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domingo, 28 de abril de 2019

A Matriz de Nossa Senhora da Conceição no Serro

(Por Arnaldo Silva) Serro foi uma das primeiras povoações mineiras, com sua origem datada de 1701 com a formação de um arraial. Posteriormente elevado a Vila em 14 de janeiro de 1714 e a cidade em 6 de março de 1838. 
          O Centro Histórico do Serro se mantém preservado desde os tempos do Brasil Colônia, tendo sido ainda a primeira cidade histórica mineira reconhecida como Patrimônio Histórico Nacional pelo Instituto Nacional do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN). (foto acima de Thelmo Lins) Com pouco mais de 20 mil habitantes, o Serro está a 325 km de Belo Horizonte. O município faz divisa com Diamantina, Rio Vermelho, Alvorada de Minas, Conceição do Mato Dentro, Couto de Magalhães de Minas, Datas, Presidente Kubistchek, Sabinópolis, Santo Antônio do Itambé e Serra Azul de Minas, cidades igualmente importantes, históricas e com muitos atrativos arquitetônicos e naturais.            
          Chegando ao Serro, a primeira impressão que se tem é de que o nosso relógio parou, te convidando a esquecer da correria do dia-a-dia, relaxar, dar uma pausa na pressa e conhecer devagar as belezas da cidade serrana, seu casario, seus principais distritos como o de Milho Verde (na foto acima de Thelmo Lins, a igreja onde Chica da Silva foi batizada, em Milho Verde), Capivari e São Gonçalo das Pedras. Saborear seu queijo e experimentar os vários pratos típicos da culinária mineira. Boa parte da culinária mineira saiu das cozinhas serranas.
          O casario serrano é charmoso, em destaque para a escadaria de acesso para a Igreja de Santa Rita (na foto acima de Thelmo Lins). São 57 degraus. Tem ainda a chácara do Barão e a residência dos Ottoni, hoje um museu, chafariz, boas pousadas, bons restaurantes, com pratos da nossa cozinha como caldos deliciosos, o bambá de couve e pratos doces e salgados feitos à base do mais notável produto do Serro, o queijo. 
          Entre todas as belezas arquitetônicas, com seu tradicional casario em estilo colonial e igrejas belíssimas, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição se destaca por sua imponência, beleza e história (na foto acima do Thelmo Lins). É a mais importante igreja do Serro, sendo ainda uma das maiores igrejas barrocas de Minas Gerais. O adro da matriz é formado programa, uma escadaria e uma muralha em pedra sabão. Sua construção tem as características das igrejas do período Barroco mineiro. Simplicidade nos traços arquitetônicos externos e riqueza e luxo em seu interior. 
          A obra data aproximadamente de 1776, no século 18, tendo sido concluída ainda no final deste século. Foi erguida no mesmo lugar onde existia uma capela de palha, dedicada a Santo Antônio, erguida entre 1725 e 1737, por ser pequena e a comunidade necessitava de um templo maior. No século XIX passou por pequenas reformas, como em sua fachada e por fim, uma grande reforma, que definiu suas características finais, realiza entre os anos de 1872 a 1877. 
          As torres da Matriz de Nossa Senhora da Conceição tem estrutura em madeira, se destaca, bem com as paredes em curva bem como se destaca na vista da cidade. 
          As talhas em seu interior, em estilo Rococó, principalmente em seu altar-mor se destaca pela riqueza dos detalhes e o brilho dourado tradicional na arte sacra mineira, obra de autoria de Bartolomeu Pereira Diniz, um dos maiores entalhadores no estilo Rococó de Minas Gerais. No altar-mor, além da arte sacra, chama a atenção um enorme lustre, que dá mais brilho aos entalhes. (foto acima de Thelmo Lins)
          Além do entalhador Bartolomeu Pereira Diniz, participaram da ornamentação da Matriz os entalhadores André Pires e Francisco Diniz (o Chico Entalhador), o pintor Manuel Fernandes Leão deixou, um pouco de sua arte no interior da igreja, bem como o mestre torneiro, Joaquim Gonçalves de Aguiar, responsável por tornear as colunas do retábulo. (foto acima de Thelmo Lins)
          O forro da nave foi pintado em 1828, com autoria atribuída ao pintor Manuel Antônio Fonseca. A obra do artista apresenta Nossa Senhora da Conceição rodeada por anjos, por nuvens e vários ornamentos em seu redor. (foto acima e abaixo de Thelmo Lins)
          O interior da Matriz de Nossa Senhora da Conceição transmite uma paz que nos permite contemplar a beleza de sua ornamentação, de sua valiosa arte sacra e ao mesmo tempo estar em sintonia com o Eterno, em orações.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Um paraíso chamado Carrancas

