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sábado, 30 de novembro de 2019

Os 10 melhores doces de leite mineiros

     Todos os anos, o site Doces de Minas, promove a eleição dos 10 melhores doces de leite de Minas Gerais. O site é uma loja virtual que comercializa direto do site doces e queijos mineiros de altíssima qualidade. A loja física do Doces de Minas está no Aeroporto Internacional de Confins MG, na Grande Belo Horizonte.
     A eleição dos melhores doces de leite do ano é aguardada com ansiedade pelos produtores, clientes do site e demais pessoas que fazem questão de votar em seus doces preferidos. 
     A tradição doceira dos mineiros vem de séculos, estando o doce de leite sempre presente na mesa e vida dos mineiros. Cada região do Estado tem suas particularidades como clima, altitude, manejo do gado e até modo de fazer o doce. Mesmo sendo a mesma receita, os doces não são iguais, justamente pela regionalização, fatores culturais, tradicionais e geográficos.
     A cada ano, nossos doceiros vêm inovando, investindo em melhores conhecimentos para produzirem um doce de leite pastoso, que se aproxime ao máximo do doce de leite tradicional caseiro, com o mínimo possível de adição de outros ingredientes. Os resultados podem perceber na qualidade dos nossos doces oferecidos no mercado.
     Esse é um dos motivos que o Portal Conheça Minas, divulga a lista dos 10 melhores doces de Minas Gerais promovido pelo Doces de Minas, um site com enorme credibilidade e confiança. Todo o processo para a escolha dos melhores doces de leite é feito de forma transparente, sem cobrança de taxas dos inscritos, que também não podiam participar da organização da eleição, que é aberta ao público.
     A primeira fase do concurso teve a participação popular online no site Doces de Minas, com votação aberta ao publico para escolha dos doces pastosos tradicional, sem mistura de outros sabores. 

     O internauta pôde votar apenas uma única vez e teve à disposição, sugestão de marcas selecionadas pelos organizadores de doces pastosos tradicionais, sem a mistura de outros sabores, com rótulos e registros produzidos em Minas Gerais, cujas marcas estejam disponíveis no mercado. 
     Como em todos os municípios mineiros são fabricados doces de leite e cada um tem sua preferência, foi dada oportunidade aos internautas de sugerirem para votação, marcas de doces que não estavam na seleção apresentada pelos organizadores.
     Nesta eleição foram 4.303 internautas que votaram e os 10 mais votados foram para análises dos degustadores que analisaram os doces de acordo com a cor, aroma, brilho, cremosidade, textura, doçura, sabor, consistência, ingredientes, rótulo e até as embalagens das marcas.
     A partir da degustação e análises dos especialistas, chegou-se ao resultado final, do 1º ao 10º colocados. 
São esses os 10 melhores doces de leite de Minas Gerais, com resultado divulgado em dezembro de 2019. 

10º - Reserva de Minas
Feito com 50% mais leite e 50% menos açúcar do que o normal, o Nata Suíça da Reserva de Minas criou um doce de leite muito delicado com sabor bem suave, a textura muda para um pastoso com algumas partes macias, parecido com o doce de leite natado talhado, com a cor branquinha quase como o leite. Aliás falando nele, o aroma do leite é muito presente. Usam apenas 4 ingredientes também nessa receita familiar.

É um dos mais vendidos no Mercado Central de Belo Horizonte, sua popularidade vem desde 1998 quando foi criada a receita secreta da família la dá cidade de Machado, no sul do Estado.

9º - Tatitânia
Uma das maiores indústrias de laticínios do sul de Minas, o doce de leite Tatitânia se destaca desde 1992 por ter mantido um sabor caseiro mesmo após o grande crescimento da fábrica. 

Produzido em Poços de Caldas, a receita é uma combinação entre a tecnologia e o manuseio caseiro dos funcionários. O controle da qualidade é impecável, com todas as análises físico químicas e controle de antibióticos no leite.

Seu sabor e aroma lembra muito os doces de leite argentinos e uruguaios, com aquela pegada da baunilha e caramelo.

8º - Nevada
A partir da pequenina loja no interior de Minas para atender os viajantes, a Nevada foi ganhando admiradores ano após ano. 

Mais que uma parada na beira da estrada na cidade de Carmópolis de Minas, a Nevada é um local cheio de recordações. Ela traz lembranças de viagens, diversão a muitos de nossos clientes que frequentavam quando crianças e que agora levam os seus filhos para fazer parte desse momento especial com a família.

O doce de leite deles é natural, daquele tipo mais claro, com apenas 3 ingredientes e validade curtíssima de apenas 2 meses no potinho plástico.

07 - Viçosa
Um nome que carrega desde 1980 a responsabilidade de representar o principal doce de leite mineiro de qualidade para todo o Brasil, vencedor de nada mais que 10 prêmios de Melhor Doce de Leite do Brasil no Concurso Nacional de Produtos Lácteos. Ele já marcou presença em programas famosos como da Ana Maria Braga, Fátima Bernardes na Globo e alguns culinários da GNT.

Uma curiosidade que poucos sabem é que na Copa do Mundo da Fifa de 2014, a seleção Uruguaia ficou sediada em Sete Lagoas MG e recebeu um belo presente quando durante seu desembarque no Brasil, perdeu um carregamento precioso: 39 quilos de doce de leite típico do país, escolhido a dedo como sobremesa e amuleto dos jogadores. A bagagem foi confiscada ainda no aeroporto de Confins, em Minas Gerais, por problemas de documentação. O episódio passaria em branco não fosse uma ação de marketing da Doce de Leite Viçosa, marca que abasteceu os jogadores da seleção Celeste com 40 quilos de doce brasileiro. O chef da delegação, Felipe Rangel, contou que “quatro quilos de doce sumiram ainda no primeiro jantar após a entrega”.

Não temos nada de mal para falar do Viçosa, ele continua com a qualidade impressionante de sempre, mantendo um padrão impecável de qualidade (não dê ouvidos para algumas pessoas que dizem que ele perdeu qualidade com o aumento da produção e da demanda).

6º - Boreal
Com a receita criada pelo Sr. Bartolomeu em Rio Pomba, sul de Minas, ele está entre os doces de leite com a menor validade no Brasil: apenas 4 meses.

De coloração mais clarinha, ele é daqueles que realça bem o aroma e sabor do leite, o que o faz a melhor combinação ao lado de um arroz doce.

Ele já emplacou um terceiro lugar surpreendente na edição de 2016 do Concurso Nacional de Produtos Lácteos, onde o Viçosa conquistou a medalha de ouro. Desde nosso último concurso a sua embalagem passou por um redesign e ficou bem mais bonita e moderna, mantendo a lata tradicional de 800g.

5º - Majestic
Feito no sul de Minas, na cidade de Alfenas, o Majestic é uma das marcas mais antigas dessa lista com 40 anos, atualmente administrada pelo neto do fundador, a empresa ruma à quarta geração da família.

