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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Cultura e turismo em Dores do Indaiá

(Por Arnaldo Silva) O povoamento na região começou em no início do século XVIII. De um pequeno povoado, surgiu um arraial, posteriormente vila, em 1850 e por fim, município a partir de 8 de dezembro de 1885. Dores do Indaiá é um dos mais antigos, charmosos e pitorescos municípios mineiros, guardando relíquias de nossa história, bem como as riquezas das tradições religiosas e folclórica mineiras. 
A vida em Dores do Indaiá é calma e tranquila, com seus moradores desfrutando de uma cidade que oferece uma qualidade de vida muito boa.
 Com cerca de 15 mil habitantes, Dores do Indaiá, na Região Central, fica a 255 km de Belo Horizonte, a 36 km de Luz, 42 km de Abaeté, 27 km de Estrela do Indaiá, 26 km de Quartel Geral, 34 km de Serra da Saudade e a 90 km de Bom Despacho, cidades vizinhas.
Para chegar à Dores do Indaiá, vindo de Belo Horizonte, o acesso se da através da rodovia BR-262 (partindo de Belo Horizonte ou do Triângulo Mineiro) e após a cidade de Luz, se dirigindo pela rodovia MG-176.  e pela rodovia BR-352 e em seguida se dirigindo pela rodovia MG-176, passando pelas cidades de Abaeté e Quartel Geral.
A economia gira em torno de atividades agropecuárias, onde o município realiza uma das maiores exposições agropecuárias da região, além de contar pequenos comércios, charmosas poucas, restaurantes com comida típica, produtos artesanais como queijos, doces e quintadas, direto da roça, além do turismo, já que Dores do Indaiá é uma cidade com origens no início do século XVIII. 
Surgiu com a formação de um pequeno arraial, que foi elevado a Vila em 1850 e por fim a cidade em 8 de outubro de 1885. 
O município guarda relíquias dos tempos do Brasil Colônia como fazendas centenárias e casarões e igrejas em estilo neogótico, eclético e coloniais, presentes na Praça, nos prédios da Escola Estadual "Francisco Campos", da Escola Estadual "Dr° Zacarias", na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, além de construções contemporâneas como o Cristo do Alto da Capelinha e o Castelo Indaiá.
A cidade preserva ainda sua rica tradição folclórica e religiosa, como as cavalhadas, festas juninas e a Festa de Nossa Senhora do Rosário, no mês de agosto, uma das mais antigas e famosas da região, que homenageia ainda, Nossa Senhora das Dores, São Benedito e Santa Efigênia. 
Principais eventos culturais e sociais da cidade
Fevereiro: CarnaDores;
Abril: Semana Santa, Cavalgada Para o Campo do Bolado (Realizada pela Comitiva Oito Segundos);
Maio: Motofest;
Junho: Festa Junina Regional;
Julho: Exposição Agropecuária de Dores do Indaiá (Expodores);

Agosto: Festa do Rosário;
Outubro: Aniversário da cidade e a Festa Caboclos do Sertão;
Dezembro: Réveillon no Castelo Indaiá.
(Todas as fotos desta edição são de autoria de Sueli Santos)

A origem do popular arroz com ovo

(Por Arnaldo Silva) Quem nunca comeu arroz com ovo? Na hora de não ter quase nada para comer ou falta de tempo para fazer, nada como preparar um arroz e fritar um ovo. É barato, apenas uma porção de arroz e um ovo. É fácil de fazer e rapidinho está pronto um dos mais populares pratos que existe. No mais puro mineirês é “roscovo”, que muita gente brinca dizendo que é comida russa. Mineiro gosta e todo brasileiro também. É tão popular que até parece que sua origem é brasileira. 
          Lamento dizer que não é. Arroz com ovo é um dos mais populares pratos chilenos. Sua origem é do Chile e se popularizou no continente e está presente no Caribe, Argentina, Brasil, dentre outros países latinos. (na foto acima do Édson Borges, o arroz com ovo mais incrementado e abaixo, da Sueli Santos, o tradicional)
          É tão popular que é considerado um dos mais apreciados pratos da América do Sul, no mesmo nível dos populares pratos latinos e brasileiros, como a feijoada, feijão tropeiro, vatapá, virado, arroz com pequi, cuscuz, frango com quiabo, etc. 
