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quarta-feira, 21 de março de 2018

15 encantadoras cidades turísticas mineiras

(Por Arnaldo Silva) O turismo em Minas Gerais não se resume apenas às cidades históricas e estâncias hidrominerais. São 853 municípios mineiros e os mais famosos estão no Sul de Minas, no Circuito das Águas e na Região do Ciclo do Ouro, onde estão as cidades históricas. Mas por todo o Estado, temos cidades encantadoras, de grande potencial turísticos, muitas delas pacatas, singelas e charmosas cidades que encantam os visitantes, seja pela sua gastronomia, pela arquitetura ou pelas suas belas paisagens. 
          Conheça Minas mostra pra você 15 dessas cidades. Uma delas é essa ai da foto acima, Santa Maria do Salto, no Vale do Jequitinhonha, enviada por Márcia Porto. Conheça lindas, importantes e charmosas cidades mineiras que talvez você nem imaginava que são turísticas.
01 - Santa Maria do Salto
          Santa Maria do Salto é uma bela e pacata cidade do Vale do Jequitinhonha, com pouco mais de 5 mil habitantes.  Faz divisa com os municípios de Jacinto, Salto da Divisa, Santo Antônio do Jacinto e Itagimirim (BA). Está distante 827 km de Belo Horizonte. Córregos, pequenos riachos, cachoeiras, belas paisagens com enormes afloramentos rochosos, fazem o diferencial da paisagem. Numa dessas montanhas de pedra está a cidade e sua bela praça da Matriz. (imagem acima de Davi Porto, enviada por Márcia Porto)
02 - Itapecerica
          Fundada em 1789, é uma cidade histórica mineira com cerca de 25 mil habitantes. Fica na Região Centro Oeste de Minas, distante 180 km de Belo Horizonte. (foto acima de Thelmo Lins) Faz divisa com os municípios de Camacho, Carmo da Mata, Cláudio, Formiga, Pedra do Indaiá, São Francisco de Paula, São Sebastião do Oeste. Dos tempos do Brasil Colônia, Itapecerica casarões e igrejas, destacando-se: Igreja de São Francisco da Ordem Terceira de Santo Antônio (1801), Igreja de Nossa Senhora do Rosário (1819), Igreja de Nossa Senhora das Mercês (1862), Casarão da Cooperativa (1905), Igreja Matriz de São Bento (1912), Casarão da Mita (1910-1915), Praça Melo Vianna (1936).
          A cidade apresenta ainda importantes manifestações culturais, como o Festival de Inverno que ocorre no final de julho tendo como palco a Igreja da Matriz, reunindo apresentações de dança, teatro, arte e música de artistas locais e renomados, mobilizando a cidade e atraindo turistas da região e o Festival Gastronômico Rural que ocorre geralmente no feriado de Corpus Christi, reunindo o melhor do cardápio local, destacando a simplicidade da comida mineira do interior.
Duas fazendas no município atraem atenção de turistas. A fazenda Capetinga e a fazenda Palestina.
03 - Estrela do Sul
          Localizado a 520 km de Belo Horizonte, Estrela do Sul é única cidade histórica do Triângulo Mineiro. São cerca 8 mil habitantes atualmente no município. (foto acima de Thelmo Lins)  Faz divisa com os municípios de Monte Carmelo, Grupiara, Cascalho Rico, Araguari, Indianópolis, Nova Ponte e Romaria.habitantes.Fundada em 1854 em 1854 com a denominação de Diamantino da Bagagem e subordinado ao município de Patrocínio, tornou-se vila com a denominação de Bagagem em 1856 e recebeu status de cidade em 1861. A partir de 1901 recebeu a sua denominação atual em homenagem ao diamante Estrela do Sul encontrado nessa região. 
          A descoberta de diamantes na região no século XIX, atraiu para a pequena cidade na época, centenas de pessoas, entre elas Ana Jacinta de São José, a Dona Beja, que na meia idade, mudou-se de Araxá para Estrela do Sul, onde fixou moradia e viveu até sua morte, aos 74 anos, deixando sua vasta história de vida e descendentes.
04 - Datas
         Pequena e aconchegante, Datas é uma cidade que resguarda lindas e deliciosas cachoeiras de águas geladas e cristalinas. Localizado a aproximadamente 272 km da capital mineira, no Vale do Jequitinhonha e sua população é aproximadamente de 7 mil habitantes. Faz divisa com os municípios de Diamantina, Serro, Presidente Kubitschek, Conceição do Mato Dentro e Gouveia.
          A cidade possui belas construções históricas como a majestosa Igreja do Divino, que é datada em 1870. A Lapa Pintada é um grande ponto turístico da cidade, por abrigar pinturas em pedras que ficam próximas a pequenos poços de água. A Praça do Divino Espírito Santo (na foto acima de Anderson Sá) é em homenagem ao santo padroeiro da cidade, que recebe todos os anos uma animada festa em seu tributo, a qual pode ser considerada uma das mais fortes manifestações culturais da cidade.
05 - Caldas  
         Caldas é uma das mais antigas cidades de Minas e um dos maiores municípios em extensão. Tem menos de 15 mil habitantes e fica no Sul de Minas. Vizinha às cidades de Poços de Caldas, Ibitiúra de Minas, Santa Rita de Caldas, Campestre e Bandeira do Sul. (na foto acima do Guilherme Augusto/@mikethor, paisagem natural de Caldas)
          Caldas é uma cidade cidade acolhedora, de ótimo clima, com um casario bem conservado e belezas arquitetônicas que chamam a atenção, principalmente de sua igreja Matriz. (na foto abaixo de Fernando Campanella)
         Possui diversas cachoeiras, trilhas e áreas verdes; águas minerais, destacando-se a do Balneário de Pocinhos do Rio Verde.
