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sábado, 27 de janeiro de 2018

O Viaduto das Almas

(Por Arnaldo Silva) O Viaduto das Almas, que na verdade se chamava Viaduto Vila Rica, fica no km 592 da BR 040, tinha 262 metros de extensão por 8,5 de largura, a 30 metros do solo, perto de Belo Horizonte, sobre o Riacho das Almas. É um vale lindo, de Mata Atlântica. Nesse vale fizeram uma gigantesca ponte, bem estreita onde era possível apenas dois veículos em seu comprimento, com tráfego nos dois sentidos. A questão era que planejaram uma uma curva bastante fechada para possibilitar uma melhor visão do vale. Uma obra, para época ousada e moderna.
          O viaduto foi inaugurado em 2/02/1957, numa época onde predominava mais os trens de passageiros. Existia então pouco trafego de ônibus, caminhões e carros. O problema do viaduto sempre foi essa curva, desde então. Com a extinção gradativa da malha ferroviária e o aumento do numero de ônibus, caminhões e carros de passeios, os problemas logo começaram a surgir. Aliás, acidentes. (foto acima sem autoria identificada até o momento)
          Desde a sua inauguração já começaram a acontecer desastres. Pelo nome do riacho, a população local não via com bons olhos aquela ponte que para eles era um mau-agouro. Viaduto das Almas, ganhou o apelido de viaduto das mortes. 
          Quando de sua construção, o Viaduto Vila Rica era considerado o mais belos dos elevados na América Latina. Sua inauguração em 2/02/1957, foi tão importante que trouxe à Minas, Juscelino Kubitschek (1902/1976), acompanhando do Governador mineiro na época, Bias Fortes (1891/1971), várias autoridades na época  e também de um grande número de populares da região. 
Principais tragédias
13/09/1967
          Nesse adia, um ônibus da Cometa não conseguiu fazer a curva e caiu do elevado. Foram 14 vítimas fatais, entre elas, Zélia Marinho,  apresentadora  do programa infantil Roda Gigante, na extinta TV Itacolomi.
26/11/1994
       Nesse dia, um grave acidente com um ônibus da Aditur que levava trabalhadores para uma mineradora em  Ouro Branco MG, bateu de frente com um caminhão, que vinha em sentido contrário, levando 13 pessoas à morte. 
          O viaduto das Almas foi desativado em 26/10/2010 e construído outro viaduto, próximo, porém mais seguro. Desde sua inauguração até sua desativação, foram mais de 200 pessoas anônimas e famosas mortas, sem contar as pessoas que sobreviveram a acidentes e ficaram com sequelas.
O viaduto hoje
          O viaduto hoje é usado em treinamentos de socorristas de todo o país para casos de acidentes em altura. Os treinamentos acontecem nos fins de semana e sempre conta com a presença de moradores próximos que lá vão em busca de algum atendimento em casos de mal súbitos, por não dar tempo de chegarem ao hospital.
Duas histórias de arrepiar
          Lenda ou não, vou contar aqui duas histórias que eu ouvia desde menino e que todo morador das redondezas conhece. E tem gente que garante que não é lenda, é verdade mesmo. Vamos lá.
          Era madrugada dos anos 60. Um motorista passando pela curva do viaduto, avista uma mulher em desespero, fazendo sinal para ele parar. O motorista parou o carro, a mulher pálida, trêmula, em pânico, fala:
          _ Moço, um carro despencou lá de cima e uma criança está lá dentro, chorando. Ajuda pelo amor de Deus, salve o menino por favor!!!

          O motorista saiu do carro, desceu a encosta e tinha um carro sim, no barranco, mas não tinha criança e sim uma mulher. Se aproximou e ao ver, era a mesma mulher que o tinha parado no viaduto pedindo socorro. Levou o maior susto e ao olhar para trás, a mulher estava lá a olhar para ele. Olhava para o carro a mulher morta, para o lado, a mesma mulher parada, olhando para ele.....
          A outra história bem conhecida aconteceu em 2 de agosto de 1969. Neste dia, um ônibus com 40 passageiros passava pelo viaduto, sentido Belo Horizonte e despencou quando passava pela curva, ficando prensado entre as pilastras e o barranco do riacho. O motivo do acidente foi uma ultrapassagem irregular de um carro. Ultrapassou onde era impossível ultrapassar e causou esse desastre até hoje na memória do povo da região. 
          A maioria dos passageiros do ônibus morreram no local. Esse fato seria mais um dos inúmeros acidentes ocorridos no viaduto e esquecidos, se não fosse alguns fatos ocorridos após o acidente.
          Dois anos depois desse acidente, no fim de tarde, um homem estava voltando de uma pescaria, resolveu atravessar o viaduto a pé para encurtar caminho. Resolveu dar uma olhada para baixo, onde tem o riacho e uma mata linda e teve uma surpresa desagradável. Viu apenas o riacho e mata, porém ouviu gritos de pedidos de ajuda, choros de crianças ouvidos das profundezas da mata e mais a fundo, ouviu o som de um velho motor Mercedes-Benz, o mesmo do ônibus que se acidentara dois anos antes.
          A partir dessa história, as pessoas passaram a evitar passar no local a pé e não se tem notícia de algum corajoso que se atreveu a descer as encostas e ir até o local de acidente. O mau-agouro que o local trás, afasta a presença das pessoas, justamente pelos acidentes ocorridos e o medo de ver e ouvir gritos, gemidos e almas de pessoas que lá perderam suas vidas. 

5 comentários:

  1. Desde criança ouço essas histórias horripilantes e sempre mexeram com minha imaginação... Gostei muito do texto, meus parabéns, me vez relembrar da histórias principalmente a da mulher pedindo socorro.

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  2. Nem os socorristas que treinam ali se atrevem em ir no local do acidente? Estamos bem de socorristas

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  3. em julho de 1995 eu e mas dois amigos seguimos em caminhada de bh para ouro branco , dormimos no posto belvedere e passamos sobre o viaduto as 4 da manha , confesso que nao vimos ou ouvimos nada , mas lembrando das historias que contavam , ficamos apreensivos , mas no fim td deu certo

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  4. Sou do leste mineiro e trabalhei na construçao do novo viaduto. morava-mos em um alojamento bem proximo da obra.....eu sempre andava a cavalo nessa regiao...passei inumeras vezes a noite pr baixo deste viaduto e nunca vi nada de muito anormal....a nao ser objetos pessoais esquecidos dentre a vegetaçao na encosta do riacho...o objeto mais bizarro que encontrei foi uma peruca ja muito desgastados....pentes...roupas velhas e cds.

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  5. Entre 1969 e 1970, passava meus dias de folga no riacho das Almas, onde pescava lambaris e fazia churrasquinho. Deixava meu carro na lanchonete que ficava próxima à cabeceira da ponte. Aliás, para os conhecidos, ali serviam carne de capivara, bem fritinha.

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