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sábado, 17 de setembro de 2022

Pintópolis: origem, turismo e história

(Por Arnaldo Silva) Entre a Serra das Araras e o leito do Rio São Francisco, no Norte de Minas, está a cidade de Pintópolis, município que faz divisa com São Francisco, Urucuia, Icaraí de Minas, São Romão e Chapada Gaúcha. Contando com cerca de 7.500 habitantes, Pintópolis está a 615 km de Belo Horizonte.
          Pintópolis surgiu em 29 de agosto de 1964 como povoado denominado Riacho Fundo, subordinado inicialmente a São Francisco MG. Após emancipação da vizinha Urucuia MG em 1992, então distrito também subordinado a São Francisco MG, Riacho Fundo passou a ser subordinado a Urucaia MG. Em 21 de dezembro de 1995, Riacho Fundo foi desmembrado de Urucuia e elevado a cidade, com o nome de Pintópolis em homenagem ao sobrenome da família de seu fundador, Germano Pinto. (na foto acima enviado pelo Agnaldo Pinto - Arquivo da Prefeitura Municipal, o Cristo Redentor de Pintópolis MG)
          Uma cidade planejada, tranquila, pacata, com povo bom e hospitaleiro, conta com uma boa estrutura urbana, um comércio variado, setor de serviços de boa qualidade, pousadas, hotéis e restaurantes com comidas típicas. A economia do município tem como base o comércio, pequenas empresas familiares e a agricultura e pecuária.
          Pintópolis faz parte do Circuito Turístico Grande Sertão Veredas e oferece como atrativos sua charmosa Matriz, o Cristo Redentor, as tradicionais festas de São João e da Padroeira, Nossa Senhora da Abadia.
         A travessia de balsa sobre o Rio São Francisco, de Pintópolis até a cidade de São Francisco, é outro atrativo a parte. (na foto acima de Márcio Pereira/@dronemoc, a balsa)
          Além disso, suas belezas naturais estão inseridas neste circuito turístico, com destaque para a Cachoeira do Buriti, o Rio Urucuia e o encontro do Rio Urucuia com o Rio São Francisco e a Cachoeira do Rio Acari (na foto acima do Guia Elson Barbosa).
A origem do nome          
          Dos 853 municípios mineiros, algumas cidades chamam a atenção pelo nome diferenciado dos demais. É o caso de Pintópolis. Polis vem do grego e significa cidade e Pinto é um sobrenome de origem ibérico, ou seja, de Portugal e Espanha. Literalmente, Pintópolis significa Cidade dos Pintos.
          O nome é em homenagem a Germano Pinto (31/10/1924 – 21/11/2015), o fundador da cidade. (na foto acima feita por sua neta, Ana Paula Souza Pinto Cunha, quando completou 90 anos)
          Embora o nome possa provocar indagações e até mesmo risos maliciosos, os moradores de Pintópolis não se constrangem, ao contrário, tem orgulho de sua cidade e de sua origem, além de estarem já acostumados com o nome e de explicarem a origem do mesmo. Quem nasce em Pintópolis é pintopolitano ou pintopolense.
Germano Pinto
          O fundador de Pintópolis, Germano Pinto, já falecido, um sertanejo e, pecuarista, de hábitos bem simples e um visionário empreendedor. Foi pai de 11 filhos, 49 netos e outros tantos bisnetos.
Tinha como prazer uma boa prosa e contar causos, principalmente sobre si mesmo. São causos pitorescos, interessantes e verídicos. Um de seus causos preferidos era sobre a origem da cidade que fundou, feito que muito se orgulhava. (foto acima de sua neta, Ana Paula Souza Pinto Cunha)
          Germano Pinto contava que chegou à região aos 30 anos de idade vindo de Mocambo, povoado de São Francisco MG, cidade na outra margem do Velho Chico. Veio a pé e se instalou no local onde é hoje a cidade. Quando chegou, era apenas mato, não tinha casa, estrada, pastagem formada, nada. Começou do zero e transformou o lugar numa fazenda produtiva que denominou de Riacho Fundo.
          Vendo a fazenda crescer, Germano Pinto já alimentava o sonho de construir no local, não um povoado ou uma vila para seus colonos, como era normal, na época.
          Sonhava grande. Queria era construir uma cidade. Até que em agosto de 1964, já com 40 anos de idade, decidiu colocar seu sonho em prática e transformar sua fazenda em uma cidade planejada. Seria a primeira cidade planejada do sertão do interior mineiro, já que Belo Horizonte, planejada por Aarão Reis (1853-1936) não conta por ser a capital.
