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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Broinha de fubá: receita clássica de vó

Ingredientes
. 1 xícara de leite frio integral
. 2 xícaras de fubá de canjica
. 4 ovos

. 1/2 xícara  de óleo
. 1/2 colher de sal (ou a seu gosto)

Eu prefiro essa broinha salgada, mas se preferir doce, pode colocar açúcar, 1/4 de xícara de açúcar, com 1 pitada de sal. (não leva fermento)
Modo de Preparo
- Misture todos os ingredientes, menos os ovos, com as mãos de preferência e vá colocando aos poucos o fubá. Mexa bem. 
- Depois que colocar todo o fubá, coloque os ovos e mexa bastante 
- A massa deve ficar um pouco mole, mas consistente e lisa que permite enrolar as broinhas na mão. Caso esteja muito mole, acrescente mais fubá até ter uma boa consistência.
- Faça os moldes com as mãos e  numa fôrma untada e enfarinhada, coloque as broinhas e leve para assar em forno pré-aquecido a 200 graus e  deixe assando até dourar.
Observação: essa broinha fica melhor com o fubá de canjica. Geralmente é encontrado em Minas, se encontra facilmente em supermercados mineiros.
Fubá de canjica é o fubá mais claro que o comum, na cor amarela, quase que branca. Se não encontrar, faça com o fubá amarelo comum, não vai ficar a mesma coisa, mas ficará bom.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Valorize o Homem do Campo!

Eles são poucos lembrados, as vezes até ignorados e esquecidos. Estamos falando do sertanejo, aquele que trabalha a terra, que vive da terra, que faz a terra produzir. São imprescindíveis para a nossa economia e sobrevivência. Do trabalho deles, vem a comida para as nossas mesas.
(foto acima de autoria de Sérgio Mourão em Água Boa MG)
          Já imaginou sua vida sem o homem do campo? Frutas, legumes, hortaliças, leite... saem das mãos do trabalhar rural. Abra a sua geladeira e o seu armário de cozinha. 
          O que tem dentro deles vem das mãos do sertanejo que de domingo a domingo, com sol ou com chuva, levanta de madrugada e só para de trabalhar no início da noite, para garantir o alimento que você tem na cidade.
          Antes de chamar um sertanejo de caipira, grosso, sem cultura ou ironizá-lo por suas roupas e casas bem simples, lembre-se: se ele não plantar, você não irá comer. 
          Vamos valorizar quem muito trabalha! 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Conheça Gildásio Jardim

