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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Mar de Espanha de Minas Gerais

(Por Arnaldo Silva) Carinhosamente chamada de “Mar de Minas” e “Maresp”, Mar de Espanha conta hoje com cerca de 13 mil habitantes. Está a 358 km de Belo Horizonte e a 60 km de Juiz de Fora MG. Faz divisa com os municípios de Além Paraíba, Chiador, Guarará, Pequeri, Santana do Deserto, Santo Antônio do Aventureiro, Senador Cortes e Maripá de Minas. Quem nasce em Mar de Espanha é “mar-de-espanhense”. 
          Mar de Espanha é uma típica cidade do interior mineiro. Pacata, atraente, charmosa, povo hospitaleiro e acolhedor. É uma cidade histórica da Zona da Mata Mineira. (na foto acima de Marley Mello, comunidade rural de Mar de Espanha MG)
          Nos séculos XVIII e XIX, as terras férteis da Zona da Mata atraíram um grande número de aventureiros e gente disposta a investir na produção agrícola, já que a extração mineral começou a dar sinais de decadência, ainda no século XVIII. Uma das atividades que começou a ganhar impulso na região naquela época foi a cafeeira. O café transformou a região numa das mais ricas regiões do Brasil, nos tempos da Colônia. 
          Várias fazendas de café foram sendo formadas nessa época e muitos povoados, que deram origem a várias cidades. Entre esses povoados, surgiu Mar de Espanha. (na foto acima de Marley Mello, vista parcial da cidade)
          A cidade teve origem numa pequena rancharia, formada por poucas casas, já que o local eram ponto de passagem de viajantes e tropeiros, que cortavam a região, a caminho de São João Nepomuceno. Na rancharia, os viajantes eram atendidos, descansavam, se alimentavam e seguiam seu caminho.
          Com o passar dos anos, com a riqueza gerada pelo café, casas e sobrados começaram a ser construídos e a pequena rancharia, passou a ser povoado, com o nome de Arraial do Cágado.
          Em 1815, o arraial foi elevado à Vila e a distrito em 10 de setembro de 1851, quando adotou o nome de Mar de Espanha, um nome popular na região, nessa época. A sabedoria popular diz que o nome foi dado por dois irmãos espanhóis, que chegaram ao Brasil no início do século XIX, se estabelecendo na região.
          Os irmãos construíram um pequeno porto, onde faziam travessia de balsa sobre o Rio Paraíba, próximo a foz do Rio Paraibuna. Transportavam alimentos, carros de bois, gado, pessoas, tudo. O leito do rio tinha uma extensão bem larga e a vista, lembrava aos espanhóis, o mar, de seu país, a Espanha. A saudade e as lembranças do país de origem, fez os espanhóis chamar o lugar de “El mar d´Spaña”, Mar de Espanha. Com o passar do tempo, o topônimo passou a ser usado como nome de uma fazenda e quando o arraial foi elevado a distrito, decidiu-se pela mudança do nome Arraial do Cágado, para Mar de Espanha, permanecendo este nome até os dias de hoje.
          Nessa época, o distrito era subordinado a São João Nepomuceno e o arraial contava com cerca de 2 mil habitantes. A riqueza gerada pelo café, propiciava uma vida econômica ativa no distrito que contava com um comércio variado, vida social ativa, várias ruas com casarões e sobrados suntuosos, construídos pelos barões do café. Muitos desses casarões, tanto na área urbana, quanto na rural, estão presentes ainda hoje em Mar de Espanha. E muito bem conservados e cuidados. Em 27 de junho de 1859, Mar de Espanha deixa de ser distrito para ser uma cidade emancipada.
          A data da elevação de Mar de Espanha à distrito, 10 de setembro de 1851, é considerada como data da fundação oficial do município, sendo o aniversário da cidade comemorada neste dia. 
          Mar de Espanha (na foto acima de Marley Mello) teve sua origem na agricultura, mas sua economia hoje é bastante diversificada, tanto na agricultura, com destaque hoje para a pecuária leiteira e seus derivados, quanto em outros setores industriais, como a mineração. Conta um comércio variado que atende bem a população, pousadas e hotéis charmosos e aconchegantes, boa qualidade de vida, produção artesanal de doces e quitandas, restaurantes com comidas típicas e uma boa rede de prestação de serviços. 
          Outro destaque em Mar de Espanha (na foto acima do Marley Mello) é o turismo, já que a cidade faz parte da história dos tempos dos “barões do café”, tendo sido de grande importância para a região desde sua fundação.
          O município é dotado de uma riqueza natural imensa e belezas singelas que impressionam. Nascentes, córregos, rios que em seu percurso forma belas cachoeiras como a Cachoeira do Pedro Duim, da Bocaina, Estevão Pinto e Fumaça, as mais procuradas. 
          Além da beleza e imponência das fazendas de grande importância para o município, como a Fazenda Calambau, a Fazenda Vista Alegre, a Fazenda São Sebastião, o Sítio das Estrelas, o Sítio Harmonia, muitas delas do tempo dos Barões do Café. Pelas fazendas e comunidades rurais, podem ser vistas singelas casas de colonos, belíssimos casarões e charmosas capelas.
          A cidade preserva em sua arquitetura (foto acima do Marley Mello), a beleza e o charme das construções coloniais dos séculos XVIII e XIX, além das construções clássicas e ecléticas do século XX. 
          Em sua arquitetura urbana, Mar de Espanha conta com vários monumentos históricos como a antiga estação ferroviária Estevão Pinto (na foto acima do Marley Mello) prédio do Fórum da Comarca, a sede da Prefeitura, o Santuário de Nossa Senhora das Mercês, a segunda igreja erguida na Zona da Mata, a Igreja de Santa Efigênia e seu mirante, o prédio da Cadeira Pública, o Clube Recreativo, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, o prédio onde funcionava o matadouro municipal, a Igreja de Santo Antônio.
          Tem ainda as charmosas ruas históricas com seus antigos casarões (na foto acima de Márcia Valle), bem com o Parque Ecológico Doutor José Francisco Schettino, o Horto Florestal, o Sítio Arqueológico na Comunidade do Córrego da Areia, com pinturas rupestres datadas de 10.000 anos, o Vale da Minerva, o Monte Altíssimo, dentre outras belezas naturais e arquitetônicas. 
          Mar de Espanha se destaca ainda na religiosidade, cultura, artesanato e preservação das tradições populares, em destaque para a Festa da Padroeira e o Carnaval. No interior do Santuário de Nossa Senhora das Mercês (na foto de Márcia Valle), encontra-se um pequeno fragmento da ossada de Luiz Orione (1872-1940). Foi doada pelo Vaticano à cidade, por ter sido a única cidade mineira visitada pelo sacerdote italiano, da ordem dos Salesianos, na década de 1920. Beatificado em 1980, Luiz Orione foi canonizado pelo Papa João Paulo II em 2004. Hoje é São Luiz Orione. A cidade guarda com orgulho a relíquia do Santo, em seu santuário.
          Mar de Espanha é uma cidade acolhedora, de povo simples, que recebe os visitantes de braços abertos e tem muita história para contar e muitas belezas para te mostrar.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Queijo maturado no vinho tinto

