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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Brumal: um dos mais antigos distritos de Minas

(Por Arnaldo Silva) Fundado em 1704 pela bandeira de Antônio Bueno, sendo uma das mais antigas povoações de Minas Gerais. É um dos mais belos distritos do Estado Mineiro, cujo centro histórico preserva as características originais do período colonial. (fotografia abaixo Sérgio Mourão/Encantos de Minas)
          Seu nome inicial era Brumado devido as constantes brumas formadas no inverno, já que a região fica aos pés da Serra do Caraça, onde a serração é comum. Depois passou a se chamar Brumado do Mato Dentro, Santana do Brumado, Barra Feliz e por fim, em 1943, seu nome atual Brumal. É distrito da histórica cidade de Santa Bárbara, município localizado no Quadrilátero Ferrífero, na região da Serra do espinhaço a 110 km de Belo Horizonte e distante 6 km de Barão de Cocais MG.
          Mesmo com pequena produção das minas ouro das redondezas, os fundadores do arraial acreditaram no potencial da mineração de Brumal e esta atividade foi se consolidando ao longo dos anos, atraindo um número constante de pessoas para o povoado, tornando-o próspero. Em 1837 o arraial contava com 1073 moradores, que viviam em 173 casas e oferecia uma vida confortável aos seus moradores. (fotografia acima de Elvira Nascimento)
          Hoje Brumal tem mais de 2 mil moradores e sua história é bem preservada, bem como seu casario e monumentos históricos como a Igreja de Santo Amaro, o Largo com o Chafariz ao centro, a Casa do Cartório e o prédio da escola velha.
Igreja de Santo Amaro do Brumal
          A iniciativa da construção dessa igreja partiu do morador Amaro da Silveira Borges, que segundo consta no inventário da Oferta Turística relata a iniciativa do morador dessa forma: "Amaro da Silveira Borges, morador do Arraial de Brumado, dirigiu uma petição ao Bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei Antônio de Guadalupe, dizendo que desejava fazer, à sua custa, a construção de uma capela na localidade em que residia, em virtude de a Matriz se achar distante duas léguas. O edifício religioso serviria assim para mais de 200 pessoas. Concedida a licença, por provisão de 14 de fevereiro de 1727, as obras foram iniciadas, e em outubro do mesmo ano a capela recebeu a bênção do vigário da freguesia. Em 1739, os três retábulos já estavam instalados, inclusive o da capela-mor, além de ornamentos e alfaias diversas. Em 1747, o visitador geral da capitania esteve no local, verificando obras não-terminadas e impôs o prazo de quatro meses para sua conclusão, sob pena de interdito. A partir de 1759, a igreja passou por várias reformas e acréscimos, inclusive consolidação das torres e reparações nos telhados" 
          A Igreja de Santo Amaro (na foto acima de Elvira Nascimento) é a mais importante herança dos fundadores de Brumal para a cultura colonial mineira, sendo hoje uma das mais importantes obras setecentista do Brasil, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), sendo registrada no Livro Belas Artes. Inscrição nº 248. 1948.
          Foi dedicada a Santo Amaro e a capela-mor, foi feita com elementos do estilo joanino que era muito usado no Barroco português durante o reinado de dom João V (r. 1707-1750).  Importantes exemplares de retábulos joaninos são encontrados tanto em Portugal como no Brasil e acredita-se que o altar da Igreja de Santo Amaro, em Brumal, tenha sido o primeiro do estilo joanino em Minas Gerais. (a fotografia abaixo, de Elvira Nascimento, mostra o interior da Igreja de Santo Amaro)
          O historiador Robert Smith, define assim o estilo Joanino: “É característico deste período um vocabulário decorativo onde predominam conchas, feixes de plumas, palmas, volutas entrelaçadas, grinaldas e festões de flores. Figuram ainda uma diversidade de baldaquinos e sanefas, cortinas e panos, fragmentos de arcos e outros motivos arquitetônicos. [...] No interior das igrejas a talha dourada é a manifestação artística mais relevante, conferindo imponência e fausto aos retábulos, surgindo frequentemente associada a outras artes decorativas como o azulejo, a pintura, a escultura e a pintura decorativa, impondo uma nova dimensão a espaços sem relevante expressão arquitetônica. A amplitude atingida por esta conjugação de expressões resulta muitas vezes, em estruturas de grande complexidade, tanto iconográfica como artística, cujo brilho dourado dá especial relevância”.
          A construção foi iniciada em 1727 quando o arraial estava em franco crescimento econômico, e inaugurada em 1747 ainda inacabada, pois faltava a conclusão dos painéis parientais que retratam cenas bíblicas, incluindo a vida de Santo Amaro, sendo totalmente concluída  no final do século XVIII. (na foto acima, de Elvira Nascimento, o altar da Igreja de Santo Amaro em Brumal)
Chafariz do Largo de Brumal
          Como podem ver na foto acima, de autoria de Anderson Sá/@meuolhar.andersonsa, o famoso chafariz, construído em 1898 fica no centro de Brumal, numa praça totalmente gramada, que junto com o casario colonial integra o conjunto arquitetônico do distrito, sendo um dos lugares mais visitados. Segundo informações disponível no site da Prefeitura de Santa Bárbara "Em 2008, o Chafariz passou por um processo de restauração. De acordo com o projeto, aprovado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA/MG), a intervenção de conservação e restauração do Chafariz, construído em pedra-sabão de linha arquitetônica plana e geométrica, consistiu na higienização do conjunto e reintegração com prótese dos elementos que apresentavam comprometimento do equilíbrio e harmonia do Chafariz. Foram utilizados materiais e técnicas que não alteraram a significação e a aparência original do monumento" 
As cavalhadas
          Todos os anos, no dia de Santo Amaro (2 de julho), acontece a famosa Cavalhada. Cavalhadas é a forma que os cristãos  encontraram para simbolizar as guerras travadas entre Mouros e Cristãos na conquista da Terra Santa. As chamadas Cruzadas, que aconteceram no período da Idade Média.
          Os Mouros tentavam impedir os Cristãos de conquistarem Jerusalém e este lutavam para conquistar seu objetivo. As batalhas eram travadas sobre cavalos em ataques com espadas e lanças, numa batalha sangrenta e mortal. 
          Os cristãos venceram e desde a idade média começaram a surgir batalhas simbólicas sobre cavalos para marcar o evento. Os cavalheiros se vestem com roupas que lembram os Mouros e Cristãos, mas não usam lanças ou espadas e sim, confetes e fitas.
A Cavalhada de Brumal  tem os desfiles de cavalheiros, corridas e jogos acompanhados por um conjunto musical. Essa festa existe desde 1937. 
          Começou com um morador, Sr. Jorge da Silva Calunga, que segundo dizem,  fez uma promessa a Santo Amaro e se a graça fosse alcançada, faria em Brumal no dia da festa de Santo Amaro uma Cavalhada em homenagem ao santo. Como a graça foi atendida, em 1937 organizou a primeira cavalhada  e a tradição foi mantida pelos familiares e moradores do distrito, fazendo parte hoje do calendário cultural e religioso do distrito e de Minas Gerais, sendo inclusive patrimônio histórico imaterial de Santa Bárbara MG.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Piacatuba da Fé, da Culinária e do Festival da Viola