(Por Arnaldo Silva) O povoamento de Carrancas, cidade com cerca de cinco mil habitantes, na região do Campo das Vertentes, começou no século 18, com a chegada de bandeirantes, em busca de ouro. (foto acima de Marcelo Santos) Próximo a um ponto de mineração, os bandeirantes notaram a semelhança de duas pedras com a fisionomia humana, dai deram o nome ao local de Carrancas, prevalecendo este o nome da cidade.
          Desse tempo até os dias de hoje, o município preserva suas tradições culturais e gastronômicas. Possui um artesanato riquíssimo em história e qualidade (foto acima de Giseli Jorge), além de atividades religiosas como o Congado e Folia de Reis mantidas em suas tradições originais. A arquitetura da cidade é marcante e os detalhes arquitetônicos antigos preservados em suas casas, casarões e fazendas. (foto abaixo de Gilson Nogueira)
          O município é dotado de belezas naturais espetaculares e abriga o mais completo complexo de águas do Estado. São águas cristalinas, que formam várias cachoeiras com paisagens dignas dos mais belos paraísos do mundo. Vale ressaltar que os complexos de águas de Carrancas são únicos em Minas Gerais. Não é por menos que a cidade é conhecida como a cidade das serras e das cachoeiras. Tantas belezas chamam a atenção de turistas do Brasil inteiro, adeptos do ecoturismo e de emissoras de TV, principalmente a Rede Globo, que tem em Carrancas, cenário natural para suas produções como exemplos: Alma Gêmea (2004), Paraíso (2009), Amor Eterno Amor (2012), Império (2014), Orgulho e Paixão (2018), Espelho da Vida (2018). 
          Por toda a extensão do município brotam águas cristalinas de nascentes, que formam riachos e alimentam grandes rios, como o Rio Capivari, que nasce nas serras do município. Para quem busca um contato pleno com a natureza, Carrancas é o seu destino. A terra das cachoeiras possui mais de 30 atrações mapeadas, com mais de 60 atrativos naturais entre grutas, cachoeiras, poços e serras com trilhas para acesso a pé, 4x4 ou de bike. Algumas de fácil acesso, outras requerem bom preparo físico para chegar. Em alguns trechos pode se fazer rapel e escalada. (foto abaixo de John Brandão/@fotografo_aventureiro)
          Pelas belezas de suas águas e paisagens, Carrancas atrai a cada dia, famílias e amantes da natureza e práticas esportivas naturais que procuram principalmente as cachoeiras do Complexo da Fumaça (na foto acima de Gilson Nogueira), Complexo da Toca, Complexo da Vargem Grande, Complexo da Zilda, os poços do Coração (na foto abaixo do Marcelo Santos) e das Esmeraldas e as cachoeiras do Luciano, Véu de Noiva e da Serrinha.
Atrativos da cidade
Igreja de Nossa Senhora da Conceição 
          A matriz da cidade foi construída no século 18 com quartzito, rocha comum na região. As torres da igreja chamam a atenção. (foto acima de Gilson Nogueira) Geralmente as torres frontais das igrejas são idênticas. De Carrancas não, são diferentes uma da outra.
          No interior da igreja há obras de grande valor cultural e patrimonial atribuídas a Joaquim José da Natividade, discípulo do Mestre Aleijadinho. O interior da igreja é belíssimo, com altar com detalhes em ouro e móveis em madeira. (foto acima de Gilson Nogueira)
          Outro destaque religioso em Carrancas é uma singela capela branca, com janelas azuis dedicadas à Nossa Senhora da Conceição do Porto do Saco. (na foto acima de Gilson Nogueira) Uma relíquia do século 18, que fica no distrito de Porto do Saco. Por seu valor histórico para a cidade e Minas Gerais, foi tombada pelo Iepha/MG (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais).
          Em toda a extensão do município de Carrancas, encontramos fazendas, algumas delas, do tempo dos bandeirantes. Algumas ainda estão em atividade produtiva, outras viraram hotéis fazendas. Entre as mais tradicionais estão às fazendas Grão Mogol, Cachoeira, Bananal, Serra das Bicas (na foto acima de Gilson Nogueira), Pitangueiras, Retiro de Baixo e a Fazenda do Saco.
Carrancas tinha linha férrea
          Trem de passageiros e de cargas passaram por esses trilhos. Hoje não tem mais trem transportando passageiros. O que restou dessa lembrança do passado, a Estação de Trens, é hoje um importante ponto turístico e histórico da cidade. (foto acima de Jerez Costa e na foto abaixo, do Marcelo Santos, a Cachoeira da Fumaça)
          Carrancas faz divisa com os municípios de Itutinga, São Vicente de Minas, Minduri, Cruzília, Luminárias, Nazareno e São João Del Rei MG. A distância de Belo Horizonte para Carrancas é de 300 km, via BR 381.

