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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Unesco reconhece BH como Cidade Criativa na Gastronomia

Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgou em 30/10/201, a lista das novas cidades que integram a Rede de Cidades Criativas do mundo, em Paris, França. A rede de de cidades foi criada com a finalidade de promover a cooperação entre municípios em todos os continentes, que têm na criatividade um fator importante para o desenvolvimento urbano sustentável. Foram 64 novas cidades que passaram a integrar a lista hoje com 250 municípios em todo o mundo. Belo Horizonte teve o titulo de Cidade Criativa na Gastronomia. 
           A capital dos mineiros, Belo Horizonte, foi reconhecida por sua valiosa e rica gastronomia, muito valorizada pelo belo-horizontino e reconhecida pelos visitantes, principalmente na famosa “cultura de boteco” já que BH é reconhecida como a capital dos bares no Brasil. A gastronomia belo-horizontina movimenta a economia da capital, gerando impostos, renda e milhares de empregos. Os milhares de bares e restaurantes belo-horizontinos, sempre inovam, criam e apresentam pratos diferentes. Fatores esses importantes para o reconhecimento pela Unesco.          
          Por sua culinária, apenas 21 cidades no mundo inteiro tinham esse reconhecimento da UNESCO. No Brasil, a capital de Santa Catarina, Florianópolis, Belém, capital do Pará e agora Belo Horizonte, tem o título internacional de Cidade Criativa em Gastronomia. 
          Em todos os quesitos, gastronomia, arte mídia, design, música, cinema, artesanato e artes folclóricas e literatura são agora 250 municípios em todo o mundo  que fazem parte da Rede de Cidades Criativas da Unesco, sendo 10 cidades brasileiras como podem ver na lista abaixo em ordem alfabética:
1. Belém (PA) - gastronomia
2. Belo Horizonte (MG) - gastronomia
3. Brasília (DF) - design
4. Curitiba (PR) - design
5. Florianópolis (SC) - gastronomia
6. Fortaleza (CE) - design
7. João Pessoa (PB) - artesanato e artes folclóricas
8. Paraty (RJ) - artesanato e artes folclóricas
9. Salvador (BA) - música
10. Santos (SP) – cinema
          Uma das obrigações das cidades que recebem esse título é a de defender e criar ações voltadas para desenvolvimento sustentável das comunidades locais com foco para 
pessoa, planeta, prosperidade, paz e parceria. As cidades, para manter esse título, terão que desenvolver ações nessa área, o que sem dúvida é um grande incentivo e motivo para que surjam novas ações nesta área. Quem ganha é a cidade e seus moradores. (Por Arnaldo Silva, com fotografia de Marino Júnior)

sábado, 26 de outubro de 2019

Os lírios nativos do Vale do Jequitinhonha

(Por Arnaldo Silva) Os lírios tem sua origem na Ásia, Oriente Médio, Europa e na América do Norte. Foram introduzidos na América Latina pelos Portugueses e espanhóis. Lírio é denominação genérica das espécies da família das liláceas. Algumas espécies de lírios recebem o nome de açucena. São cerca de 100 espécies existentes no mundo, mais da metade dessas espécies são nativas do Japão e China. Algumas são híbridas, oriundas do cruzamento de espécies diferentes, resultado em cores variadas ou modificadas naturalmente, adaptadas às regiões onde foram plantadas, no caso no clima de Minas Gerais. (foto abaixo de Ernani Calazans em Araçuai MG)
     Os lírios são plantas resistentes às intempéries do tempo, como secas prolongadas e podem chegar até 2 metros de altura, dependendo da espécie. Uma dessas espécies, a lírium candidum, foi a que mais se adaptou ao clima do Brasil, especialmente de Minas Gerais, onde se adaptou muito bem, dando origens a diversas plantações nativas no território mineiro.
     A espécie foi introduzida no Brasil no século 19, adaptando-se a algumas regiões mineiras como na Serra da Canastra e no Vale do Jequitinhonha, com poucas modificações, tornando-se com o tempo adaptados e nativos dessas regiões. No Vale do Jequitinhonha, os lírios nascem espontaneamente e com florada sempre no mês de outubro. Os campos de lírios são comuns em Araçuaí, Itinga e arredores. É difícil não parar para ver, adentrar-se nos campos floridos e sentir o perfume dos lírios do campo. 
     No Vale do Jequitinhonha os lírios nativos são chamados de “Cebolinha” ou “Neve do Cerrado” pelo sertanejo. Surge na primeira grande chuva da primavera, com florada entre 20 a 30 dias de duração. No final de setembro e início de outubro, são comuns os campos de lírios em Araçuaí e arredores. (foto acima de Ernani Calazans em Itinga MG) 
     Sua beleza é impactante, presente em decoração de eventos, em arranjos florais e buquês. Embora suas flores simbolizem uma delicada simplicidade, é considerada a rainha das flores, simbolizando ainda a castidade, pureza e inocência. Junto com as rosas, são as flores mais perfumadas do mundo. Seu perfume é inebriante e transmite uma gostosa sensação de paz e tranquilidade. (foto abaixo de Ernani Calazans em Itinga MG)