Comecei a pintar aos 13 anos, morava na zona rural, na comunidade Abelha Brava, Padre Paraíso. Minhas primeiras pinturas foram em cartolina, com tinta guache.
          Comecei a pintar , por uma necessidade minha de expressar o que eu via e sentia. Comecei a desenhar com uns 7 anos, desenhava nas estradas de terra, na areia, e nos cadernos que meu pai comprava pra fazer cigarro. Fui alfabetizado aos 8 anos, eu já desenhava nessa época. Mas foi só aos 13 anos que eu tive acesso á tintas, então pintei os meus primeiros quadros. 
          Como eu não conhecia ninguém que pintava e nem tinha conhecimento sobre técnica alguma; tive que me virar, fazer experimentações com as tintas que encontrava em minha cidade; tinta guache, tinta para tecido, látex, corante líquido e esmalte sintético. 
          Depois de fazer algumas pinturas em cartolinas, comecei a construir minhas próprias telas usando algodão cru e restos de madeira serrada. Não tive a oportunidade de fazer nenhum curso de pintura.
          No início minha pintura era só decorativa, paisagens, flores e animais, o que era bem recebido em minha cidade. Quando entrei no curso de licenciatura em geografia pela UNIMONTES na cidade de Joaíma, fui muito influenciado a pintar temas ligados ao curso , conheci a filosofia e sociologia, fiquei encantado. Essas disciplinas, e o FESTIVALE, me ajudaram a olhar mais e perceber minha própria cultura e a fazer uma série de quadros sobre as vivências culturais no Vale do Jequitinhonha.
          Criei essa técnica de pintura onde confecciono as telas com tecidos estampados para fazer roupas. Pinto em 3D , cenas humanas cotidianas e da cultura popular de Minas Gerais e do nordeste brasileiro.
          As estampas de tecido são lembranças das roupas das pessoas de minha comunidade que carrego em meu imaginário desde minha infância na zona rural.
          Comecei a fazer telas com essas estampas com o objetivo de provocar uma fusão entre os personagens do meu universo com as cores que eles trazem na vestimenta. De cada estampa, tento tirar um personagem ou vivência da cultura popular. 
          Queria retratar as vestimentas que tenho como referência de infância, que é a chita com bolinhas e florzinhas que as mulheres vestiam, e as chitas com xadrez que eram as camisas dos homens. Na verdade esse tecido era sinônimo de pobreza. Contudo, também era uma coisa muito bonita, que me remete a alegria e a simplicidade da minha gente, que tem como principal característica a afetividade.
          Quando passei a trabalhar como professor de geografia, comecei a ensinar pintura á alguns alunos que se interessavam por desenho ; daí fui convidado a dar oficinas de pintura na própria escola pelo projeto PEAS , e na assistência social para os jovens e idosos do CRAS. Atualmente minha pintura é muito conhecida em minha cidade.
TÉCNICA: Acrílica, tinta p/ tecido, tinta látex e corante líquido. Eu mesmo confecciono as telas, usando madeira e tecidos estampados, como tricoline, chita, brim.
EXPOSIÇÕES
Festivale: Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha nas edições: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012.
UFVJM: Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri; 2008, 2009; 2010
UFMG: FEIRA DE ARTE SOBRE O VALE DO JEQUITINHONHA 2011, 2012, 2013
SESC RIO DE JANEIRO, unidade Engenho de Dentro 2013
SESC RIO DE JANEIRO, unidade São João de Meriti 2013
UNIVERSIDADE FEDERAL. UFVJM DIAMANTINA. 2013
JEQUISABOR. EDIÇÃO 2013 NA CIDADE DE CAPELINHA MG.
EXPOSIÇÃO NO CONGRESSO NACIONAL DE SAÚDE POPULAR EM PORTO ALEGRE 2013.
EXPOSIÇÃO NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DA BAHIA – UNEB 2014.
EXPOSIÇÃO NO ENCONTRO DA CNTE EM RECIFE 2014
EXPOSIÇÃO NA UNIMONTES 2015
EXPOSIÇÃO EM TRANCOSO – BA 2016.
          Gildásio atua também como professor de geografia em uma escola estadual de comunidade rural de Padre Paraíso MG,  sempre usando muitos desenhos nas aulas. Contatos:(33) 98411-0045 - E-mail: gildasio-35@hotmail.com

Receita de fermentado de Jabuticaba

(Por Arnaldo Silva) Faço essa bebida sempre. Na temporada das jabuticabas, encho o saco da fruta e preparo meu vinho. É uma bebida leve, suave e muito saborosa.  Popularmente chamada de vinho, mas a nomenclatura não é a correta, já que vinho é exclusivamente o nome da bebida obtida através da fermentação do sumo da uva. Bebidas produzidas através da fermentação do sumo de outras frutas como a jabuticaba, laranja, banana, maçã, jamelão, amora, morango, etc., mesmo usando o mesmo processo da produção do vinho da uva,  não são considerados, literalmente, vinho, e sim fermentados. 
     Nativa da Mata Atlântica, a fruta é 100% brasileira e segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Química da Unicamp de Campinas, possui alto teor de antocianinas (bem mais que o encontrado no jambolão, amora e na uva). 
     A antocianina é um antioxidante que ajuda no combate dos radicais livres, reduz as chances de desenvolvimento de doenças cardíacas.. Além disso, a polpa da jabuticaba contém niacina, uma vitamina do completo B que ajuda a facilitar a digestão e eliminar toxinas no organismo, vitamina C, fósforo e ferro.
     Até mesmo a casca da fruta tem sua utilidade e não deve ser jogada fora. Pode ser comida naturalmente. Isso porque a substância pectina, uma fibra indicada para reduzir os níveis de colesterol, está presente na casca da fruta. Além disso, a pectina ajuda a evitar a prisão de ventre, além de conter elementos antialérgicos. Caso não queria comer a casca in natura, pode batê-la no liquidificador com água e tomar como suco ou mesmo, fazer geleia da casca.
Agora vamos aprender a fazer fermentado de jabuticaba
- 10 litros  litros de jabuticabas usando como medida uma lata óleo, vistosas e lavadas.
- 500 gramas de açúcar (A jabuticaba já tem açúcar natural, não precisa mais que isso, mas se quiser mais doce, coloque mais açúcar.)

