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segunda-feira, 28 de maio de 2018

O casarão da Fazenda Santo Antônio em Esmeraldas

(Por Arnaldo Silva) Esmeraldas é uma cidade com cerca de 72 mil habitantes e distante, 60 km de Belo Horizonte. Surgiu no final do século XVIII com a formação de um pequeno arraial, por fim, elevado a distrito, com o nome de Santa Quitéria, a partir de 1832/1891. Era subordinado a Sabará, permanecendo nessa condição até ser elevada à Vila em 16 setembro de 1901, com o nome de Vila de Santa Quitéria. Foi elevada à cidade em 1925, tendo adotado o nome atual em 1943. 
          Dos tempos coloniais, Esmeraldas guardas relíquias em sua arquitetura, em destaque para o Casarão da Fazenda Santo Antônio, apenas 4 km do Centro da Cidade. 
          O casarão foi erguido entre os anos de 1816 e 1822, de forma planejada, seguindo o requinte e luxo, tradicional das construções coloniais da época. São dois pavimentos, com blocos de adobe, com vigas e assoalho em madeira, fachada principal com vãos em cada pavimento, sacadas na parte superior e pinturas decorativas datadas de 1822. Em 1831, outras pinturas foram feitas, sobrepondo-se às primeiras, tendo sido eliminadas no início do século XX, com novas pinturas sendo feitas em 1942.
          Foi construído para ser a residência do Visconde de Caeté, José Teixeira da Fonseca Vasconcelos, (nasceu em Santa Quitéria em 1770 — faleceu em Caeté, 10 de fevereiro de 1838). Fazendeiro, formado em direito e medicina pela Universidade de Coimbra,  no casarão, o Visconde trabalhava e vivia com sua esposa e seus 10 filhos.
          Nomeado pelo Imperador Dom Pedro I, em 25 de novembro de 1823, como presidente da Província de Minas Gerais (cargo equivalente hoje de Governador do Estado), ocupou o cargo até 1827, tendo sido o primeiro presidente da Província de Minas. Em 2 de janeiro de 1826 recebeu o título de Barão de Caeté e meses depois, de Visconde de Caeté, tendo assumido a condição de senador do Império, ocupando o cargo de 6 de junho de 1826 até 1838. 
          Pela importância política do Visconde, o casarão tem um significado maior para Minas. Não é apenas mais um suntuoso e imponente casarão, como tantos construídos na época. Era a residência do presidente da Província (Governo) das Minas Gerais e um dos políticos de maior influência durante as primeiras décadas do Império. Foi José Teixeira da Fonseca Vasconcelos, um dos responsáveis por pressionar Dom Pedro I a ficar no Brasil, tendo participação importante da data histórica brasileira, o “Dia do fico”, quando Dom Pedro I, decidiu permanecer no país, em 9 de janeiro de 1822. 
          Por esse motivo é um dos bens de grande valor arquitetônico e histórico para a cidade e Minas Gerais, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA) em 2004.
          De passagem pela região e hospedando-se no casarão, Saint-Hilaire (Orleães, 4 de outubro de 1779 — Orleães, 3 de setembro de 1853) um botânico, naturalista e viajante francês, deixou sua impressão sobre o Presidente da Província de Minas Gerais: "Eu me hospedei na Capital do Rio das Velhas (Sabará) na casa do Senhor José Teixeira, então Juiz de Fora e Intendente do Ouro [...] O Sr. Teixeira é um homem de quarenta e alguns anos, rico e uma figura bastante gentil. Nascido nas Minas, ele fez os seus estudos em Coimbra e sua conversação era muito agradável. É raro ter uma reputação melhor que Sr. José Teixeira tem, em todo ponto que se vai, ele é reconhecido pelo seu saber e pela sua humanidade, seu desinteresse, sua candura, seu amor pela justiça, sua visão e patriotismo por seu pai." 
          Durante sua existência, o casarão pertenceu a vários proprietários com a fazenda produzindo café, laranja, banana, farinha, polvilho e leite. Hoje carece de uma reforma completa. 
          Com esse objetivo, foi criada a Associação do Casarão Santo Antônio (Acasa), tendo como presidente Neiva Cristina Lara Lacerda, representante da família proprietária da fazenda atualmente. Seus proprietários, pretendem restaurar o casarão e transformá-lo numa casa de cultura. 
          É uma reforma que demanda tempo, mão de obra especializada e dinheiro. A associação vem buscando apoio da Prefeitura, Governo de Minas, Assembleia Legislativa, IEPHA e outras entidades, visando obter recursos para custear a reforma.
           Com esse objetivo, são realizados eventos culturais e artísticos no terreiro do casarão, como por exemplo o “Musarau”, acima, promovido pela Prefeitura em parceria com a Acasa. 
As fotos e informações para esta reportagem foram enviadas pelas Acasa, através da Maria do Carmo Lara.

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