nossa culinária. Pra quem produz queijo artesanal, aquele que vem de gerações é algo mais que isso. Faz parte da história de vida da família e sem exagero algum, faz parte da família. Meus pais, por exemplo, foram sustentadas com a venda de queijos que meus avós faziam, tradição passada por seus pais, meus bisavós e por ai vai. Por isso o queijo faz parte de nossas raízes e de nossas famílias. O queijo sustentou e ainda sustenta famílias e movimenta a economia das cidades mineiras. (foto acima de Lucas Rodrigues, do Queijo Canastra do Dinho de Piumhi MG)
     Seja qual tipo de queijo for. Aliás, é bom que saibam que Queijo de Minas não é apenas o queijo branco, chamado frescal. Esse é apenas mais um dos vários tipos de queijos que temos em Minas Gerais, de acordo com o tremruá (terroir, no francês) que é a característica de cada queijo, de acordo com sua região geográfica. Nenhum queijo é igual, cada um tem o seu tremruá próprio. Os maturados mais famosos são o Queijo Canastra, Queijo do Serro, o Araxá e o da Serra do Salitre, identificado com uma casca resinosa nas cores preta, amarela e vermelha.
     Vou tentar explicar sobre isso para que entendam e conheçam as diferenças de cada queijo, seu sabor, textura, aroma e modo de amadurecê-lo. Queijo é igual vinho, quanto mais velho melhor, por isso se harmonizam tanto. Como diz aqui em Minas, queijo é igual à vida, quanto mais se vive, melhor é. Isso mesmo, quanto mais tempo maturado, mais valorizado e mais saboroso é o queijo.
     Pra isso que a cura do queijo é importante. O processo de cura é simplesmente retirar os líquidos como água, soro e gordura de um queijo fresco, de modo que ele envelheça. É pegar aquele queijo branquinho, fresquinho e envelhecê-lo. Ou seja, mudar toda a característica do queijo como peso, aroma, cor e sabor. 

     Na maturação, uma camada de bolor e fermento aparece em torno do queijo. Isso faz com que o queijo perca umidade e com o tempo, tamanho. 
     É na maturação que o queijo desenvolve suas características próprias, dependendo da região e do clima, pode tornar-se macio, mais picante e até um pouco adocicado. Quanto mais tempo maturando acredite, mais personalidade terá o queijo. É personalidade única, nunca existirá um queijo igual ao outro. A maturação define a personalidade de cada queijo. Quanto mais velho o queijo ficar, mais saboroso ficará e mais nutritivo também.
     Um queijo pode curar por 30, 60, 90, 120, 180, 365 dias e por até dois anos. (na foto acima do Lucas Rodrigues, Queijo Canastra do Dinho em Piumhi MG com 1 ano de maturação) Quanto mais tempo maturado, mais saboroso é e mais valorizado no mercado também. Nesta foto abaixo, de Sônia Fraga, em São Roque de Minas, com queijos Canastra, maturados por um ano. O preço não é esse mais, está um pouco defasado já que a foto é do ano passado. 
     Curar queijo não é um bicho de sete cabeças e nem requer técnicas industriais, ao contrário, é artesanal e feita do mesmo jeito desde a invenção do queijo, há milhares de anos. Em Minas, a técnica da cura artesanal tem quase 300 anos. 
     A técnica é simples. Primeiro você vai comprar um queijo fresco de sua preferência.
     Como curar é secar, deixe o seu queijo num lugar arejado, abrigado da luz e da umidade, numa tábua de cozinha. Isso porque tábua absorve bem a umidade. (na foto ao lado queijos da Fazenda Bela Vista de Alagoa MG) Existem em lojas especializadas, como “casas do fazendeiro”, caixas próprias para maturação. São feitas de madeira e tem telas em redor, que impedem a passagem de insetos e permite a ventilação. São baratas, vale a pena comprar uma caixa dessas. Se não conseguir comprar, use então uma tábua de cozinha e cubra o queijo com uma tela que impeça a entrada de insetos, mas da ventilação. 
     Feito isso, vire o queijo a cada dois dias. Durante o processo uma camada de mofo branco surgirá na casca do queijo. É esse é o início do desenvolvimento da personalidade do queijo.
     Perceberá que a cada dia o seu queijo ficará mais seco e sua personalidade se desenvolvendo como cor, casca mais dura, sabor, picância, etc., de acordo com as características de produção e fatores climáticos da sua região. A cura se dará pelo tempo que julgar melhor. Meus queijos curam por 30 dias.      

     Vale lembrar que queijo curado não deve ir para geladeira, isso porque receberá muita umidade. Esta umidade modificará toda característica adquirida pelo queijo na maturação. (na foto acima, do Osvaldo Filho, o famoso e premiadíssimo Queijo D´Alagoa)
     É só isso. Simples não. Eu faço queijos ou compro queijos frescos de regiões diferentes para curar, assim tenho essa delícia com aroma, sabor, cores e texturas diferentes em casa. Vale a pena curar seu próprio queijo.
     Mas se a correria do dia a dia te impede de curar seu queijo, compre um queijo curado, mas preste atenção nessas dicas para comprar um queijo Mineiro legítimo e de qualidade, observando essas características abaixo. Isso porque existem queijos que se passam por originais sem o serem. Aprenda a identificar os principais queijos mineiros:

