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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

O esplendor dos santuários ecológicos mineiros

(Por Arnaldo Silva) Montanhas, serras, picos, grutas, cachoeiras, a Cordilheira do Espinhaço, rios com praias fluviais, matas com flores nativas, como esta orquídea, fotografada pelo Wilson Fortunato na Serra do Gavião, em Felício dos Santos MG, lagos e represas, são alguns atrativos naturais de Minas Gerais. Boa parte dessas beleza naturais, ficam em unidades de conservação municipais, estaduais e federais. São lugares deslumbrantes, com vastas áreas de Cerrado e Mata Atlântica, protegidos nas unidades de conservação mineiras, como a Serra do Rola Moça, entre Belo Horizonte e Brumadinho, na foto abaixo, do Elpídio Justino de Andrade, Casa Branca, em Brumadinho, vista do topo da Serra do Rola Moça.
O nome tem origem num causo do escritor Mário de Andrade, que narrou a história de uma moça, que ao voltar de seu casamento com o noivo, montados cada um em um cavalo, o que a noiva montava, escorregou em cascalho, vindo a moça cair, rolando serra abaixo e morrendo. A triste história do casal comoveu e a serra onde sofrera a queda, passou a se chamar Rola Moça. O lugar proporciona uma vista linda de Brumadinho e região, além de guardar riquezas de nossa fauna e flora como o lobo-guará, várias espécies de pássaros, orquídeas nativas, bromélias, candeias, etc. Por toda Minas, existem lugares belíssimos e impressionantes!
Um desses lugares é o Parque Estadual do Biribiri, em Diamantina, no Vale do Jequitinhonha. Lugar tranquilo, com uma flora riquíssima e belezas impressionantes, como a Cachoeira do Sentinela e esta acima, na foto da Elvira Nascimento, a Cachoeira dos Cristais. Além da charmosa Vila de Biribiri, que fica dentro do parque, no local existem mirantes, como o da Cruzinha e o da Guinda com fácil acesso com belíssimas vistas, além do "Caminho do Escravos", iniciando no perímetro urbano de Diamantina, estendendo até o distrito de Mendanha, num percurso de 20 km. É uma trilha aberta pelos escravos no século XVIII, para escoamento da produção de diamantes da região
Um destino imperdível e inesquecível é em Conceição do Ibitipoca, distrito de Lima Duarte ,na Zona da Mata. Além do charme da pitoresca vila colonial, está a porta de entrada para o Parque Estadual do Ibitipoca, um dos mais impressionantes santuários naturais de Minas Gerais, se destacando entre suas várias belezas, fauna e flora riquíssimas, a Prainha, a Cachoeira do Macaco, o Pico do Pião, o Paredão e a Janela do Céu, na foto acima de Marcos Lamas.
E pra quem vem conhecer a cidade de ouro do nosso barroco, Ouro Preto e a nossa primeira capital, Mariana, na Região Central Mineira, tem como opção o Parque Estadual do Itacolomi, na foto acima de Ane Souz. Lugar de rara beleza e muita história, está na divisa entre as duas cidades históricas mineiras, tendo como destaque o famoso pico do Itacolomi, a 1772 metros de altitude, com acesso por 6 km de trilha com um tempo de percurso de ida e volta em média 4 horas. O lugar é bem conservado e bem sinalizado. Do alto, tem-se uma impressionante vista de toda a região, um verdadeiro mar de montanhas. Em Mariana, o visitante pode ainda conhecer a Mina da Passagem e em Ouro Preto, visitar o Parque Natural Municipal das Andorinhas, onde está a nascente do Rio das Velhas e a Cachoeira das Andorinhas.
Já no Leste Mineiro, o destaque é o Parque Estadual do Rio Doce, em Marliéria, no Vale do Aço, na foto acima do Thelmo Lins, uma das maiores unidades de Mata Atlântica do Brasil, abrigando a maior área contínua deste bioma em Minas Gerais. A área é formada por 42 lagoas naturais, sendo a mais famosa a Lagoa do bispo Dom Helvécio. Além da beleza da Mata Atlântica conservada e sua rica flora, no Parque estão várias espécies de aves e mamíferos como o jacaré-do-papo-amarelo, onças, jaguatiricas e outros animais, além de um mirante, com uma vasta vista de toda a área.
Uma das maravilhas de Minas é a Serra do Espinhaço, uma cordilheira que se estende por 1.000 km contínuos, da região de Catas Altas, até o sul da Bahia. É a única cordilheira do Brasil, abrigando em seu trecho, várias unidades de conservação estaduais, como Parque Estadual do Pico do Itambé, entre o Serro e Santo Antônio do Itambé, no Alto Jequitinhonha, conhecido como o teto do sertão mineiro, a 2002 metros de altitude, na foto acima do Tiago Geisler, com belas cachoeiras e trilhas. No topo, principalmente ao amanhecer, uma vista espetacular de toda a região impressiona, fazendo jus ao nome de "teto do sertão mineiro". 
Ainda na Cordilheira do Espinhaço, está o Parque Estadual do Rio Preto, em São Gonçalo do Rio Preto, no Vale do Jequitinhonha. O lugar é simplesmente incrível, com uma riqueza natural impressionante com trilhas, bancos de areias branquíssimos, cachoeiras paradisíacas, como esta da foto acima do Tom Alves/tomalves.com.br, a Cachoeira do Crioulo, além uma rica flora nativa, destacando as sempre-vivas, além de preservar várias espécies nativas de nossa fauna. 
Continuando com as belezas do Espinhaço, temos o Parque Estadual da Serra do Intendente que guarda uma das mais belas cachoeiras do Brasil, a maior de Minas e a terceira do país, com 273 metros de queda. É a Cachoeira do Tabuleiro, em Conceição do Mato Dentro, na foto acima do Marcelo Santos. Além desta cachoeira, tem o cânion do Peixe Tolo e a Cachoeira Rabo de Cavalo, além da riqueza da fauna e beleza da flora nativa, com belas quaresmeiras, sempre-vivas e outras plantas nativas da região. 
No entorno do charmoso distrito itabirano de Ipoema, na fota cima de Elvira Nascimento, está o Parque Estadual da Mata do Limoeiro, na Região Central de Minas. Um lugar aprazível, tranquilo, com belíssimas vistas e cachoeiras maravilhosas como a do Derrubado e do Paredão, além de contar com muitas trilhas para a prática do ciclismo.

