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domingo, 28 de abril de 2019

A Matriz de Nossa Senhora da Conceição no Serro

(Por Arnaldo Silva) Serro foi uma das primeiras povoações mineiras, com sua origem datada de 1701 com a formação de um arraial. Posteriormente elevado a Vila em 14 de janeiro de 1714 e a cidade em 6 de março de 1838. 
O Centro Histórico do Serro se mantém preservado desde os tempos do Brasil Colônia, tendo sido ainda a primeira cidade histórica mineira reconhecida como Patrimônio Histórico Nacional pelo Instituto Nacional do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN). (foto acima de Thelmo Lins) Com pouco mais de 20 mil habitantes, o Serro está a 325 km de Belo Horizonte. O município faz divisa com Diamantina, Rio Vermelho, Alvorada de Minas, Conceição do Mato Dentro, Couto de Magalhães de Minas, Datas, Presidente Kubistchek, Sabinópolis, Santo Antônio do Itambé e Serra Azul de Minas, cidades igualmente importantes, históricas e com muitos atrativos arquitetônicos e naturais. 
Chegando ao Serro, a primeira impressão que se tem é de que o nosso relógio parou, te convidando a esquecer da correria do dia-a-dia, relaxar, dar uma pausa na pressa e conhecer devagar as belezas da cidade serrana, seu casario, seus principais distritos como o de Milho Verde (na foto acima de Tom Alves/tomalves.com.br), Capivari e São Gonçalo das Pedras. Saborear seu queijo e experimentar os vários pratos típicos da culinária mineira. Boa parte da culinária mineira saiu das cozinhas serranas.
O casario serrano é charmoso, em destaque para a escadaria de acesso para a Igreja de Santa Rita (na foto acima de Thelmo Lins). São 57 degraus. Tem ainda a chácara do Barão e a residência dos Ottoni, hoje um museu, chafariz, boas pousadas, bons restaurantes, com pratos da nossa cozinha como caldos deliciosos, o bambá de couve e pratos doces e salgados feitos à base do mais notável produto do Serro, o queijo. 
Entre todas as belezas arquitetônicas, com seu tradicional casario em estilo colonial e igrejas belíssimas, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição se destaca por sua imponência, beleza e história (na foto acima do Thelmo Lins). É a mais importante igreja do Serro, sendo ainda uma das maiores igrejas barrocas de Minas Gerais. O adro da matriz é formado programa, uma escadaria e uma muralha em pedra sabão. Sua construção tem as características das igrejas do período Barroco mineiro. Simplicidade nos traços arquitetônicos externos e riqueza e luxo em seu interior. 
A obra data aproximadamente de 1776, no século 18, tendo sido concluída ainda no final deste século. Foi erguida no mesmo lugar onde existia uma capela de palha, dedicada a Santo Antônio, erguida entre 1725 e 1737, por ser pequena e a comunidade necessitava de um templo maior. No século XIX passou por pequenas reformas, como em sua fachada e por fim, uma grande reforma, que definiu suas características finais, realiza entre os anos de 1872 a 1877. 
As torres da Matriz de Nossa Senhora da Conceição tem estrutura em madeira, se destaca, bem com as paredes em curva bem como se destaca na vista da cidade. (foto acima de Thelmo Lins)
As talhas em seu interior, em estilo Rococó, principalmente em seu altar-mor se destaca pela riqueza dos detalhes e o brilho dourado tradicional na arte sacra mineira, obra de autoria de Bartolomeu Pereira Diniz, um dos maiores entalhadores no estilo Rococó de Minas Gerais. No altar-mor, além da arte sacra, chama a atenção um enorme lustre, que dá mais brilho aos entalhes. (foto acima de Thelmo Lins)
Além do entalhador Bartolomeu Pereira Diniz, participaram da ornamentação da Matriz os entalhadores André Pires e Francisco Diniz (o Chico Entalhador), o pintor Manuel Fernandes Leão deixou, um pouco de sua arte no interior da igreja, bem como o mestre torneiro, Joaquim Gonçalves de Aguiar, responsável por tornear as colunas do retábulo. (foto acima de Thelmo Lins)
O forro da nave foi pintado em 1828, com autoria atribuída ao pintor Manuel Antônio Fonseca. A obra do artista apresenta Nossa Senhora da Conceição rodeada por anjos, por nuvens e vários ornamentos em seu redor. (foto acima e abaixo de Thelmo Lins)
O interior da Matriz de Nossa Senhora da Conceição transmite uma paz que nos permite contemplar a beleza de sua ornamentação, de sua valiosa arte sacra e ao mesmo tempo estar em sintonia com o Eterno, em orações.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Um paraíso chamado Carrancas

