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sexta-feira, 27 de maio de 2016

A mística cidade sagrada de pedras

(Por Arnaldo Silva) São Thomé das Letras é a mística cidade de pedras. (foto acima de Jerez Costa)A cidade está na região Sul de Minas distante 350 km de Belo Horizonte. Com 1227 metros de altitude, é a quarta cidade mais alta no Brasil. A arquitetura letrense chama a atenção pela simplicidade e fino acabamento. É pedra sobre pedra. Mas não são apenas as pedras que chamam a atenção em São Tomé das Letras. É o misticismo. 
Místicos, cientistas, ufólogos, sociedades espiritualistas e estudiosos do esoterismo, acreditam que São Tomé das Letras seja um dos sete pontos energéticos da Terra. Essa crença faz com que a cidade receba constantemente pessoas em busca da energia, que acreditam, que São Tomé das Letras tenha.
Chegando na cidade o visitante se depara com um clima totalmente diferente. Tanto pelas ruas e casarios de pedras, quanto pelas roupas alegres que boa parte das pessoas que lá vivem, vestem. Lembra muito o estilo hippie de vestirem. (na foto de Jerez Costa, contemplação da natureza). Além da beleza da arquitetura local, as belezas naturais chamam a atenção. Melhor adquirir um mapa, nos estabelecimentos locais ou nas pousadas para se orientar.  (na foto abaixo, de Jerez Costa, o Poço Secreto)
Na cidade um dos pontos mais visitados é sem dúvida a "Pirâmide". Toda em pedras, a "pirâmide" está no topo de uma montanha o que possibilita uma espetacular vista do nascer e do pôr do sol e também das estrelas. A noite estrelada  de São Tomé das Letras, fascina. Alguns acreditam também que a "pirâmide" é ponto de contato dos terráqueos com os Extraterrestres e Ovinis. Registros e relatos de aparições de discos voadores e Ovnis são comuns na cidade. 
Uma boa dica também de passeio pelos belezas do município é o Poço Verde onde tem uma bela vista, podendo se ver algumas cidades em torno de São Tomé das Letras. A cidade faz divisa com São Bento do Abade, Baependi, Luminárias, Cruzília, Conceição do Rio Verde e Três Corações. (foto acima de Jerez Costa)
Todo místico que vai à São Tomé das Letras e os amantes da natureza fazem questão de ir ao Vale das Borboletas e curtir as águas da Cachoeira das Borboletas (na foto cima de Vânia Pereira). Sua pequena queda forma um poço de água verde esmeralda, propícia para um bom banho e relaxamento. 
A Cachoeira da Lua (na foto acima de Lucas Vieira) é uma pequena queda com um poço muito apreciado pelos banhistas e amantes da natureza. Uma outra cachoeira muito procurada é a Véu da Noiva. Além dessa tem a Cachoeira do Paraíso e a dos Antares, que é a mais alta de São Tomé. Todas as três são ótimas. Você não pode deixar de ir também na Gruta do Sobradinho. No interior dessa gruta corre um pequeno riacho cujas águas caem mais à frente formando uma cachoeira e depois da queda, segue seu percurso normal. (foto abaixo de Jerez Costa)
Um outro lugar legal para conhecer é a Ladeira do Amendoim, onde os carros, desligado e em ponto morto, sobem sozinhos.  Os místicos afirmam que o fenômeno é causado pelo magnetismo da região. Os mais céticos afirmam que é apenas uma ilusão de ótica. 
Depois de curtir bastante as belezas naturais da cidade, aproveite a vida noturna. Você terá muitas opções de bares, restaurantes. O Bat Caverna é muito popular. (na foto acima de Pepe Chaves) Mas também pode fazer compra no comércio, que é muito variado e em geral, com temas voltados para o misticismo. Você vai encontrar lojas que vendem artigos artesanais, roupas e produtos hippies e ciganos indianos e claro, todo tipo de artigos esotéricos. Você pode experimentar também o Locomelo. Uma bebida alcoólica feita com cogumelos que tem um sabor doce e bem forte. O município é propício para a produção de cogumelos, dai a bebida. 
Em São Tomé das Letras (foto acima de Jerez Costa) você perceberá que boa parte dos seus moradores tem uma concepção de mundo diferente e tem uma vivência maior com a natureza. Acreditam na energia do lugar. Se conversar com os moradores irá perceber que muitos falam com convicção  que existe vida em outros planetas, que eles vem até nós para nos contactar. Acreditam no misticismo, na energia das pedras, montanhas, água, da terra. 
Na cidade existe a Caverna do Carimbado. Místicos afirmam que essa caverna liga São Tomé das Letras a Machu Pichu, no Peru. Por essa passagem, segundo os místicos, possibilitou a misteriosa fuga dos Incas. Segundo a crença mística São Tomé faz parte das "Sete Cidades Sagradas". Atualmente o acesso a essa caverna está fechado.
Todas essas sete cidades estão em Minas Gerais que são Pouso Alto, Itanhandu, Carmo de Minas, Maria da Fé, São Tomé das Letras, Conceição do Rio Verde e Aiuruoca. Essas sete cidades sagradas estão em torno da capital espiritual do Novo Milênio, que para os místicos é São Lourenço MG, também no Sul de Minas. (foto acima de Vânia Pereira) Independentemente da crença que a pessoa tenha, São Tomé das Letras é um lugar onde o divino se faz presente. Um lugar propício para meditação, oração e contato mais íntimo com Deus, com a natureza e para aprimoramento espiritual. 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Colonização Alemã em Bom Despacho MG

