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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

O Museu dos Dinossauros em Peirópolis

Peirópolis é um distrito rural de Uberaba, localizado às margens da rodovia BR-262, a 20 km do centro da cidade. No começo do Séc. XX, destacou-se como produtor de calcário e atualmente é uma atração turística do Município em função dos fósseis encontrados nas imediações. Na antiga estação ferroviária desativada da Cia. Mogiana funciona hoje o Museu dos Dinossauros, parte do Complexo Científico Cultural de Peirópolis. O bairro conta ainda com pousadas, restaurantes e um parque com réplicas de dinossauros. (foto abaixo de Cris Ferreira/@paisagenscsf)
          Desde a década de 1940, descobertas paleontológicas já traziam nova notoriedade para a região. Informado de que fósseis de ossos haviam sido encontrados durante obras de retificação da linha da Cia. Mogiana , o paleontólogo gaúcho Llewellyn Ivor Price (1905-1980), começou a trabalhar em Peirópolis em 1947. Realizou uma escavação sistemática na região de Caieira, entre 1949 e 1961. Como resultado, foram recuperadas centenas de ossos fossilizados do período Cretáceo Superior (100 a 65 milhões de anos atrás), sobretudo de dinossauros do grupo dos titanossauros.
          Por quase 30 anos, o Ivor Price pesquisou as terras do Triângulo Mineiro e de municípios paulistas. Considerado o pai da paleontologia brasileira, permaneceu na região até 1974. Todo o acervo de fósseis coletado por ele e seus auxiliares, ao longo de três décadas, integra a coleção do Museu de Ciências da Terra do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), no Rio de Janeiro. (fotografia acima de Cris Ferreira/@paisagenscsf)
Ferrovia e Calcáreo
          
A "linha do Catalão" da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro foi a primeira ferrovia a atingir o Triângulo Mineiro, chegando a Uberaba em 1889. A pequena estação de Peirópolis, designada originalmente como "Cambará", ficava no trecho entre as cidades de Conquista e Uberaba, e teria sido inaugurada nesse mesmo ano. Em 1924 ganhou a atual denominação. (foto abaixo de Cris Ferreira/@paisagenscsf)
          O surgimento do bairro junto à estação deve-se ao imigrante espanhol Frederico Peiró que, em 1911, montou duas fábricas de cal virgem aproveitando o calcário da região. Peirópolis – como ficou sendo conhecida a localidade – ganhou importância econômica vendendo o produto no estado de São Paulo por meio da ferrovia. No entanto, a partir da década de 1950 a Cia. Mogiana foi progressivamente desativando a antiga linha de Conquista, dando preferência à linha de Igarapava, inaugurada em 1915 e considerada mais viável economicamente. A construção do lago da Usina Hidrelétrica de Jaguara no início dos anos 1970 selou o destino do ramal, que foi definitivamente desativado em 1976.
Museu e Centro de Pesquisas
          Em 1991, a Prefeitura Municipal de Uberaba restaurou o prédio da estação e outras dependências no entorno para instalar o "Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price", criado no ano seguinte sob supervisão do geólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro. A antiga estação passou a abrigar um laboratório de preparação de fósseis e um pequeno mas atraente museu paleontológico, aberto à visitação pública e vinculado à Fundação Cultural de Uberaba. Outros imóveis no entorno foram transformados em residências para pesquisadores. (foto abaixo de Cris Ferreira/@paisagenscsf)
          Dentre as atrações do museu, destaca-se hoje o esqueleto fóssilizado do crocodilomorfo do Cretáceo Superior Uberabasuchus terrificus – descoberto na região no ano 2000 e um dos mais completos do tipo já encontrado no mundo – que está exposto no museu ao lado de uma réplica do animal. O Uberabasuchus terrificus pertence a uma família de crocodilomorfos denominada Peirosauridae em homenagem a Peirópolis. Estima-se que ele media aproximadamente 2,5 metros de comprimento e pesava cerca de 300 kg. (foto abaixo de Cris Ferreira/@paisagenscsf)
          Mais recentemente foram descobertos na região fosseis do Uberabatitan ribeiroi, o maior dinossauro brasileiro já encontrado. Fósseis de três indivíduos dessa espécie foram descobertos em 2004 na região de Serra da Galga, entre as cidades de Uberaba e Uberlândia, durante a realização das obras da duplicação da rodovia BR-050. O trabalho de retirada dos fósseis foi concluído em 2006, após os técnicos escavarem manualmente cerca de 300 toneladas de rochas que datavam do período Cretáceo e Paleogeno para a extração do material. Em 2011, foram feitas novas descobertas na mesma área, que incluem um fêmur de 1,4 metros do Uberabatitan.
Fonte das informações acima:Wikipédia
Localização e horários de funcionamento
A maior atração do museu é o rico acervo de fósseis de dinossauros e outros vertebrados. (foto acima de Cris Ferreira/@paisagenscsf) Conta ainda com painéis explicativos sobre a evolução da vida e dioramas que reconstituem os cenários da vida e dos animais e vegetais que habitaram a região de Uberaba há milhões de anos. Está instalado no prédio da antiga estação ferroviária de Peirópolis, construída em 1889, em estilo inglês.
Horário de visitação: terça a sexta das 08h às 17h e sábado, domingo e feriados das 08h às 18h.
No período de janeiro (férias) o Museu também está aberto às segundas-feiras.
BR 262, km 784, Bairro de Peirópolis.(34)3338-1526. (Fonte desta informação: Site da Prefeitura de Uberaba MG)