         As águas minerais de Caldas são indicadas para tratamentos medicinais, concentradas no distrito de Pocinhos do Rio Verde. Tem uma ótima e eficiente rede hoteleira, muito bem equipados e preparados para receber visitantes que muitas vezes, vem de outros estados e do exterior. 
          Em áreas como a Pedra Branca, de altitude de mais de 1.700 metros, pode-se praticar o ecoturismo. No distrito de Pocinhos do Rio Verde, assim como na cidade de Caldas encontramos hotéis, balneários, chalés, pousadas, vinhedos, prédios de antigas vinícolas (alguns transformados em bistrôs) para atender os turistas que além de diversão, procuram as famosas guloseimas mineiras que é uma das tradições do município.
          É uma cidade turística, com vários eventos anuais como a Festa da Uva já que Caldas é um dos maiores produtores da no Estado. Tem o Arraial de Caldas que acontece sempre no feriado de Corpus Christi. A ocasião reúne a tradicional comida mineira, além de doces, biscoitos e vinhos produzidos no local. Em junho julho acontece os festejos Juninos com tudo que a festa tem direito, principalmente com a nossa culinária e a famosa Festa do Biscoito que movimenta a cidade em todo o mês de julho. 
          A Festa do Biscoito acontece todos os fins de semana, durante todo o mês de julho em Pocinhos do Rio Verde Biscoito é um Patrimônio Imaterial do Município e há mais de duas décadas a Festa do Biscoito atrai mineiros, cariocas e paulistas, que vêm saborear as delícias exclusivas do período do evento como biscoitos fritos recheados e outras inovações, além de conhecer o artesanato local, ver os mestres biscoiteiros em ação e participar dos diversos shows musicais durante o evento.            
06 - Pimenta
          Pimenta é uma bela cidade banhada pelo Lago de Furnas. Fica na região Oeste de Minas a 235 km de Belo Horizonte. O município faz divisa com Guapé, Piumhi, Pains e Formiga. Pimenta tem cerca de 9 mil moradores.  Seu ponto de turismo principal é a Estância de Furnas e uma famosa pousada visitada por turistas de todo o Brasil. (foto acima de Aender Mendes)
08 - Lagoa Dourada
          Cidade histórica do Campo das Vertentes, com cerca de 15 mil habitantes é cortada pela Estrada Real em seu perímetro urbano. Faz divisa com os municípios de Carandaí, Casa Grande, Entre Rios de Minas, Resende Costa, Coronel Xavier Chaves e Prados. Está a 1080 metros de altitude e 146 km de Belo Horizonte.(foto acima de Marcelo Melo) Além de seu casario e igrejas históricas, a cidade se destaca no Brasil pelo seu famoso Rocambole encontrado praticamente em todo o canto da cidade. É a melhor especialidade da gastronomia local. Legítimo rocambole, é o de Lagoa Dourada.
08 - Cambuquira
          Cambuquira tem cerca de 15 ml habitantes. (foto acima de Thelmo Lins) O município está no Sul de Minas e  faz divisa com  Três Corações, Campanha, Lambari, Conceição do Rio Verde e Jesuânia Faz parte do Circuito das Águas de Minas Gerais.
          Cambuquira foi uma das primeiras cidades projetadas do estado, com ruas largas, calçadas amplas e arborização selecionada - na primavera, as flores de centenas de árvores de magnólia perfumam a atmosfera da cidade e são uma atração à parte. As principais atrações da cidade são: o Parque das Águas, com seis fontes de água mineral (ferruginosa, alcalina, magnesiana, sulfurosa, gasosa e com lítio); as fontes do Marimbeiro e do Laranjal (nas cercanias da cidade); e o Pico do Piripau, a 1 300 metros de altitude, de onde decolam pilotos de parapente e asa-delta. Além de 2 cachoeiras na zona rural. 
09 - Vargem Bonita
          A charmosa e atraente cidade de Vargem Bonita, no Oeste de Minas, conta com 3 mil moradores. (foto acima de Luis Leite) Faz divisa com os municípios de São Roque de Minas, São João Batista do Glória, Piumhi e Capitólio.
          É a primeira cidade banhada pelo Rio São Francisco, que nasce na vizinha São Roque de Minas e o principal acesso para a cachoeira da Cascadanta, o local mais visitado do Parque da Serra da Canastra. 
          De Vargem Bonita pode-se observar o enorme maciço de pedra formando uma caixa, que antigamente era chamada de canastra. Essa pedra deu origem ao nome do local, Serra da Canastra. 
          A cidade é calma, tranquila e bem pacata e seu povo muito gentil, hospitaleiro e bastante atenciosos para com os visitantes. Conta com várias opções de hospedagem e tem um artesanato atrativo, exposto numa loja bem no centro da cidade. Seu povo tem o dom da cozinha. Se destacam na produção artesanal, principalmente do Queijo Canastra e doces caseiros. As águas do Rio São Francisco, no município são rasas, calmas e cristalinas. Um convite para o sossego.
10 - Santa Rita do Jacutinga
          Santa Rita de Jacutinga, com cerca de 5 mil moradores  se destaca no turismo rural, havendo diversas pousadas com excelentes condições hospedagem, trilhas, cachoeiras e riachos que possibilitam desde descansos até a prática de esportes radicais, como rapel e rafting. (na foto acima do André Duarte, vista parcial da cidade e abaixo, a rodoviária)
          Ainda há alguns atrativos turísticos de valor cultural ou histórico, como suas fazendas construídas no século XVIII, que remontam ao tempo da escravidão e dos barões do café. Tem ainda na cidade belas praças, casarões, igreja magníficas, restaurantes com culinária típica mineira, produção artesanal de doces, etc, além de um valioso e rico artesanato.