- 5 potes de 2 litros cada (em cada garrafa coloque um pouco de álcool e chacoalhe bem, para desinfetar as garrafas) 
Agora vamos preparar do fermentado
- Lavei as jabuticabas e deixei elas secarem por completo;
- Peguei um vidro de 2 litros, coloquei jabuticabas inteiras, amassei um pouco para que algumas frutas soltassem o liquido, depois açúcar, mais jabuticaba e cobri com açúcar.
- O teor alcoólico natural da jabuticaba é de 3% apenas. Se julgar fraco, coloque em cada pode um copo americano de cachaça destilada.
- Depois de fazer esse processo em em todos os potes, tampei o vidro.
- Deixei os recipientes num lugar fresco e ao abrigo da luz por 60 dias. O ideal é 90 dias, caso não tenha pressa. 
- Nesse período, dei umas leves sacudidas no recipiente, abri e fechei de novo os potes todas as semanas para evitar acúmulo de gases.
- Depois desse período, mexi lentamente as jabuticabas com uma colher de pau para que as jabuticabas ainda inteiras estourassem, coei numa peneira fina para que não ficasse resíduos da casca das jabuticabas, descartei as cascas e coloquei o vinho em garrafas bem limpas e fechei com rolhas.
Coloquei um pouco numa garrafa que estão vendo na fotografia e deixei na geladeira. Agora é só tomar. 
(As duas primeiras fotos de Arnaldo Silva e as outras duas, de Lourdinha Vieira em Bom Despacho MG)

Praça Tiradentes em Ouro Preto em 1885 e hoje

(Por Arnaldo Silva) A Praça Tiradentes, em Ouro Preto, é uma das mais importantes praças de Minas Gerais. Foi palco de grandes acontecimentos da nossa história no período do Brasil Colônia e Imperial. Foi nesta Praça que em 1792 foi exposta a cabeça de Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, mártir da Inconfidência Mineira, onde Vila Rica, hoje Ouro Preto, foi palco da luta dos Inconfidentes contra os abusos da Coroa Portuguesa e na luta pela independência do Brasil. (fotografia acima de Ane Souz)
Atualmente é palco de grandes eventos culturais e atividades cívicas e militares de importância para Minas Gerais, como a entrega da Medalha da Inconfidência, criada em 1952 pelo então Governador Juscelino Kubistchek.(foto acima de Sônia Fraga) Essa medalha é uma honraria especial entregue a personalidades nacionais que prestam relevantes serviços à sociedade. A Medalha da Inconfidência Mineira é um evento que acontece todos os anos na Praça Tiradentes, com a presença de diversas autoridades civis, militares, eclesiásticas e políticas de Minas Gerais e do Brasil.
O nome da praça passou a ser Praça Tiradentes apenas em 1894, quando foi instalado em seu centro o Monumento em homenagem a Tiradentes. Até o século XIX, o lugar era conhecido como Morro de Santa Quitéria. Vila Rica teve seu início de povoamento no que é hoje o Morro de São João (na foto acima de Ane Souz), onde se encontra a Capela de São João, se não é a mais antiga de Ouro Preto, foi uma das primeiras capelas erguidas na cidade, no início do século XVII. Pra quem não sabe, Ouro Preto não teve início onde é hoje o seu Centro Histórico, como muita gente pensa e sim no Morro de São João. As primeiras construções na antiga Vila Rica foram no Morro São João, com construções mais simples.
Somente após crescimento da exploração do ouro e enriquecimento de boa parte da população, a cidade foi se expandindo para o Morro de Santa Quitéria, com novas construções, incentivadas pela construção do Palácio dos Governadores, iniciada em 1741 e concluída em 1748.(a imagem acima, sem autoria identificada, mostra a praça em 1885) Atualmente o local sedia o Museu de Mineralogia. A partir de 1750, com a construção de casarões, como a casa de Dom Manoel de Portugal e Castro, o último Governador da Capitania de Minas Gerais e outros casarões imponentes em seu entorno, deu-se início a formação do conjunto arquitetônico do que é hoje a Praça Tiradentes. 
Outra construção que deu características à praça foi à Casa da Câmara e Cadeia, inaugurada em 1784, hoje, Museu da Inconfidência Mineira. (acima, tela do artista plástico José Rosário, retratando fielmente a Praça Tiradentes em 1885) Com prédios de grande importância social, o casario de Vila Rica foi se expandindo pelos arredores, com abertura de novas ruas, construção de igrejas e casarões, formando o que é atualmente o Centro Histórico de Ouro Preto.
Após a Independência do Brasil, em 1822, o local passou a se chamar Praça Independência, nome que permaneceu até sua mudança para Praça Tiradentes. Hoje a Praça Tiradentes preserva praticamente quase toda sua formação original, como pode ser ver nas imagens atuais e antigas, destacando o Museu da Inconfidência e o Museu de Mineralogia, construções importantes do período colonial, bem como todo o seus imponentes casarões.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