Navio com imigrantes alemães chegando ao Porto de Santos             
Saindo de um país arrasado pela Primeira Guerra Mundial, temerosos de uma Segunda Guerra e acalentando o sonho de um pedaço de terra, difícil na Europa, muitos alemães chegaram ao Brasil no início dos anos 20, após uma difícil e perigosa travessia de três meses pelo Atlântico minado. 
Vindos de diferentes pontos da Alemanha, alguns da Suíça e da Hungria, aqui em Bom Despacho se encontraram após uma quarentena na Ilha das Flores no Rio de Janeiro. Aqui se agruparam em duas colônias: Davi Campista e Álvares da Silveira, num total de mais ou menos 80 famílias: Kohnert, Hammerich, Fischer, Peifer, Korel, Primus, Bobbia, Knischewsky, Gendorf, Enhemann, Shmeidereit, Feistel, Brack, Seidler, Grimpel, Frey, Wesser, Wsterman, Klimanschefsqui, etc. Cada família recebia um lote de cerca de oito alqueires que deveria pagar entregando na sede da colônia 20% do que produzia. Poucos conseguiram acabar de pagá-los. Dificuldades uma atrás da outra. Clima inóspito para o Europeu. A língua que ninguém entendia. A alimentação diferente. A formação técnico-industrial e não agrícola da maioria. O nível do maquinário agrícola inferior do de seus países de origem. A ausência quase total de conforto nas colônias, a dificuldade para fazer compras. E depois a própria falta de dinheiro. Em Álvares da Silveira, uma região infestada de doenças tropicais como a malária e o tifo, e todo tipo de praga como piolhos de galinha, carrapatos, bichos de pé, borrachudos e outros mosquitos. Bagagens roubadas, perdidas. Muitos alemães se assustaram e não chegaram nem a tirar as ferramentas das malas.
Mas, trabalhadores e alegres, com um nível técnico profissional muito acima da média brasileira, logo se organizaram e tiveram um período florescente, principalmente na Colônia Davi Campista, até a entrada do Brasil na Segunda Guerra, em 1942, contra a Alemanha, quando muitos colonos foram presos, espancados e perseguidos. A colônia se desintegrou. A escola mantida pelo consulado foi fechada. E muita gente abandonou seus lotes e foi embora.
 Casarão sede da Colônia Davi Campista. Fotografia de Arnaldo Silva
Hoje só restam aqui 4 dos alemães vindos na emigração da década de 20, com seus lotes: Dona Rosa Korell, com 89 anos, Frederico Schneidereit, com 84 anos, Bruno Kolnert com 85 anos e Dona Dora Seidler, 78 anos. Velhos, mas fortes, corajosos e firmes. Gente acostumada a lutar e a vencer. Eles venceram. Venceram um desafio, venceram a vida nos trópicos, a malária, os mosquitos, a língua. Esta gente ajudou a construir Bom Despacho.
Ruinas da Estação de Trem de Álvares da Silveira, próximo ao Rio Lambari. Fotografia de Arnaldo Silva                 Dona Rosa Korell, natural de Berna, na Suíça, veio com o Mario Ângelo Bobbia, construtor atraídos pela propaganda brasileira. Vieram com 32 famílias para Álvares da Silveira e até que as casas ficassem prontas se abrigaram no sobrado da sede, em cujo porão se abrigavam porcos e galinhas. Na chegada já enfrentaram piolho de galinha, bicho de pé, pulgas e carrapatos. Em seguida a malária, a tifo e outras febres que infestavam as margens do Lambari. Muitos alemães partiram. Outros ficaram. E Dona Rosa entre eles. E lá ela está até hoje. Lá viu o primeiro marido ser assassinado, Ângelo Bobbia. Continuou a luta sozinha. E depois novamente casada, com Frederico Korell prosseguiu enfrentando as dificuldades. Trabalhou por 40 anos como parteira. E lá em Álvares da Silveira, no seu lote vive até hoje, lúcida, enérgica, alegre e respeitada, recebendo ½ salário do Funrural. Sua pensão da Alemanha foi inexplicavelmente cortada.
Bruno Kohnert veio de Essen, na Alemanha, onde trabalhava com o pai e o irmão na Krupp que funcionava com 45.000 empregados e na guerra chegou a ter 100.000, dia e noite, sem interrupção. O pai, Gustavo Kohnert era instrutor-técnico de alto nível, inclusive veio 6 meses depois da família, porque estava concluindo a montagem de uma máquina, invenção sua, para a exposição de Leipzig. Ficou pouco tempo em Álvares da Silveira, foi trabalhar com um dos filhos em Belo Horizonte, na Força e Luz até a Segunda Guerra, quando foi dispensado. Bruno e o irmão Fritz montaram uma oficina na Rua da Liberdade (Beco dos Aflitos), hoje Coronel Tininho. Hoje Bruno fala com emoção do passado: “Ninguém pode imaginar o que seja uma guerra. Estive dois anos na frente oriental, na Primeira Guerra. Lutei na Rússia a 35 graus abaixo de zero. Entre meus amigos de Essen, fomos 250 para a guerra. Só voltaram 6. E eu era um deles”. Em 1932 ele se casa com Dora Seidler e tiveram 4 filhos: Siegfried, Bruno, Errol e Maria Antônia.
Dona Dora Seidler veio de Pismeberg, perto de Hamburgo com a família. O pai, Frederico Seidler, ferreiro, com sua própria oficina, tinha lutado na Guerra dos Boxers, na China, em 1900, onde fora ferido, e depois na Primeira Guerra. E quando foi aberta a imigração, ele disse: “Vamos para o Brasil. Virá outra guerra mundial e será muito pior do que esta. Deixou lá a casa mobiliada por 50 anos. Mas, nunca falou em voltar. Morreu aqui, com 90 anos. Dona Dora vive até hoje aqui e ainda possui o lote que seu pai recebeu.Aos 78 anos, muito alegre e forte, falando com saudade das festas, dos tempos áureos da colônia e guardando um precioso acervo em retratos e documentos sobre a colonização alemã.          FredericoSchneidereit veio também em 1921, aos 11 anos, com o pai, Fritz que trabalhava na fábrica Bayerd, perto do Reno, a madrasta e os irmãos. No início tiveram alguma dificuldade na adaptação. Estranharam a alimentação, mas, criativos substituíram o centeio pelo fubá, o trigo pelo arroz, o vinho de cereja pelo de jabuticabas, faziam cerveja de milho e de arroz. Aprenderam a beber cachaça. Mas, a terra era pouca e não era boa. Logo a família se dispersou. Um irmão eletricista foi para os Estados Unidos, o próprio Frederico andou 7 anos pela América do Sul, chegando até a Terra do Fogo, trabalhando de pedreiro, carpinteiro, ferreiro. Voltou e se casou com uma brasileira criada na colônia. E vive até hoje no lote na colônia Davi Campista, muito lúcido e forte. Ainda lê muito em português e alemão. É o único dos 4 alemães que recebe cerca de 100 mil cruzeiros por mês de pensão da Alemanha. Recebe também o Funrural.
Aqui vive também alguns descendentes de alemães, como Elza Kohnert, filha de Alma Maria Hammerich ou Alma Kohnert. Dona Alma veio com 17 anos de Bostd, perto de Hamburgo com os pais e 6 irmãos. O pai, Hanrich Hammerich, ceramista do tijolo à louça fina. Do Rio a família foi para Caeté, a convite de Israel Pinheiro. Lá num museu existem até hoje trabalhos de Hanrich feitos para provar a Israel que o barro de lá servia para louça fina. Depois de 2 anos vieram para Álvares da Silveira. O sonho da terra. Um ano e meio depois voltaram para Caeté, assustados com as doenças. E de Caeté, um ano mais tarde, voltaram para a Alemanha. Dona Alma casada com Fritz Herbert Kohnert, irmão do Bruno, vem para a cidade trabalhar como parteira e o marido na oficina. Dos 4 filhos, Ilda, Margarida, Adolfo e Elza, só Elza vive ainda aqui e fala com carinho da mãe que é também um pouco mãe de todo bom-despachense.
Já Marlene Knisheswsky sabe pouco sobre seu pai, Walter Knishewsky, vindo com 2 anos da Alemanha comos pais e uma irmã. Os pais morreram, a irmã foi para Rondônia e Walter se casou com Zeli Vargas, vindo a falecer os dois no mesmo dia, de câncer, deixando 7 filhos. A mais velha, Marlene, com 17 anos, casa-se com o professor Lourival e juntos com dedicação criam os 6 irmãos menores: Walter, Antônio Carlos, Maria Aparecida, Ana Helena, Ilma e Rosilene. Hoje alguns já estão casados e a mais nova termina este ano o segundo grau.
Em Álvares da Silveira ainda vive Zico Primus, descendente de Berta Primus, que lutou até de enxada para conservar seu lote. E conservou.
Além das dificuldades comuns enfrentadas pelos europeus nas regiões tropicais, pode-se acrescentar outras razões para o fracasso da tentativa da colonização alemã em Bom Despacho. Entre elas, o fato dos alemães representarem uma mão de obra especializada para a indústria e não para a agricultura como foram encaminhados segundo os planos do Governo Brasileiro que visavam o desenvolvimento da pequena propriedade no modelo Europeu, projeto já implantado com sucesso no sul do país desde o século XIX.
Reportagem de Francisca Fonseca, Advogada e Pesquisadora em Bom Despacho. Artigo escrito em 1984