Diário de Viagem: Serra do Caraça

Misturando-se com as montanhas, o Santuário do caraça é mais uma das miragens Mineiras. É cercado de Horizontes e História. De fé e de sorrisos. " Só o caraça paga toda viagem a Minas" disse D Pedro II.
Tudo é detalhadamente belo, nos pequenos e grandiosos detalhes. 
O silencio da mata toma conta do espaço, é quebrado apenas, pelos ventos que balançam as orquídeas, pelos turistas que sussurram e pelos pássaros, que insistem em cantar! 
A construção neogótico, primeira do Brasil, foi construída sem mão escrava. E permanece intacta mesmo após as chamas na madrugada de 1968. "Se foi muitos livros e documentos da nossa História" disse-me Pedro enquanto me mostrava a revista do mosteiro. Foi o único momento em que seus olhos mergulharam na tristeza. Eu, o entendia completamente! 
Apesar da tragedia no frio de maio de 68 , o Santuário não perdeu o brilho; parte foi restaurado fazendo um paralelo entre o antigo e o moderno. Na biblioteca encontrei anotações de D pedro II , junto estava a cópia do seu diário. No museu vi alguns antigos rádios; machados, retratos e a cama de Tereza Cristina (queria cochilar por ali mesmo) vi os objetos que mais me interessavam: os baús. 
Na capela, vi alguns fiéis pedindo suas preces, vi o Padre por perto, pra qualquer orientação e vi a arquitetura, que fugia do barroco. 
E na simplicidade, vi o sorriso de Vicente. O "nosso vicente". Sentando em baixo da árvore , o olhar aceso disfarçava seu cento e poucos anos. Escolhendo as palavras, prozeou com a Aline, contando que morou ali a vida inteira e não se imagina longe. 
Afirmou que iria se casar um dia, e quem sabe não era comigo? 
Abri um sorriso por tamanha simpatia. Sr Vicente é tão especial que a sua História se mistura com a do Caraça, e a do Caraça se mistura com a dele. O ovo e a gema. 
Percebi na partida , olhando no vidro do carro enquanto as nuvens passavam, que: por mais que meus olhos se esforçassem , eles não conseguiriam, jamais, captar todos os detalhes daquele lugar. Alguns se misturaram no Horizonte, outros se foram nas chamas ou simplesmente esconderam-se na timidez ,como os olhos negros de Vicente. 
Conheçam o Caraça! 
Texto e fotografias de Suelen Rezende, 22 /11 de 2018.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Antônio Pereira e a Igreja queimada

