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sábado, 20 de junho de 2020

Uma volta aos tempos do Brasil Colônia

(Por Arnaldo Silva) Viajar pelas cidades históricas mineiras é como voltar ao passado, viver e vivenciar o estilo de vida nos tempos do Brasil Colônia. É uma viagem no passado, ao mesmo tempo, essa viagem proporciona lazer e descanso, já que são cidades prazerosas de se estar, com ótima e tradicional gastronomia, cultura, belezas naturais espetaculares. Nessas cidades, alguns antigos casarões foram transformados em pousadas, dando oportunidade ao visitante de estar num ambiente onde viveram dezenas de gerações, em mais de 300 anos. 
          Cidades preservadas (como Diamantina, acima, na foto de Giselle Oliveira) e muita história para contar em seus becos, ruelas, ruas em pedras, casarões, sobrados suntuosos, museus e igrejas, evidenciando a riqueza dos tempos do auge do Ciclo do Ouro em Minas Gerais. São mais que cidades, são histórias vivas. Cada detalhe, cada arte presente na arquitetura das cidades históricas impressiona pela beleza, riqueza e imponência.
          Vamos fazer um passeio pelos principais pontos de algumas dessas cidades, partindo de Diamantina, passando pelo Serro, Conceição do Mato Dentro, Catas Altas, Santa Bárbara, Belo Horizonte, Congonhas, Mariana e terminando nossa viagem em Ouro Preto.
Diamantina
          Também de Chica da Silva, de JK, da música, do vinho, do tapete Arraiolo, dos bordados, da seresta e da Vesperata. (Foto acima de Giselle Oliveira) É assim que Diamantina é conhecida, mas a cidade, agraciada pela UNESCO com o título de Patrimônio Cultural da Humanidade em 1999, é também chamada de “Capital do Vale do Jequitinhonha” e “Cidade Colonial dos Diamantes”. Distante 292 km de Belo Horizonte e a 1300 metros de altitude, a cidade se destaca por suas belezas naturais, pelo seu riquíssimo artesanato, em especial os tapetes Arraiolos e o artesanato em flores, bem como sua intensa vida cultural.
          Sua história começa em 1713 com a formação de um arraial, chamado Arraial do Tejuco. O crescimento do arraial se intensificou a partir de 1720, com a descoberta das jazidas de diamantes na região, intensificando seu crescimento e reconhecimento como cidade emancipada em 1831. Em Diamantina está boa parte da história dos tempos do Império. História esta guardada na mente dos diamantinenses, estudada nos livros de história e presente em cada canto do Centro Histórico de Diamantina. 
          Ao visitar a cidade é imprescindível visitar o Mercado dos Tropeiros (na foto acima de Giselle Oliveira) , construído em 1835 para ser ponto de descarregamento e venda de mercadorias. A casa em que viveu Juscelino Kubitschek em sua infância merece ser visitada. Construída de pau-a-pique, é uma típica edificação do século 18. Hoje é um museu dedicado a contar a vida e obra de um dos mais importantes políticos do Brasil. 
          Outro ponto interessantíssimo para conhecer na cidade é o sobrado onde viveu João Fernandes de Oliveira, o Contratador de Diamantes, com sua mulher, Chica da Silva, entre os anos de 1763 e 1771. 
           Além desses pontos, Diamantina tem como atrativos o Cruzeiro da Serra, onde se pode ter essa vista da cidade acima, na foto do Sérgio Mourão, o Passadiço do Glória, a Casa do Intendente, a Praça JK, o Teatro Santa Izabel, o Museu do Diamante, a Catedral Metropolitana, as Igrejas de São Francisco de Assis, do Nosso Senhor do Bonfim, de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, de Nossa Senhora do Carmo, de Nossa Senhora do Amparo e a Basílica do Sagrado Coração de Jesus. 
          Diamantina (foto acima de Giselle Oliveira) respira música. Pelos cantos e becos diamantinenses, é comum encontrar grupos musicais tocando em público. A culinária é genuinamente mineira com restaurantes que servem a melhor cozinha de Minas, bem como os pratos preparados pelos cozinheiros locais que são extremamente criativos na arte de cozinhar. 