     Presente na história da humanidade, desde os tempos antigos encantam por sua beleza, resistência e perfume inigualável. Era uma das flores mais admiradas por Jesus Cristo, citada inclusive em suas mais belas pregações, o Sermão da Montanha: “Olhai para os lírios do campo, como eles crescem: não trabalham nem fiam…” Mt. 6.28. (foto abaixo de Mônica Jocélia Evangelista em Itinga MG)
     Ao longo da história, foi retratada em telas de artistas famosos, desde os tempos da Grécia e Roma antigas, até os dias de hoje. A magia dos lírios, que há milhares de anos encanta e perfuma o mundo, está presente sempre em jardins, campos e também em lendas, misticismo, simpatias, crendices populares e na religiosidade. Na Grécia antiga desenhos de lírios homenageiam a deusa Hera. Na Igreja Católica, o lírio é o símbolo da Virgem Maria. Os antigos acreditavam também que os lírios tinham o poder de reconciliar casais em fim de relacionamento. Não é à toa que o significado de lírio é “amor eterno”. É a flor, ao lado da rosa, símbolo do amor. Na China, onde a planta é cultivada há mais de três mil anos, sua florada densa é sinal de fartura. (foto abaixo de Ernani Calazans em Araçuai MG)
     Pra nos mineiros, os lírios nativos estão presentes em várias partes do nosso Estado, sendo notados ou não, estão lá, perfumados, lindos, delicados e frondosos. Quem quiser conhecer os lírios nativos do Vale do Jequitinhonha, um convite para o mês de outubro, visitar Araçuaí, Itinga e arredores. É um espetáculo deslumbrante e perfumado. 
(Reportagem de Arnaldo Silva, com fotografias de Ernani Calazans de Araçuai e Mônica Jocélia Evangelista de Itinga MG)

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

A Matriz de Santo Antônio de Pádua em Santa Bárbara

(Por Arnaldo Silva) Fundada em 1704, Santa Bárbara é uma das mais antigas cidades mineiras. Distante apenas 105 km de Belo Horizonte, faz divisa com os municípios de Alvinópolis, Barão de Cocais, Catas Altas, Caeté, Itabirito, Mariana, Ouro Preto, Rio Acima, Rio Piracicaba e São Gonçalo do Rio Abaixo. A cidade tem hoje, segundo o IBGE, 31324 habitantes. (foto acima de Thelmo Lins)
     É uma das mais belas e importantes cidades históricas de Minas Gerais com construções do século 18 e 19 muito bem preservadas. Em destaque para o Hotel Quadrado, a sede da Prefeitura, a antiga Cadeia Municipal, a Pharmacia Sant´Anna (hoje Museu do Judiciário Municipal), o Chalé Barroco, a Casa da cultura, a Igrejinha de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, o casario colonial da Rua Rabelo Horta, capelas, igrejas e uma beleza natural incrível, com paisagens deslumbrantes. (foto acima de Thelmo Lins)
     O grande destaque de Santa Bárbara é sem dúvida a Matriz de Santo Antônio, construída em 1724 no estilo setecentista, que era o movimento artístico predominante na Europa no século 18, introduzido no Brasil pelos construtores portugueses na construção de igrejas e casarões. O interior da Igreja conta com arte sacra de grandes escultores da época e mestres da pintura, como Mestre Ataíde. É sem dúvida alguma uma das mais belas e impactantes construções do século 18. (na foto acima de Elvira Nascimento, a Matriz e ao fundo a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos)  
     Em 1821, Dom frei José da Santíssima Trindade, então Bispo de Mariana, em visita pastoral à cidade, ficou perplexo com a beleza do templo dedicado a Santo Antônio, considerando a Matriz de Santa Bárbara como a mais linda que visitou até então. (foto acima e abaixo de Thelmo Lins)     
     E até hoje a igreja continua assim, linda, preservada, bem cuidada e impressionando os visitantes desde a sua fachada, com sua portada bem talhada, torres, cúpula e pilastras e cunhas de madeira, bem como seu interior com as pinturas do Mestre Ataíde e toda obra talhada, bem como a beleza dos seus seis altares no estilo barroco e rococó, bem como os adornos e detalhes muito bem trabalhadores que formam o conjunto da Matriz. Uma verdadeira obra de arte que impressiona. (foto acima de Gislene Ras)  
     Os estilos setecentistas, barroco e rococó estão presentes na Igreja de Santo Antônio devido às reformas e reconstruções nos últimos séculos. Por isso é uma igreja singular, com os estilos de época presentes em seu exterior e principalmente no interior do templo. (foto acima de Gislene Ras)
     A Igreja de Santo Antônio de Pádua em Santa Bárbara não é apenas uma igreja, é uma verdadeira obra de arte. (foto acima de Elvira Nascimento) E esta espetacular obra de arte merece ser vista por todos que amam a história, bem como a riqueza da arquitetura do século 18 e 19. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Os segredos para fazer um pão de queijo perfeito