Catas Altas: turismo, vinhos, festivais e a jabuticaba

(Por Arnaldo Silva) Catas Altas uma típica cidade mineira. Pacata, charmosa, acolhedora, rica em cultura, artesanato, tradições, religiosidade e culinária. Distante 120 km de Belo Horizonte, na Região Central de Minas, a cidade com menos de 6 mil habitantes e faz divisa com Alvinópolis, Santa Bárbara e Mariana. Sua história começa nos primeiros anos do século XVIII, com a descoberta de minas de ouro na região da Serra do Caraça, pelo bandeirante Domingos Borges. O bandeirante trouxe ainda para a região, a devoção à Nossa Senhora da Conceição. Com o surgimento do arraial, cresceu a fé em torno de Nossa Senhora da Conceição, com a data em que se comemora o fundação do arraial, em 1703, com o dia dedicado à Santa, em 8 de dezembro.
          Boa parte do ouro encontrado nas terras catas-altenses, ficava em morros, necessitando de escavações profundas. Para catar o ouro nas partes altas, era necessário subir os morros. Por isso o nome, Catas Altas. O povoado cresceu, foi elevado a freguesia, vila e distrito, pertencente à cidade de Santa Bárbara, até 8 de dezembro de 1995, quando Catas Altas foi elevada, à cidade emancipada. A data de fundação oficial do município, é 8 de dezembro de 1703, data da criação do arraial, que originou a cidade, sendo também o dia da padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição. (foto acima de Tom Alves/tomalves.com.br)
          O Centro de Catas Altas é um dos mais belos patrimônios arquitetônicos e históricos de Minas. Um lugar bucólico, onde estão guardadas relíquias arquitetônicas do tempo do Brasil Colônia.
          Um dos destaques arquitetônicos da cidade, é a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, bem no coração da Praça Monsenhor Mendes. A Igreja, datada de 1729, e um dos mais notáveis símbolos da religiosidade mineira e da arte rococó, presentes em seus altares laterais e retábulo, além da pintura do forro, feitos ainda no século XVIII. (fotografia acima de Elvira Nascimento)
          A obra se estendeu, até o século XIX, já no declínio do Ciclo do Ouro, ficando algumas partes da Igreja, principalmente, sua fachada, inacabadas. Mesmo assim, sua beleza e riqueza dos detalhes de seu interior (na foto acima de Thelmo Lins), faz da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Catas Altas, um dos mais belos exemplares da arte barroca e sacra mineira, com o privilégio de contar com obras do Mestre Aleijadinho, Ataíde e Francisco Vieira Servas. 
          Outra relíquia histórica de Catas Altas é a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, datada de 1739, construída pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. (na foto acima da Karla Jardim/@tripcatasaltas) A igreja é singela, simples, sem torres, com o altar-mor em talhas douradas, no estilo Joanino. Na parte frontal da Igreja, a data de 1862, mostra, segundo os historiadores, que templo passou por uma reforma, nesse ano. No interior da Igreja, no assoalho, como era costume naquela época, estão sepultados os membros da irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
          A Capela do Senhor do Bonfim é uma das mais charmosas e belas capelas de Catas Altas. Está situada no distrito do Morro D´Água Quente. Construída na segunda metade do século XVIII, é um dos genuínos exemplares da arte barroca. Singela em detalhes externo, chama a atenção as cores vermelhas e branca de sua fachada e a ausência de torre sineira, além da beleza e simplicidade das talhas e ornamentações de seu interior. (fotografia acima de Karla Jardim/@tripcatasaltas)
          Já a Capela de Santa Quitéria (na foto acima da Elvira Nascimento), é um dos lugares mais visitados da cidade e um dos mais conhecidos templos religiosos de Minas Gerais. Erguida no alto de uma colina, data sua construção de 1728, sendo um dos lugares mais visitados de Catas Altas, pela singularidade da Capela, simplicidade e harmonia com a natureza em seu redor, refletindo um ambiente de paz e fé.
          Em Catas Altas, numa região entre 1200 e 2000 mil metros de altitude, está um dos mais importantes santuários de Minas Gerais, o Santuário do Caraça (na foto acima do Isaac Rangel). Um lugar que conta boa parte da história, riqueza arquitetônica, gastronomia e religiosidade mineira. Em toda a área do santuário, são exatos 11.233 hectares de área de mata nativa de transição entre o Cerrado e a Mata Atlântica. Desse total, 10.187 hectares são de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), onde estão protegidos espécies de nossa fauna e flora.
          Na área, está ainda o Conjunto Arquitetônico do Santuário do Caraça (na foto acima da Alexandra Dias), iniciado a partir de 1770, pelo Irmão Lourenço de Nossa Senhora. O conjunto é formado pela Igreja de Nossa Senhora Mães dos Homens, construída em estilo neogótico, o prédio do antigo colégio, hoje, museu e biblioteca, uma pousada e restaurante.
          É no Caraça, que o lobo-guará, aparece todas as noites, para comer carne, da mão dos padres. Presenciado pelos visitantes, que ficam no adro do Santuário a espera do animal, se emocionam com o momento da aproximação dos lobos. (foto acima do Elpídio Justino de Andrade)
          Para proteger o patrimônio natural e arquitetônico de Catas Altas contra modificações ou destruições do patrimônio antigo, todo o perímetro urbano da cidade foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA). E ainda, todo o conjunto arquitetônico do Santuário do Caraça, a Praça Monsenhor Mendes, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição foram tombados como Patrimônio Nacional, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)
          Por sua história, arquitetura, belezas naturais, como rios e cachoeiras paradisíacas (na foto acima do Tom Alves/tomalves.com.br, cachoeira no Caraça) e preservação de seu patrimônio, faz da bucólica Catas Altas, uma das mais charmosas e tradicionais das cidades históricas mineiras. Por isso mesmo, a cidade é um dos lugares mais procurados por turistas, para turismo, aventuras, passeios e descanso.
          É uma das mais importantes cidades históricas mineiras e uma das mais belas também. Tanto é que a cidade serviu de cenário para a minissérie da Rede Globo, “Se eu fechar os olhos agora”, exibida em 2019.