          Um prato humilde, bem simples, está presente hoje na mesa de todas as classes sociais. Dificilmente alguém pode dizer que nunca comeu arroz com ovo. 
         Em Minas Gerais, nos anos 1980, esse prato foi inspiração para o surgimento de um novo prato mineiro, popularíssimo, principalmente em Belo Horizonte. Além da porção de arroz e do ovo frito, ganhou uma rodela de tomate e um pedaço de linguiça. Criação do Bar e Restaurante Palhares em Belo Horizonte, sendo “batizado” de kaol, hoje conta com arroz, ovo, torresmo, farofa, couve refogada e molho . Vinha acompanhado de uma dose de cachaça mineira também. O kaol, antes simples, restrito às camadas mais populares pelo seu baixo custo, é hoje prato fino, presente em todas as classes sociais. (na foto acima, o kaol que eu mesmo preparei em casa)
          Mas, o tradicional e popular arroz com ovo, estará sempre presente em nossas mesas. Na hora do aperto lá está ele. E é ótimo, pra mim, delicioso! 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Eira, beira e tribeira

(Por Arnaldo Silva) No início do século XVII, com a descoberta de ouro e diamantes em Minas Gerais, o território mineiro foi palco da maior imigração já vista até hoje. Portugueses, bandeirantes paulistas e de todo o território nacional vinham para Minas Gerais, explorar as ricas minas de ouro e diamantes mineiras. (fotos abaixo de César Reis em Tiradentes MG)
          No início as diferenças sociais eram pouco notadas. Não existia no início da colonização do Brasil, construtores, arquitetos e muito menos material o suficiente para construir residências. As casas inicialmente construídas eram bem rústicas, tanto de rico, quanto de pobre. A única diferença era a eira e beira. Quem tinha um pouco mais de dinheiro, fazia sua casa com eira e beira. Já o pobre, sem eira e sem beira.
          Com o crescimento das cidades e chegada de mais e mais portugueses e bandeirantes, novas construções foram sendo erguidas nas vilas e cidades mineiras. Com o avanço da exploração mineral, o enriquecimento começou a crescer em passos largos fazendo com que as diferenças entre pobres e ricos aumentasse assustadoramente. Além da eira, da beira, as casas dos ricos passaram a ter tribeiras.
          Esses detalhes arquitetônicos foram introduzidos no Brasil pelos portugueses. Vou explicar o significado dessas palavras para que possam entender melhor.
          Em Portugal existia e existe até hoje, várias aldeias. A palavra “aldeia” palavra de origem árabe (الضيعة ad-Dai'hâ), é uma pequena povoação rural com casario, igreja e propriedades rurais no seu entorno, mas sem autonomia política, como os distritos. Aqui no Brasil, o que os portugueses chamam de aldeia, chamamos de povoados, vilas ou vilarejos. 
          Nas aldeias portuguesas existia algumas propriedades com “eira”, um espaço próximo às casas onde cereais eram esparramados no chão, limpados e secados. Em outras palavras, é o mesmo que um terreiro, onde costumeiramente são secados grãos de café, arroz, feijão, etc. Ter uma eira, com casarão sede com beira e tribeira, era para ricos proprietários de terras, sinal de poder social e riqueza. (na foto do Sérgio Mourão, café secando no terreiro em Água Boa MG,  exemplo de uma "eira")
          Quem tinha eira, tinha recursos financeiros para fazer casarões enormes. Para os ricos da época, além de ter uma eira, no telhado tinha que ter uma beira, que é uma aba em torno de todo o telhado com o objetivo de escorrer melhor as águas das chuvas, protegendo as paredes dos casarões de infiltrações. Os mais ricos, reforçavam a beira com outra camada, chamada de tribeira.