domingo, 22 de maio de 2016

Cidade do Serro recebe turistas atraídos pelo queijo

(Por Arnaldo Silva) Serro é uma das mais charmosas e encantadoras cidades históricas de Minas Gerais, fica a 320 km de Belo Horizonte, no Alto Jequitinhonha.(fotografia acima de Tiago Geisler mostrando o Centro Histórico da cidade)
     Dotada de belezas naturais fascinantes, cada dia mais, turistas vem à cidade conhecer seus encantos, sua arquitetura preservada, sua cultura, sua história, sua gente e seu famoso queijo.       A receita e o modo artesanal de fazer o queijo do Serro foram reconhecidos como Patrimônio Imaterial de Minas Gerais, em 2002 pelo Iepha, e do Brasil, em 2008, pelo Iphan. (na foto ao lado, o Queijo do Serro nas escadarias da Igreja de Santa Rita. Autoria de Paulo Sérgio Procópio) 
     Fundado em 28 de janeiro de 1714, o Serro guarda tradições, cultura, belezas naturais e uma fantástica história manifestada nas tradições preservadas há gerações, como a Festa de Nossa Senhora do Rosário e o modo artesanal de fazer queijo.
     O queijo do Serro é um dos melhores do mundo, recebendo constantes premiações e medalhas, como nos últimos três concursos do mais importante concurso internacional de queijos, o Mondial du Fromage, realizado na França a cada dois anos. O queijo do produtor Túlio Madureira foi premiado nas três últimas edições com medalhas de bronze. Num concurso mundial, onde só participam a elite produtora de queijos no mundo, ter um queijo premiado é para poucos, ainda mais três vezes seguidas.
     O clima, o manejo do gado, as pastagens e claro, a vocação queijeira do povo serrano, que vem de gerações e seu modo de fazer são do mesmo jeito que há dois séculos.
     O processo de fabricação do queijo do Serro é demorado, podendo durar mais de uma semana, fora o tempo de maturação, que pode ser de dias, meses, ano ou mais tempo. (foto abaixo de Tiago Geisler)
     O modo de fazer esse queijo consiste em adicionar um tipo de fermento e um coagulante ao leite fresco. Passada cerca de uma hora, é só fazer o corte da massa e triturar. Em seguida, retirar o soro e a massa juntos e, quando estiver consistente, colocar na fôrma. Espremer, lavar e depois colocar sal grosso em um dos lados são os passos seguintes. Depois é preciso esperar cerca de seis horas, virar e salgar o outro lado. Para ficar no ponto, são mais dois dias até retirar da fôrma e deixar na maturação.
      O modo artesanal de fazer o queijo do Serro foi registrado no filme “O mineiro e o queijo” do cineasta Helvécio Ratton. O filme é uma rica história sobre a tradição queijeira do povo mineiro com depoimentos dos produtores de queijos das regiões mineiras, entre elas, do Serro. 
     E o sucesso do queijo do Serro rompeu as fronteiras regionais e atrai gente de toda Minas Gerais, do Brasil e até do exterior para experimentar e conhecer o modo artesanal de fazer queijo do Serro, bem como conhecer a história, bem como os belos casarões e igrejas dos séculos XVIII e XIX, museus, os distritos serranos como Milho Verde, São Gonçalo do Rio das Pedras, dentre outros. Vale a pena conhecer também impressionantes paisagens serranas de Cerrado e Mata Atlântica e as belas cachoeiras, como a do Tempo Perdido e do Amaral (na foto acima de Marcelo Santos), no distrito de Capivari e do Carijó e Moinho em Milho Verde. Na cidade são encontrados guias de turismo, prontos para orientar os visitantes para que conheçam bem cidade, suas belezas, arquitetura e história.
     Um evento que está se tornando tradição na cidade são as boleratas (na foto acima de Sônia Fraga) que acontece durante o ano na Praça Israel Pinheiro. Das sacadas dos casarões serranos, bandas locais tocam boleros e outros ritmos para os moradores e visitantes curtirem um pouco a boa música mineira e brasileira. 
     Uma ótima dica é conhecer a grife do queijo Trem-ruá, termo criado pelo produtor Túlio Madureira (na foto acima/Divulgação) inspirado na palavra francesa “Terroir” (pronuncia-se terruá que seria a definição de origem das características de determinados produtos, de acordo com as características geográficas de cada região). É uma escola com cursos ministrados pelo Mestre Queijeiro Túlio Madureira que produz queijo do Serro com leite de gado Gir, sendo um dos queijos mais premiados no Brasil e exterior. 
     Mesmo que não vá ao Trem-ruá para aprender a fazer queijo, pode comprar os famosos queijos do Serro no local que fica na Rua São José, 422. (foto queijos do Túlio Madureira/Divulgação) O telefone da grife do queijo é (38) 99823-4207. O lugar é pitoresco com seu teto de dormentes e ambiente organizado com grandes variedades de queijos e o atendimento é ótimo! 

