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sábado, 5 de novembro de 2016

A Praça da Liberdade em Belo Horizonte

(Por Arnaldo Silva) A povoação onde é hoje, Belo Horizonte, teve início a partir de 1701, com a chegada do bandeirante, João Leite Ortiz. Fazendas começaram a ser formadas, usando o trabalho escravo, a partir da chegada do bandeirante. Em 1707 era fundado um pequeno arraial, denominado de Curral Del Rey, subordinado a Comarca de Sabará.
          Com a instalação da nova capital, no Curral Del Rei, a partir de 1897, este nome permaneceu por pouco tempo. Rodeada por montanhas alterosas e um vasto e belo horizonte, a nova capital mineira passou a se chamar, oficialmente, Belo Horizonte, a partir de 1901, em alusão a beleza de seu horizonte.
          A sede do Governo de Minas, bem como os prédios públicos para abrigar as secretarias de governo, foram construídos numa praça conhecida como Praça da Liberdade, desde 1888, bem mesmo antes da fundação de Belo Horizonte, em 1897.
          A Praça da Liberdade do Curral Del Rey, ficava no topo de uma colina, com vista de 360 graus em redor. Neste local, ex escravos, que compraram ou conseguiram suas liberdades, se reuniam para ajudar, escravos cativos nas senzalas das fazendas da região, a comprarem suas liberdades
          