(Por Arnaldo Silva) Piacatuba (Imagem acima Jornal Leopoldinense, enviada por Fernanda Espíndola) é distrito de Leopoldina, cidade da Zona da Mata, distante 322 km de Belo Horizonte. O pequeno distrito é charmoso, possui um preservado casario histórico, repleto de histórias, cultura, religiosidade e boa gastronomia. Piacatuba está a 20 Km de Leopoldina, 86 Km de Muriaé; 20 Km de Cataguases e 8 Km da Rodovia Ormeo Junqueira Botelho.
Todos os anos acontece em Piacatuba o Festival da Viola e Gastronomia com apoio da Prefeitura e Câmara de Leopoldina, além de empresários locais. Esse festival acontece geralmente em julho, com a presença de artista renomados e violeiros de todo o Brasil, bem como turistas, que vão ao distrito apreciar o que tem de melhor na culinária mineira. (na foto acima, vemos a história do distrito contada em pinturas, espalhadas nas paredes das casas. Fotografia de Ane Souz)
A rua das Pedras é um dos locais mais frequentados do distrito, por estar nessa rua, um belíssimo casario (fotografia acima de Ane Souz), muitos deles, transformados em confortáveis restaurantes e barzinhos.
Um dos atrativos de Piacatuba, além de seu belo casario colonial, é a Matriz de Nossa Senhora da Piedade (na  foto acima de Ane Souz)
e a famosa Torre Queimada cuja edificação foi cercada de mistérios inexplicáveis, o que elevou o distrito a ser um centro de 
peregrinação e fé. Conta-se no distrito, que na metade do século XIX, duas famílias travavam uma intensa batalha por posses de terras. O fazendeiro Capitão Domingos de Oliveira Alves, ganhou uma gleba no dia 23 de agosto de 1844 com a finalidade de instalar nas terras uma povoação. 
Ele marcou as terras com uma cruz de uns 5 metros de altura, num terreno bem arenoso. Mas o outro fazendeiro que reivindicava as mesmas terras ficou inconformado por não ter recebido a gleba, e ordenou aos seus escravos a derrubada da cruz. 
Os escravos escavaram as pés da cruz como determinou o fazendo, só que a cruz não se desprendia de jeito nenhum. Irritado, mandou que ela fosse cortada a machado. 
Mesmo com a força dos golpes dos machados, a cruz permanecera intacta. 
Meio cismado com o que viu acontecer, mesmo assim insistiu com seu objetivo. Só que dessa vez, mandou fazer uma enorme fogueira em torno da cruz. Os escravos colocaram lenhas e gravetos em grande quantidade e atearam fogo. Durante a noite toda, o fogo ardia, deixando satisfeito o fazendeiro. No dia seguinte, um dos escravos lembrou que tinha esquecido sua foice no local e retornou para buscá-la. 
Chegando lá, notou que a cruz estava imponente e de pé, apenas chamuscada. (as fotografias acima mostram a cruz chamuscada e preservada e o Santuário, onde a cruz fica protegida e aberta para os fiéis.Fotos de Ane Souz)
Segundo dizem, todos que tentaram derrubar a cruz foram severamente castigados. Alguns morreram tragicamente e outros morreram vítimas de doenças terríveis.
Por esse motivo, o local hoje é considerado sagrado, sendo constantemente visitado por peregrinos que lá vão levando seus pedidos de milagres ou agradecendo pelas graças alcançadas. Os pedidos e agradecimentos são feitos em orações e escritos em papéis, colocados aos pés da cruz original (como se pode ver na foto ao lado, de Ane Souz). A Cruz Queimada é um dos mais conhecidos e visitados símbolos religiosos da região Zona da Mata.
(Reportagem de  Arnaldo Silva com fotografias de Ane Souz)
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17ª edição do Festival de Viola de Piacatuba e Gastronomia acontecerá em Julho de 2021
Mais informações:
Assessoria de Imprensa do Festival
Fernanda Espíndola Tel.: (32)99929-4660
E-mail:fernandaguimaraesespindola@hotmail.com

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Floricultura troca mudas de hortaliças por óleo usado

(Por Arnaldo Silva) A cidade de Bom Despacho MG, no Centro Oeste do Estado vem se destacando em qualidade de vida e meio ambiente, principalmente pela iniciativa de seus cidadãos.
          Um grupo de voluntários, atua na revitalização das praças abandonadas na cidade, com apoio da Prefeitura local. Reúnem a comunidade, discutem com os moradores o desejo que a comunidade do entorno da futura praça tem e executam o projeto, arborizando o local e colocando balanços para as crianças. Por fim, cabe a Prefeitura a urbanização da Praça. Essa ação já revitalizou 11 praças da cidade, até o momento, bem como várias espécies de árvores estão sendo plantadas em ruas e canteiros centrais de avenidas.(na foto abaixo o Grupo de Voluntários na arborização da Praça Amélia Araújo) 
          Uma outra iniciativa é a Barraca da Muda. Essa barraca foi criada pela empresa STA, do empresário Saul Pádua e colocada na esquina da Avenida do Rosário, como podemos ver na foto acima. O dono não fica no local e nem tem funcionário. As pessoas escolhem suas mudas, que tem preço fixado e colocam o dinheiro numa caixinha que fica ao lado da barraca. Tudo na confiança.
          Agora uma outra excelente iniciativa, do mesmo empresário, Saul Pádua (na foto ao lado) visa favorecer o meio ambiente e ajudar a população a ter hortaliças em casa.
Está trocando 10 mudas de hortaliças por 2 litros de óleo de cozinha usados. Aquele óleo que geralmente é jogado no esgoto e que dá uma contribuição enorme para a poluição dos rios. A empresa recolherá o óleo e dará um destino sustentável ao mesmo.
          O cidadão que for lá e deixar o óleo, estará contribuindo com a preservação do Meio Ambiente. Assim, se faz uma cidade melhor, o povo agindo, seus cidadãos tomando iniciativa.
          A Barraca da Muda, da STA fica na Rua do Rosário, 587, esquina com a Avenida Dr. Roberto, no bairro São José.
“Quem destina corretamente o óleo doméstico mostra que tem responsabilidade com o meio ambiente e com as próximas gerações”, 
afirma o empresário e idealizador da iniciativa, Saul Pádua. 