Comentavam por aí que é o doce de leite favorito do Rogério Flausino e Wilson Sideral da banda Jota Quest, que também são de Alfenas, até que um dia eles responderam nosso post no Instagram confirmando essa lenda.

Sua cor é bege clarinha, tem uma textura lisa sem perceber nenhum cristal de açúcar. É um doce de leite suave, fica ótimo com queijo frescal ou um pudim de leite condensado geladinho.
Um grande charme dele é a lata que possui um design vintage de 40 anos atrás, com uma cor “amarelão radioativo” que chama muita atenção nas prateleiras.

4º - Rancho Paraíso
Esse produtor é espetacular. Pouco conhecido ainda, difícil de encontrar. Tem um sabor bem equilibrado e aquela presença muito forte do leite. A produção também é extremamente caseira, como da pra perceber na sua coloração bem clarinha, quase branca, e a consistência mais líquida do que firme.

Utiliza apenas 3 ingredientes, é daqueles puristas clássicos como o Rocca e o Sabores do Grama. Seu concorrente direto com características bem parecidas seria o Reserva de Minas Nata Suíça, que também é muito bom.

Sua validade é de apenas 2 meses, um doce de leite raro de encontrar, ainda mais dentro da validade, e após aberto é preciso consumir rápido.

3º - Ubari
Eleito esse ano o 2º Melhor Doce de Leite do Brasil no Concurso Nacional de Produtos Lácteos – CNPL 2019, o Ubari saiu lá da cidade de Ubá na Zona da Mata de Minas pra ficar atrás apenas do onipresente Doce de Leite Viçosa.
Possui coloração não muito escura e nem muito clara, consistência muito cremosa e sabor suave, bem equilibrado na doçura. É daqueles produtores cuidadosos que na fabricação usam apenas o leite da propriedade particular para garantir a qualidade e padrão do sabor.

O seu charme vem da simplicidade do pequeno pote não muito caro, com 400g, que revela um doce incrível, de sabor simples mas essencial para um excelente doce de leite caseiro. Ele encaixa naquele meio termo para quem não quer um doce de leite muito escuro e nem muito claro.

2º - Sabores do Grama
Fabricado por um grupo de doceiras na cidadezinha de Santo Antonio do Grama, próximo a Ponte Nova e ao Pico da Bandeira, na Zona da Mata, elas se uniram e criaram uma associação de produtoras para produzir o doce de leite artesanal Sabores do Grama.

A decoração da compota tem o tecido de xita na tampa, que fica muito ao estilo doce caseiro da vovó, ótimo para presentear. Todo o leite é produzido por eles próprios e usada ainda fresco.

A textura é consistente, bem firme. A versão mais charmosa desse doce é o doce de leite tradicional acompanhado propositalmente de raspas queimadas do fundo do tacho, o único produtor que comercializa os doces hoje em dia dessa forma, e é sensacional essa degustação “meio diferente”. A turma que sempre raspa o fundo da panela de brigadeiro sabe do que estou falando.

1º - Doce de Leite Rocca
Desde 2015 o Rocca vem evoluindo e conquistando todo o Brasil ano após ano. A receita tradicional que vem lá de Pouso Alegre-MG na fazenda do Sr. José Barbosa serviu de inspiração para a Rosi e o Raphael, filha e genro, que a adaptaram para uma nova tendência do mercado mais saudável, natural, e saborosa, elimando todo tipo de conservante, e usando o leite do gado da própria fazenda e da cooperativa da região em sua produção.

O doce é saboroso sem ser enjoativo, equilibrado, de coloração mais escura, o que demonstra que ficou mais tempo no tacho. É comum encontrá-lo nos grandes eventos gastronômicos pelo Brasil como o Festival Fartura e recentemente as famosas panquecas doces do Jack Daniels BBQ realizado em outubro em São Paulo.
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Link original:https://docesdeminas.com/melhores-doces-de-leite-2019/ - Instagram: @docesdeminas
Fotos e análise dos 10 doces selecionados: reprodução site www.docesdeminas.com

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Epamig desenvolve o kefirgerante

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), no Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), em Juiz de Fora, na Zona da Mata, desenvolveu uma pesquisa que aproveita o soro permeado do leite, última etapa do líquido extraído pelas indústrias de laticínios, para a fabricação de uma bebida fermentada carbonatada à base de kefir. (foto ao lado de Júnio de Paula) O nome pode parecer estranho, mas o responsável pelo produto e por batizá-lo de “kefirgerante”, o pesquisador Junio de Paula, garante que o sabor é muito bom.
     O kefirgerante atende à demanda da indústria laticinista, cada vez mais em busca de tecnologias para aproveitar resíduos nutritivos que não são utilizados, como o soro permeado do leite. A cada ano, milhões de litros de permeado são descartados na natureza por indústrias de laticínios do país. O tema foi objeto de discussão da dissertação de mestrado de Juliene Duarte, trabalho orientado por Junio.
     A ideia de desenvolver o kefirgerante surgiu da necessidade de dar um fim útil a esse material, que possui altos teores de cálcio, sais minerais e vitaminas. De acordo com Junio, o kefirgerante cumpre uma missão tripla: além de reduzir os impactos ambientais negativos, ajuda a nutrir as pessoas e aumenta a lucratividade das indústrias, que poderão vender soro permeado.
     O produto é uma evolução do “refrigerante do bem”, bebida que também foi desenvolvida pela Epamig-ILCT em 2016. Ainda de acordo com o pesquisador, o diferencial do kefirgerante, por se tratar de um produto à base de kefir, são as bactérias láticas viáveis e as leveduras potencialmente probióticas presentes na bebida. O resultado mais relevante alcançado até o momento foi o desenvolvimento de um protótipo que vem sendo apresentado em congressos, feiras e concursos.
     O processo de fabricação do kefirgerante é feito com adição de gás carbônico (CO2) ao permeado de soro fermentado. A adição do gás, além de estratégia sensorial, é uma forma de controle microbiológico. O produto, que possui coloração translúcida, ainda pode ser acrescido de outras proteínas lácteas.
     “As bebidas fermentadas translúcidas, que possuem bactérias láticas e leveduras, constituem uma alternativa aos produtos lácteos fermentados, como os iogurtes, ou aos refrigerantes comerciais que possuem apenas calorias vazias e não oferecem aporte de nutrientes como sais minerais e vitaminas, necessários à manutenção da saúde”, destaca Junio.
Mercado
     O kefirgerante possui grande potencial de mercado. As projeções vêm de comparações e análises de características do produto, como sabor e valores nutricionais. Os desafios para a expansão da produção, contudo, estão concentrados na aquisição de equipamentos por parte das indústrias e em alguns aspectos da legislação brasileira.
     A bebida é considerada tão refrescante quanto os refrigerantes tradicionais. Além disso, o produto apresenta teor de lactose reduzido. Para a indústria, as vantagens são ainda mais atrativas. As tecnologias para a fabricação do kefirgerante são simples e os custos de produção são baixos.
     “O produto pode competir, com vantagens, no mercado de bebidas lácteas, de sucos e de refrigerantes. A cadeia de aproveitamento do leite está completa, não existe desperdício. A indústria, que já usa o concentrado para elaboração de queijos e outros produtos lácteos, passará a utilizar o permeado [soro] para a elaboração do kefirgerante”, projeta Junio de Paula, que trabalha em parceria com estudantes e professores do mestrado profissional em Ciência e Tecnologia de Laticínios da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Prêmios em concursos
     O kefirgerante, foi premiado com o terceiro lugar na edição mais recente do Say Cheese Zone, competição de inovação que faz parte do Simpósio Tecnológico InnovaCheese. A premiação ocorreu em 21/11, no ILCT, em Juiz de Fora.
O Inovaleite, grupo responsável por organizar o concurso, é formado por professores e pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade de Campinas (Unicamp), UFJF e ILCT. O grupo trabalha com a ciência do leite e de derivados e promove concursos como esse para promover tecnologias capazes de impulsionar o setor laticinista do Brasil.
     A Epamig é uma empresa vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) - 
(Com Agência Minas)

