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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Caeté e o esplendor da Serra da Piedade

(Por Arnaldo Silva) A cidade de Caeté é uma das joias de Minas Gerais. Com cerca de 45 mil habitantes, está apenas 50 km da capital, com acesso pela BR-381, que liga BH a Vitória/ES. Faz divisa com os municípios de Nova União, Taquaraçu de Minas Raposos, Rio Acima, Santa Bárbara, Barão de Cocais, Bom Jesus do Amparo e Sabará. (fotografia abaixo de Sérgio Mourão)
          Seu povoamento e história começa antes, no final do século XVII e início do século XVIII, com a chegada de bandeirantes à região, em busca de ouro, prata e esmeraldas. Fundada em 14 de fevereiro de 1714, quando foi elevada à vila, com o nome de Vila Nova da Rainha, cresceu com a mineração do ouro, tendo sido elevada a distrito em 1724. Com a decadência do Ciclo do Ouro, voltou a ser vila em 1833, para ser elevada novamente a distrito, em 1840, mudando o nome de Vila Nova da Rainha, para Caeté. Em 1865, foi elevada à cidade emancipada. O nome Caeté tem origem na língua tupi, que significa “Mato Verdadeiro”.
          O território de Caeté foi palco de importantes episódios da história de Minas Gerais, como a Guerra dos Emboabas, um confronto travado de 1707 a 1709, entre bandeirantes paulistas e portugueses. Emboabas era um apelido pejorativo que os paulistas deram aos portugueses. A disputa era pelo direito de exploração das minas de ouro, recém descobertas em Minas Gerais. (fotografia abaixo de Thelmo Lins)
          O município é formado pelos distritos de Antônio dos Santos
Morro Vermelho, Penedia e Roças Novas. Caeté conta com uma ótima estrutura urbana, com setor de prestação de serviços bons, um comércio variado, uma boa rede hoteleira e gastronômica. A economia da cidade gira em torno da agropecuária, da indústria extrativa, confecções, moveleira, alimentos, bebidas, dentre outros segmentos, além de suas reservas minerais.
          Outra atividade que movimenta a economia de Caeté é o turismo. A cidade histórica, guarda relíquias dos tempos do Ciclo do Ouro e do Império, em bom estado de conservação como o Museu Regional, a Casa João Pinheiro, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a Igreja de São Francisco, a Ponte do Funil, o Pelourinho do Poder, além de diversos casarões e construções do período colonial. Tem ainda as belezas naturais do município.
          Caeté possui um grande potencial para o ecoturismo, tendo inclusive, sido citada como um dos nove destinos ideais no Brasil para a prática de esportes radicais, pela Revista Veja. A cidade tem tradição na prática de arborismo e alpinismo, conta ainda com belas paisagens, como a Cachoeira de Santo Antônio, no distrito de Morro Vermelho, o Morro Serrote, a Serra do Gandarela, a Pedra Branca. (fotografia acima de Thelmo Lins)
          A cidade está ainda na Rota do Ferro, um antigo leito do ramal ferroviário da Estrada de Ferro Central do Brasil, que ligava Sabará, Barão de Cocais e Santa Bárbara, cruzando com a linha do trem da Ferrovia Vitória-Minas, em Caeté (na foto acima de Andréia Gomes). Hoje, a Rota do Ferro é uma trilha ecológica, muito usada por ciclistas. Pela trilha podem ser vistas belas paisagens, com cachoeiras, matas nativas, montanhas, cascatas, pontilhões e estações antigas.
          O grande destaque arquitetônico e um dos símbolos de Caeté, é a Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Trata-se de um dos mais belos exemplares da arte barroca e uma das precursoras do estilo rococó em Minas Gerais. (fotografia acima de Thelmo Lins)
          Construída em alvenaria de pedra e não em estrutura de madeira e barro, como eram comuns naquela época, a igreja data da primeira metade do século XVIII, com atribuição do projeto a Antônio Gonçalves da Silva Bracarena. Há relatos de época, que diz que Bracarena não projetou a obra, apenas executou, sendo os riscos feitos por Manuel Francisco Lisboa.