terça-feira, 19 de junho de 2018

O espelho das águas numa noite de São João

O dia amanheceu coberto por uma densa cortina branca, o sol parecia ainda em profundo sono repousado no horizonte.
          Rosinha pulou sobre Margarida que ressonava sonhando com os anjinhos. A noite era tão grande e o frio rigoroso dava vontade nem levantar, mas Rosinha ansiosa não deu trela para a preguiça e de mansinho abriu a porta e pé ante pé correu para a bica que despencava sobre o lajeado de pedras e escorria formando o poço de água cristalina com seu tom azulado de tão pura. 
          Bocejando o poço inundava de fumaça branca o seu entorno. No seu interior os lambaris dançavam em constante malabarismo. 
         Rosinha sabia como seria importante ver sua imagem no espelho das águas antes do nascer do sol, mas o hálito morno que subia em forma de neblina a impedia. Sentada no barranco com seus pezinhos submersos ela brincava com os peixinhos que vinham beijá-los. Entretida sem noção do tempo e do perigo permaneceu ali com sua encantadora inocência. A hipotermia gradativamente tomava seu corpo.
          Quando o sol pintou afastando a densa neblina, um tremendo susto. Esbaforida Margarida correu até ao pai que ordenhava as vacas no curral a mãe voltava com os gravetos que fora buscar para o preparo do café.
          - Papai... Mamãe! Gritou a menina! Rosinha não está na cama desapareceu!

          Procurou por todos os lados e nada! A mãe correu para a bica e nada nem sinal o poço já não bocejava mais neblina alguma. Vasculharam as redondezas, foi ás casas de vizinhos, mas ninguém viu a adorável Rosinha. O desespero e a comoção tomaram a todos que se juntaram aos pais e procuravam por ela. Quando as esperanças se esgotaram a mãe voltou à bica viu uma trilha de pétalas de flores que adentravam pelo bosque eram flores de cipó de são João, seguiu a trilha e deparou-se com uma cabana até então nunca vista. Ela gritou:
          - oh de casa tem alguém ai? Nenhuma resposta decidiu entrar, no chão sobre um estrado uma pele de cordeiro estendida e outra de lado, sentada sobre uma pedra Rosinha brincava amarrando flores no pescoço de um cordeirinho recém nascido. A mãe chamou centenas de vezes, mas ela parecia estar em outra dimensão e não atendia. Desesperada ela atirou sobre ela para abraçá-la, neste momento, ela, a mãe, acordou. Estava apenas sonhando numa noite de São João!

Por Geraldinho do Engenho - Escritor, residente no Engenho do Ribeiro, distrito de Bom Despacho MG (fotografia de Arnaldo Silva)

sábado, 16 de junho de 2018

Lei Federal libera venda de queijos mineiros no país

(Por Arnaldo Silva) A Lei que altera a fiscalização de produtos alimentícios de origem animal, produzidos de forma artesanal, entre eles o queijo, foi publicada no Diário Oficial da União em 15/06/2018, necessitando de regulamentação do Ministério da Agricultura e dos Governos Estaduais. A lei substituiu a que foi promulgada por Getúlio Vargas em 1950, que impedia a comercialização fora das fronteiras dos estados brasileiros de produtos artesanais de origem animal como queijos, mel e embutidos. Uma luta de décadas dos produtores não só de Minas, mas de todo o Brasil, principalmente dos que produzem queijos. 
          Os produtores de queijos aguardavam a regulamentação da Lei pelo Governo Federal e comemoraram muito, já que no dia 19/07/2019, a regulamentação do Selo Arte foi feita pelo Ministério da Agricultura. Isso significa que os produtos artesanais com o Selo Arte, como os produtos derivados do leite, mel e embutidos podem ser vendidos normalmente em todo o território nacional. Na prática, retira o comércio de queijo mineiro da "clandestinidade" ou venda limitada, já que a lei de 1950 impedia a venda dos nossos queijos fora do Estado de Minas Gerais, o que levava os queijeiros mineiros a venderem de forma informal os queijos, correndo o risco de terem seus produtos apreendidos pelos órgãos de fiscalização, como já ocorreu várias vezes.(foto acima de Elvira Nascimento, queijos artesanais de Ipaneminha, distrito de Ipatinga MG)
         Com a regulamentação do Selo Arte, cabe aos estados, de acordo com suas leis estaduais e sanitárias, liberar a comercialização dos queijos para fora de suas fronteiras. Em Minas Gerais Lei que regulamenta a produção de queijos no estado foi promulgada em dezembro de 2018. Agora o Governo Mineiro poderá emitir a liberação do comércio de queijos, mel e embutidos mineiros para fora do estado, cadastrando os produtores que estejam de acordo com as normas sanitárias vigentes, bem como as regras do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) que já está se mobilizando se adequar à regulamentação do decreto do Selo Arte.
         Minas Gerais tem 30 mil produtores de queijos artesanais legalizados, com autorização do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) para comercializarem seus produtos no Estado. Desde número, apenas 10, têm documentação que permite a venda de seus produtos fora do estado. Com a regulamentação, esse número irá aumentar significativamente, o que é comemorado e muito pelos produtores de queijos mineiros, já que é o reconhecimento de um dos maiores patrimônios da cultura e gastronomia de mineira.
         Minas Gerais lidera a produção de queijos no país com 68% da produção nacional. São 320 mil toneladas de queijos por ano, sem contar outros tipos de queijos artesanais como o Cabacinha, tradicional no Vale do Jequitinhonha e Norte de Minas, o requeijão moreno e queijos feitos para consumo próprio. A tendência será um rápido crescimento da produção de queijos artesanais mineiros, podendo equiparar à produção industrial. Isso porque os produtores, visando à expansão do mercado que a regulamentação passou a permitir,  irão aumentar sua produção. 

