domingo, 22 de maio de 2016

Serro: conheça essa encantadora cidade

Na cidade da região Centro-nordeste de Minas, queijo é patrimônio.Distritos são procurados pelas belas cachoeiras.
(foto ao lado de Elvira Nascimento mostrando o Centro Histórico da cidade)
Quem chega ou sai de ônibus da cidade do Serro, na região Centro-nordeste de Minas Gerais, vai sempre se lembrar do ‘seu’ Antônio. Duas vezes vencedor do título de “mais popular da cidade”, Antônio Lisboa Farnesi trabalha na rodoviária e tem a função de anunciar os ônibus em um microfone. "Fiz isso pela primeira vez há 32 anos, quando a rodoviária foi inaugurada. O prefeito gostou e pediu para eu trabalhar aqui. Aos domingos eu não trabalho, mas fico torcendo para passar rápido e voltar na segunda. Eu também ajudo a encontrar pessoas perdidas e até receber convidados do prefeito", disse. 
A cidade do Serro, localizada a cerca de 320 quilômetros de Belo Horizonte, é conhecida pelo queijo, por bonitas paisagens e pelo valor histórico. Mas também pode ser lembrada pelos seus moradores tipicamente mineiros, como o seu Antônio, sempre de fala mansa, disposto a ajudar aos turistas e com casos e lendas sobre a cidade. (na foto abaixo,uma das fazendas do Serro MG, do produtor Túlio Madueira)
A reportagem foi até uma fazenda leiteira para acompanhar os detalhes da produção. O dono do local, Jorge Brandão Simões, 55 anos, disse que a resposta para quem busca o segredo da receita é simples: "o carinho na produção".
"Essa forma de fazer o queijo foi passada de geração para geração. Ele é como uma criança que precisa de atenção e carinho. O queijo é como um ser vivo para mim. Meus filhos já me ajudam e aprendem aqui. Espero que pelo menos um deles continue o trabalho", disse Simões.
Mas para ir até a fazenda e encontrar os produtores é preciso carro 4x4, uma bicicleta pronta para percursos na terra ou ter muita resistência para caminhar. São 20 quilômetros de estrada de terra, partindo da cidade de Serro. Pelo caminho, são avistadas outras fazendas de produção do queijo artesanal.
O processo de fabricação pode durar até uma semana, segundo Simões. Ao leite fresco é adicionado um tipo de fermento e um coagulante. Passada cerca de uma hora, é só fazer o corte da massa e triturar. Em seguida, retirar o soro e a massa juntos e, quando estiver consistente, colocar na fôrma. Espremer, lavar e depois colocar sal grosso em um dos lados são os passos seguintes. Depois é preciso esperar cerca de seis horas, virar e salgar o outro lado. Para ficar no ponto, são mais dois dias até retirar da fôrma e deixar na maturação.
O queijo de Serro foi registrado como Patrimônio Imaterial de Minas Gerais, em 2002, e do Brasil, em 2008. Por causa desta fama, vai ser inaugurado em junho de 2012 o Museu do Queijo. (na foto ao lado, o Queijo do Serro nas escadarias da Igreja de Santa Rita. Autoria de Paulo Sérgio Procópio) De acordo com a coordenadora e consultora em turismo do projeto, Sandra Maura Coelho, a ideia é fazer um espaço multiuso. "O museu vai ficar na parte inferior da casa. Ainda vamos ter um centro de referência, um auditório, uma cozinha experimental com espaço para um café e um jardim educativo com uma queijaria modelo. Neste momento, já fizemos a compra da casa", disse. 
O sucesso do queijo de Serro foi parar até no cinema. O cineasta Helvécio Ratton mostrou a iguaria no documentário “O Mineiro e o Queijo”, focando na técnica de produção artesanal do queijo. Ele conversou com produtores de algumas regiões de Minas Gerais, entre eles alguns da Região de Serro.
Para quem vai a Serro (na foto acima de Tiago Geisler)  e quer, além de experimentar e conhecer mais sobre o queijo, visitar igrejas e casarões históricos, a cidade oferece um passeio turístico. A guia Joyce Costa, 24 anos, faz este trabalho há cerca de 12 anos. "Se eu tivesse a chance, reuniria todos os turistas no centro histórico e contaria histórias para levá-los ao passado da cidade."
A primeira parada é na Igreja de Santa Rita.Localizada no alto de uma escadaria, a igreja fica bem no Centro de Serro e sua edificação é do século XVIII. O local já passou por algumas reformas e tem um altar de São Sebastião. Outras igrejas também se destacam como a de Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora do Carmo.
Os casarões dos antigos barões da época do ouro são outros locais preservados na cidade. Quem visita a chácara do Barão de Serro (na foto acima de Danilo Jairo da Cruz), comerciante de diamantes e coronel da Guarda Nacional no século XIX, acaba conhecendo Guido Francisco, 63 anos. Ele é responsável pela limpeza do local há mais de 29 anos e guarda inúmeros ‘causos’.
Existem muitas lendas sobre esta casa, como dois túneis nos fundos da residência e muitas histórias sobre eles. 
A primeira é que eram usados para buscar água. A segunda é que o barão buscava ouro de forma ilegal pelos túneis para evitar pagar impostos à Coroa [Portuguesa]. A última é que ele se encontrava com a amante do outro lado de um dos túneis", disse Francisco.
O casarão pertence ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), mas Francisco sente como se ali fosse sua segunda casa. 
"Aqui eu alimento os micos, cuido do jardim e da casa. Tenho sete filhos e cinco netos, mas muitas vezes prefiro vir pra cá", falou.
Se Serro retrata muito da história de Minas Gerais e do Brasil, Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras (na foto acima de Glauco Umbelino) completam a região com belas paisagem e um pouco de aventura.
Localizados a cerca de 20 quilômetros de Serro, os dois locais se destacam pelas belas cocheiras.
A estrada asfaltada entre Serro e Milho Verde (na foto acima de Elvira Nascimento) é um dos orgulhos e alívios da população. Ela ficou pronta há aproximadamente dois meses. Quando ainda era de terra, o local ficava quase inacessível na época de chuva. Agora é possível aproveitar a paisagem. No caminho, a mudança de vegetação de Mata Atlântica para cerrado impressiona pela beleza.
As cachoeiras de Carijó e de Moinho são na entrada de Milho Verde e a apenas dois minutos de caminhada. A primeira é pequena e tem fácil acesso para os banhistas. A segunda chama atenção pelo tamanho.
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