     Se for comprar um queijo do Serro preste atenção em sua casca. (na foto acima de Sérgio Mourão) Nos mercados que vendem queijos, algumas amostras cortadas ficam expostas. O queijo do Serro tem a casca fina e bem rígida e sua massa é bem compacta.
      Já o Canastra (na foto acima do Queijo Roça da Cidade) tem o aroma suave. Se o queijo estiver com a casca rachada e pontos de mofo em tons avermelhados, não compre. O mofo do Canastra é branco e sua casca tem o tom amarelo bem firme. 
     O queijo Araxá (na foto acima de Luis Leite) apresenta uma tonalidade amarelo claro, com casca bem lisa, sem nenhuma fissura. A massa é bem compacta e sem furinhos no interior. 
     O Queijo da Serra do Salitre se caracteriza por uma cobertura de resina, podendo ser preta, vermelha ou mesmo, amarela. Essa resina protege o queijo e quanto mais maturado for esse queijo, mais intenso será seu sabor. A massa é compacta e bem firme. 
Pra encerrar nossa matéria sobre maturação, você vai entender a linguagem do queijeiro.(foto acima de Queijo D´Alagoa/Divulgação) É comum quem é mestre em queijos falar meia cura, afinação, mofo branco, queijo azul, curado, etc. Quem não é do ramo, fica perdido em meio a tantas palavras, mas pra não te deixar boiando em palavras, está aqui para entender a linguagem dos queijeiros:
Meia cura: Nome pelo qual são conhecidos os típicos queijos de Minas, que maturam de 12 a 30 dias (depende do produtor e do tamanho da peça).
Afinação: Palavra que vem do francês affinage: maturar um queijo até que atinja o ponto ótimo e adequado ao gosto ‘do dono’.
Mofo branco: Categoria que abarca todos os queijos que formam aquela capa branca aveludada – um fungo benigno, que se forma de dentro para fora.
Azul: São os queijos inoculados com um bolor que cresce dentro da massa – como o stilton, o gorgonzola e o roquefort.
Curado: Maduro. Pode ter sido amadurecido por até dois anos. É naturalmente mais seco e quebradiço, e mais salgado também.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Tiradentes e Monte Verde no topo do turismo no Brasil

Tiradentes (na foto acima de César Reis) e Camanducaia (onde fica o distrito de Monte Verde) atingiram o topo do ranking do turismo nacional. É o que diz a categorização do Ministério do Turismo, divulgada no dia (8/2/18), que identifica o desempenho da economia do setor nos municípios que constam no Mapa do Turismo Brasileiro.
O crescimento no número de empregos formais no setor de hospedagem, bem como dos estabelecimentos formais de hospedagem, e o aumento do fluxo turístico doméstico e internacional, foram determinantes para que os municípios subissem da categoria B, em 2015, para a categoria A.
Em meio à Serra da Mantiqueira, Monte Verde (na foto ao lado de Ricardo Cozzo) é destino certo para quem busca baixas temperaturas e muitas opções de gastronomia. 
Já Tiradentes atrai visitantes durante todo o ano que encontram, na cidade de calçamento de pedra, importantes episódios da história do Brasil, gastronomia impecável e vasta agenda cultural, como os festivais de cinema e de gastronomia. 
Minas Gerais conta com 555 cidades no Mapa do Turismo Brasileiro, classificadas da seguinte maneira: A (03), B (18), C (80), D (348) e E (106). Além disso, no cenário estadual, Minas Gerais também comemora um crescimento. Em 2016, Minas Gerais possuía 457 municípios regionalizados e em 2017, o número subiu para 601. (na foto abaixo, de Ricardo Cozzo, Monte Verde MG)
Categorização
A partir de quatro variáveis de desempenho econômico - número de empregos, de estabelecimentos formais no setor de hospedagem, estimativas de fluxo de turistas domésticos e internacionais – os municípios foram divididos por letras, que vão de ‘A’ a ‘E’. De acordo com a nova classificação, houve crescimento da atuação do turismo em 358 municípios brasileiros. (na foto ao lado, de César Reis, Tiradentes) 
Além disso, 189 cidades subiram da categoria ‘E’ para ‘D’, tornando-as aptas a receber recursos federais para promoção de eventos, por exemplo. Isso porque, segundo portaria 39/2017 do Ministério do Turismo, somente municípios classificados entre ‘A’ e ‘D’ podem pleitear apoio a eventos geradores de fluxo turístico. Fonte parcial: Agência Minas - Ilustrações nossa.