11 - Oliveira          Oliveira, no Oeste de Minas (foto acima do Jad Vilela), tem quase 200 anos de existência. Conta atualmente com cerca de 45 mil habitantes. Distante 150 km de Belo Horizonte, faz divisa com os municípios de Carmo da Mata, Carmópolis de Minas, Passa Tempo, São Tiago, Bom Sucesso, Santo Antônio do Amparo, São Francisco de Paula e Resende Costa. Sua origem data do século XVIII, sendo reconhecida como cidade em 21 de setembro de 1861. É uma cidade com um rico patrimônio histórico como por exemplo a Casa da Cultura Carlos Chagas, as construções do século XIX na parte central da cidade, a  Igreja Matriz antiga no estilo barroco, construída no século XVIII, belas praças com jardins, bons hotéis e restaurantes. Outro ponto turísticos da cidade é estátua do  Cristo Redentor
          Na parte cultural, Oliveira se destaca por ter um dos melhores carnavais de Minas Gerais e preserva há mais de 200 anos as tradições culturais e folclóricas como as festividades da Semana Santa e o Congado,  influenciadas pela formação lusitana, juntamente com a herança indígena e dos povos africanos que vieram para Minas Gerais. 
12 - Morada Nova de Minas
          Banhado pelas águas do lago da barragem de Três Marias, o município de Morada Nova de Minas (na foto acima de Stela Dayrell Moura) fica na Região Central de Minas, distante 280 km de Belo Horizonte, com acesso através das rodovias BR-040 e MG-415. Com cerca de 10 mil habitantes, a cidade chama a atenção por suas paisagens bucólicas.
          Parte integrante do circuito turístico do lago de Três Marias, a cidade atrai visitantes de diferentes localidades por suas festas tradicionais, como a Folia de Reis, as festas juninas, o Festival do Peixe, a Festa do Carro de Boi e os cultos populares - além de ser frequentada por adeptos da pesca esportiva e dos esportes náuticos.
          Outro atrativo de Morada Nova é a culinária tipicamente mineira, destacando os pratos como a costelinha com ora-pro-nobis, frango com quiabo e angu, feijão tropeiro, torresmo com mandioca e a paçoca de carne seca, além dos pratos criados com os peixes do Rio São Francisco. No município ainda tem alambiques, produção artesanal de rapadura, queijos, pamonha, mingau de milho verde e doces diversos. 
13 - Belo Vale
          O município foi criado em 1938 mas o povoamento da região se deu no início do século XVIII, onde ainda estão presentes na arquitetura local casarios históricos, fazendas e construções da época do Brasil Colônia e Imperial. Belo Vale (na foto acima de Evaldo Itor Fernandes) fica a 82 km de Belo Horizonte e tem aproximadamente 10 mil habitantes. Faz divisa com os municípios de divisa Congonhas, Ouro Preto, Moeda, Brumadinho, Bonfim, Piedade dos Gerais, Jeceaba. O município é um dos grandes produtores de Mexerica do Brasil e a Festa da Mexerica, junto com a Festa do Rodeio são as mais importantes atrações anuais da cidade. 
          Belo Vale conta ainda com atrações históricas tanto em seu perímetro urbano quanto rural como a Fazenda Boa Esperança, construída no século XVIII contando com obras do Mestre Ataíde e detalhes arquitetônicos do norte português. Fica a 6 km do centro da cidade e foi nela viveu o Barão de Paraopeba. O Museu do Escravo, (na foto baixo do Evaldo Itor Fernandes) é o mais completo museu do gênero na América Latina 
          Como atrativo histórico, a cidade conta ainda com um trecho da Estrada Real, que ligava Vila Rica(Ouro Preto) à Fazenda Boa Esperança; A Igreja de Santana, fundada em 1735; a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, fundada e, 1760 ; a Igreja de São Gonçalo, fundada em 1764 ; o Forte das Casas Velhas, antiga alfândega e forte militar da época do ciclo do ouro; o Casarão dos Araújo, (sobrado da praça), datado de 1929; o Conjunto Ferroviário, inaugurado em 1917 em estilo inglês e belíssimas cachoeiras como a Cachoeira da Serra, Cachoeira da Boa Esperança, Cachoeira da Usina, Cachoeira do Moinho, Cachoeira do Zé Pinto, Cachoeira do Geraldão, Cachoeira das Lages.
14 - Mesquita
          Mesquita (foto acima de Elvira Nascimento) fica no Vale do Rio Doce e faz parte do colar metropolitano do Vale do Aço, fazendo divisa com os municípios de Açucena, Belo Oriente, Coronel Fabriciano, Ipatinga, Joanésia e Santana do Paraíso. Tem cerca de 6 mil habitantes.
          Mesquita é conhecida tradicionalmente pela Festa de Santo Antônio, realizada todo o mês de junho. O evento reúne milhares de participantes, com a queima da tradicional fogueira de 20 metros de altura. (foto acima da fogueira, de autoria de Sérgio Mourão)
Mesquita possui vários pontos turísticos, dentre eles: Lagoa do Budeca, Cachoeira dos Britos, Cachoeira do Tamanduá e a Torre de TV, que é propicia à prática de voo livre. A pracinha da cidade, situada em seu centro, concentra um considerável movimento noturno, especialmente nos finais de semana, quando as pessoas se reúnem para ouvir música, contar causos e namorar.
15 - Matias Cardoso
          Matias Cardoso com cerca de 12 mil moradores (na foto acima de Manoel Freitas) fica no Norte de Minas, banhada pelo Rio São Francisco. O nome do município é uma homenagem ao bandeirante Matias Cardoso de Almeida, desbravador da região. Na cidade está a Matriz de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, apontada como a igreja mais antiga do estado de Minas Gerais, bem como um belo casario bem preservado na área central. Faz divisa com os municípios de Manga, Itacarambi, Jaíba, Gameleiras, São João das Missões, Malhada (BA) e Iuiú (BA). Distante 683 km de BH.

