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sexta-feira, 23 de julho de 2021

São João do Paraiso: a terra do doce de marmelo

(Por Arnaldo Silva) Cidade do Norte de Minas, São João do Paraíso está a 1073 metros de altitude e a 785 km, distante de Belo Horizonte, a 328 de Montes Claros MG e a 220 km de Vitória da Conquista/BA. São cerca de 24 mil habitantes no município, vivendo na sede e nos distritos de Mandacarú, Barrinha e Boa Sorte.
          São João do Paraíso faz parte da microrregião do Alto Rio Pardo, fazendo divisa com os municípios de Taiobeiras, Ninheira, Montezuma, Vargem Grande do Rio Pardo, Indaiabira, Berizal, Rio Pardo de Minas e Águas Vermelhas, em Minas Gerais e com Cordeiros, na Bahia. (fotografia acima e abaixo de Márcio Pereira/@dronemoc)
Origens de São João do Paraíso
          A cidade tem origem numa fazenda pertencente ao Conde da Ponte, formada no século XVIII, nas terras que anteriormente, eram habitadas por índios da etnia Tapuias.
          Com o passar do tempo, um pequeno vilarejo começou se formar, nesta fazenda, nas proximidades do Rio São João. O pequeno povoado cresceu e em 1833, o vilarejo foi elevado a distrito, com o nome de São João da Raposa, devido à grande presença dessa espécie de mamífero na fazenda.
          As terras férteis da região, atraiam sempre retirantes, vindos de várias regiões de Minas Gerais e principalmente da Bahia, fugindo da seca que assolava a região, na última década, do século XIX. As belas paisagens, rios, nascentes e a fertilidade das terras, contrastavam com a dura seca que assolava a região na divisa do Norte de Minas Gerais e Bahia, naquela época. A impressão que os retirantes tinham, era de que estavam chegando a um paraíso.
          Com o crescimento do distrito e a qualidade de suas terras, a Vila torna-se, na época, um importante centro comercial da região. Seu nome foi alterado, ainda nessa época, no final do século XIX. No lugar de raposa, ficou, paraíso, permanecendo o nome São João do Paraíso, até os dias de hoje. Em 1943, o distrito de São João do Paraíso foi elevado à cidade emancipada, com o município sendo instituído em 1.º de janeiro de 1944, data em que se comemora o aniversário da cidade.
Cultura, economia e tradições
          São João do Paraíso é uma típica cidade mineira. Pacata, com casario singelo, cidade limpa e charmosa, com um povo bom, acolhedor, simples e hospitaleiro.
          Como toda cidade do interior de Minas, a Matriz e os eventos religiosos, como Semana Santa, Corpus Christi, Natal, festa do padroeiro, São João Batista, Folia de Reis, dentre outros, são grandes atrativos, movimentando a cidade e atraindo visitantes. Em São João do Paraíso, destaca-se a bela Igreja de São João Batista, ponto de encontro e fé do povo paraisense e um dos mais belos cartões postais da cidade (na foto acima e abaixo de Márcio Pereira/@dronemoc, a Matriz de São João). 
          Outro destaque da cidade é a preservação tradições culturais e folclóricas, como a fanfarra, a Folia de Reis, as festas juninas, em especial, a feste de São João, padroeiro da cidade, bem como as comemorações do aniversário de emancipação, no dia 1.º de janeiro, com desfiles, shows com bandas regionais, culinária típica e muita alegria.
          Além disso, se destaca pelo talento de seus artesãos e a beleza do artesanato que fazem, suas ruas bem cuidadas, com largos canteiros centrais (na foto acima de Márcio Pereira/@dronemoc). E ainda, a Praça Artur Trancoso, uma das mais belas da região. Arborizada, com jardins bem cuidados e uma bela fonte luminosa, é uma das referências sociais e comercial da cidade, e um dos principais pontos de encontros dos paraisenses. 
          A economia da cidade tem como base o setor de serviços, na agricultura de subsistência e na pecuária. Conta com um comércio variado, com lojas, mercados, hotéis, bares e restaurantes com comida caseira.
          A extração vegetal, é uma das principais atividades econômicas do município, com destaque para o cultivo do eucalipto, principalmente, carvão vegetal, que abastece várias siderúrgicas mineiras. A cidade é ainda uma grande produtora e exportadora de óleo de eucalipto, matéria para a indústria de medicamentos e cosméticos. São João do Paraíso é considerada a Capital do Óleo de Eucalipto no Brasil.
O marmelo