As belezas do Vale da Gurita em Delfinópolis

O município de Delfinópolis fica na Região Sudoeste de Minas Gerais e faz divisa com os municípios de Cássia, Ibiraci, Passos, Sacramento, São João Batista do Glória e São Roque de Minas. Segundo o IBGE, conta em 2019 com 7114 habitantes. (na foto acima, do Wallace Melo, a Cachoeira do Zé Carlinhos no Vale da Gurita)
Delfinópolis é um verdadeiro paraíso para o ecoturismo. É um presente de Deus para Minas Gerais. É uma cidade tranquila, pacata, rica em cultura e belezas naturais. A cidade é para quem quer descansar, curtir a natureza, cachoeiras e relaxar completamente. Município com muitas pousadas, restaurantes e atrativos turísticos sendo hoje uma rota crescente de trilheiros e admiradores da natureza.(na foto acima e abaixo, do Wallace Melo, capelas do Vale da Gurita) 
Faz parte do circuito turístico Nascentes das Gerais, tendo como principais atrações turísticas o Complexo do Claro, um conjunto de cachoeiras localizadas próximas ao centro da cidade, o Parque Nacional da Serra da Canastra, que ocupa boa parte de seu território, o Vale da Babilônia e o Vale da Gurita, pouco conhecido, mas um lugar onde estão concentradas paisagens e cachoeiras deslumbrantes. Todas as cachoeiras do Vale da Gurita podem ser visitadas num único só dia. 
Além da beleza sem igual, o Vale do Gurita oferece uma ótima estrutura para o visitante com guias, pousadas e restaurantes da Dona Doca, da Cachoeira do Ouro, da Cachoeira do Melado e Lar da Serra. (fotos acima e abaixo do Wallace Melo)
Pelas trilhas de Delfinópolis é difícil não encontrar uma cascata ou uma cachoeira. Não se sabe ao certo quantas são, mas está entre 150 a 200 cachoeiras. Pode ser considerada a cidade das cachoeiras. E como são belas essas cachoeiras. São impactantes!
Para conhecer a região de Delfinópolis, sugiro um 4x4 já que estradas são terras, passando por córregos e matas. Um carro comum terá dificuldades pelo caminho. Veículos com guias especializados são encontradas na cidade. Melhor usar esses serviços.
Mas vale a pena. São tantas paisagens e tantas cachoeiras que não dá para mostrar todas aqui, claro, por isso o foco é o Vale da Gurita, um lugar de gente pacata, simples, que fazem de tudo para agradar a todos e mostrar o melhor da Gurita, que são suas cachoeiras e culinária com restaurantes e pousadas e queijaria que produz um queijo de primeira.
E não é um queijo comum não. O queijo do Vale da Gurita, do produtor Arnaldo Ribeiro, ganhou medalha de prata no Mondial Du Fromage na França em 2017. Esse concurso internacional é considerado a copa do mundo dos queijos. No último concurso, em junho de 2019, o mesmo queijo foi premiado com a medalha super ouro. É hoje um dos melhores queijos do Brasil e do mundo, reconhecido internacionalmente. O queijo do Vale da Gurita tem um sabor suave e levemente picante. A qualidade do queijo vem de um conjunto de fatores como manejo do gado, pastagens de qualidade, clima e qualidade do leite do gado Caracu e Girolando. O leite desse gado tem maior teor de gordura, caracterizando o sabor diferente e especial do queijo. Na maturação, uma leve cor dourada predomina, com cobertura de mofo branco, que dá o sabor do queijo, considerado único. Só tem no Vale da Gurita. Por isso o queijo é especial e merecedor das medalhas em concursos nacionais e internacionais conquistadas.
Cachoeira do Zé Carlinhos 
Agora vamos às cachoeiras. A mais interessante, em minha opinião, é a do Zé Carlinhos (na foto acima do Wallace Melo). Fica a 33 km do Centro de Delfinópolis, numa propriedade particular, com acesso aberto a visitantes, com pagamento de uma taxa por pessoa. A Cachoeira do Zé Carlinhos chama atenção pela beleza e perfeição da natureza. A queda é pequena, mas em seu entorno, as águas formam um poço circular, com bancos de areia rodeada por uma paisagem nativa impressionante.
Complexo da Maria Concebida
Chamada de Fazenda das Águas Quentes é uma das mais visitadas da região, graças as suas águas quentes. (foto acima de Conceição Luz) A temperatura da água chega a 30º. Um convite ao relaxamento e sossego total, num lugar tranquilo e de muita paz. Fica a 22 km do Centro de Delfinópolis, em propriedade particular, com taxa de visitação por pessoa. 
Para chegar até o complexo, passará por essa ponte de tábuas, suspensa por cabos de aço, na foto acima do Wallace Melo.
A Cachoeira do Ouro
Esse complexo, distante 35 km do Centro da cidade, é formado por várias cachoeiras, com ótima estrutura para receber os visitantes, inclusive restaurante com comida caseira deliciosa.(foto ao lado do Wallace Melo) É o restaurante da Doca. Suas águas e todo o ambiente em redor, com pequenos poços, são propícios para hidromassagem natural e relaxamento. 
Por fim, um convite a todos para conhecerem Delfinópolis e toda sua beleza natural, cultural e gastronômica, principalmente o Vale da Gurita, um lugar único em Minas. Seus poucos moradores tem orgulho de viverem no Vale e nem pensam em sair de lá. O Vale da Gurita, além de belezas naturais, tem história e muita cultura, preservada há mais de século como a Folia de Reis e Folia das Almas (na foto abaixo de André Dib), manifestadas entre dezembro e janeiro. 
Como chegar:
Chegando à cidade, o visitante deve procurar o Centro de Apoio ao Turista que fica na Av. Antenor Pereira de Morais, 330. O telefone é (35) 3525-1662. 
Distâncias:
De Capitólio até Delfinópolis são 126 km pela MG 050 e BR 464
São Paulo: 420 km pela BR 381 e até Perdões MG, pegando a MG 050
Belo Horizonte: 401 km pegando a BR 381, até Perdões, entrando na MG 050. (Reportagem de Arnaldo Silva)