terça-feira, 26 de novembro de 2019

É de Alto Caparaó o melhor café do Brasil

O café é uma das identidades mineiras e símbolo maior da agricultura de Minas Gerais. O Estado é responsável por mais da metade do café produzido no Brasil. É o maior produtor de café do país e um dos maiores do mundo. O setor cafeeiro exerce um grande papel social em Minas, gerando emprego e renda para milhares de famílias produtoras e trabalhadores rurais. Estima-se que o setor gera três milhões de empregos, diretos e indiretos. 
     É claro, fato e notório que o café de Minas Gerais é de altíssima qualidade, recebendo constantes premiações nacionais e internacionais. O diferencial do café mineiro é o seu sabor e aroma, graças ao clima de nossas montanhas, à altitude, aos sistemas de produção utilizados desde o plantio, colheita e torrefação. Os mineiros investem em qualidade das mudas, das terras e investem em tecnologias de ponta. Por isso que o café de Minas Gerais domina o mercado nacional e vem conquistando cada dia, o mercado mundial. 
     Pela importância de Minas Gerais para a economia do setor e por ser o maior produtor de café do Brasil, Minas Gerais foi sede da Semana Internacional do Café (SIC), grande encontro de profissionais do mercado de café, reunindo cafeicultores, torrefadores, classificadores, exportadores, compradores do food-service, fornecedores, empresários, coffee lovers, proprietários de cafeterias, apreciadores da bebida e baristas que são profissionais especializados em preparar café de alta qualidade, servir cafés expressos, preparar bebidas à base de café e leite vaporizado, além de criarem cardápios com diversas bebidas à base do grão. 
     O evento foi realizado no Expo Minas, em Belo Horizonte, no mês de novembro de 2019, com apresentação de diversas ações a milhares de profissionais do mundo focadas nas áreas de Mercado & Consumo, Conhecimento & Inovação e Negócios & Empreendedorismo.
     O ponto culminante e mais emocionante da Semana do Café foi Coffee of The Year (COY) – edição 2019, com a avaliação e premiação dos melhores cafés do Brasil. Durante três dias, jurados e públicos presentes no evento analisaram 500 amostras de dois tipos de cafés: conilon e arábica, que é o tradicional e predominante em Minas Gerais. Das 500 amostras, restaram 180, até chegarem aos finalistas, na prova final. 
     Minas Gerais dominou esse concurso. O café do ano, produzido pelo produtor Willians Valério Júnior, do Sítio Recanto dos Tucanos de Alto Caparaó MG, na Zona da Mata, foi eleito o melhor café do Brasil. Os produtores Neuza Maria e Luiz Cláudio de Muqui, no Espírito Santo, levaram o prêmio no café conilon.
     Nas edições do COY em 2014 e 2015, o café produzido pelo produtor Clayton Barrosa Monteiro, também de Alto Caparaó MG, foi bicampeão. Uma prova da vocação e alta qualidade do café produzido neste município.
Veja o resultado do Coffee of the Yer (COY – Edição 2019) 
Café Arábica
1º lugar -
Sítio Recanto dos Tucanos - Wíllians Valério - Alto Caparaó (MG)
2º lugar - Sítio Rancho Dantas - Leidiomar Moreira Menegueti – Brejetuba (ES)
3° lugar - Café Portilho - Gislene da Silva Portilho – Luisburgo (MG)
4º lugar - Sítio Joia da Forquilha - Jose Emilio Magro - Espera Feliz (MG)
5º lugar - Fazenda Uaimii - Mareio Alves de Oliveira - Ouro Preto (MG)
6º lugar - Fazenda São João Grande - André Campos - Presidente Olegário (MG)
7º lugar - Fazenda Kutz - Sivanius Kutz – Itarana (ES)
8º lugar - Sítio Refúgio do Cedro - Cedro do Carmo – Iúna (ES)
9º lugar - Fazenda Bom Jesus - Lucas Lancha - Cristais Paulista (SP)
10° lugar - Sitio Indaia - Neusa Venturin Pansini – Venda Nova do Imigrante (ES)
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O Café do Sítio Recanto dos Tucanos é sintrópico 
     O café vencedor no Coffee of The Year – 2019 é cultivado em Alto Caparaó pelo sistema de Agricultura Sintrópica. A característica desse sistema é a organização, integração, equilíbrio e preservação de energia no ambiente, ou seja, melhorar a qualidade das plantas, sem alterá-las geneticamente ou destruí-las. É o manejo sustentável da natureza, sem a utilização de agrotóxicos. Esse sistema procura evitar o máximo de interferência humana no meio ambiente. 
     Foi criado e difundido por Ernest Götsch, agricultor r e pesquisador suíço, nascido em Raperwilsen, em 1948. Em suas pesquisas por melhoramento genético, indagava a si mesmo se não seria mais sensato melhorar também a qualidade das plantas, do ar, das nascentes e rios, ao invés de alterá-los com desmatamentos para implantar monoculturas, soterramentos, modificações, etc. Assim começou a redirecionar o seu trabalho para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável. 
     A ideia é ao invés de destruir a natureza, tê-la como aliada, preservando-a. A partir dos anos 1980 essa técnica começou a ser implantada no Brasil e hoje vem se tornando uma tendência, principalmente entre os pequenos e médios produtores rurais, que contam com apoio de órgãos governamentais, no caso de Minas Gerais, Emater, IEF, Epamig e Ima.
     A técnica consiste em cultivar as plantas em linhas paralelas, intercalando espécies de portes e características diferentes, visando o aproveitamento máximo do terreno, e levando em consideração a manutenção, preservação e reintrodução das espécies nativas. Na prática, são feitas capinas seletiva, onde as plantas nativas já maduras, como gramíneas, herbáceas e trepadeiras são removidas e feitas podas em árvores e arbustos. O que é capinado e podado não é descartado, volta para a natureza. É espalhado sobre o a terra. Assim, os nutrientes dos galhos e folhagens alimentam o solo. Serve como adubo. Mesmo na monocultura, as partes que não são comercializadas voltam para o solo. Nada é descartado. Isso ajuda no desenvolvimento saudável da vegetação e preserva o lençol freático. 
     O sucesso dessa técnica requer um dado importante. Não se devem usar nunca inseticidas, herbicidas e nem fertilizantes. Os orgânicos também não são usados, a não ser que seja oriundo da própria área cultivada. 
     Um dos problemas que mais incomodam os agricultores hoje são os insetos e organismos vivos que povoam as lavouras e tiram o sono dos produtores rurais. Nesse tipo técnica, sintrópica os insetos não são vistos como inimigos das lavouras. São sinalizadores de deficiências no sistema, e ajudam o produtor a compreender as necessidades ou falhas daquele cultivo. Resumindo, esse método permite a recuperação em curto período de pastos abandonados, cujos solos sofreram ao longo dos anos forte degradação, devolvendo ao solo a vida e capacidade produtiva.
     Assim é o café produzido no Sítio Recanto dos Tucanos, sem agrotóxicos, herbicidas e nem fertilizantes. Café naturalmente mineiro, de altíssima qualidade, agora no seleto grupo dos melhores do Brasil e do mundo.
(Reportagem de Arnaldo Silva, tendo como fontes o Portal Alto Caparaó MG, Emater, site da Semana Internacional do Café e Wikipédia. Fotografias do arquivo de Willians Valério Júnior, gentilmente enviadas pela Aparecida do Portal Alto Caparaó/MG) 