         Pra se ter ideia, somente nas 7 regiões produtoras de Queijo Minas Artesanal de leite cru (Serra da Canastra, Serro, Araxá, Campo das Vertentes, Triângulo Mineiro, Cerrado e Serra do Salitre), segundo dados da Emater, 9 mil produtores que produzem anualmente 219 mil toneladas de queijos, com vendas praticamente restritas ao mercado interno mineiro. Com o fim das dificuldades impostas pela lei anterior e com a liberação da comercialização dos produtos artesanais, as vendas irão aumentar em muito, bem como o estado ganhará com mais impostos recolhidos já que aumentará a produção, gerará mais empregos e renda para as famílias que sobrevivem da produção de queijos.
        Em breve as gôndolas dos supermercados de todo o Brasil terão os famosos queijos mineiros à disposição dos brasileiros, o que irá valorizar ainda mais os queijos produzidos em Minas Gerais, reconhecido tanto no Brasil como no exterior, como um dos melhores do mundo. 

Cipó de São João: ruminando as lembranças

No passado a natureza quebrava a monotonia da impiedosa seca, com a magnífica beleza da flor do cipó de são João.
Tivera eu talento para pintar as belas imagens que outrora ilustraram o Vale Picão, com certeza daria um belo quadro na historia universal.
A paisagem harmoniosa criada pela mão de Deus exibida pela natureza, foi algo fascinante. Atualmente vou ruminando nas lembranças a saudade das imagens engavetadas na mente que vão sendo remoídas pelo pensamento.
A simplicidade do cipó de são João com toda sua beleza ecológica é um belo poema escrito pelo criador. Um recado de Deus estampado nas densas latadas do cipó que se vergavam ao peso das flores despencando das arvores despidas de suas folhas quando a natureza as colocava em quarentena, no estado de dormência para vegetarem no seu período de descanso preparando-se para ilustrar a primavera.
Foram com o cipó, que no passado nossos ancestrais sustentaram as estruturas de suas moradias, seus ranchos de madeiras, barreados de chão batidos cobertos de sapê. Recursos oferecidos pela natureza abrigando a dignidade humana dos matutos sertanejos.
Foi com ele que o homem do mato construiu uma diversidade de utensílio utilizada para sua sobrevivência. E na sua demonstração de fé, entrelaçou os mastros das bandeiras enfeitadas de laranjas maduras. Com sua flor ilustrou na sua haste no contraste do amarelo com as demais cores, ao aconchegante calor das fogueiras, na quermesse junina.
Ícone de inspiração a musica sertaneja: na voz de famosas duplas que tão bem o descrevem em sua musica. Raiz do nosso folclore. ”Lá no meio do cafundó onde pia triste o chororô”
Destituído de suas funções foi substituído pelo aço, o cipó cedeu lugar ao arame e os pregos.
Atualmente tanto ele como o chororô, juntas as demais espécies tentam sobreviver, entre fileiras de eucaliptos, projetados por um sistema globalizado que utilizam maquinas potentes, na ânsia louca da guerra mercantilizadas pelas multinacionais.
Os homens que antes causavam pequenos arranhões a natureza com suas ferramentas rudimentares, hoje se tornaram espectadores e vitimas desta infernal destruição.
Sem perder a ternura a flor do cipó desabrocha de forma singela. Se rastejando pisoteada pela histórica depredação que vai eternizando no tempo.Neste enigmático desabrochar, ela nos prova, que acima de tudo ainda existe um ser maior,imbatível ,criador,que tudo sabe e tudo.E vez por outra manda seu alerta,através dos terremotos e maremotos.
”Os tsunamis da história"
Por Geraldinho do Engenho - Escritor e morador do Engenho do Ribeiro, distrito de Bom Despacho MG

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Bolo de fubá tradicional de Minas