As 10 maiores cidades do Vale do Jequitinhonha

O Vale do Jequitinhonha, formado por 55 municípios que guardam traços da cultura portuguesa, indígena e negra, sendo uma das mais ricas regiões culturais de Minas. Conhecida mundialmente por seu valiosos artesanato em cerâmica, tem o privilégio de ser banhada pelo Rio Jequitinhonha e contar com impressionantes afloramentos rochosos, que fazem da região única em Minas Gerais. 
          Conheça as 10 maiores cidades do Vale do Jequitinhonha,
em número de habitantes.
 
1ª - Diamantina
          Sua população estimada em 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística era de 47.825 habitantes. É a terra natal do ex-presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira, onde viveu Francisca da Silva de Oliveira, a Chica da Silva, esposa do Contratador de Diamantes, João Fernandes de Oliveira. Está a 292 km de Belo Horizonte.(fotografia de Manoel Freitas)
2ª - Almenara
          Sua população, de acordo com a estimativa realizada pelo IBGE em 2020 é de 42.143 habitantes. Está a 744 km de Belo Horizonte. (fotografia acima de Thelmo Lins)
3ª - Capelinha
          Sua população em 2020 é de 38.057 habitantes, segundo o IBGE. Capelinha está a 437 km de Belo Horizonte, no Vale do Jequitinhonha. (foto acima de Sérgio Mourão/Encantos de Minas)
4ª - Araçuaí
          Sua população estimada pelo IBGE em 2020 é de 36.712 habitantes, distante 678 km da capital mineira, Belo Horizonte. (fotografia de Elpídio Justino de Andrade)
5ª - Itamarandiba

          Sua população, de acordo com estimativa do IBGE, era de 34.936 habitantes em julho de 2020. Está a 406 km de Belo Horizonte.(fotografia de Sérgio Mourão/Encantos de Minas)
6ª - Minas Novas
          De acordo com o censo realizado pelo IBGE em 2020, sua população é de 31.497 habitantes. Minas Novas tem o 8º maior PIB do Jequitinhonha, com um grande potencial de desenvolvimento. Está a 500 km de Belo Horizonte.(fotografia de Sérgio Mourão/Encantos de Minas)
7ª - Novo Cruzeiro
          Sua população estimada pelo IBGE, em julho de 2020, é de 31.335 habitantes. Distante da capital a 494 km, famosa por realizar uma dos mais importantes festivais de Cachaça no Estado e por sua grande importância histórica para a região, guardando relíquias do patrimônio da antiga Ferrovia Bahia-Minas.(foto de Sérgio Mourão/Encantos de Minas)
8ª - Jequitinhonha
          Sua população estimada em 2020 é de 25.474 habitantes, pelo IBGE.O topônimo "Jequitinhonha" é de origem indígena e tem o significado de "rio largo e cheio de peixes". Fica a 690 km de Belo Horizonte.(foto acima do José Ronaldo)
9ª - Pedra Azul
          Sua população em 2020 está estimada em 24.329 habitantes, pelo IBGE. Distante 720 km de Belo Horizonte, Pedra Azul é uma cidade histórica, com sua arquitetura Barroca do final do século XIX e principalmente eclética, erguidos no início do século XX. (fotografia da Andréia Lima)
10ª - Caraí
          Sua população, segundo o IBGE em 2020 é de 23.780 habitantes. A charmosa e atraente cidade de Caraí está a 536 km de Belo Horizonte. (fotografia acima de Sérgio Mourão/Encantos de Minas)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Conheça Santa Maria do Salto