          Quem não tinha recursos, não tinha como ter uma eira em seu quintal e muito menos construir uma casa com beira. Não tinha eira, nem beira, dai a famosa expressão popular.
          As diferenças na arquitetura das casas era o divisor social da época.
          Em Portugal e no Brasil Colônia, essas diferenças arquitetônicas eram latentes e serviam como base para a gritante e crescente diferença social entre ricos e pobres.
          Quem não tinha eira e nem beira, era considerado miserável. Ter uma pequena eira era pobre. Quem tinha eira e beira era mais ou menos rico. Já quem possuía uma eira, com casarão com beira e tribeira, era rico. 
          Para essa riqueza ficar à mostra, e evidenciar que na propriedade tinha uma eira ou seja, um amplo terreiro para secagem de grãos, o telhado dos casarões, além da beira e tribeira, teve o acréscimo de mais um nível, denominado também de eira, para identificar que o proprietário era rico, poderoso e com uma grande eira em sua propriedade. Ter os três níveis no telhado dos casarões era o símbolo da riqueza dos nobres portugueses, tanto em Portugal, como aqui no Brasil, nos tempos do Brasil Colônia. (na foto acima de Sueli Santos, um casarão em Ouro Preto MG, evidenciando os 3 níveis nos telhados)
          Com o aumento da produção de ouro e surgimento do cultivo do café, o nível de riqueza e poder foi aumentando, bem como a forma de mostrar esse aumento de poder e riqueza. Além da eira, beira e tribeira, portas e janelas passaram a ser símbolos de riqueza e poder maior. Quanto mais portas e principalmente, quanto mais janelas tinha um casarão, mais rico e poderoso era seu proprietário. 
          Com essa demonstração de riqueza, casarões foram sendo construídos pelo Brasil afora, principalmente em Minas Gerais, com boa parte desses casarões concentrados nas cidades históricas e na Zona da Mata, principal região cafeeira de Minas, naquela época. 
          Eram construções suntuosas, imponentes e luxuosas, com nítida demonstração de riqueza e poder para a época, com dezenas de janelas e portas. Alguns tinham centenas de janelas como o casarão da Fazenda Santa Clara em Santa Rita de Jacutinga MG (na foto acima de Rildo Silveira), que além da eira, beira e tribeira, possui 365 janelas, 54 quartos, 12 salões e 3 cozinhas.
           Quando visitar as cidades históricas mineiras como São João Del Rei, Tiradentes, Mariana, Ouro Preto, Diamantina, Serro, etc., bem como as antigas fazendas de café, prestem atenção nesses detalhes da eira, beira e tribeira. Também nos casarões com suas portas enormes e janelas e mais janelas. Pode ser apenas detalhes arquitetônicos hoje, mas no passado, nos mostra como eram as diferenças entre pobres e ricos, evidenciando as diferenças sociais, presentes até hoje entre nós. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

A Vila do Príncipe do Serro Frio

(Por Arnaldo Silva) A povoação no que é hoje a cidade do Serro começou em 1701, recebendo o nome de "Arraial do Ribeirão das Minas de Santo Antônio do Bom Retiro do Serro do Frio" em 1702.
          Em 1714 é elevada a Vila pelo governador Brás Baltasar da Silveira.com o nome de Vila do Príncipe. Em 1720 é elevada a sede da comarca, com o nome de Serro do Frio e por fim, à cidade, em 1838, já com o seu nome atual, Serro. (fotografia acima de Anderson Sá - @meuolhar.andersonsa)  
          É uma das mais antigas povoações de Minas Gerais e uma das mais importantes cidades do Caminho dos Diamantes e Estrada Real, graças a sua história e as minas de ouro e diamantes que atraíram bandeirantes e portugueses no século XVIII.(na foto acima de Tiago Geisler, vista parcial do Serro) A presença dos bandeirantes paulistas e portugueses deixou como herança uma arquitetura inigualável, simples, singela e muito rica em detalhes e história. A beleza de seu casario, suas belas igrejas, suas ruas traçadas no auge do Ciclo do Ouro, nos tempos do Brasil Colônia, impressionam pela riqueza dos seus traçados, bem como pela simplicidade da arquitetura colonial e barroca mineira.