(Por Arnaldo Silva) O povoamento de Carrancas, cidade com cerca de cinco mil habitantes, na região do Campo das Vertentes, começou no século 18, com a chegada de bandeirantes, em busca de ouro. (foto acima de autoria de Gilson Nogueira) Próximo a um ponto de mineração, os bandeirantes notaram a semelhança de duas pedras com a fisionomia humana, dai deram o nome ao local de Carrancas, prevalecendo este o nome da cidade. 
Desse tempo até os dias de hoje, o município preserva suas tradições culturais e gastronômicas. Possui um artesanato riquíssimo em história e qualidade (foto acima de Gilson Nogueira), além de atividades religiosas como o Congado e Folia de Reis mantidas em suas tradições originais. A arquitetura da cidade é marcante e os detalhes arquitetônicos antigos preservados em suas casas, casarões e fazendas. (foto abaixo de Gilson Nogueira)
O município é dotado de belezas naturais espetaculares e abriga o mais completo complexo de águas do Estado. São águas cristalinas, que formam várias cachoeiras com paisagens dignas dos mais belos paraísos do mundo. Vale ressaltar que os complexos de águas de Carrancas são únicos em Minas Gerais. Não é por menos que a cidade é conhecida como a cidade das serras e das cachoeiras. Tantas belezas chamam a atenção de turistas do Brasil inteiro, adeptos do ecoturismo e de emissoras de TV, principalmente a Rede Globo, que tem em Carrancas, cenário natural para suas produções como exemplos: Alma Gêmea (2004), Paraíso (2009), Amor Eterno Amor (2012), Império (2014), Orgulho e Paixão (2018), Espelho da Vida (2018). (foto abaixo de Marselha Rufino)
Por toda a extensão do município brotam águas cristalinas de nascentes, que formam riachos e alimentam grandes rios, como o Rio Capivari, que nasce nas serras do município. Para quem busca um contato pleno com a natureza, Carrancas é o seu destino. A terra das cachoeiras possui mais de 30 atrações mapeadas, com mais de 60 atrativos naturais entre grutas, cachoeiras, poços e serras com trilhas para acesso a pé, 4x4 ou de bike. Algumas de fácil acesso, outras requerem bom preparo físico para chegar. Em alguns trechos pode se fazer rapel e escalada. 
Pelas belezas de suas águas e paisagens, Carrancas atrai a cada dia, famílias e amantes da natureza e práticas esportivas naturais que procuram principalmente as cachoeiras do Complexo da Fumaça (na foto acima de Gilson Nogueira), Complexo da Toca, Complexo da Vargem Grande, Complexo da Zilda, os poços do Coração e das Esmeraldas (na foto abaixo de PauloZaca) e as cachoeiras do Luciano, Véu de Noiva e da Serrinha. 
Atrativos da cidade
Igreja de Nossa Senhora da Conceição 
A matriz da cidade foi construída no século 18 com quartzito, rocha comum na região. As torres da igreja chamam a atenção. (foto acima  de Gilson Nogueira) Geralmente as torres frontais das igrejas são idênticas. De Carrancas não, são diferentes uma da outra. 
No interior da igreja há obras de grande valor cultural e patrimonial atribuídas a Joaquim José da Natividade, discípulo do Mestre Aleijadinho. O interior da igreja é belíssimo, com altar com detalhes em ouro e móveis em madeira. (foto acima de Gilson Nogueira)
Outro destaque religioso em Carrancas é uma singela capela branca, com janelas azuis dedicadas à Nossa Senhora da Conceição do Porto do Saco. (na foto acima de Gilson Nogueira) Uma relíquia do século 18, que fica no distrito de Porto do Saco. Por seu valor histórico para a cidade e Minas Gerais, foi tombada pelo Iepha/MG (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais). 
Em toda a extensão do município de Carrancas, encontramos fazendas, algumas delas, do tempo dos bandeirantes. Algumas ainda estão em atividade produtiva, outras viraram hotéis fazendas. Entre as mais tradicionais estão às fazendas Grão Mogol, Cachoeira, Bananal, Serra das Bicas (na foto acima de Gilson Nogueira), Pitangueiras, Retiro de Baixo e a Fazenda do Saco. 
Carrancas tinha linha férrea
Trem de passageiros e de cargas passaram por esses trilhos. Hoje não tem mais trem transportando passageiros. O que restou dessa lembrança do passado, a Estação de Trens, é hoje um importante ponto turístico e histórico da cidade. (foto acima de Jerez Costa)
Carrancas (foto acima de Gilson Nogueira) faz divisa com os municípios de Itutinga, São Vicente de Minas, Minduri, Cruzília, Luminárias, Nazareno e São João del Rei MG. A distância de Belo Horizonte para Carrancas é de 300 km, via BR 381. 

