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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Pirapora: origem, economia, cultura e turismo

(Por Arnaldo Silva) Pirapora tem seu nome de origem na língua tupi, que significa “Salto do Peixe”. A formação de Pirapora, tem origem no século XVIII, com o avanço da mineração de ouro e diamantes em Minas Gerais.
          Para abastecer as cidades mineradoras, as mercadorias saiam de Juazeiro, na Bahia e chegava à Minas Gerais de barco e canoas, pelas águas do Rio São Francisco. Era um percurso longo, uma subida de 1371 km até o último ponto navegável do Rio São Francisco, após a foz do Rio das Velhas. (na foto acima de Rhomário Magalhães, o Rio São Francisco, a Ponte Marechal Hermes e ao fundo, Pirapora)
          Nesse ponto, as mercadorias eram descarregadas e seguiam em carros de bois, aos centros mineradores. Foi a partir desse ponto de baldeação, à margem direita do Rio São Francisco, que se formou um povoado, que deu origem à cidade de Pirapora. O povoado cresceu, foi elevado a distrito em 1847 e finalmente, a município em 30 de agosto de 1911, instalado em 1 de junho de 1912, data em que se comemora sua emancipação.
          Com a chegada das embarcações a vapor, a partir de 1871, o transporte de mercadorias ficou ágil, crescendo ainda mais a partir de 1902, com a chegadas de embarcações maiores, como os vapores, Saldanha Marinho, Mata Machado e o famoso Benjamim Guimarães. Essas embarcações, transportavam, além de cargas, passageiros, percorrendo todas as cidades ribeirinhas, saindo de Pirapora, até Juazeiro, na Bahia. (foto acima de Ronan Rocha/Hitch Vídeo Produtora)
          Desde sua origem, Pirapora sempre foi um dos destaques da região Norte de Minas. É uma das mais importantes cidades mineiras, tanto na cultura, no artesanato, na culinária, no turismo, quanto do desenvolvimento. Fica a 340 km de Belo Horizonte e conta atualmente com cerca de 60 mil habitantes. O município faz divisa com Várzea da Palma e Buritizeiro e está apenas 472 metros de altitude, acima do nível do mar. (foto abaixo de Ronan Rocha/Hitech Vídeo Produtora)
          Por sua localização, servida por malha ferroviária, que liga a cidade a Tubarão, no litoral do Espirito Santo e estar às margens da BR-365 e BR-496, Pirapora atrai grandes investimentos. Indústrias de vários segmentos, de pequeno, médio e grande porte, como de alimentos, cerâmica, produtos hospitalares, calçados, metalúrgicas, dentre outros segmentos industriais e comerciais, estão instaladas na cidade, com destaque ainda para o Hospital de Olhos do Norte de Minas. Além disso, Pirapora se destaca na produção e exportação de ferro silício, silício metálico, ferro-ligas, ligas de Alumínio e tecidos.
          A ampla atividade industrial do município, faz com que Pirapora, seja atualmente, o segundo maior polo industrial do Norte de Minas.
          Outro setor econômico de grande destaque em Pirapora é a de energia solar. Na cidade está instalada um complexo solar, formado por 11 usinas, com capacidade de geração de 321 MW de energia, sendo atualmente uma das maiores usinas fotovoltaicas da América Latina. Em funcionamento desde 2017, a capacidade de geração de energia da usina, por ano, é suficiente para o consumo de cerca de 400 mil residências. (fotografia acima de Ronan Rocha/Hitech Vídeo Produtora)
          A área da usina corresponde a cerca de 1500 campos de futebol e foi construída em uma área plana, de sol pleno. São mais de 1 milhão de painéis solares instalados, de forma inclinada, que giram acompanhando o movimento do sol. Esse tipo de usina produz energia 100% limpa e renovável, já que usinas solares não liberam CO2, na atmosfera.
          Um dos grandes geradores de empregos e renda em Pirapora é a agricultura e pecuária, em especial, a fruticultura, produzidos através de sistema de irrigação, no Perímetro de Irrigação. É o quinto maior empregador do município, gerando cerca de 1.100 empregos diretos. (fotografia acima e abaixo de Ronan Rocha/Hitech Vídeo Produtora)
