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quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Mariana: primeira cidade e primeira capital de Minas

(Por Arnaldo Silva) 16 de julho de 1696 marca o surgimento de um núcleo colonial às margens do Ribeirão do Carmo, que deu origem à cidade de Mariana. Com a descoberta de abundantes minas de ouro na região, o pequeno arraial passou a se chamar, Vila do Ribeirão de Nossa Senhora do Carmo. O ouro fez com que o pequeno arraial crescesse rapidamente, tendo sido elevado à Vila em 8 de abril de 1711, com o nome de Vila Real de Nossa Senhora e à cidade em 23 de abril de 1745, com o nome atual de Mariana, em homenagem à esposa do Rei Dom João V, dona Maria Ana de Áustria. (na  foto abaixo do Vinícius Barnabé/@viniciusbarnabe, a Praça Minas Gerais)
          Para incentivar a produção de ouro na época, a Coroa Portuguesa criou uma espécie de incentivo aos povoados e vilas existentes. Quem arrecadasse mais ouro, seria elevado à vila e cidade. Por isso que a Vila Real de Nossa Senhora foi elevada à vila e cidade tão rápido, por ter sido a maior produtora de ouro na época. A riqueza retirada do subsolo de Mariana era tanta, que além de cidade, foi elevada à Capital da então Capitania das Minas Gerais. (na foto abaixo do Peterson Bruschi/@guiapeterson), vista parcial de Mariana)
          Mariana foi a primeira Vila a ser reconhecida em Minas, confirmada por Carta Régia em 14/12/1712. Foi ainda a primeira cidade, a sede do primeiro bispado de Minas e a primeira capital de Minas Gerais até 1720, quando a capital foi transferida para Vila Rica, atual Ouro Preto, tendo sido Ouro Preto, a capital de Minas Gerais até 1897, quando a capital passou a ser em definitivo, Belo Horizonte.
          A cidade foi o principal ponto de partida para a formação da história de Minas Gerais. (fotografia acima de Wilson Paulo Braz) A partir de Mariana se expandiu a cultura, arquitetura, arte, tradição, a culinária, tendo sido um dos berços da formação social, política, cultural e arquitetônica de Minas Gerais. 
          A charmosa, atraente e elegante cidade setecentista mineira, Patrimônio de Minas Gerais, reconhecido pelo IEPHA e nacional, reconhecido pelo IPHAN, preserva sua história contada em mais de 3 séculos de existência. Uma história bem guardada, bem cuidada, presente em suas igrejas, museus, casarios, ruas, praças, minas e em seu subsolo, que ainda guarda riquezas naturais, como ouro, e hoje, em maior escala, o minério. 
          Um pouco da história da mineração do ouro em Mariana está presente na Mina da Passagem, hoje, desativada. É a maior mina de ouro aberta à visitação no mundo, sendo uma verdadeira relíquia de Mariana, onde o visitante passará pelos trilhos que levam às galerias da mina, a 120 metros de profundidade, além de encontrar vários poços de água (na foto acima do Silvio Tanaka), formado excessiva exploração ao longo dos séculos, com escavações atingindo lençóis freáticos, bem como também, água da chuva que entram pelas galerias. Nessa mina, foram retiradas 35 toneladas de ouro, desde o início do século XVIII, até ser desativada, no final do século XX. Hoje sua riqueza é o turismo e uma rica história, dos primórdios da mineração. 
          Mariana (na foto acima da Cláudia Barbosa) está a 110 km de Belo Horizonte, tem cerca de 65 mil habitantes, tendo como vizinhos os municípios de Ouro Preto, Catas Altas, Santa Bárbara, Alvinópolis, Acaiaca, Diogo Vasconcelos e Piranga. 
          É uma cidade de grande destaque na economia de Minas Gerais, tendo um dos maiores PIB´s do Estado, contando com um variado comércio, com um setor de serviços eficiente e muito bom, além da agricultura e pecuária. Dois grandes segmentos em Mariana, são responsáveis por seu desenvolvimento, por gerar riquezas e empregos. É o turismo e a mineração, principalmente na extração do minério. Pra se ter ideia da riqueza mineral de Mariana, a cidade é uma dais maiores arrecadadoras de royalties pela extração do minério no Brasil, além de estar na região do Quadrilátero Ferrífero de Minas, região responsável por 60% de toda a produção do minério nacional. 
          Cidade com uma excelente estrutura urbana para receber visitantes e turistas, com uma excelente rede hoteleira e gastronômica, sendo uma das principais cidades históricas do Brasil, com milhares de turistas que visitam a cidade todos os anos. (foto acima do Fabinho Augusto) Sua beleza e harmonia arquitetônica impressiona, tanto é que já foi cenário de novela Global, como, Espelho da Vida, de Elizabeth Jhin, ambientada em seu Centro Histórico. Construções imponentes, riquíssimas em detalhes e ornamentações, bem como as obras dos Mestres Aleijadinho e Ataíde, presentes na cidade, que faz de Mariana uma cidade incrível e única.
          Sua arquitetura chama a atenção, bem como suas praças, como a Praça do Coreto, onde o visitante pode conhecer a riqueza do artesanato local, além da rica culinária marianense, tipicamente mineira, encontrada nos restaurantes no entorno da praça e na cidade em geral. Tem ainda a Praça Gomes Freire, que é uma das mais bem cuidadas e belas de Minas, bem como a Praça Minas Gerais, um dos mais belos e perfeitos conjuntos arquitetônicos da arte colonial brasileira. 

