Tecnologia do Blogger.

sábado, 21 de julho de 2018

O Largo do Coimbra em Ouro Preto

(Por Arnaldo Silva) O Largo de Coimbra fica a poucos metros do Museu da Inconfidência e é um dos locais mais visitados em Ouro Preto MG devido a Feira de Pedra Sabão, a casa do Inconfidente Tomaz Antônio Gonzaga, a Igreja de São Francisco de Assis e seus bem preservados casarões do século XVIII. 
         No século XIX e início do século XX o local era usado por tropeiros, que vinham de longas distâncias para comercializarem seus variados produtos com os ouro-pretanos. Traziam de tudo, como por exemplo açúcar, querosene, sal, objetos de uso da época como as lamparinas, roupas, sapatos, velas, etc. (foto acima de Ane Souz e abaixo de Alisson Gontijo)
          Como o fim das  atividades dos tropeiros provocado pelo surgimento dos automóveis e caminhões, que facilitavam a entrega dos produtos, uma nova feira surgiu no local. Produtores rurais passaram a usar o espaço para venderem seus produtos como frutas, verduras, leite, doces, carnes, etc direto para o consumidor, 
Com título de Patrimônio da Humanidade em 1980, o turismo passou a ganhar força e o Largo do Coimbra, um dos lugares mais visitados da cidade, passou a ter a feira exclusiva para comércio e exposição do artesanato local e assim é até hoje. Onde ficavam os tropeiros, com seus cavalos e mercadorias, passou a ser uma feira rural e por fim, feira permanente de artesanato em pedra sabão. (na foto abaixo de Elvira Nascimento, vista da sala da casa do Inconfidente Tomaz Gonzaga)
          Do Largo do Coimbra se tem uma privilegiada vista do Pico do Itacolomi, do bairro Antônio Dias, onde está a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e alto da Igreja de Santa Efigênia. 
          Ir a Ouro Preto e não ir no Largo do Coimbra, é como se tivesse perdido metade do passeio. É imprescindível visitar o Largo.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Os girassóis do Triângulo Mineiro

(Por Arnaldo Silva) Dificilmente alguém não para admirar os girassóis floridos no Triângulo Mineiro. Os girassóis fascinam, simplesmente fascinam por sua beleza. A florada dessa planta, cuja origem é Mexicana, na América do Norte, começa no fim do verão e se estende até agosto. Nessa época do ano, é comum pessoas que passam pela BR 050 e BR 452, no Triângulo Mineiro, entre Uberaba e Uberlândia, pararem para registrar e se fotografar em meio aos milhares de girassóis que chegam até metros de altura.
Em Uberaba,  os campos de girassóis pertencem à empresa Alta Genétics na Rodovia BR 050, KM 164 podendo ser visitados entre abril e maio, durante a Expozebu. No período da Expozebu (geralmente entre abril e maio) quem quiser pode andar entre os campos de girassóis. Fora desse período, somente da BR mesmo já que as plantações ficam às margens da rodovia. As vezes a empresa alterna o cultivo, plantando outra cultura, por isso, ligue antes e se informe: 34 3318-7777. (Foto acima e abaixo de Cris Ferreira/@paisagenscsf)
Além de Uberaba e Uberlândia, em Santa Juliana, Araguari e outras cidades na mesma região existem várias fazendas com plantio de girassóis. Não só no Triângulo Mineiro, mas em várias regiões de Minas Gerais os girassóis podem ser contemplados como em Florestal na Região de Belo Horizonte, Patos de Minas e Araxá no Alto Paranaíba, Caxambu, Ouro Fino, Conceição das Alagoas, Pedralva, São Pedro da União, Cruzília e Areado no Sul de Minas e Catuji e Manga no Norte de Minas. 
Utilização
          Dos seus frutos, popularmente chamados sementes, é extraído o óleo de girassol que é comestível. A produção mundial ultrapassa 20 milhões de toneladas anuais de grão. (foto acima de Cris Ferreira/@paisagenscsf)
          A semente também é usada na alimentação de pássaros em cativeiro além de ser uma das mais utilizadas na alimentação viva.
A sua flor é comercializada como flor de corte. Existem dois grupos de variedades importantes: uniflor com haste única e uma flor terminal; multiflor com flores menores que com ramos desde a base que são mais utilizadas na confecção de bouquet.
          A semente do girassol tem sido utilizada no Brasil na produção de biodiesel.
          Tem sido também uma boa alternativa para alimentação de gado, em substituição a outros grãos.
As suas folhas podem inibir o crescimento de plantas daninhas através do fenômeno alelopatia.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