A tradição vinícola de Catas Altas: da uva à jabuticaba

(Por Arnaldo Silva) Catas Altas é um pequeno e pacato município mineiro, com apenas 5316 habitantes, aos pés da impressionante Serra do Caraça. Distante 121 km de Belo Horizonte, o centro da cidade é um dos mais belos patrimônios históricos de Minas, com um casario arquitetura do tempo do Brasil Colônia. É uma das mais importantes cidades históricas mineiras e uma das mais belas também. (foto acima de Leandro Leal)
É uma das cidades mais visitadas de Minas por estar em seu território o Santuário do Caraça, pelas belezas naturais e pelo frio, característico da região e por sua rica história datada do período colonial. As atividades culturais, turísticas e gastronômicas que a cidade proporciona são organizados com a participação popular, dos que fazem a cultura, a gastronomia e o turismo na cidade.
O Festival Saborear que geralmente acontece em janeiro. (foto acima: Ascom/Prefeitura) 
O Serra do Caraça Bier Fest (na foto acima Prefeitura de Catas Altas/Divulgação), que é o famoso festival das cervejas artesanais, que acontece no feriado de 21 de abril, reunindo as principais cervejas artesanais, puro malte de Minas Gerais. 
A Festa do Vinho
E a festa mais famosa, a Festa do Vinho, que acontece em maio de cada ano, faz parte do calendário de eventos do Estado de Minas Gerais. Acontece anualmente sempre no mês de maio, geralmente no terceiro fim de semana desse mês. 
Informações e detalhes da programação da festa podem ser obtidas pelo telefone (31) 3832-7585 ou pelo e-mail:culturaeturismo@catasaltas.mg.gov.br (foto acima e abaixo Ascom/Prefeitura)
A Festa do Vinho tem como objetivo unir os produtores da cidade e região, mostrando o principal produto local, que é o vinho branco e tinto de jabuticaba, bem como, mostra de pratos especiais, que harmonizam com os vinhos. O evento dura 3 dias, de sexta a domingo e tem como objetivo mostrar a cultura, a música, a culinária e claro, promover a degustação de vinhos locais, considerados de ótima qualidade, tanto o tradicional vinho de uvas, como o de jabuticaba. São 120 anos de tradição na produção de vinhos finos, em Catas Altas. 
O Começo
A produção vinícola de Catas Altas não é recente, é uma das mais antigas do Brasil. (foto acima: Ascom/Prefeitura) 
Começou no no século XIX, com a decadência da exploração do ouro na região. Os grandes proprietários de terras e comerciantes tinham que criar outra atividade de subsistência, com o fim da exploração mineral. Percebendo a decadência financeira dos moradores da região que compunha Santa Bárbara, Barão de Cocais, Catas Altas, até então distrito de Santa Bárbara e a qualidade das terras e clima propício, o Monsenhor Manuel Mendes introduziu o cultivo de uvas na região, ensinando o cultivo e a produção de vinho. 
A partir de então, os comerciantes e proprietários de terras, começaram a investir na produção de vinhos, plantando videiras e produzindo cada vez mais vinhos diversos. A qualidade chegou a ser comparada ao tradicional Vinho do Porto. 
A fama da qualidade do vinho de Catas Altas chegou ao Rio de Janeiro. Em fevereiro de  1889, já no fim do Império no Brasil, o Jornal do Comércio publicou uma reportagem sobre produções de vinhos nacionais e em um trecho cita as qualidades da bebida catas-altense: “há um vinho de jabuticaba, de Catas Altas, de um gosto singular”. A matéria cita sobre a produção de vinhos no Brasil, dando destaque a produção vinícola da província de Minas Gerais. 