Projetando a cidade
          Embora sem curso superior na área, Germano Pinto era autodidata e começou a desenhar no papel o projeto do seu sonho. Sonhava com uma cidade que pudesse oferecer melhores condições de vida a seus moradores, principalmente os mais carentes, além de ser uma cidade bem estruturada e organizada.
          Aos poucos a paisagem típica das fazendas rurais do interior foi mudando. No lugar das pastagens e lavouras, foram surgindo ruas traçadas e avenida larga, transformando os caminhos que passavam carroças e carros de bois, em ruas para passar carros e caminhões. O curral, a casa grande e as casas dos colonos, foram dando lugar a escola, praça e lojas para comércio.
Incentivo ao povoamento
          Para atrair moradores, Germano vendeu lotes a preços bem em conta ou mesmo fiado e até doou terrenos para famílias que não tinham condições de comprar, mesmo barato ou fiado. Com isso a cidade começou a ser povoada, necessitando assim de novos traçados de ruas laterais à avenida principal.
          Projetou a principal avenida da cidade em linha reta, que recebeu seu nome e em traço quadrado, planejou e construiu a Matriz e a praça da cidade. Conta Germano que para construir a igreja, vendeu 10 novilhas, um cavalo e um garrote, além de arborizar a praça com palmeiras. Dedicou a igreja a Nossa Senhora da Abadia, santa de sua devoção.
          Para uma cidade existir como cidade, necessitava não só de ruas, casario e praças, mas de padre, professora, juiz, delegado, polícia, vereador e prefeito. O benfeitor tratou de providenciar tudo isso.
Fez tudo e foi de tudo e mais um pouco
          Trouxe um padre para a Matriz e professora para lecionar na escola. Queria que os filhos dos novos moradores da cidade estudassem. 
          Para garantir a segurança pública, Germano Pinto assumiu o papel de prefeito e acabou virando até delegado. Naquela época esse cargo era por nomeação, sem necessitar de concurso público ou formação em direito. Como delegado, improvisou a delegacia no terreno de sua própria casa e tinha até cadeia pública. Assumiu ainda a condição de juiz de paz e foi ainda vereador por dois mandatos.
          Doou as terras, fundou a cidade, projetou e planejou seu traçado, foi construtor, prefeito, vereador, juiz, delegado. Enfim, ocupou todos os cargos possíveis em uma cidade, algo inédito na história mineira.
Cidade com potencial de crescimento
          Fez uma cidade e não uma cidadezinha qualquer. Uma cidade que cuja história é a história de seu próprio fundador. Começou com um sonho, com um morador e hoje conta com 7.500 moradores, bem estruturada, com boa qualidade de vida. (na foto acima enviada pelo Agnaldo Pinto - Arquivo Prefeitura Municipal, vista parcial de Pintópolis)
          Embora tenha poucos habitantes, Pintópolis não é uma cidadezinha do interior comum. O município é formado por 1243 km² quilômetros quadrados de terras. Pra se ter ideia desse tamanho, Belo Horizonte, a capital mineira, tem 332 km², ou seja, Pintópolis tem condições de crescer e se desenvolver bem mais. 
          É uma cidade jovem, que nasceu planejada, portando, com estrutura para crescimento planejado, o que a diferencia das demais cidades do interior.
Discussão sobre o nome
          Antes de sua emancipação, em 1995, os moradores de Riacho Fundo optaram por mudar este nome para Pintópolis. Alguns acharam o nome meio estranho e até constrangedor e queriam que se chamasse de Noroeste de Minas. Esse sugestão não foi aceita pela maioria dos moradores, que não viam problema algum no nome. Outros sugeriram Germanópolis, em homenagem ao fundador, que não concordou. 
          Germano Pinto queria que o nome da cidade abrangesse sua família, já que para construir a cidade, não tinha feito tudo sozinho, teve o apoio da família. E assim, ficou Pintópolis o nome da cidade, homenageando não somente o fundador, mas a toda sua família que abraçou seu sonho.
          Germano Pinto faleceu em 21/11/2015, aos 91 anos, com honras e respeito dos moradores da cidade que fundou e de que muito se orgulhava ter fundado e vivido.

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