(Por Arnaldo Silva) Em Minas, o nosso pão é de queijo. É uma das principais identidades mineiras, presente em todas as mesas dos 853 municípios e 1772 distritos por toda Minas Gerais.

     Apreciado no Brasil inteiro e em vários outros países do mundo, o pão de queijo tem seus segredos para ser bem feito. Mineiro quando come pão de queijo fora do Estado, estranha logo. Não é igual ao feito em Minas. Isso porque fazer pão de queijo é arte, doação, vocação e tradição, que vem de gerações. E claro, tem seus segredos também.
     Antes de passar a receita do Pão de Queijo, vou contar alguns segredos da nossa mais fina e importante iguaria. Do nosso forno à lenha, para sua mesa.O pão de queijo perfeito começa com a escolha dos ingredientes e claro, entender, entender a função de cada ingrediente.
     Primeiramente, para fazer um bom pão de queijo você tem que entender um pouquinho sobre a diferença de polvilho doce para o azedo. O polvilho, quando não fermentado, tem o sabor um pouco adocicado, por isso chama-se polvilho doce. 
     O pão de queijo feito com polvilho doce tem a massa mais densa e ficam bem macios depois de assado.
     Já o polvilho fermentado fica um pouco azedado. É o mais usado para fazer pão de queijo, já que o polvilho azedo faz com que os pães de queijo cresçam mais e fiquem mais crocantes e quando frios, ficam mais secos. 
     Outro ingrediente primordial é o queijo. Não tem que ter miséria não. Para cada quilo de polvilho, usa-se pelo menos 850 gramas de queijo. Isso porque o pão é de queijo e não de polvilho, é de queijo, por isso tem que ter muito queijo. Não adianta colocar algumas gramas de queijo na massa, como é comum hoje. Tem que colocar é queijo mesmo e sem dó, a não ser que você queira comer pão de polvilho. Se quer comer pão de queijo de verdade, não economize no queijo. 
     Para identificar um bom pão de queijo, use o olfato e o paladar. Quando ele estiver quente, sinta o cheiro. Se o cheiro predominante for de queijo, pode provar que é bom. A massa terá cheiro e gosto do queijo. Mas se não sentir cheiro de queijo é porque tem pouquíssimo queijo. Está mais para pão de polvilho, que pão de queijo. Nem precisa provar.
     Mas que tipo de queijo escolher? Ai depende do seu gosto. Se usar um queijo fresco o pão ficará mais pesado. Isso porque a massa densa do queijo fresco contém muito soro, gordura e água, que se desprendem ainda na massa e principalmente quando os pães vão para o forno. Mesmo assim se for usar o queijo fresco, não rale, quebre-o com as mãos que melhora um pouco.
     Pra fazer pão de queijo, o correto é usar queijo meia cura, com pelo menos 20 dias de maturação, aqueles com casca bem dura mesmo. Além disso, tem que ser ralado grosso.
     Os melhores queijos para fazer pão de queijo e todas as quitandas mineiras são o Queijo D´Alagoa, Canastra do Ivair, Roça da Cidade de São Roque de Minas, Araxá, Queijo da Serra do Salitre, queijo de Barbacena, queijo de Diamantina, queijo de Montes Claros, queijo do Dinho de Piumhi MG, queijos do Triângulo Mineiro, queijo da Marli de Sacramento, queijos de Carrancas. Esses eu conheço e recomendo, mas se não encontrar um desses em sua cidade, compre um de que seja curado, com pelo menos 20 dias. 