Quando aconteceu a Abolição da Escravidão no Brasil, em 1888, o lugar em que os ex escravos se reuniam, foi transformado em praça do Arraial do Curral Del Rey, com o nome de Praça da Liberdade e assim é esse nome, até os dias de hoje.
          Estar na Praça da Liberdade em Belo Horizonte, é como voltar ao tempo e reviver os áureos tempos do ecletismo, que marcou a arquitetura e o paisagismo da capital mineira no início do século XX, já que todo o conjunto arquitetônico da praça é preservado e guarda as emoções e lembranças do período nascente da capital mineira. (fotografia acima de Nacip Gômez)
          Jardins, fontes luminosas, coreto, tranquilidade e uma beleza de encher os olhos, onde casais enamorados se encontram, amigos batem papo enquanto fazem caminhadas e famílias revivem os velhos piqueniques nos gramados da praça. É o cartão postal dos belo-horizontinos que atrai pessoas de todas as idades, de várias partes da capital e quem vem à cidade visitar, nunca deixa de ir à Praça da Liberdade para conhecer uma das mais belas e tradicionais praças do Brasil.
          Construída no início da fundação de Belo Horizonte, entre os anos de 1895 e 1857, a praça ficava exatamente no centro da nova cidade, segundo projeto arquitetônico original da época. (na imagem acima, a Praça da Liberdade em 1910/Acervo Prefeitura de Belo Horizonte) Na praça foram construídos o Palácio do Governo de Minas, bem como os prédios das secretarias de Estado, com arquitetura inspirada no ecletismo, estilo que surgiu na Europa e com grande influência na arquitetura francesa. Este estilo misturava os estilos barroco, gótico medieval, clássicos e elementos neoclássicos, criando assim arquiteturas marcantes e impressionantes, principalmente para a época, hoje de grande valor cultural e histórico. 
          A partir da década de 1950, novos prédios foram construídos no entorno da praça, já no estilo moderno, da época, passando a incorporar ao conjunto arquitetônico da praça como o Edifício Niemeyer (na foto acima e abaixo de Nacip Gômez) e a Biblioteca Pública Luiz de Bessa, projetos do arquiteto Oscar Niemeyer. 
          Na década de 1980 foi construído o prédio onde funciona hoje o Museu das Minas e do Metal. Quando de sua inauguração, foi chamado de Rainha da Sucata, sendo hoje um dos mais belos do entorno da praça.
          Com a mudança da sede do Governo de Minas para o Palácio Tiradentes em 2010, os prédios que antes abrigavam secretarias de Estado, passaram a ter finalidades culturais e artísticas, tendo sido criado o Circuito Cultural Praça da Liberdade composto pelo Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte, o Espaço do Conhecimento UFMG, em parceria com a UFMG; o Museu das Minas e do Metal, em parceria com a Gerdau; o Memorial Minas Gerais, com patrocínio da Vale e o Centro de Arte Popular, da Cemig; a Casa Fiat de Cultura, em parceria com a FIAT; o Centro de Formação Artística, em parceria com a Fundação Clóvis Salgado, o Horizonte SEBRAE, em parceria com o SEBRAE. (fotografia acima de Nacip Gômez e na foto abaixo de Wilson Paulo Braz/@paulobraz10, a fonte luminosa)
          Ainda integram o complexo cultural, outros quatro espaços públicos que passaram por recente processo de revitalização: o Palácio da Liberdade, a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, o Arquivo Público Mineiro e o Museu Mineiro. Recentemente incorporou ao Circuito as instalações do BDMG Cultural.
Feira Hippie
          Até o início da década de 1990, funcionava na Praça da Liberdade a Feira Hippie. A feira surgiu em Belo Horizonte em 1969 (na foto acima, sem autoria identificada até o momento) , no auge do movimento hippie pelo mundo, quando artistas plásticos mineiros resolveram expor seus trabalhos na praça. 
          O movimento foi crescendo em número de expositores e público presente, ao longo dos anos, sendo uma das maiores referências em cultura, arte e artesanato popular de Belo Horizonte.
          O crescimento foi tão grande que para preservar a praça e os jardins, devido ao enorme número de pessoas expondo e transitando pela praça nos dias de feira, que causava constantes danos aos jardins e árvores da praça, foi decidido mudar o local da feira para a Avenida Afonso Pena, com o nome de Feira de Artes e Artesanato de Belo Horizonte. Na Avenida Afonso Pena, a Feira permanece até os dias de hoje, sempre aos domingos. 
O mais antigo semáforo de Belo Horizonte
          Na Praça da Liberdade, entre a praça e a Avenida João Pinheiro, um semáforo em estilo inglês passa despercebido hoje pra muita gente, mas antigamente não. (foto acima de Nacip Gômez) Foi o primeiro semáforo da capital mineira, instalado no local em 1929, quando ainda o nome do que chamamos semáforos hoje, era pisca-pisca. É uma das relíquias da Praça da Liberdade, fica exatamente na entrada da alameda das palmeiras.
Jardins da Praça da Liberdade
          Os jardins da Praça da Liberdade foram inspirados nos jardins do Palácio de Versalhes, na França. Ipês roxos, rosas, amarelos e brancos são destaques, bem como roseiras, hortênsias, canas da índia e lírios, dão vida, cor e alegria à praça. Palmeiras imperiais e tipuanas margeiam a alameda que dá de frente para o Palácio da Liberdade, antiga sede do Governo de Minas. (foto acima de Wilson Paulo Braz/@paulobraz10) 
          Essa espécie de palmeira tem origem africana, foi introduzida no Brasil por Dom João VI, em 1809, sendo plantada pelo próprio regente, no que é hoje, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e expandida para todo o Brasil. A espécie tornou-se símbolo do Império brasileiro e passou a ser chamado de Palmeira Imperial, hoje, presente praticamente em todas as cidades brasileiras, ornamentando ruas e praças. (fotografia acima de Wilson Paulo Braz)
Coreto
          O coreto da Praça da Liberdade (na foto acima de Leandro Leal) foi construído em 1923 pelo espanhol Aquelino Edreira Seara, num tempo em que os coretos existiam em todas as praças das nossas cidades e usados como palco para apresentação de bandas locais e solenidades religiosas e políticas. Na capital não foi diferente. O coreto da Praça da Liberdade já foi palco de apresentações artísticas e musicais ao longo de sua existência e várias autoridades da figura política mineira e brasileira, discursaram para os mineiros no coreto, como os ex-presidentes Jânio Quadros e Juscelino Kubistchek. (foto abaixo de Wilson Paulo Braz)
          Em dois de junho de 1977, todo o conjunto arquitetônico e paisagístico da Praça da Liberdade foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG), preservando assim um dos mais importantes patrimônios culturais, arquitetônicos e paisagísticos da capital mineira e do Estado de Minas Gerais.

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