Em 1949 o senhor Anastácio de Souza, percebendo a grande quantidade de jabuticabas nativas da região, resolveu inovar. As jabuticabas eram usadas na fabricação de geleias e licores apenas, mas "Seu" Anastácio resolveu inovar. Ao invés de usar uvas, na fabricação do vinho, experimentou jabuticabas.  A iniciativa deu certo, a bebida começou a cair no gosto do povo do arraial e redondezas e hoje a maioria das adegas de Catas Altas, são de vinho de jabuticaba, branco, meio seco, seco e tinto. Em relação ao vinho de uva, que corresponde hoje  a pouco mais de 10% da produção vinícola de Catas Altas, a diferença está no paladar, aroma e cor,embora a técnica de produção seja semelhante à do vinho de jabuticaba.
A festa
A festa acontece na Praça da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, (foto Ascom/Prefeitura) uma linda igreja histórica mineira. Em torno da praça são montadas barracas e o turista tem acesso a diversos tipos de vinhos, de uva e de jabuticaba, seco, tinto e suave, a preços acessíveis. 
(na foto acima, apresentação do Grupo Paulista Demônios da Garoa na Festa do Vinho. Artistas consagrados como Osvaldo Montenegro, Elba Ramalhos e outros já estiverem presentes na festa, fazendo shows. Foto Marilane Batista/Ascom/Prefeitura) A noite acontece apresentações musicais para alegrar a noite dos visitantes com bandas locais e consagradas. 
Durante o evento acontece eleição da rainha e princesa do vinho. Tem também a gastronomia típica de Minas e oficinas de culinária, durante o evento.(na foto acima. Arquivo Prefeitura)
Onde encontrar o Vinho de Catas Altas?
Dona Luzia 
Endereço: Rua São Miguel - Centro - Catas Altas (Em frente ao Escritório do Entre Serras). Telefone: (31) 9 98604-7281
(foto ao lado da Matriz de N. S. da Conceição por Marley Mello)
Feirinha Sabores do Morro
Realizada no centro histórico do Morro da Água Quente - ao lado da Capela do Bonfim. Catas Altas. Telefone: (31) 9 8421-6947
É realizada todo 2º domingo do mês com Música ao vivo e vendas de quitandas, doces, vinhos, licores e artesanatos produzidos na cidade.
Catas Altas Adegas de Vinho 
Praça da Matriz de Catas Altas. Telefone: (31) 9 8672-8415
Roteiro de visita adegas de vinho de jabuticaba, através da associação.
Como ir até Catas Altas
De carro: Pela BR-381 em direção à Vitória. Entrar a direita na MG 436 sentido Barão de Cocais. Passar o trevo de Barão de Cocais, após 9 km você estará em Santa Bárbara. Por mais 12 km na MG 129 chegará a Catas Altas. (foto ao lado de Marley Mello)
De ônibus: Viação Pássaro Verde que sai da rodoviária de BH até Santa Bárbara (em vários horários) ou até Catas Altas:
BH – Catas Altas: de segunda a sábado – às 17:15
Catas altas – BH – de segunda a domingo – às 7:30
De trem: Uma ótima opção é ir de trem. O trem Vitória Minas sai todos os dias da Praça da Estação em Belo Horizonte às 7:30 hs. Você pode descer na Estação de Barão de Cocais e de lá seguir até Catas Altas de táxi. Se quiser aproveitar mais, você pode conhecer a cidade de Barão de Cocais que é linda e pegar um ônibus até Santa Bárbara, outra cidade histórica maravilhosa. De Santa Bárbara você pode pegar um ônibus para Catas Altas.
Onde comprar?
La Violla Brasserie 
Praça Monsenhor Mendes. Centro, Catas Altas 31 8720-8730
Rancho Do Pote 
Rua Direita 804 | Traviu, Catas Altas
Restaurante Ora Pro Nobis 
Rua do Campo, 79, Catas Altas, 31 3832-7667
Histórias Taberna 
R. Mns. Barros, 230 | Centro, Catas Altas, 31 3832-7615
Onde ficar?