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Igreja do Carmo: a igreja da torre nos fundos

(Por Arnaldo Silva) A Igreja de Nossa Senhora do Carmo em Diamantina, no Alto Jequitinhonha, é um dos mais belos templos do período Colonial brasileiro. (foto acima de Elvira Nascimento) Datada do século XVIII, teve como benfeitor João Fernandes de Oliveira, o Contratador de Diamantes do Arraial do Tejuco, hoje Diamantina, marido de Chica da Silva. A Igreja foi construída em frente à sua residência.  É rica em detalhes, com os altares laterais e o altar-mor da nave banhados em ouro, além de pinturas e obras sacras magníficas feitas por grandes artistas da época como José Soares de Araújo, Manoel Pinto e por fim, a Igreja ganhou obras de Antônio Francisco Lisboa, o Mestre Aleijadinho. O contratador mandou instalar na Igreja, um órgão movido a fole, com mais de 750 cânulas e até hoje em funcionando perfeitamente.
          Mas um detalhe nesta igreja a diferencia das outras igrejas da cidade e de Minas Gerais. (foto acima de WDiniz) Não tem torre na frente. A torre principal da Igreja do Carmo fica nos fundos. Mas por quê?
          Mesmo o todo poderoso Contratador de Diamantes, João Fernandes, não podia burlar as regras impostas pela igreja. Uma dessas regras era clara quanto a entrada de escravos forros ou não dentro dos templos. Pelas normas da Igreja, os negros não podiam ultrapassar o espaço das torres. Ou seja, não podiam passar da porta de entrada das igrejas. 
          Nessa regra incluía sua mulher, Chica da Silva, negra alforriada. Não podia passar da porta das igrejas. 
          Essa norma causou desentendimentos entre o Contratador e os membros da Ordem Terceira do Carmo, responsável pelo templo. Esse desentendimento fez com que João Fernandes arcasse sozinho com os custos de construção da Igreja. 
          Como era ele quem estava pagando todo o custo da obra, ordenou aos construtores que a torre principal fosse mudada no projeto original, saindo da frente da igreja, como era normal e sendo construída nos fundos. Esta foi a solução que João Fernandes encontrou para não causar mais atritos com o Clero. (foto abaixo de WDiniz)
          Assim, sua mulher, que para a sociedade da época era amante, pôde frequentar a igreja, com sua côrte, sem ferir as leis da Igreja na época. Como a torre fica no fundo e a norma era de que negros não podiam ultrapassar o espaço das torres, ela pôde entrar normalmente dentro da igreja  e participar das celebrações religiosas.
          Essa atitude do Contratador foi uma das várias provas de amor à sua amada mulher, Chica da Silva, demonstrada publicamente.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

A sobremesa mineira que conquistou o mundo.

Certas combinações de alimentos parecem que nasceram um para o outro. É o caso da nossa popular e mineiríssima sobremesa Queijo com Goiabada, que além de agradar o paladar dos mineiros há mais 200 anos, é hoje uma sobremesa famosa no Brasil e em todo o mundo. (fotografia abaixo de Marino Júnior)
     Em Minas Gerais, sempre foi queijo com goiabada. Com sua popularização ganhou o sugestivo e romântico nome de Romeu e Julieta, alusiva ao clássico romance de William Shakespeare, escrito entre 1591 e 1595. 
     Romeu e Julieta formavam um par perfeito. Dai a inspiração para o nome e assim o nosso queijo com goiabada saiu das fronteiras mineiras para todo o mundo como Romeu e Julieta.
     De origem mineira, mais precisamente do Sul de Minas Gerais, esta mistura famosa surgiu ainda no período colonial, quando os portugueses iniciaram a produção de queijo em suas colônias. Não há registros precisos de quando começaram a consumir 
goiabada com queijo e nem o povoado exato, mas a origem é do Sul de Minas.Nessa região se popularizou e se expandiu para outras regiões do Estado, através dos Tropeiros. Acredita-se que essa combinação existia desde meados do século XVIII. 
     O doce preferido dos portugueses era a marmelada e na época não existia o marmelo no Brasil e identificaram na nossa goiaba um fruto capaz de dar um doce igual à marmelada consumida em Portugal. 
     Não ficou igual, ficou bem melhor, para muitos. Gostaram tanto que não chamaram de doce de goiaba e sim goiabada, lembrando a famosa marmelada de Portugal. 
     Os tropeiros e viajantes que precisavam de produtos que durassem muito tempo em suas longas viagens, levavam quilos de goiabada, e também rapadura. Esses dois doces eram consumidos normalmente após as refeições ou como adoçantes. O açúcar já era fabricado no Brasil nessa época mas perecia rápido demais devido a chuvas e calor forte. A rapadura e goiabada resistiam mais, duravam bem mais. Eram então imprescindíveis nas longas viagens.
     Desde a época dos tropeiros, o doce de goiaba com queijo faz parte da cozinha mineira. Doce de leite, figo, de goiaba combinado com queijo Minas não faltam nunca. O preferido sempre foi o queijo com goiabada. E claro, com o Queijo Minas, que tem um sabor diferenciado dos demais queijos. A combinação é perfeitíssima! (foto acima de Aldeia Fazenda Velha, restaurante em Andradas MG)
     Seja Queijo com Goiabada ou Romeu e Julieta, a nossa combinação se expandiu para todo o Estado e ganhou os mais nobres paladares de todo o Brasil e mundo.Em Minas é sempre  presente em nossas casas e oferecidas às visitas. 

