sexta-feira, 19 de julho de 2019

Produção de trigo cresce em Minas Gerais

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Triticum spp. o nosso trigo, originário da Síria, Jordânia, Turquia e Iraque, no Oriente Médio é uma gramínea presente em todos os países do mundo. Sua origem data de 10 mil anos e é a maior cultura de cereais desde os tempos antigos. Em seguida vem a cultura do arroz e o milho. Os grãos do trigo são usados na fabricação de farinha e com esta o pão nosso de cada dia e outros alimentos presentes na culinária de todos os países do mundo. Além da alimentação humana, do trigo são criados alimentos para animais domésticos e usado também na fabricação de cervejas. 

Chegou ao Brasil em 1531 através do português Martin Afonso de Souza já que a planta não existia no recém-descoberto Brasil e os portugueses necessitavam dos alimentos à base de trigo, principalmente pão. As primeiras sementes foram plantadas no que é hoje o Estado de São Paulo. Por ser uma planta de clima frio, foi levado para o Sul do país, onde encontrou solo propício para seu cultivo, bem como clima adequado ao seu desenvolvimento. Durante séculos de colonização, a produção de trigo foi ínfima, devido às dificuldades de manejo, pouca mão de obra e constantes guerras locais. A situação só começou a melhor a partir da Independência em 1822 e com a chegada de imigrantes alemães a partir de 1824 e dos imigrantes italianos, que começaram a chegar ao Brasil a partir de 1875. Foi um novo impulso à produção de trigo no Brasil. 
Até hoje a região Sul do Brasil predomina na produção de trigo com 89% da produção do trigo no Brasil, sendo o Paraná líder na produção, seguido pelo Rio Grande do Sul. O Sudeste é responsável pela produção de 9%, concentrados em São Paulo e Minas Gerais. 2% do trigo nacional são produzidos na Região Centro Oeste e Nordeste do país. O Brasil produz em média 5,2 milhões de toneladas de trigo por ano e importa sete milhões de toneladas todos os anos, ou seja, o consumo de trigo no Brasil é de mais de 12 milhões de toneladas anuais, sendo a produção nacional insuficiente para abastecer o mercado interno. 61% do trigo consumido no país são importados. 
Por isso a necessidade de ampliar a área de produção de trigo no país, para outras regiões brasileiras. Além da produção insuficiente, o frio extremo, as chuvas e geadas constantes no inverno na região Sul do Brasil, ocasiona perdas nas plantações, o que compromete o consumo, bem como encarece o produto, já que para repor as perdas e abastecer o mercado interno, tem que aumentar as importações, além do normal.
Como a demanda interna maior que a produção, surgiu a necessidade de ampliar a área de plantio de trigo no Brasil. O trigo encontrou solo perfeito para se desenvolver em Minas Gerais. Isso porque o solo mineiro é muito fértil, o inverno não é tão rigoroso como no Sul do país e pelo fato do clima nessa época do ano ser bem seco. Esses fatores proporcionam uma menor incidência de pragas e doenças nas lavouras, possibilitando o uso menor de defensivos agrícolas, gerando menos gastos para o produtor. Outro ponto importante é que Minas Gerais é um considerado o celeiro do Brasil. As fazendas mineiras produzem feijão, arroz, milho, soja, café, etc. e já tem infraestrutura na produção agrária como tecnologia, maquinários, mãos de obra especializada, armazéns para armazenamento de grãos, etc., necessitando apenas de alguns ajustes no plantio e colheita do trigo. Diante desse cenário positivo, os triticultores (quem produz trigo) mineiros começaram a investir no plantio de trigo, principalmente na entressafra. 
O início foi tímido, com uma produção pequena nas décadas de 1980/90. Hoje o Estado ocupa a quarta colocação na produção de trigo no Brasil, com tendência a crescer muito mais. Há 10 anos, por exemplo, a produção de trigo em Minas era em média 50 mil toneladas. Em 2015, Minas Gerais produziu cerca de 235,5 mil toneladas. Na safra 2016/2017 chegou a quase 300 mil toneladas. A estimativa para os próximos anos é alcançar 500 mil toneladas. Para se ter uma ideia desse crescimento, nos últimos 10 anos, a área de trigo plantada no Estado de Minas Gerais cresceu de 11,7 hectares para mais de 85 mil hectares. Hoje, cerca de 30% do trigo consumido pelos mineiros é produzido em Minas. Realidade diferente de 2006, por exemplo, que era apenas 2%. A tendência é essa área ampliar mais, já que esse tipo de monocultura tem mercado no Brasil, ainda muito dependente das importações. Por isso o trigo vem conquistando cada vez mais espaço na produção agrícola mineira, sendo uma alternativa na entressafra quando acontece a rotação das lavouras. 
Segundo dados da Seapa MG (Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) a maior região produtora de trigo em Minas Gerais é o Alto Paranaíba com 43,39% da produção, seguido pelo Sul de Minas com 24,31% e Região Central Mineira, com 19,77%. Por município, o maior produtor de trigo em Minas Gerais é Ibiá, no Alto Paranaíba, seguida por Perdizes no Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba no Alto Paranaíba, São João Del Rei e Madre de Deus de Minas, no Campo das Vertentes. (Dados da Seapa/2015)
Reportagem de Arnaldo Silva com fotografias de Gilson Nogueira em Ingaí MG, Campo das Vertentes

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