sábado, 23 de novembro de 2019

A história e origem da Folia de Reis

     Folia de Reis, Reisado ou Festa de Santos Reis (em Portugal diz-se Reisada ou Reiseiros), é uma manifestação católica, cultural e festiva, classificada sobretudo no Brasil como manifestação folclórica, comemorativa da festa religiosa da Epifania do Senhor ou Teofonia, que se caracteriza por celebrar a Adoração dos Magos ao nascimento de Jesus Cristo.
Na foto acima, de Luis Leite, Folia de Reis em Guaranésia MG, Sul de Minas
     A denominação fala dos festejos entre o natal e o Dia de Reis – 6 de janeiro – e diz respeito tanto ao "cortejo de pedintes, cantando versos religiosos ou humorísticos, como os autos sacros, com motivos sagrados da história de Cristo (...) no Brasil, sem especificação maior, refere-se sempre aos ranchos, ternos, grupos que festejam o Natal e Reis" na definição do folclorista Câmara Cascudo, que completa: "o reisado pode ser apenas a cantoria como também possuir enredo ou série de pequeninos atos encadeados ou não".
     Nestes festejos existem elementos musicais com a presença de vários instrumentos (desde acordeons, violões, violas, cavaquinhos, reco-reco, caixas, pandeiros, etc.) em que os participantes do reisado visitam as casas de porta em porta com sua cantoria, lembrando a viagem dos Reis Magos para levar ao Menino Jesus seus presentes de ouro, incenso e mirra. Esta manifestação revela a combinação de duas figuras da teologia: a epifania (como sendo a aparição ou manifestação divina, no caso a primeira manifestação de Jesus entre os gentios) e a hierofania (manifestação do sagrado em objetos, formas naturais ou pessoas); reúne, assim, elementos sagrados e profanos. (foto abaixo de Amauri Lima em São João Batista do Glória MG)
Histórico
     A devoção aos chamados "Reis Magos", figuras lendárias e imaginárias, ocorria em toda a Europa durante a Idade Média; isto se deveu ao traslado em 1164 para a Catedral de Colônia, na atual Alemanha, dos supostos restos mortais dos três reis como despojos de guerra por Frederico Barba-Ruiva, para onde haviam sido levados a Milão como presente da rainha Helena de Constantinopla por volta do século IV ou V.
     Durante esse período registros iconográficos da visita dos Reis Magos foram sendo feitos em catacumbas, quadros, retábulos, sarcófagos, etc., e fizeram de Colônia um alvo de peregrinações religiosas, tais como ocorriam em outras regiões consideradas sagradas; neste contexto de romarias surgiram cantos populares de grande importância no medievo europeu, chamados Noëls em França ou Villancicos, em Espanha. (foto abaixo de Vania Pereira em São Tomé das Letras MG)
     Em Portugal sofreram esses cânticos a adição do teatro de Gil Vicente e, no Brasil, de José de Anchieta e Manuel da Nóbrega, servindo de base às manifestações existentes no país conhecidas como reisados, boi-de-reis, pastorinhas, boi-de-janeiro e folia de reis, com manifestações registradas sobretudo nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, com menor regularidade na Bahia, Rio de Janeiro (onde os grupos realizam folias até o dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião, o padroeiro do estado), Mato Grosso, Maranhão e Paraná, havendo registros de que ocorria até no Rio Grande do Sul.
     Na cultura tradicional brasileira, os festejos de Natal eram comemorados por grupos que visitavam as casas, tocando músicas alegres em louvor aos "Santos Reis" e ao nascimento de Cristo; essas manifestações festivas estendiam-se até a data consagrada aos Três Reis Magos, 6 de janeiro, trazida ainda no período colonial pelos portugueses e hoje é uma tradição que se mantém viva em muitas regiões do País, sobretudo nas pequenas cidades dos estados de Minas Gerais, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, Goiás, São Paulo dentre outros.
Folia de Reis no Brasil
     Câmara Cascudo registrou assim à folia de Reis da cidade alagoana de Viçosa que assistira em 1952: "tinha vários motivos, lutas do rei com os fidalgos, até que era ferido, depois de prolongado duelo a espadas, sempre solando e sendo respondido, em repetição e uníssono, por todo o grupo, espetaculosamente vestido e com coroas e chapéus estupefacientes, espelhos, aljôfares, fitas, panos vistosos com areia brilhante, etc.". (foto ao lado de Luis Leite em Guaranésia MG)
     No Brasil, a visitação das casas, que dura do final de dezembro até o Dia de Reis, é feita por grupos organizados, muitos dos quais motivados por propósitos sociais e filantrópicos. Cada grupo, chamado em alguns lugares de Folia de Reis, em outros Terno de Reis, é composto por músicos, tocando instrumentos, em sua maioria de confecção caseira e artesanal como tambores, reco-reco, flauta e rabeca (espécie de violino rústico), além da tradicional viola caipira e do acordeão, também conhecida em certas regiões como sanfona, gaita ou pé-de-bode. (foto abaixo de Luis Leite em Guaranésia MG)
     Além dos músicos instrumentistas e cantores, o grupo muitas vezes se compõe também de dançarinos, palhaços e outras figuras folclóricas devidamente caracterizadas, segundo as lendas e tradições locais. Todos se organizam sob a liderança do mestre da folia e seguem com reverência os passos da bandeira, cumprindo rituais tradicionais de inquestionável beleza e riqueza cultural.
     As canções são sempre sobre temas religiosos, com exceção daquelas tocadas nas tradicionais paradas para jantares, almoços ou repouso dos foliões, onde acontecem animadas festas com cantorias e danças típicas regionais como catira, moda de viola e cateretê. Contudo ao contrário dos reis da tradição, o propósito da folia não é o de levar presentes mas de recebê-los do dono da casa para finalidades filantrópicas, exceto, obviamente, as fartas mesas dos jantares e as bebidas que são oferecidas aos foliões. (foto abaixo de Thelmo Lins em Pedra Azul MG)
Boi de Reis
     O Boi de Reis, que recebe diversas outras denominações no Brasil, seria o "folguedo brasileiro de maior significação estética e social", no dizer de Renato Almeida; ocorre de meados do mês de novembro até o Dia de Reis (6 de janeiro) como parte do ciclo de Natal, estendendo-se até o carnaval de modo reprovado pelos que defendem a tradição.
     Sua origem se dá no final do século XVIII, surgindo inicialmente nos engenhos e fazendas de gado do litoral e depois se interiorizando; sua origem é controversa e plural, havendo pesquisadores que encontram referências tanto às culturas europeias como, sem comprovação, africana; havia em Espanha e Portugal a presença de um boi falso feito de arcabouço e coberto com pano com uma pessoa dentro que, antecedendo as figuras dos reis magos nos desfiles, afastavam o povo pulando e dançando.
