Enterros em igrejas foram prática comum até o sec. XIX

Igreja de São José em Ouro Preto MG. Fotografia de Arnaldo Silva
Ao lado da Igreja de São José o cemitério. Todas as igrejas históricas tem cemitério ao lado. Alguns privilegiados, geralmente os que construíram as igrejas ou faziam grandes doações eram sepultados dentro das igrejas, no altar. Isso pode ser observados nas Igrejas de Ouro Preto, bem como de todas as igrejas de cidades históricas de Minas e do Brasil. Era comum isso.

A prática era usada pelos católicos para estarem mais próximos aos santos. O costume permaneceu até as primeiras noções de higiene pública, quando criaram os cemitérios. Realizar enterros dentro de templos religiosos era costume até o século XIX, segundo Régis Lopes, professor do Departamento de História da Universidade Federal do Ceará (UFC). Os cemitérios normalmente eram instalados ao lado ou atrás das igrejas e o sepultamento no interior dos locais sagrados era sinal de prestígio para os católicos.

“Os religiosos acreditavam que o último lugar de repouso deveria ser perto dos santos. Por isso, eram enterrados nas igrejas. Não há nada mais sagrado que um templo”, destaca. Conforme Lopes, os locais mais próximos do altar eram oferecidos a pessoas de maior intimidade com a fé. Em primeiro lugar, estavam os padres. Depois, pessoas com algum destaque nas irmandades ou organizações religiosas da época. O poder aquisitivo, conforme o professor, também podia servir de parâmetro para o sepultamento no espaço, no entanto prevalecia a fé. Aos suicidas, por exemplo, não era reservado o direito pela prática não estar de acordo com os princípios da religião.

“Ser enterrado dentro da igreja era normal nesses tempos. Quando não cabia dentro da igreja, eram dispostos do lado de fora ou ao lado. Em todos esses templos construídos até a segunda metade do século XIX vamos encontrar essa prática”, orienta.

O costume só deixou de ser presente após a década de 1850, quando começaram a surgir as primeiras noções de higiene pública e os primeiros cemitérios na cidade. Segundo teorias, o ar poluído pela decomposição dos corpos poderia disseminar doenças.

“Nessa época, houve mudança também de sensibilidade. Foi quando os médicos começaram a dizer que isso era ruim e as pessoas passaram a perceber. Mas durante quase dois mil anos, as pessoas conviviam muito bem sem esses cuidados”, diz.

Seguindo a lógica de estar perto dos santos, os túmulos dos cemitérios mais antigos tinham arquitetura parecida com pequenas capelas, onde se dispunham materiais religiosos, como imagem sagradas. (Rômulo Costa)



Fonte da matéria:http://www.opovo.com.br/app/opovo/cotidiano/2014/11/01/noticiasjornalcotidiano,3341197/enterros-em-igrejas-foram-pratica-comum-ate-o-seculo-xix.shtml

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