Serro 
De Diamantina vamos para o Serro (na foto acima do Vinícius Barnabé), famosa por seu queijo, Patrimônio Imaterial de Minas Gerais, reconhecido pelo IEPHA e também, Patrimônio Imaterial Nacional, reconhecido pelo IPHAN. Serro fica apenas 90 km de distância de Diamantina e a 325 km de Belo Horizonte. Sua origem começa em 1701. Já em 1714 era elevada a categoria de Vila. É uma das mais antigas povoações de Minas Gerais. Por suas ruas, praças e becos, a herança do Brasil Colonial se faz presente. Cidade charmosa, rodeada por belíssimas paisagens morros, serras, cachoeiras e rios, oferecendo aos visitantes, além de sua história contatada em suas igrejas e casarões dos séculos XVIII e XIX, a oportunidade de conhecer paisagens incríveis como o Pico do Itambé e distritos pitorescos e apaixonantes como Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras.
Conceição do Mato Dentro 
Saindo do Serro, nosso destino é Conceição do Mato Dentro (na foto acima de Arnaldo Silva), distante apenas 64 km do Serro e a 167 km de Belo Horizonte. Sua origem é no início do século XVIII, sendo o arraial elevado a Freguesia em 1724 e a município em 1842. É uma charmosa cidade histórica, com belezas arquitetônicas do Brasil Colonial preservadas, como seu casario histórico, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a Igreja do Rosário, a Igreja de Santana, o Santuário Bom Jesus de Matosinhos, a Capela do Senhor dos Passos a Casa da Cultura e charmosos distritos destacando o distrito de Brejeúba, Tabuleiro do Mato Dentro e Córregos. Conceição do Mato Dentro se destaca por suas belezas naturais e várias cachoeiras paradisíacas, entre elas a maior cachoeira de Minas e a terceira maior do Brasil, a Cachoeira do Tabuleiro, com 273 metros de queda.
Santana do Riacho e Catas Altas 
Saindo de Conceição do Mato Dentro, a 225 km de distância, pela MG 10, passará por Santana do Riacho (na foto acima da Sila Moura), a porta de entrada para a Serra do Cipó. Santana do Riacho é uma pequena cidade, com uma gastronomia maravilhosa e na Serra do Cipó tem Lapinha da Serra, um dos mais belos distritos mineiros. Dê um pulo lá, é pertinho.
Depois de conhecer Santana do Riacho, é rumar para Catas Altas (na foto acima de Elvira Nascimento), distante 120 km de Belo Horizonte. É uma das mais antigas cidades históricas de Minas Gerais e de grande importância cultural para o Estado, já que no município está o Santuário do Caraça (na foto abaixo do Vinícius Barnabé) e a cidade tem forte tradição gastronômica. Desde o final do século XIX é produzido vinhos em Catas Altas. No início foram os vinhos tradicionais, feitos com uva. Como a jabuticaba era uma fruta abundante na região, a uva foi aos poucos sendo substituída pela jabuticaba. Hoje o vinho de jabuticaba de Catas Altas é uma das mais tradicionais bebidas de Minas Gerais. 
          A história de Catas Altas começa em 1703, sendo freguesia, distrito e cidade emancipada apenas em dezembro de 1995. Seu conjunto arquitetônico barroco em torno da Praça Monsenhor Mendes, sua igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a singela Capela de Santa Quitéria e outros construções do período Colonial faz de Catas Altas uma das mais belas cidades mineiras. A pacata cidade, emoldurada pela beleza da Serra do Espinhaço, com menos de seis mil habitantes, foi cenário da minissérie da Rede Globo, exibido em 2019.
Santa Bárbara
          Pertinho de Catas Altas, apenas 15 km de distância e a 90 km de Belo Horizonte, está a cidade histórica de Santa Bárbara (foto acima de Thelmo Lins). Sua história inicia-se em 1704 com a criação do arraial. Nove anos depois, em 1713, sua principal igreja, a Matriz de Santo Antônio tem seu início, sendo hoje um dos mais belos tempos do período colonial em Minas Gerais. Nessa mesma época é formado Brumal, hoje distrito de Santa Bárbara, um dos mais importantes distritos do Estado, com um rico acervo cultural e arquitetônico. O Largo do Brumal é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico Mineiro (IEPHA/MG), bem como a Igreja de Santo Amaro (na foto abaixo de Elvira Nascimento), construção típica mineira, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) 
          Na cidade pode se conhecer belíssimos casarões do período colonial, principalmente o casario colonial da Rua Rabelo Horta, suas igrejas, a sede da Prefeitura, o famoso Hotel Quadrado, a antiga cadeia, a Pharmacia Sant’Anna, que hoje é o Museu do Judiciário Municipal, o Chalé Barroco, a Casa da Cultura, a Casa do Mirante, a Casa do Mel, o Memorial Afonso Pena e os charmosos distritos de Brumal e Bateias.