sábado, 7 de maio de 2016

Cachoeira da Maria Rosa em Mato Verde

A Cachoeira de Maria Rosa é um dos mais belos cenários do semi-árido mineiro.
Está localizada em Mato Verde, no Norte de Minas Gerais, a 550 metros de altitude e distante 659 km de Belo Horizonte e 46 km de Porteirinha MG.A cidade de Mato Verde é repleto de lugares para se visitar, sendo paisagens urbanas ou naturais, sempre é bom de se ver.
          A Cachoeira de Maria Rosa é a maior queda d'água do Rio Viamão, e uma das maiores do norte de minas. É uma maravilha natural que é visitado por dezenas de pessoas da região.
Esta é a mais famosa cachoeira da região!
          São 2 cachoeiras com uma distância de 50 metros entre elas! Todas as duas são muito bonitas e muito altas. O local é bem preservado e possui mesas com banquinhos e áreas para fazer churrasco no local! Bem próximo das cachoeiras também possui barzinho!
          Uma curiosidade sobre as essas cachoeiras é que existe uma diferença considerável na temperatura da água entre as duas!

(Fotos de autoria de Marcelo Santos)

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Cachoeira dos Cristais e da Sentinela em Diamantina

Cachoeira de pouca altura, mas com um poço ótimo para banho. As águas são tranquilas e limpas. É possível nadar até a queda e ficar atrás da cortina de água. A Cachoeira dos Cristais fica a menos de 15 quilômetros de Diamantina. (foto acima de Elvira Nascimento)
Cachoeira de pouca altura, mas com um poço ótimo para banho. As águas são tranquilas e limpas. É possível nadar até a queda e ficar atrás da cortina de água. A Cachoeira dos Cristais fica a menos de 15 quilômetros de Diamantina. (foto acima de Edison Zanatto)
Altura da Cachoeira dos Cristais: 6 metros. 
Como chegar na Cachoeira dos Cristais: (foto acima de Manoel Freitas) Partindo de Diamantina, você deve seguir em direção ao Parque Estadual do Biribiri, no km 587 da MG – 367. A Cachoeira dos Cristais fica a 6 km da entrada do Parque. e distante de Belo Horizonte, 315 km.
A Cachoeira da Sentinela
A cachoeira da Sentinela esta situada próximo ao povoado de Biribiri, na região de Diamantina na Região do Alto Jequitinhonha, em Minas Gerais. Fica a 42 km do Centro de Diamantina, via BR 367. O acesso é fácil e fica numa bonita área, com formações rochosas entremeadas de vegetação de campos rupestres. (fotografia acima de Marcelo Santos) Poços de águas cristalinas são formados a partir de uma sequencia de quedas, proporcionando deliciosos e relaxantes banhos.

Conheça a Cachoeira da Cascadanta

A Casca D’ Anta está entre as 5 maiores cachoeiras de queda livre do Brasil. 
          As águas do Rio São Francisco, que nasce um pouco acima da boca da cachoeira despencam a uma altura de 186 metros, sendo um dos maiores atrativos da Serra da Canastra. É imperdível! A cachoeira é um espetáculo!
          As águas da Casca D’ Anta são do Rio São Francisco, que nasce na própria Serra da Canastra e atravessa mais de 5 estados. 
          Devido a força da água e pelas formações rochosas do entorno, o poço principal não é recomendado para banho, mas mesmo assim é um privilégio estar aos pés das águas do mais importante rio brasileiro, o nosso Rio São Francisco.
 Como chegar na Cachoeira Casca D’Anta: 
O acesso é feito pela portaria 4 do Parque Nacional (única da parte baixa do parque), localizada em São José do Barreiro (MG). É preciso deixar o carro no estacionamento e caminhar por cerca de 1.700 metros até a cachoeira. Você também pode chegar pela parte alta da cachoeira, que fica a 38 km de São Roque de Minas com acesso pela Portaria 1. É necessário descer até a parte baixa por uma trilha íngreme com 300 metros de altura e mais de 3km de extensão e depois subir de volta por esta mesma trilha. Fica a 350 km de Belo Horizonte. (fotografias de Wilson Fortunato)

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Minas sangra e chora

(Por Arnaldo Silva) É isso que as mineradoras fazem em Minas Gerais. Retiram nosso minério, nossas riquezas, retiram a nossa natureza e agora estão retirando nossas preciosas vidas. Barragem do Fundão em Mariana. Barragem do Feijão em Brumadinho.... terão mais??? Barão de Cocais? Congonhas? Vila de Macacos? Ouro Preto?
Imagem ilustrativa, sem autoria identificada até o momento/Divulgação
          Deixam buracos e um vazio na terra e na vida de famílias que adoecem e morrem nas mãos das mineradoras. 
          Até quando ficaremos calados, assistindo a agonia de nosso Estado, em nome da ganância, do desenvolvimento e da dor? 
 Na foto acima de Cássia Almeida, atividade mineradora em Nova Lima MG
          A imagem que ilustra a matéria era uma montanha e deixaram em pé o apenas o pico. É o Pico do Itabirito que está situado no município de Itabirito a 60 km de Belo Horizonte.
          Sua altitude é de 1.586 metros. 
          Originado de um monolito sem igual no mundo, que é formado por um único bloco de hematita compacta, com alto teor de ferro, constituindo-se numa reserva de aproximadamente 94 milhões de toneladas do minério de ferro. 
          É um patrimônio histórico natural tombado pela Constituição do Estado de Minas Gerais, promulgada em 21 de setembro de 1989. 
          Por isso está intacto, mesmo com as atividades mineradoras em seu redor e permanecerá intacto.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