(Por Arnaldo Silva) Essa é uma das mais tradicionais receitas de Minas Gerais, mais de 200 anos presente na mesa do povo mineiro. 
          No início os ingredientes eram difíceis de conseguir, pelas dificuldades da época. O leite vinha direto do curral. Fubá era moído no moinho de pedra. Não existia óleo, usava-se banha de porco.  Bater a massa era na mão mesmo. Fermento não existia, usava-se o bicarbonato. Como o trigo era um produto difícil de conseguir naqueles tempos, não era usado nos bolos de fubá. Ao invés de farinha de trigo, usavam coalhada. Trigo em bolo de fubá é invenção. Bolo de fubá é feito com fubá e não leva farinha de trigo.E tudo era assado no forno a lenha. Quem não tinha forno, assada no fogão a lenha. Simplesmente colocava a massa numa panela, na trempe do fogão e cobria a panela com uma chapa cheia de brasa. Assim ficava assado por igual e super delicioso. 
          A maioria das famílias antigas eram bem simples e não existia como hoje copo americano para tirar as medidas. Usavam canecões enormes mas não nas medidas, para beber leite ou água. Em sua maioria, tinham pouco ou nenhum estudo e não entendiam muito de valores de medidas. A quantidade de ingredientes eram medidas em pratos, aqueles pratos esmaltados.
          Em algumas comunidades de Minas usa-se os ingredientes tradicionais da receita. Mas como a maioria do mineiro e brasileiro vive em cidades grandes, as tradicionais receitas tiveram que se adaptar aos novos ingredientes e facilidades da vida moderna nas cidades. Hoje é fácil encontrar nos supermercados os ingredientes para qualquer receita. O objetivo é manter a tradição do sabor, da originalidade da receita, com as facilidades que a vida moderna nos oferece.  Aprenda então a fazer o tradicional Bolo de Fubá, natural de Minas Gerais.
Você vai precisar de:
. 2 copos americanos de fubá mimoso bem cheio
. 100 g de coalhada 
1 copo americano de óleo faltando um dedo para encher. (até aquela linha superior do copo)
. 3 ovos caipira
. 1 colher de sopa de fermento em pó
. 2 copos de leite (não é leite em pó, nem leite de caixinha, melhor seria o cru, mas na cidade é difícil de encontrar, use então o pasteurizado)
.1 copo americano de açúcar
. 1 pitada de sal
1 copo americano de Queijo Minas meia cura ralado
(não se usa trigo em bolo de fubá original mas se preferir, use apenas 1 colher e meia de sopa de farinha de trigo)
Pra fazer:
- No liquidificador, bata os ingredientes, exceto o fermento e o queijo. Bata bem.
- Quando terminar de bater, misture com uma colher o fermento e o queijo.
- Despeje todo o conteúdo numa forma redonda ou retangular, untada com manteiga
- Leve para assar em forno pré-aquecido a 200ºC até dourar.
Assando na chapa a brasa
          A receita foi adaptada aos ingredientes e facilidades encontradas na cidade hoje, mas quem puder e tiver condições pode fazer da forma tradicional. A medida você vai tirar com pratos esmaltado que hoje são fáceis de encontrar. Use leite cru, fubá de moinho, bicarbonato de sódio no lugar do fermento, coalhada no lugar da farinha de trigo, banha de porco, ovos de galinha caipira. 
          Acima tem quatro fotos, de autoria de Carias Frascoli, mostrando o processo. Mas fazer o bolo original é bem simples.
- Misture os ingredientes citados com a medida da primeira receita numa panela, mexa com colher de pau e com esta colher, bata por uns 15 minutos, até ter consistência boa.
- Coloque a massa numa panela sobre o fogão a lenha e cubra com uma chapa de metal (pode chapa de lata) com muita brasa ardente e deixe assando até dourar. 
Há mais de 200 anos era assim que se fazia bolo. 
Fica outra coisa,um bolo maravilhoso, delicioso demais!
(Por Arnaldo Silva (Bom Despacho MG) - Receita de família. 
 A primeira foto é da Márcia Porto de Santa Maria do Salto MG e as outras de Carias Frascoli de Cristais MG)

domingo, 10 de junho de 2018

Mercado Central de BH entre os 10 melhores do mundo

(Por Arnaldo Silva) A Tam Linhas Aéreas, divulgou em sua revista de bordo, "Tam nas Nuvens", de janeiro de 2016, reportagem especial com os 10 melhores mercados de todo o mundo, tendo como base de votação entre os passageiros da empresa em todo o mundo, com pesquisa feita no final do segundo semestre de 2015, divulgado em 2016. (foto abaixo de César Reis, pimentas do Mercado Central)
          Entre os 10 melhores do mundo, o Mercado Central de Belo Horizonte ficou em terceiro lugar. Na primeira colocação ficou o Mercat de la Boqueria, de Barcelona e o segundo, o Bourough Market, de Londres. Outro mercado brasileiro, na lista entre os 10 melhores do mundo foi o Ver-o-Peso, de Belém do Pará.
           A revista "Tam nas Nuvens" tem circulação mensal, com tiragem de 150 mil exemplares, atingindo um público de 2.905.000 leitores, com distribuição entre todos os seus passageiros, em voos nacionais e internacionais, segundo informações no site da companhia aérea. Da data de divulgação da pesquisa feita pela "Tam nas Nuvens" até hoje, não foi feita outra pesquisa sobre o tema, prevalecendo então esta como a atual a pesquisa. (foto acima da Regina Kátia/@reginasfarm)
          Na reportagem, a variedade e qualidade dos produtos oferecidos, como temperos, queijos, artesanatos, os bares e restaurantes, com suas culinárias criativas e tradicionais foram os destaques apontados pela revista. (foto acima da Sila Moura)
          O Mercado Central de Belo Horizonte estar entre os melhores do mundo, é o reconhecimento do trabalho sério e preservação das tradições mineiras, bem como a variedade e a qualidade de seus produtos, mantidas, desde sua fundação, em 7 de setembro de 1929. 
          Quem vem à Belo Horizonte, tem por obrigação vir ao Mercado Central. Seria um passeio incompleto. E quem vem, conhece o mercado, seus corredores, suas mais de 400 lojas, experimenta seus pratos típicos como o fígado com jiló, os doces mineiros, os queijos do Serro e Canastra, o artesanato mineiro, as frutas e verduras vindas do produtor. Tudo no Mercado Central encanta e impressiona. Quem conhece uma vez, quer voltar sempre. (foto acima e abaixo da Sila Moura)
Fonte das informações: Site do Mercado Central de Belo Horizonte www.mercadocentral.com.br e site da Tam nas Nuvens: www.tamnasnuvens.com.br
Endereço do Mercado Central:  Avenida Augusto de Lima, 744, Centro de Belo Horizonte
Aberto de 7 hs até as 18 hs. Domingo de 7 hs até as 13 hs. Telefone: (31) 3274-9434 e 3274-9497