 (Por Arnaldo Silva) Com cerca de 6 mil habitantes, Santa Maria do Salto é uma tranquila, charmosa e atraente cidade no Vale do Jequitinhonha, distante 827 km de Belo Horizonte. O município faz divisa com Jacinto, Salto da Divisa, Santo Antônio do Jacinto e Itagimirim (BA) (foto abaixo enviada por Márcia Porto)
          Sua história começa nas primeiras décadas do século XX com a chegada na região de Joaquim Cabral, um lavrador que deixou sua cidade natal, Ituassú, na Bahia, em busca de terras férteis e trabalho. Na região foi o pioneiro, desbravando as matas virgens, construindo uma pequena casinha de taipa, no meio da mata, trabalhando na exploração de madeira e cultivo de lavouras. Com muito esforço, seu trabalho prosperou, formou família e vendia sua produção nas redondezas em lombos de burros, por isso recebeu o apelido de “Zé Tropeiro”. 
          A prosperidade da família do atraiu outras pessoas para a região, que vieram em busca de dias melhores. Por volta de 1936 e já em idade avançada, não querendo vender toda sua terra, decidiu vender apenas uma parte de sua área para a formação de um povoado. Um ano depois, várias casas estavam sendo erguidas e o povoado começou a crescer. Além da família de seu fundador, Joaquim Cabral, o arraial teve como pioneiros as famílias de Jesuíno Gil, Cármino José de Souza, Ferraz de Brito, Gonçalves Viana, Antônio Rocha, Abdias Ruas, Costa Gomes, Almeida Campos, Rodrigues Soares e Alves de Souza. Pouco tempo depois era erguida uma singela capela. Com o crescimento do arraial, a capela estava pequena para os fiéis, tendo sido demolida e construída outra no lugar, maior, mais espaçosa e mais confortável, dedicada à Nossa Senhora da Imaculada Conceição. (foto acima e abaixo enviadas pela Márcia Porto)
          O arraial se desenvolvia com abertura de novas ruas, surgimento de novas casas, havendo a necessidade de uma escola, que foi instalada em 1938, sendo sua primeira professora, Dona Julieta Costa Gomes, que contou com a ajuda e apoio de algumas professoras como Odete Porto, Anísia Silva Cabral e Maria Rodrigues.
          O povoado passou a se chamar Santa Maria, em homenagem à esposa do fundador, que chamava Maria. O arraial, inicialmente vinculado ao município de Almenara, passou a pertencer ao município de Jacinto e por fim, a Salto da Divisa, tendo sido acrescentado a palavra Salto ao nome do povoado, ficando Santa Maria do Salto. Em 30 de dezembro de 1962, o povoado foi elevado a Vila e a categoria de cidade, sendo o município instalado como independente e emancipado em 1 de março de 1963. (foto enviada por Márcia Porto)
          Hoje Santa Maria do Salto continua com ares de cidade tipicamente interiorana, mineira e tradicional. A economia da cidade continua tendo como base a agricultura, monocultura, pecuária, produtos artesanais como queijos e doces, com um pequeno, mas diversificado comércio na área urbana.
          A cidade se destaca pela beleza e charme da Praça Aurelina Mota Santos, uma das mais belas praças de Minas Gerais, com jardins e árvores bem cuidadas. (foto acima de Davi Porto e abaixo, da Márcia Porto, a simplicidade do interior da Matriz)
          A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em frente à praça é um dos marcos da fé do povo santa-mariense, tendo ao fundo a Pedra do Elefante. Além do belo templo católico, em Santa Maria do Salto encontra a Igreja Assembleia de Deus e Congregação Cristã no Brasil.
          O município é praticamente plano, com uma altitude de 167 metros, estando a 19 km da margem direita do Rio Jequitinhonha, sendo banhado pelo Córrego da Areia. (foto acima de Márcia Porto)
           Como a maioria dos municípios da região do Jequitinhonha e Mucuri, Santa Maria do Salto é rodeada por enormes afloramentos rochosos, tornando incrivelmente bela e impactante, sua paisagem. (foto acima de Davi Porto) A cidade nasceu aos pés de uma dessas pedras, compondo um cenário urbano e ao mesmo tempo natural, é única, fazendo da cidade uma das mais atraentes de Minas Gerias, pela singularidade dos afloramentos rochosos, pela beleza de sua praça e simplicidade de sua igreja, seu charmoso casario ao redor e a simplicidade e hospitalidade de seu povo.
(Fonte das informações: Site da Prefeitura Municipal e IBGE com fotos enviadas  por Márcia Porto)