A tradição do Queijo Minas Artesanal

(Por Arnaldo Silva) O Queijo artesanal mineiro, tradição que existe em Minas Gerais desde o inicio da descoberta do Ouro, no início do século XVIII, é produzido em mais de 600 municípios Mineiros, gerando emprego e renda para mais de 30 mil famílias, que vivem da produção de queijos.(a foto acima de Sérgio Mourão)
O modo artesanal de fazer Queijo nas regiões do Serro (na foto acima, fazenda de gado Gir, do Túlio Madureira), Serra da Canastra, Serra do Salitre e Campo das Vertentes é Patrimônio Imaterial de Minas desde 2004, reconhecido pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) e desde 2008, é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Ipham). 
Por ano, somente em Minas Gerais, é produzida uma média 250 mil toneladas de queijo, o que ajuda o Brasil a se manter no posto de 6º maior produtor de queijo do mundo. No Brasil, Minas Gerais o maior produtor. (na foto acima, de Tiago Geisler, o famoso Queijo do Serro, da cidade do Serro MG)
Queijo Minas Artesanal e Queijo Minas Frescal
O queijo artesanal mineiro é o queijo que preserva as formas originais e seculares na sua produção. Ou seja, leite cru não pasteurizado, sem acréscimo algum de outro componente. Após o preparo, o queijo artesanal passa por um processo de maturação que pode ser de uma semana, um mês ou até um ano. A maturação faz com que a coloração do queijo artesanal fique amarelada ou marrom, dependendo do tempo de maturação. Já o miolo possui uma textura firme e seca. É a maturação que dá sabor e qualidade ao queijo. 
Outro tipo de queijo, o queijo Minas frescal, é mais fácil de ser encontrado, por ser produzido em maiores quantidades, principalmente por laticínios. Quem gosta de queijo e vive em outro Estado, muitas das vezes confunde esse queijo com o queijo artesanal. E não é. O frescal é um tipo de queijo úmido, bem esbranquiçado e massa bem mole (na foto acima de Arnaldo Silva). O processo de produção desse queijo é diferente do queijo artesanal e não pode e nem deve ser confundido com o tradicional modo de fazer queijo artesanal, cuja receita tem três séculos de tradição.
Ou seja, Queijo Minas Frescal é um tipo de queijo e o queijo secular e tradicional, com o modo de fazer reconhecido pelo Iepha e Iphan como Patrimônio Cultural e Imaterial, é outro tipo de queijo. (na foto abaixo, de Jerez Costa queijo Minas artesanal da Queijo D´Alagoa, de Alagoa MG)
A receita do queijo artesanal mineiro é a mesma para todos. Mas o que dá a qualidade, a textura o sabor inconfundível ao queijo artesanal mineiro, não se encontra em nenhum outro lugar, só em Minas Gerais. A alimentação adequada, qualidade das pastagens, qualidade e cuidados com o rebanho, o clima, a temperatura das serras mineiras, a forma com que o queijo é trabalhado manualmente pelo produtor e principalmente pelo conhecimento da arte da fazer queijos, que passa de geração para geração. Esses são os diferenciais que faz do queijo artesanal de Minas Gerais, único e especial no mundo. 

domingo, 8 de julho de 2018

Calçamento com pés de moleque: a origem do nome.

