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quinta-feira, 25 de junho de 2020

A arte em cerâmica de Salinas

(Arnaldo Silva) Salinas, cidade, do Norte de Minas, é conhecida no mundo inteiro por sua cachaça de qualidade, e reconhecida como a Capital da Cachaça no Brasil, oficializada pela Lei Federal nº 13.773, publicada no Diário Oficial da União em 19/12/2018. Em Salinas está o Museu da Cachaça, instalado no antigo aeroporto da cidade. O museu possui oito salas com um amplo acervo de garrafas e um moinho montado a partir de temas como sociedade do açúcar, engenhos antigos e atuais, plantação, colheita e moagem da cana, além de contar a história da cachaça no município.
          Além da cachaça e do seu tradicional Festival Internacional da Cachaça, Salinas tem um casario charmoso e eclético e é tradicional na produção de requeijão e carne de sol. O que pouca gente sabe é que do seu solo, é retirado a argila, base para um dos mais valiosos artesanatos de Minas Gerais, feitos pelas mãos de artesãs que vivem no aconchegante distrito de Ferreirópolis, com acesso pelo km 25 da rodovia Salinas/Taiobeiras. 
          A região de Salinas está no semiárido mineiro e os períodos de seca são prolongados, o que faz com que muitos deixem a região, em busca de trabalho, deixando suas famílias ou os que ficam, encontravam muitas dificuldades de manter suas atividades agropecuárias, atividade principal de seus moradores. Essa realidade começou a mudar a partir de 1993, com a criação do Conselho Comunitário de Ferreirópolis. A entidade hoje conta com 260 associados que exercem atividades diversas, seja na agropecuária, plantando milho, feijão, tirando leite para a produção de requeijão e também no artesanato. Na sede do Conselho, os associados tem orientação sobre projetos como Minha Casa Minha Vida, Pronaf e Garantia da Safra. Realiza ainda todos os anos a Festa dos Amigos, com a maior fogueira de São João da Região, evento que atrai milhares de pessoas, não só da região, mas de todo o país, que vem que ao distrito participar da festa. 
          O Conselho conta ainda com a participação das esposas dos lavradores, que se uniram à entidade com o objetivo de saírem da ociosidade e ajudarem no orçamento familiar. A opção foi pelo artesanato em cerâmica, uma tradição familiar antiga, mas praticada por poucos da vila, até então. O que as mulheres de Ferreirópolis fizeram foi resgatar uma antiga tradição do distrito, tradição presentes por gerações. 
          Na região encontra-se com facilidade argila, aproveitando ainda o talento passado de mãe para filhas, as mulheres colocaram literalmente as mãos na massa e colocaram em prática as técnicas na arte de fazer peças em cerâmicas. Com o passar do tempo, foram aprimorando os conhecimentos e criando novas peças, com isso dando identidade cultural aos seus trabalhos, únicos, inconfundíveis e especiais. 
          Começaram a participar de feiras e exposições de artesanato em Minas Gerais e outras regiões do país, o que fez o artesanato de Ferreirópolis ser mais conhecido, bem como a atuação das artesãs nas redes sociais, fazendo com que seus trabalhos tornassem conhecidos em todo o país, possibilitando realizar vendas online com o envio das peças por sedex.
          Na comunidade, são sete artesãs, com destaque para Maria Cláudia de Matos Miranda, que com muito entusiasmo, procura divulgar os trabalhos e atividades do Conselho, as tradições de sua comunidade e seu próprio trabalho, feito com muita maestria. 
          Cláudia Miranda trabalha com artesanato desde criança, ofício ensinado por sua mãe, bordadeira. Professora, formada em faculdade, mas sabia que tinha no sangue a herança da arte mineira. Nas horas de folga, se dedicava ao artesanato. 
          A partir de 2001, mudou- para a vizinha cidade de Taiobeiras, de forte tradição na arte em cerâmicas, tendo sido de grande importância para seu aprendizado. Conheceu artesãos famosos viajando pelo Brasil, participando de feiras, eventos e exposições de arte, o que muito enriqueceu seus conhecimentos.
          Retornando a sua terra natal, já como educadora aposentada, se dedica de corpo e alma ao artesanato. Segundo Cláudia Miranda, "a arte de criar é muito prazerosa”. Para a artesã, “a arte é o fruto do mais puro sentimento do ser humano.
          Suas peças foram catalogadas pelo SEBRAE, motivo de orgulho para a artista que divide suas experiências e conhecimentos com as artesãs de sua comunidade, procurando ajudar. “Após ter-me aposentado como educadora, pretendo continuar desenvolvendo projetos sociais junto às comunidades menos favorecidas, tendo em vista que já tive cinco projetos elaborados por mim e aprovados na área cultural, enquanto presidente da Associação dos Artesãos de Taiobeiras/MG” informa a artesã que atualmente é sócia do Conselho Comunitário de Ferreirópolis, atuando na entidade desde 2014, quando ministrou um curso de modelagem de argila. 
          A Artesã pode ser contatada pelo pelo whatsapp 3899417463, pelo E-mail : claudiamirandamatos@hotmail.com, ou pelo Instagram @claudiamirandamatos. 
(as informações e fotos dos trabalhos das artesãs de Ferreirópolis foram repassadas pela Cláudia Miranda)

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Cruzília: a cidade do queijo e do Mangalarga Marchador

(Por Arnaldo Silva) A cidade foi erguida numa encruzilhada. Seu primeiro nome foi São Sebastião da Encruzilhada, mudou para chamou Encruzilhada e finalmente, Cruzília, carinhosamente conhecida por “Terra da Cruz”. 