     Outro ingrediente para um bom pão de queijo é o óleo. Tradicionalmente usa-se a gordura da banha de porco, mas hoje é comum usar o óleo de cozinha comum, de soja, milho ou girassol. Mas o correto é com a banha do porco, isso porque o óleo comum altera a textura da massa deixando-a pesada, dependendo da qualidade do óleo, com tendências para murchar. Por isso que alguns pães de queijo ficam com mais cara de pneu furado que de pão de queijo. Se não tiver ou não quiser usar a banha do porco, use então óleo de milho. Esse óleo deixa o pão mais macio. 
     Na parte do escaldo, muita gente não entende porque da mistura da água com o óleo. As duas combinações, juntamente com o leite, provocarão uma reação no amido do polvilho fazendo com que a massa fique mais encorpada e meio gelatinosa. Isso facilita a homogeneização de toda a massa. Se não usar água e apenas o leite, a massa ficará bem grudenta e não dará nem para fazer os moldes, por isso a importância da água. 
     Falando em leite, tem que ser integral. Nada de leite longa vida. O leite não pode estar gelado e sim em temperatura ambiente, não precisar aquecê-lo. O que tem que ferver é a água e o óleo, o leite não. O leite é usado quando a massa está sendo sovada, para amolecê-la e dar uma boa liga. Fará com que a massa se desgrude das mãos com facilidade, tornado-a mais firme. Não tem quantidade exata de leite, sovando a massa, vá pingando leite até que ela esteja no ponto.
     Dependendo do queijo que usar, tome cuidado com o sal. Está na receita apenas para dar gosto, mas alguns queijos mineiros são bem picantes, como o Araxá. Se fizer o pão com esse tipo de queijo, nem precisa usar sal. Outros queijos tem pouco sal, ai seria bom colocar uma pitada mesmo. 

     E por fim, tem os ovos. Bom mesmo seria se tivesse um galinheiro e pudesse pegar os ovos no ninho e fazer o pão de queijo. Mas como a maioria mora na cidade e não tem esse privilégio, escolha ovos de qualidade, frescos de preferência. Os ovos são muito importantes na receita já que interferem na leveza e textura do pão de queijo. A combinação do ovo com o polvilho ajuda a massa ficar homogênea e firme, além de reter os gases que se formam no interior da massa, devido à fermentação do polvilho azedo. Então, escolha ovos de qualidade.
Depois das dicas de como fazer um pão de queijo perfeito, vamos à receita:
Ingredientes:
- 1 quilo de polvilho azedo
- 1 copo (americano) de água
- 1 copo (americano) de banha de porco ou óleo
- 4 ovos grandes ou 8 pequenos
- 1 pitada de sal
- 850 gramas de queijo Minas meia cura ralado grosso
- Leite integral (não precisa aquecer e a quantidade é mais ou menos um copo americano)
Como fazer Pão de Queijo
- Colocar o óleo e a água para ferver e com o polvilho numa vasilha, vá jogando o liquido e misturando ou escaldando até esfriar.
- Depois de frio, coloque os ovos, um a um e continue sovando.
- Se a massa estiver muito seca, pingar leite aos poucos e continuar sovando até que ela esteja no ponto de enrolar ponto de enrolar.
- Por último, coloque o queijo e misture.
- Untar as mãos com óleo e faça os moldes dos pães de queijo e coloque no tabuleiro.
- Por cima dos pães de queijo, no tabuleiro, espalhe queijo ralado. (o resultado de colocar queijo por cima dos pãezinhos é esse das fotos. O queijo irá derreter e deixará o pão de queijo com "verrugas", o que dará mais sabor ao pão.)
- Asse em forno pré-aquecido a 220ºC.
- Quando começarem a dourar, diminua a temperatura 180ºC e desligue quando já estiver dourados. Isso fará com que o pão de queijo fique firme, crocante e seco.
Sirva com um bom cafezinho mineiro.
 (Texto e fotografias de autoria de Arnaldo Silva)