          Durante o ano, diversos eventos culturais, além de festivais, acontecem na cidade, organizados com a participação popular, dos que fazem a cultura, a gastronomia e o turismo na cidade.
          Um desses eventos é o Festival Saborear, que acontece sempre em janeiro, com apresentação dos pratos típicos de Minas Gerais e região.
          Além disso, nos últimos anos, Catas Altas vem se destacando na produção de cervejas artesanais. A primeira cervejaria artesanal da cidade foi a Time´s Beer (na foto acima de Karla Jardim/@tripcatasaltas), fundada em 2016, inicialmente, direcionada apenas para amigos e confraternizações familiares. A qualidade e o sabor de extrema excelência, agradou e a cerveja se popularizou, tornando-se hoje um dos principais rótulos da região.
          De 2016 para cá, outras cervejarias foram surgindo, com receitas variadas, transformando a cidade em referência na fabricação da bebida artesanal, de qualidade, na região. Estão presentes em Catas Altas as cervejarias Bastião, Caraça e Floresta Élfica, com seus diversos rótulos presentes nos bares e restaurantes da cidade (na foto acima de Any Marry@cervejariaflorestaelfica, os rótulos da Cervejaria Floresta Élfica)
          Para divulgar e mostrar a qualidade das cervejas artesanais de Catas Altas, todos os anos, no feriado de Tiradentes, 21 de abril, acontece o Serra do Caraça Bier Fest, com a presença das principais cervejarias artesanais de Minas Gerais, além de barracas com comidas típicas, artesanato e shows musicais.
          O maior evento de Catas Altas é sem dúvidas, a Festa do Vinho. O tradicional evento, acontece sempre no mês de maio e atrai milhares de turistas, vindo de várias regiões de Minas e do Brasil. A Festa do Vinho de Catas Altas tem como atrativos, grandes shows musicais, com apresentações de artistas e bandas renomadas brasileiras e tem ainda a escolha da rainha e princesas do vinho. O evento reúne os produtores de vinhos da cidade e região, mostrando o principal produto local, o vinho, bem como, mostra de pratos especiais, que harmonizam com a bebida.
          São três dias de festa, de sexta a domingo e tem como objetivo mostrar a cultura, o artesanato, a música, a culinária e claro, promover a degustação de vinhos locais, considerados de ótima qualidade, tanto o tradicional vinho de uva, como a bebida fermentada de jabuticaba, geleias e licores de jabuticaba e outras frutas, (como na foto acima da Karla Jardim/@tripcatasaltas).
Vinho em Catas Altas, tradição do século XIX
          A cidade, desde sua origem, foi de grande importância para Minas Gerais, com a mineração do ouro e atualmente, de minério de ferro, além de contar com terras de ótima qualidade e produtivas, se destacando também na agricultura e pecuária, desde os tempos do Brasil Colônia. (na foto acima a vinícola Aluar, da Dona Jesuína. Foto da Karla Jardim/@tripcatasaltas)
          Catas Altas é uma das mais antigas produtoras de vinhos do Brasil, tendo a tradição vinícola da cidade, iniciada no ano de 1868, no século XIX. Uma tradição de mais de 150 anos.
          Quem introduziu e ensinou a técnica de fazer vinhos em Catas Altas foi o padre português, Monsenhor Manoel Mendes Pereira de Vasconcelos, uma das mais importantes figuras da região.
          Diante do fim da riqueza gerada pelo ouro, tendo como consequência o empobrecimento e falta de perspectivas da população de Catas Altas, Santa Bárbara e Barão de Cocais, Monsenhor Mendes se mostrou preocupado e buscou uma saída para a crise financeira que a cidade e região, passavam. O religioso tinha visão de futuro e acreditava que situações difíceis ou até mesmo, com poucas perspectivas de mudanças a curto e médio prazo, podiam ser mudadas através da educação e melhor qualificação profissional, na busca por novas fontes de renda. Procurava mostrar ainda a importância do envolvimento dos moradores em ações coletivas e comunitárias, na melhora da qualidade de vida.
          Percebendo que as terras de Catas Altas e região eram de excelente qualidade, além do clima ameno e montanhoso, acreditou ser possível o cultivo de uvas na região. Isso porque, soube da existência, na cidade, de algumas parreiras de uvas plantadas no pomar na casa de um amigo.
          A uva cultivada pelo amigo era da espécie Vitis labrusca, de origem da América do Norte, chamadas de uva americana. Até hoje são as uvas mais usadas na produção de vinhos no Brasil. São as uvas comuns, que conhecemos hoje, como Isabel, Niágara, Bordô, dentre outras mais.
          Monsenhor Mendes era um grande conhecer da arte de fazer vinhos, já que veio um país, com tradição vinícola, Portugal.
          Iniciou os trabalhos, ensinando a cultura de subsistência e convenceu os moradores da cidade a plantar uvas, escolhendo as uvas americanas. Ensinou ainda a produzir vinhos. Ensinava as técnicas de plantio e cuidados com as videiras, sobre podas e épocas de colheitas, até o processo da pisa das uvas, a fermentação, o adequado armazenamento, até o engarrafamento final.
          Monsenhor Mendes conseguiu unir a cidade, transformando pequenos agricultores, sem esperanças de melhoras a curto e longo prazo, em viticultores, que são os que apenas plantam e colhem uvas e em vinicultores, que são aqueles que transformam a uva em vinho.
          Começava assim uma das mais antigas tradições vinícolas do Brasil, com a cidade de Catas Altas, produzindo vinhos de qualidade. Não demorou muito, e o vinhos de Catas Altas começaram a chamar a atenção dos mais finos paladares da época, já que o sabor, textura e qualidade da bebida catas-altense, era comparado aos tradicionais vinhos da cidade do Porto, cidade da região da Região Demarcada do Douro, no Norte de Portugal e com o vinho Xerez, da cidade de Xerez da Fronteira, na região de Andaluzia, na Espanha.
          A produção de vinhos em Catas Altas sofreu uma interrupção no final do século XIX, quando os parreirais da região foram atacados por pragas, prejudicando a produção de vinhos e a economia local. Para não ficarem sem trabalho e sem o sustento de suas famílias, surgiu a ideia, de usar a uma fruta abundante na região e nativa da Mata Atlântica, a jabuticaba, no lugar da uva, enquanto não se recuperava os vinhedos.