          Famosa por seu queijo, de fama internacional, o Serro fica a 320 km distante de Belo Horizonte, no Alto do Jequitinhonha.  (foto acima de Tiago Geisler) Faz divisa com os municípios de Diamantina, Datas, Presidente Kubitschek, Sabinópolis, Alvorada de Minas, Conceição do Mato Dentro, Couto de Magalhães de Minas, Santo Antônio do Itambé, Serra Azul de Minas e Rio Vermelho. Segundo o IBGE, 21.940 pessoas vivem no município atualmente.
          Além de sua riqueza arquitetônica e história, o Serro guarda tradições folclóricas e religiosas, preservadas há mais de 300 anos, bem como sua rica culinária, tipicamente mineira, como o pão de queijo, requeijão, doces e os pratos típicos mineiros e ainda o queijo do Serro, registrado como Patrimônio Imaterial de Minas Gerais em 2002, pelo Iepha e Patrimônio Imaterial do Brasil, em 2008, pelo Iphan. (foto acima de Tiago Geisler o queijo do Serro e abaixo, a tradicional Festa de Nossa Senhora do Rosário)
          Pelos 1.217,645 km² do Serro, encontramos serras, morros, rios e cachoeiras, além de pitorescos e charmosos distritos, com um rico acervo arquitetônico, cultural e histórico. Dotados de uma beleza ímpar e uma simplicidade que impressiona, os distritos serranos são dotadas de uma paz e tranquilidade que somente as vilas mineiras proporcionam.
          O município do Serro é formado por pequenos povoados, comunidades quilombolas (na foto acima de Tiago Geisler, Mata dos Crioulos) como o Quilombo Baú, Quilombo Ausente, Quilombo Vila Nova, Quilombo Queimadas, Quilombo Fazenda Santa Cruz e pelos distritos de Milho Verde, São Gonçalo do Rio das Pedras, Mato Grosso, Monjolos, Três Barras da Estrada Real e Capivari. A cidade e alguns distritos, possuem ótima estrutura para receber os turistas como guias, hotéis e  pousadas.
Conheça os distritos do Serro:
Milho Verde
          O mais famoso distrito do Serro é Milho Verde. Uma pequena vila, charmosa, pitoresca, harmonizada pela simpatia e hospitalidade de seus moradores. Foi nessa localidade, entre os anos de 1731 e 1735, que nasceu Chica da Silva, escrava e mulher do Contratador de Diamantes João Fernandes de Oliveira. (na foto acima de Raul Moura, a Igreja do Rosário, um dos cartões postais de Minas Gerais)
          Milho Verde possui cachoeiras paradisíacas e paisagens encantadoras, bem como seu belo casario e suas belas igrejas como a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres (na foto acima, de Raul Moura), onde Chica da Silva teria sido batizada. (na foto abaixo de Norma Bittencourt, a Cachoeira do Moinho)
Monjolos
          Também chamado de Pedro Lessa, o distrito de Monjolos, como é mais conhecido, é um pacato vilarejo, com todos os detalhes da simplicidade e tradição das pequenas vilas mineiras. Se destaca entre os distritos serranos por suas belas cachoeiras entre elas, a Carioca, Moinho de Esteira, Cascata do Carioca, Cachoeira do Pimenta e Lajeado que fica no povoado de Boa Vista de Lajes. Pinturas rupestres podem ser vistas em um sítio arqueológico, além da singular Pedra Montada, uma escultura natural, muito procurada pelos turistas.
