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sábado, 30 de novembro de 2019

Os 11 melhores doces caseiros mineiros

(Por Arnaldo Silva) A história dos doces mineiros é tão antiga, quanto a origem de Minas Gerais. Desde o final do século XVII, doces e Minas Gerais, formaram uma união perfeita. Minas Gerais é o Estado do doce e do queijo. Esses dois foram as bases para o surgimento de novas iguarias e quitandas mineiras. Os doces que saiam dos tachos das cozinhas mineiras, saíram das divisas do Estado e também de nossas fronteiras, conquistando paladares mundo afora. Nossos doces fazem a alegria dos turistas que vem à Minas, que se deliciam com as infinidades de doces que saem de nossas cozinhas.
          A tradição doceira mineira é fruto da vocação do mineiro para cozinhar. Nas paradas das tropas pelo sertão mineiro, as frutas tropicais deram origem a doces, com as receitas aperfeiçoadas e em sua maioria, criadas, nas senzalas e cozinhas das fazendas coloniais. São mais de 300 anos de tradição doceira. (fotografia acima de Lourdinha Vieira em Bom Despacho MG)
          O mineiro sabe o sabor, cor, a textura, de cada doce, além do ponto certo do tipo de doce que deseja, seja cremoso ou de corte, de leite, ovos ou de frutas diversas. Sabe escolher bem as frutas e os ingredientes, que vão para o tacho. As frutas preferidas dos mineiros para doces são a goiaba, laranja da terra, figo, ameixa, limão, jabuticaba, mexerica, banana, mamão e abacaxi.
          Isso porque o mineiro sabe que cozinhar é um ato de amor, prazer e alegria. É na cozinha que está o melhor da casa mineira. Da cozinha sai o que o mineiro tem de melhor para sua a família e visitas. E o principal ingrediente, que dá vida e sabor aos pratos mineiros é o amor, o prazer em cozinhar e a vocação do povo mineiro para a cozinha. São estes os principais ingredientes de uma das culinárias mais famosas e apreciadas do mundo.
          Cada região mineira tem sua gastronomia e história, de acordo com o clima, bioma, cultura e tradição. Seja no Triângulo Mineiro, Sul, Norte, Central, Leste, Noroeste, Jequitinhonha, Campo das Vertentes, Zona da Mata ou no Alto Paranaíba, em comum acordo, os doces fazem parte da identidade de todo o povo mineiro e de grande importância para a formação da identidade gastronômica mineira.
          É um legado de três séculos, passado de geração para geração, gerando renda, empregos e garantindo o sustento de milhares de famílias. Isso porque os doces feitos nos tachos dos fogões à lenha de Minas Gerais, estão hoje presente nas centenas de indústrias de doces, gerando emprego e renda para famílias e impostos para os municípios. (fotografia acima de Nilza Leonel no Sítio Talismã, em São Roque de Minas)
          Nossos doces estão presentes nos 853 municípios mineiros, nos 1772 distritos e em cada cozinha de fazenda pelos cantos de Minas Gerais. Algumas cidades se destacam na fabricação de doces artesanais pela tradição e vocação. São receitas passadas ao longo de séculos, de mãe para filha, de geração para geração. São doces que nunca faltam na mesa mineira.
          Uma dessas cidades que se destacam por sua tradição doceira é Baldim, a 95 km de Belo Horizonte, próximo a Serra do Cipó, fazendo divisa com Jequitibá, Jaboticatubas, Santana do Riacho, Santana do Pirapama, Funilândia e Matozinhos.
Baldim: a cidade do doce
          O pequeno município, com cerca de 8 mil moradores, se destaca na produção de doces artesanais e industriais. Baldim é uma das maiores produtoras de doces, do Brasil, abastecendo o mercado mineiro, nacional e inclusive, exportando para vários países. São doces finos, de altíssima qualidade e diversos sabores, com destaque para o doce de leite, produzido de forma artesanal nas fazendas do município. (na foto acima do Elpídio Justino de Andrade, a entrada da cidade de Baldim)
          A produção de doces em Baldim movimenta a economia da cidade, sendo inclusive, produzidos em grande escala na área rural, já que o município, é um grande produtor de leite, com grande parte de sua população, vivendo na área rural do município. A cidade vive e respira doce. Por isso é a conhecida como a “Cidade do Doce”. Quem quer saborear os melhores doces mineiros, de todos os tipos e sabores, o lugar é Baldim.
