A história da Rapadura



É típica do Nordeste do Brasil e de diversas outras regiões da América Latina , onde recebe diferentes nomes como: panela (Colômbia, Venezuela, México, Equador e Guatemala), piloncillo(México), papelón (Venezuela e Colômbia), chancaca (Bolívia e Peru), empanizao (Bolívia) ou tapa de dulce (Costa Rica). O nome rapadura (ou a variação raspadura) é utilizado também na Argentina, na Guatemala e no Panamá. Seu uso também é disseminado na Índia.

Na América Latina, a Colômbia é o primeiro produtor, com 1 milhão de toneladas anual e o segundo mundial depois da Índia . A Região Nordeste é a maior produtora de rapadura do Brasil, onde o Ceará aparece como maior produtor .

Processo de fabricação da rapadura


Fotografia de Edirlei Maciel 

Após o corte da cana-de-açúcar, que deve ser feito sem a queima da cana, este é transportada até o engenho onde deverá ser moída. O caldo de cana resultante da moagem é levado para a decantação, com o intuito de separar as impurezas - nessa etapa o risco a fermentação do caldo pode prejudicar a aparência do produto. A concentração até se atingir o ponto para o batimento se dá por meio da fervura do caldo, o que pode acontecer em um mesmo tacho ou em até cinco tachos como nos engenhos mais modernos, o que ajuda a ter um controle da temperatura para a concentração do caldo. Depois que o caldo se torna melado ele é batido para obter uma maior consistência e ser colocado em formas no formato tradicional de paralelepípedo. Depois que a rapadura já endureceu, esfriou e ganhou a sua forma, pode ser retirada das formas. Após o batimento, o caldo concentrado é moldado em formas de 500 gramas ou um quilo ou tabletes de 20 a 25 gramas. Após o resfriamento, ocorre a desenformagem e, por fim, o embalamento da rapadura .


Propriedades


Fotografia de Carlos Magno Foureaux 

A rapadura é famosa pelo seu alto valor calórico, sendo rica também em vitaminas, minerais e proteínas . O produto está inserido na merenda escolar em alguns estados do Nordeste, como Ceará, Paraíba e Pernambuco.


Diversas especialidades da medicina reputam a rapadura como um alimento riquíssimo em calorias ( quadro seguinte ). Cada 100 gramas têm 132 calorias - ou seja: 200 gramas eqüivalem em energia a um prato de talharim de ricota. 

A rapadura contém gordura, proteínas, carboidratos, ferro, fósforo, mais vitaminas B1 e B12. Seu alto poder nutritivo já chegou a motivar o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco - LAFEPE - que produziu 100 mil pastilhas de rapadura, de 1 e 4 miligramas, e distribuiu na rede oficial de ensino do Estado. As pastilhas foram adicionadas aos pratos da merenda escolar e serviram de complemento alimentar.


VALOR NUTRITIVO DA RAPADURA

Para cada 100 g Açúcar Refinado Rapadura 
Carboidratos em g

Sacarose 99,6 72,0 a 78,0 
Frutose - 1,5 a 7,0 
Glusoce - 1,5 a 7,0 
Minerais em mg

Potássio 0,5 a 1,0 10,0 a 13,0 
Cálcio 0,5 a 5,0 40,0 a 100,0 
Magnésio - 70,0 a 90,0 
Fósforo - 20,0 a 90,0 
Sódio 0,6 a 0,9 19,0 a 30,0 
Ferro 0,5 a 1,0 10,0 a 13,0 
Manganês - 0,2 a 0,5 
Zinco - 0,2 a 0,4 
Flúor - 5,3 a 6,0 
Cobre - 0,1 a 0,9 
Vitaminas em mg

Provitamina A - 2,00 
Vitamina A - 3,80 
Vitamina B1 - 0,04 
Vitamina B2 - 0,06 
Vitamina B5 - 0,01 
Vitamina B6 - 0,01 
Vitamina C - 7,00 
Vitamina D2 - 6,50 
Vitamina E - 111,00 
Vitamina PP - 7,00 
Diversos

Proteína em mg - 280 
Água em g - 1,50 a 7,00 
Calorias 384 312 
Fonte: Universidade Federal do Ceará - NUTEC 

O Professor Antônio Carlos Pires - UFPE - ( maio/97) ainda complementa : 

"A rapadura é rica em cálcio, nutriente essencial na formação dos ossos e dentes. além de ser responsável pela coagulação sangüínea e batimentos cardíacos, auxiliando no trabalho muscular e nervoso;" 
"Graças ao ferro que contém, a rapadura é um ótimo alimento para os anêmicos. O ferro é um alimento mineral essencial na formação da hemoglobina, que é alimento primordial do sangue, carregando oxigênio para as células;" 
"Por conter vitaminas e substâncias mineralizantes, a rapadura promove o crescimento ósseo interferindo nos ossos e dentes, visão, resistência a infecções e estabelecendo o equilíbrio básico do organismo;" 
"Finalmente, estabelece que a rapadura é um ótimo alimento e de fácil disponibilidade, principalmente nas localidades do interior onde são comuns os pequenos engenhos e engenhocas, onde ela é produzida."