          A fruticultura em Pirapora, bem como no Norte de Minas, desenvolveu-se bastante no final da década de 1970, com a implantação do Projeto Pirapora, em 1975, pela SUVALE, tendo sido a primeira experiência no Norte de Minas. Em 1976, a projeto foi assumido pela Companhia de Desenvolvido dos Vales do São Francisco e Paranaíba (CODEVASF), utilizando as águas do Rio São Francisco na irrigação de uma área inicial de 1500 hectares, inaugurada em 24/15/1978. Está instalado a 12 km do Centro de Pirapora, na BR-365, rodovia que liga o Norte de Minas ao Triângulo Mineiro e Brasília.
          A ocupação da área irrigável foi feita através de concorrência pública, vencendo a Cooperativa Agrícola Cotia Ltda e a Empresa Frutas Tropicais S/A. Famílias de agricultores começaram a chegar, a partir de então, principalmente de agricultores de origem japonesa. (fotografia acima de Ronan Rocha/Hitech Vídeo Produtora) 
          Eram cerca de cerca de 20 famílias, de origem nipônica, que viviam do plantio de soja e café no interior de São Paulo e Paraná. Essas famílias, deixaram descendentes e à essas famílias, ao longo do crescimento do projeto, se juntaram outras, também de origem na “Terra do Sol Nascente”. Os orientais e seus descendentes são hoje, predominantes na produção de frutas, em Pirapora, num total de 23 empresários que atuam no Perímetro de Irrigação.
          A partir de 1987 o projeto passa para a gestão da Associação dos Usuários de Projeto Pirapora - AUPPI, responsabilizando pela administração, operação, manutenção e conservação da infraestrutura de uso comum. A área atual do Perímetro é de 1.685 hectares, sendo 1.236,05 hectares de área irrigável.
          Além de toda organização e apoio dos órgãos estaduais, o boa parte do sucesso do Projeto Pirapora se deve aos imigrantes japoneses. Tradicionalmente, os nipônicos tem vasto conhecimento na lida da terra e conhecimentos na irrigação, dando grande contribuição para o desenvolvimento da agricultura em Pirapora e Norte de Minas, bem como também, no Projeto Jaíba.
          A região Norte de Minas é hoje uma das maiores produtoras de frutas do país, com sua produção abastecendo o mercado das grandes cidades e regiões brasileiras como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Juazeiro, Belém, Fortaleza e outras cidades do Brasil. Em Pirapora se destaca a produção de banana, uva, sendo a espécie Niágara, a de destaque, mexerica, laranja, legumes, dentre outras culturas.
O que fazer em Pirapora?
          Pirapora se destaca por suas belezas naturais e principalmente, pelo Rio São Francisco, bem como os pratos típicos de sua culinária, com destaque para os pratos feitos com os peixes do Rio São Francisco. (fotografia acima de Rhomário Magalhães)
          Cidade de tradição e cultura, preserva as festas folclóricas e religiosas, bem como o riquíssimo artesanato local, destacando as carrancas, peças em madeiras colocadas na proa das embarcações, esculpidas em formatos um pouco assustadores. Segundo a crença dos ribeirinhos, as carrancas servem para dar proteção. (fotografia acima de Ronan Rocha/Hitech Vídeo Produtora) 
          Uma ótima dica para o turista em Pirapora é conhecer o ICAD, um espaço cultural que funciona em um antigo galpão restaurado. Conta com um pequeno auditório, lugar para exposição e vendas do artesanato local e áreas de oficinas.
          Duas feiras públicas, não podem deixar de ser visitadas. Uma delas é a Feirinha da Avenida Pio XII, no bairro Santos Dumont, realizada todos os domingos. Organizada por pequenos produtores do município, a Feirinha, conta com muita animação, comidas típicas e produtos naturais, direto da roça. A outra feira é a Feirarte, que acontece nas manhãs de sábado, no Mercado Municipal da cidade, com exposição dos trabalhos dos artistas e a artesãos piraporenses.
          Durante o ano, vários eventos são realizados na cidade, com destaque para festas religiosas, eventos sociais, gastronômicos, empresariais e agropecuários.