São Gonçalo do Rio das Pedras
          Lembra mais um presépio por sua paz e tranquilidade que transmite. Rico em história e preservando festejos religiosos tradicionais que atraem sempre visitantes, o distrito é o recanto do sossego. Seu casario tem traços coloniais, bem preservados e suas belezas naturais, como várias cachoeiras, são de tirar o fôlego. (foto acima de Raul Moura) 
Mato Grosso
          A Vila Deputado Augusto Clementino, popular Mato Grosso, é um local de peregrinação e fé.(foto acima de Thelmo Lins)  A vila com sua igreja, praça e casario tem as características típicas das tradicionais vilas mineiras. Mas não tem moradores. As dezenas de casas do distrito ficam fechadas durante quase todo o ano. O casario só volta a ser ocupado no mês de julho, durante o Jubileu de Nossa Senhora das Dores, um dos mais tradicionais eventos religiosos da região. Em abril acontece na Vila a Festa do Padroeiro, na Capela de São Sebastião e em setembro, a tradicional Festa de Nossa Senhora do Rosário.
Três Barras da Estrada Real
          Seu casario colonial se destaca pela simplicidade e seu povo pela simpatia e hospitalidade. As belezas naturais do distrito, em conjunto com sua a calma e beleza arquitetônica é o lugar ideal para quem busca paz, sossego e qualidade de vida num só lugar. (foto acima de Raul Moura)
Capivari
          É um dos mais visitados distritos serranos. É em Capivari que está uma das mais belas cachoeiras de Minas, a Cachoeira do Tempo Perdido. É a porta de entrada para o Pico do Itambé, Parque Estadual criado em 1998, mais conhecido como o “teto do sertão mineiro”. Subindo até o topo do pico, são 2.002 metros. A beleza é impressionante! (foto acima e abaixo de Tiago Geisler)
          Um dos destaques de Capivari são as flores e seus coletores, o que garante o sustento de muitas famílias, sendo também um dos atrativos para os turistas que visitam Capivari. Além disso, a charmosa vila tem um belo e simples casario, com um povo carismático, bem simples e trabalhador. Dão valor enorme ao trabalho que fazem com a coleta de flores e seu artesanato, além de preservarem sua fé e tradições religiosas.
          O Serro te espera para uma visita. (foto acima de Tiago Geisler) Na cidade o visitante pode contratar os serviços de guias especializados para poder conhecer melhor e aproveitar mais as belezas arquitetônicas, culturais, naturais e gastronômicas serrana. Caso queira mais informações, o telefone da Secretaria de Cultura e Turismo do Serro MG é (38) 3541-2754 
Como chegar ao Serro
Acessos MG-010, BR259, BR381, BR120
Horários de Ônibus de Belo Horizonte ao Serro:
- Via Curvelo - Diários, às 7 h; - Às sextas-feiras, às 7 e às 22:15 h; tempo de viagem: 6 h; Viação Serro.
- Via Serra do Cipó - Diários, às 6 e às 15 h; tempo de viagem: 6 h; Viação Serro.
- Serro-BH: Via Curvelo - Diários, às 15 h; - Aos domingos, às 13,20 e às 17 h; tempo de viagem: 6 h; Viação Serro.
- Via Serra do Cipó - Diários, às 6:15 h e 9,30 h; - De 2.ª a 6.ª, às 16 h;
- Diários, vindo de Rio Vermelho, por volta de 8 h; tempo de viagem: 6 h; Viação Serro. (fotografia acima de Elvira Nascimento)
MAIS INFORMAÇÕES SOBRE ÔNIBUS
- Rodoviária BH - ( 31 ) 3271-3000.
- Rodoviária Serro - ( 38 ) 3541-1366.
- Viação Serro - ( 31 ) 3201-9662 (rodoviária BH); ( 31 ) 3422-6690 (empresa BH).
- Saritur - ( 33 ) 3421-1196 (rodoviária de Guanhães); (31) 3479-4300 (empresa BH); ( 31 ) 3272-8525 (rodoviária de BH).
- Empresa São Geraldo - tel: ( 38 ) 3531-3840 (Diamantina).

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

As cores vivas da arquitetura de Martins Guimarães

(Por Arnaldo Silva) Lagoa da Prata é um município da região Centro Oeste de Minas. Faz divisa com os municípios de Luz, Moema, Japaraíba e Santo Antônio do Monte. Distante 202 km de Belo Horizonte, tem acesso pela BR 262, entrando no trevo de Moema, pela MG 170.