          Infelizmente, não há registro de quem foi a ideia e nem do primeiro produtor a fazer essa experiência na cidade. O que se sabe é que a iniciativa teve a adesão de boa parte dos produtores de vinhos, que buscavam alternativas de renda, até a recuperação total dos parreirais.
          Começaram então a fermentar o mosto da jabuticaba, da mesma forma que faziam com o mosto da uva, surgindo assim uma bebida com cor e textura diferentes do vinho tradicional, porém, muito saborosa, leve e suave. A novidade começou a se difundir pela região, bem como para fora das divisas de Minas, chamando inclusive a atenção do Jornal do Comércio, com sede no Rio de Janeiro.
          Entre 1888 e 1889, o jornal produziu uma série de reportagens sobre os diversos ramos da indústria nacional, da época, encerrando em fevereiro de 1889, a série. A reportagem final, com a manchete “Exposição de Açúcar e Vinhos”, destacava a história da produção de açúcar no Brasil e seus derivados como a rapadura e a cachaça, bem como a produção nacional de vinhos, dando destaque para a bebida de jabuticaba, feita em Catas Altas, até então, bebida desconhecida do brasileiro. Isso porque, naquele tempo, a jabuticaba era usada apenas na fabricação de geleia e licor, mas como vinho, era uma novidade, que chamou a atenção do jornal.
          Por isso o destaque aos vinhos de uva e à bebida mineira, feita a base da fermentação da jabuticaba. Em um dos trechos, o jornal enaltece as qualidades da bebida de jabuticaba de Catas Altas, ao destacar que “há um vinho de jabuticaba, de Catas Altas, de um gosto singular”.
          Com o passar do tempo e recuperação de seus vinhedos, a produção de vinhos em Catas Altas, começou a se recuperar e a se destacar novamente, recebendo, inclusive, premiações em exposições nacionais, no início do século XX. Com isso, a bebida feita com a jabuticaba foi, gradativamente, diminuindo, ficando a fruta restrita a produção de licores e geleias.
          Isso até o ano de 1949, quando a produção da bebida feita com jabuticaba voltou a ser produzida na cidade, por iniciativa de Anastácio de Souza, que resgatou a receita original do século XIX e a tradição da cidade em produzir a bebida fermentada de jabuticaba.
          A iniciativa começou a ganhar espaço nas propriedades da região, com muitos produtores de vinhos, se interessando em produzir também, a tradicional bebida. Aos poucos, foram substituindo o mosto da uva, pela fermentação do mosto da jabuticaba.
          Hoje, embora ainda exista a produção tradicional de vinho de uva em Catas Altas, a bebida fermentada de jabuticaba predomina no município, sendo uma das identidades gastronômicas de Catas Altas. Além disso, é uma das mais finas e deliciosas bebidas mineiras. Das adegas catas-altenses saem vinhos e bebidas fermentadas de jabuticaba, para todos os gostos, seja tinto, branco, suave, meio seco e seco e de qualidade. (na foto acima da Karla Jardim/@tripcatasaltas, o preparo do fermentado de jabuticaba da Adega Aluar, da Dona Jesuína)
          Vinhos, licores e fermentados de jabuticaba são produzidos por cerca de 30 produtores, organizados na Associação dos Produtores de Vinho, Agricultores Familiares e Outros Produtos Artesanais de Catas Altas (APROVART). É a entidade, em parceria com a Prefeitura e Comercio local que organiza, desde 2001, a Festa do Vinho de Catas Altas, sempre no mês de maio, com apresentação de 
rótulos de vinhos tradicionais de uva e a deliciosa bebida fermentada de jabuticaba. (na foto acima da Karla Jardim/@tripcatasaltas, a sede da entidade e abaixo, fermentados e vinhos de Catas Altas)
          Os rótulos mais tradicionais de vinhos de uva de Catas Altas são os da Adega Aluar e Discípulo. Já os fermentados de jabuticaba, são: Cantina Real,  Dona Gercina, M.Silva, JT, Imperial, Borba, Pé de Serra, Oliveira e os fermentados das Adegas  Discípulo e Aluar, que além de vinhos de uva, produzem fermentados, geleias e licores de jabuticabas.
Vinho de jabuticaba ou fermentado de jabuticaba?
          Toda bebida obtida através da fermentação alcóolica do mosto de frutas, é popularmente chamado de vinho. Assim, além do vinho da uva, bebidas alcoólicas obtidas através da fermentação do mosto da jabuticaba, maçã, morango, jamelão, amora, banana, laranja, pera e outras frutas, tem a denominação comum, de vinhos.
          Segundo a tradição europeia, a origem da palavra vinho, vem de videira. Desde a antiguidade, vinho sempre foi associado à uva e por isso, nenhuma outra bebida, de mosto fermentado, que não seja de uva, não é considera, vinho. Inclusive, essa questão, consta em lei no Brasil.
          É a Lei N 7.678 de 8 de novembro de 1988. Um dos artigos dessa lei é bem claro sobre a questão. No Artigo 3º da Lei diz: “Vinho é a bebida obtida pela fermentação alcoólica do mosto simples de uva sã, fresca e madura”. Parágrafo único. “A denominação vinho é privativa do produto a que se refere este artigo, sendo vedada sua utilização para produtos obtidos de quaisquer outras matérias-primas”.
          Segundo entendimentos de juristas, de acordo com a Lei citada acima, somente pode ser considerado vinho, a bebida alcóolica fermentada a partir do mosto da uva. Nenhuma outra bebida, fermentada, que não seja com uva, não pode ser denominada, vinho.
Esse é o motivo que não citamos a bebida de jabuticaba feita em Catas Altas, como vinho. Mesmo sendo uma bebida típica, que durante mais de um século está presente no município com o nome de “vinho de jabuticaba”, a nomenclatura, na atualidade, não é a correta.
          Os produtores da bebida fermentada de jabuticaba e sua entidade representativa, bem como a Prefeitura, de Catas Altas, têm consciência disso e estão buscando nomenclatura própria para a bebida, de acordo com a tradição e identidade que a secular bebida de Catas Altas, tem com a cidade.
          Isso por que a bebida é uma tradição que nasceu nos quintais da cidade histórica, onde os pés de jabuticabas, principalmente da espécie jabuticaba-sabará (Myrciaria cauliflora) estão presentes nos quintais e pomares da cidade. Dessa deliciosa fruta, originou-se uma bebida singular, saudável e saborosa, com a tradição de sua produção, bem como a de vinho de uva, sobrevivem até os dias de hoje, passadas de geração para geração.