          Faz parte do Caminho Velho da Estrada Real, integrando o circuito turístico das Montanhas Mágicas da Mantiqueira, no Sul de Minas. Faz divisa com os municípios de Baependi, São Tomé das Letras, Aiuruoca, Minduri e Carrancas. Está a 1010 metros de altitude, distante 384 km de Belo Horizonte e conta atualmente com cerca de 16 mil moradores. (foto acima de Vinícius Barnabé - @viniciusbarnabe)
          Cruzília se destaca em Minas Gerais por seu belo conjunto arquitetônico, principalmente a Matriz de São Sebastião, uma das mais belas igrejas de Minas, fazendas centenárias e históricas, belas paisagens. (foto acima de Jerez Costa) A economia na cidade se baseia em pequenos comércios, na indústria moveleira, na silvicultura, no beneficiamento de quartzito e na agricultura, em especial a pecuária leiteira.
          Cruzília se orgulha de ser o berço do Cavalo Mangalarga Marchador. (foto acima Tarcísio Alves) A criação da raça teve origem no início do século XIX, na Fazenda Campo Alegre, de propriedade de Gabriel Francisco Junqueira, o “Barão de Alfenas", que recebeu de Dom João VI um cavalo da raça Alter Real. Com esse cavalo, fez o cruzamento do garanhão com éguas comuns de sua fazenda, originando o que é hoje o Mangalarga, uma raça genuinamente mineira. A beleza, força, inteligência, docilidade e rusticidade dessa raça, fez com que outros fazendeiros investissem na criação de cavalos da nova raça, surgindo haras nas fazendas da região e se expandindo ao longo do tempo para outras cidades mineiras. Por sua elegância e leveza na marcha, a raça passou a chamar-se Mangalarga Marchador, hoje uma das principais raças de cavalo no Brasil.
          Por sua importância para a história da cidade, foi fundado na cidade em  2012, o Museu Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador, funcionando na Casa da Bela Cruz, uma construção de 1855, na Praça da Matriz da cidade. (foto acima e abaixo de Tarcísio Alves)
          O museu conta a história da origem e trajetória da raça Mangalarga Marchador com um vasto acervo de peças, vídeos e textos desde o início da criação da raça até os dias de hoje. 
          Outro destaque de Cruzília, são seus queijos. (foto acima de Tarcísio Alves) A qualidade dos queijos produzidos na cidade, pelo Laticínio Queijos Cruzília (Laticínios Cruziliense Ltda), dos irmãos Luís e Carlos Medeiros, se dividem em queijos de massa filada, queijos de massa cozida, queijos de massa semi-cozida, queijos de massa crua, queijos de mofo branco, queijos de mofo azul e queijos condimentados, vem chamando a atenção de Minas, do Brasil e do mundo. São premiações seguidas, estando entre os melhores queijos do Brasil desde 2009. Sua produção queijeira considerada atualmente a melhor do mundo, foi fruto de muita dedicação, estudo de receitas, pesquisas e investimentos em tecnologia. São queijos especiais, com sabores únicos, sem igual no mundo que vem ao longo dos anos, conquistando os mais finos e exigentes paladares no Brasil e no mundo. (foto abaixo de Tarcísio Alves)
          A empresa tem larga tradição no mercado, com produção diária de vários tipos de queijos finos, se destacando os queijos A Lenda, Reserva, o gorgonzola Azul de Minas e o Santo Casamenteiro, queijos esses de sabor sem igual com premiações nacionais e internacionais.
          O Queijo Casamenteiro (foto acima - Queijos Cruzília/Divulgação) é uma receita que surgiu nos mosteiros portugueses, guardada pelos monges locais. Em Minas foi aprimorada pelos queijeiros do Laticínio Queijos Cruzília, já que a tradição queijeira dos mineiros vem do século XVII. A arte de fazer queijos está veia e no sangue das famílias mineiras.
          A ideia era fazer um queijo com identidade própria e sabor único, com o equilíbrio dos sabores que os mineiros sabem muito bem como fazer. A partir do aprimoramento da receita original, surgiu o Queijo Casamenteiro, um terroir mineiro feito com uma mistura bem refinada do premiado queijo mofado gorgonzola Azul de Minas, uma pasta de queijo bastante cremosa, com acréscimo de nozes e damascos. Dessa combinação de sabores, surgiu uma receita diferente, única, sem igual no mundo.
          No rótulo do queijo tem a imagem de Santo Antônio, o famoso santo que ajuda pessoas a se unirem e formar famílias. A proposta do queijo é estar presente em todas as ocasiões que mereçam uma iguaria à altura, seja num almoço familiar, um jantar romântico, uma festa de noivado ou casamento. É um excelente acompanhamento com vinhos finos. Para ocasiões assim, nada melhor que um queijo de qualidade, requintado, de alto nível.
Premiações Internacionais recentes
          No 31º Concurso Mundial de Queijos, realizado em novembro de 2018 em Bergen, na Noruega, o queijo tipo gorgonzola, Azul de Minas, levou a medalha de prata, neste importante concurso internacional de queijos que contou com 3472 queijos inscritos de todo o mundo.
          Em 2019, na 32º edição desse mesmo concurso realizado desta vez na cidade italiana de Bergamo, o queijo Azul de Minas foi premiado novamente, com a medalha de prata. (foto acima Queijos Cruzília/Divulgação)
          Em junho de 2019, no tradicional Mondial du Fromage, o principal concurso internacional de queijos, realizado em Tours, na França, realizado a cada dois anos, os queijos de Cruzília foram agraciados com medalhas. Foram 56 medalhas para os queijos brasileiros neste concurso, sendo 50 medalhas somente para os queijos mineiros. Entre os 50 medalhistas mineiros estão o Queijo Cruzília 300 com medalha de ouro, o Queijo Cruzília Requeijão, com medalha de prata e o Queijo Cruzília Dagano, com medalha de bronze.