          Segundo o IBGE, Lagoa da Prata conta atualmente com 52.165 habitantes. É uma das mais prósperas cidades do Centro Oeste Mineiro, com uma ótima estrutura comercial e industrial contando com um variado comércio e indústrias de médio e grande porte, além de ter forte vocação para turismo, principalmente de aventuras.
          A cidade oferece atrativos turísticos naturais e de interesse ecológico como sua famosa praia, o Rio São Francisco, monumentos históricos e atividades eco turísticas praticadas na região, principalmente em seus distritos, sendo o mais procurado hoje, o Distrito de Martins Guimarães. (na fotografia acima de Rafael Robatine/Arquivo Sectur, vista parcial de Lagoa da Prata MG)
          O acesso ao distrito é pela MG 429. Até a vila, a estrada é toda pavimentada. As belezas do nosso cerrado estão presentes no distrito, além da beleza das correntezas do Rio Jacaré e 20 km de trilhas de Cerrado, o que atrai amantes de caminhadas e trilheiros.
          Martins Guimarães não chama atenção apenas por suas belezas naturais. Sua história, arquitetura e seu colorido casario, lembra muito o estilo da arquitetura, cores vivas e vibrantes do casario da famosa cidade de Burano, na Itália.
          As belezas naturais de Martins Guimarães e sua bem conservada e atraente arquitetura, vêm atraindo atenção de turistas de toda a região do Centro Oeste Mineiro, e também do Brasil. A pacata e pitoresca vila, é dotada de um charme incrível! Martins Guimarães é a Burano brasileira!
          Na Vila e zona rural vivem cerca de 400 pessoas. A economia do distrito é movimentada pelas atividades agrárias, de pequenos comércios e uma fábrica de cosméticos, de médio porte, a Fashion. Seus moradores são simples, muito hospitaleiros, gentis e demonstram um amor e carinho enorme à comunidade em que vivem.
A origem do nome 
          A história de Martins Guimarães é bem interessante. Começou no início do século XX com a chegada da Estrada de Ferro Oeste de Minas, que ligava Belo Horizonte a Garças, distrito de Iguatama, no Oeste de Minas. A ferrovia foi aberta entre 1911 e 1916, transportando carga e passageiros. A Estação de trem de Martins Guimarães, segundo os moradores, começou a ser construída em 1914 e inaugurada em 1916.
          O responsável pela obra foi o engenheiro José Francisco Guimarães Filho, mais conhecido por Martins Guimarães.
          Segundo dona Vanderléa Morais, que conhece profundamente a história da formação da vila, Martins Guimarães, contada por seu avô, hoje com 90 anos e lúcido, o engenheiro era holandês e usava dois nomes no Brasil. O original, holandês, muito difícil de falar, que nem ela e nem seu avô, lembram o nome. E o em português, Martins Guimarães, mais fácil de lembrar e de ser pronunciado, pelos moradores.
          O engenheiro fez carreira na Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB), deixando sua assinatura em diversas estações pelo Brasil. Martins Guimarães foi chefe de tráfego da EFCB, em 1892, posteriormente, chefe de linha, chegando a diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil.
          
Em sua homenagem, a estação de São José dos Campos em São Paulo, recebeu o nome de Estação Engenheiro Martins Guimarães.
          Em Minas Gerais, em Lagoa da Prata, a estação construída pelo engenheiro José Francisco Guimarães Filho, passou a se chamar, Estação Martins Guimarães, em sua homenagem, e por fim, todo o povoado, que cresceu em torno da estação, passou a ser conhecido por esse nome. (foto da foto da estação Martins Guimarães, na década de 1980)
        Antes da chegada da Estação de Trem em Martins Guimarães, o povoado já existia, bem pequeno. Cresceu com a chegada de várias pessoas e famílias, vindas de diferentes cidades da região, como o próprio avô de dona Vanderléa Morais, que veio, solteiro, de Santo Antônio do Monte, para trabalhar num comércio, fundado pelo italiano, Anielo Greco, na vila.