(Por Arnaldo Silva) As ruas de nossas cidades antigamente eram calçadas com pedras brutas. Esse calçamento recebeu o nome de "Pé de Moleque". Costumamos falar em ruas de pés de moleque sem ao menos saber o porquê desse nome. Agora vocês vão saber.
          Esse tipo de calçamento era comum na Europa nos tempos antigos e foi introduzido pelos Portugueses no tempo do Brasil Colônia. As pedras vinham de Portugal, em navios e as ruas das cidades litorâneas como Rio de Janeiro, Paraty, Salvador, Porto Seguro, Santos, etc., receberam esse tipo de pavimentação. Chegavam em navios e eram levadas paras os seus destinos em carros de bois.
          O ouro de Minas Gerais seguia para o porto de Paraty/RJ em carruagens, mulas, burros e em sua maioria, em carros de bois. Deixavam o ouro e traziam pedras para calçamento, na volta. As ruas de Paraty/RJ foram quase todas calçadas com essas pedras vindas de Portugal.
          Como as cidades e vilas mineiras eram muito distantes para transportar tantas pedras, optaram por calçar as suas ruas com as pedras existentes nas regiões próximas às mesmas, que existiam em abundância, em beiras de rios, por exemplo. Na região de Ouro Preto, a pedra sabão era a mais comum e foi a mais usada nos calçamentos das ruas da cidade. O corte das pedras era totalmente rústico, feito a base da picareta, pelos escravos e em boa parte, nem eram cortadas, eram colocadas nas ruas da forma que eram retiradas.
          Com o aumento da exploração do ouro nas Minas Gerais, o fluxo de cavalos, carroças e carruagens aumentava a cada dia. As pequenas vilas que existiam não tinham ruas e sim caminhos abertos pela caminhada das pessoas e pelas rodas das carroças e carros de bois. Com o crescimento das vilas, bem como as transformações destas em cidades, surgiu a necessidade da abertura de ruas mais largas que os caminhos existentes. E os escravos foram largamente usados para abrir ruas e calçar as mesmas. Era no braço, na picareta, enxada e pás. As pedras vinham de pedreiras e rios, trazidas em carros de bois.
          A partir de 1760, a melhora das vias públicas se fez necessário, porque com o fluxo de pessoas e animais constantes, o transporte de mercadorias era prejudicado por atoleiros, buracos e poeira, prejudicando a todos. E para solucionar esse problema, as cidades começaram a receber calçamento nas suas ruas lamacentas  e poeirentas, que com o tempo, passou a ser chamado de pés de moleque, nas suas ruas lamacentas e poeirentas.
          O calçamento era necessário para evitar que as tropas com suas carroças, mulas e cavalos abarrotadas de ouro, diamantes, café e gêneros alimentícios, atolassem em dias de chuva ou levantassem poeira, em dias de estiagem, o que incomodava os moradores dos casarões e pedestres.
          Os trabalhos de calçamentos eram orientados por mestres pedreiros e executados pelos escravos e também por presos das cadeias próximas, que eram obrigados a trabalhar de graça, sob forte vigilância e acorrentados pelos pés. Eles preparavam a rua na enxada e iam postando pedra por pedra, uma ao lado da outra. 
          Os filhos desses escravos, que eram costumeiramente chamados de "moleques" iam em seguida esparramando terra arenosa e acertando as pedras com os pés. Não eram pedras uniformes e nem certinhas, porém o calçamento ficava bom, evitava o barro nos tempos de chuva e poeira na estiagem. 
         É por isso que esse tipo de calçamento se chama "Pé de moleque" embora muita gente diga que o nome é porque essas pedras lembram muito a cor do famoso doce de amendoim que conhecemos, o pé de moleque. 
         O surgimento desse doce é bem posterior ao surgimento do nome desse tipo de calçamento, portanto, não faz sentido associar a pedra ao doce, até porque moleque, sempre era usado para chamar os filhos dos escravos. O doce de amendoim, surgiu no século XIX e esse tipo de calçamento existe há séculos, na Europa, inclusive na Roma antiga, há mais de dois mil anos, ruas romanas tinha esse tipo de calçamento. O doce em questão passou a ser chamado de "Pé de Moleque" justamente porque esse tipo de calçamento lembra o doce no tabuleiro e não o contrário. Veja a foto acima, de autoria de César Reis, de uma rua em Tiradentes. Não lembra o doce no tabuleiro?
          No final do século XIX, já no fim do Brasil Imperial, as cidades começaram uma era de modernização e urbanização que acompanhava o desenvolvimento das cidades Europeias, buscando melhorar a vida de seus habitantes. 
          Com essa visão de modernizar as cidades, os calçamentos em pés de moleques começaram a ser retirados e colocados no lugar paralelepípedos, que são pedras bem trabalhadas, mais certinhas, que evitavam os constantes tropeços que o calçamento em pés de moleques causava e por dar um visual mais bonito às ruas, já que eram lisas e uniformes.
          E assim foi na maioria das cidades históricas mineiras e do Brasil também. Poucas ruas de nossas cidades históricas mantiveram o calçamento original, sendo substituídos pelos paralelepípedos do final do século XIX.
          Nas duas fotos acima você percebe bem a diferença nos tipos de calçamentos. A primeira, em Tiradentes MG de autoria de César Reis, calçamento original, com os famosos pés de moleque. Na segunda, uma Rua em Ouro Preto MG, de minha autoria, já com os paralelepípedos. 