Antônio Pereira é um distrito de Ouro Preto MG. Dista 16 km de Ouro Preto - cidade histórica, reconhecida mundialmente por este fato - e 9 km de Mariana - também cidade histórica, com arquitetura pertencente ao barroco mineiro. Não possui construções tão antigas como Mariana e Ouro Preto, mas é lugar de lindas cachoeiras. (foto acima o Barbosa) Atualmente, a área é protegida por lei, após anos de exploração agressiva aos recursos naturais por parte de garimpeiros em busca de ouro e pessoas em busca de cascalho, material usado em construções.
Histórico 
           Trata-se de um arraial antigo que foi um dos primeiros núcleos mineradores de Minas Gerais. Dentre os pontos turísticos, destacam-se as ruínas da igreja de Nossa Senhora da Conceição, incendiada (segundo locais, por uma vela que veio a cair sobre um tapete), em cujo interior existe um curioso cemitério, ainda utilizado. (fotografia acima do Fabinho Augusto) A imponente fachada, em blocos de pedra, chama a atenção. Outro passeio interessante é à gruta da Lapa, porque possui em seu interior uma pequena capela.
          Na grande fome de 1700-1, o bandeirante português Antonio Pereira Machado (de São João das Caldas, perto de Guimarães em Portugal) seguiu para o norte, chegando ao lugar a que deu nome por ali se ter fixado, chamando-o porém na ocasião o Bonfim do Mato Dentro. Em 1703, desgostoso com a abundância de animais ferozes, voltou à vila do Carmo. Teria sido o padre João de Anhaia o verdadeiro fundador do arraial de Antonio Pereira, com Mateus Leme e com Antonio Pompeu Taques, pois se estabeleceram como mineradores nas numerosas minas como as do Romão, Mata-mata, Macacos, Capitão Simão, Fazenda do Barbaçal, Mateus, da Rocinha.
          Em 1716 foi fundada a igreja de Nossa Senhora da Conceição, curada como igreja matriz em 1720 e colativa em 1752. Localmente chamada como igreja da lapa, ou igreja de nossa senhora da lapa.
Pontos turísticos
          Três pontos são visitados com frequência por pessoas do Brasil ou mesmo estrangeiros: Gruta da Lapa (na foto acima do Barbosa), Garimpo de Topázio Imperial, e Igreja Queimada.
Igreja queimada
          A igreja queimada, localizada na saída/entrada de Antônio Pereira para quem vem/vai à Mariana, datada do século XVIII. Esta, junto com a gruta da lapa, são os marcos históricos do local. A igreja é cercada de mitos, o mais acentuado está em volta do fato que foi criada para a santa local, Nossa Senhora da Lapa, como é chamada pelos moradores do distrito. Segundo a tradição oral, a santa misteriosamente saia da igreja e aparecia na gruta da lapa, onde segundo os moradores, foi achada originalmente, até o momento em que foi queimada de forma misteriosa. 
          Os moradores da localidade acreditam que a santa fez isso para permanecer na gruta da lapa, atualmente com uma pequena capela na entrada para a santa. 
          O fato da igreja ter sido queimada, até hoje gera controvérsias entre os moradores, sem uma confirmação precisa da causa do incêndio. Uma dessas versões diz que uma pessoa de origem aparentemente da Bahia, roubou a igreja, que na época era coberta de metais preciosos, então colocou fogo na mesma. Outra versão diz que o sacristão local, chamado Roque, foi acusado de deixar uma vela acessa, causando o incêndio, e preso pelo crime. (na foto abaixo de Ane Souz, o interior da Gruta da Lapa onde se encontra a imagem da Santa)
Beleza natural
          Alguns dos lugares mais belos ficam nas Cachoeiras da Pedreira. São três cachoeiras naturais cuja estrutura é mantida por formações rochosas naturais. A primeira destas é rasa, altura máxima de aproximadamente um metro e a queda de água não é alta. 
          A segunda, chamada pelos locais de Cachoeira da Escuridão, devido ao fato de que o sol não alcança a mesma todo o tempo, ou mesmo por que esta gera “certo medo”, é funda, altura maior do que um adulto de estatura normal, tendo aproximadamente dois metros de profundidade em alguns pontos. A queda de água é mais alta do que a primeira, mas não tão alta quanto a terceira.
          A terceira, chamada pelos moradores de Cachoeira da Lajinha, é praticamente plana, como uma área de piscina, possuindo profundidade maior. 
          Até o momento, boa parte da área não sofreu relevantes alterações por ação humana. Existem outros pontos, como a Lagoa Azul, ou mesmo a Cachoeira da Vila, atualmente tomada pela empresa Vale do Rio Doce. O local é cercado por montanhas, que durante as chuvas formam espelhos de água, e a rica quantidade de minério ajuda a formar uma paisagem bela.
(fonte parcial das informações: Wikipédia. Ilustrações nossa)

