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quinta-feira, 18 de junho de 2020

A Guarda Romana, tradições e a história de Diamantina

(Por Arnaldo Silva) Diamantina está a 292 km de Belo Horizonte, na região do Alto Jequitinhonha e se destaca em Minas por sua valiosa importância para a história de Minas Gerais. Em 1938, seu conjunto arquitetônico, do período colonial e imperial, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em 1999 foi reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade. (na fotografia acima de Giselle Oliveira, a Guarda Romana, no Centro Histórico de Diamantina)
A arquitetura de Diamantina
          Diamantina abriga um dos mais belos e bem conservados acervos arquitetônicos do período Colonial Barroco e do período Imperial brasileiro. Os arquitetos da época seguiram à risca os traços e originalidades das cidades portuguesas, adaptando sua cultura à paisagem natural da região. (na fotografia acima de Elvira Nascimento, vista parcial de Diamantina)
          Não foi por mera coincidência que optaram por construir a cidade aos pés do maciço rochoso da Serra dos Cristais, no início do Ciclo do Ouro, no século 18. (fotografia acima de Giselle Oliveira)
          Sua arquitetura colonial se desenvolveu no auge do Ciclo do Ouro, entre 1720 e 1750, no período Colonial, onde as simples casas do Arraial do Tijuco deram lugar a suntuosas construções e belíssimas igrejas ornadas a ouro e diamantes,  graças a riqueza gerada por essa pedra preciosa. 
          Pra se ter ideia, no auge desse período, Diamantina era a maior lavra de diamantes do mundo. Com tanta riqueza, os investimentos em edificações e infraestrutura urbana foram altos. 
          Sua arquitetura foi consolidada em meados do século 19, já no período Imperial (na foto acima da Elvira Nascimento). Percebe-se pelos fatos a importância de Diamantina para a história de Minas Gerais e do Brasil. A cidade tem uma pureza arquitetônica impressionante, que lembra claramente as mais belas vilas de Portugal.
          Diamantina exibe rara beleza arquitetônica e natural, formando um dos mais significativos conjuntos paisagísticos de Minas Gerais. Sua beleza é rara, sóbria, elegante, simples, original e impactante.
          A arquitetura urbana de Diamantina com suas cores variadas com portas, portadas e janelas enormes, muxarabis (elementos da arquitetura árabe), balcões com pinhas de vidro, pavimentos em pedra bruta ou madeira maciça chamam a atenção pelas características excepcionais que apresentam, destacando por exemplo o Passadiço do Glória (na foto acima de Elvira Nascimento) que liga dois sobrados. Um construído no século 18 e outro no século 19.
          Outro destaque arquitetônico é o sobrado onde viveu Chica da Silva (na foto acima de Alexandra Almeida), com o homem mais poderoso e rico da região, naqueles tempos, o Contratador de Diamantes entre 1759 a 1771, João Fernandes de Oliveira . O luxuoso sobrado é um dos mais visitados em Diamantina, bem como a casa em que viveu Juscelino Kubitschek e as igrejas de Nossa Senhora do Carmo, de São Francisco, de Nossa Senhora do Rosário, do Senhor do Bonfim, a Capela Imperial do Amparo e a Catedral Metropolitana de Santo Antônio são os marcos da religiosidade e história de Diamantina e de Minas Gerais. 
A Guarda Romana
          Em Diamantina, as tradições religiosas, folclóricas e culturais são preservadas. Na Semana Santa, um dos destaque do evento religioso é a Guarda Romana. 
          Formada por cerca de 50 homens, a Guarda Romana (na foto acima de Giselle Oliveira) sai às ruas de Diamantina, encenando os passos e paixão de Jesus Cristo. Usando escudos e batendo as alabardas (tipo lança), em marcha lenda, batendo fortemente os pés e alabardas no chão, numa coreografia e composição musical, que impressiona e emociona. 