domingo, 20 de novembro de 2016

A saudade que o tempo deixou

(Por Arnaldo Silva) Ser mineiro é eternizar emoções! Olho em meu redor, vejo minha casa, uma casa bonita que conquistei com muito esforço e que me dá todo o conforto e as facilidades que a modernidade me oferece. Abro o portão, vejo o asfalto, casas, praças, prédios, carros, gente apressada. Paro e volto para dentro de mim, revivendo emoções de tempos atrás. 
          A vida era difícil naqueles tempos. O trabalho era pesado, no braço. As dificuldades eram muitas, mas as famílias eram unidas, as brincadeiras eram sadias, a vida era saudável. As ruas eram cheias de vidas e as praças, lugar de encontro de casais enamorados. (acima, tela do artista plástico Márcio Luiz)
          Sento à beira da calçada, com os pés na sarjeta do asfalto e minha mente retrocedendo no tempo. Lembrei de uma frase que meu avô dizia: “Ser mineiro filho, é falar pouco e ouvir muito”. Incorporei esse conselho à minha vida.
          Ser mineiro é saber falar Uai e na medida certa, expressar em apenas 3 vogais, desconfiança, confiança, alegria, raiva, tristeza, dúvidas, susto, medo, amor e saudades.
          Uai sô, que saudades! Que lembranças dividirei com vocês!
          Saudade de um tempo onde as ruas não tinham asfalto e nem sabíamos o que era isso.
          Não havia muros de concreto que dividiam casas e famílias. Apenas cercas baixas, feitas com bambu, apenas para proteger da entrada de animais. 
          As casas não tinham cadeados, nem chaves. As portas e janelas, eram feitas de madeiras rústicas, não tinham chaves, apenas uma tramela. Podíamos viajar, ficar dias fora e deixar a casa assim, apenas trancada com simples trincos e tramelas. Íamos tranquilos, sem nenhuma preocupação. (foto acima de Fernando Campenella)
          Ser mineiro é se preparar para visitar os amigos. 
          Lembro bem. A mãe nos vestia com a melhor roupa que tínhamos. Naqueles tempos, nossas roupas eram feitas com panos de saco de arroz, na roda de fiar. (como esta, na foto do Saulo Guglielmelli) Minha mãe aprendeu com minha avó, que aprendeu com a minha bisavó. E éramos bem vestidos.
          Fazer visitas a um parente, um compadre ou comadre, principalmente quando alguém adoecia, era obrigatório. Íamos todos juntos, em família e levávamos presentes. Um bolo, uma rosca, um doce, uma cuia de cuité. Ofertávamos o melhor que tínhamos.
          Íamos ainda sem avisar. Se fosse perto, íamos a pé e se fosse longe, íamos de charrete. Era uma alegria tremenda pelo caminho.  Chegávamos antes do almoço e só íamos embora no fim da tarde. Éramos bem recebidos, com alegria e abraços. Era uma alegria, uma ternura e um afeto sincero dos que recebiam visitas e dos que visitavam. 
          A gente só ouvia: “não repara nada não viu?”. “Entra, senta que a casa é sua”. (foto acima de John Brandão/@fotografo_aventureiro em São Tomé das Letras)
          Receber visitas era um dos melhores momentos das famílias. Sempre ficávamos felizes quando recebíamos visitas e quando iam embora, deixavam um vazio. E mesmo eu sendo criança, sentia a alegria de todos da casa em nos receber. Era um momento de abraços, de amizade, e de colocar os assuntos em dia.
          Ser mineiro é falar com alegria da última reza do terço. Do batizado que teve na comunidade. Da colheita na roça e do porco na engorda. É falar da última visita à Aparecida. É relembrar os momentos de fé e alegria nas comitivas que cortavam o nosso sertão, levando e buscando gado. (foto abaixo de Arnaldo Silva)
          Ser mineiro é dividir a alegria do dia-a-dia com todos da comunidade.
          Ser mineiro é receber bem as visitas, tomar bênção dos pais, tios, tias, avós e padrinhos.
          Ser mineiro é respeitar e obedecer aos mais velhos, aprendi isso desde menino. A começar pelo irmão mais velho. Era o mais respeitado da casa, depois dos pais.
          E claro, ser mineiro é logo convidar as visitas para irem para o melhor lugar da casa: a cozinha.
          Todos ficavam à beira do fogão, com a fumaça subindo pela chaminé, enquanto sobre o fogão, tinham uma tábua pendurada e sobre a tábua, linguiças e queijos, defumando na fumaça. Enquanto a chaleira esquentava a água para o café, a prosa era divertida e sempre alguém contava uns “causos” interessantes, que prendiam nossa atenção. 