sábado, 9 de junho de 2018

As mais antigas povoações de Minas Gerais

(Por Arnaldo Silva) O Estado de Minas Gerais começou a ser ocupado em meados do século XVI com a chegada de bandeirantes e portugueses, que entraram no hoje território mineiro, através de São Paulo e Bahia. Vieram para cá a procura de veios de ouro e escravos índios. Antes da chegada dos portugueses, o território mineiro era ocupado por diversos povos indígenas do tronco linguístico macro-jê: os xacriabás, os maxacalis, os Krenaques, os aranás, os mocurins, os atuaá-araxás e os puris. Alguns desses povos como os maxacalis, Krenaques e xacriabás estão ainda presentes no Estado. (na foto abaixo de Ane Souz, mapa de Minas Gerais numa casa de pau-a-pique em Glaura, distrito de Ouro Preto MG)
          Minas Gerais é o estado brasileiro onde floresceram os primeiros municípios, através da riqueza da terra (o ouro) que originou o enriquecimento cultural e os traços de nossa gente.
        Os europeus e bandeirantes chegavam, montavam um pequeno arraial. Se o arraial prosperasse, era elevado pelo inicialmente a freguesia, depois vila, em seguida distrito e por fim, cidade. Mas isso era um processo lento e demorado. Pra se ter uma ideia, um arraial para chegar a cidade levava décadas ou séculos até, como é o caso de Belo Vale, fundada no final do século XVII, foi elevada à cidade em 1938, no século XX.
        Existia na época do Brasil Colonial e Imperial, uma norma que incentivava as Vilas a arrecadarem ouro. Quanto mais ouro arrecadavam e enviavam para a Coroa, mais rapidamente eram elevadas à cidades. Dai a incessante corrida em busca de mais ouro. E assim foram surgindo rapidamente boa parte das cidades mineiras, no século XVIII.
     É o caso de Mariana, que foi a primeira vila, cidade e capital do estado de Minas Gerais, por ser a que mais produzia ouro na época. No século XVIII, foi uma das maiores cidades produtoras de ouro para a Coroa Portuguesa. Tornou-se a primeira capital mineira por participar dessa disputa, retirando grandes quantidades de ouro de seu solo, o suficiente para que fosse  logo elevada à cidade, e com isso, à capital da então Capitania de Minas Gerais.
          Vamos conhecer a lista das primeiras povoações surgidas em Minas Gerais, nos séculos XVII e XVIII. Não é lista das primeiras cidades, e sim lista dos primeiros povoados surgidos, que ao longo dos anos foram elevados à freguesias, vilas, distritos e por fim, cidades. A fonte das informações abaixo foram baseadas em dados do IBGE.
01 - Matias Cardoso MG - Norte de Minas - Fundada em 1660
Sua origem data de 1660, com a chegada á região da bandeira. Chegaram, formaram um povoado, de nome Morrinhos, a primeira povoação de Minas Gerais. O arraial prosperava, tendo sido elevado a freguesia, vila, distrito e por fim cidade, com o nome de Matias Cardoso, em homenagem ao bandeirante. Além de ser o povoamento mais antigo de Minas Gerais, abriga também a primeira igreja de Minas Gerais, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, erguida pelos Jesuítas. Hoje a igreja é um dos símbolos da história de Minas Gerais. Matias Cardoso (na foto acima de Manoel Freitas) fica a 683 km de Belo Horizonte, no Norte do Estado e faz divisa com os municípios de Manga, Itacarambi, Jaíba, Gameleiras, São João das Missões e Malhada (Ba) e Iuiú (BA)
02 - Ouro Branco MG - Região Central - Fundada em 1664
Distante 100 km de Belo Horizonte e 33 km de Ouro Preto, foi a segunda mais antiga povoação a ser formada em Minas Gerais, tendo com um dos marcos de sua fundação, a Igreja de Santo Antônio, datada de 1717, em Itatiaia, distrito de Ouro Branco, (na foto acima da Sônia Fraga) O município faz divisa com os municípios de Congonhas, Conselheiro Lafaiete, Itaverava, Ouro Preto.
03 - Sabará MG Grande BH - Fundada em 1665
Em 1665 chega à região bandeirantes em busca do ouro. Formaram um arraial, elevado a freguesia em 1707, a vila em 1711 com o nome de Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará e por fim à cidade desde 1838. Fica a 20 km de Belo Horizonte e faz divisa com os municípios de Belo Horizonte, Caeté, Nova Lima, Raposos, Taquaraçu de Minas, Santa Luzia.
04 - São Romão - Norte de Minas. Fundada em 1668
Onde está hoje o município de São Romão (na foto acima de @heidrones) era um território habitado por indígenas da etnia Caiapós. Com a chegada das bandeiras à região, foi fundado um povoado em 23 de outubro de 1668 com o nome de Santo Antônio da Manga. Houve resistência de indígenas nativos e nômades. Segundo história oral, a resistência indígena foi totalmente contida, por volta de 1712, chefiada pelo paulista Januário Cardoso de Almeida e pelo português, Manuel Pires Maciel, tendo a vitória final no dia de São Romão, por isso o nome da cidade. O povoado foi elevado a freguesia e vila em 1831 e a município em 1924. São Romão, distante 529 km de Belo Horizonte é uma cidade do Norte de Minas, banhada pelo Rio São Francisco e tem cerca de 13 mil habitantes. 
05 - Ibituruna - Oeste de Minas - Fundada em março de 1674
Conhecida como "Berço da Pátria Mineira", foi o primeiro povoado fundado em Minas Gerais pelo bandeirante Fernão Dias Paes Leme, em 1674. (na foto acima de Marcelo Melo) fica na região Oeste de Minas, distante 220 km de Belo Horizonte e faz divisa com os municípios de Bom Sucesso, Ijaci, Itumirim, Itutinga, Nazareno.
06 - Itamarandiba - Norte de Minas - Fundada em 24/06 1675
O município do Vale do Jequitinhonha é uma dos mais antigos da região e um dos mais antigos de Minas Gerais, tendo sido elevado a distrito em 1840 e à cidade em 1862. (foto acima de Sérgio Mourão) Itamarandiba fica a 406 km de Belo Horizonte e faz divisa com os municípios de Aricanduva, Carbonita, Capelinha, Senador Modestino Gonçalves, Veredinha, Rio Vermelho, São Sebastião do Maranhão, Coluna, Frei Lagonegro , Felício dos Santos e São Pedro do Suaçuí.
07 - 
Belo Vale - Região Central - Fundado em 1681
Com a descoberta de ouro em suas terras, Belo Vale foi um dos primeiros núcleos populacionais de Minas Gerais, sendo formado a partir de 1681. (foto acima de Evaldo Itor Fernandes) Belo Vale fica distante 88 km de Belo Horizonte e faz divisa com os municípios de Congonhas, Ouro Preto, Moeda, Brumadinho, Bonfim, Piedade dos Gerais, Jeceaba.
08 - Brejo do Amparo - Fundado em 1688
Brejo do Amparo é hoje (na foto acima de Pingo Sales) distrito de Januária, no Norte de Minas. Foi o berço da ocupação do Norte-mineiro, sendo de grande importância histórica e cultural para Minas. No distrito, foi erguida pelos Jesuítas a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em 1688, tendo sido a segunda igreja construída em Minas Gerais. 
09 - Mariana - Região Central - Fundada em 1696
Mariana (foto acima de Elvira Nascimento) surgiu no final do século XVII, com a descoberta de ouro em seu subsolo, tendo sido logo povoada diante da grande quantidade de ouro encontrada e crescendo rapidamente, sendo elevada a vila em 8 de abril de 1711 e logo à cidade e capital de Minas Gerais, se chamando Mariana em definitivo, a partir de 23 de abril de 1745. Mariana fica a 110 km de Belo Horizonte, faz divisa com os municípios de Alvinópolis, Catas Altas, Ouro Preto, Acaiaca, Diogo de Vasconcelos, Piranga, Santa Bárbara.
10 - Catas Altas da Noruega e Raposos - Fundados em 1690
11 - Congonhas - Região central - Fundada em 1691
12- Santa Luzia - fundada em 1692          
13 - Itaverava - Região Central e Lima Duarte (Zona da Mata) - Fundadas em 1694         
14 - Curvelo MG. Região Central - Fundada em 1700
15 -  Catas Altas MG e Nova Era, Região Centra - Fundada em 1703
16 - Prados (Campo das Vertentes) - Piranga (Zona da Mata) Santa 
Bárbara e Barão de Cocais (Região Central) - Fundadas em 1704
17 - Conceição do Mato Dentro (Região Central Norte), Aiuruoca (Sul de Minas) e  Antônio Dias (Vale do Aço) - Fundadas em 1706
18 - Itabirito e Conselheiro Lafaiete - Região Central - Fundada em 1709
19 - Lamim e Rio Espera ( Zona da Mata)  - Fundadas em 1710
Ouro Preto, Lagoa Dourada (Campo das Vertentes), Congonhas do Norte (Região Central Norte) - Fundadas em 1711
20 - São João Del Rei , Caeté (Grande BH), Diamantina e Serro (Alto Jequitinhonha), Juiz de Fora (Zona da Mata), São Brás do Suaçuí e Entre Rios de Minas, Rio Piracicaba (Região Central) - Fundadas em 1713
21 - Caxambu - Sul de Minas - Fundada em 1714
22 - Pitangui - Centro Oeste de Minas, Baependi no Sul de Minas - Fundadas em 1715
23 - Contagem - Grande BH - Fundada em 1716
24 - Simão Pereira (Zonada Mata), Tiradentes (Campo das Vertentes - Fundadas em 1718
25 - Lavras (Campo das Vertentes), São Gonçalo do Rio Preto (Jequitinhonha) ,São Gonçalo do Rio Abaixo (Vale do Aço), Morro da Garça (Região Central) - Fundadas em 1720
26 - Nazareno (Campo das Vertentes), Conceição da Barra de Minas (Campo das Vertentes), Couto de Magalhães (Jequitinhonha) - Fundadas em 1725
27 - Bom Despacho (Centro Oeste de Minas), Minas Novas e 27 Chapada do Norte (Jequitinhonha) - Fundadas em 1730
28 - Bom Sucesso - Oeste de Minas - Fundada em 1736
29 - Senhora dos Remédios - Campo das Vertentes - Fundada em 1738
30 - Silvianópolis - Sul de Minas - Fundada em 1746
31 - Nova Lima - Grande BH - Fundada em 1748
32 - Resende Costa - Campo das Vertentes - Fundada em 1749
33 - Jacuí (Sul de Minas) Senhora do Porto (Vale do Rio Doce) e Dom Joaquim (Região Central) - Fundadas em 1750
34 - Guanhães - Vale do Aço - Fundada em 1752
35 - Cristina - Sul de Minas - Fundada em 1774
36 - Rio Vermelho - Alto Jequitinhonha - Fundada em 1776
37 - Itapecerica - Oeste de Minas - Fundada em 1789
39 - Barbacena - Campo das Vertentes - Fundada em 1791
40 - Itutinga - Campo das Vertentes - Fundada em 1794
41 - Campanha (Sul de Minas) e Paracatu (Noroeste de Minas - Fundadas em 1798

