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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Ouro Preto e o charme de seus arredores

(Por Arnaldo Silva) Ouro Preto, cidade histórica mineira a 100 km de Belo Horizonte, é Patrimônio do Estado de Minas, desde 1933 e Nacional desde 1938, é também Patrimônio Mundial, desde 1980, título concedido pela Unesco.
Fundada em 1711 com o nome de Vila Rica, tornou-se capital de Minas, em 1721. Em 1823, Vila Rica, muda de nome e passa a se chamar, Ouro Preto, em alusão ao ouro, de superfície escura, encontrado nas minas da cidade. Permaneceu como Capital de Minas Gerais até o ano de 1897, quando a capital mineira foi transferida para a recém fundada Belo Horizonte, na época. (fotografia acima de autoria de Matheus Freitas/@m.ffotografia a Igreja do Carmo e o Museu da Inconfidencia ao fundo)
          A cidade conta atualmente com cerca de 80 mil habitantes. Esse mesmo número de habitantes, existia no auge do Ciclo do Ouro, quando a antiga Vila Rica, chegou a ser a maior cidade das Américas. Maior inclusive que Nova York, nos Estados Unidos e São Paulo no Brasil, que no século XVIII, contava com cerca de 15 mil habitantes, enquanto Ouro Preto, 80 mil. (na foto acima de Vinícius Barnabé/@viniciusbarnabe, o Museu da Inconfidência em destaque)
          O ouro de Ouro Preto foi levado para Portugal. Uma parte, ornamenta igrejas da cidade e do Brasil. Consideradas verdadeiras obras de arte, as igrejas ouro-pretanas impressionam pela riqueza de arte e talhas douradas bem trabalhadas, nas mãos do Mestre Aleijadinho e extasiantes pinturas do Mestre Ataíde e de outros mestres do Barroco Mineiro. São 12 igrejas, 4 capelas e 5 capelas dos Passos da Paixão, na cidade, sem contar nos distritos, subdistritos e povoados. 
          Já os museus, que são 12, contam a história do Brasil, sendo o Museu da Inconfidência, um dos mais ricos acervos de nossa história e um dos mais visitados por turistas, junto com a Casa dos Contos. (fotografia acima de Peterson Bruschi, com destaque para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição)
          Outro destaque da cidade é a Casa da Ópera, chamada de Teatrinho Barroco. (na foto acima da Ane Souz) Fundado em 1770, foi o primeiro teatro de todas as Américas e o mais antigo em atividade no Continente. Tem ainda a Estação Ferroviária e a tradicional Feira de Artesanato em Pedra Sabão, além das charmosas jardineiras, que levam turistas pelos cantos e encantos da cidade. Pelo Centro Histórico de Ouro Preto podem ser encontrados ainda 11 chafarizes que abastecia a cidade com água potável nos tempos do Brasil Colônia e em boa parte do século XX.
          Além disso, lojas, restaurantes, cafés e livrarias, instaladas em antigas construções e senzalas de séculos passados, são outros atrativos e lugares agradáveis de se estar. A cidade possui uma gastronomia riquíssima, pousadas que proporcionam aos hóspedes vivenciar um pouco da vida nos séculos passados, já que boa parte dessas pousadas, estão em antigos sobrados do século XVIII e XIX.
          Ouro Preto é história em cada canto, a começar pelos arredores da própria cidade. O visitante, quando chega à cidade, se concentra nos arredores da Praça Tiradentes, igrejas, museus e ruas em seu entorno. A história de Ouro Preto vai muito além do seu Centro Histórico. 
          Um lugar pouco conhecido, embora esteja a poucos metros do Museu da Farmácia, é o Morro da Forca (na foto acima do Wellington Diniz) Hoje o local é um belo mirante e também funciona como heliponto. Nos séculos XVII e XIX, esse lugar era palco de execuções de condenados à morte pela forca, em sua maioria, escravos e pobres. Por isso o nome, Morro da Forca.
          Os condenados eram levados até esse morro, acorrentados. Passavam por esse caminho, que veem na imagem. A população acompanhava a execução, como se fosse um dia de festa. Durante seu trajeto, até o fim do morro, onde ficava a forca e o carrasco à sua espera, o condenado era xingado, agredido e recebia cusparadas, pedradas e até fezes eram jogadas nos condenados. Após a execução, o condenado era decapitado e sua cabeça levada a antiga entrada da cidade e penduradas em poste, para servir de exemplo, numa nítida demonstração de poder e intimidação. 
          A antiga entrada de Ouro Preto fica no bairro Cabeças, que tem esse nome, justamente pelas cabeças dos condenados que eram pendurados em sua entrada. Sua rua principal, Rua Alvarenga (na foto acima de Arnaldo Silva), é uma das mais charmosas de Ouro Preto, com seu casario colonial preservadíssimo e rico em detalhes, bem como nessa mesma rua, está Igreja do Senhor Bom Jesus do Matozinhos, com construção iniciada em 1771, dedicada aos Santíssimos Coração de Jesus, Maria e José, São Miguel e Almas e Senhor do Matozinhos. O majestoso templo conta com obras do Mestre Aleijadinho em sua fachada e um dos maiores cemitérios de Ouro Preto.
          Saindo agora do Centro Histórico de Ouro Preto, vamos subir um pouco os morros da cidade e conhecer suas origens. Muita gente pensa que Ouro Preto começou na região onde é hoje a Praça Tiradentes. A formação do núcleo urbano onde está hoje o Centro Histórico de Ouro Preto começou nos primeiros anos do século XVIII, mas a origem da antiga Vila Rica, foi no Morro de São João, no final do século XVII, a dois km do Centro Histórico. 
          No alto do morro, uma relíquia histórica e bem preservada, data de 1698. É a Capela de São João, uma das mais antigas de Ouro Preto, situada na Praça São João do Ouro Fino.(na foto acima da Ane Souz) Singela, simples, mas rica em história e detalhes. Esses detalhes podem ser vistos durante as missas, que acontece aos domingos, às 17 horas e nos dias de festejos de São João. Sem contar que do alto do morro, tem-se uma espetacular vista do centro de Ouro Preto. 
          Próximo ao Morro de São João, está o Morro de Santana ou Morro da Queimada. No topo do morro, destaca a Igreja de Santana, construída no início da exploração do ouro, antes de 1720, no século XVIII.  (na foto acima da Ane Souz) No alto do morro, pode-se ter uma vista espetacular da cidade de Ouro Preto.
          No Morro de São Sebastião, a 2 km do Centro Histórico, além da bela vista, tem a Igreja de São Sebastião, datada de 1753, como atrativo principal. (na foto acima da Ane Souz) Para conhecer o interior da Igreja, melhor horário é nos dias de missas, aos sábados, às 15 horas e ainda nas manhãs de quartas e sextas-feiras, quando acontece a reza do terço.
          Visitando Ouro Preto, conheça os arredores da cidade. Com certeza descobrirá história em cada cantinho da cidade.      

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