sábado, 17 de novembro de 2018

A culinária do Norte de Minas


(Por Arnaldo Silva) A Cozinha mineira é uma das maiores riquezas do Estado. É um patrimônio imaterial do povo mineiro. A nossa culinária ajudou na formação da identidade do Estado. (fotografia acima Manoel Freitas de produção de farinha de mandioca próximo a Montes Claros MG)
          A nossa cozinha é como nosso povo. Tem origem mestiça. Veio do colono europeu, do povo negro africano e dos índios nativos. Essa mistura maravilhosa de raças e povos criou a nossa identidade cultural, social e gastronômica. (na foto abaixo de Eduardo Gomes, o fruto do pequizeiro, que deu origem a vários pratos da culinária do Norte do Estado)
          Para o português, que para cá veio em busca de ouro, a necessidade de comida era grande. Numa terra recém-descoberta, comida praticamente não existia, dai a necessidade de se criar. Junto com os portugueses, vieram os negros e aqui, juntamente com a população indígena, começaram a brotar as nossas raízes culturais e gastronômicas. Essa união afro-indígenas proporcionou o surgimento da culinária que é uma das identidades do Estado de Minas Gerais. Os portugueses e demais povos europeus que para cá vieram, contribuíram em muito com o aprimoramento da culinária que estava se desenvolvendo. Eles conheciam as qualidades naturais dos produtos e tinham domínios sobre temperos, principalmente temperos indianos, que foram introduzidos à nossa culinária. Sem contar os doces e o queijo, que os colonos trouxeram da Europa as técnicas de fazer, ensinando aos escravos e índios, adaptando as técnicas aos produtos encontrados em nossas terras. Assim começou o embrião da nossa culinária. (na foto abaixo de Manoel Freitas, o araticum, um dos principais frutos do Cerrado)
          O aprimoramento e até mesmo a criação de pratos, se deve aos tropeiros. É inegável a influência dos tropeiros no surgimento da nossa culinária. Não que eles queriam inventar, mas porque precisavam de comida, dai foram adaptando seus conhecimentos aos produtos encontrados na região que hoje é o Estado de Minas. Eles viajavam por todo o território mineiro, em busca de ouro e por serem viagens longas, precisavam de alimentos que durassem mais tempo, que não perecessem rápido.            Assim foi surgindo formas de armazenar comida como a carne, armazenada na lata, o açúcar que foi transformado em rapadura, o queijo curado, a mandioca, que era comida indígena, bem como o milho triturado, chamado de canjiquinha e o fubá. Alimentos que podiam ser levados nas tropas e que duravam muito tempo.
          Outra parte da nossa culinária veio das fazendas, basicamente das senzalas, onde as escravas criavam pratos a pedido das Sinhás. Das tabas indígenas e senzalas surgiram vários pratos e ingredientes que hoje fazem parte da nossa cozinha como polvilho, a farinha de milho, de mandioca, o fubá. A partir desses ingredientes foi surgindo quitandas diversas como o pão de queijo, o biscoito, o bolo de fubá. Doces também, como o de leite, de mamão, a goiabada, saíram das senzalas para nossas mesas aprimorando as técnicas ensinadas pelos colonos.(na foto acima, de Manoel Freitas, doce de marmelo em São João do Paraíso, fruta introduzida na região hoje plantada em larga escala nesse município)
          E nesse contexto a culinária foi se desenvolvendo, usando o que a terra produzia e o que já existia por aqui, passados pelos índios. Mas pela dimensão do Estado e biomas diferente, como Cerrado e Mata Atlântica, presentes na vegetação mineira, a cozinha variava, não era a mesma em todas as regiões. Em boa parte sim, mas certos alimentos não eram comuns em todas as regiões do Estado como, por exemplo, pequi, comum no Norte, Centro Oeste e parte da região Central de Minas Gerais, onde predomina o Cerrado. (na foto de Manoel Freitas a castanha do pequi, muito rica em minerais)
          Já na região Sul, Campo das Vertentes e Zona da Mata, a predominância é do bioma Mata Atlântica. É nesse contexto que surge a culinária regional, que faz parte da culinária Mineira, com suas identidades próprias de acordo com clima, vegetação e alimentos disponíveis. Essa regionalização hoje é a marca da nossa culinária, presente em todas as regiões, com certos pratos típicos de cada uma das 12 regiões mineiras, de acordo com o que os biomas produzem.
          Como disse acima, a junção do branco, índio e africano, deu origem a nossa formação cultural e gastronômica. A presença dessas três raças foi predominante para o povoamento e crescimento da região Norte de Minas, a partir do século XVI e XVII. Os portugueses e tropeiros chegaram ao Norte de Minas margeando o Rio São Francisco e ao longo do caminho, foram formando povoados, que hoje são cidades. (na foto acima, de Manoel Freitas, feijão de Andu, colhido em Botumirim MG)
Assim surgiu uma das mais ricas cozinhas de Minas, que é a cozinha do Norte do Estado de Minas Gerais, cujos pratos estão presentes em nossas mesas e contribuíram para dar a Minas Gerais, a nossa identidade culinária.
          No Norte de Minas predomina a vegetação de Cerrado nativo e tem o Rio São Francisco como um das suas maiores riquezas. Dos frutos do Cerrado Norte Mineiro surgiu pratos que hoje sustentam famílias e deram origem a vários pratos ainda hoje presentes em nossas mesas. Por ser uma região de contrastes, não apenas sociais, mas geográficos, os sabores da mesa norte mineira é um pouco diferente do restante do Estado. A região produz frutos, alimentos e temperos diferentes do restante do Estado, oriundos de uma culinária mestiça, muito rica em sabores e temperos singulares e fortes como a pimenta, muito apreciada, diferente de outras regiões do Estado. (na foto acima de Manoel Freitas, pescadores no Rio São Francisco em Manga MG)
          Esses pratos e temperos vêm do que a região produz. A pecuária sempre foi forte na região. A carne de boi é muito apreciada na região, principalmente a carne de sol. Mirabela, uma das cidades da região, é considerada a Capital Nacional da Carne de Sol. (na foto da lado, sua famosa carne de sol, de autoria de Sérgio Mourão)
O nosso quiabo com angu, muito apreciado com frango hoje, tem origem no Norte de Minas. No Norte Mineiro a paçoca de carne, a farofa de feijão andu, tropeiro com torresmo e rapadura não faltam nas mesas. Sem contar o pequi com arroz, que é consumido sempre, já que o pequi é o símbolo do Cerrado e o fruto reina em todo norte mineiro, sustentando inclusive famílias e gerando empregos em municípios com a produção de licores, compotas e polpas da fruta, vendidos no comércio. Montes Claros e Japonvar se consideram capitais nacionais do pequi.
          Além do pequi, o Cerrado tem outras frutas que são consumidas in natura ou viram sucos, doces, compotas, geleias, sorvetes, licores, conservas como o cajá, jatobá, cajá manga, seriguela, caju, cagaita, araticum, tamarindo e etc. (nas fotos acima e abaixo, do Eduardo Gomes, o mercado de Montes Claros, onde você pode encontrar todos os temperos e ingredientes da famosa culinária do Norte de Minas)
          O Rio São Francisco banha boa parte do Norte de Minas e suas águas sustentam milhares de famílias, seja no turismo, seja na pesca. O Rio São Francisco, possui 152 espécies de peixes, ao longo de toda sua bacia. Esses peixes como o surubim, dourado, curimatã-pacu, matrinchã, mandi-amarelo, pirá, piau-verdadeiro, dentre outros estão presentes na culinária norte mineira, como a famosa moqueca de surubim.
          Essa é a origem da culinária de uma das maiores e mais importantes regiões do Estado de Minas Gerais. Marcada pelos contrastes, mas também pela força e fibra do povo, que batalha, trabalha e preserva sua cultura, história e gastronomia. 