(Por Arnaldo Silva) Em nosso portal, já ensinamos a curar queijo no café e também, curar queijo na cachaça, com jabuticaba. Agora a combinação perfeita. Você vai aprender a curar um queijo no vinho tinto suave.
          Queijos e vinhos formam um par perfeito, combinam em tudo. Maturar queijo no vinho, é unir o útil ao agradável. O processo é bem simples e o resultado final, excelente, delicioso, perfeito.
Você vai precisar de um queijo e uma garrafa de vinho tinto suave, de sua preferência e uma bacia.
          Você vai escolher o seu queijo preferido, desde que seja fresco, mas não muito mole, de uns 3 dias de maturação, apenas e um vinho tinto de sua preferência.
          Na maturação, usamos o Queijo Artesanal de Alagoa MG, do Sul de Minas, da Fazenda Bela Vista, premiado no Mondial du Fromage, na França em 2019. Queijo fino, de massa leve e densa, com sabor meio picante. O queijo é de primeira.
          O vinho pode ser qualquer um de sua preferência. Eu gosto muito no meu dia a dia do vinho Modestus Syrah, da Vinícola Stela Valentino, de Andradas MG, Sul de Minas. Vinho fino, com uma cor rubi intensa, com o delicioso aroma de uva sobressaindo.
1 - Você vai pegar o queijo de sua preferência e colocá-lo numa bacia.
2 - Em seguida, despeje toda a garrafa do vinho tinto de sua preferência, até cobrir todo o queijo.
3 - Cubra a bacia com uma tela de pano, apenas para evitar que entre insetos.
4 - Coloque a bacia com o queijo e vinho cobertos em um lugar mais escuro, em temperatura ambiente e deixe descansando por 2 dias.
Nesse tempo, o queijo irá absorver o sabor do vinho e terá a coloração roxa na parte exterior. De um dia para o outro, vire o queijo para que absorva por igual o sabor do vinho.
5 - Depois dos 2 dias, retire da bacia, seque, coloque o queijo numa queijeira de madeira, com telas, e deixe curando por 2 ou mais dias, em temperatura ambiente. Quanto mais tempo ele maturar, melhor ficará o sabor do queijo.
6 - Depois dos 7 dias, retire da queijeira, se preferir, pode pincelar azeite de oliva sobre o queijo e servir.
          Desde início do processo, até o último dia da cura, perceberá que formará no queijo uma casca fina, de cor roxa, com um forte aroma do vinho.
          Partindo o queijo com uma faca, como podem ver na minha mão, perceberá uma massa firme, com a coloração tendendo para o amarelo claro, levemente picante e sabor de vinho e queijo misturados, com tendência para sentir mais o aroma e gosto do vinho, que do queijo.
          Prontinho, agora é só degustar o queijo.
          O vinho que sobrou, coloque-o de volta na garrafa e beba. Ficará com um sabor ótimo, de queijo e vinho. 
(as fotos dessa edição são dos queijos feitos na Fazenda Bela Vista, em Alagoa MG. O contato do produtor é pelo instagram: @fazendabelavistaalagoamg)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