          Além das medalhas, o Laticínio Queijos Cruzília foi homenageado neste concurso pela 'Guilde Internationale des Fromagers' (ou Grêmio Internacional dos Queijeiros) pelo trabalho de vendas de queijos pela internet, investimento em qualidade e contribuição com a economia local realizado em suas respectivas cidades.
          Queijos Cruzília têm site e os detalhes e informações sobre os queijos produzidos pelo laticínio podem ser conferidas no site cruzilia.com.br

terça-feira, 23 de junho de 2020

As 20 mais belas igrejas de Minas Gerais

(Por Arnaldo Silva) Analisamos as postagens de templos religiosos feitas em nosso site e portal de notícias Conheça Minas, ao longo dos dois últimos anos. Foram postadas ao longo desse tempo, fotos e informações de templos religiosos católicos, evangélicos, ortodoxos e de outros segmentos religiosos com detalhes arquitetônicos diversos, seja do período Colonial, Barroco, Rococó, Eclético, Contemporâneo ou Moderno. (foto abaixo de Giselle Oliveira, Diamantina)
          Os critérios para a escolha das igrejas teve como base a beleza exterior dos templos, principalmente, sua beleza interior e importância para a história da região e para Minas Gerais. Selecionamos as que mais se destacaram em comentários, curtidas, compartilhamentos e que tenham relevante importância religiosa, cultural, arquitetônica e histórica. As 20 igrejas que mais se destacaram nos quesitos citados acima são: 
01º - Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto 
          Considerada o símbolo do Barroco mineiro, a Igreja de São Francisco de Assis (na foto acima de Ane Souz) é um dos mais significativos monumentos da arte colonial brasileira, tendo sido considerada uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. Projetada por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, foi construída entre os anos de 1771 e 1790, em estilo Barroco, com elementos decorativos Rococós. 
          Um dos grandes destaques da igreja é sua fachada, em destaque para os detalhes em sua portada e sua decoração em relevos e talha dourada, feitas pelo Mestre Aleijadinho. Embora no período de sua construção, outros artistas tenham trabalhado na obra, a riqueza dos detalhes do Mestre Aleijadinho e de Manuel da Costa Ataíde, o Mestre Ataíde, são impressionantes. Tanto em seu exterior, quanto em seu interior, a igreja é dotada de uma riqueza arquitetônica e artística única. 
02º - A Basílica de Lourdes em Belo Horizonte 
          Iniciada em 1916 e concluída em 1923, a Basílica de Lourdes (na foto acima de Sérgio Mourão), construída em estilo neogótico, é uma das mais belas igrejas do Brasil. O seu exterior é uma verdadeira obra de arte e seu interior, aconchegante e da mesma forma, tão lindo quanto o seu exterior. Costumam dizer que a Basílica de Lourdes é mais que uma igreja, é uma verdadeira obra de arte. Sem dúvidas, a igreja impressiona pela riqueza de seus detalhes arquitetônicos e artísticos.
03º - Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos 
          Iniciado em 1757 e concluída em 1875, o complexo arquitetônico e paisagístico do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas MG, a 88 km de BH (na foto acima de Wilson Paulo Braz), é um dos mais  importantes templos religiosos mundo, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade, em 1985. Durante os anos de sua construção, vários artistas famosos da época participaram da obra, entre eles Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, Manuel da Costa Ataíde, o Mestre Ataíde, Francisco de Lima Cerqueira, João Nepomuceno Correia e Castro, dentre outros. Formado por uma igreja, um adro ornado com estátuas em pedra sabão dos 12 profetas, uma das mais importantes obras do Mestre Aleijadinho e seis capelas anexas. O Santuário é um dos mais significativos exemplares da arquitetura colonial brasileira. 
04º - A Basílica de Nossa Senhora do Pilar em Ouro Preto
          Construída no auge do Ciclo do Ouro, no início da fundação de Ouro Preto, no século XVIII, a popular Igreja do Pilar impressiona pela sua ornamentação interna talhada em ouro puro. Foram mais de 400 quilos de ouro transformados numa impressionante obra de arte, com detalhes riquíssimos. (foto acima de Ane Souz)
05º - Igreja de São José em Belo Horizonte
          Iniciada em 1902 e concluída em 1910, a Igreja de São José em Belo Horizonte (na foto acima de César Reis) é uma das mais importantes igrejas da Capital e uma das mais belas igrejas do Brasil. Seu exterior é magnífico e seu interior, impressiona pela riqueza de suas pinturas e detalhes arquitetônicos. O projeto arquitetônico foi feito pelo engenheiro Edgard Nascentes Coelho. Sua escadaria teve projeto do holandês Verenfrido Vogels e a obra executada pelo construtor, também holandês, Gregório Mulders. 
          O que chama atenção no interior da Igreja de São José é sua pintura interior, feita pelo artista alemão Guilherme Schumacher entre 1911 e 1912. (foto acima de César Reis) O artista é de um talento incrível e deixou uma obra de arte em toda a igreja que impressiona pelos detalhes, cores e criatividade. Tipo de obra que deixa todos de boca aberta. 
06º - A Matriz de Santo Antônio em Tiradentes
          É um dos mais belos templos de Minas Gerais. Tanto sua fachada, que tem a assinatura do Mestre Aleijadinho, quanto sua ornamentação interna, segue o estilo Barroco e Rococó, original. (foto acima de César Reis) Iniciada por volta de 1710, praticamente junto com cidade, foi concluída em 1752, ano que foi instalado na Igreja um órgão de tubo, construído em Portugal. Dotada de uma beleza impressionante e uma riqueza em ouro de dar brilho nos olhos. São 480 quilos de ouro que ornamentam o interior da Igreja, principalmente a capela-mor e nos seis altares. Nas laterais e na nave, impressionantes molduras protegem belíssimas pinturas, datada de 1737, de autoria do artista João Batista da Rosa.