          O maior destaque da economia de São João do Paraíso, atualmente, é uma planta com origens na Ásia Menor e Sudeste da Europa. É o marmeleiro (Cydonia oblonga), conhecido ainda como Pereira-do-japão, Marmeleiro-da-europa e marmelo, em referência ao seu fruto. Segundo historiadores, a espécie foi introduzida no Brasil pelo português, Martin Afonso de Souza, em 1530, no século XVI. (na foto acima de Renato Ribeiro, os pés do marmeleiro e abaixo, o seu fruto, o marmelo) 
          Seu fruto, o marmelo, é consumido no Brasil cru, em forma de sucos, em sopas e principalmente, em forma de doce, a popular, marmelada. As sementes do marmelo são usadas ainda na medicina popular, por ajudar a combater a diarreia. Vara de galhos de marmelo, era muito popular antigamente, usada como corretivos.
          Plantada inicialmente em São Paulo, no século XVI, se expandiu para a Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais, onde a planta passou a ser cultivada em larga escala, a partir do início do século passado.
          Nas cidades de Delfim Moreira e Marmelópolis, no Sul de Minas, principalmente, concentrava-se as maiores plantações de marmeleiro do país, tendo ainda, várias fábricas, nessas duas cidades, como por exemplo, da Cica, em Delfim Moreira, que produziam a famosa marmelada, doce mais consumido no Brasil, no século XX.
          A produção da marmelada nessas cidades e região, começou a entrar em declínio, a partir da década de 1970, limitando hoje, em Marmelópolis, a uma única fábrica de que produz a famosa marmelada.
          Marmelópolis, vem buscando recuperar sua tradição na produção da marmelada, recuperando as antigas plantações de marmeleiros e plantando novas. Mesmo assim, o posto de capital do doce de marmelo, pertence atualmente, à cidade do semiárido mineiro do norte mineiro, São João do Paraíso.
          Segundo dados recentes do IBGE, sobre a Produção Agrícola Municipal (PAN), de cada setor das economias dos municípios brasileiros, São João do Paraíso é o maior produtor do doce de marmelo de Minas Gerais, seguido, por Marmelópolis, no Sul de Minas, em segundo, Itacambira, no Norte de Minas, em terceiro, Novo Cruzeiro, no Vale do Jequitinhonha, em quarto, Serro, no Vale do Jequitinhonha, em quinto, Cachoeira do Pajeú, no Vale do Jequitinhonha, em sexto e Delfim Moreira, no Sul de Minas, em sétimo.
          O marmeleiro e seu fruto, gera emprego e renda às famílias paraisenses. É a principal fonte de renda de cerca de 70 famílias do município, que vivem do plantio, colheita e produção de doce de marmelo.
          Em algumas propriedades, a produção anual é pequena, caseira (na foto acima do Manoel Freitas, a produção caseira do doce de marmelo em São João do Paraíso). Já em outras, a produção é maior, em toneladas. Por ano, são produzidos em média 350 toneladas do doce de marmelo em São João do Paraíso, com cada barra pesando em média 1,7 quilo.
          O doce de marmelo é considerado um doce nobre. É fabricado em São João do Paraíso, basicamente em sua forma artesanal, sem adição de conservantes, com os marmelos, cuidadosamente selecionados, garantindo assim um doce 100% natural. Os doces são vendidos embalados à vácuo e alguns, em palhas de bananeiras, o que garante maior durabilidade e preservação de seu sabor por mais tempo. (fotografia ilustrativa acima de Renato Ribeiro, o doce de marmelo)
          Com a abertura de novos mercados e a volta da popularização doce no Brasil, a tendência é o aumento das áreas plantadas e consequentemente, o aumento gradativo da produção.
          O doce de marmelo é de grande importância para a economia da cidade, que motivou os produtores da iguaria a organizarem-se para criar a Cooperativa dos Produtores de Marmelo de São João do Paraíso (Coopemar). O objetivo, com a fundação da cooperativa, é unir os produtores na busca por melhores rendimentos na produção, bem como melhorar mais ainda a qualidade do produto, buscando melhor qualificação dos produtores de doce de marmelo, dentre outros objetivos.
          Com essa iniciativa, organização e tradição, que a cidade adquiriu na produção do doce de marmelo, São João do Paraíso, vem se destacando no Brasil. A cidade é hoje a principal referência nacional na produção de um dos mais nobres e mais apreciados doces do mundo, o doce de marmelo.