quinta-feira, 5 de julho de 2018

O poder da fé e o Santo do Pau Ôco

Genaro morava com a mulher e um casal de filhos numa choupana na sua pequena gleba de terra, na vertente um pouco acima da nascente do rio. Como as terras de cabeceiras são incultas e pouco produtivas seus rendimentos eram insatisfatórios, ele complementava seu orçamento doméstico com sua arte, fabricando pequenos objetos de adorno e utensílios domésticos em madeira trabalhada. Vendidos na cidade mais próxima a sua propriedade. Cidade pequena, não conseguia faturar muito, mas dava para levar a vida sem grandes apertos. Seu filho Zequinha conduzia na garupa do pangaré sua irmã Sofia, um pouco mais nova que ele, até uma escola rural, na fazendo de seu Libório distante a dez quilômetros, onde ambos estudavam. 

Os pais até que gostariam que os filhos seguissem os estudos cursando uma escola superior, sonho que estava fora de cogitação devido os parcos recursos financeiros. Zequinha saiu bem ao pai e demonstrava um grande talento. Seu pai trabalhava na margem do rio a um quilometro distante do sitio onde havia abundância de madeira de lei apropriada para sua arte e cedida gentilmente pelo Médico dono da propriedade que adorava Genaro e seus filhos. Admirador que era também de sua arte.

Na sombra de um centenário ingazeiro debruçado no barranco do rio acompanhado pelo filho, Genaro realizava com arte seus trabalhos. Em pouco tempo com sua habilidade Zequinha já superava os trabalhos do pai em perfeição. Certo dia ele apanhou a sobra de um tronco que seu pai descartou devido ser de madeira oca. E começou a entalhar uma peça. O pai logo indagou sua intenção com aquele tronco imprestável e oco: - vou fazer um santo deste pau! Respondeu o garoto. 
–Deixe de enrolar menino vamos cuidar de nossas gamelas temos bastantes encomendas e não devemos perder tempo, este tronco nada vale. 

Zequinha não deu ouvido ao pai e continuou, observando que filho levava jeito ele o deixou com seu trabalho sem maiores aperreios. Dentro de um curtíssimo tempo uma bela peça estava esculpida. Orgulhoso o pai pergunta:
- e então Zequinha que santo é este? 
-Há digamos que seja o tal Santo do pau oco! 
-Rindo o pai o abraçou encantado com esperteza do filho. 