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Conheça Santo Antônio do Leite

(Por Arnaldo Silva) Um dos mais bucólicos e charmosos distritos de Ouro Preto, Santo Antônio do Leite encanta pela simplicidade, pelo belo e preservado casario colonial, por sua cultura e vida simples, mas com ótima qualidade que oferece aos seus moradores e visitantes. (foto acima de Vinícius Barnabé)
Os moradores de Santo Antônio do Itambé, tem vida longa. Isso se explica pela salubridade do clima a mais de 1000 metros de altitude, boa qualidade do ar e de sua água de ótima qualidade. Esse conjunto de qualidades, faz com que Santo Antônio do Leite atraia cada dias mais a presença de turistas, tanto do Brasil, quando do exterior em busca de sossego, lazer, descanso em suas várias pousadas e hotéis fazendas. (foto acima de Thelmo Lins)
O distrito conta com pouco mais de 2 mil moradores e fica apenas 25 km de Ouro Preto. É um dos mais antigos povoados de Minas Gerais. Seu povoamento começou por volta de 1864, no século XVIII, sendo reconhecido como distrito de Ouro Preto em dezembro de 1953.há quase 90 anos. (na foto acima de Vinícius Barnabé, a Capela de São José e abaixo vista noturna do distrito)
Como em todos os distritos de Ouro Preto o artesanato se faz presente. Em Santo Antônio do Leite o artesanato com prata e pedras brasileiras são muito procurados e inclusive, boa parte tem destino para a Europa. Existem também trabalhos em cerâmicas, pedra sabão e outros estilos de arte.
Aos sábados e domingos, os visitantes podem conhecer o artesanato local, bem como sua culinária, na tradicional feirinha.
Os moradores de Santo Antônio do Leite são calorosos, educados e recebem muito bem os visitantes. 