          Você vai conhecer os mais tradicionais doces mineiros, que saem dos tachos de nossas cozinhas para a nossa mesa. São 11. (fotografia acima de Nilza no Sítio Talismã em São Roque de Minas)
01 – O doce de leite
          É o mais delicioso e apreciado doce mineiro. Uma sobremesa deliciosa, principalmente, harmonizada com Queijo Minas Padrão ou outros doces, como o de figo e mamão. Está presente em todas as cozinhas de Minas Gerais desde o fim do século XVIII. Até os dias de hoje, dos tachos mineiros saem os mais saborosos e genuínos doces de leite artesanais, cremoso ou de corte, puro ou mesmo, com o acréscimo de frutas e até chocolate e Nutella. Além dos doces de leite artesanais, saem das indústrias mineiras, doces reconhecidos nacionalmente e internacionalmente, pela qualidade e sabor, como o doce Viçosa, Boreal, Majestic, Sabores do Grama, Rocca, dentre tantos outros. (foto acima de Arnaldo Silva)
02 – Doce de leite na palha
          Muito popular em Minas, principalmente em Bom Despacho, na Região Centro Oeste, é um tipo de doce de leite diferente do tradicional. É o mesmo processo do doce de leite, mas ao invés do açúcar, é adoçado com rapadura. São 8 litros de leite, para 1,5 quilo de rapadura raspada. O resultado é um doce de sabor intenso, diferenciado, sem igual, com textura forte e saborosíssimo. É enrolado em palha hidratada de milho, o que dá um ar bem interiorano e mineiro ao doce. (foto acima de Arnaldo Silva)
03 – Doce de mamão e de abóbora
          Esses doces tem o mesmo modo de preparo. Feito com água e açúcar, com o mamão ou abóbora ralados ou cortados, podendo ser cremoso, ralado, de corte ou cristalizado. São saborosos e apreciadíssimos pelos mineiros, principalmente o doce de mamão. Já o doce de abóbora, pode ser incrementado com coco ralado. (fotografia acima de Luci Silva)
04 – Ambrosia
          É um doce feito com ovos, açúcar, leite, cravo e canela. A receita original chegou à Minas no início do século XVIII, com a chegada de milhares de portugueses, no início do Ciclo do Ouro. Trouxeram sonhos de riqueza, arquitetura e receitas, ao longo do tempo, adaptadas aos ingredientes mineiros. Entre essas receitas, a Ambrosia, hoje uma das principais guloseimas do Estado. (foto acima de Arnaldo Silva)
05 - Goiabada Cascão
          Tradicional doce feito em São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto, desde o final do século XVIII, a goiabada cascão é um dos mais deliciosos doces mineiros. Hoje, em parceria com o queijo Minas, está presente em todas as mesas, das mais simples e mais finas, do mundo inteiro. A popular sobremesa “Romeu e Julieta”, o par perfeito. Diferente da goiabada industrial, a goiabada cascão leva além da polpa da goiaba, a casca, por isso o nome. (fotografia acima de Judson Nani) 
06 – Pé de Moleque e Pé de Moça
          São dois doces muito tradicionais em Minas Gerais. O Pé de Moleque é feito com rapadura, amendoim torrado e água. É um doce popular nas festas juninas no Brasil, mas em Minas Gerais, está presente nas mesas mineiras todos os dias. (foto acima e abaixo de Arnaldo Silva)
          Já o Pé de Moça, é bem parecido com o Pé de Moleque, mas com acrescimento de leite condensado à receita, o que torna o doce mais cremoso e bem macio.
          A cidade de Piranguinho, no Sul de Minas, se destaca no Brasil na produção deste doce. Inclusive, a cidade é a Capital do Pé de Moleque no país. O pé de moleque está faz parte da cultura, história, gastronomia e identidade de Piranguinho, desde o início do século XX, em suas barracas coloridas. Tem gosto e sabor de Minas Gerais.