          Até os dias de hoje, o trem circula pelos trilhos do distrito, transportando somente cargas. O transporte de passageiros foi encerrado no início da década de 1990.
          Com a chegada do trem, a construção da Estação, bem como a venda, o povoado começou a crescer. Casarões em estilo barroco do século XIX começaram a ser erguidos e outros em estilo eclético, característicos do início do século XX. É uma vila tipicamente mineira, com toda beleza e simplicidade dos pitorescos e charmosos cantos de Minas Gerais. 
A união dos moradores pela comunidade 
          Com o fim do trem de passageiros, o distrito sofreu uma estagnação, se reerguendo com a instalação da indústria de cosmético Fashion e com a vinda novos moradores, principalmente de Lagoa da Prata, que começaram a construir casas no distrito para descanso de fins de semana ou mesmo fixar residência, já que a distância do distrito para Lagoa da Prata é de 30 km, com estrada pavimentada. 
          Percebendo a presença constante de visitantes e turistas, que vinham ao distrito para participarem de eventos religiosos e sociais em torno da Matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, vivenciar um convívio pleno com a natureza, sentir a calmaria e tranquilidade que somente as tradicionais vilas mineiras proporcionam, os moradores de Martins Guimarães sentiram a necessidade de melhorar ainda mais a vila. 
          Foi com a união da comunidade que o distrito começou a sofrer mudanças, principalmente na recuperação do casario, que ganhou vida nova com cores vivas, sobressaindo à alegria e beleza do conjunto arquitetônico. 
          Do mais chique casarão a mais simples casa, seus moradores foram incentivados a cuidar de suas residências, restaurando suas cores originais, melhorando sua calçada, cuidando de sua rua e de sua comunidade. 
          O resultado é uma melhor qualidade de vida para seus moradores e um aumento significativo de turistas. Como resultado imediato, houve um forte aquecimento da economia local, gerando mais empregos e impostos para o município. Está em fase final de construção uma pousada no distrito, bem como um restaurante, oferecendo mais opções aos turistas. 
          A maior riqueza de Martins Guimarães é seu povo. Simples, hospitaleiros, gentis, dotados de um amor enorme por sua terra e não escondem nem um pouco a alegria de ver suas casas todas coloridas e sua comunidade bem cuidada. 
          Estar em Martins Guimarães é sentir toda a beleza vibrante das cores de cada casa e a alegria de seu povo. A sensação é de estarmos num cenário de novela de época, um lugar de sossego, de alegria, de encanto. Natureza, simplicidade mineira, arquitetura barroca e eclética. Simbiose perfeita!
Reforma da Estação
          Uma das relíquias históricas de Martins Guimarães é sua antiga Estação de trem, hoje, abandonada. No local, enormes mangueiras dão sombra e frutos para seus moradores, mas o sonho de cada um que vive na Vila é ter sua velha estação restaurada. (acima, em 1990, com foto de Hugo Caramuru/Arquivo, quando ainda existia o trem de passageiros e abaixo, hoje, abandonada)
          Esse sonho pode estar perto de se realizar. Segundo os moradores, a Prefeitura abriu entendimentos com a Rede Ferroviária Federal, proprietária da Estação, para que o prédio seja reformado e possa ser usado pela comunidade. 
          Ainda está em fase de conversas, mas os moradores torcem por um final feliz e a comunidade possa ter sua estação toda restaurada, se tornando mais um atrativo para os turistas.
          A vila de Martins Guimarães, conta hoje com uma charmosa pousada, "O lugar", que serve café da manhã, almoço e jantar, o Barmazém (na foto acima) e tradicionais botecos, em frente a linha de trem, com bancos e mesas sob frondosas mangueiras. 
(exceto a fotografia de Lagoa da Prata, demais fotos são de autoria de Arnaldo Silva, bem como a reportagem)

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