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

O marzão de Minas

     Litoral, mar de água salgada, isso não tem em Minas não, mas mar tem sim, mesmo distante 600 km do litoral mais próximo. Mar de água doce, com direito a praias e dezenas de cachoeiras. (foto acima de Douglas Arouca) O nosso mar é o Lago de Furnas, imenso lago que abrange 34 municípios mineiros. É o maior lago artificial do mundo, com 1.406,26 quilômetros quadrados. Por isso é chamado de mar, o marzão de Minas. 
     Entre as 34 cidades banhadas pelo Mar de Minas, Capitólio se destaca (na foto acima de Deocleciano Mundim). Distante 276 km de Belo Horizonte, às margens da MG 050, no Oeste de Minas, a cidade e sua deslumbrante paisagem chama a atenção. São cachoeiras, cânions com água verde esmeralda, que permite passeios de escuna, lanchas, barcos e chalanas, além de impressionantes mirantes e belezas espetaculares.
     Outro destaque de Capitólio é o bairro Escarpas do Lago (na foto acima de Deocleciano Mundim). Além da beleza da arquitetura do bairro, está localizada em sua orla a maior marina de água doce da América Latina. Práticas de esportes como wakeboard, stand up paddle, esqui e Jet ski são bastante comuns no local. 
     O turista ainda pode se deliciar com a beleza das cachoeiras, como a Lagoa Azul, com suas águas cristalinas e bem limpas que deságuam na represa de Furnas. É a mais procurada, dentre tantas cachoeiras.       Fica às margens da MG 050. É da Lagoa Azul que partem as escunas para navegar pelos cânions e lago. (na foto ao lado do Marcelo Santos)
     Têm ainda a Trilha do Sol e as quedas do Grito e do Poço Dourado, passeios imperdíveis. Quem gosta de uma boa caminhada, pode subir até o Morro do Chapéu, a 1293 metros de altura, próximo ao km 312 da MG 050. 
     A vista dos cânions e municípios em redor é espetacular (na foto acima do Douglas Arouca). Ao subir até o morro, recomenda-se atenção para quem chegar ao topo do mirante, já que não existe grade e nem cerca de proteção. É bom tomar cuidado com as selfies.
     Para aproveitar mais a natureza, o turista pode tem como opção conhecer a Serra da Canastra, já que há vários acessos ao Parque Nacional da Serra da Canastra.(foto acima de Douglas Arouca) Na cidade existem várias pessoas que levam os visitantes a Serra da Canastra em 4x4. 
     Outra dica é experimentar a excelente culinária local, principalmente os pratos feitos com peixes de água doce, como tilápia e traíra (na foto acima da Aline Marques do Cantinho de Minas), além do tradicional frango caipira. A culinária de Capitólio é deliciosa, e claro, bem mineira, afinal de contas, Capitólio tem mar, mas está em Minas. 
     Além das belezas naturais, Capitólio é uma bela cidade. Um dos atrativos urbanos é sua praia artificial, banhada pelo Rio Piumhi (na foto acima de Deocleciano Mundim). Bem estruturada e bem cuidada, contando ainda com banheiros públicos, barracão para festas, palco para shows, duas quadras poliesportivas, uma quadra coberta, além de restaurantes, bares e lanchonetes próximos. (Por Arnaldo Silva)
COMO CHEGAR
Partindo de Belo Horizonte pela BR-381, Fernão Dias, siga por 23 quilômetros. Pela BR-262, siga por 20 quilômetros. MG-050, siga por 280 quilômetros. MG-837, Azarias J. Lemos, siga por 820 metros.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Jabuticaba de Sabará ganha Selo de Origem

Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte é reconhecida como a terra da jabuticaba no Brasil. A árvore é cultivada em mais de 15 mil domicílios da cidade. A fruta é tão importante que desde 1987 é realizado o Festival da Jabuticaba, geralmente no final de novembro e inicio de dezembro. É um dos mais importantes eventos do calendário gastronômico de Minas Gerais com a presença milhares de turistas vindos de várias partes de Minas e do Brasil, atraídos pelas delicias oriundas da fruta, produzidos em Sabará. 
O festival explora a fruta e o visitante tem à mostra, todos os derivados da jabuticaba, bem como o artesanato local, que é exposto nos dias do festival, bem como a opção de conhecer os vários pontos da cidade. Sabará é uma das mais antigas cidades históricas de Minas Gerais, guardando tesouros da arte barroca mineira dos séculos 18 e 19, como obras do Mestre Aleijadinho, que morou na cidade e do Mestre Ataíde.
 Cuidar de jabuticaba, transformá-la em sucos, vinhos, licores, geleias, molhos, cascas cristalizadas, sorvetes, mostarda de jabuticaba, etc., é uma arte. A arte da culinária, uma vocação mineira. Por isso, quem trabalha com a jabuticaba em Sabará é chamado de artesão ou artesã. São artistas na arte da culinária com jabuticaba. São 14 derivados da jabuticaba produzidos no município. A Prefeitura incentiva, doando mudas e oferecendo descontos para quem tem pés de jabuticabas em seus quintais. 
Com o objetivo de fortalecer os pequenos negócios locais e valorizar a gastronomia local um grupo de artesãs ligadas Associação dos produtores de Derivados de Jabuticaba de Sabará (Asprodejas), requereu junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) o reconhecimento de Sabará como a legítima produtora de cinco derivados da jabuticaba: geleia, compota, licor, casca de jabuticaba cristalizada e molho de jabuticaba. O pedido foi aceito em 2018 pelo INPI e os cinco produtos citados, oriundos da jabuticaba, agora tem o selo Identidade Geográfica (IG) de Indicação de Procedência. Os produtos derivados da jabuticaba em Sabará agora fazem parte do mapa de Identidade Geográfica do IBGE.
O objetivo desse selo é reconhecer a origem de um produto característico de um determinado local, atribuir reputação, originalidade e identidade própria, ou seja, o nome está restrito ao detentor do selo de Indicação de Procedência e ao município de origem. No caso de Sabará, o nome “jabuticaba de Sabará” é restrito aos produtores e prestadores de serviço da região. Isso evita que outras pessoas tentem vender os itens com o mesmo nome em outras localidades e sem pertencerem à cidade.
O Selo de Identidade de Procedência fortalece os produtores artesanais de Sabará, além de favorecer maior divulgação dos produtos locais, atraindo mais turistas para a cidade e mais clientes, abrindo mais mercados em Minas Gerais e em estados brasileiros, aumentando assim a renda, a geração de empregos e arrecadação do município.

