segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Conceição do Ibitipoca e o Arraial do Mogol

Compartilhe:

Conceição do Ibitipoca é um distrito de Lima Duarte, na Zona da Mata Mineira. São aproximadamente 1500 habitantes na vila, vivendo da atividade turística, produção agropecuária e pequenos comércios. (foto abaixo de Cristiano Moreira)

       A matriz da vila é em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, obra do Barroco Mineiro datado de 1768. “Ibitipoca” significa “montanha (ibytyra) estourada (pok)” segundo a língua tupi. Da junção do nome da padroeira com o termo tupi, surgiu Conceição do Ibitipoca. Além da Matriz, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos (na foto abaixo de Glauco Umbelino) é outro marco da fé católica no distrito, construída pouco depois da Matriz por escravos, sua arquitetura é colonial, erguida em pau-a-pique.
     É uma das mais antigas, charmosas e encantadoras vilas mineiras e a porta de entrada para um dos mais belos santuários ecológicos do Brasil, o Parque do Ibitipoca. A povoação na região começou a no final do século XVII e início do século XVIII com a descoberta de ouro na região. Com o passar dos séculos, a vila manteve sua originalidade, tradições e principalmente sua variada e rica gastronomia serrana. Seus moradores tem um estilo de vida simples, são hospitaleiros e simplesmente, amam o lugar em que vivem. 
     O Casario de Conceição do Ibitipoca, com suas cores vivas preserva os traços coloniais e suas ruas de pedras nos remetem ao passado. No entorno da bela Matriz de Nossa Senhora da Conceição os moradores se encontraram para prosear ou mesmo relaxar na tranquilidade do vilarejo, rodeado por montanhas e vasta natureza. (foto acima de Marlon Arantes)
     Uma das preciosidades da Vila são sua gastronomia e ótimas opções de hospedagens. Cafés coloniais, doces, bistrôs, charmosos restaurantes, produção artesanal de queijos e cervejas são atrativos, bem como o tradicional Pão de Canela do Ibitipoca. O charme serrano de Conceição do Ibitipoca atrai muitos turistas no inverno, principalmente casais. As pousadas e hotéis oferecem a oportunidade casais vivenciarem a estação mais fria do ano em confortáveis chalés ou quartos, com direito a lareira, para aquecer as noites geladas do Ibitipoca.
     Uma dessas pousadas, que mais me chamou a atenção foi a Reserva do Ibitipoca. É uma reserva ambiental particular maior até que a área do Parque do Ibitipoca. A reserva era uma fazenda e sua sede foi construída em 1715, sendo reformada e inaugurada em 2009 como hotel de luxo. São quatro chalés e oito suítes com banheira vitoriana, piso aquecido, roupa de cama em algodão egípcio e decoração bem mineira, como podem ver na foto abaixo, extraída do site da Reserva do Ibitipoca. 
O que mais me chamou a atenção na fazenda, não foi o quarto ou a beleza do casarão, mas a preocupação com o meio ambiente, buscando a auto sustentabilidade e um mínimo possível de interferência na natureza. Na Reserva do Ibitipoca a água é tratada, os carros são elétricos e a energia é solar. É feito constantemente o plantio de árvores nativas e ainda são cultivadas hortas sem agrotóxicos e produzido mel. Práticas assim tem que ser valorizadas e reconhecidas. Além dessa pousada, tem outras dezenas na região com preço para todos os bolso. 
Já na vila, durante o inverno acontecem festivais culturais variados de jazz, blues, forrós e outros. A noite é um atrativo à parte. Pelas ruas, aconchegantes e pitorescos bares e botecos são sempre um convite para um bom bate-papo com os amigos ou mesmo, momentos românticos entre casais. (foto acima de Tatty Pires)
     Saindo um pouco de Conceição do Ibitipoca, nos arredores do distrito pequenos povoados que valem a pena conhecer como Vila dos Moreiras, Bom Jesus do Vermelho, Boa Vista e o Mogol. 
O Mogol me encantou (foto acima de Márcia Valle). O lugar é um dos mais pitorescos que conheci até hoje. São poucas casas, mas seus moradores são amáveis, hospitaleiros e tem o maior carinho pelo lugar em que vivem. 
     Mogol surgiu no século XVIII. Seu casario tem traços colônias com detalhes do barroco mineiro. O que mais chama atenção no povoado é a sua igreja e o coreto ao fundo (na foto acima de Márcia Valle). Construída em estilo colonial, o pequeno templo é de uma simplicidade encantadora. Por dentro é uma aconchegante obra de arte com detalhes romanos nas colunas, mourísticos nos arcos e colonial brasileiro. O piso é em cerâmica e o forro em saião. Possui dois altares em madeira na cor azul rei, com detalhes em branco, dedicados a três santos. O centro é dedicado a Nossa Senhora dos Remédios. De um lado encontra-se o altar de São Sebastião e do lado o altar de Nossa Senhora de Fátima.
     Vale a pena conhecer Mogol, uma típica vila mineira em detalhes e beleza. 

     Lima Duarte (na foto acima de Márcio Lucinda  da Sauá Turismo) é uma linda cidade distante 297 km de Belo Horizonte. A cidade ponto de referência é Juiz de Fora MG. Conceição do Ibitipoca fica a 27 km da sede. De Conceição do Ibitipoca até a porta principal do Parque Estadual do Ibitipoca são 3 km, dá para ir a pé. Tanto em Lima Duarte como em Conceição, existem vários guias especializados que levam turistas para o Parque e distritos de Lima Duarte. (Por Arnaldo Silva)

Nenhum comentário:
Faça também comentários