          Como por exemplo, a geração de Jesuína Pereira de Souza, da Adega Aluar. Dona Jesuína produz vinhos de uva bordô (na foto acima da Karla Jardim/@tripcatasaltas), fermentado de jabuticaba e licores, desde 1968, ensinada por sua mãe, quando tinha apenas 12 anos. Até hoje, produz as bebidas, do modo artesanal, bem como a maioria dos produtores de vinhos e fermentados de jabuticaba, da cidade. 
          O modo artesanal de fazer vinhos de uva, jabuticaba e licores, é tão tradicional e importante para a cidade que foi tombado pela Prefeitura Municipal em 2011, e declarado como Patrimônio Imaterial de Catas Altas, através do Decreto n 1221/2011. 
          Os vinhos e a bebida de jabuticaba, são encontrados em Catas Altas nas adegas, presentes no Centro Histórico e também, na tradicional Feira Sabores do Morro, no distrito de Morro da Água Quente, ao lado da Capela do Bonfim, realizada no 2º domingo de cada mês, com Música ao vivo e vendas de quitandas, doces, vinhos, licores e artesanatos, feitos na cidade.
Como ir até Catas Altas
De carro: Pela BR-381 em direção à Vitória. Entrar à direita na MG 436 sentido Barão de Cocais. Passar o trevo de Barão de Cocais, após 9 km você estará em Santa Bárbara. Por mais 12 km na MG 129 chegará a Catas Altas. 
De ônibus: Viação Pássaro Verde que sai da rodoviária de BH até Santa Bárbara (em vários horários) ou até Catas Altas:
BH – Catas Altas: de segunda a sábado – às 17:15
Catas altas – BH – de segunda a domingo – às 7:30
(fotografia acima de Marley Melo, com o casario colonial da cidade e ao fundo, a Serra do Espinhaço)
De trem: Uma ótima opção é ir de trem. O trem Vitória Minas sai todos os dias da Praça da Estação em Belo Horizonte às 7:30 hs. Você pode descer na Estação de Barão de Cocais e de lá seguir até Catas Altas de táxi. Se quiser aproveitar mais, você pode conhecer a cidade de Barão de Cocais que é linda e pegar um ônibus até Santa Bárbara, outra cidade histórica maravilhosa. De Santa Bárbara você pode pegar um ônibus para Catas Altas.
          Catas Altas tem uma boa estrutura para receber os turistas, com restaurantes variados, várias pousadas aconchegantes e com boa estrutura de hospedagem, além da opção da hospedaria do Santuário do Caraça. (foto acima de Marley Mello)
Informações sobre as adegas, vinhos, restaurantes, pousadas, eventos anuais e city tour pelos pontos turísticos de Catas Altas, podem ser obtidas através do WhatsApp: 31 99740-1729 ou Instagram @tripcatasaltas, com a Guia de Turismo Karla Jardim.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