Os produtos com Identificação Geográfica em Minas Gerais
Atualmente no Brasil são 62 produtos que tem o registro de Indicação Geográfica reconhecidos pelo Instituto Nacional de Propriedade. Minas Gerais tem 10, desses 62 produtos que são: o café do Cerrado Mineiro, o café da região da Serra da Mantiqueira, o queijo Minas Artesanal do Serro, o artesanato em estanho de São João Del Rei MG, o queijo Canastra, a cachaça de Salinas MG, o biscoito de São Tiago, a própolis verde de uma região que abrange 102 municípios mineiros e agora os derivados da jabuticaba de Sabará MG.(Texto e fotografias de Arnaldo Silva)

Jequitinhonha e as bonecas do Vale

Há tempo atrás, quando se falava em Vale do Jequitinhonha, se falava somente em pobreza e seca. A região continua ainda com índices altos de pobreza, falta de saneamento básico e principalmente, falta de empregos, mas a realidade vem mudando ao longo do início desse século. Quem conhece o Vale sabe disso, quem não conhece, fica na antiga visão do século passado. É essa nova realidade do Vale que vamos mostrar nessa matéria. (na foto acima, da Márcia Porto, bonecas do Vale em loja da rodoviária de Araçuaí MG)
     O Vale é o Brasil dentro do Brasil, com seus contrastes e realidades diferentes. Mas o que fez o Vale do Jequitinhonha mudar? Foi o artesanato em barro, principalmente as bonecas, hoje considerado um dos maiores expoentes do artesanato brasileiro. Boa parte desse artesanato é feitos em Turmalina, Minas Novas, Araçuaí, Itinga, Itaobim, Caraí e Ponto dos Volantes, os municípios de maior concentração de artesãs e artesãos.       
     Desde dezembro de 2018, o artesanato do Vale do Jequitinhonha é oficialmente Patrimônio Imaterial de Minas Gerais, reconhecido pelo Iepha.   
     Nas dificuldades da vida, a gente se transforma e se recria. Até meados do século passado, a dura vida no sertão do Jequitinhonha e a falta de empregos obrigavam os pais de famílias a deixarem suas casas em busca de trabalhos temporários, como na colheita de café no Sul de Minas ou no corte de cana no interior de São Paulo. Alguns voltavam para buscar suas famílias, mas a maioria voltava quando acabava a colheita.  
     Quando os homens iam para outra região trabalhar, as mulheres ficavam em casa, cuidando dos filhos e sentiam a necessidade de fazerem algo para ajudarem os maridos e darem uma vida melhor a seus filhos. A solução encontrada já existia, o artesanato feito com a terra seca do Vale.
     A arte em barro do Jequitinhonha é bem antiga, existe desde o início do povoamento da região. O conhecimento da arte em transformar barro em peças artísticas foi passado de geração em geração.(na foto ao lado, do Thelmo Lins, a tradicional arte de boneca de barro da Dona Isabel, de Santana do Araçuai) Faziam peças utilitárias como potes, vasilhas, panelas e trocavam por alimentos nas feiras da região. A partir da década de 1970, passaram a fazer outras obras com o barro, como, animais, pessoas e principalmente, bonecas. Com o passar do tempo perceberam que esse trabalho era bastante reconhecido pela beleza e qualidade. 
   Com isso buscaram aprimorar a técnica, para que sua arte se expandisse para outras regiões. Sonharam alto, queriam que a arte do Vale do Jequitinhonha fosse reconhecida não somente em Minas, mas no Brasil e também em todo mundo. E conseguiram.(na foto abaixo, do Thelmo Lins, a tradicional arte de boneca de barro da Dona Isabel, de Santana do Araçuai)  
     Transformar barro em arte vem do talento e criatividade das artesãs e artesãos que buscam através de pesquisas, criar suas próprias técnicas de fazer o artesanato em barro e cerâmica, com base nos seus conhecimentos e sem deixar de seguir a tradição. Isso porque na região são encontrados diversos tipos de tonalidades de barro e com o conhecimento das artesãs e artesãos, cada um vai buscando aprimoramentos em suas obras, usando pigmentos e tonalidades de barros diferentes, bem como as tintas usadas nas pinturas das peças, após o processo de queima. Assim sai uma arte inigualável e única.     
     A arte do Jequitinhonha retrata de forma simples da vida do povo do Vale.  O barro reflete a vida e o sentimento do povo do Jequitinhonha. Os artesãos e artesãs do Vale colocam suas vidas na sua arte. Por isso o artesanato impressiona. 
     As mulheres do Jequitinhonha, antes conhecidas como “Viúvas de Marido-Vivo” ou “Viúvas da Seca”, são agora reconhecidas como “Artesãs do Vale”. Como a situação melhorou um pouco, boa parte dos maridos não saem mais da região para trabalhar, ficam em suas cidades, ajudando as esposas na produção das bonecas. (na foto abaixo, do Thelmo Lins, a tradicional arte de boneca de barro da Dona Isabel, de Santana do Araçuai)
      A arte de barro do Jequitinhonha vem mudando completamente a vida das famílias e atraindo turistas para a região, que não se contentam em comprar as bonecas nas feiras e lojas do Brasil. Querem conhecer a região, as cidades com suas histórias e toda a beleza natural do Vale.
    No Vale tem cidades maravilhosas e históricas como Minas Novas, Pedra Azul, Chapada do Norte e cidades de belezas sem igual como Almenara, Araçuaí, Santa Maria do Salto, Turmalina, dentre outras tantas.  
     Da terra seca do Vale, não brota flores. Brota a arte que encanta o Brasil e o mundo. Essa arte está mudando a forma com que o Jequitinhonha é visto hoje. Antes o Jequitinhonha era somente a região mais pobre do Brasil. Tem muito ainda que melhorar, mas melhorou um pouco e hoje falar do Jequitinhonha é falar da região do mais rico, único e genuíno artesanato do mundo. 
     As bonecas do Vale do Jequitinhonha são únicas no mundo. Não tem igual. É um dos tesouros de Minas. O Vale do Jequi é a nossa riqueza cultural. (Por Arnaldo Silva)