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Um dos pães mais gostosos do mundo, diz CNN

(Por Arnaldo Silva) Entre os 50 pães mais gostosos do mundo está o tradicional pão de queijo de Minas Gerais, segundo a rede de TV norte-americana CNN. 
          A eleição dos melhores 50 pães do mundo foi promovida pela empresa dos Estados Unidos, em homenagem ao Dia do Pão, comemorado no mundo inteiro no dia 16 de outubro de cada ano. A empresa promoveu uma eleição em nível mundial, já que a emissora de TV tem sedes em vários países do mundo. Entre os 50 pães mais gostosos do mundo eleitos pela emissora, o Brasil se fez presente com o nosso pão de queijo.
          Ao explicar o que é pão de queijo na divulgação do resultado da eleição, a CNN citou a mandioca como a base da produção da iguaria, afirmando que “é a base para uma das guloseimas mais saborosas do Brasil, um pãozinho de queijo cuja crosta crocante dá lugar a um interior macio e levemente azedo”. 
          Não se sabe ao certo a origem dessa quitanda mineira. Acredita-se que sua origem é do século XVIII e começou na região Sul de Minas. Há quem diga que a origem é na região do Serro, na Serra do Espinhaço. A única certeza é que o pão de queijo é criação genuinamente mineira.
          O pão de queijo está presente na mesa mineira há quase 300 anos e faz parte da identidade de Minas Gerais. É impossível falar de Minas, sem falar de pão de queijo. Apesar de ser mais famoso pão dos mineiros, apenas a partir de 1950 que a iguaria mineira se tornou popular no Brasil, sendo um de seus maiores divulgadores, o ex-presidente Juscelino Kubistchek. Hoje está presente na vida de todo o brasileiro e do mundo, já que o nosso pão de queijo rompeu as fronteiras nacionais e está na Europa, Estados Unidos e na China e outros países. 

          O segredo para um pão de queijo perfeito além do queijo é o polvilho. O polvilho doce, que é o polvilho não fermentado, por isso fica com um sabor adocicado, deixa o pão de queijo mais denso e bem uniforme. Já o polvilho azedo, que é o polvilho fermentado, faz com que o pão de queijo cresça mais e fique mais seco depois de frio. 
(Fotografia ilustrativa enviada pela Aline Marques do Cantinho de Minas em São João Batista do Glória MG)

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Bueno Brandão: o Campo Místico das Gerais

Encravada nas montanhas e campos místicos da Serra da Mantiqueira, no sul das Minas Gerais, agraciada com exuberante vegetação e abundância de águas, inclui-se na paisagem a adorável cidade de Bueno Brandão.
Terra de gente tranquila, que cedo levanta para cuidar dos afazeres do dia, e que no cair da tarde ainda acha tempo para um dedinho de prosa com os amigos. Terra de gente disposta que produz alimento, artesanato, comida boa, e que descobre a cada dia o prazer de receber os mais diversos visitantes.(Fotografia acima de WJD)
LOCALIZAÇÃO:
Bueno Brandão fica localizada no extremo sul de Minas Gerais, na divisa com o Estado de São Paulo. Bem localizada, a cidade fica próxima das grandes metrópoles regionais como São Paulo/SP (170 km), Campinas/SP (151 km), Bragança Paulista/SP (83 km), Pouso Alegre/MG (72 km), Itajubá/MG (141 km), entre outras. Os municípios limítrofes são Ouro Fino e Inconfidentes a norte, Bom Repouso e Senador Amaral a leste, Munhoz a sul, Socorro (São Paulo) a oeste e Monte Sião a noroeste. (na foto enviada pelo Douglas Coltri, o famoso Castelinho)
O CLIMA:

Em Bueno Brandão, o verão é longo, morno, com precipitação e de céu encoberto; o inverno é curto, ameno e de céu quase sem nuvens. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 0 °C a 27 °C.
AS CACHOEIRAS:
Além da paz, da aventura, da culinária, das montanhas, dos artesanatos, da cultura mineira, além de ser Bueno Brandão bonita por natureza. Existem as Cachoeiras, Felix, Machado I e II, Davi, Cascavel, Luiz (na foto acima do Roberto Torrubia), Fidêncio, Malacacheta, Cafundó e tantas outras geladas, quentes, altas, baixas, tranquilas, agitadas, CACHOEIRAS para que se possa ainda mais, não estar, mas sim fazer parte de tudo isso. São mais de 30 cachoeiras catalogadas.
PICOS E VALES:
Para chegar perto do céu os picos, 1200, 1300, 1880 metros acima do nível do mar, para tirar o fôlego de quem busca a vida sem quietude. O deslumbre dos mares de Minas é ainda mais fantástico visto das montanhas de Bueno Brandão. Para subir fica ao gosto do freguês, como dizem os “vendeiros” da cidade, vale a trilha, vale o jipe, vale a moto, vale a bicicleta, só não vale deixar de sentir os ventos que sopram refrescando o suor de quem se sente bem aventurado. O Vale das Furnas, é um dos atrativos para aqueles que gostam de fotografia panorâmica. Nele também contamos com a vista de cidades vizinhas como Ouro Fino e Inconfidentes. (na foto acima de Roberto Torrubia o Mirante da Serrinha)
TURISMO DE AVENTURA:
Bueno Brandão dispõe de locais adequados para prática de cascanding, rapel, boia-cross, tirolesa, arvorismo, voo livre, ciclismo, off road, motociclismo e outros, oferecendo aos seus visitantes a possibilidade de vivenciar a aventura, ainda que não sejam esportistas.
TURISMO ECOLÓGICO:
Com uma farta oferta de matas, trilhas, rochedos, ar puro, mirantes, cachoeiras, pastagens, rica fauna e flora, além de centenas de nascentes e minas d’agua que brotam desse solo abençoado, Bueno Brandão destaca-se como destino vivaz para os amantes de ambientes naturais e preservados propícios ao relaxamento, a meditação e a contemplação. As noites são um espetáculo à parte, já que Bueno Brandão tem uma das melhores localizações da América do Sul para observação das estrelas. (foto acima de Roberto Torrubia)
ESPORTE AO AR LIVRE:
Sem dúvida Bueno Brandão reúne todos os recursos necessários para os apaixonados pelo esporte ao ar livre, seus topos de montanhas, suas trilhas desafiantes, cachoeiras, lagos, possuem as qualidades necessárias para a prática destes esportes.
A GASTRONOMIA:
Nos restaurantes, bares, cantinas e cafés, Bueno Brandão guarda outra surpresa para os visitantes, um segredo que se revela à mesa farta, entre cores, aromas e sabores, resultado de todas as influências que formaram a cultura brasileira, a culinária mineira é uma das mais apreciadas do país. Se delicie com broas de milho, pães de queijo, tutus de feijão, linguicinhas, massas apetitosas e para fazer a digestão, prove especialidades da terra como a jeropiga, licor de amora, vinho artesanal e o delicioso espumante da uva niagara, ou as famosas cachaças mineiras. (foto ao lado do Roberto Torrubia)
A HOSPEDAGEM:
São mais de 30 opções, entre hotéis, pousadas charmosas e aconchegantes, com vistas para lindas paisagens e algumas delas bem perto das cachoeiras.
VIDA-EQUILIBRADA:
A vida aqui segue outro ritmo, quem chega aqui perde a pressa, principalmente de ir embora, a tranquilidade típica mineira torna-se um dos principais atrativos. Conciliados com a energia que emana da natureza a renovação vital é certeza para o visitante. Águas que correm num fluxo equilibrado, ar puro com frescor das montanhas, aceleram o astral para quem quer revitalizar a alma. A paz de Bueno Brandão torna-se tão presente da vida que até os cachorros dormem no meio da rua. (foto abaixo enviada pelo Douglas Coltri)
Texto de autoria de Geraldo Adami - Texto e fotografias enviados por Douglas Coltri - Chefe do Departamento de Turismo de Bueno Brandão
Noturna de Bueno Brandão. Fotografia de Roberto Torrubia
GUIAS E RECEPTIVO
Receptivo Buena Ventura: Vivências de Jipe 4 x 4 (11) 9 8381-8395
Romero Dumond: (35) 9 9969-6154 - Yuri: (035) 999526920
Centro de Atendimento ao Turista // Secretaria de Turismo : (35) 3463-2384 / (35) 9 9725-3663 - E-mail: turismo.chefe@buenobrandao.mg.gov.br