terça-feira, 20 de julho de 2021

São Francisco: a cidade do pôr-do-sol

(Por Arnaldo Silva) São Francisco é uma tradicional cidade mineira, às margens de um dos mais importantes rios brasileiros, o Rio São Francisco, no Norte de Minas. A cidade que herdou o nome do rio e do santo, é uma das mais atraentes e charmosas cidades turísticas de Minas Gerais.
          O Rio São Francisco, além de dar nome à cidade, movimenta o turismo local, bem como, a economia, já que boa parte do sustento das famílias ribeirinhas, vem da pesca, do artesanato e do turismo, que as águas do Velho Chico, propiciam. (na foto acima e abaixo de Márcio Pereira/@dronemoc, a cidade de São Francisco)
          A cidade de São Francisco, tem origens na primeira metade do século XIX, com a formação de um povoado na Fazenda Pedras de Cima, de propriedade de Domingos do Prado e Oliveira. O povoado se chamava Pedras de Cima, anos depois, mudou o nome para Pedras dos Angicos, depois para São José das Pedras dos Angicos, mais tarde para São Francisco das Pedras e por fim, em homenagem ao Rio São Francisco, passou a se chamar, em definitivo, São Francisco. Em de 5 de novembro de 1877, São Francisco foi elevada à cidade emancipada, sendo hoje, uma das mais importantes cidades ribeirinhas.
          São Francisco conta atualmente com cerca de 57 mil habitantes. É a 4ª maior população do Norte de Minas. O município está a 589 km de Belo Horizonte e faz divisa com Januária, Chapada Gaúcha, Pintópolis, Icaraí de Minas, Luislândia, Brasília de Minas, Japonvar e Pedras de Maria da Cruz. (na foto acima de Márcio Pereira/@dronemoc, vista parcial de São Francisco, margeando o Rio São Francisco)
          A cidade oferece uma boa qualidade de vida a seus moradores. Sua topografia é plana, e suas ruas, arborizadas, largas e espaçosas. Na cidade podem ser encontradas belas praças, em destaque para a Praça do Centenário, arborizada e com belos jardins e um variado comércio em seu entorno. (na foto acima de Márcio Pereira/@dronemoc) A economia de São Francisco tem como base o turismo, a piscicultura, a agropecuária e reservas naturais, como de gás natural.
          São Francisco oferece com uma boa rede hoteleira e vários restaurantes, que oferecem pratos típicos da culinária mineira, do Cerrado Mineiro e também, pratos feitos com peixes de água doce. (fotografia acima de Márcio Pereira/@dronemoc)
          Conta ainda com uma boa rede de prestação de serviços, um comércio variado, bons índices de segurança pública, nível educacional muito bom, contando inclusive com cursos superiores e técnicos, além de uma boa estrutura urbana.
          O grande destaque da cidade é o turismo, devido a posição estratégica de São Francisco, às margens do rio São Francisco com o privilégio de contar com as praias que se formam na margem esquerda do rio. (na foto acima, de Márcio Pereira/@dronemoc, o rio e a cidade, em sua margem) Nessa margem, próximo as praias naturais, encontra-se diversos bares, com bebidas e comidas típicas, com diversos pratos e tira gostos, feitos com peixes do Rio São Francisco.
          A cidade guarda ainda relíquias do século XIX, presentes em sua arquitetura, como vários casarões, coloniais como a Casa dos Cassi, construída por escravos e igrejas seculares, com destaque para a Igreja de São Félix, erguida na segunda metade do século XIX. Essa igreja guarda imagens de São Félix e de Santo Antônio, vindas de Portugal.
          Com São José como padroeiro, São Francisco tem na Igreja de São José, datada de 1890, um de seus maiores destaques. Imponente e majestosa, com torre principal de frente para o Rio São Francisco, a Igreja compõe um cenário perfeito, com o Velho Chico. (foto acima e abaixo de Márcio Pereira/@dronemoc)
          A arquitetura da Igreja, o Rio São Francisco e o pôr do sol, formam um triângulo de rara beleza, principalmente na parte da tarde, quando os raios do sol estão mais fortes, refletindo com mais intensidade na torre da Igreja, tornando-a mais atraente e reluzente. Uma espetacular união do símbolo da fé são-franciscano, com as águas do rio e a beleza dourada do fim da tarde e pôr-do-sol.
          São Francisco é conhecida como a cidade do pôr-do-sol. O fim da tarde em São Francisco é considerado um dos maiores espetáculos naturais de Minas Gerais. (fotografia acima de Leandro Leal 
          “E a famosa cidade de São Francisco, a quem o rio olha com tanto amor”, já dizia Guimarães Rosa, ao admirar a beleza do pôr do sol na cidade. É incrível e um dos pores-do-sol mais fotografados e impressionantes espetáculos naturais de Minas Gerais. E a cidade valoriza esse show da natureza, com pontos de observação. Um desses pontos, é o cruzeiro da Matriz de São José.
          A balsa que faz a travessia diária de uma margem a outra do Rio São Francisco e barcos de pescadores, são atrativos para moradores e turistas, além de restaurantes com comidas típicas, bares pela cidade e clubes de pescas. (fotografia acima de Márcio Pereira/@dronemoc e abaixo de Gilberto Coimbra, a praia pluvial de São Francisco)
          Durante o ano, acontecem vários eventos culturais, folclóricos, agropecuários e religiosos, com destaque para a Semana Santa, Natal, Folia de Reis, a Festa de Santo Antônio, Festa de São Gonçalo e a celebração da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro, dedicado a Padroeira do Brasil. O dia de Nossa Senhora Aparecida, é, atualmente, um dos maiores eventos religiosos da cidade.
          Tem ainda o Carnaval, as micaretas, as festas Juninas e outros eventos populares. Em São Francisco, os principais eventos da cidade são realizados no Parque de Exposições e no “Cimentão”, um enorme espaço aberto, na área central da cidade.
          O artesanato é uma das mais antigas tradições da cidade. Feito de forma primitiva, usando apenas matéria prima extraída da natureza, as peças artesanais retratam as crenças e o folclore local.
          O artesanato de São Francisco é uma mescla da arte indígena, africana e portuguesa, preservada em sua origem, com destaque para o artesanato feito na comunidade quilombola Buriti do Meio e as famosas “carrancas”, feitas pelos artesãos que vivem nas comunidades ribeirinhas. 
          São Francisco, carinhosamente chamada de São Chico (na foto acima de Márcio Pereira/@dronemoc) é uma cidade tranquila, seu povo é acolhedor e hospitaleiro. O visitante é bem-vindo. Conheça São Francisco, a cidade te espera de braços abertos!