O melhor Queijo e o melhor Café de Minas Gerais

(Por Arnaldo Silva) O melhor queijo de Minas Gerais é o Queijo Reinaldo, da cidade de Vargem Bonita MG, no Oeste Minas, a primeira cidade banhada pelo Rio São Francisco e porta de entrada para a Cachoeira da Cascadanta na Serra da Canastra. 
          O Queijo Reinaldo, de Vargem Bonita MG, produzido na Fazenda Capivara, pelo produtor Reinaldo Costa, foi o vencedor do Concurso Estadual do Queijo Minas Artesanal, edição comemorativa dos 300 anos do Estrado Mineiro. (foto acima da Lindair Costa/enviada pela Nilza Leonel) O concurso foi realizado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater/MG), com pontuação que variava de 0 a 100.
           O resultado foi divulgado pelo site da empresa, em 14 de dezembro/2020. O queijo vencedor, Queijo Reinaldo, recebeu a maior nota, 95 pontos. Um queijo com uma leve doçura, um amargor suave, massa densa e macia, tradicionalmente feito de leite cru, “pingo” e sal. Foram essas as características que conquistaram o paladar dos 25 jurados, que fizeram avaliação dos queijos observando o sabor, textura, consistência, aroma, cor e apresentação. 
          Concorreram 185 das regiões queijeiras mineiras: Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serra do Salitre, Serro, Alagoa, Mantiqueira de Minas e Triângulo Mineiro. Os queijos inscritos são legalizados, e passam rotineiramente por inspeção estadual ou municipal. Minas Gerais tem tradição de ter os melhores queijos do Brasil, por isso, ser o melhor queijo entre os melhores, é uma conquista de grande importância. O Queijo Reinaldo foi o número 1 entre os melhores queijos de Minas Gerais (foto acima da Lindair Costa/enviada pela Nilza Leonel)
          A qualidade do queijo feito em Vargem Bonita é reconhecida há tempos, com premiações, inclusive internacional. O queijo vencedor, do Reinaldo, foi em 2017, premiado no maior concurso de queijos, o Mondial du Fromage, realizado em Tours, na França. Ficou com medalha de prata. Sua vitória não foi por mero acaso. Fruto de muita dedicação, trabalho e amor à arte de fazer queijo. Está aí o resultado, que fez a felicidade do produtor. E claro, a felicidade, não para menos. É o melhor queijo de Minas e queijo é uma das identidades mineiras. A conquista valoriza ainda mais o queijo Canastra e em especial, de Vargem Bonita, pitoresca e charmosa cidade, com menos de 3 mil habitantes, na Serra da Canastra, região que produz queijos artesanais há mais de 200 anos. Hoje, é o melhor queijo de Minas Gerais.
          Reinaldo produz em média 30 queijos por dia e suas peças são muito procuradas pelos turistas que vem à Vargem Bonita MG e pelos apreciadores de queijos de todo o Brasil que adquirem a iguaria pela internet. Seus queijos são comercializados ainda nos Estados de Goiás, São Paulo e em Brasília.
Os queijos vencedores no concurso
1º LUGAR: Reinaldo de Faria Costa de Vagem Bonita MG, Região da Canastra (foto acima da Lindair Costa/Enviada pela Nilza Leonel)
2º LUGAR: Guilherme Henrique Silva  de São Roque de Minas, Região da Canastra
3º LUGAR: José Orlando Ferreira Júnior  de Carrancas, Região do Campo das Vertentes
4 º LUGAR: Freire Fregúgia da Silva Júnior de São Roque de Minas, Região da Canastra
5º LUGAR: Reginaldo Miranda de Andrade  de Medeiros, Região da Canastra.
VENCEDOR DO JÚRI DE  JORNALISTAS: Sérgio Antônio Rodrigues Costa, de Alvorada de Minas, Região do Serro. 
17º Concurso de Qualidade de Cafés de Minas Gerais
          Neste mesmo dia, da divulgação dos queijos vencedores, a Emater divulgou ainda os vencedores 17º Concurso de Qualidade de Cafés de Minas Gerais. Foram 1.792 amostras de cafés participantes, das regiões cafeeiras: Cerrado Mineiro, Chapada de Minas, Matas de Minas e Sul de Minas. Os cafés foram divididos por categorias: Café Natural e Café Cereja Descascado, Despolpado ou Desmucilado. (na foto acima, da Maria Luiza Lacerda, detalhes do café produzido pelo Ademir Lacerda e abaixo, com foto de Silvânia Lacerda, Ademir, de camiseta branca, com suas premiações)
          O café de Espera Feliz, na Zona da Mata, região cafeeira tradicional em produção de cafés de alta qualidade no Brasil, do produtor Ademir Abreu de Lacerda, do Sítio Forquilha do Rio, foi o vencedor. Ademir alcançou a pontuação de 92 pontos, que vai de 0 a 100. Foi o campeão geral, sendo então, o melhor café de Minas Gerais. (na foto abaixo, Silvânia Lacerda, esposa do Ademir, abanando café)
          Na categoria Café Natural, o vencedor foi o produtor José Adilson Cândido Corrêa, de Araxá MG, no Alto Paranaíba, com 89,875 pontos.        
          O produtor Sérgio Meirelles Filho, de Aricanduva, no Vale do Jequitinhonha, foi o primeiro colocado, na categoria Café Chapada de Minas, com 89,417 pontos.   
          Já o produtor Marcos Silva, de Alto Jequitibá MG, Zona da Mata, levou o primeiro lugar na categoria Matas de Minas, com 90,750 pontos e Antônio Aparecido dos Santos, de Cássia MG, Sudoeste de Minas, foi o primeiro colocado na categoria Sul de Minas com 90,542 pontos.
          Espera Feliz MG levou ainda o prêmio Mulher Empreendedora, conquistado pela produtora rural Maria Luíza Lacerda Gomes (na foto). Luiza conquistou 90,333 pontos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Nova Lima, o bolo Queca e o pastel Lamparina