Outro passeio interessante pelos parques mineiros são nos que guardam relíquias da pré-história, nas profundezas de nossa terra. São as grutas mineiras, que encantaram o cientista dinamarquês Peter Lund, todas próximas à capital mineira, como a Gruta de Maquiné, em  Cordisburgo, a 120 km da capital, terra do famoso escritor Guimarães Rosa, autor de O Grande Sertão Veredas. Descoberta em 1825, é considerada o berço da paleontologia brasileira, amplamente explorada cientificamente por Peter Lund, em 1834. Na foto do Sérgio Mourão, detalhes para um dos sete salões nos 650 metros lineares da gruta, que possui uma ótima estrutura, como iluminação, passarelas e guias, permitindo o visitante aproveitar melhor essa raridade da paleontologia brasileira.
Próximo a Cordisburgo, em Sete Lagoas, distante 80 km da Capitral, está a  Gruta Rei do Mato, na foto acima do Sérgio Mourão. É uma das 50 maiores cavernas de Minas Gerais, com 65 metros de profundidade e 998 metros de extensão, mas com acesso para visitação somente a 220 metros. Sua beleza impressiona, tanto é que é uma das grutas mais visitadas de Minas Gerais e do Brasil, com uma média de 22 mil visitas por ano.
Ainda mais perto de Belo Horizonte, apenas 40 km, está a Gruta da Lapinha, na foto acima de Arnaldo Silva, entre Pedro Leopoldo e Lagoa Santa, no Parque Estadual do Sumidouro. São 300 metros de extensão, com várias galerias e salões, com 12 desses salões abertos à visitação, todos iluminados, valorizando ainda mais a beleza dos estalactites e estalagmites da gruta, além de contar com passarelas e guias, especializados.
Além da Gruta da Lapinha, no Parque do Sumidouro encontra-se belas paisagens, como esta da foto do Thelmo Lins, além de abrigar o Museu Peter Lund, com exposição de 82 fósseis que vieram de Copenhague, na Dinamarca, e outros 15 fósseis doados pelo Museu de História Natural da PUC Minas.
Foi nesta região, na Lapa Vermelha, em Pedro Leopoldo, que foi encontrado, em 1975, por arqueólogos brasileiros e franceses, chefiados pela arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire (1917-1977) o mais antigo fóssil da América. O fóssil de uma mulher, entre 20 a 24 anos, chamado pelos cientistas de Luzia. Segundo os cientistas, Luzia viveu na região entre 12.500 a 13.000 anos, com um grupo de pessoas, sendo até então considerado a primeira população humana da América. O esqueleto de Luzia foi encaminhado ao Museu Nacional do Rio de Janeiro e quase destruído pelo incêndio ocorrido em 2018. Quase porque, cerca de 80% dos fragmentos de seu esqueleto foram recuperados, com a possibilidade de recuperação total de todo o esqueleto. Em Minas, ficou a reconstrução do rosto de Luzia, na foto acima do Thelmo Lins, no Museu Natural da PUC Minas.

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