07 – Rocambole
          A guloseima é uma massa de pão-de-ló, bem fina, com pouca gordura e recheada. Na massa fina, passa-se o recheio e depois, é enrolada. De origem Europeia, chegou à Minas na época do Império, se tornando tradicional na cidade histórica de Lagoa Dourada, próxima a Tiradentes e São João Del Rei, desde o início do século XX. O rocambole é a principal identidade gastronômica da cidade, considerada a Capital do Rocambole no Brasil. A guloseima é tão popular na cidade que em cada rua, esquina e canto, encontra-se rocambole. Em Minas Gerais, a iguaria ganhou recheios e o jeito mineiro de cozinhar. O recheio preferido dos apreciadores de rocambole é doce de leite caseiro. (na foto acima da Luciana Silva)
08 – Doce de casca de laranja da terra
          Receita secular, tradicional, desde os tempos do Brasil Colônia. Fazer esse doce requer tempo e paciência. Em média, 5 dias, mas compensa. O doce é delicioso. É feito com a casca da laranja da terra, uma fruta de sabor amargo, por isso pouco consumida in natura, mas dá um doce dos mais saborosos e tradicionais de Minas Gerais. (fotografia acima de André Saliya)
09 – Doce de figo
          Presente nos quintais mineiros, a fruta originária da região do Mediterrâneo, chegou à Minas, ainda nos tempos do Brasil Colônia e rapidamente, se popularizou nos pomares mineiros. Saia dos pomares, direto para os tachos de nossas cozinhas. O doce de figo, feito apenas com a fruta, água e açúcar, é um dos mais tradicionais e saborosos doces mineiros. Acompanha muito bem com nosso doce de leite, com doce de pêssego e com queijo Minas Frescal. (foto acima de Evaldo Itor Fernandes)
10 – Doce de queijo
          Chamado também de bolinha de queijo, é um doce tipicamente mineiro, com origem na região da Serra da Canastra. A massa é feita com queijo Canastra curado, ovos, farinha de trigo e fermento. É cozido em água com açúcar. Quando pronto, as bolinhas são espetadas cravo, lembrando uma ameixa. Por isso é chamado também de ameixa de queijo. É bom demais da conta esse doce. (fotografia acima de Nilza Leonel)
11 - Os doces cristalizados e em compotas
          Os doces cristalizados dão água na boca só de olhar, bem como os doces em compotas. Por durarem mais tempo em conserva, são bastante comuns, hoje em dia. São doces especiais, finos, principalmente os doces cristalizados, ideais para quem quer adquirir uns quilinhos a mais. Isso porque são feitos com pequenas tiras das cascas e pedaços das frutas. Cristalizado, ficam deliciosos, crocantes e irresistíveis. Não dá para comer só um só pedacinho. As pessoas vão comendo sem se darem conta da quantidade, porque são irresistíveis mesmo. (fotografia acima de André Saliya e abaixo de Sérgio Mourão)
          Já os doces feitos em calda, são feitos com a fruta inteira, ou cortadas em grandes pedaços. Levam apenas água, açúcar e algumas especiarias. Dependendo das frutas, esses doces são feitos com as cascas, sementes e caroços também. Os doces em compotas mais populares em Minas são os de figo, laranja, jabuticaba, maçã, melão, jaca, mexerica, amora, banana, pêssego, pequi, morango, frutas vermelhas, mamão, goiaba, ameixa, limão, manga, pera, abacaxi, dentre outras frutas, além de abóbora, batata doce, cenoura, tomate, pimenta biquinho, etc.

sábado, 23 de novembro de 2019

A história e origem da Folia de Reis

(Por Arnaldo Silva) Antecedendo o Natal, as casas e cidades começam a decorar pinheiros com pisca-piscas, bolas e outros enfeites. Monta-se ainda os tradicionais presépios. Após o natal, grupos de Folia de Reis saem às ruas, visitam casas, cantam e abençoam as famílias. No dia 6 de janeiro termina a festa. Os presépios são desmontados no dia seguinte, sete de janeiro, bem como todas as ornamentações usadas no período, que ficam guardadas para a festa seguinte.
Os três Reis Magos
          Essa prática encena o nascimento de Jesus, a fuga de José e Maria para o Egito e a chegada dos Três Reis Magos, Melquior, Gaspar e Baltazar, que chegaram até o local, orientados por uma estrela, segundo consta no capítulo 2, do Evangelho de Mateus. (na foto abaixo de Giselle Oliveira, foliões em Diamantina MG, com figurinos criados pelo artista plástico Marcelo Brant)
          Não existem relatos bíblicos e nem confirmação histórica dos nomes dos três Reis Magos, que para muitos nem eram reis e muito menos magos, mas sim, astrônomos que estudavam as estrelas. Os nomes são baseados apenas em tradição oral.
          A chegada dos Três Reis Magos à manjedoura trouxe, além do ouro, mirra e incenso como presentes, a boa notícia de que o perigo tinha cessado e que podiam voltar. Com a visita, Maria e José se tranquilizaram, sentindo-se seguros para retornar. 
          No dia seguinte, sete de janeiro, arrumaram suas coisas e voltaram para sua terra. (na foto de Alexa Silva, Terno de Folia de Reis em Jaboticatubas MG)
          Por esse motivo que depois do dia de Santos Reis, seis de janeiro, os presépios e ornamentações das cidades são desfeitos.
          Simboliza o ato de Maria em guardar seus pertences e deixar a manjedoura, voltando para sua casa. 
