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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Ouro Preto: origem e história.

(Por Arnaldo Silva) Patrimônio histórico de Minas Gerais reconhecida em 1933 e Patrimônio Histórico Nacional desde 1938. Primeira cidade brasileira considerada pela UNESCO, Patrimônio Cultural da Humanidade, em 1980. Reconhecimento graças as esforços dos ouro-pretanos e de Minas, em conservar e preservar integralmente o nosso patrimônio. Se comparar fotos antigas, com as atuais, percebe-se que houve pouquíssimas mudanças ao longo dos séculos. Por isso, a cidade foi qualificada pela UNESCO como obra do gênio humano, reconhecendo ainda sua importância histórica para o Brasil e por ter sido a sede do Movimento da Inconfidência Mineira. (foto abaixo de Peterson Bruschi - @guiapeterson)
          Ouro Preto é uma história em cada canto, em cada detalhe de sua arquitetura, em cada beco. Cidade com 80 mil habitantes, formada pela sede e outros 12 distritos que são: Amarantina, Antônio Pereira, Cachoeira do Campo, Engenheiro Correia, Glaura, Lavras Novas, Miguel Burnier, Santa Rita de Ouro Preto, Santo Antônio do Leite, Santo Antônio do Salto, São Bartolomeu e Rodrigo Silva. (foto abaixo de Elvira Nascimento)
          Da capital, Belo Horizonte, até Ouro Preto são 100 km, com ônibus saindo do Aeroporto direto para a cidade e da rodoviária de Belo Horizonte, de hora em hora.
          Sua história começa a partir de 1711, com a fusão de diversos arraiais, que se formaram com a presença dos bandeirantes na região. No auge do Ciclo do Ouro foi uma das mais populosas cidades do mundo. Em 1730 contava com 40 mil moradores. Décadas depois, esse número duplicou, com o mesmo número de habitantes que tem hoje, 80 mil. Na época, São Paulo tinha menos de 8 mil habitantes, Nova York, nos Estados Unidos, 40 mil. Imagina isso, em pleno século XVIII, uma cidade mineira sendo uma das mais populosas e ricas do mundo.
          Das minas ouro-pretanas, saíram 800 toneladas de ouro puro, enviadas para Portugal, através do Porto de Paraty/RJ. Sem contar o ouro que ficou na colônia, usado na ornamentação das igrejas e casarões, além da extração ilegal. (foto abaixo de Thiago Perilo/@thiagop.photo)
         Passou a ser Capital de Minas Gerais, quando em 1823, o Imperador Dom Pedro I, conferiu a Ouro Preto o título de Imperial Cidade de Ouro Preto, tornando-a oficialmente a capital da província de Minas Gerais. Foi capital até o ano de 1897, quando a capital mineira passou a ser Belo Horizonte. Por ser uma das mais importantes cidades do Brasil na época, foi instalada em 1839, em Ouro Preto, a primeira Escola de Farmácia da América Latina e em 12 de outubro de 1876, foi fundada a Escola de Minas, tendo sido a primeira escola de estudos metalúrgicos, geológicos e mineralógicos do Brasil, fundada por Claude Henri Gorceix. 
          Ainda hoje em Ouro Preto, as minas continuam sendo exploradas e em plena atividade, por mineradoras instaladas no município. Do subsolo ouro-pretano são extraídos o ferro, a bauxita, o manganês, o talco, o mármore, além de pedras preciosas como o ouro, a hematita, a dolomita, a turmalina, a pirita, a muscovita e o topázio imperial, sendo esta a única pedra preciosa que só é encontrada em Ouro Preto (na foto acima de Arnaldo Silva, o topázio imperial em estado bruto e já trabalhado). Além da mineração, encontra-se ainda indústrias metalúrgicas na cidade, sendo significativos estes segmentos para economia local. 
          Ouro Preto se destaca ainda por ser uma cidade universitária, sediando a Universidade Federal de Ouro Preto, um dos maiores centros educacionais do Brasil. Estudantes de todas as regiões de Minas e do país vem para Ouro Preto estudar, ajudando assim a fomentar a economia local. 
