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domingo, 23 de junho de 2019

Minas Novas e o primeiro arranha-céu do Brasil

(Por Arnaldo Silva) Foi construído em 1821, com quatro pavimentos estruturados em madeira e taipa, quatro portas na sua fachada principal, 59 janelas nas laterais, três portas de loja e uma porta principal com acesso aos andares superiores. É uma das mais originais construções do período colonial brasileiro. 
          Uma obra ousada, com arquitetura totalmente incomum para a época. Estamos falando do Sobradão da Vila do Fanado ou simplesmente, Sobradão. Foi construído em Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, distante 512 km de Belo Horizonte. É o primeiro arranha-céu construído em Minas Gerais e no Brasil, no tempo do Brasil Colônia. (fotografia acima de Marlon Fernandes)
         O objetivo da construção do edifício ainda gera dúvidas, sem uma certeza exata da finalidade de sua construção. Serviu como Fórum da Comarca regional e ao longo dos anos de sua existência, teve várias utilidades. Em 1856 existia um movimento para transformar a região do Jequitinhonha e parte da Bahia numa Província, no caso, um Estado. Se vingasse, Minas Novas seria a capital do novo Estado e o Sobradão, a sede do Governo. O movimento não foi adiante e ao longo dos anos, o prédio foi usado para diversas finalidades dos órgãos públicos locais.
          Desde o início de sua inauguração, o Sobradão teve grande importância para a história de Minas Gerais e política da região do Jequitinhonha, Norte, Nordeste de Minas e Sul da Bahia. Essa importância foi reconhecida em 1959, quando o prédio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Uma nova restauração do Sobradão foi iniciada pelo Iphan em 2017 e concluída em 2021.
A origem de Minas Novas
          A história de Minas Novas começa a partir 29 de junho de 1727, data em que se comemora a fundação do município. Data que marca a chegada à região das bandeira de Sebastião Leme do Prado. Vieram em busca de ouro e encontraram o mineral em abundância. Foi Leme do Prado, que fundou o arraial, que deu origem à cidade hoje. Seu primeiro nome foi Arraial das Lavras Novas dos Campos de São Pedro do Fanado. 
          Em 2 de outubro de 1730, o arraial foi elevado à Vila, com o nome de Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso das Minas Novas da Contagem. Tempos depois, a Vila foi integrada ao território baiano, sendo reintegrada em definitivo à Minas Gerais, em 28 de setembro de 1760.
          Em 9 de março de 1840, foi elevada à município, com o nome de Minas Novas. Nessa época, era o maior município em extensão territorial de Minas Gerais. Contava com inúmeras vilas e distritos. Aos poucos, esses distritos foram sendo elevados à cidades, emancipadas. Minas Novas conta hoje com cerca de 32 mil habitantes. (na foto abaixo de Sérgio Mourão, vista parcial da cidade)
          Para entender se ter ideia da dimensão territorial de Minas Novas no período colonial, veja alguns municípios, não todos, que surgiram com seu desmembramento: Alto Jequitinhonha: Diamantina, Capelinha, Turmalina, Leme do Prado, Carbonita, Angelândia, Aricanduva; Médio Jequitinhonha: Chapada do Norte, Berilo (Minas Gerais), Virgem da Lapa, Araçuaí, Itinga, Novo Cruzeiro, Padre Paraíso, Ponto dos Volantes, entre outros; Baixo Jequitinhonha: Almenara, Bandeira, Divisópolis, Felisburgo, Jacinto, Jequitinhonha, Joaíma, Jordânia, Mata Verde, Monte Formoso, Palmópolis, Rio do Prado, Rubim, Salto da Divisa, Santa Maria do Salto, Santo Antônio do Jacinto, entre outros; Jequitinhonha Semi-Árido: Cachoeira de Pajeú, Comercinho, Itaobim, Medina, Pedra Azul, Salinas, Taiobeiras entre outros; Vale do Mucuri: Teófilo Otoni, Carlos Chagas, Nanuque, Águas Formosas, Machacalis, entre outros.
          A cidade histórica de Minas Novas, é uma das mais importantes cidades do período colonial mineiro. O charme da arquitetura colonial, presente em Minas Novas, encanta o turista, bem com a riqueza de seu artesanato, principalmente, feito com argila, na comunidade rural de Coqueiro Campo (na foto acima de Marlons Fernandes).
          Seu povo é simples, acolhedor, muito hospitaleiro e a cidade, cheia de graça e arte, expressadas em suas belíssimas igrejas, casarões seculares, paisagens naturais e atividades culturais, que acontecem ao longo do ano como o Carnaval, Festas Juninas, Festa do Divino, Semana Santa e as tradicionais Festas de Nossa Senhora do Rosário e a de São Benedito (na foto acima do Sérgio Mourão).
          Pelas ruas abertas no século 18, em Minas Novas, encontramos Igrejas dos séculos XVIII e XIX que chamam atenção por sua riqueza arquitetônica e histórica. Entre essas igrejas, está a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, tombada como Patrimônio Histórico pela Prefeitura Municipal, em 2007, pela sua importância cultural e arquitetônica. (foto acima de Marlon Fernandes).
          Não há registro da data exata do início da construção e conclusão do templo, construído pela Irmandade de Nossa Senhora dos Homens Pretos. Acredita-se que obra, tenha sido iniciada a partir de meados do século XVIII, devido suas características arquitetônicas, talhas e ornamentações, serem comuns em Minas Gerais, em meados do século XVIII. (na foto acima e abaixo de Sérgio Mourão, a Festa de Nossa Senhora do Rosário)
            A conclusão da obra, também não tem data definida, mas na crença oral, acredita que tenha sido nas primeiras décadas do século XIX. Típica das igrejas mineiras do século XVIII, simples por fora e recheada de riquezas em seu interior, presente em talhas douradas em seus três altares, ornamentações e pinturas, característicos do barroco e rococó, mineiro.
          Destaque na cidade também para a Capela de São José, única no Brasil construída em estilo octogonal, datada de meados do século XVIII, tombada pelo IPHAN, como patrimônio nacional, em 27/04/1967. (fotografia acima de Marlon Fernandes)
          Outra importante igreja de Minas Novas é a Igreja de Nossa Senhora do Amparo dos Homens Pardos, construída no século XIX, tombada pelo IEPHA/MG (na foto acima e abaixo do Marlon Fernandes, o exterior e interior da Igreja do Amparo)
          Além da igreja de Nossa Senhora do Rosário, de Nossa Senhora do Amparo e Capela de São José, em Minas Novas tem ainda a Igreja de São Pedro, Igreja de São Gonçalo e a Igreja de São Francisco, construída a partir da segunda metade do século XVIII, tombada em 13/05/1980 pelo IEPHA/MG (na foto abaixo de Sérgio Mourão)       
           Diversas denominações evangélicas como Batista, Assembleia de Deus, Congregação Cristã, dentre outras, estão presentes também na cidade.
          Pelas ruas de Minas Novas, além do Sobradão, casarões coloniais chamam a atenção, pela requinte e beleza arquitetônica, em destaque para o Casarão da Família Badaró (na foto acima do Marlon Fernandes). Nesse casarão, muito bem conservado em sua originalidade, funciona hoje a Rádio Sucesso. No século XVIII, o casarão, pertenceu ao inconfidente Domingos de Abreu Vieira, que teve a honra de hospedar, nesse casarão, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
          Além de sua riqueza cultura, arquitetônica e seu riquíssimo e famoso artesanato, Minas Novas tem também belezas naturais, formada por paisagens de matas nativas do sertão do Jequitinhonha, além de rios como o Fanado (na foto acima do Sérgio Mourão), Capivari, Araçuaí, Setúbal, Bom Sucesso, nascentes, ribeirões como o Ribeirão dos Santos e dos Índios, além da Barragem da Almas, um ponto de lazer e diversão dos moradores da cidade. 
          Construída em 1951, fazia parte de uma usina hidrelétrica, hoje é um balneário e um dos mais belos pontos turísticos da região. É bem estruturado contando área de lazer com boa infraestrutura, barzinhos, cachoeiras, poços naturais para banhos, duchas. Além disso, eventos são realizados no local, como o Carnaval, animado ao som de bandas regionais. (fotografia acima de Marlon Fernandes)
          Por isso que Minas Novas é conhecida como a “Cidade Mãe do Norte Mineiro”. (na foto acima do Marlon Fernandes, prédio em estilo eclético, onde funcionava a Prefeitura) Minas Novas faz divisa atualmente com os municípios de Capelinha, Chapada do Norte, Leme do Prado, Novo Cruzeiro, Turmalina, Virgem da Lapa e Angelândia.