sábado, 17 de julho de 2021

A tradição queijeira de Diamantina

(Por Arnaldo Silva) Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/MG e o Instituto Mineiro de Agropecuária (Ima), vinculadas à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) de Minas Gerais, o estado mineiro conta com mais de 30 mil produtores de queijos artesanais, nos seus 853 municípios e 1772 distritos. Em sua maioria, a produção de queijo é a principal fonte de renda de milhares de famílias, ou mesmo, a única.
          Minas Gerais conta com várias microrregiões queijeiras,  reconhecidas pelo Governo Mineiro e com várias queijarias nessas regiões, já regulamentadas, de acordo com as normais sanitárias da Seapa/MG e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). As queijarias já regulamentadas, recebem o selo de Identidade Geográfica (IG), expedido pelo Ima e Selo Arte (SA), expedido pelo Mapa, que permite a comercialização dos produtos em toda Minas Gerais e também, em todo o Brasil. (fotografia acima de Leandro Assis da Queijaria ao fundo, com o Mercado do Tropeiro ao fundo)
          As regiões queijeiras mineiras, reconhecidas pelo Governo de Minas Gerais, como produtoras de queijos artesanais atualmente são: Canastra, Serro, Araxá, Serra do Salitre, Cerrado, Triângulo Mineiro, Campo das Vertentes, Alagoa e Mantiqueira de Minas. 
          São nove regiões queijeiras até o momento, tendo ainda mais sete regiões queijeiras,  caracterizadas no Estado. 
          A caracterização de uma região queijeira, indica que os queijos produzidos nessas regiões, passaram minuciosos estudos estudos sobre suas origens e definições dos tipos de queijos que produzem, feitos por órgãos governamentais, como Emater/MG e Ima, visando o reconhecimento oficial, como regiões queijeiras. 
          As regiões mineiras caracterizadas atualmente são: Serra Geral, no Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha (Queijo Cabacinha), Entre Serras (nas cidades no entorno de Barão de Cocais MG), Vale do Suaçuí, Serras do Ibitipoca, Requeijão Moreno (Norte de Minas) e  agora Diamantina.
          Todas essas regiões são produtores reconhecidas de Queijo Minas Artesanal (QMA). Para ser considerado um queijo artesanal, a produção tem que ser a base de leite cru, sem passar pelo processo de pasteurização e ainda, utiliza o pingo, o coalho, a salga a seco, além do processo natural de maturação, responsável formação da casca lisa e amarelada, tradicionais nos queijos mineiros artesanais.
Diamantina como nova região queijeira mineira