A região tem boas pousadas e hotéis que te agradarão. Veja:
Pousada Solar dos Guarás
R. Pe. Emílio da Veiga, 54|Centro, Catas Altas (31) 3832-7102
Pousada Vivendas Da Serra
R. Azaléia, 115 | Vista Alegre, Catas Altas (31) 3832-7327
Pousada Catas Das Gerais
R. Mons. Barros, 260 | Centro, Catas Altas (31) 3832-7292
Pra quem gosta de acampar, entre Catas Altas e Morro da Água Quente tem um camping. Quem se interessar, pode ligar (31) 8731-5538 / 8475-5995/ 8731-5536/ 8761-3262 

quarta-feira, 24 de abril de 2019

O Chafariz do Alto da Cruz em Ouro Preto

Um dos marcos da história de Ouro Preto, o Chafariz do Alto da Cruz, que fica na Rua Resende, próximo a Igreja de Santa Efigênia, teve sua construção concluída em 1758.
Segundo texto publicado pela Fundação João Pinheiro - Plano de Conservação e Valorização de Ouro Preto e Mariana o Chafariz do Alto da Cruz "Trata-se de um chafariz parietal, cujo frontispício é extremado por duas pilastras de cantaria sem ordem, ligadas por uma verga em linha reta, da qual saem dois arcos. Do centro desta verga, parte uma pilastra que recebe superiormente uma figura. Todos estes detalhes são de cantaria. Na fachada, há um quadro de cantaria com três carrancas ligadas por linhas retas, fazendo ângulos. Em baixo, o poial de pedra, é formado por três assentos para receber os barris." 
A obra teve os trabalhos artísticos de Manuel Francisco Lisboa, pai do Mestre Aleijadinho. Pelos traços e características, acredita-se que o busto feminino em pedra-sabão que ornamenta a obra seja atribuído ao Aleijadinho, que nessa época tinha apenas 19 anos. É considerado o primeiro trabalho do Metre do Barroco Mineiro. 
O Chafariz do Alto da Cruz passou por sua primeira restauração no século XIX, entre os anos de 1853 e 1855. No século XX, entre os anos de 1935 e 1936, aconteceu nova restauração e foi colocado no chafariz tanque de cantaria do Itacolomi para cavalos. Em 1959, três carrancas forma acrescentadas ao monumento. 
(Texto e fotografias de Arnaldo Silva)