Nesse ínterim o doutor dono das terras que passava por lá cavalgando ficou admirado com arte do garoto dizendo: 
- olha seu Genaro o talento de seu filho não deve ser desperdiçado aqui neste sertão, o senhor vai me confiar seu filho para levá-lo para a capital e colocar numa escola de arte. Prometo que farei dele um grande escultor, pagarei todas as despesas, será meu presente para sua família! 
–Bão dotô de minha parte acho inté a coisa mais mió do mundo, mais a palavra finar é da Mariinha minha muié caso ela num ponha bistácuro o sinhô leva Zequinha. A mãe ficou mexida com a proposta imaginou mil coisas, mas acabou concordando.

Zéquinha foi pra capital sempre que o doutor voltava à fazenda o levava com ele. O tempo foi passando e o menino cada vez mais habilidoso e perfeito na sua arte. Os anos passaram e suas obras as vendidas e procuradas nas feiras de arte. 

Quando completou seus vinte anos já havia construído uma bela casa para os pais, e tinha seu carro para visitá-los quando quisessem. 

Numa de suas estadias na casa dos pais se lembrou de resgatar o santo que havia esculpido do pau oco, afinal foi graças a ele que sua vida melhorou, despertando no doutor o desejo de fazer dele o grande artista, a esta altura já perseguido pela a fama. 

Foi até o local, e voltou frustrado. Uma grande enchente havia levado rio abaixo sua escultura. Voltou pra cidade grande e continuou seu trabalho, viajando mundo afora expondo suas obras.

De repente o destino lhe pregou uma peça, o pai amanheceu completamente cego. Levaram-no aos melhores especialistas, até para o exterior e nada conseguiram de positivo. Pobre Genaro, ainda bem que a situação econômica estava melhor graças ao Zequinha. 

Passaram-se os anos, Zequinha e Sofia casados morando na capital, Genaro e Mariinha se mudaram para cidade, embora deficiente visual estivesse feliz, moravam numa casa confortável. Tinha o carinho de sua amada, a velha Mariinha, e aos fins de semana vinham os filhos da capital curtir o conforto no sitio, com sua piscina e tudo que a vida lhes dera de presente.

Certa ocasião, Zequinha foi convidado a expor suas obras numa cidade a trezentos quilômetros abaixo daquele paraíso onde nascia o rio de sua infância. Tal cidade atraía milhares de pessoas à busca de cura. A rede hoteleira já havia sido ampliada para atender a demanda, causada pelo fenômeno que ocorria.

Em sua visita Zequinha tomou conhecimento da dimensão, em que tornara aquela estância interiorana. Segundo afirmavam a água de uma pequena fonte que despencavam de uma imagem engastalhada entre as pedras no desvio de uma pequena cocheira no rio tinha um inexplicável poder de cura. A cidade ribeirinha ganhou fama e sua população testemunhava os mais fantásticos milagres. No encerramento da exposição, os compromissos não permitiram Zequinha visitar o local do santo milagroso. Voltou a sua rotina normal em seu cotidiano com suas viagens. Por ocasião de seu descanso no sitio ficou surpreso quando o pai lhe revelou que tivera um sonho com uma cidade ribeirinha daquele pequeno curso que ali iniciava, e que iria se curar quando lavasse seus olhos na água que despencava do corpo de uma imagem.

Zequinha mexido com a história do sonho, nada disse ao pai.
- Seria uma grande coincidência ou um milagre estava prestes acontecer? 
- Imaginou ele lá com os seus botões. 
O melhor mesmo seria tentar afinal não havia mais a perder o pai já sem a menor chance de se recuperar clinicamente, só mesmo um milagre o poderia curar. Na manhã seguinte quando sol raiou muitos quilômetros pai filho já haviam rodado, em busca da água milagrosa. Antes do meio dia Genaro já era guiado por Zequinha na fila que subia a passarela que conduzia os fieis aos pés da imagem. 

