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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Igreja do Carmo: a igreja da torre nos fundos

(Por Arnaldo Silva) A Igreja de Nossa Senhora do Carmo em Diamantina, no Alto Jequitinhonha, é um dos mais belos templos do período Colonial brasileiro. (fotografia acima de Giselle Oliveira)  Datada do século XVIII, teve como benfeitor João Fernandes de Oliveira, o Contratador de Diamantes do Arraial do Tejuco, hoje Diamantina, marido de Chica da Silva. A Igreja foi construída em frente à sua residência.  É rica em detalhes, com os altares laterais e o altar-mor da nave banhados em ouro, além de pinturas e obras sacras magníficas feitas por grandes artistas da época como José Soares de Araújo, Manoel Pinto e por fim, a Igreja ganhou obras de Antônio Francisco Lisboa, o Mestre Aleijadinho. O contratador mandou instalar na Igreja, um órgão movido a fole, com mais de 750 cânulas e até hoje em funcionando perfeitamente.
          Mas um detalhe nesta igreja a diferencia das outras igrejas da cidade e de Minas Gerais. (foto acima de WDiniz) Não tem torre na frente. A torre principal da Igreja do Carmo fica nos fundos. Mas por quê?
          Mesmo o todo poderoso Contratador de Diamantes, João Fernandes, não podia burlar as regras impostas pela igreja. Uma dessas regras era clara quanto a entrada de escravos forros ou não dentro dos templos. Pelas normas da Igreja, os negros não podiam ultrapassar o espaço das torres. Ou seja, não podiam passar da porta de entrada das igrejas. 
          Nessa regra incluía sua mulher, Chica da Silva, negra alforriada. Não podia passar da porta das igrejas. 
          Essa norma causou desentendimentos entre o Contratador e os membros da Ordem Terceira do Carmo, responsável pelo templo. Esse desentendimento fez com que João Fernandes arcasse sozinho com os custos de construção da Igreja. 
          Como era ele quem estava pagando todo o custo da obra, ordenou aos construtores que a torre principal fosse mudada no projeto original, saindo da frente da igreja, como era normal e sendo construída nos fundos. Esta foi a solução que João Fernandes encontrou para não causar mais atritos com o Clero. (foto abaixo de WDiniz)
          Assim, sua mulher, que para a sociedade da época era amante, pôde frequentar a igreja, com sua côrte, sem ferir as leis da Igreja na época. Como a torre fica no fundo e a norma era de que negros não podiam ultrapassar o espaço das torres, ela pôde entrar normalmente dentro da igreja  e participar das celebrações religiosas.
          Essa atitude do Contratador foi uma das várias provas de amor à sua amada mulher, Chica da Silva, demonstrada publicamente.

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