Apesar das possíveis influências, o festejo do Boi é manifestação típica e única do Brasil.
Grupos Incrementados
     Uma das formas de sobrevivência da manifestação folclórica, especialmente nas grandes cidades, foi a incorporação nos Ternos de elementos figurativos, com a finalidade de promover apresentações para turistas e para os próprios habitantes e trazendo alegria para todos. (foto abaixo de Luis Leite em Guaranésia MG)
Integrantes
Três reis magos: participantes que personificam os reis que visitaram o Menino Jesus, quando ele nasceu: Baltasar, Belchior e Gaspar.
Palhaços (bastiões): geralmente dois ou três. Eles têm o costume de se chamar de irmãos e possuem obrigações e proibições específicas (como jamais dançar diante da Bandeira). Sua principal função é a proteção da bandeira e a solução do letreiro (que funciona como um enigma) feito pelo dono da casa com folhas e flores, por exemplo, se são colocadas as letras VSR; eles falam um verso para cada letra e dizem o significado, ou seja Viva Santos Reis (VNSA — Viva Nossa Senhora Aparecida, VJC — Viva Jesus Cristo). Eles realizam acrobacias. Usando um bastão vestem-se com máscaras, portam um apito com o qual marcam a chegada e a partida da bandeira, durante as exibições dos palhaços, os espectadores atiram moedas ao chão, em frente a eles para homenageá-los. Eles, então, alegram-se e brincam entre si, empurrando as moedas com o bastão para que o outro palhaço as colete, aproveitam para instigar o público a jogar mais dinheiro, que eles colocam em sacolas para coleta desses donativos.
Coro: é constituído geralmente por seis pessoas que são, ao mesmo tempo, cantores e instrumentistas o número, todavia, varia de entre as regiões. Cada membro do coro tem sua função.
Mestre ou embaixador: é o principal personagem da folia, ou ainda chefe da folia, porque ele organiza a logística do grupo, o trajeto, horários e os instrumentos, e é o responsável por improvisar os versos cantados nas residências. Cabe aos mestres a responsabilidade de manter viva a tradição e se encarregar da transmissão oral dele, como lembra Luís da Câmara Cascudo.
Bandeireiro ou alferes da bandeira: tem a função de carregar a bandeira do grupo respeitosamente. Ela é apresentada ao chefe da residência onde a folia passa para receberem os donativos oferecidos pelas famílias.
A bandeira, chamada de "Doutrina", é feita de pano brilhante. Nela é colada uma estampa dos Três Reis Magos. Representa diretamente O Menino Jesus. Constitui o elemento sagrado da companhia e assim é tratada: beijam-na respeitosamente os moradores das casas visitadas, é passada com muita fé sobre as camas da residência e nunca pode ser colocada num lugar menos digno. Esse respeito perdura durante o ano todo, mesmo passada a época de Reis: na casa onde fica guardada, há orações periódicas diante dela. No universo cultural de nosso povo, a Bandeira é a representação dos Três Reis Magos; por isso, explicam os mestres, ela deve ir sempre à frente pelos representantes dos pastores que seguiram os Três Reis Magos.
Festeiro: figura importante, pois é, geralmente, na sua residência que os foliões fazem a "tirada da bandeira" e também é para onde é feito o retorno ao final do "giro". Às vezes, é utilizada a casa do mestre para a saída e chegada da bandeira ou a casa de alguma pessoa que, por motivo de promessa, arca com as despesas da folia.
É importante destacar que, nas folias, não existe a participação feminina conforme indica Porto: "Os Três Reis Magos não trouxeram consigo suas esposas; se os foliões levassem mulher à folia, estariam deturpando o sentido da representação"; também, dizem outros, nenhuma mulher visitou o presépio de Jesus; admitir mulher entre os foliões, como participante, seria desviar o sentido da dramatização. Porém, essa ideia da não participação de mulheres, junto ao grupo de foliões que compõem a cantoria, tem começado a se modificar em algumas regiões, como por exemplo em Minas Gerais, região do Alto Paranaíba, município de Rio Paranaíba onde já pode ser visto mulheres participando dos grupos de foliões. (foto abaixo de Luis Leite)
Canções
     Em algumas regiões, as canções de Reis são por vezes ininteligíveis, dado o caos sonoro produzido. Isto ocorre, quase sempre, porque o ritmo ganhou, ao longo do tempo, contornos de origens africanas com fortes batidas e com um clímax de entonação vocal. Contudo, um componente permanece imutável: a canção de chegada, onde o líder (ou capitão) pede permissão ao dono da casa para entrar, e a canção da despedida, onde a folia agradece as doações e a acolhida, e se despede.
     No Sul de Minas, um grupo de Folia de Reis é composta da bandeira ou estandarte que é decorado com figuras alusivas ao Menino Jesus, ou mesmo com palavras relativas à data. Outro componente importante é o bastião que se veste de modo característico, mascarado e sempre porta uma espada, este tem a função de folião propriamente dito, levando alegria por onde a folia passa, e como que abrindo caminho para a passagem da folia que de certa forma representa os próprios Reis Magos. O bastião tem também a função de citar textos bíblicos e recitar poesias alusivas.       Na sequência o grupo de vozes se organiza em mestre, ajudante, contrato, tipe, retipe, contratipe, tala, ou finório. Na verdade esses nomes se referem a uma organização das vozes em tons e contratons, durante a cantoria, o que leva a formação de um coro muito agradável aos ouvidos. O mestre, por sua vez, tem o papel especial de iniciar o canto, que é feito em versos e de improviso, agradecendo os donativos da casa visitada. Os outros componentes, então, repetem os versos, cada qual em sua voz, na cadência definida pelo mestre, acompanhados pelos instrumentos que tocam.      As músicas tem caráter geográfico, histórico e sociológico, a exemplo podemos citar uma canção do reisado de Zabelê:
" Hoje é o dia de ensaiar meu reisado.
Meu mestre, tenha cuido Hoje aqui neste salão. (bis)
Mas ô meu mestre, seu reisado de quem é?
Se é de moça ou de mulher. (?)
O meu palhaço que saber. (bis)
Se for de moça, de moça previna mais um cuidado.
Aonde tem cabra safado, não me importa de morrer. (bis)
Eu vou dançar é nas Águas do Cariri.
Meu mestre, cheguei mas não foi para apanhar.(bis)" (foto abaixo de Luis Leite)