Quando vier a Ouro Preto, venha conhecer Santo Antônio do Leite.

A origem e utilidades da Pedra Sabão

Esteatito (também pedra de talco ou pedra-sabão) é o nome dado a uma rocha metamórfica, compacta, composta sobretudo de talco (também chamado de esteatite ou esteatita) mas contendo muitos outros minerais como magnesita, clorita, tremolita e quartzo, por exemplo. É uma rocha muito branda e de baixa dureza, por conter grandes quantidades de talco na sua constituição. A pedra-sabão é encontrada em cores que vão de cinza a verde. Ao tato, dá uma sensação de ser oleosa ou saponácea, derivando-se daí sua designação de pedra-sabão. Existem grandes depósitos, de valor comercial no Brasil, em maior escala no estado de Minas Gerais.
Características físicas
A pedra-sabão é praticamente impenetrável. Não é afetada por substâncias alcalinas ou ácidas. Uma das notáveis características da pedra-sabão é sua excelente capacidade de resistir a extremos de temperatura desde muito abaixo de zero até acima de cerca 1000 °C. A pedra-sabão resiste às exposições e mudanças de condições atmosféricas durante séculos.
A 709 metros de altitude, com cerca de 30 metros de altura e totalmente revestida de chapas de pedra-sabão, a estátua do Cristo Redentor foi construída entre 1926 e 1931. Desde sua concepção está exposta a rigorosas condições atmosféricas, inclusive poluição do ar e consequentemente, chuva ácida, sem ser afetada.
A pedra-sabão é relativamente macia devido ao seu teor de talco (o talco sendo considerado de dureza grau um na escala Mohs).

Usos da pedra-sabão
Este tipo de rocha é muito utilizado na fabricação de panelas, esculturas e decoração, pela facilidade com que é trabalhada. O seu uso é generalizado pelo mundo afora: desde as esculturas tradicionais dos Inuit até a algumas obras do Aleijadinho. É especialmente utilizada na construção de lareiras, também pela sua capacidade de absorver e distribuir de forma regular o calor.
A pedra-sabão, em virtude de suas excelentes propriedades de absorção de calor, retém quase todo o calor produzido pela fonte de energia (madeira, carvão mineral, carvão vegetal, gás, energia elétrica) e o conduz rapidamente, através do chamado aquecimento de massa térmica. Isto significa que a própria pedra atua como uma eficiente fonte de calor e não a chama propriamente dita, como acontece com as tradicionais lareiras abertas. Por outras palavras, o calor absorvido pela massa da pedra-sabão é, em seguida, liberado lenta e uniformemente no passar do tempo, mesmo após a fonte de calor se extinguir ou ser desligada. Outra característica notável da pedra-sabão é que gera calor radiante, enquanto permanece, em geral, isenta de perigo ao toque.

No Brasil, especialmente no Estado de Minas Gerais e na cidade turística de Ouro Preto, esta pedra é usada para a confecção de artesanatos feitos pela população local como: Porta-jóias, panelas, canecas, taças de vinho, além de souvenirs e estatuetas. Encontrados em feiras locais e pela internet. Algumas tribos da América do Norte utilizavam a pedra-sabão para produzir tigelas, recipientes para cozinha e outros objetos; historicamente, este hábito era particularmente comum durante o chamado período arqueológico arcaico. Outras tribos faziam cachimbos de pedra-sabão para fumar tabaco; inúmeros exemplares já foram encontrados em artefatos de diferentes culturas de nativos norte-americanos e outros continuam em uso nos dias de hoje. A baixa condutividade de calor da pedra-sabão permite o fumo de forma prolongada, sem que o cachimbo se aqueça demais.
A pedra-sabão é usada por ferreiros como um marcador pois, devido à sua resistência ao calor, ela se mantém visível mesmo quando aquecida. Também vem sendo utilizada por muitos anos por costureiras, carpinteiros e outros artesãos como um giz para fazer marcas no material a ser trabalhado, pois suas marcas são visíveis e podem ser apagadas.
Outro uso deste material é o de servir como molde para trabalhar materiais maleáveis como o peltre ou prata, devido à sua facilidade de ser trabalhado e sua não degradação com o calor. A superfície lisa da pedra-sabão permite a fácil retirada do objeto fundido do molde.
Como tratar a pedra-sabão
Utilizar óleo mineral (qualquer tipo de óleo hidrocarbônico, que pode ser adquirido em farmácias). Esfregar o óleo na pedra. Remover excedentes para que não haja aparência de molhado. No passar do tempo, fazer nova aplicação de óleo. Os seladores de pedras produzem pouco efeito sobre a pedra-sabão, em comparação com granito ou ardósia. Fazer a limpeza com esponja ou com pano macio, utilizando água limpa e detergente neutro, se necessário.