Curiosidades



Em 1989, a empresa alemã Rapunzel registrou a rapadura como sua marca registrada para o mercado alemão e seis anos depois fez o mesmo nos Estados Unidos. Entretanto, este fato passou despercebido por bastante tempo até que em meados de 2005 grupos de defesa da cultura nordestina, o Itamaraty e a Ordem dos Advogados do Brasil passaram a exigir a retirada da proteção marcária ao nome tradicional do doce no Brasil. Em 2008 a empresa germânica desistiu da propriedade intelectual sobre o nome rapadura embora continue usando o nome para alguns de seus produtos, porém, sem mais o direito de exclusividade sobre o uso comercial da palavra. (Fonte: Wikipedia)


O Doce de Itaguara MG


Situado na região do Campo das Vertentes, o município de Itaguara chama a atenção pelo aproveitamento artesanal da cana-de-açúcar, com destaque para a produção de rapaduras. Dados do escritório local da Emater apontam a existência de 19 unidades de processamento da cana, operadas por 40 produtores. Juntos, eles produzem por mês 95.556 unidades ou 2.171 caixas de rapaduras. Cada caixa, com 44 unidades, é comercializada a R$ 66, o que gera uma renda bruta ao grupo de R$ 143,28 mil.

A atividade faz parte da história de Itaguara, existindo relatos de engenhos que produziam rapaduras há mais de 100 anos. São todos pequenos proprietários que utilizam métodos artesanais simples, como informa informa a extensionista de Bem-estar Social da Emater, Cornélia Silveira. As rapaduras são produzidas puras ou acrescidas de amendoim, mamão, côco e abóbora.

Segundo Cornélia, a produção é comercializada na Ceasa e no município de Piranguinho, Sul de Minas, famoso pela fabricação de pé-de-moleque. Também é vendida para intermediários que revendem nos municípios de Formiga, Itaúna, São João-del Rei, Pará de Minas, Divinópolis, Carmo do Cajuru, Rio de Janeiro. A produção de melado e açúcar mascavo é feita somente sob encomenda.

DESDE MENINO - O produtor Enilson Magno Teles representa bem o perfil do produtor de rapaduras de Itaguara. Casado, pai de dois filhos, ele está na atividade há 27 anos - começou aos 13. Na fábrica, que tem em sociedade com José Luiz Soares Ferreira, ele trabalha com a esposa, um filho adolescente que ensaia os primeiros passos no ofício, e dois funcionários. Situada no Sítio São Miguel, a agroindústria tem produção mensal de 12 mil unidades que são comercializadas a R$ 1,50 cada em Pará de Minas, Divinópolis, Bom Despacho, Nova Serrana, Pitangui, Cláudio, Carmo da Mata, Oliveira e Carmópolis de Minas. "Fazer rapadura é uma herança de família. Comecei a aprender com meus pais. Atuo na produção, e meu sócio, que é de Pará de Minas, na parte comercial", informa Enilson.

Para sustentar a pequena indústria, ele cultiva na propriedade dois hectares e meio de cana-de-açúcar, além de mais seis hectares em parceria com outros agricultores. Muito receptivo às novidades técnicas, Enilson está sempre buscando se atualizar e já participou de três cursos ministrados pela Emater.

ASSOCIAÇÕES - Dos 40 produtores fabricantes de rapaduras em Itaguara, 50% fazem parte de associações de agricultores familiares, utilizam a linha de crédito Pronaf e já participaram de cursos da Emater. Entre os 16 cursos de capacitação oferecidos, a empresa abordou temas importantes para o segmento, como: Saúde e segurança no trabalho; Segurança alimentar e nutricional; Valor nutritivo da cana de açúcar e derivados; Comercialização/estudo de mercado e viabilidade econômica; e Aspectos ambientais, entre outros.

Para a extensionista, a produção de rapaduras fortalece a cadeia produtiva, pois incentiva o plantio da cana-de-açúcar. "O município tem área plantada de 1.500 hectares e uma produtividade de 120 toneladas por hectare", justifica.

Levantamento da distribuição imobiliária de Itaguara aponta que o município possui hoje 17 comunidades e 1.311 propriedades rurais que variam de dez a 500 hectares. "Verificamos que, 90% dos produtores que formam a população rural são agricultores familiares", aponta a técnica.

Segundo ela, além da produção de rapadura, as principais atividades agropecuárias do município são bovinocultura de leite, milho, arroz, feijão, cana-de-açúcar e mandioca.

Fonte: Prefeitura de Itaguara



Nenhum comentário:

Postar um comentário