segunda-feira, 22 de abril de 2019

São Tiago: a terra do Café com Biscoito

(Por Arnaldo Silva) “Entra, vou passar o cafezinho e fazer biscoitos pra nós”. Ouvir isso é comum em São Tiago, cidade mineira encravada nas colinas do Campo das Vertentes, a 190 km de Belo Horizonte. As visitas vão logo pra cozinha. É uma das mineiridades, aprendidas em casa, desde os tempos antigos, como as receitas de biscoitos. (na foto abaixo de Deividson Costa/@deividsoncosta, o centro de São Tiago no dia da Festa do Café com Biscoito) 
          Desde o século 19, São Tiago tem fama de ser a cidade do Café com Biscoito. É uma tradição preservada há mais de 150 anos, graças ao amor à arte de fazer biscoitos, vocação antiga de todos os moradores. (na foto abaixo do Zezé Bárbara, detalhe da preocupação com o meio ambiente. É um restaurante e o ipê foi preservado)
          Difícil não encontrar na cidade uma família que não tenha a vocação para fazer biscoitos. As receitas são de família, preservadas de geração a geração e biscoitos de qualidade, raramente encontrados fora de São Tiago. Toda cidade se envolve na produção de biscoitos. Movimenta a economia e sustenta famílias. Isso é o que difere São Tiago das outras cidades mineiras: a qualidade e sabor único dos biscoitos feitos na cidade.(os ipês amarelos florescem entre agosto e setembro e colorem a Festa do Café com Biscoito. Fotografia de Deividson Costa/@deividsoncosta)
          Segundo dados do IBGE, pelos menos 1/3 dos moradores 10.892 moradores de São Tiago trabalham na produção de biscoitos para a venda. São cerca de oito mil toneladas por ano de biscoitos vendidos na região e em quatro estados brasileiros. É um mercado em constante crescimento que favorece o sucesso profissional dos pequenos produtores artesanais de biscoitos e empresários locais que investem no setor, bem como gera emprego e melhores para o município com impostos. (na foto abaixo do Zezé Bárbara, uma das barracas de biscoitos)
          Pra se ter ideia da vocação e talento do povo são-tiaguense na arte de fazer biscoitos, existe em São Tiago mais de 100 tipos de biscoitos diferentes que deixa o visitante de água na boca. Essa centena de biscoitos conquistou selo de procedência do Instituto Nacional de Proteção Industrial (INPI). É a garantia de que os biscoitos feitos em São Tiago, são únicos, não tem igual em outro lugar. 
Esses biscoitos podem ser degustados, adquiridos e conhecidos na festa anual do Café com Biscoito (na foto acima de Deividson Costa/@deividisoncosta) que acontece regularmente no SEGUNDO FIM DE SEMANA DO MÊS DE SETEMBRO. São Tiago faz divisa com Ritápolis, Resende Costa, Conceição da Barra, Nazareno, Bom Sucesso e Oliveira. 

domingo, 21 de abril de 2019

O que é e como preparar um Café Colonial mineiro?