Fonte das informações: Wikipédia. As fotos são da página, feitas em Ouro Preto

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

O Mosteiro de Macaúbas e o Vinho de Rosas

(Por Arnaldo Silva) O Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Macaúbas, ou simplesmente convento ou mosteiro de Macaúbas, está localizado na rodovia MG 020, km 37,5 que liga Santa Luzia ao município de Jaboticatubas, a 12 km do Centro Histórico de Santa Luzia e a 40 km de Belo Horizonte. 
     O imponente casarão do século XVII conta com 200 cômodos, mobiliário, capela e detalhes do período Colonial brasileiro. O silêncio do local é apenas quebrado pelo canto dos pássaros e os cânticos em latim e orações das freiras que vivem no convento.
     São 16 freiras da Ordem da Imaculada Conceição. Elas vivem em regime completo de clausura, saindo apenas em ocasiões necessárias, como por exemplo, problemas familiares ou de saúde.
     Entrar no templo não é permitido. As freiras vivem numa rotina rigorosa. Acordam todos os dias antes às 5 da manhã e se deitam às 20h30min. Fazem pelo menos 10 orações diárias com horários pré-determinados. Quando não estão orando, estudam ou meditam e trabalham nos afazeres no interior do convento e na produção dos produtos culinários. (na foto abaixo de Thelmo Lins, dependências externas do Mosteiro de Macaúbas)
História
     Sua construção começou em 1714, por Félix da Costa para ser uma casa de recolhimento religioso e educandário feminino. A obra foi concluída em 1770.
     Este foi o primeiro educandário feminino do Brasil. Pelo convento passaram filhas das mais ricas famílias do Brasil e de personagens ilustres de nossa história como, por exemplo, Joaquina, a filha de Tiradentes. Também as nove filhas do Contratador João Fernandes de Oliveira, marido de Chica da Silva estudara no local. A casa em que o Chica da Silva e seu marido ficavam, quando iam visitar suas filhas, ainda existe. Fica ao lado do Convento. O próprio João Fernandes, a título de dote pelo acolhimento de suas filhas, entre 1767 e 1768 ampliou o local, mandando construir a Ala do Serro, com mirante e 10 celas (quartos para religiosos). 
     Mas o convento não abrigava apenas filhas da elite brasileira da época. Recebiam e davam abrigo a meninas e mulheres órfãs, pensionistas e devotas. Recebiam também mulheres que optavam em ficar por algum tempo no convento para guardar a honra, enquanto os pais ou maridos viajavam. O convento acolheu também várias mulheres, que para lá fugiram do preconceito e discriminação social por terem sido desonradas. (na foto acima de Thelmo Lins, altar da capela do convento)
     Devido sua importância passou a ser protegido da rainha de Portugal, Dona Maria I, por Carta Régia. Quase um século depois, em 1881, o Imperador Dom Pedro II, que estava de viagem à Minas Gerais, fez questão de visitar o colégio.
     Em 1847, o convento passou a funcionar como colégio, se tornando uma das mais tradicionais escolas de Minas Geras.
     No século XX, começa a chegar a Minas congregações religiosas europeias com experiência em educação. Com isso, o colégio começa a entrar em decadência e em 1933 deixou de existir o colégio, se tornando desde então até os dias de hoje, um convento de freiras que vivem enclausuradas. (o imponente casarão guarda tesouros riquíssimos do Período Colonial. Na foto abaixo, um dos altares da capela do convento, autoria de Thelmo Lins)
Dia a dia e trabalho
     Quando não estão orando ou estudando, as freiras trabalham e muito. É do trabalho das freiras e doações que vem o sustento e manutenção do convento.
     No interior do Mosteiro elas produzem e vendem licores, doces, quitandas e o famoso vinho de rosas. No século XVII, médicos da época recomendavam este vinho para curar problemas do pulmão.
     As paredes do convento guardam as receitas das quitandas, licores e do vinho de rosas desde o século XVII. A técnica usada pelas freiras são as mesmas de 300 anos atrás, não mudaram nada no modo de fazer. É totalmente artesanal.
     Elas guardam com zelo cada receita e fazem com um imenso carinho, preservando uma das mais fortes culturas gastronômicas de Minas Gerais. As freiras fazem quitandas, doces, licores e o famoso vinho de rosas. No século XVII, o vinho de rosas era recomendado pelos médicos da época para curar os males do pulmão. (na foto abaixo, de Thelmo Lins, a paisagem nos arredors do Mosteiro)
O vinho que inspirou o filme
     A tradição gastronômica e a história do convento, principalmente o vinho de rosas, virou filme em 2005, chamado de O vinho de rosas. Dirigido por Elza Cataldo, o longa metragem retrata a vida de Joaquina, filha de Tiradentes, criada num convento. Na história, Joaquina descobre que é filha de Tiradentes e que sua mãe, ainda estava viva. Aos 18 anos, deixa o convento e sai em busca de sua história e seu passado.
Como comprar os produtos do Mosteiro de Macaúbas
     A manutenção dos trabalhos, do imóvel e atividades das freiras enclausuradas, vem das vendas dos produtos feitos pelas irmãs e de doações.
     Quem quiser adquirir os produtores da culinária do Mosteiro de Macaúbas, podem entrar ir diretamente ao local ou entrar em contato pelos telefones (31) 3684-2096/9612-1773. 
     Os interessados em ajudar nos gastos com manutenção e reformas do Mosteiro de Macaúbas podem entrar em contato pelos  telefones acima e obter mais informações. 