terça-feira, 20 de março de 2018

Os Valos e os Currais de Pedra

(Arnaldo Silva) Até o início do século XX, cercas de arame e mourões em madeira não existiam, não apenas no Brasil no mundo. Uma ideia tão simples para cercar as divisas de fazendas e currais, demorou a ser "inventada". E quando foi, se popularizou rapidamente. (foto acima de Luis Leite do Curral de Pedra da Serra da Canastra)
          Mas como eram feitos os cercados para animais antigamente? Era pedra sobre pedra.
          Fazer currais e cercados de pedra é prática bem antiga.Essa prática foi introduzida na Europa e chegou ao Brasil, com os grandes proprietários de terras e gados, mandavam fazer currais de pedras em suas propriedades.
          No período Colonial e Imperial brasileiro eles se proliferaram. Eram feitos pelos escravos. Em Minas Gerais existem ainda vários currais e cercados em pedras preservados, bem como no Brasil e América do Sul.(na foto ao lado, do Marlon Arantes, um muro de pedras feito por escravos no Retiro dos Pedros em Aiuruoca MG)
          Em Minas principalmente, as pedras eram facilmente encontradas. o trabalho eram simples, mas pesado, consistia em colocar pedras sobre a outra, com 50 centímetros de diâmetro por um metro de altura.