sábado, 5 de outubro de 2019

A Vila da Capela do Saco

Capela do Saco é um distrito de Carrancas, na região do Campo das Vertentes. (foto acima de Gilson Nogueira) Lugar de rara beleza fica às margens do Rio Grande. Tem sua origem no início do século 18, na Fazenda do Saco, de propriedade de Dona Júlia Maria da Caridade. Nesta fazenda, foi erguida em 1712, uma singela capela em pedras, dedicada a Nossa Senhora da Imaculada Conceição, motivada pela crença da aparição da santa às margens do Rio Grande. Hoje a capela tem 309 anos, sendo considerado o primeiro patrimônio histórico de Carrancas. (na foto abaixo de Gilson Nogueira) No mês de julho, a Festa da Imaculada Conceição, é uma das mais fortes e antigas tradições do município. 
Construir capelas em fazendas era prática comum nos tempos do Brasil Colônia devido à dificuldade de locomoção até as igrejas, que ficavam nas cidades. As capelas construídas serviam para orações e práticas da fé católica dos proprietários e seus familiares. Muitas dessas capelas construídas dentro de fazendas deram origem a grandes povoados e até cidades. (foto abaixo de Kiko Neto)
A partir de 1879 as terras em torno da capela foram doadas para formação de um povoado. Neste caso, como a capela foi construída na Fazenda do Saco, o povoado que surgiu em torno da mesma, passou a ser chamado popularmente de Capela do Saco. 
Hoje a Capela de Nossa Senhora da Conceição é patrimônio tombado pelo IEPHA/MG e um dos mais importantes patrimônios de Minas, bem como toda a vila, que foi de grande importância para a economia local no século 18. (foto acima de Gilson Nogueira) Quando não existia a ferrovia, o Porto do Saco, às margens do Rio Grande, foi um importante canal comercial para escoamento da produção de ouro de São João Del Rei e Ouro Preto, até o porto final de Paraty. Quando possível, boa parte da produção seguia de barco pelos rios e completava o trajeto em carros de bois até o destino final, Paraty, onde o ouro de Minas seguia em navios para Portugal. 
Além da rica história da Capela do Saco, não se esqueçam que fica em Carrancas, uma das maravilhas de Minas graças a suas paisagens paradisíacas, constantemente sendo cenário de novelas e filmes, o povoado é também rico em belezas naturais como cachoeiras, o Rio Grande e a represa de Camargos (na foto acima e abaixo de Jerez Costa) onde os turistas trazem lanchas, botes, jet skis e se deliciam em suas águas.
A Capela do Saco tem outro tesouro valioso. Seu povo. Gente simples, atenciosa, gentis, muito hospitaleiros e adoram uma boa prosa com os visitantes. Vale a pena conhecer a Vila da Capela do Saco, suas belezas, história e seu povo maravilhoso. 
Como Chegar a Capela do Saco
DE CARRO
Saindo de Belo Horizonte pegue a Rodovia Fernão Dias, sentido Betim e siga até a entrada de Lavras e pegue a BR 265 e siga as placas indicativas até Carrancas. Próximo a Itutinga avistará a Represa de Camargos, o Rio Capivari e a Serra de Carrancas. De Itutinga a Carrancas são 26 km e de Carrancas, para a Capela do Saco. Basta seguir as placas indicativas na cidade ou parar perguntar como chegar.
DE ONIBUS
Terá que ir até São João Del Rei e de lá pegar outro ônibus para Caquende que sai da rodoviária duas vezes ao dia. Chegando a Caquende, terá que atravessar o Rio Grande de balsa (na foto acima de Gilson Nogueira), é rápido a travessia que acontece quatro vezes ao dia. (Por Arnaldo Silva)