A origem das encenações de Santos Reis
          A encenação dessa passagem bíblica iniciou-se na Idade Média, em 1164, na cidade de Colônia, na Alemanha, devido aos supostos restos mortais dos Três Reis Magos estarem sepultados na Catedral de Colônia. Segundo a crença, os restos mortais dos Três Reis Magos estavam em Constantinopla, na Turquia e foi doado pela Rainha Helena, por volta do início do século V, à cidade Milão, na Itália e por fim, levados para a cidade de Colônia, como despojos de guerra do lendário Frederico Barba-Ruiva. (na foto acima, de Giselle Oliveira, folião usando figurino criado pelo artista plástico Marcelo Brant, em Diamantina MG)
          Com os supostos restos mortais dos Reis Magos presentes na igreja de Colônia, foram criados encenações e representações que simbolizasse essa passagem bíblica na cidade. Assim aos longos dos anos,  foram surgindo vestimentas e cantorias que representavam essa passagem. 
A árvore de Natal e o Papai Noel
          A típica árvore europeia, o pinheiro, passou a ser decorada nessa época com bolas, que simbolizavam o sol e posteriormente, com presentes, tendo tempos depois à figura do lendário Papai Noel, incorporada à festa. 
          O bom velhinho que distribuía presentes no dia atribuído ao nascimento de Jesus foi inspirado em São Nicolau, que em vida foi um bispo Católico da cidade de Mira, onde atualmente é a Turquia.
          Nicolau era bondoso e no dia de seu aniversário, seis de janeiro, saia pelas ruas da cidade distribuindo presentes para as crianças carentes. 
          Esse personagem foi incorporado ao evento católico, com a data de seu aniversário sendo comemorada não mais no dia 6 de janeiro, mas no dia 25 de dezembro. 
          Lembrando que no dia 25 de dezembro os egípcios realizavam a Festa do Sol Invencível, evento este incorporado a cultura pagã romana e por fim, adotada pela Igreja Católica com o objetivo de atrair os pagãos para sua fé. 
          O sol que nasce é luz, associaram o nascimento de Jesus ao mundo como a luz de Deus e assim surgiu a tradição do nascimento de Jesus neste dia, mesmo com a ciência da Igreja que não há registro algum da data de nascimento de Jesus.
A origem dos presépios
          Outra criação que se incorporou a essa tradição foram os presépios, criado em Greccia, na Itália, por São Francisco de Assis em 1223, que retratou o nascimento de Jesus na manjedoura, usando pequenas imagens com os respectivos personagens e cenário envolvidos. (na foto acima de Thelmo Lins, presépio montado em Santa Luzia MG)
          Todos esses acontecimentos serviram como base para a identidade mundial dos festejos natalinos entre 24 de dezembro e 6 de janeiro. 
As Folias de Reis no Brasil
          No Brasil é Folia de Reis tradição que chegou ao Brasil pelos portugueses, no século XVIII, embora em outros países do mundo sejam outros nomes. (na foto acima de Luís Leite, Folia de Reis em Guaranésia MG)
          Em Portugal, a festa é conhecida como Reisado, no Brasil, adaptações aos cânticos foram feitas por José de Anchieta e Manuel de Nóbrega, que adaptaram à realidade brasileira “O Auto dos Reis Magos” uma peça de autoria de Gil Vicente, escrita em 1503 e publicada em 1510, para o Dia de Reis.
          Baseado nesse auto, as tradições musicais e populares do nosso povo foram adaptadas, gerando assim uma cultura popular brasileira, com raízes e identidade, promovendo a interação entre negros, índios e brancos.
Cânticos e instrumentos
         Essa interação multirracial gerou cânticos, com palavras incompreensíveis para muitos. Isso porque, frases e palavras dos cânticos eram traduzidos para dialetos africanos, tupi-guarani e mesclando ao português. Os ritmos também eram diferentes dos entoados nos cânticos do Reisado português, já que os instrumentos indígenas e principalmente africanos, produziam sons fortes, graças aos batidos dos tambores. (foto acima de Amauri Lima em São João Batista do Glória MG)
          Tempos depois, instrumentos usados pelos brancos, como, violão, rabeca, flauta, sanfona, viola, cavaquinho, triângulos pandeiro, reco-reco, dentro outros, passaram a fazer parte dos instrumentos dos Ternos de Folias de Reis, porque os Ternos passaram a contar com a presença cada fez maior dos brancos nos grupos de foliões. Uma mistura de sons e vozes diferentes, fortalecendo assim a identidade regional dessa festa.