terça-feira, 5 de junho de 2018

O Rio do Peixe em Botumirim

(Por Arnaldo Silva) Botumirim é uma pacata cidade do Alto Jequitinhonha com pouco mais de seis mil habitantes, na continuação da Serra do Espinhaço, já na Serra do Cantagalo. Faz divisa com os municípios de Grão Mogol, Itacambira, Bocaiúva, Turmalina, Leme do Prado, José Gonçalves de Minas e Cristália. (foto ao acima de Lucas Alves)
De Botumirim a Belo Horizonte são 575 km. De Montes Claros a Botumirim, são apenas 168 km.
A cidade (na foto acima de Wilson Ferreira Santos) é banhada pelo Rio Itacambiruçu, sua principal fonte de água. Este rio também é um dos responsáveis por abastecer a represa da hidrelétrica de Irapé.
O município é repleto de belezas naturais como cachoeiras, formações rochosas com milhões de anos, fauna e flora exuberantes.(foto acima de Eduardo Gomes)
Uma das paisagens que mais se destaca no município e uma das mais procuradas por turistas é o Rio do Peixe.(foto acima de Manoel Freitas) Distante apenas 12 km do centro da cidade. 
Sua beleza é impressionante e impactante ao primeiro olhar. (foto acima de Eduardo Gomes) É um dos mais belos espetáculos naturais de Minas Gerais, com água limpa, pura, cristalina. Em suas margens e entorno, formações rochosas impressionam, e mais parece paisagem lunar. 
A área toda em torno do Rio do Peixe exibe uma rica flora nativa da região do Espinhaço, destacando-se as sempre-vivas e plantas carnívoras (na foto acima de Eduardo Gomes)
 Estar no Rio do Peixe é como estar fora do planeta, vivenciando uma paisagem sem igual. (foto acima de Marcelo Santos) Suas águas são tão limpas que é possível ver a festa dos pequenos lambaris e outros peixes, bem como a beleza estonteante do reflexo do céu e nuvens em suas águas.
Não só as águas do Rio do Peixe são limpas, os bancos de areia formados pelos rios, proporcionam praias fluviais com uma fina e branquíssima areia branca (na foto acima de Wilson Ferreira Santos).
O lugar é ideal para que busca sossego, descanso, caminhadas, contemplação e contato mais profundo e íntimo com a natureza.(foto acima de Eduardo Gomes) Para os que gostam de camping e natureza plena, é o lugar ideal. 