Origem, história e descrição geral
      O Reisado é de origem egípcia, considerada uma festividade profano-religiosa. No Egito era chamada de Festa do Sol Invencível, comemorada em 6 de janeiro. Na Europa foi adotada, inicialmente, pelos romanos em 25 de dezembro (data em que nasceu Jesus Cristo, segundo os cristãos). Instalou-se em Sergipe no período colonial, através dos portugueses. Atualmente, é dançado em qualquer época do ano e os temas de seu enredo, variam de acordo com o local e a época em que são encenados, podem ser: amor, guerra, religião entre outros.
     Sua comemoração começa à véspera do Dia de Santos Reis. No período de 24 de dezembro a 6 de janeiro, grupos formados por músicos cantores e dançarinos vão de porta em porta, anunciando, a chegada do Messias e fazendo louvações aos donos das casas, por onde passam e dançam.
     É composta de várias partes e tem diversos personagens como o rei, o mestre, contramestre, figuras e moleques. Os instrumentos que acompanham o grupo são violão, sanfona, ganzá, zabumba, triângulo e pandeiro. (Fonte das informações: Wikipédia)

sábado, 16 de novembro de 2019

O Natal encantado de Monte Verde

Os primeiros moradores de Monte Verde vieram da Letônia, um pequeno país do leste Europeu. (foto acima de Mônica Milev a Casa do Papai Noel) O pioneiro foi o Sr. Verner Grinberg (1910-2006) que sobrevoando a região em 1938, percebeu a semelhança das paisagens e do clima local com a de seu pais. Se apaixonou pelo lugar e resolveu ficar, comprando terras no local.
A partir de 1950  os Grinberg começaram a vender pequenas terrenos de sua fazenda, iniciando a formação de um povoado com a a abertura de ruas e construção de casas, cuja arquitetura foi inspirada na bela arquitetura européia da Letônia. (foto acima de Ricardo Cozzo e abaixo de Mônica Milev)
E assim surgiu uma das mais importantes vilas mineiras, hoje distrito de Camanducaia MG, no Sul de Minas. Um lugar charmoso, pitoresco, tranquilo em meio a vasta natureza e paisagens que lembram as pequenas vilas Europeias. 
As baixas temperaturas na região também ajudam já que Monte Verde está a 1680 metros de altitude, sendo o ponto mais alto de Minas Gerais e o segundo do Brasil. Por isso que o inverno no distrito é rigoroso, geralmente abaixo de zero grau, com frequentes geadas. (foto acima de Mônica Milev)
Monte Verde tem uma ótima estrutura para receber o turista, com hotéis e pousadas de nível. Cervejarias artesanais. Fábricas de chocolates e restaurantes diversos, com culinária mineira, brasileira e europeia. (foto acima de Ricardo Cozzo)
Um dos destaques  de Monte Verde é sua decoração de Natal. É uma das mais belas de Minas. A vila fica ainda mais linda e com milhares de turistas nesse período natalino.(foto abaixo de Mônica Milev)
Toda a comunidade de Monte Verde participa e ajuda na decoração de Natal. A iniciativa de decorar o distrito para o Natal recebe apoio da Sub-prefeitura de Monte Verde. (foto acima de Mônica Milev) Dessa união entre sub-prefeitura, moradores e empresários locais, nasceu o projeto Natal - Monte Verde Iluminada. 
Esse projeto visa iluminar, no período natalino, a entrada de Monte Verde se estendendo pelo canteiro central da principal avenida do distrito, destacando a iluminação do Túnel do Papai Noel, ao lado do lago. (na foto acima de Mônica Milev)
A decoração segue até a Vila dos Moradores no morro da Baiana, chegando até a praça em frente a Igreja de São Francisco de Assis. A decoração conta também com uma árvore de 5 metros de altura toda decorada. (foto acima e abaixo de Mônica Milev)
Venha para Monte Verde. Venha presenciar esse espetáculo de cultura e tradição num lugar pitoresco, charmoso, encantador.
Como chegar
De São Paulo a Monte Verde: siga pela Via Dutra m direção a Guarulhos (SP) e acesse a Rodovia Fernão Dias na altura do km 13 até Camanducaia.
Partindo de Campinas (SP): o trajeto começa pela Rodovia D. Pedro I em direção a Jacareí (SP); depois entre à esquerda na Rodovia Fernão Dias, no sentido Belo Horizonte, até chegar a Camanducaia.
Saindo do Rio de Janeiro (RJ): siga pela Via Dutra até Jacareí (SP), entre na Rodovia D. Pedro I e, em Atibaia (SP), entre à direita na Rodovia Fernão Dias, continuando até Camanducaia. (foto abaixo da Casa do Papai Noel, fotografado pelo Mônica Milev)

De Belo Horizonte (MG) para Monte Verde: saída pela Avenida Amazonas, sentido São Paulo, até Camanducaia pela BR 381.
Por Arnaldo Silva - Fotografias de Ricardo Cozzo e Mônica Milev

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Conheça Pintos Negreiros

Pintos Negreiros é um charmoso e pitoresco distrito de Maria da Fé, no Sul de Minas Gerais criado por Lei em 1953. A charmosa Vila faz divisa com os municípios de Cristina, Dom Viçosa, Virgínia, Delfim Moreira e Itajubá. Encravado na Serra da Mantiqueira, a Vila conta com pouco mais de 1600 moradores que vivem nos bairros Negreiro, Alto da Serra, Pedreira, Canto dos Amaros, Canto dos Carneiros, Canto dos Caetanos, Mendanha, Caetés, Coli e Boa Vista da Barra. A atividade econômica principal do distrito é a agropecuários e pequenos comércios. 
Outra atividade que vem crescendo no distrito é o turismo rural como o surgimento de pousadas, trilhas e oportunidades que o distrito oferece aos visitantes de conhecer as belezas da Serra da Mantiqueira, num lugar charmoso, tranquilo, pitoresco, com um povo muito simples e hospitaleiro. Como em toda região da Mantiqueira, belezas naturais também estão presentes em Pintos Negreiros como cachoeiras paradisíacas, ótima trilha com cerca de 51 km de extensão que atraem ciclistas e motociclistas de várias regiões. Para os adeptos de rapel e escaladas, a dica são as pedreiras. 
Vale ressaltar que Pintos Negreiros é considerada pelos trilheiros como um dos melhores lugares do país para a prática de mountaim bike. 
A religiosidade é marcante entre os moradores de Pintos Negreiros. A fé católica é predominante, sendo que sua principal igreja faz parte da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes, na sede, Maria da Fé MG. No bairro Boa Vista da Barra há mais uma igreja católica e no distrito tem ainda uma igreja da Assembleia de Deus. 
O acesso ao distrito é por estrada de terra, bem conservada. Saindo de Maria da Fé, são 25 km. De Dom Viçoso até Pintos Negreiros são 10 km. Outra opção é por Delfim Moreira e Virgínia, também em estrada de terra, porém não estão em boas condições. A que está em melhores condições de tráfego é esta acima, saindo de Maria da Fé MG. 
(Por Arnaldo Silva, com fotografias de Cássia Almeida)