terça-feira, 3 de setembro de 2019

As principais identidades mineiras

Onde o mineiro estiver ele carrega consigo as nossas identidades. Seja no jeito de falar, de e expressar ou nos gostos, principalmente, culinários. Em termos de comida, o mineiro é exigente. (na foto abaixo, de Glauco Umbelino, casa do "Seu" Zico Xisto aos pés da Serra da Canastra em Vargem Bonita MG)
O mineiro sabe perfeitamente identificar um queijo mineiro de verdade. Se o pão de queijo não é de Minas Gerais, só de olhar ele já sabe. Nem precisa experimentar. Se a comida é mineira  é realmente mineira, feita de acordo com as tradições culinárias de Minas, ele percebe facilmente. Isso se chama identidade com Minas Gerais, coisa que só mineiro entende. Está na alma mineira.  
Quem é mineiro é facilmente identificado por essas identidades.
Uai
Dificilmente mineiro não fala Uai, mesmo o mais erudito dos mineiros, vez ou outra deixa escapar um uai. Isso porque o Uai está na nossa raiz, na nossa origem, no nosso mineirês desde o século 19. Uai é nossa identidade. Mineiro que se preze e valoriza suas origens, fala uai com muito orgulho.
Trem 
Em Minas trem é tudo e tudo é um trem, mas um trem não é necessariamente, um trem. Pode ser uma comida, uma rua, uma casa, uma roupa, uma árvore, um ônibus, um carro, um avião, um computador... Em Minas a palavra trem significa tudo que o mineiro gosta, não gosta ou não sabe bem o que é. (foto acima de César Reis)
Queijo 
Queijo corre nas veias do mineiro desde o século 18. É tradição mineira fazer queijo. Seja fresco o curado, no café ou no preparo das quitandas, mineiro, Minas e queijo tem tudo a ver. (foto do Queijo Roça da Cidade de São Roque de Minas/Divulgação)
Pão de Queijo
Do queijo surgiu uma das mais deliciosas quitandas do mundo. O nosso pão de queijo. Mineiro nunca fala “pão de queijo mineiro” porque o pão de queijo é mineiro. Se existe outro tipo de pão de queijo sem ser o mineiro, é cópia mal feita. O mundo todo sabe que pão de queijo é de Minas Gerais, a mais fina identidade mineira, tão importante quanto nosso uai. Falou em Minas, vem logo à mente, pão de queijo. (Foto acima de Regina´s Farm/Fazendinha da Regina) 
Biscoito de queijo
Só perde para o pão de queijo em termos de tradição e identidade mineira. Qual mineiro não gosta de biscoito? O preferido e tradicional é sem dúvida o biscoito de queijo. Com café coado à beira do fogão, num coador de pano... Hum... nem se fala. 
Fogão a lenha
No interior mineiro o fogão a lenha ainda está presente nas cozinhas, como há séculos. Dizem que não existe unanimidade, mas em se tratando de fogão a lenha, com certeza, todos afirmam que a comida tem um sabor diferente da feita no fogão a gás. É sem dúvida, a comida mais gostosa. Essa é a única unanimidade que eu conheço. Ainda mais aquela comida feita em panelas de ferro ou de pedra sabão. A figura do mineiro proseando a beira de um fogão a lenha é real, tradicional e comum até os dias de hoje no nosso interior, seja na zona rural ou na cidade. Na minha casa na cidade, tenho fogão a lenha e forno de barro.
Forno de barro
Por falar em forno de barro, esse não falta nos quintais dos sítios e fazendas de Minas. Na cidade também. Para assar broas, pão de queijo, biscoitos, roscas e rosquinhas são os preferidos. Junto com o fogão a lenha, é nossa identidade gastronômica, valoriza nossa rica culinária e nosso jeito mineiro de ser. (foto acima de Nilza Leonel)
Namoradeira de janela
Nos tempos antigos as moças mineiras que queriam se casar, não saiam para as ruas ou bailes para procurar pretendentes. Era tradição ficar encostada nas janelas de suas casas a espera de um bom pretendente. Se o rapaz se interessasse pela moça, procurava o pai e pedia a dama em namoro. A arte replicou essa tradição do século 19 em Minas, criando as famosas namoradeiras de janela, hoje decorando janelas de boa parte das casas mineiras. (foto acima de Sônia Fraga em Ouro Preto MG)
Panelas em pedra sabão
Pedra sabão é uma rocha abundante em Minas, principalmente na região do quadrilátero ferrífero, onde está Ouro Preto e Ouro Branco, onde se concentra boa parte das rochas de pedra sabão no Brasil. Além do artesanato variado que a pedra sabão origina, as panelas feitas com a rocha estão presentes nas cozinhas mineiras desde os tempos do Brasil Colônia. São panelas maravilhosas, perfeitas para o cozimento e o sabor da comida é outra coisa. Deliciosa mesmo. (foto acima do Chico do Vale)
Oratório
Antigamente existiam muitas comunidades rurais e os padres tinham dificuldades em dar atenção a todos. A fé e religiosidade do povo mineiro sempre foram fortes e mesmo na ausência da Igreja em suas comunidades, não deixavam de manifestar sua fé. Assim surgiram as rezas semanais do terço, cada semana numa casa diferente, onde todos da comunidade compareciam, já que não tinha como ter missa todos os domingos. Em cada casa tinha um pequeno oratório, onde as famílias rezavam. A prática de ter um oratório em casa existe até os dias de hoje. Faz parte das tradições mineiras e demonstração de fé do nosso povo. A simplicidade da fé e religiosidade do mineiro é uma forte identidade mineira. (foto acima de Ane Souz no Museu do Oratório de Ouro Preto MG)