          Além da cantoria e instrumentos musicais, vestimentas diferentes das tradicionais vestes europeias foram incorporadas à festa, bem como a decoração das casas e igrejas nos dias da festa, dando características regionais à tradição.(foto abaixo de Vania Pereira em São Tomé das Letras MG)
          Das canções e estilo de cantar e tocar da tradição Medieval original, que foram preservadas e respeitadas na íntegra pelos Ternos de Santos Reis, está canção de chegada. Nessa canção o líder (ou capitão) pede permissão ao dono da casa para entrar. A outra canção é a da despedida, onde, cantando, a folia agradece as doações e a acolhida. Os outros cantos são criações de acordo com a cultura e folclore regional.
Os ternos de Folia de Reis
          Após o dia de Natal os Ternos de Folia de Reis, vestidos à rigor, com roupas coloridas, saem às ruas dançando, cantando e encenando, mantendo viva a tradição milenar da Igreja Católica em todo o mundo.
          São vários grupos presentes nas cidades, todos formados somente por homens. Mulheres não participam dos Ternos de Folia de Reis, porque os Três Reis Magos não levaram consigo suas esposas, por isso a ausência de mulheres nos ternos. Se cada folião levasse sua mulher, mudaria o sentido da encenação da tradição bíblica.

          Cada terno é formado por personagens que representam os três reis magos, palhaços, coro de cantores e músicos, mestre ou embaixador, bandeireiro ou alferes da bandeira, o mestre ou embaixador. (foto abaixo de Luis Leite em Guaranésia MG)
          Todos se vestem com roupas coloridas e usam máscaras, de acordo com os figurinos definido pelos membros dos Ternos de Santos Reis, respeitando a tradição da encenação. 
          No cortejo pelas ruas e visitas às casas, são acompanhados por músicos tocando e cantando, enquanto são recitados louvores e bênçãos na casa dos festeiros, acompanhados de danças. 
          Os festeiros são os moradores que recebem os ternos em suas residências com o objetivo de preservar a tradição ou para pagar alguma promessa. São os festeiros que fazem a "tirada da bandeira” e arcam com as despesas do grupo com descanso e alimentação. 
          Os Ternos de Santos Reis caminham pelas ruas, visitando as casas e saudando os moradores com cânticos religiosos, lembrando o ato dos Reis Magos que saudaram o Menino Jesus.
          Os cânticos religiosos são pausados apenas durante as paradas para descanso, café da manhã, almoço ou jantares, quando os foliões e membros da corte dos Ternos, cantam músicas típicas regionais, como a moda de viola e dançam Catira e Cateretê, danças folclóricas tradicionais em Minas Gerais.
Uma das maiores festas populares do Brasil
          Ao contrário da tradição, onde os três Reis Magos levaram presentes, em Minas Gerais e no Brasil, são tradição os grupos de Folia de Reis receberem presentes dos festeiros e fieis. Os presentes são doados para as entidades filantrópicas locais ou mesmo para manutenção dos grupos de Folia de Reis. (foto acima de Luís Leite)
          Junto com Reinado de Nossa Senhora do Rosário, a Folia de Reis é o mais importante evento folclórico do Estado, tendo sido uma das primeiras manifestações folclóricas de Minas Gerais, incorporada ao folclore mineiro desde o século XVIII.
Patrimônio Imaterial de Minas Gerais
           A Folia de Reis é tão importante para a cultura, tradição e folclore mineiro que foi reconhecida como Patrimônio Imaterial de Minas Gerais em 2017, pelo Conselho Estadual do Patrimônio Histórico. (na foto acima de Vânia Pereira em São Tomé das Letras MG)
          Presente ainda nos Estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Rio de Janeiro, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Maranhão, Paraná, dentre outros, mas com predominância em Minas Gerais, devido estar no Estado mineiro as principais cidades do país, no período do Ciclo do Ouro. (na foto abaixo de Giselle Oliveira, folião em Diamantina MG, com figurino criado pelo artista plástico Marcelo Brant)       
          Nos 853 municípios e 1712 distritos do Estado de Minas Gerais a Folia de Reis está presente. Em algumas cidades mineiras a Folias de Reis é tão importante do ponto de vista social e cultural que são reconhecidas como Patrimônio Imaterial de alguns municípios entre eles Bom Despacho, Alterosa, Belmiro Braga, Betim, Casa Grande, João Pinheiro, Matias Barbosa, Nova Resende e Patos de Minas. Várias outras cidades mineiras estão em processo de elaboração de inventário para considerar a Folia de Reis como Patrimônios Imateriais Municipais.