          Na Praça Minas Gerais (fotografia acima de Wilson Paulo Braz) está a Casa da Câmara e Cadeia, datado de 1782, construído para abrigar a Câmara de Vereadores e a Cadeia, tendo ainda uma senzala. Hoje funciona ainda a Câmara de Vereadores, mas a cadeia e senzala, hoje são museus. Em frente ao imponente prédio, tem as igrejas de São Francisco, datada de 1763, com obra do arquiteto e escultor, Antônio Francisco Lisboa, o Mestre Aleijadinho e pintura e ornamentação em estilo Rococó, por Manoel da Costa Ataíde, o Mestre Ataíde, o maior pintor da arte colonial brasileira. É nessa igreja que o Mestre Ataíde foi sepultado e onde estão atualmente seus restos mortais. 
          Ao lado da Igreja de São Francisco de Assis, está a Igreja Nossa Senhora do Carmo, datada de 1784, com decoração interior atribuída ao mestre português, Francisco Xavier Carneiro, sendo esta igreja considerada um dos mais belos templos do Rococó mineiro. E no meio da praça, o Pelourinho (na foto acima da Elvira Nascimento), construído em 1872, com 5 metros de altura, tendo ainda o brasão do império e os símbolos da justiça.
          Além da Praça Minas Gerais, a Catedral Basílica de Nossa Senhora da Assunção, conhecida como Catedral da Sé (na foto acima do Fabinho Augusto), é visita obrigatória. Sua construção teve início em 1711 e concluída em 1760, é um dos mais importantes templos setecentistas de Minas Gerais. Além de seus belíssimos entalhes no estilo nacional português e joanino, com pinturas do Mestre Ataíde, tem em seu interior um impressionante órgão Arp Schnitger do século XVIII, doado por Dom João V, em visita à cidade.
           Outra Igreja interessante a ser visitada em Mariana é a de São Pedro dos Clérigos (na foto acima do Fabinho Augusto), um imponente templo, com obra iniciada em 1753, e projeto atribuído a Antônio Pereira de Souza Calheiros, o mesmo que projetou a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em Ouro Preto MG. 
          A igreja foi construída pela Irmandade de São Pedro dos Clérigos, com arquitetura seguindo o estilo das irmandades de São Pedro no mundo, inspirada na rotunda da Basílica de São Pedro, no Vaticano, com torres quadradas, teto côncavo e fundos em módulo retangular. Em seu interior, uma estátua de São Pedro, muito bem trabalhada, ornamenta o altar, além de uma singela ornamentação em madeira e detalhes dourados em seus entalhes internos. É uma igreja em estilo barroco, raro no Brasil e uma das mais visitadas em Mariana, por estar no topo de uma colina, onde, de seu adro, tem-se uma privilegiada vista da cidade, bem como na parte baixa, podendo ser vista em sua beleza imponência (como na foto acima da Elvira Nascimento). 
          Três Museus merecem ser visitados em Mariana. Um é o Museu da Música e também o Museu Casa Alphonsus de Guimarães, dedicado a vida e obra do famoso escritor e poeta, Afonso Henrique da Costa Guimarães (Ouro Preto, 24 de julho de 1870 – Mariana, 15 de julho de 1921). Tem ainda o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, que reúne obras do Mestre Aleijadinho e Ataíde e ainda vários objetos em prata e outro, além de esculturas, vestimentas religiosas dos séculos 18 e 19 e outras peças interessantes. 
          Imagina só você voltar ao tempo e embarcar numa estação do início do século XX, em estilo eclético e neoclássico, (na foto acima do Arnaldo Silva) num charmoso trem até Ouro Preto, passando por belíssimas paisagens, num nostálgico passeio de 50 minutos. Um sonho que existe, é real, saindo nos fins de semana e feriados de Mariana, até Ouro Preto, na parte da manhã, com retorno na parte da tarde, o que dá oportunidade aos turistas, que saem de Mariana, conhecer um pouquinho de Ouro Preto, já que sua estação fica próximo ao Centro Histórico da cidade, Patrimônio Cultural da Humanidade. (na foto abaixo, de Ane Souz, a Estação de Trem de Ouro Preto)
          Mariana é uma cidade muito bem estruturada para receber os turistas, com ótima rede hoteleira, bons restaurantes, muitas opções de entretenimento, cultura e compras, já que a cidade possui um variado comércio, com várias lojas e principalmente ateliês, com artesanato local, oferecendo obras bem trabalhadas como oratórios, pinturas, esculturas sacras, móveis, etc., além do charme de sua noite, com charmosos bares e aconchegantes e pitorescos restaurantes, em casarões coloniais, dando a sensação de volta ao tempo. (na foto abaixo do Elpídio Justino de Andrade, o tradicional Colégio Providência, primeira escola de Minas Gerais criado para receber meninas órfãs)
          Conheça Mariana. A primogênita de Minas com certeza te conquistará, porque é uma cidade fascinante, imponente e apaixonante!

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