          Por sua grande importância cultural e fé dos diamantinenses, a Guarda Romana é reconhecida como Bem Imaterial de Diamantina desde 2014. É um patrimônio valioso da cidade. (fotografia acima de Giselle Oliveira)
A Festa do Divino Espírito Santo
          Outra festa de grande importância para Diamantina é a Festa do Divino Espírito Santo. Há mais de dois séculos, a cidade revive ainda uma das mais antigas tradições do Império. Tradição portuguesa, desde o século XIV, chegou à Minas Gerais, com os portugueses, durante o Ciclo do Ouro. Faz parte das tradições mineiras e principalmente em Diamantina.
          A Festa do Divino é realizada 50 dias após a páscoa cristã, com procissões e novenas dedicadas ao Espírito Santo. Nos dias de festa, os devotos vestem roupas coloridas, cantam, dançam e visitam as casas, recebendo doações e também doando alimentos e roupas, além de fazerem orações nos lares que visitam. 
          É uma época de agradecimento por bênçãos recebidas, pela fartura na colheita e pela prosperidade conquistada. É comum os cristãos doarem alimentos e roupas aos pobres, nessa época.
          A festa é formada por um corte, comandada pelo Imperador do Divino, que com os dons do Espírito Santo, distribui bênçãos, liberta cativos e ajuda os mais necessitados. Com o Imperador, é eleita a Imperatriz, bem como os príncipes e princesas. Todos vestidos em trajes de época, de Imperador, imperatriz, príncipes, princesas e fidalgos. 
          Seguindo a corte, os súditos do Imperador do Divino, que com roupas coloridas, cantam, dançam e louvam a Deus e ao Espírito Santo. 
          Segundo a fé cristã, os apóstolos de Jesus Cristo, receberam os dons do Espírito Santo, que desceu sobre eles, em forma de uma pomba branca no dia de Pentecostes. Após receberem os dons do Espírito Santo, agradeceram, louvaram a Deus e se encheram de forças para disseminar o Evangelho.  
          A Festa do Divino e a figura do Imperador do Divino, era tão popular que, ao invés de Dom Pedro I ser coroado Rei do Brasil, foi coroado Imperador. A ideia de mudar o título real foi de Bonifácio Andrada, na tentativa de popularizar a figura de Dom Pedro I, comparando-o, com a figura popular que representava o Imperador do Divino.
          Em Diamantina, o Imperador e sua corte, da Igreja do Espírito Santo e segue, acompanhado dos grupos de Congadas, Moçabiques, Folias de Reis, etc, até a Igreja de São Francisco de Assis.
          Como na época do império, os súditos da nobreza, acompanhavam o cortejo da Corte e assim é na festa, onde o povo e grupos folclóricos, acompanham, com danças, cânticos, o cortejo, tento a corte real à frente. 
          É uma mistura de elementos religiosos da cristandade, com as tradições locais e elementos profanos da simbologia Imperial Brasileira, incorporados à festa.
          A Festa do Divino é uma das mais antigas tradições, não só de Diamantina, mas do Brasil. Como a Guarda Romana, a Festa do Divino Espírito Santo é registrada como Bem Imaterial de Diamantina, desde 2014.
Arraiolos e Vesperata
          Não só isso, o visitante encontrará em Diamantina os famosos tapetes arraiolos (na foto acima enviada pela Dirce da Assart). A técnica da tapeçaria foi trazida pelos portugueses no final do século XVII, quando chegaram à região em busca de ouro. Essa arte é preservada até hoje.
          Pelos becos e ruas de Diamantina o visitante encontrará cultura, alegria, história e música. A cidade tem uma vocação impressionante para a música que está presente o dia a dia do diamantinense. Um espetáculo imperdível é a Vesperata (na foto acima de Sérgio Mourão) que acontece no decorrer do ano, revivendo antigos sucessos da música brasileira, internacional e folclórica. 

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