          O destaque mesmo da economia ouro-pretana é sem dúvida o turismo. Esta atividade movimenta a economia, gera milhares de empregos e renda para centenas de micro, pequenos e médios empresários. (foto acima de Vinícius Barnabé - @viniciusbarnabe)
          São dezenas de pousadas, bares e restaurantes por toda a cidade, contando com serviços de guias, passeios em jardineira pelas ruas de pedras, lojas de artesanatos diversas, eventos culturais e musicais durante o ano como Carnaval (foto acima do Peterson Bruschi/@guiapeterson) o Festival de Inverno, Reinado de Nossa Senhora do Rosário, Corpus Christi, eventos gastronômicos como o Festival da Goiabada de São Bartolomeu, o Festival da Jabuticaba de Cachoeira do Campo, dentre outros. 
          Todos os dias, centenas de turistas desembarcam em Ouro Preto para viver, conhecer e entender um pouco mais da vida e história do Brasil nos séculos XVIII e XVIII, já que Ouro Preto é considerado um museu a céu aberto. (fotografia acima de Leandro Leal)
           As igrejas ouro-pretanas são outros atrativos especiais com rica arquitetura barroca, com trabalhos de arte dos mestres Aleijadinho e Ataíde, além de outros grandes artistas da época, que deixaram suas histórias na cidade. História perpetuada em belíssimas obras talhadas em madeira, ouro e pedra sabão, com destaque para as igrejas  de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, igreja que guarda os restos mortais de Aleijadinho, de São Francisco de Assis, a Basílica Menor do Pilar (na foto acima do Peterson Bruschi/@guiapeterson), Igreja de Santa Efigênia, Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia, Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Perdões, Santuário do Bom Jesus do Matozinhos no bairro Cabeças, Capela do Padre Faria, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, Capela de São João no Morro de São João, a Igreja de São José e a Igreja de São Francisco de Paula. 
          Além das igrejas, destaque para os museus que são verdadeiras salas de aula prática da nossa história em destaque para o Museu da Inconfidência Mineira (na foto acima do Peterson Bruschi), a Casa dos Contos, o Museu de Pharmácia, Museu de Arte Sacra do Pilar, Museu das Reduções, do Museu do Chá, Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas, Museu da Música, Museu do Oratório, Museu Casa Guignard, Museu Aleijadinho e o Museu do Ouro com um rico acervo de pedras preciosas. 
          Uma visita imperdível em Ouro Preto é a Casa da Ópera (na foto acima de Arnaldo Silva). Foi inaugurada no dia 6 de julho de 1770, durante as comemorações do aniversário do Rei Dom José I, de Portugal. A iniciativa da construção da casa de espetáculos, na época, foi do contratador português João de Souza Lisboa, com o apoio do governador da Capitania, o Conde de Valadares e de seu secretário, Cláudio Manuel da Costa, poeta, escritor e inconfidente. Foi o primeiro teatro de todas as Américas e ainda está em pleno funcionamento, sendo palco de eventos artísticos e sociais da cidade. O “teatrinho barroco” como é conhecido, é de um charme incrível. Emociona e impressiona sua arquitetura, simplicidade e ao mesmo tempo, beleza singular.
          Muita gente pensa que Ouro Preto é apenas história, cultura, arquitetura, museus e igrejas. Tem muito mais que isso. (na foto acima de Arnaldo Silva, represa no distrito de Santa Rita de Ouro Preto) Além do charme e beleza de seus distritos históricos, os arredores de Ouro Preto nos revelam belíssimas paisagens de mata de Cerrado, bioma predominante no município, com remanescente de Mata Atlântica, campos rupestres, matas de araucárias, parques ecológicos como o das Andorinhas e do Itacolomy, cachoeiras, picos e trilhas seculares. Sem contar a beleza das brumas ouro-pretanas que dão um charme a mais à paisagem, tanto urbana, quanto rural. 
          O inverno em Ouro Preto costuma ser rigoroso, variando entre 0 a 15 graus. (foto acima de Arnaldo Silva) O dia mais frio da história de Ouro Preto foi em 19 de junho de 1843 quando nevou no município, segundo relatos oficiais, publicado no Diário Oficial da União, em 10 de junho de 1893. Vindo a Ouro Preto no inverno, venha bem agasalhado porque faz frio mesmo.

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