Os vinhos finos de altitude de Diamantina

(Por Arnaldo Silva) A paisagem lembra a italiana Toscana, sem exageros. Variedades diferentes uvas estão presentes nos vinhedos, entre elas muscat, sauvignon, merlot, tempranillo, syrah usadas na produção dos vinhos em Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, a 300 km de Belo Horizonte. (acima alguns rótulos de vinhos diamantinenses e abaixo, vinhedo da Quinta Campo Alegre - Imagens enviadas pelas Avodaj/Divulgação)
     Isso mesmo, vinho no Vale do Jequitinhonha e na terra dos diamantes, de Chica da Silva, da seresta, de JK. Diamantina da música, da arquitetura, dos tapetes arraiolos e nosso patrimônio Cultural da Humanidade produz vinho, sim, de excelente qualidade. 
     Mas isso é recente? Não, não é. Diamantina foi uma das primeiras cidades a produzir vinhos no Brasil e em toda a América. Os vinhos já existiam em Diamantina bem antes da chegada dos imigrantes europeus, principalmente italianos, que para cá vieram no final do século 19 e começaram a produzir vinhos, principalmente na região Sul do país. (na foto abaixo Quinta da Matriculada - Imagem enviada pela Avodaj/Divulgação)
     Vinhedos em Diamantina existem desde o século 18, há mais de 200 anos. A cidade também se destaca na produção de cafés e oliveiras, culturas favorecidas por sua altitude, 1280 metros acima do nível do mar e temperaturas amenas, em média 18ºC. Diamantina é uma das cidades mais frias de Minas Gerais, com um inverno bem rigoroso e seco. Clima propício para a produção de uvas. 
     Os vinhos de Diamantina eram tão importantes para Minas e para todo o Brasil que na cidade existia uma estação enológica, fundada no início do século XX e desmontada pelo Governo Militar na década de 1970, bem como foi extinta a estrada de ferro. Mandaram a estação para Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. O objetivo era tirar da memória do povo, Juscelino Kubistchek e sua terra (foto acima/Arquivo). Tudo que lembrava JK era evitado naquela época pelo Governo Militar. 
Hoje vinhedos vêm crescendo ano a ano no município, embora em produção pequena, ainda artesanal. Mas vamos voltar a dois séculos para entender a vocação dos diamantinenses para a produção de vinhos. (na foto acima, rua das uvas Syriah e abaixo, vinho La Blanca da Quinta do Campo Alegre - Imagem enviada pela Avodaj/Divulgação)
     Tudo começou no século XVIII, quando Diamantina ainda se chamava Arraial do Tijuco e era a maior produtora de diamantes do mundo, naquela época. Tanta riqueza atraiu os nobres portugueses, que vieram para o Brasil com suas famílias em busca da riqueza que as pedras preciosas mineiras propiciavam. Com a chegada dos portugueses, veio também seus costumes, entre eles, o de beber vinhos. (foto abaixo de Elvira Nascimento)
     Como trazer vinhos da Europa nos tempos do Brasil Colônia era muito difícil e quando conseguiam trazer, demoravam meses para chega, a urgência de se produzir a bebida em nossas terras começou a ganhar força, pela necessidade dos portugueses em ter a bebida e ainda para as celebrações religiosas, já que não tinha vinho nem para os padres celebrarem as missas. 
     Foi assim, pela necessidade, que começou nessa época o plantio de sementes de uvas, vindas de Portugal no antigo Arraial do Tijuco e região. A altitude e temperaturas amenas foram os fatores primordiais para a proliferação das videiras no município, bem como a produção de vinhos. 
     Os vinhos produzidos em Diamantina eram comercializados na cidade e também em parte da Região do Vale do Jequitinhonha e Norte do Estado, levada por tropeiros. Os principais clientes eram os padres e os fidalgos da época.
     A cidade que produzia diamantes foi uma das primeiras a produzir vinhos no Brasil e na América. Vinhos finos e de qualidade que agradou os exigentes paladares dos portugueses. 
     No final do século 19 e início do século 20, a produção de vinhos em Diamantina teve um rápido crescimento, levando o Governo do Estado a criar no município uma estação enológica, que existiu na cidade até a década de 1970. Com a crise de 1929, a produção de vinhos na região sofreu uma queda enorme, se limitando a poucas famílias, basicamente produziam para consumo próprio ou para algumas vendas. Nas décadas seguintes, começou a retomada da produção, ainda bem artesanal, sofrendo novo revés quando da transferência da estação enológica da cidade, na década de 1970. O motivo da transferência foi citado acima. 
     Mesmo com todas as dificuldades, falta de capital para investir na melhoria dos vinhedos e no aumento da produção e qualidade maior dos vinhos, o diamantinense nunca deixou de produzir a bebida, mesmo que a produção tenha sido restrita a pequenas propriedades ou para consumo familiar. Os vinhedos sempre estiveram presentes nos campos diamantinenses e região.
     Já no início dos anos 2000, por iniciativa do vinicultor João Francisco Meira, da Vinícola Quinta Dalva, foram importados da França 4 mil mudas de 9 variedades de uvas diferentes, plantados entre 2003, 2004 e 2005. O pioneirismo do Chico, como prefere ser chamado, incentivou outros produtores a investirem no plantio de uvas e produção de vinhos finos. Assim, começou a retomada da produção de vinhos em maior escala no município começou a ganhar força, baseada na tradição, vocação e história da vitivinicultura diamantinense ao longo de 200 anos produzindo vinhos de qualidade reconhecida. (na foto abaixo, a vinícola Quinta Dalva)
     Segundo João Francisco Meira, isso se deve " as características da região (clima, relevo, solo, amplitude térmica, altitude, umidade do ar e regime de chuvas) são favoráveis à cultura da vinha. Em 2005, o Quinta D'Alva plantou 9 variedades de viníferas importadas da França, para selecionar as mais apropriadas para produção de vinhos de qualidade. Desde então buscamos selecionar as mais apropriadas para produção de vinhos de qualidade, já conseguindo sucesso com algumas castas tintas e brancas. Importante citar que o ciclo vegetativo é alterado por um inovador sistema de poda que estimula a brotação dos cachos no outono, para as uvas serem colhidas no inverno. A partir de 2016 estamos produzindo espumantes com métodos Chardonnay utilizando além da Champenoise as castas Pinot Noir e Pinot Meunier".
     Buscando unir os vitinicultores da região, com incentivo e participação do pioneiro, João Francisco Meira,  da Quinta Dalva, vitinicultores de Diamantina e Alto Jequitinhonha criaram a AVODAJ – Associação dos Vitivinicultores e Olivicultores  de Diamantina e Alto Jequitinhonha com o objetivo de resgatar uma das mais antigas tradições de Diamantina, que é a produção de vinhos finos de alta qualidade, bem como desenvolver na cidade e região o Enoturismo, hoje um dos principais segmentos de turismo no mundo. O turista vem à cidade, conhece os vinhedos, as vinícolas, o processo de produção e tem a oportunidade de adquirir vinhos diretos do produtor. 
     Assim, com o apoio e orientações dos órgãos governamentais, vitivinicultores começaram a trabalhar na produção de vinhos finos, utilizando cerca de 20 variedades de uvas, com mudas de procedência certificada e adaptadas ao clima da região. As variedades plantadas em Diamantina são: Tempranillo, Sauvingon Blanc, Tanat, Alvarinho, Marsane, Muscat, Chardonnay, Pinot Meunier, Carbenet Sauvingon, Gewurstraminer, Touriga Nacional, Barbera, Isabel Precoce, Petit Verdot, Riesling Itálico, Carbenet Franc, Malbec, Merlot, Pinot Noir e Syrah. O sucesso do plantio dessas variedades é graças ao sistema de dupla poda e safra de inverno, que proporciona entre os meses de maio e agosto frutos com boa acidez, antocianinas e teores de açúcar equilibrados.
     São mais de 52 mil vitiníferas plantadas. A técnica da dupla, desenvolvida no Núcleo Tecnológico Uva e Vinho da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais). (Vinho Sauvingnon Blanc premiado da Quinta do Campo Alegre, junto com um Dom Leon Alvarez/imagem enviada pela Avodaj/Divulgação)Essa técnica consiste na inversão do ciclo da videira, alterando para o inverno o período de colheita das uvas destinadas à produção de vinhos finos. São aplicadas duas podas, uma para a formação de ramos, em setembro, e de produção, em janeiro e fevereiro.
     Com o uso da dupla poda, a produção de vinhos finos em Minas Gerais vem aumentando a cada ano, bem como aumentando o número de hectares de áreas com videiras plantadas, beneficiando o viticultor que é aquele responsável pela plantação, cultivo e colheita da uva, bem como o vinicultor, que é o recebe as uvas e a transforma em vinho. 

