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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Piranguinho e o Pé-de-Moleque

          Entre as belezas da Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas, está   Piranguinho, município distante 480 km de Belo Horizonte. Segundo o IBGE, o município que faz divisa com Cachoeira de Minas, Santa Rita do Sapucaí, Brazópolis, Piranguçu, Itajubá e São José do Alegre, contava em 2019 com 8596 habitantes.
          A cidade é pequena, charmosa, bela, seu povo muito hospitaleiro. É uma das mais importantes cidades de Minas Gerais, sendo um dos símbolos da identidade gastronômica mineira, graças ao doce pé-de-moleque.
          Emancipado em 1962, a história de Piranguinho começa no final do século XIX com a chegada da Estrada de Ferro Sapucaí, construção de estação, casas para os ferroviários, uma pequena vila foi surgindo e outras pessoas de regiões diferentes chegando, formando assim um arraial, dando início a formação do que é hoje Piranguinho.  
          Por volta de 1911, com os trens circulando e viajantes chegando e partindo, dona Paulina de Noronha, popular Neném Paca, moradora do lugar, resolveu montar uma pequena barraca ao lado da estação ferroviária onde vendia biscoitos, bolos, sonhos, cafés e doces variados, entre eles o pé-de-moleque, o doce que mais agradava aos viajantes. Era uma construção bem simples, pequena, somente de madeira e telhas de zinco. Ficou aberta até 1938, mas serviu de inspiração para outras pessoas, que perceberam o sucesso que era o doce pé-de-moleque entre os viajantes. E começaram a investir na produção do doce. 
          É o caso da família de "Seu" Modesto Torino, funcionário da Rede Ferroviária, transferido para Piranguinho em 1936. Na estação exercia o posto de chefe local. Enquanto exercia suas funções na estação, sua esposa, dona Matilde Cunha Torino, se dedicava a fazer pé-de-moleque, vendendo seus doces nas janelas dos trens que paravam na estação. 
          Com o crescimento das vendas e com o apoio de seu marido, dona Matilde contratou alguns meninos para venderem os doces dentro dos trens, enquanto estes ficavam parados para embarque e desembarque de passageiros. Com isso a produção cresceu bastante, tornando o pé-de-moleque de Piranguinho muito famoso. Os viajantes faziam questão de experimentar o famoso doce feito com rapadura e amendoim.
          Com o passar do tempo, a produção de doces passou para a filha Alcéia Cunha Torino. Na década de 1960 o ramal de transporte de passageiros foi desativado. Mesmo com a perda de uma clientela constante, não desanimou e construiu uma barraca de madeira, com telhas de zinco, toda pintada de vermelho às margens da BR-459, já no perímetro urbano da cidade.O negócio deu certo, o doce continuou sendo procurado por viajantes e pelos moradores da cidade e região. A Barraca Vermelha é hoje um dos pontos de referência do famoso doce da cidade. Quem passava ou ia a Piranguinho, fazia questão de comprar pé-de-moleque na Barraca Vermelha e de todos que faziam o doce na cidade. Hoje, quem administra a Barraca Vermelha é Sônia Torino.
          Com o sucesso da Barraca Vermelha, outros doceiros começaram a montar suas barracas, sendo hoje mais ou menos 15 barracas, cada uma com uma cor diferente como barraca azul, laranja, verde, amarela, prata, marrom, etc. Tem com outros nomes como Rancho do Pé-de-Moleque, Sítio São José, Quiosque do Pé-de-Moleque, dentre outros. 
          Assim foi construída, com muita humildade e sacrifício a história gastronômica de Piranguinho, transformando a cidade numa das maiores referências gastronômicas de Minas Gerais e do Brasil. 
          Com o apoio do Sebrae, Circuito Turístico Caminhos do Sul de Minas e Prefeitura, os produtores locais puderam agregar valores culturais e turísticos ao seu principal produto, fomentando a união e menos competição entre os produtores, bem como incentivando investimentos na linha de produção visando melhorias na produção. 
          Ao longo do tempo, com muita insistência, paciência e perseverança as dificuldades foram sendo superadas, tendo os produtores percebido que a união agregaria benefícios para todos. Dessa união cooperada, surgiram várias iniciativas para  atrair o turista para a cidade, aumentar a renda dos produtores, bem como mostrar a tradição gastronômica de Piranguinho para Minas e todo o Brasil.  
          Uma dessas iniciativas é a Festa do Pé-de-Moleque, que acontece no mês de junho, mês das festas juninas. Durante a festa são realizados shows e apresentações típicas das festas juninas. 
          Nos dias da Festa do Pé-de-Moleque, o mais aguardado no evento é o "maior pé-de-moleque" do mundo  feito pelos produtores de Piranguinho. (na foto do Rank Brasil/Divulgação) A tradição começou em 2010 e a partir desse ano foram sucessivos recordes reconhecidos pelo Rank Brasil, que comparece todos os anos à festa para confirmar o recorde. Para se ter ideia da grandeza da festa, o doce apresentado em 2019 tinha 24 metros de comprimento, um a mais que o do ano anterior. A população toda acompanha com ansiedade a hora da apresentação do doce.
Ao longo da história de Piranguinho, milhares de pessoas, entre anômicos e gente famosa, estiveram na cidade para conhecer e experimentar o famoso doce Pé-de-Moleque, tornando a cidade mais conhecida ainda entre os mineiros e brasileiros. 
          O Pé-de-Moleque de Piranguinho é Patrimônio Histórico Municipal e desde 2009, é Patrimônio Imaterial de Minas Gerais.
          Venha conhecer Piranguinho e participar de uma das melhores festas gastronômicas do Brasil, além de provar o melhor pé de moleque do mundo! Piranguinho te espera de braços abertos! (Por Arnaldo Silva com fotografias de André Uchôas)

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