07º - A Igreja de Santo Antônio em Grão Mogol
          Pedra sobre pedra, simples assim. Esta é a Igreja de Santo Antônio, na cidade histórica de Grão Mogol, no Norte de Minas, cuja construção é de meados do século XVIII. É a mais original e autêntica arquitetura mineira, erguida somente em pedras retiradas da própria região. Seu interior é todo feito e ornamentado em estilo Barroco, usando madeira bem talhada. 
          O que diferencia a Igreja de Santo Antônio das demais igrejas do período Barroco é a simplicidade da ornamentação em seu interior e ausência de reboco na parede. A cor e beleza das pedras realçaram a igreja, bem como a delicadeza das peças em madeira bem talhadas, deram um ar bem rústico e medieval à igreja. Por sua importância, o núcleo histórico formado pela Matriz e as construções antigas no seu entorno, foi tombado em 2016, pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural de Minas Gerais (Conep). 
08º - A Igreja de São Vicente Férrer em Formiga
Iniciada em 1839 e concluída 34 anos depois, a igreja dedicada a São Vicente Férrer é um dos mais belos tempos da região Oeste de Minas, onde está a cidade de Formiga. (foto acima de Arnaldo Silva) Seus traços arquitetônicos, contornos e afrescos em estilo Barroco, são típicos das igrejas do período colonial. Mas o que mais chama a atenção nesta igreja são as pinturas em seu interior, feita pelo artista plástico veneziano Ângelo Pagnato, no início da década de 1920. O artista italiano enriqueceu a igreja com pinturas riquíssimas em detalhes, em tom azul, que emocionam pela beleza e suavidade, fazendo com quem frequenta a igreja, sentir-se no céu.
Outro detalhe que dá mais beleza à Igreja de São Vicente Férrer é um imponente órgão com 952 tubos, construído pelos alemães Carlos Moeherle e Gustav Weissenrider, da fábrica de órgãos alemã Walker, instalado na igreja em 1937. Nesse estilo, é o quinto maior órgão de tubos do Brasil. (foto acima de Arnaldo Silva) Por sua importância para a cidade e Minas Gerais, em 2002 o órgão foi tombado como patrimônio histórico de Formiga. Dois anos depois, em 2004, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), como patrimônio histórico de Minas Gerais.
09º - Igreja São Francisco de Assis em São João Del Rei
Iniciada em 1744, pela Ordem Terceira de São Francisco de Assis, com projeto de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, foi concluída em 1809. (foto acima de Matheus Freitas) O encarregado da execução do projeto foi Francisco Cerqueira que fez algumas alterações no projeto original, fazendo modificações nas torres, pilastras, no arco do cruzeiro, nos óculos da nave e na disposição da sacristia. Concluída a obra, se tornou um dos marcos da arte colonial do Brasil. Sua riqueza arquitetônica impressiona pela beleza, tanto em seu exterior, como na riqueza dos detalhes do Barroco em seu interior.
10º - Santuário Basílica de Nossa Senhora da Piedade 
          A 1746 metros de altitude, num cenário de beleza ímpar, sem igual no mundo está o Santuário de Nossa Senhora da Piedade. No topo da serra, duas singelas ermidas foram construídas por Antônio da Silva Bracarena, o mesmo que construiu a Igreja Matriz de Caeté, cidade distante apenas 50 km de Belo Horizonte. As ermidas foram construídas entre os anos de 1704 a 1770, sendo a principal e maior, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, Padroeira de Minas Gerais. Nesta igreja está uma das mais belas relíquias do Barroco Mineiro, a “Pietá de Minas”, peça atribuída a Antônio Francisco Lisboa (1738-1814), o Aleijadinho, retratando a mãe de Jesus, com seu filho morto nos braços. (foto acima de Douglas Arouca)
          São construções simples, cujo objetivo inicial era ser um local para oração e acolhimento de romeiros humildes e penitentes que subiam à serra para orar e meditar, buscando proximidade com o Divino. Desde sua origem, até os dias de hoje, tem sido assim, tradição que perdura por séculos. O Santuário é um dos mais importantes centros de peregrinação no Estado, atraindo em média 500 mil pessoas por ano. Em 2017, as ermidas foram reconhecidas como Basílicas pelos Papa Francisco. 
11º - Igreja São Francisco de Assis em Diamantina
          Iniciada em 1766 e concluída em 1830 em estilo Barroco e elementos decorativos em Rococó, a Igreja de São Francisco de Assis em Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, foi um dos marcos da arquitetura mineira na época. Hoje é uma das mais importantes igrejas de Minas Gerais.(foto acima de Giselle Oliveira)
          Sua decoração interna é um dos seus maiores destaque, contrastando com a simplicidade de seu exterior. A beleza das peças sacras e as pinturas com forte influencia do estilo Rococó no forro da capela, chamam a atenção pelo douramento e beleza, obra atribuída ao artista José Soares de Araújo. Já no forro da sacristia, a pintura atribuída a Silvestre de Almeida Lopes chama atenção pela riqueza dos detalhes e traços feitos pelo artista. O grande destaque é o altar com a figura de São Francisco de Assis e Jesus Crucificado, com elementos decorativos no estilo Joanino e retábulos em inspiração neoclássica.