sábado, 16 de novembro de 2019

Natal de Monte Verde conta a origem da Vila

(Por Arnaldo Silva) Um dos destaques da Vila Turística de Monte Verde, distrito de Camanducaia, no Sul de Minas, é sua decoração de Natal. É uma das mais belas e atraentes do Brasil e um show de luzes, cores vibrantes e emoções. Um espetáculo que atrai turistas de todo o país para a "Letônia mineira".
          Letônia é um país do Nordeste da Europa, bem no limite do Leste Europeu com o Mar Adriático. Juntamente com a Lituânia e Estônia, formam os Países Bálticos. Foi da Letônia, vieram os fundadores de Monte Verde, no início do século XX. (fotografia acima de Mônica Milev)

          
A própria característica, história e arquitetura letã, de Monte Verde, faz da mimosa e romântica vila mineira, um cantinho da Europa em Minas Gerais. (foto acima enviada pela Ascom/Move/Divulgação)
          Com cerca de 6 mil habitantes, excelente estrutura para receber turistas, a acolhedora e aconchegante Monte verde, conta com mais de 150 hotéis e pousadas, com preços variados, que atendem a todos os gostos e bolsos. 
          Tem ainda, dezenas de lojas, artesanato, cervejarias artesanais, queijarias, cachaçarias, fábricas de chocolates e restaurantes diversos, com culinária mineira, brasileira e europeia. (Fotografia acima de Tom Araújo/Move/Divulgação
          Um dos eventos mais aguardados em Monte Verde, é sua decoração de Natal. É uma das mais belas, impactantes e emocionantes decorações natalinas do Brasil. 
          Feita com criatividade, bom gosto, requinte e com o mais puro talento do povo da Vila, a decoração de Natal de Monte Verde, encanta, apaixonada e arranca suspiros. É mais que uma decoração natalina, é uma obra de arte a céu aberto. (fotografia acima de Mônica Milev/Chocolate Montanhês)
          Organizado pela Agência de Desenvolvimento de Monte Verde (Move), tendo o verde como cor predominante em sua decoração, o tema do Natal de Monte Verde para 2021 é “A origem de tudo”. 
          A agência Move foi criada em 2020, sem fins lucrativos, apartidária com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico, sustentável, turístico e ético de Monte verde, distrito subordinado a Camanducaia MG. Conta atualmente com cerca de 140 associados.
          “Neste Natal, queremos despertar em todos o sentimento de esperança de dias melhores, após esse período complicado que aos poucos vamos deixando para trás”, afirma a presidente da MOVE, Rebecca Wagner. (fotografia acima de Tom Araújo/Move/Divulgação)
          A temática da decoração é a história da origem da Vila e dos imigrantes que vieram para a região, atraídos pela semelhança da paisagem, clima e belas montanhas, com a de seu país de origem, a Letônia.
          A expectativa da Move é de público recorde para esse ano, bem superior aos 270 mil, presentes no ano anterior, 2020. (fotografia acima e abaixo enviada pela Mônica Milev/Chocolate Montanhês) 
          Além disso, as lojas, pousadas, hotéis, chocolaterias, restaurantes e demais estabelecimentos de Monte Verde, seguirão rigidamente os protocolos de higiene, de acordo com as normas sanitárias vigentes.
          De novembro, até o início de janeiro de 2022, o turista poderá conhecer a decoração de Natal de Monte Verde. É um show de luz, cores, alegrais e encantos em todos os cantos de Monte Verde. O turista poderá ainda conferir a decoração, as atrações e espetáculos, que acontecerão na vila, em todo o período natalino.
As atrações natalinas de Monte Verde
          Dentre as principais atrações da iluminação natalinas de Monte Verde, que são gratuitas, destaque para:
- O Despertar das Luzes: Até o primeiro dia de janeiro de 2022, no findar das tardes de sábados, a “Máquina da Luz” acompanhada pelo Papai Noel, percorre a Avenida Monte Verde. No final, o Papai Noel, aciona a “chave mágica”, iluminando toda a vila, com as luzes do Natal. (foto acima de Tom Araújo/Move/Divulgação)
- A Floresta Encantada: Um espaço especial, decorado e iluminado, na Praça do Carvalho, onde são realizados eventos musicais, além de contação de histórias, nos dias dias 08 e 15/12, às 11h, na Praça da Bíblia.
          Ainda na Praça do Carvalho, a origem de Monte Verde é contata de forma bem divertida, poética e lúdica, com os personagens representados por cores diversas, tendo como cenário, a “Árvore da Vida”. O espetáculo todas as sextas-feiras, de 19/11 a 31/12, às 19h. (na foto acima da Mônica Milev, apresentação da peça "A origem" pela Companhia de Teatro Mas Porquê)
- Banda de Música da 17ª Região da Polícia Militar de MG: dia 30/12, às 11h, na Avenida Monte Verde.