A história de Chica da Silva

Francisca da Silva de Oliveira, ou simplesmente Chica da Silva (Serro, ca. 1732 - 15 de fevereiro de 1796), foi uma escrava, posteriormente alforriada, que viveu no Arraial do Tijuco, atual Diamantina, Minas Gerais, durante a segunda metade do século XVIII.
(na imagem acima Chica da Silva, tela de Marcial Ávila -Museu na casa de Chica da Silva em Diamantina)
     Manteve durante mais de quinze anos uma união consensual estável com o rico contratador dos diamantes João Fernandes de Oliveira, tendo com ele treze filhos. O fato de uma escrava alforriada ter atingido posição de destaque na sociedade local durante o apogeu da exploração de diamantes deu origem a diversos mitos.
Origens e escravidão
     Chica da Silva era filha de Antônio Caetano de Sá, homem branco português, provavelmente nascido e batizado na Candelária, no Rio de Janeiro. Pouco se sabe sobre o pai de Chica a não ser que, em 1726, ocupava o posto de capitão das ordenanças de Bocaina, Três Cruzes e Itatiaia, distritos de Vila Rica. Isto indica que Antônio ocupava uma posição de distinção e honra na sociedade. Chica herdou a condição de escrava da sua mãe, Maria da Costa. Africana da Costa da Mina, onde hoje se situam o Benim e a Nigéria, Maria foi trazida para o Arraial do Milho Verde ainda criança, por volta de 1720. Era escrava de Domingos da Costa, homem negro e forro. Chica foi registrada no Arraial do Milho Verde, no município de Serro Frio, atual Serro.

     Quando ainda era escrava, Chica da Silva era tratada nos documentos como "Francisca mulata" ou "Francisca parda", vez que os escravos não tinham sobrenome e normalmente eram diferenciados de acordo com seu grupo étnico ou cor da pele. Contudo, em 1754, Chica já era identificada num documento como "Francisca da Silva, parda forra". O sobrenome Silva, bastante comum no mundo português, era adotado normalmente por pessoas sem procedência ou origem definida, fato que indica que Chica conquistou sua liberdade por conta própria, sem apadrinhamentos ou conexões. Com o nascimento da primeira filha, foi identificada no registro de batismo como "Francisca da Silva de Oliveira", denotando um pacto informal com seu companheiro, o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira.
     Na juventude, Chica foi escrava do médico português Manuel Pires Sardinha, proprietário de lavras no Arraial do Tijuco. Nesta época, teve com ele um filho, Simão Pires Sardinha, nascido em 1751, que teve como padrinho de batismo o então Capitão dos Dragões do Distrito Diamantino, o português Simão da Cunha Pereira, em homenagem ao qual recebeu o nome. O registro de batismo deste filho não declara a sua paternidade, mas Manuel Pires Sardinha deu-lhe alforria e nomeou-o como um de seus herdeiros no seu testamento, daí o uso do mesmo sobrenome. Simão foi educado em Portugal e veio a ocupar cargos importantes no governo da Corte. (na foto abaixo de Raul Moura, o distrito de Milho Verde, no Serro MG)