          Pra quem não conhece, Manuel Francisco Lisboa, era um renomado arquiteto, carpinteiro, construtor e mestre-de-obras português. Chegou ao Brasil em 1724, vivendo em Ouro Preto, até sua morte, em 1767. Na cidade, deixou grandes obras como pontes e igrejas, como a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, construída em 1727 e a Igreja do Carmo, construída em 1766, além de ter construído o Palácio dos Governadores e feito outras obras em Ouro Preto e outras cidades. Mas seus talento e obras foram ofuscadas 
pelo talento notável do filho, que teve com uma de suas escravas. Era o pai de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Manuel Francisco Lisboa é mais conhecido hoje como, “o pai do Aleijadinho”.       Voltando à Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso em Caeté, a igreja ostenta uma imponente fachada, pilastras em relevo de cantaria, com janelas e portada, emolduradas em pedra, torres em corte quadrado, com óculo ao centro e cruz no topo.
          O interior da Igreja simplesmente impressiona pela riqueza dos detalhes e talhas douradas bem trabalhadas. Cada detalhe e cada entalhe é uma história e uma arte que impacta. A Igreja de Caeté é mais que uma igreja, é uma obra de arte pura! (fotografia acima e abaixo de Thelmo Lins)
          São oito altares com sanefas e baldaquinos, atribuídas a José Coelho Noronha. O forro da nave tem pinturas em perspectivas, o coro e pia batismal, em madeira. O retábulo do altar-mor, apresenta colunas salomônicas, anjos e um resplendor, onde estão onde estão simbolizados Deus Pai e o Espírito Santo e conta com a imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso. 
          O filho de Manuel Francisco Lisboa, o jovem Antônio Francisco Lisboa, estava iniciando nos primeiros passos na arte barroca, ensinada por seu pai. Aleijadinho, como mais tarde passou a ser conhecido, participou da ornamentação desta igreja como aprendiz, tendo esta obra influenciado na definição de seu estilo arquitetônico próprio, que fez dele o maior artista da arte barroca no Brasil e um dos artistas mais notáveis do mundo.
A Serra da Piedade
           Caeté é também um centro de peregrinação religiosa. Todos os anos, cerca de 500 mil romeiros, vindos de todo o Brasil, visitam a cidade. Isso porque é no município que está a Serra da Piedade e no topo da serra, a 1746 metros de altitude, está o Santuário de Nossa Senhora da Piedade, construção iniciada em 1704 e concluída em 1770, contando com obra do Mestre Aleijadinho em seu altar. (fotografia acima de Júlio de Freitas) 
          A pequena ermida foi elevada a Basílica em 2017, pelo Papa Francisco, sendo até então, a menor basílica do mundo. Vale ressaltar que Nossa Senhora da Piedade é a Padroeira de Minas Gerais. (foto acima de Elpídio Justino de Andrade) Em 1974 foi construído um novo templo, atrás da Capela histórica. O novo templo foi projetado pelo arquiteto Alcides da Rocha Mineira, para receber os romeiros, chamada de Igreja Nova das Romarias.
          Antes da chegada do santuário, está o Observatório Astronômico Frei Rosário, da Universidade Federal de Minas Gerais. A estrada para o Santuário é muito bem conservada, segura e sinalizada. Além disso, o local conta com uma excelente estrutura para receber os romeiros como estacionamento, restaurante, cafeteria, lanchonete, loja onde se encontra diversos produtos religiosos, além dos famosos queijos maturados nas nuvens, dos frades que vivem no local e a Casa dos Peregrinos Dom Silvério, lugar para ideal para orações, meditações e seminários.
          Do alto da Serra da Piedade, o visual é deslumbrante, com vistas para várias cidades no entorno da Serra, como Belo Horizonte e o mar de serras, que impressiona pela beleza. (fotografia acima de Thelmo Lins) Um lugar de paz, de sossego, de meditação, de contato com o eterno. O visitante, sente-se tocando no céu, se sentindo no coração de Deus.
          A Serra da Piedade é desde 16 de julho de 2004, Monumento Natural de Minas Gerais, através da Lei nº 15.178/2004, que definiu os limites de conservação da Serra, de acordo com a Constituição Mineira.

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