Segurando o pai pelas costas orientou a ele que com as mãos encurvadas no formato de conchas apanhasse a água lavando-a aos olhos. O velho respondeu 
- não se preocupe, fiz isso no meu sonho e apanhando água lavou os olhos. E entre gritos e vivas dava louvores a Deus dizendo 
– estou curado estou curado! 
 Encurvando-se para tocar na imagem disse num tom de voz suave para que ninguém ouvisse 
– Zequinha o milagre é real e fantástico, mas o santo é aquele do pau oco que ocê fez debaixo do ingazeiro e a enchente carregou pra cá; e agora... A gente conta ou não conta?
-------------------------------------------------------------
Escrito por Geraldinho do Engenho, comerciante e escritor no Engenho do Ribeiro, distrito de Bom Despacho MG
Imagem acima ilustrativa. Peças do Mestre Aleijadinho em madeira de Cedro, exposta no Museu da Inconfidência em Ouro Preto MG

quarta-feira, 4 de julho de 2018

A Igreja de São Francisco de Paula em Ouro Preto

(Por Arnaldo Silva) É a igreja mais pobre em detalhes de Ouro Preto. (fotografia acima de Fabinho Augusto) Sua construção iniciou-se no ano de 1804, sendo a última erguida no período Colonial, em plena decadência do ouro. Por isso o contraste em termos de riquezas nos detalhes, em comparação com as outras igrejas de Ouro Preto, erguidas no auge do Ciclo do Ouro. Devido a falta de recursos, sua conclusão foi longa, terminada em 1898. Foram 94 anos para ser concluída.
O projeto da igreja é de autoria do Sargento-mor, Francisco Machado da Cruz e seu estilo arquitetônico foi fiel ao Barroco mineiro e ao Rococó, estilos predominantes na arquitetura mineira do período colonial. Mesmo com o fim do período colonial, com a independência do Brasil em 1822, o projeto original da Igreja não foi alterado e concluído conforme o original. (por ter sido construído no local mais alto da cidade, é vista em todos os ângulos da parte histórica de Ouro Preto como podemos vê-la à direita, na foto acima  de Arnaldo Silva)
A igreja foi construída onde era a antiga Ermida de Nossa Senhora da Piedade que foi doada à Irmandade da Ordem Terceira que tinham como patrono, São Francisco de Paula. Nessa capela foi colocada uma imagem de São Francisco de Paula talhada pelo Mestre Aleijadinho. Por ser pequena e com o aumento do número de fiéis, a Irmandade viu a necessidade de construir uma igreja maior. No lugar da pequena Ermida, foi erguida a Igreja dedicada ao patrono da Ordem, São Francisco de Paula. As relíquias da pequena Ermida, como a imagem de São Francisco de Paula, foram transferidas para a nova igreja, sendo retiradas e transferidas para o Museu da Inconfidência, atualmente. Ao lado da igreja, foi construído um cemitério para os membros da Irmandade, já que a partir de 1810, a Igreja Católica proibiu sepultamentos dentro dos tempos, prática comum na época.
Quatro estátuas dos evangelistas, João, Marcos, Lucas e Matheus em louça importadas do Porto, em Portugal, ornamentavam a mureta da escadaria de acesso ao templo, se destacando na paisagem em torno da igreja, mas como a imagem do padroeiro, também foi retirada (como podemos ver na foto acima, de Arnaldo Silva). O motivo, creio eu, por segurança, para evitar depredação ou furtos,  já que a igreja fica num local mais afastado, isolado, rodeado por mata nativa, com pouca iluminação, o que motivaria e facilitaria a ação de marginais.
Apesar de não ser uma igreja rica em detalhes, tanto no exterior quanto no seu interior, foi construída num local privilegiado, o Morro da Piedade que é uma área montanhosa de Ouro Preto. Isso faz a igreja se destacar, sendo vista  em todos os ângulos da cidade. Fica a alguns metros da Rodoviária, sendo então a porta de entrada para os turistas, que quando chegam à cidade, vão direto para o o adro da Igreja, contemplar a vista, já que a a cidade fica completamente à vista. (fotografia acima de Fabinho Augusto e abaixo de Arnaldo Silva)
A igreja de São Francisco de Paula não é aberta a visitação. Abre suas portas somente aos domingos, as 10 horas, quanto são realizadas missas. 

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Facebook

Postagens populares

Seguidores