(Por Arnaldo Silva) A Origem de Nova Lima, cidade que faz divisa com a região Centro Sul de Belo Horizonte, data do início do século XVIII, com a descoberta de várias minas de ouro na região. Por isso, seu primeiro nome foi Congonhas das Minas de Ouro. Em 1748 o povoado que se formou na região das minas foi elevado a freguesia, depois a distrito, de Sabará, em 1836, com o nome de Congonhas de Sabará e por fim, a cidade emancipada em 5 de fevereiro de 1891, passando a chamar-se Villa Nova de Lima e por fim, Nova Lima, a partir de 1923. Lima é em homenagem a Augusto de Lima, poeta, professor jurista, jornalista magistrado e político mineiro, natural de Nova Lima/MG, nascido em 5 de abril de 1859, falecido no Rio de Janeiro/RJ, em 22 de abril de 1934. 
          Atualmente, Nova Lima conta com cerca de 95 mil habitantes. (fotografia acima de Júlio de Freitas, com destaque para a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, ao centro) Por estar na divisa com uma das regiões mais ricas de Belo Horizonte, a Centro Sul, Nova Lima vem atraindo a cada dia, moradores de alta renda da capital, para a cidade.
          Entre os 853 municípios mineiros, Nova Lima é a cidade de maior IDH-M (índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios), segundo dados da ONU. É atualmente a melhor cidade de Minas Gerais para se viver, devido ao seu alto índice de IDH-M, 0,813 e sua excelente estrutura urbana, social e econômica. 
          Segundo dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas em 2019, tendo como base declaração de Importo de Renda de 2018, junto à Receita Federal, em Nova Lima (na foto acima de Elpídio Justino de Andrade) está a maior concentração de ricos do Brasil, com uma renda média mensal de R$6.253,03. A segunda colocada foi Santana de Parnaíba (SP) com R$ 5.384,77. A terceira foi Aporé (GO) com R$ 5.233,93. A quarta foi São Caetano do Sul (SP) com R$ 4.565,34 e a quinta colocada no ranking nacional, foi Niterói (RJ) com uma renda média mensal de R$4.186,51.
          Desde sua fundação, Nova Lima se destaca na área econômica em Minas Gerais, principalmente pela exploração mineral, de minerais como o ouro, e atualmente, em maior escala, de minério de ferro. Algumas minas de ouro antigas continuam ativas no município, como a de Morro Velho, da Mostarda e do Rio de Peixe.            A cidade conta ainda com um variado parque industrial, sendo ainda, Nova Lima, uma cidade turística, com belezas naturais preservadas, arquitetura charmosa em suas construções que vai do colonial, barroco mineiro, colonial inglesa à arte decor. 
          Conta ainda com o charme de distritos pitorescos e coloniais como a Vila Colonial de São Sebastião das Águas Claras, a popular, Macacos, famosa pela arquitetura preservada de seu casario colonial, por sua dedicada a São Sebastião (na foto de Andréia Gomes), pelas pousadas e restaurantes típicos, suas belas cachoeiras e paisagens exuberantes e trilhas. Tem ainda o distrito de Honório Bicalho, o bairro Jardim Canadá, onde estão concentradas as principais cervejarias de Minas Gerais, já que Nova Lima é um dos maiores polos cervejeiros do país.
          A tradição cervejeira de Nova Lima não é recente. Desde o século XIX, Nova Lima vem se destacando na produção de cerveja artesanal. Tudo começou quando o imigrante italiano, Fioravante Eugênio Armani, se estabeleceu na cidade nessa época e abriu uma unidade da Cervejaria Gabels, no distrito de Honório Bicalho. A Gabels foi a primeira cervejaria artesanal puro malte de Minas Gerais. (na foto abaixo do Júlio de Freitas, o Rio das Velhas em Honório Bicalho)
          Hoje, a cerveja artesanal é uma das maiores tradições do município, contando inclusive com Selo do Polo da Cervejaria Artesanal, para as cervejarias que atendam os requisitos de qualidade e das leis sanitárias vigentes. A qualidade das cervejas nova-limenses, feitas com ingredientes diferenciados e estilos criativos, vem conquistando o paladar dos amantes da bebida e reconhecimento em Minas, no Brasil e internacionalmente, através de diversas premiações de seus rótulos. Um dos marcos do polo cervejeiro de Nova Lima é a Uaiktoberfest, que reúne cervejeiros e cervejarias de todo o país, na cidade, no mês de outubro. O evento conta com figurinos em trajes típicos germânicos, shows musicais, gastronomia mineira, presença das principais cervejarias do país, além de apresentar as novidades do polo cervejeiro de Nova Lima.
          Nova Lima se destaca ainda na Gastronomia, desde os tempos do Brasil Colônia e ainda contou com forte influência inglesa em sua cultura, história, desenvolvimento e gastronomia. 
          A influência britânica em Nova Lima teve início no século XIX, quando a Anglo Gold, multinacional inglesa, adquiriu a Mina de Morro Velho, em 1834, transferindo a filial da empresa, em São João Del Rei, para Nova Lima, com direção em Londres, capital do Reino Unido. Os ingleses tinham muita experiência na extração mineral com conhecimentos, técnicas e maquinário industrial, inexistentes naqueles tempos. Em terras mineiras, deixaram um pouco de sua cultura, da sua rica arquitetura, presente na cidade, e principalmente no bairro Quintas.
          Além disso, por sentirem falta da culinária inglesa, passaram a fazer os principais pratos da cozinha britânica em nossas terras, tendo como apoio as cozinheiras locais, que adaptavam seus pratos aos ingredientes existentes em Minas Gerais. Assim, deixaram um pouco de sua culinária, com destaque para o bolo Queca, hoje uma das maiores identidades de Nova Lima, junto com outra guloseima tradicional na cidade, a Lamparina. Essas duas guloseimas são registradas como patrimônios imateriais da cidade.