          Se não existia cerca de arame e nem mourões naquela época, como eram feitas as divisas de fazendas? As fazendas eram enormes, grandes terras concentradas nas mãos de poucos privilegiados do regime Colonial ou Imperial. Eram através dos Valos, que são perfurações feitos no solo, com um metro de largura por 1 de profundidade mais ou menos.
Essa foto, de Arnaldo Silva, mostra um Valo, que dividia duas fazendas em Bom Despacho. Hoje tomado pela vegetação, é um pequeno curso de água.           
          O Valo surgiu em Roma e também era usado na Grécia. O objetivo era abrir fendas em torno dos muros das cidades, castelos e fortificações militares com o objetivo de protegê-las. Os muros eram altos e em cima do muro, eram colocados vidros ou pregos e o Valo era mais uma forma de segurança e proteção.  Em alguns casos, os valos que circundavam as cidades eram enchidos com água e colocados animais,  como crocodilos, com o objetivo de proteger as cidades, castelos e quartéis de invasores.
          Essa ideia foi comumente praticada na Europa e adaptada à América Latina, pelos colonizadores, não com o objetivo de cercar as cidades mas de marcar as divisas entre fazendas. 
          O trabalho era feito por escravos e tão somente na base da enxada, picareta e força dos braços. Centenas de milhares de escravos foram usados para fazer valos nas fazendas brasileiras.
          Esses valos, que dividia as fazendas, com o passar do tempo, deram origem a pequenos cursos de rios, córregos e ribeirões, ou até rios mesmo, devido ser alguns mais largos. Os próprios proprietários das terras, muitas das vezes, mandavam os escravos desviarem cursos de rios para os valos.
          Com o surgimento e avanço da Siderurgia no final do século XIX,começaram a produzir arames, principalmente os farpados. Com isso os valos, perderam sua utilidade. Os que não viraram cursos d´água, foram deixados de lado, sendo tomados por vegetação.

sábado, 17 de março de 2018

Lagoa Dourada: a capital nacional do rocambole

(Por Arnaldo Silva) Lagoa Dourada, cidade do Campo das Vertentes, com cerca de 15 mil habitantes, é conhecida nacionalmente como a terra do legítimo rocambole e ainda, Terra do Jumento Pêga.
          Lagoa Dourada está a 146 km de Belo Horizonte; a 875 km de Brasília; 36 km de São João Del Rei e a 46 km de Tiradentes. O município faz divisa com Carandaí, Casa Grande, Entre Rios de Minas, Resende Costa, Coronel Xavier Chaves e Prados. (na foto acima e abaixo, de Luciana Silva, a Matriz de Santo Antônio)
          Elevada à cidade em 6 de junho de 1912, a história de Lagoa Dourada, começa bem antes, nos primeiros anos século XVIII, quando a região começou a ser povoada, com a chegada da bandeira de Oliveira Leitão. Numa pequena lagoa, encontraram muito ouro, que a lagoa ficava até dourada. Quando se referiam ao local, chamavam de "Alagoa Dourada", pela cor do metal.
          Com a descoberta do ouro na lagoa, foi se formando um pequeno povoado, com o nome Alagoa Dourada. O povoado começou a crescer a partir de 1717, com mais gente chegando, para explorar ouro. (na foto acima da Luciana Silva, o interior a Igreja do Rosário e abaixo, a Igreja do Senhor Bom Jesus)
          Com o crescimento do arraial, uma pequena capela, dedicada a Santo Antônio é erguida, em 1734. Em 1750, o arraial é elevado a Distrito de Paz. Em 1832, o nome Alagoa Dourada, do povoado, é alterado para Lagoa Dourada. Em 1850, a antiga capela, do início do século 18. Por fim, o distrito de Lagoa Dourada, que pertencia a Prados, é desmembrado, em 1911, se tornando cidade emancipada em 6 de junho de 1912, data, oficial de seu aniversário.
          A cidade guarda em sua história e religiosidade, as tradições folclóricas e culturais mineiras, bem como a beleza e riqueza da arquitetura colonial, presente em seus casarões, fazendas e igrejas. (fotografia acima de Marcelo Melo)
          Além disso, é uma atração a mais para quem visita a Estrada Real. A estrada corta o perímetro urbano do município.
          Com o fim da exploração aurífera, a agricultura e pecuária passou a ser de grande importância para a economia da cidade e desde o início do século XX, o Rocambole, passou a ser a principal identidade gastronômica de Lagoa Dourada.
A história do Rocambole em Lagoa Dourada
          A guloseima movimenta a economia, gera emprego e renda para seus moradores, bem como, faz de Lagoa Dourada, a Capital Nacional do Rocambole.
          Segundo relatos do livro “Lagoa Dourada 300 Anos - Síntese Histórica”, a guloseima surgiu a longa data: “Na cidade a produção leiteira sempre favoreceu a fabricação de guloseimas, biscoitos e toda a espécie de quitandas caseiras. [...] E entre essas quitandas se insinuou como principais as roscas e o pão de ló. Esse último, de sabor muito leve e agradável, é caracterizado por uma massa fina à base de ovos, açúcar e farinha de trigo. A maior divulgação dessa iguaria começou com o descendente de imigrantes libaneses, o Sr. Miguel Youssef. Após casar-se com a lagoense Dolores de Mello, ele se estabeleceu com um botequim na cidade onde, uma vez por semana, servia o pão de ló recheado com doce de leite, sob a forma de um rocambole” (p. 133, 2011). (fotografia acima de Luciana Silva e abaixo de Sérgio Mourão)
          Continuando a tradição, em 1965, Paulo, um dos filhos do Miguel Yossef, teve a ideia de criar uma embalagem com o pão de ló para que fossem levados pelos viajantes e visitantes, o que facilitou a compra da guloseima, já que já vinha embalado.
          A ideia deu muito certo, que contribuiu muito para tornar mais conhecido ainda o rocambole de Lagoa Dourada em Minas Gerais e no Brasil inteiro, aumentando em muito a demanda e popularizando mais ainda o rocambole. 
          Hoje o “Rocambole de Lagoa Dourada” é referência em qualidade e originalidade, sendo produzido atualmente em várias confeitarias da cidade, mantendo a tradição e a qualidade do legítimo rocambole lagoense.
          Não tem igual no Brasil rocambole igual ao de Lagoa Dourada, é único e vale a pena conhecer a cidade, provar da iguaria e levar pra casa. (em cada rua ou esquina, o turista encontrará docerias e padarias, com as guloseimas típicas da cidade, principalmente, o rocambole. Fotografia acima de Luciana Silva)
          Todos os anos, na semana de aniversário de emancipação do município, 6 de junho, acontece, em Lagoa Dourada, a tradicional Festa do Rocambole, com shows, exposições e muito rocambole, com vários sabores. 
          É um dos eventos gastronômicos mais importantes de Minas, que atraem milhares de turistas do estado e do pais para experimentar o legítimo rocambole e conhecer a cidade. 