          A mãe tirava da sacola o que tinha trazido e colocava tudo na mesa. A dona da casa, pegava queijos, biscoitos, broas, bolos, leite fervido, ainda com a nata, juntava tudo e a gente comia à vontade. Era um banquete! A mesa era farta. (foto acima de Saulo Guglielmelli na Fazenda Campo Grande em Passa Tempo MG)
          Ser mineiro é não ter miséria na mesa.
          Ser mineiro é dar o melhor que existe na casa, para as visitas comerem.
          Era tão bom a casa cheia de gente, cheia de prosa boa, de comida boa e muito café.
          Ser mineiro é te chamar para tomar um cafezinho, mas não pense que é um cafezinho apenas. Vai tomar é o bule inteiro e ainda vai passa mais café, além de comer biscoitos, queijos, broas e brevidades. Isso não falta em cozinha de mineiro. (foto acima de Chico do Vale de Viçosa MG)
          Ser mineiro é nunca recusar uma boa prosa e muito menos queijo, broas e biscoitos e claro, café. Pode até recusar uma cachacinha, mas recusar tomar café em casa de mineiro, é uma afronta!
          Queríamos que não acabasse, que aquele momento de alegria entre vizinhos, amigos ou compadres e comadres fossem para sempre. Doces momentos da simplicidade da vida, que ficam eternamente marcados em nossa alma. 
          Enquanto os adultos proseavam, as crianças brincavam. As meninas iam para o pomar e pegavam espigas de milho e brincavam de fazer boneca e depois pegavam os cabelos da espiga, colocavam em um pano, amarravam e brincavam de queimada. Os meninos faziam cata-vento e davam voltas em redor da casa. Brincávamos de esconde-esconde, de pegador. (tela acima do artista plástico Márcio Luiz)
          Na hora de ir embora, era a parte mais triste do dia. A dona da casa nos dava mais coisas para levar. Era queijo, carne na lata, linguiça, doces, biscoitos, bolos e até farofa de carne desfiada com banana da terra. O pouco que a gente levava, trazia em dobro. Era sempre assim.
          Ser mineiro é se entristecer com a partida e abençoar na despedida.
          Sempre ouvíamos um “vai com Deus”, “que nossa Senhora te acompanhe”, “que Deus proteja vocês” e retribuíamos com mais bênçãos.
          Meu pai e minha mãe faziam questão de convidar a família para nos visitar também. E iam sim, eram recebidos da mesma forma, com muita alegria, e simplicidade. Traziam coisas e levavam também. A amizade era recíproca. O prazer em receber visitas era um prazer mesmo, um imenso prazer e demonstravam isso.
          Quando íamos embora, a família que nos recebia ficava toda na porta da casa, acenando. Enquanto não saíamos da vista deles, não saiam da porta. Voltávamos para casa, cansados de tanto brincar e comer, mas era uma volta cheia de alegria. 
          Quando chegávamos em casa, tomávamos banho na bacia. Enquanto isso, meu pai gostava de ir no pomar, pegar cana, cortar e partir em gomos e dava pra gente, num prato. Dizia que a cana fazia a gente ficar forte. Nossa, que doce momento isso! Um ato simples, que nos alegrava. O doce sabor da cana é hoje, uma doce saudade desses tempos. (fotografia acima de Eliane Torino) 
          Não tinha energia elétrica. A luz que nos iluminava era a do sol e da lua. À noite, a nossa luz era a da lamparina, iluminava pouco, mas enchia nossos corações de luz. Era uma simplicidade de vida que emociona. (foto abaixo de Arnaldo Silva)
          Não tínhamos televisão em casa, apenas um velho rádio a pilha. Vivíamos em comunidade, todos eram amigos uns dos outros e todos se ajudavam. Se alguém passasse dificuldades, todos se uniam para ajudar.
          As crianças brincavam tranquilas, com brincadeiras sadias e brinquedos simples. Eram saudáveis, alegres e na mais humilde família, o amor se fazia presente.
          A gente ia para a horta, pegava chuchu e com alguns palitos, já fazíamos vaquinhas, bois, cavalos e brincávamos felizes. Fazíamos curralzinho com palitos. Reproduzíamos o mundo que vivíamos, em nossas brincadeiras.
          Eu adorava visitar as casas. Cada dia era uma novidade. Sempre fui muito atencioso e sempre prestava atenção em todos os detalhes.
          Ser mineiro é ser bem sabido, olhar com discrição e guardar as emoções vividas.
          São lembranças, que só quem viveu é que sabe. É um trem que nos marca para a vida toda. 