- A Vila de Natal: Simboliza a morada do Papai Noel. A pequena Vila foi montada em frente à sede da Move, junto à Casa do Papai Noel, na Avenida Monte Verde.
- Oficinas de Bauer: sábados (20/11; 27/11; 04/12; 11/12 e 18/12); terças-feiras (14/12, 21/12 e 28/12); sempre das 15h às 18h. As vagas são limitadas e gratuitas. As inscrições devem ser feitas pelo telefone (35) 3438-1839. (foto acima enviada pela Ascom/Move/Divulgação)
          Na pequenina Vila, o turista poderá ouvir histórias natalinas, bem como conhecer a arte bauernmalerei (pronuncia-se "bauermalarrái), que significa, “pintura de camponês”.
          Trata-se de uma técnica desenvolvida no século XVII por camponeses na Áustria e Alemanha. É uma arte muito tradicional em Monte Verde.
          A técnica consiste em recuperar, através da pintura, objetos rurais ou móveis em desuso ou já bem gastos, como enxadas, marretas, picaretas, ferro a brasa, caldeirões, bancos, mesas, portas, janelas, cadeiras, penteadeiras, eiras e beiras das casas, etc., com pinturas de flores, pássaros ou mesmo, figuras humanas. 
          A arte dava mais alegria e vida às vilas Europeias, principalmente no período natalino, devido ao branco da neve, que cobria as casas.
          Em Monte Verde, essa mesma técnica está presente nas ruas, bancos e casas da Vila. São pinturas feitas pelos próprios moradores.
- A Cabana do Papai Noel: Completando o cenário da magia do Natal, a Cabana do Papai Noel é onde o bom velhinho recebe as milhares de cartinhas com pedidos de presentes vindos de todo o mundo. É nesta cabana, que junto com seus ajudantes, que Papai Noel, fabrica os presentes que irá entregar para as crianças, na noite de Natal.
- Casa do Noel: visitação de 13/11 a 26/12, nas sextas, sábados, domingos e feriados, de 13h às 21h, exceto nos dias 24, 25 e 26 de dezembro, que terão horários especiais - dia 24/12, das 10h às 18h; dia 25/12 das 10h às 21h; e dia 26/12, das 13h às 16h. (foto acima e abaixo de Mônica Milev/Chocolate Montanhês)
-A Lojinha: uma pequena loja que o visitante terá á disposição, para adquirir lembranças do Natal de Monte Verde.
- O Bosque dos Imigrantes: É um bosque formado árvores, típicas da Mantiqueira e principalmente, a árvore símbolo do Natal, o pinheiro. As árvores do pequeno bosque foram decoradas e iluminadas com temáticas alusivas aos imigrantes que deram origem à Monte Verde e aos que, ao longo dos tempos, contribuíram com a construção da vila turística mineira. (foto acima enviada pelas Ascom/Move/Divulgação)
- A Árvore Encontros: Novamente, a origem de Monte Verde e seus fundadores, serão homenageados através da “Árvore Encontros”, montada em uma das rotatórias do vilarejo turístico. É um ponto com janelas, com cenas diferentes de natais, em diversas partes do mundo, em especial, dos lugares de origem de seus primeiros moradores. (fotografia acima de Mônica Milev/Chocolate Montanhês)
- Natal nas Alturas: no dia 21/12, o Papai Noel irá sobrevoar o distrito, interagir com o público e distribuir presentes.
A origem da Vila
          Os primeiros moradores de Monte Verde vieram da Letônia, um pequeno país no Nordeste da Europa, que junto com a Estônia e Lituânia, formam os países Bálticos. O pioneiro foi o Sr. Verner Grinberg (1910-2006) que chegou ao Brasil com a família, quando tinha apenas 3 anos de idade, se estabelecendo no interior paulista. 
          Verner ficou sabendo que em Minas existia um lugar, cujas paisagens e clima, tinham semelhança com seu país, a Letônia. Foi para a região conhecê-la por volta de 1938 e realmente comprovou a semelhança. Gostou tanto que adquiriu uma fazenda na região, com a ajuda da família e outros letões que o acompanharam, começou a formar uma pequena comunidade, de letões em sua fazenda, com o passar dos tempos, dando origem assim ao que é hoje Monte Verde. (fotografia acima de Anthony Cardoso/@anthonyckn)
          A partir de 1950 os Grinberg começaram a vender pequenas terrenos de sua fazenda, iniciando a formação de um povoado com a a abertura de ruas e construção de casas, cuja arquitetura foi inspirada na bela arquitetura europeia da Letônia. É a partir deste ano, 1950, que Monte Verde deixou de ser uma fazenda, para ser uma Vila, completando em 2020, 70 anos. 