sexta-feira, 16 de março de 2018

As águas medicinais de Pocinhos do Rio Verde

(Por Arnaldo Silva) Distrito da cidade de Caldas, no Sul de Minas, distante 434 km de Belo Horizonte e 280 km de São Paulo. É em Pocinhos do Rio Verde que se encontram as famosas fontes de águas termais e medicinais são indicadas no complemento do tratamento de doenças, como de diabetes, problemas intestinais e estomacais, alergias, asma, dermatites, hipertensão arterial, intoxicações, inflamações, dores musculares, arteriosclerose e artrites. Possibilita ainda o relaxamento muscular e alivia o estresse.
           As águas termais são excelentes para a pele pois equilibram seu PH, alergias, o envelhecimento precoce, agem contra o ressecamento e a perda da elasticidade da pele, além de diminuir sua oleosidade. Além disso, as águas e lama vulcânica, aliviam os efeitos do estresse do dia a dia, permitindo um descanso e relaxamento do corpo e mente.(na foto acima, o Gran Hotel, onde está o Balneário das Termas de Pocinhos/Summit Concept Pocinhos)
         Segundo os geólogos, Pocinhos do Rio Verde, distrito de Caldas MG (na foto acima do Fernando Campanella) está situada dentro da cratera de um extinto vulcão, cuja "boca" tem cem quilômetros de diâmetro. As águas do subsolo nessas regiões vulcânicas absorvem os minerais, oligoelementos e nutrientes, presentes nas rochas e subsolo. Isso explica a presença de sais minerais, cálcio, manganês, ferro, zinco, selênio, dentro outros, nas águas termais, benéficos à saúde humana. Dependendo da variação do calor nas profundezas da terra, brotam na superfície a uma temperatura que varia de 37°C a 50°C.
          Em Pocinhos do Rio Verde, as fontes de águas termais e medicinais estão concentradas em torno do Gran Hotel Pocinhos, construído em 1886, no século XIX, pelo imigrante italiano Nicolau Tambasco Glória. (na foto acima, tratada e colorizada por Rogério Salgado, o Gran Hotel, no início do século passado/Summit Concept Pocinhos/Divulgação) Fundado em 1886, é o mais antigo hotel em funcionamento do Brasil e um dos mais aconchegantes e confortáveis hotéis da atualidade.
          É o hotel mais antigo do Brasil em funcionamento, atualmente. Uma obra magnífica da arquitetura do século XIX e XX, inspirada na arquitetura italiana, com detalhes que lembram muitos as tabernas medievais, por exemplo, no restaurante. (foto acima e abaixo, as dependências atuais do Gran Hotel atualmente: Summit Concept Pocinhos/Divulgação)
          Ao longo do tempo de seu funcionamento, passou por várias ampliações e reformas, para atender a crescente demanda, já que, as águas termais e sulfurosas de Pocinhos do Rio Verde, atraiam cada vez mais turistas vindos de todo o país e do exterior, para em busca das propriedades curativas de suas águas e ainda pelas belezas naturais da região. (na foto abaixo, um romântico espaço no porão do Gran Hotel/Summit Concept Pocinhos/Divulgação)
           A região é valiosíssima, devido a presença de águas sulfurosas, de grande valor medicinal, com reconhecidas propriedades curativas. Essas águas fazem de Pocinhos do Rio Verde, uma das mais importantes e valiosas estâncias hidrominerais do país.
          No século XX, com a popularidade dos poderes de cura das águas de Pocinhos, figuras importantes da nossa história fizeram tratamento de enfermidades com as águas de Pocinhos do Rio Verde, entre elas, o jurista e diplomata, Osvaldo Aranha e o ex presidente, Getúlio Vargas. Na foto acima, da direita para esquerda: Dr. José de Paiva Oliveira, Dr. Silvio, Altamiro Lessa Garcia, Getúlio Vargas, Osvaldo Aranha, Henrique Valadares e Padre Lúcio. (foto tratada e colorizada por Rogério Salgado/Arquivo Gran HotelSummit Concept Pocinhos/Divulgação)
          Desde o final do século XIX, pessoas do Brasil e do mundo inteiro se curaram de várias enfermidades nas águas medicinais do Balneário de Pocinhos.