          Lembranças de quando vi pela primeira vez minha avó fazendo queijo. Lembro do pingo, descendo sobre a tábua rústica de jacarandá, na dispensa da casa (bem parecido com a da foto acima do Múcio Furtado em Ibiá MG). Eram as gotas do soro que escorriam. Delicadas e pacientes gotas que caiam, a cada espremida que minha avó dava na massa.
          Aquela criança, que ficava em silêncio, encostada à porta da dispensa, escura, com paredes de barro, tendo apenas as velhas bancadas de madeira bruta, já gastas pelos pingos e anos de uso, em silencia permanecia.
          Na dispensa, tinha ainda as fôrmas de queijos e também, várias latas cheias de carne, sacos de arroz, fubá, polvilho, farinha de mandioca, feijão e café, da última colheita. 
          Ficava a observar o ambiente colonial, quase que medieval. Era ali, nas mãos de minha avó, que estavam os segredos coloniais de nossa culinária, guardados na mente e lembranças, passados de mãe para filha, ao longo de gerações.
          Latões de leite, o coalho, a massa, o sal, o pano, as fôrmas de madeira, as cuias de cuité e o queijo sendo formado, enquanto pela tábua inclinada, o pingo descia. Pingo a pingo, formando o coalho para ser usado no dia seguinte. Era a perpetuação do sustento da família, o queijo de leite cru.
          Pingos de um doce momento de minha vida que ficaram para a eternidade.
          Essa criança foi feliz. Hoje, a felicidade ficou na lembrança.
          Quando cresci, voltei ao lugar que tanto fui feliz. A vida se foi, a alegria se foi. O povo se foi.
          Da comunidade, cheia de gente e de vida, nada existe mais. Da casa de minha avó e minha mãe, nada restou, o tempo levou. Eles se foram. Uns para a morada de Deus, outros, para a cidade grande, em busca de melhores condições de vida.
          Onde passava a alegria das famílias, passa boi.
          Pelos caminhos que íamos visitar os parentes, passa boi.
          Nos campos dourados de arrozais e imensos cafezais. Hoje tem capim pra boi.
          Do curral onde bebíamos leite cedinho, nada restou. As árvores do pomar, morreram. O riacho secou. A vida se foi.
          O homem que cuidava de sua família, hoje cuida do boi.
          O homem que plantava sua própria comida, planta comida pra boi. A cerca de bambu que protegiam as casas, não existem mais. A cerca é de arame, para proteger o boi. 
          A vida se foi, ficou o boi. Eles se sentem os donos do lugar. São os donos hoje. (na foto acima, onde era um cafezal, hoje tem bois e vacas guzerá)
          Fui embora, deixei lá minhas emoções, alegrias, sonhos, brincadeiras. Ficou lá o boi.
          Ser mineiro é se emocionar com o tempo que se foi.
          Agora é hora de levantar da calçada, entrar para casa. Abrir o cadeado do portão, destrancar as portas e janelas com chaves, voltar para o mundo moderno.
          A rua fica fazia, as praças ficam vazias. As casas parecem túmulos, todas lacradas, muros altos, chaves e cadeados. Mas é a vida que vivemos hoje. (na foto abaixo, há mais 20 anos,  última visita que fizemos ao meu avô)
          Hora de voltar para o vazio da solidão da vida moderna.
          Não tem mais visitas, não tem mais famílias passando o dia na casa das outras, não tem mais compadre e nem comadre e nem as crianças pedindo bênçãos aos pais, avós, tios e padrinhos.
          Hoje tem a tecnologia, as conversas em família e entre amigos, estão na palma das mãos, pelo celular. Não tem mais abraços, afetos, contato, almoços de domingo, brincadeiras no quintal.
          O tempo passou, só me resta me conformar com a solidão, com a saudade, com a eternidade de momentos tão lindos, que nossos filhos hoje nunca viverão.
          Hoje tenho tudo na ponta dos dedos, só apertar botões, teclar, tudo rápido e fácil, mas os doces momentos de uma vida que tive, as lembranças das visitas em família, dos almoços de domingo, do café aquecido na chapa do fogão a lenha, do pão de queijo, das broas, dos biscoitos de polvilho frito, da carne na lata, do prato esmaltado, da brevidade, do queijo, isso, tecnologia nenhuma me dará.
          Posso mandar um abraço online para amigos, mas nunca será como dar um abraço real e caloroso em amigos e parentes, comadres e compadres.
          Posso te dar um oi, um olá, mas nunca sentirá a alegria de pegar na mão de seu pai, mãe, avó, avô, padrinho ou madrinha e pedir bênção e ouvir “Deus te abençoe meu filho”.

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