          A Lamparina chamou a atenção do Imperador Dom Pedro II, que experimentou a iguaria em visita à cidade em 1881. Dom Pedro II gostou demais da do doce, que passou a partir de então, a se popularizar na cidade e região. Lamparina é o nome de um pastel doce feito com massa folheada e coco, tradicional na cidade, inspirado na receita do Pastel de Belém, tradicional pastel de origem portuguesa.
          Naqueles tempos, não existia energia elétrica na cidade e a lamparina era a única forma de iluminar as casas e pousadas à noite. Numa pousada da cidade, os hóspedes, quando iam para seus quartos dormirem, recebiam o pastel doce num prato, junto com uma lamparina já acesa, para iluminar o quarto. Assim, passaram a chamar o doce de lamparina e o nome se popularizou.
          Sempre que vou à Nova Lima faço questão de experimentar o pastel doce e não me surpreende ter aguçado o paladar do Imperador, o doce é muito bom mesmo. Que me perdoem os portugueses, nossa Lamparina é tão deliciosa quanto o Pastel de Belém.
Veja como fazer o Pastel doce Lamparina 
Utensílios: Forminhas e rolo para pastel
Esse pastel é diferente do comum, é assado em forminhas, tipo para empadas. (fotografia abaixo de Júlio de Freitas)
Ingredientes para a massa
. 500 g de farinha de trigo
. 1 colher (chá) de sal
. 1 colher (sopa) de fermento em pó
. 2 ovos inteiros
. 2 colheres (sopa) bem cheias de banha de porco
. 1 copo (requeijão) de água
Recheio
. 3 cocos ralados
. 400 gramas de açúcar
. 1 noz-moscada ralada
. 400 gramas de manteiga
.9 gemas
Para folhar a massa
. Banha de porco
. 200 g de farinha de trigo misturada com 1 colher de sopa de fermento
Modo de preparo
- Coloque numa vasilha a farinha, o sal e o fermento e misture tudo
- Em seguida, faça um buraco no meio e coloque os ovos e a banha.
- Despeje devagar a água e mexa apenas com as pontas do dedo, sem sovar. A massa não pode ser sovada.
- Mexa bem até que fique uma massa homogênea. Após isso, cubra e deixe descansando por 1 hora.
Enquanto a massa descansa, comece a preparar o recheio
- Pegue o coco, o açúcar e uma parte da noz-moscada e coloque numa vasilha. Misture e coloque a manteiga. Mexa bem até que os ingredientes fiquem bem incorporados.
- Em seguida, coloque as gemas de ovos e misture bem com uma colher. Reserve
Agora vamos folhar a massa que já descansou
- Pegue um pouco da mistura de farinha de trigo com fermento e espalhe sobre uma bancada e no rolo.
- Coloque a massa sobre a bancada e passe o rolo até que fique uma massa mais fina.
- Em seguida, passe a banha sobre a massa e salpique mais a mistura de farinha de trigo com fermento.
- Vire a massa, passe a banha e salpique mais farinha de trigo com fermento.
- Cubra e deixe descansando por mais 10 minutos.
- Pegue as forminhas, unte com manteiga e coloque-as todas sobre a bancada, lado a lado.
- Agora pegue a massa e coloque-a sobre as forminhas.
- Com ajuda de uma tesoura, vá cortando a massa, tirando os excessos de massa nas laterais.
- Aperte com o dedo a massa na forminha e com uma colher, vá colocando o recheio em cada forminha.
- Pré-aqueça o forno a 180 graus e leve as forminhas para assar por uns 40 minutos ou até que comecem a dourar.
- Antes de servir, se preferir, pulverize açúcar sobre as lamparinas. 
          Já o bolo Queca é uma das grandes contribuições gastronômica dos ingleses para Nova Lima. Uma das receitas mais populares de Nova Lima é a Queca. (na foto acima do Júlio de Freitas)
          É um bolo que as nova-limenses, que trabalhavam nas casas dos ingleses aprenderam a fazer. Elas adaptaram uma tradicional receita inglesa, ensinada por suas patroas, aos nossos ingredientes, como as frutas, substituindo as frutas europeias, pelas frutas tropicais que existiam na região. 
          As cozinheiras gostaram muito do resultado final e sabor do bolo, até então, diferente dos bolos que existiam em nossas terras. As patroas também gostaram do resultado final do bolo. Além de fazer a Queca para os ingleses, passaram a fazer para seus familiares. Era tão bom que a guloseima passou a se popularizar entre os moradores da cidade e de outras cidades da vizinhança. O bolo Queca caiu no gosto de todos.
         Na verdade, o nome original do bolo era Cake English, que traduzindo, significa: bolo inglês. As patroas, falavam um português com forte sotaque, e as nova-limenses da época, que trabalhavam para os ingleses, não entendiam muito o que as patroas e patrões falavam. Da palavra Cake (pronuncia-se keik,), entendiam “queca”, assim escreviam e assim pronunciavam, ficando assim o nome. 
         É um bolo muito comum na época de natal, típico da Inglaterra, feito com frutas cristalizadas, castanhas, nozes, passas, ameixas e cerejas. A fôrma para fazer esse bolo era também diferente, até então não existente no Brasil, que é a fôrma pequena e bem retangular, chamada de fôrma para bolo inglês, muito comum hoje e fácil de encontrar.  
         Assim surgiu a “Queca”, um bolo mineiro, com origem em Nova Lima, com inspiração no English Christmas Cake. Um bolo tradicional, principalmente na época natalina, em Nova Lima, encontrado nas confeitarias e padarias da cidade, já vindo bem embrulhado, no capricho.
          