O Chafariz do Alto da Cruz em Ouro Preto

(Por Arnaldo Silva) Um dos marcos da história de Ouro Preto, o Chafariz do Alto da Cruz, que fica na Rua Resende, próximo a Igreja de Santa Efigênia, teve sua construção concluída em 1758.
          Segundo texto publicado pela Fundação João Pinheiro - Plano de Conservação e Valorização de Ouro Preto e Mariana o Chafariz do Alto da Cruz "Trata-se de um chafariz parietal, cujo frontispício é extremado por duas pilastras de cantaria sem ordem, ligadas por uma verga em linha reta, da qual saem dois arcos. Do centro desta verga, parte uma pilastra que recebe superiormente uma figura. Todos estes detalhes são de cantaria. Na fachada, há um quadro de cantaria com três carrancas ligadas por linhas retas, fazendo ângulos. Em baixo, o poial de pedra, é formado por três assentos para receber os barris." 
          A obra teve os trabalhos artísticos de Manuel Francisco Lisboa, pai do Mestre Aleijadinho. Pelos traços e características, acredita-se que o busto feminino em pedra-sabão que ornamenta a obra seja atribuído ao Aleijadinho, que nessa época tinha apenas 19 anos. É considerado o primeiro trabalho do Mestre do Barroco Mineiro. 
          O Chafariz do Alto da Cruz passou por sua primeira restauração no século XIX, entre os anos de 1853 e 1855. No século XX, entre os anos de 1935 e 1936, aconteceu nova restauração e foi colocado no chafariz tanque de cantaria do Itacolomi para cavalos. Em 1959, três carrancas forma acrescentadas ao monumento. 

segunda-feira, 22 de abril de 2019

São Tiago: a terra do Café com Biscoito

(Por Arnaldo Silva) “Entra, vou passar o cafezinho e fazer biscoitos pra nós”. Ouvir isso é comum em São Tiago, cidade mineira encravada nas colinas do Campo das Vertentes, a 190 km de Belo Horizonte. As visitas vão logo pra cozinha. É uma das mineiridades, aprendidas em casa, desde os tempos antigos, como as receitas de biscoitos. (na foto abaixo do Deividson Costa, a Praça Ministro Gabriel Passos, onde acontece a Festa do Café com Biscoito)
          Desde o século 19, São Tiago tem fama de ser a cidade do Café com Biscoito. É uma tradição preservada há mais de 150 anos, graças ao amor à arte de fazer biscoitos, vocação antiga de todos os moradores. (na foto abaixo de Deividson Costa/@deividsoncosta, o centro de São Tiago no dia da Festa do Café com Biscoito)
          Difícil não encontrar na cidade uma família que não tenha a vocação para fazer biscoitos. As receitas são de família, preservadas de geração a geração e biscoitos de qualidade, raramente encontrados fora de São Tiago. Toda cidade se envolve na produção de biscoitos. Movimenta a economia e sustenta famílias. Isso é o que difere São Tiago das outras cidades mineiras: a qualidade e sabor único dos biscoitos feitos na cidade.(os ipês amarelos florescem entre agosto e setembro e colorem a Festa do Café com Biscoito. Fotografia de Deividson Costa/@deividsoncosta)
          Segundo dados do IBGE, pelos menos 1/3 dos moradores 10.892 moradores de São Tiago trabalham na produção de biscoitos para a venda. São cerca de oito mil toneladas por ano de biscoitos vendidos na região e em quatro estados brasileiros. É um mercado em constante crescimento que favorece o sucesso profissional dos pequenos produtores artesanais de biscoitos e empresários locais que investem no setor, bem como gera emprego e melhores para o município com impostos. (na foto abaixo do Zezé Bárbara, uma das barracas de biscoitos)
          Pra se ter ideia da vocação e talento do povo são-tiaguense na arte de fazer biscoitos, existe em São Tiago mais de 100 tipos de biscoitos diferentes que deixa o visitante de água na boca. Essa centena de biscoitos conquistou selo de procedência do Instituto Nacional de Proteção Industrial (INPI). É a garantia de que os biscoitos feitos em São Tiago, são únicos, não tem igual em outro lugar. 
Esses biscoitos podem ser degustados, adquiridos e conhecidos na festa anual do Café com Biscoito (na foto acima de Deividson Costa/@deividisoncosta) que acontece regularmente no SEGUNDO FIM DE SEMANA DO MÊS DE SETEMBRO. São Tiago faz divisa com Ritápolis, Resende Costa, Conceição da Barra, Nazareno, Bom Sucesso e Oliveira. 

domingo, 21 de abril de 2019

O que é e como preparar um Café Colonial mineiro?