sábado, 3 de novembro de 2018

São João Batista do Glória: a cidade das cachoeiras

São João Batista do Glória (na foto acima de Douglas Arouca) é um típico município mineiro, localizando entre as águas do Rio Grande e a Serra da Canastra na região Sudoeste de Minas, distante 371 km de Belo Horizonte. Possui hoje cerca de 7.500 habitantes, segundo o IBGE e faz divisa com os municípios de Vargem Bonita, Passos, Delfinópolis, Capítólio e Alpinópolis.
O município tem várias cachoeiras, o que torna a cidade conhecida regionalmente por cidade das cachoeiras. (na foto acima, de Amauri Lima, a Lagoa Azul na antiga pedreira) Devido ao grande nome da cidade, ela leva o apelido de "Glória".
São João Batista do Glória também é destaque no agronegócio, por estar entre os cem maiores produtores de leite do Brasil e ser o município com a tecnologia de produção leiteira entre as melhores do país. (na foto acima, de Amauri Lima, pôr do sol na zona rural)
Um dos orgulhos da cidade é a religiosidade de seu povo, bem como a qualidade de vida de seus moradores, uma das melhores do país, principalmente em educação e saúde.(foto acima de Amauri Lima a praça da Matriz). Outro orgulho do povo de Glória são suas belezas naturais, como o Paraíso Perdido (na foto abaixo de Leonardo Bueno) e belíssimas cachoeiras, que a cada ano, atraem mais turísticas para a cidade. 
Conheça as principais cachoeiras de São João Batista do Glória: 
Cachoeira do Osmar Bia: o atrativo fica na região das Palmeiras, no Córrego Capetinga. Pela trilha, chega se ao córrego e à sua direita é avistada a cachoeira. 
Cachoeira do Rasga Saco: A cachoeira tem este nome porque, quando era caminho dos tropeiros, os sacos dos mantimentos rasgavam-se no local, devido ao fato de ser estreito e possuir um cipó com espinhos cortantes.
Cachoeira do Remanso: fica na região do Quilombo, a 38 km da cidade. Há uns poços de águas cristalinas com belas cascatas e um belo visual das serras.
Cachoeira Maria Augusta: fica na região das Palmeiras, no Ribeirão Grande, distante 18 km da cidade. (na foto acima deLuiz Leite) 
Cachoeira do Quilombo: tida como um dos mais belos atrativos da cidade. A cachoeira fica na região dos Canteiros, a 36 km da cidade. (na foto acima de Douglas Arouca)
Cachoeira do Barulho: o atrativo fica na região dos Canteiros, no Córrego do Barulho à apenas 20 km da cidade. A cachoeira é dedicada aos amantes de emoções e aventuras; na parte superior para os praticantes de rapel, e na inferior, para os que gostam de caminhar pelo rio em mata fechada. (foto acima de Douglas Arouca)
Cachoeira do Esmeril: o atrativo fica no Buracão, distante 13,5km da cidade. É possível ver um poço e um paredão de 30 metros de altura. (foto acima de Amauri Lima)
Cachoeira do Filó: fica na região do Quebra Anzol, a 25 km da cidade. (na foto acima de Douglas Arouca)

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