(Por Arnaldo Silva) A cozinha mineira sempre foi farta. Desde os tempos do Brasil Colônia a fartura sempre esteve na mesa dos mineiros. Visitas vão logo para a cozinha e sempre tem quitandas, café, queijo e doces à vontade. O mineiro faz questão de mostrar sua culinária e agradar as visitas, com muita comida. É assim até hoje. (na foto abaixo Café Colonial do Espaço Roça, pousada em Caetanópolis MG/Divulgação)
     O que para nós é comum, mesa farta, vem sendo normal no Brasil hoje, com o nome de Café Colonial. Em eventos sociais, em restaurantes, e pousadas, sempre tem o famoso café colonial. À primeira vista acredita-se que seja uma prática dos tempos do Brasil Colônia, mas não é. (foto abaixo de Lourdinha Vieira)
     A origem do café colonial é do Sul do país. É típico das cidades de origem alemã, polonesa e ucraniana dos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Começou no início do século XX, com a chegada dos imigrantes europeus. Nas colonias, promoviam cafés em suas comunidades, com os produtos artesanais de seus países de origem como pães, manteiga, queijos, chimia, bolos, presuntos, leite, café, chocolate quente, vinho, salsicha, cuca, carne de porco e de marreco, roscas, chucrute, biscoitos, keschmier, mel e outros produtos. Todos os colonos participavam e os produtos eram postos em mesas, geralmente no centro da comunidade. 
     Assim surgia o café colonial, com origem nos colonos, oriundos da Europa. Era uma forma de matar saudades e preservar a culinária de seus países de origem. Embora tenha o nome de café, não é bem um café. Na sua versão original e uma refeição para ser degustada a qualquer hora do dia.
     A ideia começou a se difundir pelo Brasil e hoje é muito comum em Minas Gerais, principalmente em eventos gastronômicos e em hotéis fazendas. (foto acima de Sérgio Mourão) A diferença é que o café colonial mineiro é realmente um café com o objetivo de mostrar e valorizar os produtos artesanais feitos em Minas Gerais.
Para montar uma mesa de café colonial mineiro esses produtos não pode faltar nunca na mesa
1 - Café e leite: Valorize o café plantado e colhido em sua cidade, bem como o leite também. Leite cru, fervido é o ideal. Se não tiver cafezais em sua cidade, compre café, mas que seja de Minas Gerais, até porque, o melhor café do Brasil é de Minas. Café bom é aquele torrado e moído na hora, coado em coador de pano e adoçado com rapadura. 
2 - Pão de Queijo e Biscoito de Queijo: Impossível não ter um café colonial em Minas com pão de queijo e biscoito de queijo. São nossas identidades. (foto de Saulo Guglielmelli em Passa Tempo MG)
3 - Queijo. Quem vem à Minas ou é de Minas, não resiste ao queijo. Mineiro se ver um queijo rolando morro abaixo,corre para pegá-lo. É uma ofensa para um mineiro não ter queijo num café colonial. Prefira os queijos fabricados em sua cidade.
4 - Doces. Onde tem queijo, tem que ter doce. Não pode faltar doce de leite, de mamão, de figo e claro, goiabada. Não tem quem não resista combinar esses doces com queijo.
5 - Pães e roscas. Faça pão de sal caseiro e coloque na mesa, bem como as roscas de leite condensado, de coco e a famosa rosca Rainha.
6 - Broas. Broa de fubá com queijo é deliciosa demais. As broas de milho no café colonial, por exemplo, broa Caxambu (na foto abaixo), ninguém vai resistir. As broinhas de fubá de canjica são deliciosas para um café. 
7 - Bolos e Bolinhos. Num café colonial tem que ter bolo, principalmente o bolo de fubá. Esse não pode faltar. Prepare um bolo de fubá na forma tradicional, assado no fogão a lenha, na chapa com brasa. Coloque o bolo na fôrma sobre a mesa. (na foto abaixo de Carias Frascoli) O cheirinho de fazenda desse bolo é indescritível!
Bolo de mandioca cremoso é ótimo, bem como bolo de farinha de trigo e bolo de cenoura com calda de chocolate.
E os bolinhos? Bolinho de Chuva, bolinho de arroz e bolinho de queijo tem que ter na mesa.
8 - Farofa e Fubá Suado. Mineiro adora farofa. Já ouviu falar do Mineiro de Botas? É uma farofa de queijo. Pode fazer que é bom. Experimente fazer o Fubá Suado. Os mais antigos lembram desse prato. Para o café da manhã dá uma energia enorme.
9 - Biscoitos. Mineiro adora biscoito de polvilho, seja salgado ou doce, frito ou assado. Não pode faltar na mesa.

10 - Milho. O milho faz parte da nossa culinária desde o povoamento do nosso Estado. Milho cozido com manteiga caseira tem que ter. Mingau de milho verde não pode faltar e claro, pamonha nem precisa dizer porque né? (foto abaixo de Regina´s Farm/Fazendinha da Regina)
Esses 10 itens não podem faltar num café colonial. Prepare uma mesa bem bonita, com forro feito com bordados de sua cidade.  Decore com vinhos, licores, sucos naturais e artesanatos locais. O objetivo do café colonial é mostrar os produtos de sua cidade e região. Uma mesa assim ninguém irá resistir não é? 

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Catas Altas: lugar sagrado nos Alpes Mineiros