          Diamantina, cidade histórica e Patrimônio da Humanidade desde 1999 (na foto acima de Giselle Oliveira), juntamente com os municípios de Felício dos Santos, Gouveia, Datas, Couto de Magalhães de Minas, Presidente Kubitschek, São Gonçalo do Rio Preto, Senador Modestino Gonçalves e Monjolos, no Vale do Jequitinhonha, reivindicam ser região queijeira mineira.
          Boa parte desses municípios, formavam, no século no XVIII, o então “Distrito Diamantino”, criado em 1734, com o objetivo de organizar a extração a extração do ouro e diamantes. 
          Diamantina, bem como os outros 8 municípios que formam atualmente a região queijeira, vem resgatando nos últimos anos, a antiga tradição da região, na produção artesanal de queijos. E ainda, buscando reconhecimento, como  região queijeira.
          Em busca desse objetivo, os queijeiros contam com total apoio e assistência do escritório da Emater/MG, com as equipes multidisciplinares da Unidade Regional de Diamantina e da Coordenação Estadual, que prepararam um detalhado e minucioso estudo, visando comprovar a tradição queijeira da cidade e região. Este estudo está em análise pela Seapa. Após a análise, o passo seguinte seria o reconhecimento da região de Diamantina, como região queijeira de Minas Gerais.
          O estudo elaborado pela equipe da Emater/MG, de Diamantina, teve como base, pesquisas sobre a história sobre a origem e tradição queijeira da região, com análises, entrevistas e depoimentos, bem como produções anteriores.
          Uma dessas produções foi o documento elaborado pelo Doutor José Newton Coelho Meneses, professor Associado do Departamento de História, da Universidade Federal de Minas Gerais. O documento chama-se: Queijo Minas Artesanal: Patrimônio Cultural do Brasil (Dossiê Interpretativo - volume 1, 2006). Esse documento foi base, para que o Instituto Histórico do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reconhecesse, em 2008, o modo artesanal de produção dos queijos da Serra da Canastra, Serra do Salitre e do Serro, como patrimônio imaterial, do Brasil.
A tradição queijeira de Diamantina
          A ligação de Diamantina com queijos, vem desde a fundação do Arraial do Tijuco, em 1713, antigo nome de Diamantina. Na época, o Arraial do Tijuco, era subordinado à Comarca do Serro Frio. Diamantina se tornou cidade emancipada em 6 de março de 1831. Em 1999, foi declarada Patrimônio da Humanidade. (fotografia de Leandro Assis da Queijaria Soberana, com o Passadiço do Glória ao fundo) 
          Com a descoberta dos diamantes e outro em Diamantina, centenas de famílias portuguesas vieram para a região, recém povoada, obviamente, enfrentavam dificuldades em conseguir alimentos, principalmente, azeites, vinhos e queijos, iguarias muito apreciadas pelos portugueses.
          Com a crescente chegada de portugueses à região, trouxeram juntos, gado, galinha, porcos, sementes de plantas diversas, como de uva, oliveiras, arroz, trigo etc., para produção própria.
          Isso devido as dificuldades de encontrar alimentos nas terras recém descobertas e pelas dificuldades de trazer suas iguarias preferidas de Portugal.
          Dificuldades estas causadas pelas longas viagens de navios, da Europa, até o Brasil, bem como a distribuição das mercadorias a seus destinos, na chegada à colônia. 
          Isso, numa época em que o transporte de mercadorias, era feito em carros de bois e por tropeiros. As mercadorias levavam meses para chegarem aos seus destinos.
          Segundo informações presentes no estudo feito pelo escritório da Emater/MG em Diamantina, documentos comprovam a presença de gado bovino no antigo Arraial do Tijuco, nas primeiras décadas do século XVIII. Um desses documentos, datado de 1731, encontrado no Registro de Provisões, Patentes e Sesmarias da Comarca do Serro Frio, a qual o Arraial do Tijuco era subordinado, deixa claro a existência de gado leiteiro na região.
          Nos tempos do Brasil Colônia, queijo era artigo de luxo e caríssimo, fazendo parte, inclusive, de inventários e partilha de bens. Um desses exemplos, relatados no documento de autoria do professor José Newton Coelho Meneses, ocorreu em 1793, no arraial do Tijuco.
          Segundo consta no documento Interpretativo, Dona Anna Perpétua Marcelina da Fonseca, moradora do Arraial do Tijuco, após ficar viúva, incluiu no inventário do marido, bens que tinham e os que foram adquiridos, entre 1793 e 1796. Entre esses bens, grandes quantidades de queijos, curados.
          Outro fato curioso, relatado no documento do Interpretativo, de autoria do professor José Newton Coelho Meneses, envolvendo queijos na região, no século XVIII, relata a existência de queijos trufados.
          Não eram trufados com doces, chocolate ou frutas, e sim, com ouro e diamantes, por contrabandistas. Prática usada para burlar a rigorosa fiscalização da Coroa Portuguesa.
          Sabendo dessa prática, o representante da Coroa na região, o Conde de Valadares, determinou, em 1772, que todos os queijos que passassem pelos postos de fiscalização, chamados de registros de passagens, fossem todos furados pelos fiscais.
          Foi assim que Diamantina, na época, arraial do Tijuco, passou a produzir queijos de altitude, no século XVIII, uma das tradições da região, que permanece até os dias de hoje. Com quase 3 séculos de tradição queijeira, os queijos produzidos em Diamantina, adquiriram forma, corpo, textura, sabor e personalidade própria, passando a ser um tipo de queijo único e de características regionais, inigualáveis.
Características dos queijos de Diamantina
          As características dos queijos da região de Diamantina, somente podem ser encontradas nas 9 cidades que formam a região queijeira. Um dos maiores diferenciais dos queijos desta região é a altitude desses nove municípios, que varia de 800 metros a 1420 metros, encima da Cordilheira do Espinhaço. Os efeitos da altitude e umidade, na incidência da flora bacteriana, que dão vida e sabor aos queijos, são características principais que formam a personalidade dos queijos de Diamantina e região, chamados também de  “queijos de altitude”. (foto acima de Leandro Assis)
          Os queijos de altitude da microrregião de Diamantina, trazem não apenas a tradição do sabor do queijo, mas um pouco da vida e história de várias gerações familiares. (na foto acima, Queijos Datas Guzerá de Datas MG). 