O Queca é um dos bolos que eu faço questão de experimentar e trazer para casa, sempre que vou à Nova Lima. Para fazer o bolo Queca, você vai precisar de 4 fôrmas para bolo inglês. 
Receita do bolo Queca
Ingredientes
. 1 quilo de farinha de trigo
. 9 ovos
. 1 colher (sopa) bem cheia de banha de porco
. 250 gramas de manteiga em temperatura ambiente
. 1 colher (sopa) de fermento em pó
. 1/2 noz-moscada ralada
. 1 colher (chá) de canela em pó
. 1 colher (chá) de erva doce
. 1 colher (chá) de cravo moído
. 1 colher (chá) de sal
. 150 gramas de figo cristalizado
. 150 gramas de cidra cristalizada
. 250 gramas de frutas diversas cristalizadas
. 150 gramas de passas pretas sem sementes
. 150 gramas de passas brancas sem sementes
. 150 gramas de ameixas pretas sem caroço e já picadinhas
. 150 gramas de nozes picadinhas
. 150 gramas de cerejas picadinhas
. 1/1/2 de conhaque
. 1 pitada de bicarbonato de sódio dissolvido no suco de um limão
Para a calda: 500 gramas de açúcar e 3 copos de água
Preparando o bolo Queca
- Coloque o açúcar numa panela, derreta e vá aos poucos despejando a água fria, deixando no fogo e mexendo, até ficar uma calda densa. Reserve
- Numa vasilha, coloque as passas pretas e brancas, despeje o conhaque e deixe de molho.
- Numa bacia coloque as frutas cristalizadas, a ameixa, as passas, as nozes, as castanhas e as cerejas (deixe um pouco de nozes, castanhas e cerejas para decorar o bolo)
- Acrescente 250 gramas e misture tudo com uma colher de pau. Reserve
- Em outra vasilha, coloque os ovos, a manteiga e a banha e bata com uma colher.
- Despeje a calda de açúcar e bata novamente.
- Acrescente agora o restante da farinha, o fermento em pó, o sal, a noz moscada, a canela, a erva doce e o cravo.
- Misture tudo com a ajuda de uma colher de pau e adicione em seguida o conhaque molho com as passas.
- Bata bem a massa com a colher até ficar firme e homogênea.
- Coloque na massa as frutas cristalizadas e misture, com as mãos.
- Acrescente agora o limão com o bicarbonato misturado e misture a massa novamente, com as mãos.
- Ligue o forno em 180 graus e na prateleira mais baixa do forno, coloque água e deixe o forno ligado por 15 minutos, antes de colocar as fôrmas com as Quecas
- Unte as 4 fôrmas com manteiga e farinha ou use papel manteiga e despeje a massa nas fôrmas, mas sem encher muito porque crescerão.
- Enfarinhe um pouco de nozes, castanhas e cerejas e espalhe por cima das Quecas e leve para assar por mais ou menos 90 minutos.
- Após esse tempo, faça o teste do palito. Caso esteja no ponto, desligue e reque por cima, um pouco de conhaque.
- Espere esfriar e sirva.
- Caso queira sobre, guarde as Quecas, embrulhadas com papel filme e coloque-as em potes fechados. Assim elas preservarão o sabor por 3 dias.
Outras Atrações de Nova Lima 
          Nova Lima é uma cidade muito bem cuidada, elegante, acolhedora e com uma arquitetura variada nos estilos colonial inglês, barroco mineiro, neoclássico, art décor, eclética, modernista e contemporânea. Esses estilos variados presentes em sua arquitetura chama a atenção pela riqueza, beleza e qualidade dos detalhes e entalhes. (fotografia acima de Júlio de Prestes)
          A Rua do Zigue-zague (na foto de Cássia Almeida) é muito interessante. Foi construída por volta de 1894 em forma de Z, ligando a parte baixa da cidade à parte alta, onde estava sendo construído um novo bairro, sendo essa subida o único acesso para o Largo da Matriz. Para chegar material de construção à parte alta, o transporte era feito em lombos de mulas e burros, e mesmo para quem subia a pé, era um sacrifício muito grande. A forma encontrada, para aliviar, tanto o peso da carga nos animais e facilitar a subida das pessoas, foi fazer uma escadaria em Z, fazendo com que a subida fosse menos cansativa, tanto para as pessoas, quanto para os animais. É um dos símbolos da cidade e uma das grandes referências em Minas na preocupação com a mobilidade humana, bem como no respeito aos animais. 
          A art décor, um movimento que surgiu na Europa no início do século XX, está presente em dezenas de construções na região Central da cidade, em destaque para o Teatro Municipal Manoel Franzen de Lima (na foto acima de Elpídio Justino de Andrade), projetado pelo arquiteto italiano Raffaello Berti, em 1939, inaugurado em 1943. São 3 pavimentos, com capacidade para 800 pessoas.
          Outro destaque em sua arquitetura é o prédio da Câmara Municipal e Biblioteca Municipal. Construído em estilo neoclássico, predominante na Europa no século XVIII. Os edifícios tem traços greco-romanos, com colunas e arcos. 
          Os ingleses construíram suas casas no estilo da Era Vitoriana, quando Vitória, era a Rainha da Inglaterra. (na foto acima do Júlio de Freitas, a Igreja Anglicana de Nova Lima) Uma das características desse estilo era o uso de madeira nas construções como vigas, telhados e assoalhos, bem como paredes pintadas com cores diferentes para a época, como o cobre, vermelho, marrom e o dourado, que para os ingleses significava a riqueza. Além disso, o uso excessivo de adornos, objetos e móveis em madeira muito bem talhados, era uma de suas principais características. 
          O estilo arquitetônico da Era Vitoriana, na Inglaterra, pode ser visto em Nova Lima, no bairro Quintas (foto acima de construção em estilo vitoriano, de autoria de Elpídio Justino de Andrade), onde boa parte dos ingleses optaram por viver, quando aqui vieram a partir de 1834, para explorar a Minas de Morro Velho. Usavam as madeiras da região para fazerem as bases de suas casas, bem como os assoalhos, as sacadas e varandas em treliças. As casas eram cercadas com cercas vivas. Os ingleses não faziam muros. O bairro é um exemplo típico da arquitetura colonial inglesa. Algumas das construções do século XIX do bairro, se transformaram em cartões postais da como a Casa Grande, que sedia o Centro de Memória da Anglo Gold, o Clube das Quintas, a Sede da Companhia Independente da PMMG, dentre outros casarões. 
          Além da tradicional arquitetura eclética, colonial barroca, colonial inglesa, neoclássica e art décor, a cidade tem vários traços modernos em sua arquitetura urbana, como a Torre Alta Vila com 103 metros de altura, que conta com restaurante e mirante, de onde tem uma ampla vista de Belo Horizonte e Nova Lima. (fotografia acima e abaixo de Marley Mello)
          A cidade conta ainda com restaurantes e bares requintados e tradicionais, com pratos de várias cozinhas do mundo, além da mineira, casas de shows, shoppings, prédios e casas moderníssimas, formando uma mescla de estilo de épocas diferentes, atrativos a todos os gostos. 
          Além das atrações citadas acima, em Nova Lima o visitante tem ainda como atração a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a Igreja de Santo Antônio (na foto acima de Elpídio Justino de Andrade) a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, o Estádio Castor Cinfuentes, o Parque Ecológico Rego dos Carrapatos, o Concordia Corporate.
          O Bicame é outro atrativo histórico. Trata-se de um aqueduto feito para levar água até a Mina de Morro Velho. Foi projetada pelo inglês George Chalmers, (Falmouth, 1857 - Golders Green Crematorium, Londres, 1928), um minerador e empreendedor britânico, radicado no Brasil, superintendente da Mina de Morro Velho, na época. George Chalmers teve participação na ornamentação interna da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar (na foto da Andréia Gomes), erguida no século XVIII, doando obras do Mestre Barroco Mineiro, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que ornamentam altar-mor, o coro, o batistério e as laterais do altar. É uma igreja de grande valor artístico e cultural não só para Nova Lima, mas para Minas Gerais.
          Nova Lima é uma cidade acolhedora, com um povo hospitaleiro e muito gentil. A conta com uma ótima rede hoteleira e gastronômica, além de várias opções de lazer, naturais, com seus parques, matas, trilhas, montanhas, cachoeiras e belezas naturais diversas, além de atrativos culturais, religiosos e folclóricos durante o ano todo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

