segunda-feira, 2 de setembro de 2019

São Bartolomeu e a igreja do sino mudo

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Pelos caminhos que nos levam a Ouro Preto, tem São Bartolomeu. O arraial do Apóstolo fica a 15 km distantes da sede, passando por Cachoeira do Campo. A estrada caprichosamente nos leva a paisagens espetaculares de Mata Atlântica e Cerrado, passando pelo Rio das Velhas, com água limpa e cristalina e fazendas centenárias, com suas sedes pintadas nas cores azuis e brancas, no mesmo estilo do casario da vila.(foto acima de Ane Souz)
Não é por menos que São Bartolomeu é conhecido como a joia de Minas. A pacata vila foi uma das primeiras povoações de Minas Gerais, surgida no início do século XVIII. Suas construções seculares guardam história e relíquias do início do período barroco em Minas Gerais com construções coloniais, oratórios, arquitetura e sua joia mais rara, a igreja dedicada ao padroeiro, São Bartolomeu.
A Matriz de São Bartolomeu foi edificada em meados do século XVIII em alvenaria de pedra, assentada com argamassa de barro e pintada a cal. Em seu interior, um rico e impressionante acervo histórico chama a atenção. Um muro de pedras circunda o entorno da igreja e em seu lado direito, um coreto construído no século XX completa o conjunto arquitetônico. (foto acima site: patrimônioespiritual.org)
Mas um diferencial da Matriz de São Bartolomeu chama a atenção, em relação às outras. É o seu sino. Diferente das outras igrejas, cujos sinos são de bronze, o da Matriz de São Bartolomeu é em madeira. Conta-se que o sino da igreja foi roubado, ficando apenas o badalo de prata no campanário. Até a chegada do novo sino de bronze, foi colocado provisoriamente no lugar, um rústico sino de madeira. E com o tempo, nada do sino de bronze chegar, o de madeira foi ficando e permanece até hoje os dias de hoje no campanário das torres. O toque do badalo de prata na madeira não produz som algum, mas mesmo assim, o sino encanta por sua simplicidade e história. É um dos atrativos da vila e de Minas Gerais. Ninguém pensa em substituí-lo por um sino de bronze. Ao contrário, já foi até restaurando. Sua restauração foi em 1997, pela Fundação Gorceix.
Pelas ruas de São Bartolomeu é difícil encontrar um morador que não tenha ligação com a Matriz. Há sempre uma história de família, vinda de gerações ou mesmo atual. A matriz faz parte da vida de todos os moradores da Vila. É como se fosse extensão de suas próprias casas. Arrisco a dizer que se fosse mesmo parte da casa de cada um, seria o melhor cômodo da casa, de tanto amor e carinho que eles têm por sua matriz. 
Venha conhecer São Bartolomeu, sua riqueza arquitetônica e cultura, bem como seus doces, principalmente a goiabada cascão e seu povo simples e hospitaleiro. Venha conhecer a joia rara de Minas Gerais. Por Arnaldo Silva

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