          Em janeiro acontece a tradicional Festa de São Sebastião, padroeiro da cidade. Pirapora se destaca por realizar um dos melhores carnavais do Norte de Minas. Realiza também, com grande destaque e presença de público, o Encontro Nacional de Motociclistas, que acontece entre maio e junho, quando acontece também as comemorações de aniversário da cidade.
          Em setembro, dois eventos de grande destaque, movimentam a cidade. O primeiro é a Expociapi, evento organizado pela associação comercial local, com desfile de modas, comidas típicas, feiras de artesanato, mostras de tecnologias e negócios. O segundo é a Feira do Agronegócio, realizada pelo Sindicado dos Produtores Rurais da cidade, no Parque de Exposições em parceria com empresários do setor e Prefeitura. Nesse evento, além de shows, barraquinhas com comidas típicas, apresenta inovações para o setor, leilão de gado e palestras para os produtores rurais.
          Pirapora conta ainda com muitos atrativos por exemplos, seus telefones públicos, que tem formas de animais de nossa fauna, como onças e peixes.
          Tem o barco a vapor Benjamim Guimarães (na foto acima do Rhomário Magalhães), que é o único barco movido a lenha em atividade no mundo, além de ser um bem tombado pelo IEPHA/MG em 1985, como patrimônio de Minas Gerais. Construído em 1913, nos Estados Unidos, navegou por muitos anos nas águas do Rio Mississipi e também em Rios da Amazônia, até chegar à Pirapora, na década de 1920. Trafegava no Rio São Francisco, de Pirapora até Juazeiro, na Bahia, transportando cargas e passageiros. Com a abertura de estradas e popularização de ônibus e caminhões, o barco passou a transportar somente passageiros. Hoje, o Benjamim Guimarães realiza apenas passeios turísticos de ida e volta. Atualmente, o barco está ancorado no porto de Pirapora, passando por reformas, com previsão para voltar a navegar no Rio São Francisco, ainda esse ano.
          Outro atrativo turístico de Pirapora é a Ponte Marechal Hermes, ponte da linha férrea com tecnologia e material importado da Bélgica. Com 692 metros de comprimento, a ponte foi inaugurada em 10 de novembro de 1922, lingado Pirapora a Buritizeiro, passando sobre o Rio São Francisco. Foi tombada pelo IEPHA/MG, em 1985, como patrimônio do Estado de Minas. (fotografia acima e abaixo de Ronan Rocha/Hitech Vídeo Produtora)
          Próxima a Ponte Marechal Hermes, uma outra ponte, de concreto, faz a ligação da BR-365 entre Pirapora, passando sobre o Rio São Francisco, até Buritizeiro. 
          Banhada pelo Rio São Francisco, o Velho Chico proporciona belezas que atraem os moradores e turistas como a prática de esportes náuticos, pesca profissional e esportiva, espetáculos naturais como o pôr do sol e belas praias fluviais, formadas ao longo de seu percurso como a Praia do Areão em Pirapora. Nessa praia os banhistas, além de aproveitar o sol e as águas do Rio São Francisco, praticam esportes como vôlei de praia, peteca, futebol e futevôlei. (foto acima de 2019, de autoria de Rhomário Magalhães)
          Pirapora é uma cidade bem estruturada, com uma boa rede hoteleira e gastronômica, um setor de serviços amplo e de qualidade, com um comércio variado, bons bares, lanchonetes. Além disso, seu povo é hospitaleiro e acolhedor. O turista será sempre bem-vindo e se sentirá em casa.

2 comentários:

  1. Adorei rever Pirapora, após 54 anos distante,por lá andei nos anos 70, quando viajante de Labor atório farmaceutico.Cidade acolhedora, bonita, gastronomia variada , tudo isto as margens do Velho Chico ! Quanta saudade!!!

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  2. Adorei rever Pirapora, após 54 anos distante,por lá andei nos anos 70, quando viajante de Labor atório farmaceutico.Cidade acolhedora, bonita, gastronomia variada , tudo isto as margens do Velho Chico ! Quanta saudade!!!

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