quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

As cores vivas da arquitetura de Martins Guimarães

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Lagoa da Prata é um município da região Centro Oeste de Minas. Faz divisa com os municípios de Luz, Moema, Japaraíba e Santo Antônio do Monte e distante 202 km de Belo Horizonte, com acesso pela BR 262, entrando no trevo de Moema, pela MG 170. Segundo o IBGE, Lagoa da Prata conta atualmente com 52.165 habitantes.  É uma das mais prósperas cidades do Centro Oeste Mineiro, com uma ótima estrutura comercial e industrial contando com um variado comércio e indústrias de médio e grande porte, além de ter forte vocação para turismo, principalmente de aventuras. 

A cidade oferece atrativos turísticos naturais e de interesse ecológico como sua famosa praia, o Rio São Francisco, monumentos históricos e atividades eco turísticas praticadas na região, principalmente em seus distritos, sendo o mais procurado hoje, o Distrito de Martins Guimarães. O acesso ao distrito é pela MG 429. Até a vila, a estrada é toda pavimentada. As belezas do nosso cerrado estão presentes no distrito, além da beleza das correntezas do Rio Jacaré e 20 km de trilhas de Cerrado, o que atrai amantes de caminhadas e trilheiros.  
Martins Guimarães não chama atenção apenas por suas belezas naturais. Sua história e seu colorido casario, que lembra muito as cores vivas e vibrantes do casario da famosa Ilha de Burano, na Itália, vêm atraindo atenção de turistas de toda a região. A pacata e pitoresca vila é dotada de um charme incrível!
Na Vila e zona rural vivem cerca de 400 pessoas. A economia do distrito é movimentada pelas atividades agrárias, de pequenos comércios e uma fábrica de cosméticos, de médio porte, a Fashion. Seus moradores são simples, muito hospitaleiros, gentis e demonstram um amor e carinho enorme à comunidade em que vivem.
A origem do nome 
A história de Martins Guimarães é bem interessante. Começou no início do século XX com a chegada da Estrada de Ferro Oeste de Minas, que ligava Belo Horizonte a Garças, distrito de Iguatama, no Oeste de Minas. A ferrovia foi aberta entre 1911 e 1916, transportando carga e passageiros. A Estação de trem de Martins Guimarães, segundo os moradores, foi inaugurada em 1914. Até hoje o trem circula pelos trilhos do distrito, transportando somente cargas. O transporte de passageiros foi encerrado no início da década de 1990.
 Antes de a Estação ser construída, o nome Martins Guimarães já existia. Segundo "Seu” Armando Borges (acima, conversando comigo), de 80 anos, nascido e criado no distrito, o nome foi dado por causa de um viajante. Segundo ouviu de seu pai, antes da chegada da linha férrea, já existia um pequeno povoado no local. Sempre aparecia nas redondezas um senhor que vendia gêneros essências para o povo da época, como querosene, sal, açúcar, tecidos, fumo, lamparinas, etc. Com a criação da linha férrea, este senhor vislumbrou uma oportunidade melhor de negócios, acreditando que o local prosperaria com a ferrovia, resolveu fixar-se no local. Segundo "Seu" Armando, seu nome era Martins Guimarães,  
O vendedor montou então no vilarejo uma pequena venda que atendia as necessidades dos moradores do povoado. A venda tinha de tudo. Se não tivesse na hora, encomendava. Assim a venda do Martins Guimarães foi se tornando referência no povoado e vizinhança, se popularizando como nome do local. Como disse o “Seu” Armando, quando ouvia as histórias de seu pai, todos vinham comprar na venda do Martins. Faltou alguma coisa em casa, na venda do Martins Guimarães tinha. Assim ficou até hoje, Martins Guimarães, segundo relatos de um dos mais antigos moradores do distrito. 
Com a chegada do trem, a construção da Estação, bem como a venda, o povoado começou a crescer. Casarões em estilo barroco do século XIX começaram a ser erguidos e outros em estilo eclético, característicos do início do século XX. É uma vila tipicamente mineira, com toda beleza e simplicidade dos pitorescos e charmosos cantos de Minas Gerais. 
A união dos moradores pela comunidade 
Com o fim do trem de passageiros, o distrito sofreu uma estagnação, se reerguendo com a instalação da indústria de cosmético Fashion e com a vinda novos moradores, principalmente de Lagoa da Prata, que começaram a construir casas no distrito para descanso de fins de semana ou mesmo fixar residência, já que a distância do distrito para Lagoa da Prata é de 30 km, com estrada pavimentada. 
Percebendo a presença constante de visitantes e turistas, que vinham ao distrito para participarem de eventos religiosos e sociais, vivenciar um convívio pleno com a natureza, sentir a calmaria e tranquilidade que somente as tradicionais vilas mineiras proporcionam, os moradores de Martins Guimarães sentiram a necessidade de melhorar ainda mais a vila. 
Foi com a união da comunidade que o distrito começou a sofrer mudanças, principalmente na recuperação do casario, que ganhou vida nova com cores vivas, sobressaindo à alegria e beleza do conjunto arquitetônico. Do mais chique casarão a mais simples casa, seus moradores foram incentivados a cuidar de suas residências, restaurando suas cores originais, melhorando sua calçada, cuidando de sua rua e de sua comunidade. O resultado é uma melhor qualidade de vida para seus moradores e um aumento significativo de turistas. Como resultado imediato, houve um forte aquecimento da economia local, gerando mais empregos e impostos para o município. Está em fase final de construção uma pousada no distrito, bem como um restaurante, oferecendo mais opções aos turistas. 
A maior riqueza de Martins Guimarães é seu povo. Simples, hospitaleiros, gentis, dotados de um amor enorme por sua terra e não escondem nem um pouco a alegria de ver suas casas todas coloridas e sua comunidade bem cuidada.  
Estar em Martins Guimarães é sentir toda a beleza vibrante das cores de cada casa e a alegria de seu povo. A sensação é de estarmos num cenário de novela de época, um lugar de sossego, de alegria, de encanto. Natureza, simplicidade mineira, arquitetura barroca e eclética. Simbiose perfeita!
Reforma da Estação
Uma das relíquias históricas de Martins Guimarães é sua antiga Estação de trem, hoje, abandonada. No local, enormes mangueiras dão sombra e frutos para seus moradores, mas o sonho de cada um que vive na Vila é ter sua velha estação restaurada. (acima, em 1990, com foto de Hugo Caramuru/Arquivo, quando ainda existia o trem de passageiros e abaixo, hoje, abandonada)
Esse sonho pode estar perto de se realizar. Segundo os moradores, a Prefeitura abriu entendimentos com a Rede Ferroviária Federal, proprietária da Estação, para que o prédio seja reformado e possa ser usado pela comunidade. 
Ainda está em fase de conversas, mas os moradores torcem por um final feliz e a comunidade possa ter sua estação toda restaurada, se tornando mais um atrativo para os turistas. 
Outra reforma que está ocorrendo no distrito é a reforma da Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que além do casario, ganhará cores novas, completando a beleza do conjunto arquitetônico em seu entorno. (Por Arnaldo Silva, texto e fotografias)
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Quero agradecer aos meus amigos Zezé Bárbara de Moema e Walter Sylva de Lagoa da Prata por terem disponibilizado tempo para me acompanharem à Martins Guimarães e possibilitado essa reportagem. O lugar é fantástico e agradeço de coração aos meus dois amigos o apoio e ajuda.

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