12º - Basílica do Pilar em São João Del Rei
Erguida entre os anos de 1721 a 1750 é uma das mais belas igrejas do período Colonial brasileiro. (foto acima de Matheus Freitas) A fachada foi desenhada por Francisco de Lima Cerqueira. Devido ao crescimento da cidade, no início do século XIX, o templo passou por uma reforma na fachada, no forro interno que recebeu pinturas novas, assoalho, sacristia e ampliação de seu espaço, tendo sido construído ainda um novo cemitério. Essas reformas só foram concluídas no ano de 1863. Ao longo de sua construção e reformas, o templo contou com os trabalhos de escultores, arquitetos e artistas diversos que com maestria e extremo talento, construíram um dos mais belos templos religiosos do Brasil, com grande destaque para sua decoração interna que vai do Barroco Joanino ao Rococó, preservada em suas feições originais mesmo diante de reformas.
13º - A Igreja de São Domingos em Uberaba
          Iniciada em 1904 e concluída em 1914, a Igreja de São Domingos foi o primeiro templo da Ordem Dominicano construído no Brasil. (fotografia acima de Luis Leite) Foi edificado na cidade de Uberaba, no Triângulo Mineiro. Projetada pelos engenheiros Egídio Betti Monsagratti, Dr. Florent e construída por José Cotani. Em estilo neogótico, seus traços arquitetônicos foram inspirados nas grandes catedrais da Europa, se destacando em seus traços a forma de cruz, bem semelhante às igrejas bizantinas, da Idade Média. 
          Todo o revestimento externo foi feito em pedra Tapiocanga, típica da Região do Triângulo Mineiro, encontrada facilmente em Uberaba e muito usada em construções e esculturas, pela facilidade em ser esculpida. A grande concentração de ferro presente nesta pedra torna sua coloração bem vermelha, o que dá um realce sem igual às construções, que pode ser visto na Igreja de São Domingos de forma evidente, já que seu exterior não recebeu rebocos, justamente para realçar a beleza da cor vermelha que a pedra possui. Não é pintada de vermelho, é a cor da pedra mesmo. É um dos patrimônios históricos de Uberaba e uma das mais importantes igrejas da Região.
14º Igreja do Carmo em Diamantina 
          A obra começou com a Irmandade da Ordem Terceira do Carmo, depois foi assumida pelo Contratador João Fernandes de Oliveira, por divergências com uma norma da Igreja que permitia a presença escravos, mesmo forros, apenas até o limite da torre das igrejas, ou seja, até a porta de entrada. Isso porque sua esposa era Chica da Silva. (foto acima de Wellington Diniz)
          Para não contrariar a norma da Igreja Católica na época, João Fernandes de Oliveira construiu a torre ao contrário, nos fundos. Assim sua esposa poderia frequentar a igreja normalmente. 
João Fernandes não poupou recursos para construir a igreja, uma das maiores e mais ricas das igrejas de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, construída entre os anos de 1760 a 1784, no Século XVIII. 
          Em sua ornamentação, foram usados 80 quilos de ouro e peças sacras de grande beleza, feitas pelos grandes artistas da época como José Soares de Araújo, Manoel Pinto e ainda com obras do grande mestre do Barroco, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Para tornar a Igreja mais linda, o marido de Chica da Silva mandou instalar na Igreja de Nossa Senhora do Carmo um órgão movido a fole com mais de 750 cânulas e funcionando perfeitamente nos dias de hoje. 
15º - A Igreja de São José em Nova Era
Nova Era, na Região Central, guarda um das joias do Barroco mineiro. A Igreja de São José. Construída a partir de 1766, no século XVIII, tem todos os detalhes da arquitetura mineira, com seus traços externos singelos e seu interior, impressiona pela beleza das pinturas no estilo Rococó no forro feitas por artistas ainda não identificados e a perfeição e beleza dos entalhes no altar-mor, destacando a imagem de São José, obra atribuída ao escultor e entalhador português, Francisco Viera Servas. (foto acima e abaixo de Elvira Nascimento)
No interior do templo, belíssimas imagens de São Francisco de Assis, Sant´Anna, São João Batista, São Sebastião, Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia e São Benedito, completam a ornamentação da Igreja. 
16º - A Matriz de Nossa Senhora de Lourdes
           A cidade mais fria de Minas Gerais tem uma das mais belas igrejas também. É a Igreja de Nossa Senhora de Lourdes. Pela sua importância cultural e arquitetônica para o município, é um bem tombado pela Prefeitura desde 1999. (foto acima e abaixo de Gislene Ras) 
          Iniciada em 1928, foi concluída em 1940. Seu projeto arquitetônico seguia o estilo que predominava entre o final do século 19 e início do século 20 na Europa, o estilo eclético. O ecletismo nada mais era que a mistura de estilos arquitetônicos em um só. Traços da arquitetura medieval, barroca, neoclássica, gótica e renascentista foram incorporados a este estilo. Assim, com destaque para os traços gótico-romano, foi edificada a Matriz de Maria da Fé, no Sul de Minas, dedicada a Nossa Senhora de Lourdes. (foto abaixo de Gislene Ras) 
          A riqueza da arte no interior da Matriz é impressionante e de uma beleza sem igual. As esculturas presentes no templo, datadas de 1932 são de autoria do italiano Marino Del Fávero, confeccionadas em madeira marmorizada gesso e metal. Já as pinturas internas na Matriz, foram feitas pelos irmãos, também italianos, Pietro Gentililli e Ulderico Gentilli, que além de deixarem obras em Maria da Fé, tiveram significativa representatividade na arte sacra com obras em cidades de Minas e de São Paulo. Os artistas italianos iniciaram a pintura da igreja em 1939 e concluíram em 1940.