Receita de Caçarola Mineira

(Por Arnaldo Silva) A Caçarola é um "bolo-pudim" muito tradicional em Minas Gerais, tanto é que até parece que nasceu aqui, em Minas, mas sua origem não é mineira e sim italiana. A receita original foi adaptada à culinária mineira desde o século passado. Na receita original, usa-se parmesão, na mineira, Queijo Minas meia cura. Como não existia naquele tempos as fôrmas de pudim e bolos como temos hoje, a guloseima era feita em caçarolas comuns, usadas no preparo das comidas. Por isso o nome, "caçarola". Veja a nossa receita e se delicie com nossa caçarola.
INGREDIENTES
. 3 copos (americano) de leite integral
. 5 ovos
. 100 gramas de queijo Minas meia cura ralado
. 1 1/2 xícara de açúcar (240 gramas)
. 200 gramas de farinha de trigo (1 xícara de chá bem cheia)
. 1 pacotinho pequeno de coco ralado

. 1 colher de chá de manteiga (40 gramas)
Calda de Caramelo: (opcional) coloque em uma panela 1 xícara cheia de açúcar cristal, água e derreta. Misture um pouco de coco ralado. Reserve.
MODO DE PREPARO
- Dê uma breve aquecida na fôrma (pode ser redonda com furo ou retangular) e caramelize a forma.
- Coloque os ingredientes no liquidificador começando pelos  líquidos e em seguida os sólidos, exceto o queijo e o coco, bata bem até formar uma mistura homogênea

- Depois de bater, acrescente o queijo, o coco, misture com uma colher e deixe a massa descansando por cerca de 5 a 6 minutinhos.
- Unte uma fôrma retangular com manteiga e despeje a calda de caramelo
- Despeje o líquido na fôrma e leve em forno pré-aquecido a 180ºC e deixe assando até que fique com a cor dourada.
(Você pode assar como bolo, como eu prefiro e fiz, como vê na foto acima. No caso a massa ficará mais consistente. Se preferir, pode assar como pudim em banho maria com papel alumínio cobrindo a fôrma. Como pudim a massa ficando cremosa)
- Espere esfriar completamente para retirar da fôrma
- Para facilitar a retirada, aqueça a fôrma na chama do fogão por uns 5 segundos, agite devagar para que se solte dos dois lados e vire num prato. (Fotografias e receita de Arnaldo Silva)

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Diferença de Goiabada Cascão e goiabada comum

(Por Arnaldo Silva) A goiabada é sem dúvida um dos mais saborosos doces de Minas Gerais. Em parceria com o Queijo Minas, forma uma dupla irresistível. A questão é que poucos sabem o que é goiabada cascão e a diferença dessa goiaba para a goiabada comum.(fotografia acima de Arnaldo Silva, Bartolomeu, distrito de Ouro Preto MG)
          Para entender melhor isso, temos que conhecer a história da origem da goiabada. 
          Esse doce nasceu nas senzalas mineiras, como boa parte de nossas receitas. Acredita-se que a origem da goiabada cascão seja a região do Sul de Minas, se expandindo para todo o Estado a partir da região do Campo das Vertentes que era a região mais habitada de Minas no período colonial.
          As cozinheiras escravas dominavam muito bem a arte de fazer doces, já que para a cozinha da grande grande, elas eram escolhidas à dedo. Era comum os senhores de escravos retirarem o melhor da comida para si e o resto que não comiam, davam a seus escravos. (na foto ao, de Arnaldo Silva, Dona Doquinha, famosa doceira de São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto MG)
No caso da goiaba, a casca era retirada, bem como as sementes e dadas aos escravos. Com os senhores ficava a melhor parte, a polpa. Os escravos pegavam a casca e as sementes e cozinhavam com pouco de água. Como a fruta já tinha açúcar, ficava doce e com o cozimento ficava consistente e com cascas e pedaços aparecendo. Por isso os próprios escravos chamavam o que faziam  de goiabada com casca. Vendo aquele doce no tacho, os brancos começaram a experimentar e gostaram. Como não ficava muito doce, colocaram açúcar e pediram para retirar as sementes, ficando bem melhor e permitiram aos escravos colocar a polpa da fruta também. As cascas ficavam grandes e bem à mostra no doce e por isso, de goiabada com casca, começaram a chamar o doce de goiabada cascão. Assim é até hoje o nome e a forma de fazer esse doce.
          A goiabada se popularizou e se tornou uma das principais receitas mineiras. A receita saiu das senzalas e foi para  mesa dos senhores se tornando uma tradição de Minas, há mais de 200 anos adoçando o paladar de Minas e agora do Brasil. 
          Até pouco tempo atrás, era comum fazerem doces nas cozinhas de Minas, tanto nas fazendas, como nos quintais das pequenas cidades mineiras, que sempre tinha fogão a lenha e um pomar no quintal e claro, não faltavam no pomar, pés de goiaba. Mas essa tradição foi se reduzindo com o êxodo rural e as dificuldades de ter, nas cidades grandes, fogão a lenha e encontrar goiabas.
          A forma tradicional de se fazer goiabada hoje  ainda existe nas cidades do interior, mas em menor escala. A produção é tradicional e mantida da forma original em São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto, considerada a terra da goiabada cascão. Andando pelas ruas é comum sentir o cheiro do doce feito em tacho de cobre exalando pelas janelas das cozinhas. Praticamente todo morador de São Bartolomeu produz o doce. Após a colheita da goiaba, no final de verão, começam a produzir goiabada. Entre abril e maio acontece a Festa da Goiabada Cascão no distrito, bastante famosa e tradicional. 
           A diferença clara da Goiabada Cascão para a goiabada é: Goiabada Cascão original é feita no tacho de cobre, fogão a lenha, usando açúcar e pedaços de goiaba com a casca da fruta. (foto acima de Arnaldo Silva) O tacho de cobre é de grande importância para definir a cor brilhante e textura natural do doce porque esse metal garante a difusão correta do calor, permitindo chegar ao ponto correto do doce.  Resumindo, se não foi feita em tacho de cobra, não pode ser considerada goiabada cascão. 
           Já a goiabada industrial  é feita com a polpa  da fruta, sem a casca, cozida em fogão industrial, em panelas de alumínio e em alguns casos, usam conservantes. Geralmente essas goiabadas industriais não vem com o nome cascão, somente goiabada, justamente por não usar tacho de cobre e a casca da goiaba. 

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