O plantio de uvas no Norte de Minas

(Por Arnaldo Silva) Desde que uvas foram introduzidas no Brasil, a crença de que essa fruta se adaptava somente a clima frio, propícia para as regiões do Sul do Brasil, Chile e Argentina, se tornou quase que uma verdade absoluta durante décadas. Mas, sempre ao longo da história tem um “mas”, alguém duvidou dessa máxima e resolveu plantar uva no Norte de Minas Gerais, região de clima seco, árido e com grande escassez de água e de intensos dias de sol e calor.
          No Sul de Minas, região com clima parecido com o do Sul do país, a plantação de uvas existe desde o início do século passado, introduzidas por imigrantes italianos como em Andradas, considerada a terra do vinho em Minas. (foto acima de Maria Mineira) Uvas e vinhos de qualidade se destacam também em Três Pontas e Caldas, também no Sul de Minas.
          Já no Norte do Estado, a qualidade da uva impressiona, destacando as plantações em Pirapora com uma crescente produção de vinhos de qualidade no clima quente e árido Norte Mineiro (na foto acima de Sérgio Mourão)
          No município de Jaíba, onde está o projeto de Irrigação do Jaíba, considerado o maior projeto de irrigação da América Latina, uvas das variedades de mesa Niágara, Benitaka, Vitória, Isabel e Núbia são cultivadas com sucesso. São mais doces que as mesmas variedades plantadas em climas frios. O que faz as uvas do Norte de Minas serem mais doces que as de clima frio são exatamente o clima quente da região. Em Jaíba, a temperatura média anual é de 24,2 graus, com mínima de 14,8 graus e máxima de 34 graus.
          Mesmo com o clima quente, a produtividade das variedades de uva de mesa são as mesmas das de clima frio. A diferença é que o plantio de uvas em clima quente requer maior investimento em irrigação, devido à escassez de chuvas. Em Jaíba, o sistema de irrigação das plantações de uvas é feito por gotejamento. Por outro lado, graças à intensa luz do sol da região, as frutas apresentam um sabor melhor, devido à proporção maior de açúcar natural na fruta (brix). (fotografia acima e abaixo de Maria Mineira)
          O sol e calor do Norte Mineiro faz com que as pragas que costumam atacar os parreirais em climas frios são menores, reduzindo assim o uso de defensivos agrícolas, oferecendo ao consumidor um produto com menos riscos à saúde. 
          Outra vantagem é que com o investimento em novas tecnologias, as plantações produzem a fruta praticamente o ano todo, diferente das variedades plantadas em climas frios, que são colhidas apenas na safra, que vai de dezembro a março. Isso faz com que as frutas da região Norte de Minas tenham melhor valor de mercado na entressafra. (foto abaixo de Sérgio Mourão em Pirapora MG)
          Após a colheita, as uvas saem da região já devidamente embalada e transportada em caminhões refrigerados, direto para o mercado consumidor de várias cidades e regiões brasileiras como Belo Horizonte, Triângulo Mineiro, Goiânia, São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto e outras cidades do interior paulista.