(Por Arnaldo Silva) A cozinha mineira sempre foi farta. Desde os tempos do Brasil Colônia a fartura sempre esteve na mesa dos mineiros. Visitas vão logo para a cozinha e sempre tem quitandas, café, queijo e doces à vontade. O mineiro faz questão de mostrar sua culinária e agradar as visitas, com muita comida. É assim até hoje. (na foto abaixo Café Colonial do Espaço Roça, pousada em Caetanópolis MG/Divulgação)
     O que para nós é comum, mesa farta, vem sendo normal no Brasil hoje, com o nome de Café Colonial. Em eventos sociais, em restaurantes, e pousadas, sempre tem o famoso café colonial. À primeira vista acredita-se que seja uma prática dos tempos do Brasil Colônia, mas não é. (foto abaixo de Lourdinha Vieira)
     A origem do café colonial é do Sul do país. É típico das cidades de origem alemã, polonesa e ucraniana dos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Começou no início do século XX, com a chegada dos imigrantes europeus. Nas colonias, promoviam cafés em suas comunidades, com os produtos artesanais de seus países de origem como pães, manteiga, queijos, chimia, bolos, presuntos, leite, café, chocolate quente, vinho, salsicha, cuca, carne de porco e de marreco, roscas, chucrute, biscoitos, keschmier, mel e outros produtos. Todos os colonos participavam e os produtos eram postos em mesas, geralmente no centro da comunidade. 
     Assim surgia o café colonial, com origem nos colonos, oriundos da Europa. Era uma forma de matar saudades e preservar a culinária de seus países de origem. Embora tenha o nome de café, não é bem um café. Na sua versão original e uma refeição para ser degustada a qualquer hora do dia.
     A ideia começou a se difundir pelo Brasil e hoje é muito comum em Minas Gerais, principalmente em eventos gastronômicos e em hotéis fazendas. (foto acima de Sérgio Mourão) A diferença é que o café colonial mineiro é realmente um café com o objetivo de mostrar e valorizar os produtos artesanais feitos em Minas Gerais.
Para montar uma mesa de café colonial mineiro esses produtos não pode faltar nunca na mesa
1 - Café e leite: Valorize o café plantado e colhido em sua cidade, bem como o leite também. Leite cru, fervido é o ideal. Se não tiver cafezais em sua cidade, compre café, mas que seja de Minas Gerais, até porque, o melhor café do Brasil é de Minas. Café bom é aquele torrado e moído na hora, coado em coador de pano e adoçado com rapadura. 
2 - Pão de Queijo e Biscoito de Queijo: Impossível não ter um café colonial em Minas com pão de queijo e biscoito de queijo. São nossas identidades. (foto de Saulo Guglielmelli em Passa Tempo MG)
3 - Queijo. Quem vem à Minas ou é de Minas, não resiste ao queijo. Mineiro se ver um queijo rolando morro abaixo,corre para pegá-lo. É uma ofensa para um mineiro não ter queijo num café colonial. Prefira os queijos fabricados em sua cidade.
4 - Doces. Onde tem queijo, tem que ter doce. Não pode faltar doce de leite, de mamão, de figo e claro, goiabada. Não tem quem não resista combinar esses doces com queijo.
5 - Pães e roscas. Faça pão de sal caseiro e coloque na mesa, bem como as roscas de leite condensado, de coco e a famosa rosca Rainha.
6 - Broas. Broa de fubá com queijo é deliciosa demais. As broas de milho no café colonial, por exemplo, broa Caxambu (na foto abaixo), ninguém vai resistir. As broinhas de fubá de canjica são deliciosas para um café. 
7 - Bolos e Bolinhos. Num café colonial tem que ter bolo, principalmente o bolo de fubá. Esse não pode faltar. Prepare um bolo de fubá na forma tradicional, assado no fogão a lenha, na chapa com brasa. Coloque o bolo na fôrma sobre a mesa. (na foto abaixo de Carias Frascoli) O cheirinho de fazenda desse bolo é indescritível!
Bolo de mandioca cremoso é ótimo, bem como bolo de farinha de trigo e bolo de cenoura com calda de chocolate.
E os bolinhos? Bolinho de Chuva, bolinho de arroz e bolinho de queijo tem que ter na mesa.
8 - Farofa e Fubá Suado. Mineiro adora farofa. Já ouviu falar do Mineiro de Botas? É uma farofa de queijo. Pode fazer que é bom. Experimente fazer o Fubá Suado. Os mais antigos lembram desse prato. Para o café da manhã dá uma energia enorme.
9 - Biscoitos. Mineiro adora biscoito de polvilho, seja salgado ou doce, frito ou assado. Não pode faltar na mesa.

10 - Milho. O milho faz parte da nossa culinária desde o povoamento do nosso Estado. Milho cozido com manteiga caseira tem que ter. Mingau de milho verde não pode faltar e claro, pamonha nem precisa dizer porque né? (foto abaixo de Regina´s Farm/Fazendinha da Regina)
Esses 10 itens não podem faltar num café colonial. Prepare uma mesa bem bonita, com forro feito com bordados de sua cidade.  Decore com vinhos, licores, sucos naturais e artesanatos locais. O objetivo do café colonial é mostrar os produtos de sua cidade e região. Uma mesa assim ninguém irá resistir não é? 

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