          No Gran Hotel, encontra-se o Livro de Ouro, onde turistas, famosos e anônimos, vindos de todo o mundo, para se tratar de enfermidades, deixavam registrados. É um livro com relatos e testemunhos de curas, através das águas medicinais e sulfurosas de Pocinhos de caráter histórico, como podem ver, na imagem do livro, um centenas de relatos e depoimentos, registrados no Livro de Ouro.
          As fontes de águas medicinais de Pocinhos do Rio Verde, estão concentradas no parque do Balneário Doutor Reinaldo de Oliveira Pimenta, anexo ao Gran Hotel. O Balneário conta com ótima estrutura, como salas para banhos de imersão, hidromassagem e sauna, distribuídas em duas alas - masculina e feminina. A temperatura da água é de 37ºC. (na foto acima a fachada do Balneário e abaixo, um dos salões do Gran Hotel/Summit Concept Pocinhos/Divulgação)
          Além das águas medicinais e sulfurosas, no distrito se produz artesanato de excelente qualidade, além de doces e biscoitos caseiros que fazem os turistas se deliciarem com as famosas quitandas mineira. Além disso, a beleza natural do distrito com diversos cursos d´água e lindas cachoeiras, são convites ao descanso e sossego. 
O que visitar em Pocinhos?
          No centro, encontra-se um charmoso casario, em estilo colonial, com destaque para a Igreja de São Vicente de Ferrer (na foto acima de Luís Leite). No alto do morro do Galo, encontra-se a Capela de Santa Terezinha, construída por uma visitante, em forma de agradecimento, por ter se curado de enfermidades, nas as águas sulfurosas de Pocinhos do Rio Verde.
          Nos arredores do distrito, o visitante pode aproveitar e a simplicidade e charme do casario colonial de Pocinhos (na foto acima de Luis Leite), a Capela do Coração, que fica na zona rural do distrito, as piscinas naturais do Rio Soberbo, o Bacião, poço profundo situado no rio Soberbo precedido de queda d'água, o Areião, pequena ponta de areia na margem do rio Soberbo, a Cascata Antônio Monteiro e a Cachoeira dos Duendes, situada no bairro da Pedra Branca, além da cachoeira da Margarida, Capitão e Rapadura, além da simplicidade e charme das construções coloniais de Pocinhos.
Onde ficar?
          Por ser uma Estância Hidromineral, cidade histórica e turística, tanto em Caldas, quanto em Pocinhos do Rio Verde, o turista encontrará ótima estrutura urbana, com uma rede hoteleira e gastronômica, que vai das mais simples, até as mais sofisticadas. Como sugestão, tem os hotéis: Itacor Hotel, Edmar Hotel, Hotel Rio Verde, Hotel Fazenda do Ypê e Camping Bosque das Fontes e o Gran Hotel de Pocinhos. O contado do Gran Hotel pode ser feito pelo whatsapp: 35 3735-1505. (na foto abaixo de Eramos Pereira/Epamig, os vinhos finos produzidos pela Epamig, em Caldas MG)
Quando visitar?
          Toda época do ano é ótima para aproveitar as águas medicinais que o local oferece. Quem gosta de climas românticos, frio, vinhos finos, a melhor época é entre junho e agosto, durante o inverno. A charmosa vila é rodeada por montanhas e paisagens com rios, nascentes, cascatas, cachoeiras, espalhadas por suas região. Por estar ainda em região de altitudes elevadas, o frio é intenso, com temperaturas próximas a 0 grau e muitas das vezes, muito abaixo de 0. (na foto abaixo do Guilheme Augusto/@mikethor, vista parcial de Pocinhos)
          É recomendado levar roupas adequadas para um inverno rigoroso e com geadas constantes. Os hotéis e pousadas de Pocinhos do Rio Verde e da cidade de Caldas, são aconchegantes e oferecem lareiras para deixar o clima mais rústico e romântico. Tem também a famosa e tradicional Festa do Biscoito, que acontece em todos os fins de semana do mês de julho, em Pocinhos do Rio Verde. Uma festa imperdível que atrai milhares de pessoas de fora para participar. (na foto abaixo de Eramos Pereira/Epamig, a Estação Experimental da empresa de pesquisa mineira, em Caldas, onde são produzidos os vinhos) 
Como chegar?
Belo Horizonte: 470 km de distância. Pegue a Av. Amazonas até BR-262/BR-381 em Betim. Siga a BR-381 até Pouso Alegre, pegue a saída 850 A e entre na BR-459 até seu destino em Caldas MG.
De São Paulo: 270 km de distância - Via BR-381 e BR-459
Rio de Janeiro: 460 km de distância. Via BR-116 e BR-459