17º - A Catedral da Sé em Mariana
          Construída entre 1711 e 1760, a Catedral Basílica Nossa Senhora da Assunção, popularmente chamada de Catedral da Sé, é uma das mais importantes igrejas de Minas Gerais. A fachada tem traços simples e seu interior é rico em detalhes e ornamentações. Devido ao longo tempo de construção, não tem um estilo único em sua ornamentação interna, variando do estilo Chão, Nacional Português, Joanino, Barroco ao Rococó. (foto acima de Edmar Amaro)
          Além da beleza de sua arte sacra, um dos destaques na Catedral é seu órgão instalado na Catedral em 1753. De origem germânica, sua construção é atribuída a Arp Schnitger, em Hamburgo. Está em pleno funcionamento. Passou por reforma entre 1977/1984 e mais recente, entre 2000/2002.
Além da Catedral da Sé, em Mariana se destacam as igrejas de São Francisco de Assis, construída entre os anos de 1763 e 1794 e a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, iniciada em 1794, ambas compõem o valioso conjunto arquitetônico da Praça Minas Gerais (na foto acima de Vinícius Barnabé), composto ainda pelo Prédio da antiga Câmara e Cadeia, hoje Câmara de Vereadores e Museu e ao centro, o pelourinho, símbolo do poder do Estado e dos Senhores de Escravos. 
18º - Basílica de São Geraldo em Curvelo
          Após sua canonização em 1904, a veneração ao santo italiano São Geraldo, começou a se expandir para o mundo. Coube aos Missionários Redentoristas, ordem religiosa em que São Geraldo pertenceu, a missão de propagar o nome do novo santo. Em 1906 chegou a Curvelo, na Região Central de Minas, padres Redentoristas holandeses, com o propósito de erguer, no Sertão Mineiro, um templo dedicado a São Geraldo. (foto acima de Leandro Leal) Em estilo neogótico e nórdico, o templo, datado de 1912, se destaca em sua arquitetura, sendo um dos mais belos e imponentes de Minas Gerais.
          A devoção ao santo se estendeu por todo o país e Curvelo se tornou o centro de veneração e peregrinação, com a presença constante de milhares de romeiros vinda de todas as regiões de Minas Gerais e do Brasil.
          Em 1932 a igreja foi consagrada como santuário pelo arcebispo de Diamantina, Dom Joaquim Silvério de Souza, tendo passado por uma reforma e ampliação em 1938 para comportar o número crescente de peregrinos que visitavam o santuário, principalmente durante a Oitava de São Geraldo, que celebra a vida e morte do santo católico, evento que acontece todos os anos, entre o final de agosto e início de setembro. Em 30 de abril de 1966 a Igreja de São Geraldo foi elevada a Basílica pelo Papa Paulo VI. É atualmente a única basílica no mundo dedicada exclusivamente a São Geraldo.
19º - Igreja Nossa Senhora do Ó, em Sabará
          Datada de 1717 e concluída por volta de 1720, é uma das mais antigas igrejas de Minas Gerais e uma joia da arte Barroca mineira. Por fora, uma singela e simples capela. Por dentro, a decoração impressiona pelos detalhes das pinturas que retratam a vida de Jesus Cristo e Nossa Senhora. Arte feita em madeira, cedro e ouro puro.
          Os traçados arquitetônicos da Igreja de Nossa Senhora do Ó, em Sabará, a 20 km de Belo Horizonte, teve forte influência do estilo arquitetônico Nacional Português, já que a arte Barroca tradicional estava ainda criando identidade própria em Minas Gerais. Este estilo é considerado a primeira fase do Barroco Mineiro. Seguindo o estilo traçado, a reluzente luz dourada da riqueza do ouro de Minas Gerais e a beleza da arte sacra, são marcas evidentes do interior da Igreja de Nossa Senhora do Ó. (fotografia abaixo de Thelmo Lins)
          A imagem da Mãe de Jesus, retratada no altar da igreja, mostra a Maria, diferente das demais imagens de Nossa Senhora, geralmente com o menino Jesus nos braços. No altar da Igreja, Nossa Senhora é representada grávida, no caso seria Nossa Senhora da Expectação do Parto ou Nossa Senhora do Bom Parto, venerada em Toledo na Espanha desde o ano de 656, cuja fé chegou a Minas Gerais através dos bandeirantes paulistas que fundaram a cidade de Sabará. O termo Expectação do Parto ou Bom Parto foi substituído pelo Ó devido a um cântico dedicado à Santa, cantado na véspera de seu dia, que iniciava com a palavra Oh numa longa exclamação. A partir dai ficou Nossa Senhora do Ó.
          Pela irregularidade das pinturas nos painéis, principalmente, acredita-se que mais de um artista tenha participado da decoração interna da igreja. O principal artista, cuja obra é predominante no interior da Igreja do Ó foi Jacinto Ribeiro, artista natural da Índia, que residia em Minas Gerais desde 1711. As figuras e painéis presentes no interior da Igreja de Nossa Senhora do Ó foram pintadas a ouro sobre fundos em tom azul escuro, com bordas em vermelho e talhas douradas em moldura. (foto acima e abaixo de Thelmo Lins)
          O interessante que os desenhos e personagens bíblicos retratos nas pinturas do artista indiano, tem traços orientais, chineses. A explicação para este detalhe diferente na pintura e arte barroca, é que o artista conhecia os estilos artísticos usados em Macau, uma antiga colônia portuguesa no Oriente, hoje pertencente à China. A época, Portugal tinha um intenso comércio entre Macau e Índia, o que explica a influência dos traços orientais usados na arquitetura portuguesa naquela época, pelos artistas e escultores portugueses que vieram para o Brasil no início do século XVIII, entre eles, Jacinto Ribeiro.