Carne na lata 
Conservar a carne do porco na banha é uma prática existente em Minas desde o final do século XVII. Com a chegada dos bandeirantes ao território mineiro, em busca de ouro, surgiu a necessidade de armazenar alimentos, já que o território era imenso e as viagens longas. Assim surgiu a carne na lata, presente até os dias de hoje em nossas mesas, não por falta de geladeira para conservar as carnes, mas porque é uma das nossas identidades e a carne armazenada na lata na banha é muito saborosa. (fotografia acima de Lourdinha Vieira)
Outro costume que hoje quase ninguém se lembra, era a forma de gelar cerveja no século passado. No interior mal tinha energia elétrica naqueles tempos, quem dera geladeira. Mas tinham quem não dispensava uma cervejinha de vez em quando. A forma de mantê-la fria era bem simples. Pegavam as garrafas e as enterravam nos bancos de areia às margens dos rios e ribeirões. Assim elas ficavam frias e dependendo da época, como no inverno, bem geladas. Interessante não? 
Sino
Mais de 70% do patrimônio histórico nacional está em Minas Gerais, principalmente igrejas. São milhares de igrejas por todo o estado. As igrejas mais antigas têm duas torres, cada uma com um campanário para sino. As mais modernas, uma torre apenas. Isso fez com que nosso estado fosse considerado a terra dos sinos. Tocar sino é uma arte. O sineiro é um artista que entende e muito de música. O badalar dos sinos é Identidade mineira e a profissão de sineiro, valorizada e reconhecida. Tanto é que o badalar dos sinos em Minas é Patrimônio Imaterial do Estado, reconhecido pelo Iepha. (foto de César Reis em Tiradentes MG)
Queijo com goiabada 
Há mais de 200 anos que queijo com goiabada faz parte da nossa identidade. Nossa mais importante sobremesa. A partir da década de 1960 o Brasil e o mundo passaram a conhecer melhor nossa sobremesa e foi só provarem para coloca-la no cardápio. Hoje está presente em todos os cantos do mundo. Há mais de 200 anos que nós mineiros sabemos disso. O melhor queijo do Brasil com a goiabada mineira é fenomenal. É a cara de Minas! (Foto acima do Marino Júnior)
Tacho de Cobre
A cena de fazer doces nos tachos de cobres é comum até os dias de hoje nas cozinhas das fazendas e até em casas na cidade mineiras. Sabe por que a preferência do mineiro pelo tacho de cobre? Porque ele preserva a cor original da fruta. Ou seja, o doce de mamão fica verdinho, de laranja da terra, amarelo. O doce de limão fica da cor do limão. O doce de figo (na foto acima de Lourdinha Vieira) fica da mesma cor quando os frutos foram colhidos. Por isso que nossos doces são feitos no tacho de cobre, que além de manter a cor original, preserva o sabor original das frutas também. Não são a toa que nossos doces sempre foram considerados os melhores. Pronto, contei nosso segredo.
Mancebo e coador de pano
Mancebo é uma armação maior em madeira ou ferro que sustenta o coador. Nesse caso, o bule é grande e o coador também. Isso porque as famílias antigamente eram numerosas. Para as famílias pequenas existe a mariquinha, que é mesma coisa do mancebo, mas só que bem menor, com um pequeno coador e uma caneca esmaltada, no lugar do bule. Seja num mancebo ou numa mariquinha, coar café no coador de pano é identidade de nosso povo do interior, desde os tempos antigos até os dias de hoje. Em minha casa, na cidade, o café é coado num coador de pano sobre esse mancebo que vê ai na foto. Sou mineiro, uai!
Esmaltados
Bule, chaleira e principalmente canecas esmaltadas não faltavam nas casas mineiras. Era um luxo só! Estavam presentes nos currais para tomar leite ao pé da vaca, no bule, para tomar aquele cafezinho feito na hora. Mesmo hoje com tanta coisa nova, os esmaltados não saíram de moda e continua sendo sonho de consumo e luxo nas casas mineiras, usadas até como enfeites. É uma identidade mineira que realça a beleza da nossa cozinha. (foto acima de Chico do Vale)
Viola Caipira
A viola faz parte da alma mineira, é uma das nossas identidades culturais, presente em Minas desde os tempos do Brasil Colônia. Presente na vida das famílias mineiras seja no campo ou na cidade. Uma cena comum e tradicional são as rodas de viola á beira de uma fogueira, entoando canções que retratam a vida do povo do interior. Na cidade, era instrumento imprescindível nas românticas serestas ao luar. Viola é tão importante para Minas que foi reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de Minas. Viola é a alma musical do mineiro.
Doce de leite
Minas sempre foi destaque na produção de leite no Brasil. Atualmente é o maior produtor e claro, produz o melhor doce de leite. Ainda estamos numa briga danada com os argentinos, sobre quem inventou o doce de leite. Nós mineiros ou os Hermanos. Eu tenho certeza que fomos nós, isso faz tempo, desde o século 18 o doce de leite existe em Minas. Mas deixa essa briga pra lá, o importante é que doce de leite é uma das mais antigas e fortes tradições da nossa culinária. Saiu das senzalas das fazendas mineiras para nossa mesa. Doce mineiro é o melhor do Brasil, sem dúvida e combina perfeitamente com o nosso queijo Minas. Mineiro sentado numa mesa com queijo e aquele docindileite, tudo a ver.