Queijo maturado no café

(Por Arnaldo Silva) Queijo com café é bom demais, agora, imagina queijo maturado no café? Essa é a técnica que o meu amigo Eudes Cerrado de Uberlândia aprendeu, me passou a receita e as fotos do queijo que maturou nesse processo e divido com vocês. O processo é bem simples.
Primeiro você vai fazer um café, sem açúcar, coado, no coador de pano de preferência. Escolha um café de qualidade.
- Espere o café esfriar. 
- Quando estiver frio, coloque o café num saco plástico resistente e coloque um queijo inteiro, de sua preferência, fresco ou meia cura (o queijo não pode estar duro e nem estar soltando soro).
- Amarre bem o saco para não vazar e coloque na geladeira por 5 dias.
- Nesse período, vire o queijo 2 vezes ao dia.
- Depois desse período, retire o queijo, coloque-o para secar ao natural, virando-o duas vezes ao dia entre 10 e 15 dias.
- Se quiser uma casca mais dura, pode deixar por mais tempo.
- Comer com a casca fica ótimo.
- Se quiser, pode tirar a casca e comer a parte branca.
É bem simples a técnica e o queijo fica saboroso.
Fotos e Receita de Eudes Cerrado - Uberlândia MG

sábado, 5 de dezembro de 2020

Conheça Maringá de Minas

(Por Arnaldo Silva) Maringá é um pitoresco, acolhedor, charmoso e simplesmente apaixonante distrito, com características arquitetônicas das charmosas vilas italianas. Quem conhece, planeja logo voltar. (foto acima de Fabrício Cândido) É um lugar único e singular, bem no extremo sul de Minas Gerais. É distrito de Bocaina de Minas, município mineiro distante 380 km de Belo Horizonte, fazendo divisa com os municípios de Aiuruoca, Alagoa, Carvalhos, Itamonte, Liberdade e Passa Vinte em Minas Gerais e Itatiaia e Resende, cidade fluminense onde está o distrito de Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro. Em Visconde de Mauá, distrito de Resende RJ, existe uma outra vila com o nome de Maringá. É a Maringá RJ. 
          As duas “Maringás” são separadas apenas por uma ponte, sobre o Rio Preto (na foto acima do Fabrício Cândido), já que Bocaina de Minas, onde está Maringa MG e Resende, onde está o distrito de Visconde de Mauá e a Vila Maringa RJ, fazem divisa. São apenas alguns metros que separam as duas vilas, que ficam entre as margens deste rio. Quem vem a Maringá de Minas, claro, vai à Maringá RJ. É literalmente logo ali, num pulinho só. Para chegar até Maringá de Minas, saindo de Belo Horizonte, o caminho é pela BR-040, com cerca de 440 km de estrada. Da Rodoviária de Belo Horizonte sai ônibus diariamente às 20 horas com previsão de chegada entre 4 hs e 5 hs da manhã, pela Viação Transnorte. A partir de Bocaina de Minas, a viagem até Maringá de Minas tem cerca de 40 km de distância. Na cidade o visitante pode obter informações e os serviços de guias de turismo para chegar até a Vila e conhecer o Parque do Itatiaia.
         Maringá MG surpreende por sua arquitetura singular, atraente e charmosa, com traços arquitetônicos europeus, com seus restaurantes e bares servindo os mais finos pratos mineiros e em especial, da cozinha italiana, além da riqueza impressionante do artesanato expostas nas diversas lojas da Vila. (fotografia acima de Fabrício Cândido)
          Sem contar suas belezas naturais, já que Bocaina de Minas, a sede e Maringá de Minas, seu distrito, estão na Serra da Mantiqueira, a 1210 metros de altitude (na foto acima do Paulo Santos). São belíssimas e convidativas paisagem, rios, cascatas e cachoeiras que formam poços de águas cristalinas e geladas. 
          A própria vila é dotada de um romântico e charmoso casario (foto acima de Fabrício Cândido), além de boa estrutura para passeios e práticas esportivas ao ar livre, como passeios de quadriciclos, da prática de boia cross sobre as águas do Rio Preto e outras atividades esportivas em meio a natureza.

          Tem ainda as pousadas atraentes e aconchegantes e a culinária típica mineira, mas também, variada como pizzarias, churrascarias e restaurantes com pratos diversos como truta e outros peixes de água doce. A Casa das Velas é parada obrigatória para os visitantes. São velas únicas, especiais, feitas artesanalmente e a Casa do Chocolate, uma charmosa casa onde se produz deliciosos chocolates finos, saborosos e de dar água na boca. (foto acima de Fabrício Cândido)
          Maringá de Minas tem o calor da hospitalidade mineira e o charme das bucólicas vilas italianas, bem como conheça também a acolhedora cidade de Bocaina de Minas (na foto acima do Jerez Costa, a Matriz de Nossa Senhora do Rosário), cidade mineira onde se concentra boa parte do Parque Nacional do Itatiaia, além de ser uma cidade charmosa, com um artesanato e culinária riquíssimas, em contar as inúmeras paisagens naturais e as belezas do Itatiaia. Pra quem não sabe, 60% da área total do Parque Nacional do Itatiaia pertence a Minas Gerais, concentrados basicamente em Bocaina de Minas, Itamonte e Alagoa MG. Os outros 40% da área do parque estão nas cidades fluminenses de Itatiaia e Resende RJ.

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