De Belo Horizonte a Congonhas 
De Santa Bárbara, nosso destino é Congonhas. Primeiro você vai passar por Lagoa Santa, uma bela e charmosa cidade que vale a pela dar uma passada para conhecer por exemplo a Gruta da Lapinha. Em seguida, o rumo é Belo Horizonte (na foto acima de Leandro Leal), nossa capital que fica a 110 km de distância apenas. Aproveita e visite um pouco a beleza da arquitetura eclética do início do século XX, presentes na Praça da Estação e Praça da Liberdade e as belíssimas igrejas de São José, Basílica de Lourdes e da Boa Viagem, na região Centro Sul da Capital. Bem no centro da cidade está o Parque Municipal, que é um verdadeiro museu a céu aberto e de beleza encantadora. Partindo de Belo Horizonte, vamos para Congonhas, cidade histórica mineira, com origem no início do século XVIII, distante apenas 80 km. 
          Congonhas era uma das cidades preferidas do Mestre Aleijadinho que deixou uma de suas mais importantes obras, os 12 profetas e a Santa Ceia, presentes no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (na foto acima do Vinícius Barnabé), um conjunto arquitetônico e paisagístico formato por pelo Jardim dos Passos, constituído por seis capelas, uma igreja, um adro e em seu interior, a representação da Santa Ceia com imagens em tamanhos reais. O Santuário é Patrimônio Cultural da Humanidade, reconhecido pela UNESCO em 1985, e um dos mais importantes patrimônios arquitetônicos de Minas Gerais. Obra foi iniciada em 1757 e concluída em 1875, passando nesse período por várias etapas em sua construção, com trabalhos de vários artistas, escultores e pintores, como Francisco de Lima Cerqueira, João Nepomuceno Correia e Castro e o Mestre Ataíde. 
          Além do Santuário, a cidade é charmosa, tem um belo casario histórico e no seu entorno (na foto do Vinícius Barnabé), tombados pelo IEPHA, estão a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a Estação Ferroviária de 1914, as Igrejas de Nossa Senhora da Ajuda no distrito de Alto Maranhão, de São José Operário de 1817, de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e de Nossa Senhora do Rosário e a Romaria, são outros atrativos de Congonhas.  
          Outro atrativo da cidade historia é o Museu de Congonhas, um dos mais modernos museus do país, único presente dentro de um sítio histórico, com seu foco na fé ao Bom Jesus do Matosinhos. A cidade oferece uma excelente gastronomia, ressaltando o Festival Gastronômico de Congonhas, realizado sempre em maio, um dos principais eventos gastronômicos do Estado.
Mariana 
Nosso próximo destino agora é a cidade de Mariana (na foto acima de Fabinho Augusto), distante 72 km de Congonhas e 120 km Belo Horizonte. Foi a primeira vila a ser reconhecida como cidade e primeira capital de Minas Gerais. Sua origem é do século XVIII e no período do Ciclo do Ouro, foi a maior produtora de ouro no Brasil. O patrimônio histórico de Mariana é incrível. Uma história em cada detalhe. 
A cidade é uma verdadeira escola de história a céu aberto, destacando a Praça Minas Gerais (foto acima do Fabinho Augusto), a Praça Gomes Freire, o colégio Providência, a casa em que viveu o Mestre Ataíde, a Mina da Passagem, a Igreja de Nossa Senhora da Assunção, conhecida por catedral da Sé, onde se encontra um órgão todo policromado, com 7 metros de altura e 5 metros de largura, construído em 1701 em Hamburgo (Alemanha), por Arp Schnitger (1648-1719), um dos nomes mais respeitados na história da fabricação deste tipo de instrumento em todo o mundo. O órgão foi doado pela Coroa Portuguesa em 1753, como presente da Coroa portuguesa ao primeiro bispo da cidade, D. Frei Manoel da Cruz. No mundo, entre os órgãos Schnitger que existem até hoje, o de Mariana é um dos exemplares mais bem conservados e o único que se encontra fora da Europa. 