Alforria e família
     Em 1754, João Fernandes de Oliveira chegou ao Arraial do Tijuco para assumir a função de contratador dos diamantes, que vinha sendo exercida por seu pai homônimo desde 1740. Em 1754, Chica da Silva foi adquirida ou alforriada pelo novo explorador de diamantes, quando então passou a viver com o contratador, ainda que nunca tivessem se casado oficialmente.
     Com João Fernandes ela teve treze filhos durante os quinze anos em que com ele conviveu: Francisca de Paula (1755); João Fernandes (1756); Rita (1757); Joaquim (1759); Antonio Caetano (1761); Ana (1762); Helena (1763); Luiza (1764); Antônia (1765); Maria (1766); Quitéria Rita (1767); Mariana (1769); José Agostinho Fernandes (1770). Todos foram registrados no batismo como sendo filhos de João Fernandes, ato incomum na época quando os filhos bastardos de homens brancos e escravas eram registrados sem o nome do pai.
     Entre 1755 e 1770 João Fernandes e Chica da Silva habitaram a edificação existente no que hoje é a praça Lobo de Mesquita, no número 266, em Diamantina.
     A união consensual estável de João Fernandes e Chica da Silva não foi um caso isolado na sociedade colonial brasileira de envolvimento de homens brancos com escravas. Distinguiu-se por ter sido pública, intensa e duradoura, além de envolver um dos homens mais ricos da região durante o apogeu econômico.
     Os companheiros separaram-se em 1770, quando João Fernandes precisou retornar a Portugal para receber os bens deixados em testamento pelo pai. Ao partir, ele levou consigo os seus quatro filhos homens. Em Portugal, os filhos homens de Chica da Silva receberam educação superior, ocuparam postos importantes na administração do Reino e até receberam títulos de nobreza.
    Chica da Silva ficou no Arraial do Tijuco com as filhas e a posse das propriedades deixadas pelo marido, o que lhe garantiu uma vida confortável. Suas filhas receberam a melhor educação que se dava às moças da aristocracia local naquela época, sendo enviadas para o Recolhimento de Macaúbas em Santa Luzia, onde aprenderam a fazer tricô, foram letradas e receberam instrução musical. Dali, só saíram em idade de se casar, embora algumas tenham seguido a vida religiosa.
     Apesar de ser uma concubina, Chica da Silva alcançou prestígio na sociedade local e usufruiu das regalias privativas das senhoras brancas. Na época, todas as pessoas se associavam a irmandades religiosas de acordo com a sua posição social. Chica da Silva pertencia às Irmandades de São Francisco e do Carmo, que eram exclusivas de brancos, mas também às irmandades das Mercês - composta por mulatos - e do Rosário - reservada aos negros. Portanto, Chica da Silva tinha renda para realizar doações a quatro irmandades diferentes, era aceita como parte da elite local composta quase que exclusivamente por brancos, mas também mantinha laços sociais com mulatos e negros por meio de suas irmandades. Apesar disto, como era costume da época, logo que foi alforriada passou a ser dona de vários escravos que cuidavam das atividades domésticas de sua casa.
     Chica da Silva faleceu em 1796. Como era costume na época, ela tinha o direito de ser sepultada dentro da igreja de qualquer uma das quatro irmandades a que pertencia. Foi sepultada dentro da igreja de São Francisco de Assis pertencente a mais importante irmandade local, um privilégio quase que exclusivo dos brancos ricos, o que demonstra que mantinha a condição social mais alta mesmo vários anos após a partida de João Fernandes para Portugal.(na foto abaixo de César Rocha, Diamantina MG)
Descendência
     Ao longo de sua vida, Chica da Silva teve quatorze filhos. O primogênito, Simão Pires Sardinha, era filho de seu antigo proprietário, Manuel Pires Sardinha e os outros treze do seu companheiro, João Fernandes de Oliveira. Chica e João Fernandes procuraram dar a melhor educação possível para seus filhos, de forma a garantir a sua inserção na sociedade. (na foto lado, de Elvira Nascimento, mostra o casarão, a esquerda, em que viveu Chica e o Contratador, em Diamantina MG) 
     Os filhos homens se mudaram para Portugal junto com o pai em 1770 e todos lograram sucesso profissional: João Fernandes de Oliveira Grijó, o primogênito masculino, tornou-se o principal herdeiro do pai, porém a cor escura que herdara da mãe representou um problema para encontrar uma esposa, tanto que casou aos 28 anos com uma portuguesa humilde, filha de lavradores; José Agostinho recebeu a patente de capitão de milícias no Tejuco; Simão Pires Sardinha, que teve uma participação não esclarecida na Inconfidência Mineira, tornou-se nobre e amigo do príncipe regente D. João VI.
     As filhas ficaram em Minas Gerais sob os cuidados de Chica, tendo sido mandadas para o Recolhimento de Macaúbas, onde as filhas da elite mineira eram recolhidas. Chica preocupou-se em garantir bons casamentos para as suas filhas, pois na época o matrimônio ou o recolhimento religioso configuravam as duas únicas alternativas para as mulheres ditas "honradas". Apesar de serem mulatas, muitas das filhas de Chica casaram com homens portugueses, denotando que a herança que receberam do pai lhes garantiu um dote razoável, capaz de garantir casamento com consorte de melhor condição.
     Segundo a historiadora Júnia Ferreira Furtado, o que se depreende da história dos descendentes de Chica é a dualidade da inserção social dos descendentes de libertos na sociedade mineradora. Se, por um lado, a fortuna que herdaram e a importância social do pai e dos ascendentes paternos foram elementos facilitadores, a origem negra e escrava da mãe constituíam empecilhos. Enquanto algumas das filhas de Chica casaram na igreja com homens portugueses, outras tiveram filhos naturais, outras nunca legitimaram suas uniões ou só encontraram refúgio no recolhimento religioso. Já os filhos, embora todos tenham ascendido socialmente, tiveram maiores dificuldades em se notabilizar. Eles frequentemente tiveram que esconder ou camuflar a origem negra e escrava do lado materno nos processos de investigação familiar, pois naquela época o mulatismo era impedimento para ocupar cargos de prestígio. E, por fim, a trajetória da família de Chica revela uma tentativa de "branqueamento" pois, na sociedade preconceituosa do Brasil colonial, era uma forma de aumentar as chances de ascensão social, vez que havia fortes mecanismos de exclusão com base na cor, raça e na condição de nascimento do indivíduo.
O mito
     A atriz Taís Araújo (foto ao lado) foi a protagonista da telenovela Xica da Silva.
Após a sua morte, Chica da Silva tornou-se desconhecida do grande público. Contudo, na segunda metade do século XIX, Joaquim Felício dos Santos, nas ''Memórias do Distrito Diamantino da Comarca do Serro Frio'', trouxe à tona a existência da ex-escrava. Posteriormente, a história de Chica foi revisitada por diversos autores em romances, peças de teatro, poemas e também no cinema e na televisão. A historiadora Júnia Ferreira Furtado, que escreveu a biografia de Chica em 2009, tece diversas críticas a esses trabalhos. Segundo ela, praticamente tudo o que se fez sobre Chica da Silva foi baseado tão-somente nas informações fornecidas por Joaquim Felício dos Santos, sem o devido aprofundamento histórico. Com isso, a história de Chica foi contada sem a devida preocupação com a construção da realidade, distanciando-se da real trajetória de vida dessa figura histórica e caindo na ficção.
     Em consequência, o que o grande público conhece de Chica da Silva é um mito no qual realidade e fantasia se misturam, a depender das intenções do autor. Júnia Ferreira Furtado faz uma crítica especial à telenovela Chica da Silva, responsável pela massificação do mito, asseverando que "os limites do erótico e do mau gosto foram ultrapassados, sem nenhum compromisso com a realidade do século XVIII, que tem sido revelada na sua multiplicidade e complexidade pela pesquisa histórica".
Exumação e documentário
     No dia 23 de novembro de 2015, seus restos mortais foram exumados para a realização de um documentário intitulado "A rainha das Américas". Peritos forenses realizaram o serviço, com o propósito de estudos e constatação de que a ossada realmente pertence a Chica. O documentário tem a direção da atriz Zezé Motta. (Fonte das informações: Wikipédia)