          São queijos artesanais finos, de sabor único, caracterizado principalmente por sua casca lavada, na forma de meia cura ou curado. (na foto acima, queijos da queijaria Datas Guzerá, de Datas MG)
          Os queijos de casca lavada sãos os característicos da região, embora existam alguns tipos de queijos que apresentem derivações com mofos brancos, com casca enrugada e espessa, sabor leve e um pouco crocante, estarem presentes em algumas queijarias, a tradição e história, tem como base os queijos de casca lavada. (na foto acima, queijo da Queijaria Recanto do Vale)
          De casca lavada ou com mofos esbranquiçados, em comum, apresentam o corpo firme, com textura densa, mas ao mesmo tempo, cremosa. E ainda, os queijos de Diamantina possuem baixa acidez e intensidade leve e crocância suave. Isso dá à iguaria, suaves notas de castanha. (na foto acima, queijo da Queijaria Recanto do Vale)
          São características que simbolizam a tradição e vocação da região, na arte de transformar o leite cru, em um alimento vivo, saudável, saboroso e único. (queijos da Queijaria Andrade Vale)
          Esse é o terroir (pronuncia-se terruá), da região de Diamantina. Esse termo, é francês e é usado para definir todo o conjunto de aspectos físicos que definem a qualidade, sabor e características principais de produtos de uma região, como por exemplo, clima, relevo, pureza da água, pastagens, qualidade da terra, etc. Essas características específicas, torna os produtos oriundos dessas regiões, únicos e inigualáveis. (na foto acima, gado Guzerá da Queijaria Datas Guzerá de Datas MG e abaixo, gado holandês da Queijaria Soberana)
          Uma microrregião para ser reconhecida como queijeira, pelas autoridades sanitárias e governamentais, tem que comprovar que sua produção é totalmente artesanal, sem uso de maquinários industriais. E ainda, o queijo tem que ser feito com leite cru, pingo, coalho, casca, maturação natural e principalmente, tenha história e tradição familiar, passada por gerações.
          É o caso de Diamantina. E esse é o objetivo dos produtores rurais da cidade e da região, formada por 9 municípios com apoio da Emater/MG que reivindica ser a 10.º microrregião queijeira de Minas Gerais.
          O processo de reconhecimento está em andamento, graças ao empenho dos produtores de queijos da região, e principalmente, do escritório da Emater/MG, em Diamantina. A empresa fez o levantamento histórico, com fotos, fatos, depoimentos de moradores antigos, de famílias tradicionais na produção de queijos, bem como reunindo documentos que comprovam que o “Distrito Diamantino”, tem tradição secular e história na produção queijeira, em Minas Gerais.
A valorização dos queijos da região
          Nos últimos anos, o Queijo Minas Artesanal (QMA), produzido com leite cru, se valorizou no cenário mundial, devido as seguidas premiações no exterior.
          Nas nove cidades que formam a microrregião, são produzidos queijos de altíssima qualidade, em diversas queijarias, como o queijo Datas Guzerá (na foto acima), dos produtores Richard e Maria Cristina Andrich, do município de Datas e o Queijo Braúnas (na foto abaixo), ambos premiados com medalhas de bronze e ouro, respectivamente, no Mondial Du Fromage, na França, em 2019, além de outras premiações regionais e nacionais, o que mostra o enorme potencial queijeiro a região.
          Tem ainda os queijos das queijarias Soberana, Mata Serena, Andrade Vale, Recanto do Vale, Pau de Fruta, Fazenda do Buraco, dentre outros produzidos na região.
          No maior concurso de queijos do Mundo, o Mondial du Fromage, realizado na França, os queijos brasileiros foram premiados com 58 medalhas. Dessas 58 medalhas, 50 foram para os queijos de Minas Gerais.
 Além disso, em outros concursos de queijos em países tradicionais na produção queijeira, como Noruega e Itália, por exemplo, novamente, os queijos mineiros se destacaram, com premiações diversas.
Com a ascensão e valorização ainda maior do queijo mineiro, há mais de 300 anos reconhecido como o melhor do Brasil, os produtores de queijos do Estado, vem recebendo apoio e assistência dos órgãos governamentais para legalização, manejo adequado do gado e boas práticas na produção dos queijos. (foto acima de Osvaldo Filho, do Queijos D´Alagoa MG, um dos participantes mineiros no Mondial Du Fromage)
          O objetivo é receber o certificado de Identidade Geográfica (IG), expedido pelo Ima e Selo Arte (AS), expedido pelo Ministério da Agricultura.
          Os dois selos, permitem a comercialização de produtos lácteos, mel e embutidos, em todo o território nacional e reconhecimento oficial, da qualidade e boas práticas na produção dos produtos. As queijarias mineiras que recebem os selos IG e AS, passam por rigorosas adaptações e controles sanitários, além de fiscalizações constantes.
Aprodia
          Em Diamantina, são 15 produtores de queijos, que se uniram e fundaram em 4 de maio de 2018, a Associação de Produtores de Queijos da Microrregião de Diamantina (Aprodia), presidida atualmente pelo produtor rural, vice-presidente da Associação Mineiro de Produtores de Queijo Artesanal (Amiqueijo), Leandro Assis, com sede à Rodovia MG 367, km 595, Alto do Guinda, em Diamantina MG. Juntaram-se ainda a, entidade, produtores dos outros 8 municípios, que formam a microrregião. (na foto acima, queijo da Queijaria Soberana) 
          A Aprodia busca unir os queijeiros da região, na defesa de seus interesses, melhorar a qualidade da produção de seus queijos, na profissionalizar das queijarias, visando o reconhecimento e recebimentos dos selos IG e AS dos queijos produzidos nas queijarias da região de Diamantina. (na foto acima, queijos da Queijaria Mata Serena)
          Além disso, a entidade organiza diversos eventos, oficinas e festivais de divulgação e comercialização dos queijos da região como o Festival de Queijos e Vinhos de Diamantina, além de ajudar na capacitação do produtor de queijos, intercâmbios com outras regiões queijeiras, dentre outras atividades. (foto acima Aprodia/Divulgação)
          Ter um Queijo Minas Artesanal na mesa, é a valorização da herança familiar. Quando se leva para a mesa um queijo, leva junto a história do lugar, a tradição e o trabalho dos produtores, que sustentam ao longo de gerações, a mais pura vocação do povo mineiro, de fazer queijos.