20º - Catedral de São Sebastião em Leopoldina
A Paróquia de São Sebastião em Leopoldina, na Zona da Mata, foi criada  em 1854. Com o crescimento da cidade e das atividades paroquiais, foi necessária a construção de um novo templo. (foto acima de Sérgio Mourão) A construção foi iniciada em 1927, substituindo a antiga capela do século XIX. A obra foi concluída em 1965. Projetada no estilo românico e em formato de cruz latina, pelo arquiteto Luiz Dantas Castilho, a obra foi executada pelo engenheiro Ormeo Junqueira Botelho. Dedicada a São Sebastião e sede episcopal da Diocese de Leopoldina, é considerado um dos mais belos templos de Minas Gerais e de grande valor histórico e cultural para Leopoldina e toda a região. Em 1942, ainda antes da conclusão das obras, foi elevada a condição de Catedral pelo Vaticano. Apos o fim da Segunda Guerra Mundial, por iniciativa do bispo da Diocese de Leopoldina, Dom Delfim Ribeiro Guedes, em 1946, foi erguida uma estátua no local em que estava a antiga matriz, em homenagem a Nossa Senhora da Paz, em agradecimento pelo fim do conflito mundial.

domingo, 21 de junho de 2020

Tapetes Arraiolos: de Diamantina a Passa Tempo

(Por Arnaldo Silva) No final do século XV para o início do século XVI, algumas comunidades do povo mouro, povo vindo do Norte da África, praticantes do Islamismo, viviam em Lisboa. Nesta cidade exerciam a arte de fazer tapetes, uma de suas das grandes vocações, já que os tapetes estão presentes constantemente no dia a dia dos povos islâmicos, que usam tapetes em suas orações e para suas refeições, já que boa parte comem assentados sobre tapetes, no chão. Fazer tapetes é uma das mais antigas artes do mundo. Em Portugal, chegou pelas mãos dos mouros, no século XV. Dom Manuel I, o Venturoso (31/05/1469 – 4/12/1521), Rei de Portugal de 1495 até o dia de sua morte, ordenou a expulsão dos mouros de Lisboa, devido os conflitos com os cristãos. Expulsos, os mouros foram para a pequena vila portuguesa de Arraiolos, pertencente ao distrito de Évora, na região do Alentejo. Arraiolos conta hoje com cerca de 10 mil habitantes. (foto abaixo de Giselle Oliveira em Diamantina/MG)
          Os mouros continuaram a exercer o ofício de tapeceiros na pequena vila, tornando o lugar próspero e solidificando a técnica da produção de tapetes, se perpetuando de gerações a gerações se incorporando à identidade cultural da Vila e de Portugal. O tapete passou a ter o nome da pequena vila, conhecido como Tapete Arraiolos em todo o mundo. Hoje uma das principais identidades de Portugal e um dos patrimônios do país lusitano. 
          São tapetes especiais, bordados com lã, tingidas em cores diferentes, sobre uma armação em tecido único de algodão, juta ou linho, muito resistente. Feitos de forma artesanal, esses tapetes são riquíssimos em detalhes. A característica principal desse tapete são os desenhos feitos a partir de um ponto cruzado oblíquo, formado por duas meias cruzes, chamado de Ponto de Arraiolo. É a partir desse ponto que os tapeceiros fazem os desenhos, originalmente inspirados em desenhos hispânicos, indianos e renascentistas, que dão cor e vida aos tapetes. Mesmo hoje, os desenhos originais são os tradicionais, existindo também tapetes arraiolo com desenhos com temas atuais. São tapetes especiais, finíssimos e únicos, cuja durabilidade é de ao menos 25 anos.
De Portugal para Diamantina
          O artesanato em tapetes Arraiolos é uma das fortes heranças deixadas pelos portugueses em Diamantina (na foto acima de Giselle Oliveira), cidade histórica mineira com 50 mil habitantes, a 300 km de Belo Horizonte, no Vale do Jequitinhonha. É uma das poucas cidades no mundo cuja arte de fazer tapete Arraiolos é reconhecida como autêntica. Arte esta já inserida nas tradições e representações folclórica da região, fazendo parte da tradição popular mineira. Uma arte de origem portuguesa, feita em Minas e reconhecida como autêntica, podendo os artesãos da cidade usar o nome Arraiolos em seus tapetes, já que a arte segue as tradições de confecção original. (foto abaixo enviada pela Dirce da Assart/Diamantina)
          Os portugueses que vieram para o Brasil introduziram boa parte de sua cultura, gastronomia, costumes e estilos arquitetônicos em Minas Gerais, tendo Diamantina recebida forte influência da cultura e gastronomia portuguesa, como por exemplo, na introdução de vinícolas na região no século 18. Antes mesmo da chegada dos imigrantes europeus no Sudeste e Sul do país no final do século 19 e início do século 20, responsáveis pela introdução da cultura vinícola no Brasil, o vinho já era produzido em Diamantina. Ao longo dos séculos, os costumes portugueses transformaram Diamantina num dos principais centros culturais, religiosos, arquitetônicos, artísticos e gastronômicos do Brasil, com tradições dos tempos do Império preservadas e revividas. (foto abaixo de enviada pela Dirce da Assar/Diamantina)
          No caso do tapete arraiolos não foi bem assim. A técnica de fazer esse tipo de tapete não veio com os colonizadores que vieram para Minas e em especial, para Diamantina, no início da colonização, explorar nossas riquezas minerais. O começo foi em 15 de junho de 1975, já no século 20, graças à iniciativa do então arcebispo da época, Dom Geraldo de Proensa Sigaud, que convidou o casal de portugueses Milton D. Rosa e esposa para ensinar a arte de confeccionar tapetes para moradores da região, visando criar nova fonte de renda para famílias carentes do Vale do Jequitinhonha.