Panela de Ferro
 Além da panela em pedra sabão, outra panela é uma de nossas identidades. É a panela de ferro fundido. No final do século 19 e início do século 20, os famosos caldeirões de ferro já dominavam as cozinhas mineiras. Era raro não serem encontradas nas cozinhas das casas na cidade e das fazendas. As panelas são resistentes, duram décadas e muitas delas passam de geração a geração. Em Minas tem famílias que tem essas panelas e caldeirões com mais de 150 anos de uso. Uma cozinha mineira sem panela de pedra sabão e de ferro, não é cozinha mineira. Elas dão mais sabor à nossa rica gastronomia e nos identificam.
Festa do Reinado
As cores vivas dos estandartes e das roupas coloridas dos reinadeiros revelam a mais pura identidade religiosa mineira, já incorporada à vida do nosso povo (na foto acima em Bom Despacho MG). As comemorações em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, que começa em julho e se estende até outubro, por todas as cidades mineiras, teve origem no século 18, com o escravo Chico Rei, em Ouro Preto. Antes uma festa de origem negra, hoje é festa de todo o povo mineiro, expandida para outros estados brasileiros. As congadas com seus cortes são uma das mais belas manifestações folclóricas e religiosas de Minas. Uma das mais fortes identidades mineiras.
Goiabada Cascão
Uma das mais gostosas identidades mineiras. A receita saiu das senzalas para nossa mesa. Eles faziam o doce cremoso de goiaba normal, com a polpa da, para os senhores. E nas cozinhas das senzalas, eles aproveitavam a casca inteira e a polpa e fazia para si o doce que chamavam de goiabada. Pela grande quantidade de cascas grandes da fruta que ficavam à mostra no doce, acrescentaram a palavra cascão. Assim ficou, goiabada cascão, mais apreciada que o doce comum de goiaba. Quer conhecer a original e única goiabada cascão? Conheça São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto MG (na foto acima, Dona Doquinha, uma das mais antigas doceiras de São Bartolomeu, batendo a goiabada cascão no tacho). Lá é a terra desse doce. Experimenta a Cascão com doce de leite mineiro e queijo Minas. É divino. Mineiro tem bom gosto não é?
Licor
A bebida é de origem europeia, veio para Minas Gerais com os portugueses no período do Ciclo do Ouro. Com a grande quantidade de frutas que existe no Brasil, a bebida logo caiu no nosso gosto, passando a estar presente em todas as casas mineiras. Nas salas, as visitas eram recebidas com licor, um sinal de amizade e descontração. Até os dias de hoje é assim. Licor faz parte da nossa identidade e pelo talento que o mineiro tem para criar receitas, foi até aprimorado. Além do licor de frutas tropicais, temos hoje licor de chocolate, café e outros sabores.
Bolo de fubá assado na brasa
Num tempo em que não existia trigo no Brasil, no início da colonização, o fubá e o polvilho eram o ingredientes para tudo. Do fubá surgiram várias receitas tradicionais mineiras, como as broas e o bolo de fubá na brasa. Além do trigo, não existia fermento, mas existia bicarbonato e fogão a lenha. Não tinha forno de barro ainda não. A criatividade mineira se sobressaiu. A massa era feita, colocada numa panela de ferro e ia para o fogão em brasa. Por cima colocavam uma chapa de ferro e brasa ardente. Quem já experimentou bolo assim sabe o quanto é saboroso. E o cheiro exala pela casa toda e fica guardado em nossa memória aquele cheirinho bom. Bolo assado na brasa é uma identidade mineira marcante, pela delícia que é.
Carro de bois
 Antigamente, carro de bois era um trem que servia pra tudo. Era carro funerário, transportava mercadorias, servia de lotação e nas fazendas, era pau pra toda obra. O ouro de Minas ia para o porto de Paraty em carros de bois. Com o surgimento da indústria automobilística, foram com tempo caindo em desuso, se restringindo a poucas atividades nas fazendas. Mas é uma das mais nostálgicas identidades mineiras, tanto é que todos os anos, praticamente em toda Minas, as carreadas de carros de bois estão presentes. (foto acima de Wilson Fortunato)
Café no coador de pano
E por fim, termino com café porque é minha bebida café. Minas sozinha lidera a produção de café no Brasil com a qualidade dos grãos reconhecida internacionalmente, com várias premiações nos principais concurso internacionais de café. (foto acima de Chico do Vale) A bebida desde o século 18, quando os primeiros grãos de café foram plantados na Zona da Mata Mineira, virou tradição. É uma bebida imprescindível no dia a dia do mineiro. Mesmo antigamente, indo pra roça trabalhar, o mineiro levava seu cafezinho numa cabaça. Hoje leva na garrafa térmica. Tem uma história que diz que entre paciência e café, o mineiro prefere a paciência porque se der café a ele, com certeza, vai tomar tudo, de tanto que adora café.(por Arnaldo Silva)