A cortesã que escandalizava a corte no século XIX

Ana Jacinta de São José, conhecida como Dona Beja nasceu em Formiga em 2 de janeiro de 1800, falecendo em Bagagem (atual cidade de Estrela do Sul) em 20 de dezembro de 1873. Foi uma personalidade influente no século XIX na região de Araxá, Minas Gerais.
Essa é uma das telas de Camon Barreto, artista famoso na cidade e região. Tela exposta no Museu Calmon Barreto
     Ela chegou a Araxá com os avós em 1805. À medida que se tornava moça, a beleza de Ana ia causando inveja nas outras mulheres. Durante toda a vida, Dona Beja, como ficou conhecida, irritou as mulheres e encantou os homens. Apaixonada pelo fazendeiro Manoel Fernando Sampaio (Antonio?), Ana Jacinta tornou-se sua noiva. O noivo lhe deu o apelido de “Beja” por compará-la à doçura e à beleza da flor “beijo”, mas a pronúncia sempre foi Beja, sem o i.
     Em 1815, a bela jovem é raptada pelo ouvidor do Imperador, Joaquim Inácio Silveira da Motta, que fica fascinado com sua beleza. Por dois anos, Beija viveu como amante do ouvidor na Vila do Paracatu do Príncipe. Depois disso, ele retorna para Portugal e Ana Jacinta retorna a Araxá assim que recebe a notícia que seu ex-amor Antônio havia casado com outra.
     Ao chegar a Araxá, ela encontrou um ambiente hostil. A conservadora sociedade local não a via como vítima, mas como uma mulher sedutora de comportamento duvidoso. Entretanto, as mulheres da cidade, consideravam-na um grande risco para os valores éticos da época e sendo assim, tornou-se uma pessoa indesejada e marginalizada pela sociedade.
     Para vingar-se de Antônio, por ele ter casado com outra, Ana Jacinta resolveu prostituir-se e tornar-se amante de todos os homens que estavam casados com as mulheres que a condenaram.
     Ajudada por seus amigos, construiu uma magnífica casa de campo, com o intuito de ali instalar um luxuoso bordel, conhecido como a “Chácara do Jatobá”. Dona Beija, como passou a ser conhecida, deitava a cada noite, com um homem diferente se este lhe pagasse bem, mas à condição de poder decidir com quem dormir. Ela se tornou célebre, atraindo os homens das regiões mais remotas, para conhecer os seus encantos: esses a cobriram de dinheiro, jóias e pedras preciosas.
Neste Fonte, no Parque das Águas de Araxá, Dona Beja costumava se banhar. Em seu interior pintura em azulejos retratam a cortesã em meia idade.
     A lenda conta a existência de uma “Fonte da Jumenta”, água miraculosa, que concedia juventude, saúde e beleza a Dona Beija e onde ela banhava-se todos os dias.Conta-se que Dona Beija jamais esqueceu Antônio e que permaneceu sempre o seu grande amor. Uma noite, movido pela embriaguez, invadiu a “Chácara do Jatobá” e D. Beja terminou por escolhê-lo, dormiu com ele, engravidou e deu à luz uma menina.
     Dona Beja quem ordenou para que matassem Antônio, a fim de vingar-se da família dele que era contra o caso amoroso entre o seu filho e Dona Beja. Ela, por causa disso, foi à justiça, mas seria libertada com a ajuda dos seus fiéis amigos.
     Beja decidiu partir de Araxá com a filha em meados de 1853, num cortejo formado por carroças bem talhadas, a fim de transformar sua vida, se mudando para Bagagem (hoje Estrela do Sul). (na foto abaixo Dona Beja já idosa)
Ela passou a morar numa casa grande com uma senzala nos fundos onde ficavam os escravos. Dona Beja também chegou a tocar garimpo e ganhou muito dinheiro com os diamantes que encontrou.
     Pouco antes de morrer, dona Beja deixou-se fotografar. Doente, se pôs de pé, apoiada numa cadeira.
     Em 20 de dezembro de 1873, diz a lenda que, ela faleceu com tuberculose devido a intoxicação com metais utilizados no garimpo. Ela foi enterrada em um caixão com adornos em zinco, cuja, suspeita-se ter sido encontrado em junho de 2011, durante escavações para construção de um chafariz, na cidade de Estrela do Sul, na praça da Igreja Matriz, onde havia o antigo cemitério da cidade.
     A telenovela brasileira produzida pela Rede Manchete, Dona Beja, foi inspirada em sua vida. (Fonte da matéria: Wikipedia)

domingo, 1 de maio de 2016

Cachoeira do Tabuleiro: a maior de Minas

(Por Arnaldo Silva) Com 273 metros de queda, a  Cachoeira do Tabuleiro é a maior de Minas Gerais e a terceira maior cachoeira do Brasil. Está localizada em Conceição do Mato Dentro - MG, município distante 167 km de Belo Horizonte via MG 010, na divisa com os municípios de Serro, Dom Joaquim, Congonhas do Norte e Gouveia.
          Cercada por um imponente maciço rochoso com tons avermelhados, a Cachoeira do Tabuleiro impressiona por sua beleza única e singular. (foto acima e abaixo Tom Alves/tomalves.com.br) No entorno da Cachoeira, campos rupestres, matas de Cerrado e pequenas manchas de matas de galeria, completa um dos mais belos cenários naturais do Brasil.
          As águas que caem a 273 metros formam um poço com 18 metros de profundidade e  700 m² de diâmetro.O fundo do poço é formado por grandes blocos de pedras submersos, por isso, saltos e mergulhos radicais não são aconselháveis e sim, entrar na água naturalmente, desfrutando de sua energia e beleza. Devido a pouca incidência de raios solares e constante correntes de vendo, a temperatura da água do poço formado pela cachoeira sempre fica abaixo dos 20ºC, um convite a um refrescante banho em dias de calor, numa água de tom escuro, natural da região, limpa e cristalina.(foto acima e abaixo de Tom Alves/Tomalves.com.br)
           Suas águas formam seguem o curso do rio Ribeirão, adentrando em grandes vales, formando pelo caminho pequenos poços entre pedras. 

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