7 comentários:

  1. Faltou esclarecer se o prédio era para abrigar uma reside, uma repartição, afinal a matéria deveria ser da obra arquitetônica e não da cidade.

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    1. Ninguém sabe o motivo de tamanhã construção para a época. Não deixaram registro algum que dê essa informação. Os historiadores já tentaram levantar os motivos da construção e não há nenhuma conclusão e nem informação sobre porque foi construído. Foi sede da Comarca e quando a região pensavam em ser um estado, por volta de 1856, Minas Novas seria a a capital e o casarão, a sede do Governo. Não aconteceu isso e com o tempo foi sendo usado como sede de repartições públicas, como é até hoje. Por isso não citei o porque da obra, porque ninguém sabe.

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    2. Não faltou não Diniz.
      Acho que você não leu direito o segundo parágrafo. Está explicado lá.

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  2. Faltam digitalizar os registros paroquiais de Minas Novas

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  3. Podia fazer também um artigo sobre o Edifício Concórdia em Nova Lima, que é hoje o maior arranha-céu do Estado. Vocês tem que mostrar também o lado mais moderno de Minas, mostrar o que existe nas grandes cidades. Essa é a única coisa que falta no blog na minha opinião, de resto ele é ótimo.

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  4. Sendo mineiro e morando no Paraná desde meus oito anos, leio tudo o que se refere ao meu Estado de Minas Gerais. Tenho muito orgulho em ser mineiro.

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  5. Mineira de Araçuai moro no Distrito Federal mas sempre de olho nas notícias do meu estado amado...

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