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

A Fazenda Boa Esperança em Belo Vale

(Por Arnaldo Silva) A cidade de Belo Vale fica a 80 km de Belo Horizonte. Foi um dos primeiros arraiais fundados em Minas Gerais. Sua história inicia por volta de 1681 com a chegada dos Bandeirantes e a descoberta de ouro em 1700, nas roças de Matias Cardoso, hoje distrito de Roças Novas. A partir dessa época o arraial foi se desenvolvendo e surgindo fazendas e casarios no estilo colonial, presentes até hoje na área urbana da cidade.
      Uma dessas construções é a Fazenda Boa Esperança, uma das mais espetaculares fazendas de Minas Gerais, já na zona rural do município, menos de 5 km distante do centro da cidade. A sede da fazenda conta com um imponente casarão, cuja construção teve início entre os anos de 1760 e 1780, sendo concluída no início do século 19. Pertenceu à família Monteiro de Barros, sendo herdada por Romualdo José Monteiro de Barros –1773-1855 e Francisca constância Leocádia da Fonseca, respectivamente Barão e Baronesa do Paraopeba.(fotografia acima e abaixo de Evaldo Itor Fernandes)
     A Fazenda Boa Esperança era o centro produtivo da região formado por um completo de outras fazendas, também pertencentes à família do Barão do Paraopeba. A produção da Fazenda Boa Esperança não se limitava a produtos agrícolas. Eram produzidos também fios, roupas e ferramentas, o que garantia o abastecimento de toda a região do Vale do Paraopeba e ainda de Barbacena e Ouro Preto.    
     Para dar conta de tamanha produção, um grande número de escravos trabalhava na fazenda nos séculos 18 e 19. Os escravos deixaram descendentes e boa parte de seus descendentes vivem no município formando as comunidades de Boa Morte e Chacrinha dos Pretos.
     A fazenda e seu casarão tiveram grande importância econômica para a região no século 18 e 19. São 24 cômodos, 45 portas com a varanda de fundo medindo 36 metros de comprimento por 2,5 de largura. Nessa fazenda, o Imperador Dom Pedro II se hospedou. Além da beleza do casarão, com seus detalhes bem trabalhados, outra obra prima chama a atenção dos visitantes construída bem ao lado da varanda do casarão. Trata-se de uma singela capela, mas mostrando o poderio econômico dos proprietários na época. É de uma riqueza em detalhes incríveis. Pelo fato das fazendas serem distantes das cidades e dificuldades de se locomoverem até as igrejas, era comum os fazendeiros construírem pequenas ermidas em suas propriedades para praticarem sua fé. 
(foto abaixo de Evaldo Itor Fernandes)
     Em 1974, a Fazenda Boa Esperança foi adquirida pelo Governo mineiro, sendo tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Artístico de Minas Gerais (Iepha) como Patrimônio de Minas Gerais em 1975 com o objetivo de preservar a história e o modo de vida das sociedades rurais no período colonial brasileiro, representado em uma das mais imponentes e importantes fazendas do Brasil.
     Sua primeira reforma foi entre 1976 a 1979. Uma segunda restauração foi feita em 1998 e por fim, novamente restaurada entre 2017 e 2018, sendo entregue totalmente restaurada em meados de 2019. Esta última restauração permite hoje receber os visitantes de Minas, do Brasil e do exterior com uma ótima estrutura, oferecendo atrativos, além da riqueza de sua imponente arquitetura. (foto acima e abaixo de Glauco Umbelino)
     Em declaração ao Jornal O Estado de Minas, por ocasião da inauguração da reforma da Fazenda Boa Esperança, a presidente do Iepha, Michele Arroyo, frisou que com o restauro “As pessoas poderão conhecer os modos de vida naquela época, detalhes da edificação, o pomar, ocupação do território, a forma de alimentação e outras questões do dia a dia.”
     A propriedade conta hoje com 318 hectares com paisagens deslumbrantes que chama a atenção, tendo sido inclusive a fazenda, cenário do filme “O vinho de rosas” da cineasta mineira Eva Cataldo e tema do livro escrito pelo jornalista Tarcísio Martins em 2007. A obra tem o nome da fazenda e além da história, tem fotos antigas da Boa Esperança. 
Horário de funcionamento
- Segunda, Terça, Quarta, Quinta, Sexta, Sábado, Domingo, Feriado: 06:00 às 11:00 hs
- Pontos de referência: partindo do centro de Belo Vale siga as orientações das placas indicativas. A fazenda está situada há 5 km do centro da cidade.
- A entrada é gratuita e não há restaurante no local, somente na cidade o que é muito bom já que Belo Vale é uma bela cidade com um preservado casario, uma excelente culinária. Além disso, o visitante poderá conhecer o mais completo museu sobre a Escravidão na América Latina, o Museu do Escravo. 

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