          E assim surgiu uma das mais importantes vilas mineiras, hoje distrito de Camanducaia MG, no Sul de Minas. Um lugar charmoso, pitoresco, tranquilo em meio a vasta natureza e paisagens que lembram as pequenas vilas Europeias. Um lugar charmoso, elegante, acolhedor e simplesmente, único no Brasil. 
          Monte Verde é a Letônia mineira! Não é "Suíça mineira" e nem brasileira e sim, "Letônia mineira" porque seus fundadores são letões e a arquitetura, clima e paisagens, tem semelhanças com a terra natal dos pioneiros, a Letônia e não com a Suíça. Por isso, carinhosamente é a nossa "Letônia mineira", pela origem, arquitetura, cultura e semelhança com o país báltico.
          As baixas temperaturas na região também ajudam já que Monte Verde está a 1680 metros de altitude, sendo o ponto mais alto de Minas Gerais e o segundo do Brasil. Por isso que o inverno no distrito é rigoroso, geralmente abaixo de zero grau, com frequentes geadas. (foto acima de Dener Ribeiro)
Como chegar 
De São Paulo a Monte Verde: siga pela Via Dutra m direção a Guarulhos (SP) e acesse a Rodovia Fernão Dias na altura do km 13 até Camanducaia.
Partindo de Campinas (SP): o trajeto começa pela Rodovia D. Pedro I em direção a Jacareí (SP); depois entre à esquerda na Rodovia Fernão Dias, no sentido Belo Horizonte, até chegar a Camanducaia.
Saindo do Rio de Janeiro (RJ): siga pela Via Dutra 
até Jacareí (SP), entre na Rodovia D. Pedro I e, em Atibaia (SP), entre à direita na Rodovia Fernão Dias, continuando até Camanducaia. (fotografia acima de Dener Ribeiro)
De Belo Horizonte (MG) para Monte Verde: saída pela Avenida Amazonas, sentido São Paulo, até Camanducaia pela BR 381.
Informações e programação enviadas por Carolina Sibila/ Assessoria de imprensa Agência de Desenvolvimento de Monte Verde (Move)

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Conheça Pintos Negreiros

(Por Arnaldo Silva) Pintos Negreiros é um charmoso e pitoresco distrito de Maria da Fé, no Sul de Minas Gerais criado por Lei em 1953. A charmosa Vila faz divisa com os municípios de Cristina, Dom Viçosa, Virgínia, Delfim Moreira e Itajubá. Encravado na Serra da Mantiqueira, a Vila conta com pouco mais de 1600 moradores que vivem nos bairros Negreiro, Alto da Serra, Pedreira, Canto dos Amaros, Canto dos Carneiros, Canto dos Caetanos, Mendanha, Caetés, Coli e Boa Vista da Barra. A atividade econômica principal do distrito é a agropecuários e pequenos comércios. 
          Outra atividade que vem crescendo no distrito é o turismo rural como o surgimento de pousadas, trilhas e oportunidades que o distrito oferece aos visitantes de conhecer as belezas da Serra da Mantiqueira, num lugar charmoso, tranquilo, pitoresco, com um povo muito simples e hospitaleiro. Como em toda região da Mantiqueira, belezas naturais também estão presentes em Pintos Negreiros como cachoeiras paradisíacas, ótima trilha com cerca de 51 km de extensão que atraem ciclistas e motociclistas de várias regiões. Para os adeptos de rapel e escaladas, a dica são as pedreiras. 
          Vale ressaltar que Pintos Negreiros é considerada pelos trilheiros como um dos melhores lugares do país para a prática de mountaim bike. 
          A religiosidade é marcante entre os moradores de Pintos Negreiros. A fé católica é predominante, sendo que sua principal igreja faz parte da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes, na sede, Maria da Fé MG. No bairro Boa Vista da Barra há mais uma igreja católica e no distrito tem ainda uma igreja da Assembleia de Deus. 
          O acesso ao distrito é por estrada de terra, bem conservada. Saindo de Maria da Fé, são 25 km. De Dom Viçoso até Pintos Negreiros são 10 km. Outra opção é por Delfim Moreira e Virgínia, também em estrada de terra, porém não estão em boas condições. A que está em melhores condições de tráfego é esta acima, saindo de Maria da Fé MG. (fotografias de autoria de Cássia Almeida)

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