     O projeto e iniciativas vêm dando certo e resgatando uma das maiores tradições de Diamantina, agora com a qualidade e tecnologia que possibilita colocar Diamantina na rota mundial dos produtores de vinhos de alta qualidade, inclusive, reconhecida nacionalmente por especialistas e apreciadores de vinhos finos, de qualidade no Brasil. (na foto abaixo imagem do primeiro processo da vinificação na Vinícola Campo Alegre, com as uvas na mesa de seleção, indo para a desengaçadeira - Imagem enviada pela Avodaj/Divulgação))
Os vinhedos e rótulos existentes hoje em Diamantina, produzindo uvas de qualidade e vinhos finos são:
Vinhedo Quinta Dalva com o rótulo Quinta Dalva 
Vinhedo Campo Alegre com os rótulos Dom Léon Alvarez, La Blanca, La Campola, Al Tempo, Diamante das Minas 
Vinhedo da Quinta da Matriculada com o rótulo Vin de Minas (imagem de Ricardo Maciel/Avodaj/Divulgação)
Vinhedo Sítio Vale dos Vinhedos com o rótulo Vesperata (imagem enviada pela Avodaj/Divulgação)
Vinhedo da Toca com o rótulo Andrade 
Vinhedo Santa Helena
Vinhedo Candeia Torta
Vinhedo Riacho das Varas
Vinhedo Fazenda do Sapê
Vinhedo Sítio das Lajes
Vinhedo Sítio Vale dos Vinhedos 

Vinhedo Fazenda Candeias com os rótulos Theo e Ethos (na foto ao lado enviada pela Avodaj/Divulgação)
     Atualmente a região conta com 13 produtores cadastrados na AVODAJ – Associação dos Vitivinicultores e Olivicultores
de Diamantina e Alto Jequitinhonha. Desses, apenas seis estão produzindo vinhos para comercialização que são:
Quinta D’Alva: www.quintadalva.com.br ; João Francisco: 31-99731 8255

Quinta do Campo Alegre: Istagran - @quintadocampoalegre ; E-mail: campoalegrediamantina@gmail.com ; Luiz Felipe: 33-99176 6156 e Luciana: 38-99195 0402
Quinta da Matriculada: E-mail: danielbarrote@gmail.com ; Daniel: 38-98837 4110
Sítio Vale dos Vinhedos: E-mail: eduardopompeu2017@hotmail.com ; Eduardo: 38-98822 4968
Fazenda Candeias: E-mail: buenoribeiro@hotmail.com ; Manoel: 38-98808 2460
Fazenda da Toca: E-mail: douglasvale@gmail.com ; Douglas: 38-98808 3945

Em breve os vinhos de Diamantina chamarão a atenção, não só dos mineiros mas dos brasileiros em geral, por sua qualidade e terroir. As terras altas diamantinenses serão consideradas grandes produtoras de vinhos finos no país, fazendo da região um dos grandes pólos do enoturismo brasileiro. 
Grappa: bebida para dias frios
     Além dos vinhos finos, em Diamantina também se produz a Grappa (na foto acima de autoria de Carsten Tolkmit/Wikipédia), uma bebida alcoólica de origem italiana e portuguesa. É feita a partir do bagaço da uva e seu teor alcoólico varia entre 37,5% a 60%, aromatizada com a erva arruda. A bebida foi criada na Idade Média com o objetivo de evitar o desperdício. São aproveitados além das cascas, os engaços e sementes da uva. O sabor, bem como o do vinho, depende do tipo e qualidade da uva e dos processos de destilação de cada produtor. Por seu alto teor alcoólico, a bebida caiu no gosto dos europeus e é até hoje muito apreciada, principalmente no rigoroso inverno europeu. 
     Em Diamantina a Grappa é produzida pela Quinta Dalva e em breve pela vinícola Campo Alegre. A grappa da Quinta Dalva chama atenção pela excelente qualidade. Uma ótima bebida para aliviar o frio das geladas noites diamantinense no inverno. 
     Vindo á Diamantina (foto acima de Elvira Nascimento), vivencie a música, a cultura, as tradições, a religiosidade, a beleza de sua arquitetura colonial, do seu artesanato e aprecie um bom vinho das quintas diamantinenses! Venha para Diamantina. Aqui temos história e bons vinhos. (Reportagem de Arnaldo Silva com fotos de Elvira Nascimento e das vinícolas e vinhos cedidas por João Francisco Meira e Avodaj)

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