          O queijeiro mineiro não vende, simplesmente, queijos e sim um pouco de sua história, da tradição especial de sua família e principalmente, o sabor de Minas Gerais.

domingo, 11 de julho de 2021

O Queijo do Reino de Santos Dumont

(Por Arnaldo Silva) Santos Dumont, na Zona da Mata, está a 220 km de Belo Horizonte e faz divisa com Juiz de Fora,Oliveira Fortes, Ewbank da Câmara, Tabuleiro, Bias Fortes, Antônio Carlos e Piau. A cidade tem origens no século XIX, com o nome de Palmyra. Foi onde nasceu o pai da aviação, Santos Dumont, com a cidade mudando de nome em1932, em sua homenagem.
          A cidade de Santos Dumont é carinhosamente chamada de "Princesinha da Mantiqueira", "Terra do Pai da Aviação" e "A cidade que deu asas ao mundo". (na foto acima do Fabrício Cândido, queijos de Santos Dumont MG)
          Foi ainda em Santos Dumont MG, por volta de 1850, no século XIX, que foi introduzido o gado holandês no Brasil, através do português, Carlos Pereira de Sá Fortes em parceria com os holandeses Gaspar Long, João Kingma e J. Etiene, profundos conhecedores da arte da fazer queijos especiais, holandeses, como o queijo Edam. 
          Essa parceria resultou na criação do primeiro laticínio do Brasil, em 1888, a Companhia de Laticínios da Mantiqueira, além do do desenvolvimento e melhorias na qualidade do leite e produção de queijos na região . (na foto acima do Sérgio Mourão/Encantos de Minas,  homenagem a Santos Dumont na cidade e abaixo, a casa em que viveu o Pai da Aviação, fotografado pela Luciana Silva)
          O gado holandês é considerado, até os dias de hoje, um gado de alta qualidade produtiva, principalmente de leite, resultando em produtos derivados de alta qualidade, como os queijos. Inspirado no famoso queijo Edam holandês, de casca vermelha e dura, bem curado e de forma arredondada, começou a ser feito esse queijo, em Santos Dumont MG.
          O Edam, era o queijo preferido da nobreza portuguesa. Portugal e Holanda tinham um acordo, já que os portugueses produziam vinhos muito bons e a Holanda, queijos muito bons. Acordaram em trocar queijos, por vinhos. Portugal enviava para a Holanda, barris de vinho e o Holanda, retirava o vinho dos barris e enchia de queijos. (na foto acima do Fabrício Cândido, o Queijo do Reino de Santos Dumont MG)
          Não lavavam os barris. Ao longo da viagem, os queijos absorviam a cor roxeada dos vinhos. Essa mistura de vinho com queijo agradou o paladar da nobreza, bem como dos holandeses, que passou a mergulhar seus queijos em barris de vinho tinto. Assim surgiu a características dos queijos holandeses, com a casca roxeada. Os queijos holandeses eram feitos em fôrmas em formato de bola, outra característica desse queijo.
          Era costume da nobreza e realiza portuguesa apreciar os queijos holandeses e esse costume, a Corte Portuguesa, que chegou ao Brasil em 1808, com Dom João VI, trouxe para o Brasil. Os nobres do reino de Portugal, que viviam no Brasil na época, importavam esse queijo, da Europa. Por ser esses queijos, os preferidos dos reis portugueses e uma das iguarias reservadas à realeza, passou a se chamar, Queijo do Reino, como também era a Pimenta-do-Reino, restrita à realeza e até mesmo a farinha de trigo, que era chamada de Farinha do Reino. 
          Da receita do queijo Edam holandês, surgiu um queijo mineiro de altíssima qualidade, nunca antes produzido no Brasil. Isso porque, o Queijo do Reino, além da inspiração na receita holandesa, era produzido com leite de gado holandês, aliado às características e vocação do mineiro na arte de fazer queijos, e ainda, pela qualidade de nossas pastagens e clima das nossas montanhas, no caso de Santos Dumont MG, da Serra da Mantiqueira. Esse é o grande diferencial diferencial do Queijo do Reino em relação ao Edam. (na foto acima do Fabrício Cândido, o Queijo do Reino de Santos Dumont MG)
          Tradicionalmente feito com soro fermentado e com longos períodos de maturação, é queijo com coloração intensa, massa firme, com textura fechada e sabor intenso e simplesmente único. Não encontrará em lugar algum, um queijo igual ao Queijo do Reino de Santos Dumont MG.
          O Queijo do Reino transformou Santos Dumont MG em uma das pioneiras em Minas Gerais de queijos de qualidade. Foi em Santos Dumont, em 1888, que foi inaugurado o primeiro laticínio do Brasil, a Companhia de Laticínios da Mantiqueira, um grande impulso para o crescimento e reconhecimento da qualidade dos queijos mineiros. (na foto acima do Fabrício Cândido, uma das etapas da produção queijo do Reino e abaixo, a Represa da Ponte Preto, uma das atrações da cidade)
          Por sua importância para a cidade, o Queijo do Reino e Patrimônio Imaterial do município, além da cidade estar no mapa da gastronomia mineira e ser um dos caminhos da Estrada Real, com uma riquíssima história, tradição, belezas naturais e arquitetônicas.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Luminárias: história, turismo e culinária