quarta-feira, 14 de março de 2018

Festa da Quitanda e da Goiabada de Cocais

(Por Arnaldo Silva) Barão de Cocais é uma das mais belas cidades históricas de Minas Gerais, distante apenas 90 km de Belo Horizonte na região do Quadrilátero Ferrífero. O município faz divisa com Bom Jesus do Amparo, Caeté, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo e tem como destaque a charmosa e pitoresca Vila Colonial de Cocais, distrito de Barão de Cocais. 
          Além de suas belezas naturais e arquitetônicas, Cocais se destaca na gastronomia mineira, na produção de goiabadas e quitadas diversas. Andando pelas ruas da Vila Colonial, pode-se sentir o suave aroma da goiabada cascão e até ouvir as borbulhas do doce tilintando sobre o tacho de cobre. Sentir o suave aroma dos biscoitos, roscas, pães, e bolo de fubá assado no forno de barro. (foto acima e abaixo da Vila de Cocais e seu casario, de autoria de Elvira Nascimento)
          A culinária de Cocais é um dos destaques do município e uma das rotas gastronômicas mais importantes de Minas Gerais. As delícias culinárias de Cocais são mostradas aos visitantes e turistas na tradicional Festa da Quitanda & Festival da Goiabada. A tradicional festa da culinária local e mineira é realizada anualmente, sempre no início do mês de maio, no centro da pitoresca vila (na foto abaixo, enviada pela Ângela Rodrigues, moradora de Barão de Cocais)
           A Praça Central do distrito é o palco da festa, que além da culinária e oficinas gastronômicas, tem apresentações musicais. A festa é muito bem organizada pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais - EMATER-MG e apoio da Associação Comunitária do Distrito de Cocais, Associação dos Agricultores Familiares de Barão de Cocais e  Região, e ainda do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barão de Cocais.    
          O evento é um dos mais aguardados na região, fazendo parte do calendário oficial de eventos do município, sendo ainda um grande fomentador de turismo e economia local, já que a festa atrai todos os anos, um grande número de turistas vindos de várias cidades mineiras.(foto acima enviada pela Ângela Rodrigues, moradora de Barão de Cocais)
          Durante o evento, o visitante conhecerá os produtos típicos da culinária mineira, bem como poderá participar de oficinas gastronômicas ministradas pelo Senac/MG e terá ainda o privilégio de acompanhar de perto, o modo artesanal de fazer goiabada cascão no tacho e quitandas diversas, feitas em fornos de barro. E ainda tem aquele café bem mineirinho feito na hora, no coador de pano, acompanhado de biscoito de polvilho frito no fogão a lenha e outras delícias assadas no forno de barro. 
          Percebe-se então que o festival é uma delícia e irresistível. As cores e sabores dos aromas de Cocais são deliciosos! É um convite para os apreciadores da típica culinária mineira e ainda, nos dias da festa, o visitante pode apreciar a Cachoeira de Cocais, (na foto acima da Elvira Nascimento) 
Mais informações sobre a festa podem ser obtidas através do telefone da Prefeitura Municipal: (31) 3837-7619 ou por e-mail:culturaeturismo@baraodecocais.mg.gov.br

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