Por fim, saindo de Mariana, de trem, nossa viagem termina em Ouro Preto. São apenas 12 km de trem, partindo da charmosa e atraente estação de Mariana (na foto acima de Arnaldo Silva) até a estação de Ouro Preto. É uma viagem emocionante e inesquecível. De Belo Horizonte até Ouro Preto são apenas 100 km. 
Ouro Preto 
          Quem quer vivenciar na prática os ensinos teóricos de história sobre a história do Brasil, tem que vir a Ouro Preto. A cidade é um museu a céu aberto em cada detalhe. Tudo em Ouro Preto é história. Na cidade, a história do Brasil está presente em tudo, em casa canto, beco, rua, museu e igrejas ouro-pretanas. (fotografia de Vinícius Barnabé)
          Fundada em 1711, primeira cidade brasileira a ser reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade em 1980, é uma das mais belas e importantes cidades históricas do mundo. De Ouro Preto saíram mais de 800 toneladas de ouro, enviado para a Coroa Portuguesa. Isso sem contar a extração ilegal de ouro e o que permaneceu na cidade, usado na ornamentação de construções, principalmente igrejas. 
          Em 1730, no início do ciclo do Ouro, a cidade contava com 40 mil habitantes. Já no auge do Ciclo do Ouro, sua população era de 80 mil habitantes, mais até que a cidade Norte-americana de Nova York, na época com 40 mil habitantes e São Paulo, que contava com oito mil habitantes nesse naquele período. Cidade que nasceu durante a riqueza do ouro e da cultura europeia, riqueza esta presente em suas suntuosas construções, principalmente nas igrejas. (Fotografia de Thiago Perilo - @thiagop.photo)
          Em Ouro Preto foi construído o primeiro teatro no Continente Americano (América do Sul, Central e do Norte). Sua construção foi iniciada em 1746 e concluída em 1770, por iniciativa do Contratador português João de Souza Lisboa. Foi o primeiro teatro e atualmente é o mais antigo teatro em funcionamento em todas as Américas. (na foto abaixo de Ane Souz)
As igrejas de Ouro Preto são impressionantes, riquíssimas em detalhes arquitetônicos e ouro. Vale a pena conhecer a Igreja de São Francisco de Assis, considerada símbolo do Barroco Mineiro e também as igrejas de São Francisco de Paula, de Nossa Senhora da Conceição, de Santa Efigênia, de Nossa Senhora do Carmo, de Nossa Senhora do Pilar com quase meia tonelada de ouro ornamentando seu interior, de Nossa Senhora da Conceição, onde estão os restos mortais do Mestre Aleijadinho, de São José, de Nossa Senhora das Mercês e Perdões, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a Capela do Morro de São João, a Capela do Padre Faria, o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, no bairro Cabeças e a Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia (na foto abaixo de Sônia Fraga). São impressionantes, riquíssimas em detalhes do nosso Barroco e histórias vivas do tempo do Brasil Colônia.
          Além das Igrejas, os museus são locais onde a nossa história de Minas e do Brasil são contadas numa riqueza de detalhes impressionantes, desde as construções a cada peça exposta. Os próprios locais onde estão os museus, são construções históricas e ricas em detalhes arquitetônicos e história, com destaque para o Museu da Inconfidência e a Casa dos Contos. Além desses museus, tem o Museu das Reduções, Museu do Chá, Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas, Museu da Música, Ludo Museu, Museu do Oratório, Museu Casa Guignard, Museu de Pharmacia, Museu de Arte Sacra do Pilar, Museu Aberto Cidade Viva e Museu Aleijadinho além do Museu do Ouro, onde são encontradas diversas pedras preciosas. 
          A história e a beleza de Ouro Preto vão além do seu perímetro urbano. Os distritos ouro-pretanos guardam relíquias impressionantes de nossa história. Os mais populares são Lavras Novas (na foto acima de Arnaldo Silva), Cachoeira do Campo e São Bartolomeu, a terra da Goiabada Cascão. Tem ainda Amarantina, Miguel Burnier, Glaura, Santo Antônio do Leite, Antônio Pereira, Santo Antônio do Salto, Rodrigo Silva, Engenheiro Correia, e Santa Rita do Ouro Preto.
          Ouro Preto respira cultura e arte todos os dias, o ano todo.

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