(Por Carlos Alberto Eugênio Júnior) Localizada na região do Campo das Vertentes, Luminárias é uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, atualmente, o município possui uma população estimada em 5.500 pessoas (IBGE 2020). 
          A cidade se encontra na Região do Campo das Vertentes, a cerca de 303 km de Belo Horizonte. Faz divisa com os municípios de Ingaí, Carmo da Cachoeira, São Bento Abade, São Tomé das Letras, Carrancas, Itutinga, Cruzília e Três Corações. A rota mais comum até Luminárias consiste em pegar a BR-381 até Lavras e de lá seguir pela rodovia MG-Lavras/Luminárias. (na foto acima, vista aérea de Luminárias: Prefeitura Municipal/Divulgação)
          Os antigos mapas da região apontam a Serra das Luminárias e o Ribeirão das Luminárias como importantes referências quanto à localização da comunidade luminarense, nome que, por sua vez, possui sua origem na famosa narrativa a respeito da aparição dos misteriosos pontos luminosos na Serra das Luminárias (na foto acima, arquivo Prefeitura Municipal). 
          A comunidade luminarense se consolidou a partir da metade do século XVIII, quando Maria José do Espírito Santo (Matriarca luminarense) permitiu a construção da Capela do Carmo (na foto acima de Márcio Flávio) em um terreno de sua propriedade (Fazenda das Luminárias, 1794). Atualmente a Capela do Carmo é carinhosamente chamada de “Igreja Velha” e recebe as celebrações católicas do município.
          Em 1840 se criou o Distrito de Luminárias pela lei 167/1840, já em 14 de novembro de 1873 foi criada a Freguesia de Nossa Senhora do Carmo das Luminárias. 
          A denominação “Luminárias” foi instituída em 01/01/1926, suprimindo “Carmo das” e estabelecendo apenas “Luminárias” como nome oficial do Distrito. E, finalmente, em 1949, Luminárias saiu da condição de Distrito e passou a ser um município emancipado. 
          Nessa época outro fato interessante, narrado em Memórias Iluminadas (Gonçalves e Morais, 2008, p. 68), que chama a atenção, foi a tentativa de retirar "Luminárias" do nome da cidade. 
          Isso ocorreu na metade do século XX, na época foi criada uma comissão de cidadãos luminarenses que foram até Lavras e conseguiram evitar a perda do nome da cidade na justiça. O mais interessante é que nunca se soube ao certo o verdadeiro motivo para a tentativa de mudança da nomenclatura do município.
          Atualmente, Luminárias se apresenta como uma típica cidade do interior de Minas Gerais. Rodeada por Serras, Grutas, Rios e Cachoeiras, a cidade ainda guarda suas histórias e cultura.
À beira do Fogão
          A culinária luminarense se destaca pelos pratos típicos e pela diversidade. A cidade oferece além da típica comida no Fogão à lenha, pratos diferenciados e que promovem uma experiência incrível. Entre eles se destacam: o Macadame e Fruta-de-lobo (lobeira).
          O Macadame é um prato exclusivo de Luminárias, em Minas Gerais. Pesquisas realizadas nesse sentido mostraram que preparado da forma que fazemos aqui e com este nome, é uma singularidade “Luminarense”. (na foto acima da Prefeitura Municipal/Divulgação, o Macadame tradicional)
          O Macadame consiste no cozimento de vários ingredientes fáceis e cotidianos, no início o prato basicamente era composto de arroz, feijão e macarrão. Com o passar do tempo outros ingredientes foram acrescentados à receita, como carnes etc. 
          Essa mistura traz consigo memórias da infância, uma gama de sabores, cheiros e lembranças de um povo que constrói e reinventa sua própria história. 
          Em 2020 foi promovido no município o primeiro concurso de Preparo de Macadame em Luminárias, além valorizar e instituir o Macadame enquanto elemento importante da cultura local, o evento abriu espaços para várias cozinheiras e cozinheiros locais mostrarem a diversidade de interpretações de um prato típico sem se distanciar da receita tradicional. (na foto acima do Recanto Pé de Serra, onde normalmente se encontra o tradicional prato Macadame.
          Outra preciosidade da gastronomia luminarense é o preparo e consumo da lobeira (Solanun  lycorpapum) também conhecida por fruta-de-lobo e guarrambá. (na foto acima, arquivo da Prefeitura Municipal)
          Em tempos mais antigos a fruta da lobeira era considerada venenosa, e pouco apreciada pelas populações locais, contudo, atualmente sabemos que além de não possuir veneno trata-se de um alimento riquíssimo, sendo além de calmante, um alimento que combate a diabetes, epilepsia e hepatite “porém é um fruto laxativo se não preparado de forma correta, tem que estar maduro e serem retiradas as sementes antes de seu consumo”, afirma o Chef Idolo Giusti. 
          Em Luminárias, o consumo da Fruta-de-lobo é relatada por simples pescadores e aventureiros locais, e, atualmente, também pode ser encontrada na culinária do Chef Idolo Giusti (na foto acima, cozinhando na Estalagem Casarão da Barra/Foto arquivo Prefeitura Municipal) que prepara a fruta como um prato único e regional de áreas de cerrado acompanhados com costelinha ou em doces compotas e geleias, isso acompanha o conceito da típica comida mateira, utilizando ingredientes disponíveis na natureza e técnicas especiais. 
          Além da Fruta-de-lobo e do cardápio mateiro, também oferece Hidromel e Vinho artesanal, produzidos pelo chef , além da tradicional cachaça luminarense.
          Depois de conhecer e se deliciar com a gastronomia local, é possível conhecer as dezenas de patrimônios naturais e culturais de Luminárias. 
          Entre os patrimônios naturais se destacam as famosas cachoeiras da Pedra Furada (na fotografia acima de João Gilberto), Mandembe e Poço das Esmeraldas, Cachoeira da Serra Grande, o Pico do Gavião, o Pico da Asa Delta, a Serra das Luminárias, o Estreito do Inferno e o Pico do Cruzeiro (na fotografia abaixo de João Gilberto). 
          Entre os patrimônios históricos e culturais Luminárias ainda guarda verdadeiras pérolas, a Igreja Velha, a Casa da Cultura, as ruínas da Usina da Fumaça, o Mirante do Cristo e a Praça dos Expedicionários (na fotografia abaixo de João Gilberto). Nesta praça, uma escultura em homenagem aos seis heróis luminarenses que lutaram na Segunda Guerra Mundial (1939/1945).
          Para conhecer todas essas maravilhas, uma dica essencial é dar uma passadinha no Receptivo Turístico Municipal. Localizado na Praça Nossa Senhora do Carmo, o Receptivo funciona de Domingo a Domingo como um ponto de apoio e informação ao turista e ao luminarense. (na fotografia abaixo de autoria de Josias Felipe, a sinalização turística em Luminárias)
          Para maior segurança e otimização dos passeios é fundamental estar acompanhado de um guia/condutor local. A cidade possui diversas empresas e condutores devidamente qualificados capazes de promoverem uma experiência segura e mais completa em todos os nossos atrativos naturais e culturais. Vem viver Luminárias!

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