(Por Arnaldo Silva) Catas Altas tem pouco mais de cinco mil habitantes, distante apenas 120 km de Belo Horizonte. Faz divisa com Santa Bárbara, Alvinópolis e Mariana. (foto acima de Elvira Nascimento) Construída aos pés da Cordilheira do Espinhaço, também chamada de Alpes Mineiros, Catas Altas é uma típica cidade do interior mineiro, com tradição, história e uma culinária riquíssima. É uma das mais tradicionais na produção de vinhos em Minas. São 120 anos de tradição vinícola, em especial, o vinho de jabuticaba.
     O município surgiu com a descoberta do ouro em Minas Gerais por volta de 1700. Foi esse ouro que ajudou no desenvolvimento do município e a definir suas tradições e cultura, ao longo dos mais de 300 anos de existência do de Catas Altas. 
     Uma relíquia do período da extração de ouro em Catas Altas é o Bicame de Pedra (na foto acima de Marley Mello). Um aqueduto de 12 km, totalmente em pedras, feito pelos escravos com a finalidade de levar água para a cidade e abastecer a mineração. Restam apenas 200 metros do aqueduto, aberto à visitação.
     A cidade tem um belo e preservado casario, boas pousadas e natureza exuberante, mesmo com a mineração atuante na cidade, as belezas naturais locais são preservadas. (foto acima de Elvira Nascimento) Em Catas Altas está o Santuário do Caraça, um dos lugares mais visitados em Minas Gerais e no centro da cidade, pode se contemplar o fabuloso maciço rochoso da Cordilheira do Espinhaço.
A Praça Monsenhor Mendes é o coração de Catas Altas. Nela, pode ser visto a Igreja de Nossa Senhora da Conceição (na foto acima de Elvira Nascimento), fundada em 1739 e em seu entorno, um belo e preservado casario do período barroco.
     A Igreja de Santa Quitéria (na foto acima de Arnaldo Quintão) é uma das mais visitadas e fotografadas da cidade. Fica no alto de uma colina é uma das mais visitadas. A Igreja é pitoresca, singela, no estilo barroco, do século 18.
     Outra igreja, a de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, é atração na cidade. Sua construção iniciou-se no final do século 18 e foi concluída no início do século 19. Por fora não chama muito atenção, pela simplicidade dos detalhes, mas por dentro sim. Seu altar-mor é no estilo Joanino, com a pintura do teto em vermelho e marrom bem escuro. 
O Santuário do Caraça
     “Só o Caraça paga toda viagem a Minas”, frase proferida pelo Imperador Dom Pedro II em 1881, quando visitou o local. Ele estava certíssimo! O Santuário está numa Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), guardando e preservando tesouros da nossa fauna e flora. (foto acima de Elvira Nascimento)
     O visitante se encanta com o Caraça. Quem visita o Santuário, encontra de tudo em um só lugar. Natureza plena, sossego, paz, hospedagem, restaurante, história e espiritualidade. Oportunidade única e incrível para aventuras emocionantes e relaxamento completo em meio à natureza exuberante. Para os amantes das trilhas tem várias opções.       Quem não resiste às cachoeiras, têm à sua disposição as cachoeiras da Cascatinha, Cascatona, Bocaina, com belas piscina naturais (na foto ao lado de Tom Alves/tomalves.com.br), e outras tantas cachoeiras, rios e praias fluviais. Se quiser também, pode apreciar a vista do santuário subindo até o Pico da Carapuça, Pico do Sol, Pico da Verruguinha, Pico Três Irmãos e Pico da Conceição, entre outros. Tem grutas também. As grutas de Lourdes e da Bocaina são muito procuradas pelos visitantes. 
     Além de ser um santuário ecológico, o Caraça é um Centro de espiritualidade, cultura e religião, tendo sido eleita como uma das Sete Maravilhas da Estrada Real, sendo patrimônio de Catas Altas, de Minas e do Brasil. No Centro, o visitante tem uma excelente estrutura como pousada, restaurante, lanchonete, loja, igreja com vitrais doados pelo Imperador Dom Pedro II, museu, biblioteca. À noite, lobos-guarás costumam aparecer no adro do Caraça para comer carne, nas mãos dos padres. Um espetáculo que encanta os visitantes. (na foto ao lado, de autoria de Josiano Melo)
Catas Altas recebe em média 70 mil turistas por ano. Em dias de festas, como a Festa do Vinho, por exemplo, atrai gente de todas as regiões, quadruplicando o número de moradores locais. 
Conhecer Catas Altas é vivenciar um pouco da história de Minas. Estar no Caraça, é estar no coração da natureza plena. 

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