          A Igreja local foi toda envolvida no projeto, que chegou a abranger 30 localidades da região, envolvendo cerca de 2 mil pessoas, que aprenderam à tarde de fazer tapete Arraiolos com o casal português. Inicialmente, as aulas eram ministradas na Mitra Arquidiocesana de Diamantina e com o aumento do número de artesãos participando do projeto, foi constituída a Cooperativa Artesanal Regional de Diamantina e Região, em 1978, onde os cursos passaram a ser ministrados. (foto abaixo enviada pela Dirce da Assart/Diamantina)
          Ao longo dos anos a atividade foi caindo, ficando algumas famílias preservando e exercendo a arte, passando os ensinamentos da arte de fazer tapetes para suas filhas, netas. Algumas deram prosseguimento e continuam até os dias de hoje fazendo tapetes, que em muitos casos, se tornou tradição de família. São hoje cerca de 500 tapeceiras espalhadas em cerca de 17 pontos do Vale do Jequitinhonha que estão tendo o apoio do Sebrae e outros órgãos para que a tradição seja resgatada e ampliada, apoiando as associações e cooperativas dos artesãos locais. O objetivo é fazer com que as pessoas mais jovens se interessem pela arte de bordar tapete Arraiolos. Por ser uma arte bem trabalhada, fina, resistente, tem bom preço no mercado, atrai turismo para as cidades e melhora em muito a renda familiar.
          A realidade de hoje é diferente de 40, 50 anos atrás quando começaram a fazer tapetes. Na época a única forma de vendas era local, restritas aos moradores da região e turistas que vinham à cidade. Hoje, com a popularização do celular e o alcance global que a internet proporciona, comercializar os trabalhos artesanais e outros produtos feitos em Minas se tornou mais fácil, principalmente com a consciência dos artesãos e artesãs em se unirem em associações e cooperativas, o que possibilitada divulgação dos trabalhos dos artesãos, bem como um alcance internacional das vendas e divulgação da arte dos tapetes e do artesanato mineiro em geral. Os artesãos e artesãos de Diamantina estão organizados na Associação dos Artesão e Arte da Terra (ASSART), podendo serem contactos por e-mail:assart.diamantina@gmail.com ou pelo Instagram: @_assartdiamantina
De Diamantina à Passa Tempo
          Passa Tempo (na foto acima de Saulo Guglielmelli), charmosa, atraente e pacata cidade da Região Oeste de Minas, com 8 mil habitantes, também produz tapetes Arraiolos. Faz divisa com os municípios de Oliveira, Carmópolis de Minas, Desterro de Entre Rios, Piracema e está a 143 km distante de Belo Horizonte.
          A arte de fazer tapetes Arraiolos foi introduzida na cidade em 1977, pelo Padre Irineu Leopoldino de Souza, que saiu de Diamantina, transferido para Passa Tempo. Por participar e conhecer o projeto dos Arraiolos em Diamantina, o sacerdote viu potencial na cidade para fazer esses tapetes e desenvolveu o mesmo projeto em Passa Tempo. Mesmo com a posterior transferência do padre da cidade, a arte de fazer tapetes continuou, isso porque a ideia evoluiu, teve grande aceitação popular, cujo ofício foi passado de mãe para filha e muitos ensinavam uns para os outros. Esse interesse pela arte de fazer tapetes Arraiolos foi tão grande que se tornou tradição, na cidade, gerando renda para as famílias, hoje organizadas na Associação das Tapeçarias e Artesanatos de Passa Tempo (ATAPT). 
          Passa Tempo é hoje conhecida na região como a “Terra dos Tapetes Arraiolos”, pela diversidade de sua produção, criatividade e talento de seus artesãos na arte de fazer tapetes Arraiolos. Os tapeceiros e bordadeiras da cidade sentem orgulho de exercerem a arte da tapeçaria, contribuindo com a história da cidade e de suas próprias, que tiveram parte de suas vidas e historias dedicada ao amor à arte de fazer tapetes.
Como identificar o verdadeiro Tapete Arraiolos?
          Ter um tapete Arraiolos em casa é ter uma arte finíssima, chique, que dá vida e mais conforto às residências. É sinal de cultura e bom gosto. Embora as chances de comprar tapete Arraiolos originais sejam bem grandes, já que é uma arte relativamente cara, totalmente artesanal, feito a mãos, por isso ser pouca possibilidade de reprodução em série, devida a complexidade da arte, pode existir esses tapetes não originais, feitos industrialmente. (foto enviada pela Dirce da Assart/Diamantina)
          Veja as dicas para certificar-se de que esteja adquirindo um tapete original
- Arraiolos legítimo você encontra em Portugal. No Brasil você encontra em nas cidades mineiras de Diamantina e em Passa Tempo, podendo adquiri-los diretamente nas lojas dos artesãos, sites de vendas online locais ou por encomenda.
- Desconfie se encontrar um tapete com linhas e pontos exatos e apalpe os tapetes. Isso porque são feitos à mão e passando os dedos entre os desenhos e pontos, poderá perceber relevos nos detalhes. Nos tapetes industriais são lisos os desenhos.
- Os pontos e detalhes geralmente apresentam irregularidades, já que são feitos durante dias, com bordados a mão.
- Tapete Arraiolos é feito de lã pura, toque e sinta se é de lã, cheire também.
- Por serem feitos artesanalmente, totalmente a mão, não é um tapete barato, até porque, dependendo do tamanho do tapete, uma única peça sua confecção consome vários dias para ser feita ou até semanas. Os preços variam muito da localidade onde é produzido e geralmente cobrado por metro. Desconfie de tapete Arraiolos baratos. (foto abaixo de Giselle Oliveira em Diamantina)
          Por fim, prestigie o artesanato original de sua cidade, de Minas Gerais, feito pelas mãos dos nossos talentosos artesãos. Além de adquirir uma arte original única, já que nunca uma peça feita à mão é igual à outra, você estará preservando a tradição, ajudando as famílias dos artesãos, gerará impostos, riquezas para os municípios e estará incentivando a preservação de nossas tradições seculares.

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